A quarentena serviu-me de alguma coisa: comprar um cabo HDMi para ligar o PC à TV e ver as coisas em ecrã grande e disciplinar-me a ver as séries que tenho cá por casa. O facto de algumas das séries que via na TV terem terminado, também ajudou que tivesse algum tempo extra para ver mais coisas penduradas. E o que anda mesmo muito pendurado são os animes, por isso resolvi também ver pelo menos um episódio por noite. Em tanta coisa que tenho pendurada, por onde começar? Ainda hesitei entre Michiko to Hatchin ou Gankutsuou, mas resolvi ir para aquela que foi o abandono mais criminoso de todos: Sailor Moon Crystal.
Finalmente terminei a saga da Black Moon, perdi a conta às vezes que vi o episódio 22, nas várias tentativas de retomar a série, mas estava difícil! O rescaldo das duas primeiras sagas de Crystal é um grande "porquê?". Porquê aquelas transformações num 3D manhoso, porquê um argumento pouco empolgante, quando o material de origem foi seguido quase à risca e foi completamente empolgante na primeira, segunda e terceira leituras? Porquê a Black Lady não tem pathos nenhum? Porquê as personagens parecem vazias? Se dependesse da Crystal, Sailormoon nunca seria um dos meus animes preferidos, seria daquelas séries que eu vejo para nunca mais pensar nela. Porquê?
Mas... Alguém lá em cima na hierarquia da Toei estava atento, e só pelo primeiro episódio de PGSMC-SIII, já deu para ver que o entusiasmo por esta série vai ser completmente diferente. Levou um valente upgrade!
Sailormoon S, na série antiga, é a minha temporada preferida e a Michiru/Sailor Neptune, a minha guerreira favorita. Mas como a Black Lady é talvez a minha vilã preferida de Sailormoon e não lhe achei graça nenhuma em Crystal, apesar de me dizerem que melhorou bastante com as Death Busters e as Witches 5, não fiquei convencida.
O que melhorou:
Começa com ambos os genéricos, em que as duas canções são muito mais bonitas, menos Sailormoon mas mais bonitas. A do genérico final até tem, pela primeiríssima vez, uma voz masculina! O genérico final, para além de lindíssimo, não esconde nada: Haruka e Michiru são um casal.
As transformações deixaram de ser no tal 3D manhoso, são muito parecidas com as de Sailormoon S, mas não tão bonitas, acho o character design e a animação estanhos. Mas face às anteriores, aceito e não refilo!
Não gosto tanto do character design da Haruka e da Michiru, mas como os das outras meninas melhorou, também não me queixo.
Gosto de o Pharaoh 90 aparecer logo de início e basicamente respeitarem o modo como a história é contada na manga.
Pela primeira vez Sailor Moon Crystal deixou-me empolgada para ver o próximo episódio! É caso para dizer: Finalmente!
アニメ:美少女戦士セーラームーン20周年プロジェクト公式サイト
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14.4.20
7.7.14
Comecei a ver: Gankutsuou
Na realidade comecei a ver Gankutsuou muito antes de Sailor Moon Crystal, mas queria ver alguns episódios antes de me pronunciar aqui. Simultaneamente também comecei a ler, é caso para dizer finalmente, O Conde de Monte Cristo, o que se tem tornado fulcral no visionamento desta série. Gankutsuou é simplesmente uma adaptação do conhecido romance de Alexandre Dumas. Mas de simples esta adaptação não tem nada e daqui resultou uma das séries anime mais originais que já vi.
Comecemos pelos gráficos. Gankutsuou apareceu numa época em que se experimentava muito com as novas tecnologias em 3D, em especial na fase da transição da pintura das imagens em acetato uma a uma à mão, para virem a ser quase exclusivamente coloridas em computador, um método mais rápido e eficaz, que permite a introdução de padrões e texturas mais fáceis de gerir. Já falei aqui nalgumas séries onde isso era evidente, ~ Ayakashi ~, ou Le Chevalier D'Éon, mas Gankutsuou é talvez o expoente máximo dessa fase de experimentação. Os cenários, um pouco à semelhança de Le Chevalier D'Éon mas menos realistas, são uma espécie de colagem de talhas, mármores, damascos, engrenagens rocambolescas e detalhes e objectos arquitectónicos reais, que lembram as pinturas de Gustav Klimt ou vitrais de catedrais góticas, e dão uma atmosfera onírica e surreal a todos os episódios, independentemente de onde a acção se passa, se no espaço ou num prosaico jardim. Esta conjugação que facilmente poderia falhar, é um regalo para os olhos e marca de uma forma muito original a conhecida narrativa de vingança. As personagens, com um traço relativamente reconhecível e simples, são pintadas com todo o tipo de texturas que se movem com elas e com alguma indiferença às mudanças de escala. No início custa um pouco a habituar o olhar nesta nova "gramática" de pintura animada, mas logo nos habituamos, pois a história é suficientemente cativante para que o trabalho artístico não se lhe sobreponha. Creio que se a história não fosse forte e bem estruturada, eu perdesse a vontade de continuar a ver, apesar de cada plano ser deslumbrante.
Se o aspecto gráfico de Gankutsuou é original, a equipa que produziu a série não se ficou por aí e em vez de fazