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7.7.14
Comecei a ver: Gankutsuou
Na realidade comecei a ver Gankutsuou muito antes de Sailor Moon Crystal, mas queria ver alguns episódios antes de me pronunciar aqui. Simultaneamente também comecei a ler, é caso para dizer finalmente, O Conde de Monte Cristo, o que se tem tornado fulcral no visionamento desta série. Gankutsuou é simplesmente uma adaptação do conhecido romance de Alexandre Dumas. Mas de simples esta adaptação não tem nada e daqui resultou uma das séries anime mais originais que já vi.
Comecemos pelos gráficos. Gankutsuou apareceu numa época em que se experimentava muito com as novas tecnologias em 3D, em especial na fase da transição da pintura das imagens em acetato uma a uma à mão, para virem a ser quase exclusivamente coloridas em computador, um método mais rápido e eficaz, que permite a introdução de padrões e texturas mais fáceis de gerir. Já falei aqui nalgumas séries onde isso era evidente, ~ Ayakashi ~, ou Le Chevalier D'Éon, mas Gankutsuou é talvez o expoente máximo dessa fase de experimentação. Os cenários, um pouco à semelhança de Le Chevalier D'Éon mas menos realistas, são uma espécie de colagem de talhas, mármores, damascos, engrenagens rocambolescas e detalhes e objectos arquitectónicos reais, que lembram as pinturas de Gustav Klimt ou vitrais de catedrais góticas, e dão uma atmosfera onírica e surreal a todos os episódios, independentemente de onde a acção se passa, se no espaço ou num prosaico jardim. Esta conjugação que facilmente poderia falhar, é um regalo para os olhos e marca de uma forma muito original a conhecida narrativa de vingança. As personagens, com um traço relativamente reconhecível e simples, são pintadas com todo o tipo de texturas que se movem com elas e com alguma indiferença às mudanças de escala. No início custa um pouco a habituar o olhar nesta nova "gramática" de pintura animada, mas logo nos habituamos, pois a história é suficientemente cativante para que o trabalho artístico não se lhe sobreponha. Creio que se a história não fosse forte e bem estruturada, eu perdesse a vontade de continuar a ver, apesar de cada plano ser deslumbrante.
Se o aspecto gráfico de Gankutsuou é original, a equipa que produziu a série não se ficou por aí e em vez de fazer uma adaptação linear da história do Conde de Monte Cristo, como aliás muitas que já vi e gostei, resolveram mudar radicalmente o ponto de vista, retirá-lo ao Conde/Edmond e passá-lo para o filho do seu arqui-inimigo, Albert de Moncerf. Assim vamos descobrindo o plano de vingança do Conde através das suas potenciais vítimas e o Conde passa de vítima vingativa a vilão carismático. É sem dúvida uma reviravolta extremamente interessante que, tal como os gráficos, podia facilmente falhar, mas os argumentistas de Gankutsuou agarraram na sua decisão com punho firme e, para além de a narrativa correr rapidamente episódio a episódio, sem tempos mortos, têm sido coerentes e sólidos na mudança de ponto de vista. Mas não é apenas isso. Mantendo os nomes e locais (excepto um ou outro menos importantes) a acção passa-se num futuro incerto, num planeta que poderá ser a Terra com seres humanos e não-humanos. O espaço-tempo passa-se numa espécie de cruzamento de ficção científica com fantasia, que aliás justificam os cenários, as novas texturas e a paleta de cores invulgar.
Ambas as canções dos genéricos são insolitamente cantadas em inglês por um senhor com nome francês, Jean-Jacques Burnel. A voz dele lembra vagamente a de Damon Albarn dos Blur e as canções facilmente poderiam ser baladas da banda anglo-saxónica. É estranho, mas a melodia cola-se bem ao tom melancólico da história, os genéricos são bonitos e elaborados e de todo o conjunto é talvez o elemento mais banal.
Mal posso esperar para ver como se desenvolve a história, mas também quero ir novamente buscar O Conde de Monte Cristo à biblioteca, pois tive de o devolver quando ia a meio (é um calhamaço, um calhamaço que se lê bem, mas um calhamaço!). Estava a correr bem fazer as duas coisas ao mesmo tempo e o livro ajuda-me a manter-me a par de um leque enorme de personagens e de uma intriga bem rebuscada.
巌窟王
21.9.10
Comecei a ver: Blood +
Estou a gostar, e muito de Blood +! Gostei do filme, Blood the Last Vampire, mas, (ultimamente parece que digo sempre isto) não sendo o meu estilo de anime só o apreciei sob um olhar mais analítico. A série para TV, Blood +, adiciona à história da adolescente caçadora de quirópteros em Okinawa a dimensão que, para mim, faltava: a emoção e a empatia.
Esta Saya é uma Saya bem diferente da do filme (ainda não vi o live-action, mas calculo que seja semelhante ao outro), é uma rapariga amorosa, comilona, com amnésia, que tem como objectivo final a união da sua família mas mesmo assim está disposta a cumprir o seu destino. A Saya do filme era mais fria e indiferente, portanto menos humana e menos interessante como personagem.
Ao fim de 10 episódios ainda muito pouco do mistério que envolve Saya e os quirópteros foi desvendado, mas a narrativa já sofreu evoluções dramáticas bastante interessantes e já me cativou! A série introduz novas personagens fixas, os dois irmãos adoptivos de Saya, Kai, o circunspecto e caladão e Riku, doce e sossegado. Também introduz um "assistente", Hagi, que, digamos, é quem irá aos poucos guiando e ajudando Saya na sua caça ao quiróptero. Cada episódio evolui bastante, sem partes secantes ou de encher e inclui emoção e acção q.b. para agradar a meninos e meninas. Isso é bom! A introdução de pequenos elementos shoujo, como a partilha de almoços na escola, colégios internos femininos, rosas azuis, etc., contribuem para tornar este anime numa série mais abrangente. Como a mesma teve um sucesso razoável, parto do princípio que os rapazes gostam de um pouco de romance e que as raparigas gostam (ah isso gostam!) de acção.
A arte visual da série é límpida e bastante simples, um character design que faz lembrar bastante Yoshiyuki Sadamoto, de Evangelion, paisagens abertas e claras, mesmo quando está escuro ou faz mau tempo.
Para variar, desta vez gosto dos genéricos, não propriamente marcantes mas bonitos e com canções agradáveis, mas gosto especialmente das ilustrações do genérico final, num estilo muito Osamu Dezaki retro e da canção final, "Kataritsugu Koto" por Chitose Hajime, que já tinha cantado o genérico final de ~Ayakashi~ Japanese Classic Horror.
Esta série é longa e estou a gostar, portanto: aguardem-me!
BLOOD+(ブラッドプラス)
BLOOD+ (ブラッドプラス) 予告編ライブラリー
Animax
_____________
ERRATA: Hagi escreve-se, no nosso alfabeto, com G apesar de se pronunciar J.
16.5.06
~Ayakashi~ Bake Neko
Bake Neko só tem três episódios, mas de resto a política da série manteve-se: os genéricos mudaram seguindo o grafismo da história que também mudou.
Esta história fala de um vendedor de remédios que entra, sem ser convidado, num casamento de uma família de classe alta. A noiva morre imediatamente antes de sair de casa e o vendedor revela-se mais como uma espécie de exorcista ou xamã, cuja missão ali é matar um demónio que assombra a casa e os seus habitantes.
O grafismo é deveras interessante, a paleta de cores parece imediatamente tirada de uma gravura de kabuki de primeira edição, em que as cores mais primárias têm um brilho de novas. Todo o design dos cenários é extremamente barroco e colorido, a arquitectura da casa é tradicional, mas a sua decoração não corresponde à decoração, normalmente sóbria, em que as cores são secundárias, com contrastes fortes de claro-escuro. Aqui não há um painel, porta ou parede que não seja decorado, com motivos de animais, há umas fusuma (portas de correr) ricamente decoradas com dois galos, flores, plantas, etc. Também há uma grande predominância de vermelhos e azuis-esverdeados, sem abandonar, claro, o preto e os dourados. Variadas vezes somos lembrados das cores da cortina de um palco de kabuki, na sua exuberância. Em cima disto tudo, inclusive das personagens, foi aplicada uma textura, semelhante ao papel feito à mão, que reforça mais ainda esta sensação de gravura.
O character design é também muito interessante, principalmente porque não há duas caras parecidas (corrijo, há duas: Tamaki e a noiva, mas faz sentido), e são algo caricaturados. Todos têm caras com feições muito características, o velho tem penca de velho, a noiva (e Tamaki) são as duas belezas da história, a criada tem feições redondas e lábios cheios, um dos homens tem manchas na cara, um outro covinha no queixo, etc., etc. O único que é verdadeiramente diferente é o vendedor de remédios que, apesar de se dizer humano tem orelhas em bico e umas pinturas-tatuagens na cara que lhe dão imediatamente uma ligação ao xamanismo nipónico. É talvez a personagem com o character design de que menos gosto, talvez por ser o menos realista do conjunto, mas continua a fazer sentido, pois deixa-nos sempre na dúvida em relação ao que a personagem verdadeiramente é.
A animação continua sem mácula e a história é bastante interessante, emocionante e um pouco sinistra, pois a maldade dos homens supera a maldade do demónio (Bake Neko=gato-demónio).
Com esta história, termina a série ~Ayakashi~. Foi uma excelente aposta pois as histórias confirmam a grande fama de histórias fantásticas que o Japão tem. O grafismo e realização mudarem com cada história fez com que toda a série tivesse um ar de animação de autor, mais cuidada, trabalhada e personalizada, disfarçada de animação comercial. Esta série é um bom exemplo para mostrar que a animação no Japão não é só Ghost In the Shell ou Akira, que eles têm excelentes profissionais e uma tradição na animação de autor maior ainda!
É no Japão que há um dos mais importantes festivais de animação do mundo, o Festival de Hiroshima, e muitos dos autores, que trabalham na indústria para televisão, quem sabe se para pagar as contas, têm uma rica obra de filmes de autor bem menos conhecida que os seus trabalhos mais comerciais. O maior exemplo disso é o grande Osamu Tezuka, autor da primeira série de animação para televisão, Tetsuwan Atom, Astro Boy, que tem uma enorme filmografia de pequenos e muito bons filmes de autor.
怪~ayakashi~
Esta história fala de um vendedor de remédios que entra, sem ser convidado, num casamento de uma família de classe alta. A noiva morre imediatamente antes de sair de casa e o vendedor revela-se mais como uma espécie de exorcista ou xamã, cuja missão ali é matar um demónio que assombra a casa e os seus habitantes.
O grafismo é deveras interessante, a paleta de cores parece imediatamente tirada de uma gravura de kabuki de primeira edição, em que as cores mais primárias têm um brilho de novas. Todo o design dos cenários é extremamente barroco e colorido, a arquitectura da casa é tradicional, mas a sua decoração não corresponde à decoração, normalmente sóbria, em que as cores são secundárias, com contrastes fortes de claro-escuro. Aqui não há um painel, porta ou parede que não seja decorado, com motivos de animais, há umas fusuma (portas de correr) ricamente decoradas com dois galos, flores, plantas, etc. Também há uma grande predominância de vermelhos e azuis-esverdeados, sem abandonar, claro, o preto e os dourados. Variadas vezes somos lembrados das cores da cortina de um palco de kabuki, na sua exuberância. Em cima disto tudo, inclusive das personagens, foi aplicada uma textura, semelhante ao papel feito à mão, que reforça mais ainda esta sensação de gravura.
O character design é também muito interessante, principalmente porque não há duas caras parecidas (corrijo, há duas: Tamaki e a noiva, mas faz sentido), e são algo caricaturados. Todos têm caras com feições muito características, o velho tem penca de velho, a noiva (e Tamaki) são as duas belezas da história, a criada tem feições redondas e lábios cheios, um dos homens tem manchas na cara, um outro covinha no queixo, etc., etc. O único que é verdadeiramente diferente é o vendedor de remédios que, apesar de se dizer humano tem orelhas em bico e umas pinturas-tatuagens na cara que lhe dão imediatamente uma ligação ao xamanismo nipónico. É talvez a personagem com o character design de que menos gosto, talvez por ser o menos realista do conjunto, mas continua a fazer sentido, pois deixa-nos sempre na dúvida em relação ao que a personagem verdadeiramente é.
A animação continua sem mácula e a história é bastante interessante, emocionante e um pouco sinistra, pois a maldade dos homens supera a maldade do demónio (Bake Neko=gato-demónio).
Com esta história, termina a série ~Ayakashi~. Foi uma excelente aposta pois as histórias confirmam a grande fama de histórias fantásticas que o Japão tem. O grafismo e realização mudarem com cada história fez com que toda a série tivesse um ar de animação de autor, mais cuidada, trabalhada e personalizada, disfarçada de animação comercial. Esta série é um bom exemplo para mostrar que a animação no Japão não é só Ghost In the Shell ou Akira, que eles têm excelentes profissionais e uma tradição na animação de autor maior ainda!
É no Japão que há um dos mais importantes festivais de animação do mundo, o Festival de Hiroshima, e muitos dos autores, que trabalham na indústria para televisão, quem sabe se para pagar as contas, têm uma rica obra de filmes de autor bem menos conhecida que os seus trabalhos mais comerciais. O maior exemplo disso é o grande Osamu Tezuka, autor da primeira série de animação para televisão, Tetsuwan Atom, Astro Boy, que tem uma enorme filmografia de pequenos e muito bons filmes de autor.
怪~ayakashi~
24.4.06
~Ayakashi~ Tenshu Monogatari
Acabei de ver o segundo segmento de ~Ayakashi~.
Tenshu Monogatari trata-se da história do amor entre um humano, um falcoeiro, Zussho-no-zuke, e uma wasuregami (deusa esquecida), Tomi-hime. Por serem de dois mundos incompatíveis e diferentes (os wasuregami alimentam-se de humanos para sobreviver), o amor de ambos é logo amaldiçoado. Os dois tentam separar-se, Tomi-hime expulsa Zussho-no-zuke do castelo e ele casa-se com a sua noiva humana, Oshizu, mas não conseguem evitar voltar a ficar juntos.
A reaproximação de Zussho-no-zuke e Tomi-hime provoca uma guerra entre humanos e wasuregami que resulta num massacre do qual apenas sobrevivem os dois amantes que tomam a forma de dois falcões para permanecerem juntos.
Mesmo sendo uma história interessante, mais romântica e fantástica que a anterior, gostei mais de Yotsuya Kaidan. O character design e direcção de arte mudaram, as cores ficaram menos sombrias adoptando mais tons pastel e as personagens, mantendo um traço realista, foram suavizadas. Não sei se foi por isso ou não, mas achei a história menos empolgante e atraente, se bem que não é própriamente má ou aborrecida. Talvez seja menor conhecimento da época desta história, anterior a Yotsuya Kaidan, e das suas mitologias, mas o certo é que ficou aquém das minhas expectativas, senti falta de ter tido um ou dois arrepios a mais.
怪~ayakashi~
Tenshu Monogatari trata-se da história do amor entre um humano, um falcoeiro, Zussho-no-zuke, e uma wasuregami (deusa esquecida), Tomi-hime. Por serem de dois mundos incompatíveis e diferentes (os wasuregami alimentam-se de humanos para sobreviver), o amor de ambos é logo amaldiçoado. Os dois tentam separar-se, Tomi-hime expulsa Zussho-no-zuke do castelo e ele casa-se com a sua noiva humana, Oshizu, mas não conseguem evitar voltar a ficar juntos.
A reaproximação de Zussho-no-zuke e Tomi-hime provoca uma guerra entre humanos e wasuregami que resulta num massacre do qual apenas sobrevivem os dois amantes que tomam a forma de dois falcões para permanecerem juntos.
Mesmo sendo uma história interessante, mais romântica e fantástica que a anterior, gostei mais de Yotsuya Kaidan. O character design e direcção de arte mudaram, as cores ficaram menos sombrias adoptando mais tons pastel e as personagens, mantendo um traço realista, foram suavizadas. Não sei se foi por isso ou não, mas achei a história menos empolgante e atraente, se bem que não é própriamente má ou aborrecida. Talvez seja menor conhecimento da época desta história, anterior a Yotsuya Kaidan, e das suas mitologias, mas o certo é que ficou aquém das minhas expectativas, senti falta de ter tido um ou dois arrepios a mais.
怪~ayakashi~
21.2.06
~Ayakashi~ Yotsuya Kaidan
Neste interregno percebi a estrutura da série: São três histórias clássicas de terror Japonesas em blocos de quatro episódios cada. Com isto tudo, já terminei de ver o primeiro bloco: Yotsuya Kaidan.
Outra informação importante, para a qual me chamaram a atenção, é que o desenho de personagens original é do brilhante Yoshitaka Amano. Quem seja fã de jogos de computador há de conhecer, com certeza (eu não sou, nem de longe, especialista). Apesar de não estar à vontade no mundo dos jogos, já conhecia o trabalho de ilustrador de Amano, através de um fantástico livro de ilustrações que pude folhear com bastante atenção. O mesmo livro também esteve disponível nas livrarias portuguesas especializadas, na sua edição, se não me engano, francesa, um pouco mais barata que a original japonesa, mas com idêntica qualidade.
Quanto a Yotsuya Kaidan, no geral gostei bastante do resultado, se bem que, para quem não seja fluente em língua japonesa (i.e. a quem o japonês não seja a língua materna) é complicado seguir, com legendas, uma história tão complexa na sua intriga, numerosas e idênticas personagens e minuciosos detalhes de época. Mas, fora o facto de ser anime para ver mais que uma vez com atenção, é sinistro e arrepiante o suficiente, muito bem realizado e com uma direcção artística e banda-sonora para ninguém por defeito (apesar da estranheza do hip-hop inicial).
Estou expectante em relação às duas histórias que se seguem.
http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/yotsuya/index.html
Outra informação importante, para a qual me chamaram a atenção, é que o desenho de personagens original é do brilhante Yoshitaka Amano. Quem seja fã de jogos de computador há de conhecer, com certeza (eu não sou, nem de longe, especialista). Apesar de não estar à vontade no mundo dos jogos, já conhecia o trabalho de ilustrador de Amano, através de um fantástico livro de ilustrações que pude folhear com bastante atenção. O mesmo livro também esteve disponível nas livrarias portuguesas especializadas, na sua edição, se não me engano, francesa, um pouco mais barata que a original japonesa, mas com idêntica qualidade.
Quanto a Yotsuya Kaidan, no geral gostei bastante do resultado, se bem que, para quem não seja fluente em língua japonesa (i.e. a quem o japonês não seja a língua materna) é complicado seguir, com legendas, uma história tão complexa na sua intriga, numerosas e idênticas personagens e minuciosos detalhes de época. Mas, fora o facto de ser anime para ver mais que uma vez com atenção, é sinistro e arrepiante o suficiente, muito bem realizado e com uma direcção artística e banda-sonora para ninguém por defeito (apesar da estranheza do hip-hop inicial).
Estou expectante em relação às duas histórias que se seguem.
http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/yotsuya/index.html
24.1.06
~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror - Parte II
Andei a ler e a pesquisar um bocadinho e achei bem fazer uma adenda ao meu post anterior sobre ~Ayakashi~.
Pois bem: a trama inicial (não faço a mínima ideia se a série continua com outras estórias) deste anime baseia-se na peça de kabuki Tokaido Yotsuya Kaidan que nos conta uma rebuscada história de interesses, ambições, assassínios, crimes e chacina, com a adição de uns fantasmas bastante cruéis.
Tokaido Yotsuya Kaidan foi inicialmente encenada como uma espécie de "double feature" e seguimento de uma peça muito mais popular, o Chushingura. Ambas as peças são baseadas em factos reais. Chushingura, muitíssimo resumidamente, trata de um senhor da guerra que humilhado comete seppuku e os seus samurai, agora ronin, juntam-se para vingar o seu antigo mestre e no fim todos cometem seppuku.
Tokaido Yotsuya Kaidan apanha a história no seguimento desses acontecimentos e é tão ou mais sangrenta que Titus Andronicus de Shakespeare. O protagonista é Tamiya Iemon, um ronin, que casa com Oiwa contra os desejos do pai dela e a menospreza a seguir ao nascimento do filho de ambos. Sendo pretendido por uma jovem e bonita herdeira, Oume, a família dela desfigura Oiwa e Iemon separa-se dela quando ela morre acidentalmente. De seguida o fantasma de Oiwa e de Kohei, um antigo criado de Iemon, também brutalmente assassinado, assombram Iemon, levando-o a matar Oume, no dia do próprio casamento, a mãe, o pai dela e sei lá quem mais... Muitos baldes de sangue depois, Iemon acaba por se atirar a um rio, não aguentando mais tanta tortura.
Resumindo: este não é um anime para os mais sensíveis, mas sem dúvida que estabelece o mote para as histórias de terror japonesas e porque são tão cruéis e brutais. Como gosto muito de histórias de terror e tenho bastante interesse por kabuki, apesar de não perceber nada do assunto, não podia estar mais contente.
http://www.kabuki21.com/yotsuya_kaidan.php
Pois bem: a trama inicial (não faço a mínima ideia se a série continua com outras estórias) deste anime baseia-se na peça de kabuki Tokaido Yotsuya Kaidan que nos conta uma rebuscada história de interesses, ambições, assassínios, crimes e chacina, com a adição de uns fantasmas bastante cruéis.
Tokaido Yotsuya Kaidan foi inicialmente encenada como uma espécie de "double feature" e seguimento de uma peça muito mais popular, o Chushingura. Ambas as peças são baseadas em factos reais. Chushingura, muitíssimo resumidamente, trata de um senhor da guerra que humilhado comete seppuku e os seus samurai, agora ronin, juntam-se para vingar o seu antigo mestre e no fim todos cometem seppuku.
Tokaido Yotsuya Kaidan apanha a história no seguimento desses acontecimentos e é tão ou mais sangrenta que Titus Andronicus de Shakespeare. O protagonista é Tamiya Iemon, um ronin, que casa com Oiwa contra os desejos do pai dela e a menospreza a seguir ao nascimento do filho de ambos. Sendo pretendido por uma jovem e bonita herdeira, Oume, a família dela desfigura Oiwa e Iemon separa-se dela quando ela morre acidentalmente. De seguida o fantasma de Oiwa e de Kohei, um antigo criado de Iemon, também brutalmente assassinado, assombram Iemon, levando-o a matar Oume, no dia do próprio casamento, a mãe, o pai dela e sei lá quem mais... Muitos baldes de sangue depois, Iemon acaba por se atirar a um rio, não aguentando mais tanta tortura.
Resumindo: este não é um anime para os mais sensíveis, mas sem dúvida que estabelece o mote para as histórias de terror japonesas e porque são tão cruéis e brutais. Como gosto muito de histórias de terror e tenho bastante interesse por kabuki, apesar de não perceber nada do assunto, não podia estar mais contente.
http://www.kabuki21.com/yotsuya_kaidan.php
19.1.06
~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror
Acabadinho de estrear, este anime, só ainda vi o primeiro episódio. O subtítulo foi o que me despertou a curiosidade e, ao ler umas notas que os subbers fizeram, quis logo ver. Este é mais um anime, assim como Paradise Kiss, do novo bloco da Fuji TV, Noitamina, que visa um público mais adulto.
Pelo que até agora percebi o anime vai consistir em histórias independentes (ou não), mas o primeiro episódio baseia-se nos factos que deram origem a uma das peças clássicas de Kabuki (Kizewamono, histórias fantásticas, entre outras), Tokaido Yotsuya Kaidan, de Tsuruya Nanboku IV, que, por sua vez, originou um género muito popular no cinema japonês, o fantástico de terror.
Como a história está dividida, ainda não me vou pronunciar sobre a narrativa. Mas, apesar de me lembrar sempre com alguma nostalgia dos Clássicos da Literatura Japonesa, série que deu há alguns anos na RTP e que partilha, de certo modo, o conceito, gostei muito do modo como este universo da era de Edo foi transposto para a modernidade.
Toda a tecnologia moderna é aqui experimentada e muito bem conseguida. O facto de já não se pintar os acetatos e a cor ser digital resulta numa enorme vantagem estética, usando jogos de luz e sombras, enriquecendo a imagem com texturas e facilitando o uso de padrões nos tecidos, efeitos anteriormente muito difíceis de conseguir. Nos anime mais antigos evitava-se usar tecidos estampados por ser muito moroso e complicado animá-los. Dado que a era de Edo é uma das mais ricas, visualmente, no Japão, séc.XVII-XVIII, contemporânea do Barroco ocidental, imaginar um anime com este tipo de contexto, pintado artesanalmente em acetatos, perde-se logo muito do ambiente.
Não gostei particularmente do character design, parece que todos têm cara de mau e olhos demasiado rasgados (aqui está uma contradição à imagem mais comum do anime), mas serve na perfeição ao ambiente fantástico e de terror e às torturadas personagens.
Achei curioso o hip-hop na música do genérico de abertura, que não fica mal, apesar da estranheza ao início. A música do genérico final já está mais de acordo com o contexto, mas também não é má, apesar de não ser particularmente marcante.
http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/index.html [JP]
http://freya.tv/gg/[gg]_~ayakashi~_Japanese_Classic_Horror_01_-_pdf_notes_[02E0CE18].pdf [EN]
Pelo que até agora percebi o anime vai consistir em histórias independentes (ou não), mas o primeiro episódio baseia-se nos factos que deram origem a uma das peças clássicas de Kabuki (Kizewamono, histórias fantásticas, entre outras), Tokaido Yotsuya Kaidan, de Tsuruya Nanboku IV, que, por sua vez, originou um género muito popular no cinema japonês, o fantástico de terror.
Como a história está dividida, ainda não me vou pronunciar sobre a narrativa. Mas, apesar de me lembrar sempre com alguma nostalgia dos Clássicos da Literatura Japonesa, série que deu há alguns anos na RTP e que partilha, de certo modo, o conceito, gostei muito do modo como este universo da era de Edo foi transposto para a modernidade.
Toda a tecnologia moderna é aqui experimentada e muito bem conseguida. O facto de já não se pintar os acetatos e a cor ser digital resulta numa enorme vantagem estética, usando jogos de luz e sombras, enriquecendo a imagem com texturas e facilitando o uso de padrões nos tecidos, efeitos anteriormente muito difíceis de conseguir. Nos anime mais antigos evitava-se usar tecidos estampados por ser muito moroso e complicado animá-los. Dado que a era de Edo é uma das mais ricas, visualmente, no Japão, séc.XVII-XVIII, contemporânea do Barroco ocidental, imaginar um anime com este tipo de contexto, pintado artesanalmente em acetatos, perde-se logo muito do ambiente.
Não gostei particularmente do character design, parece que todos têm cara de mau e olhos demasiado rasgados (aqui está uma contradição à imagem mais comum do anime), mas serve na perfeição ao ambiente fantástico e de terror e às torturadas personagens.
Achei curioso o hip-hop na música do genérico de abertura, que não fica mal, apesar da estranheza ao início. A música do genérico final já está mais de acordo com o contexto, mas também não é má, apesar de não ser particularmente marcante.
http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/index.html [JP]
http://freya.tv/gg/[gg]_~ayakashi~_Japanese_Classic_Horror_01_-_pdf_notes_[02E0CE18].pdf [EN]
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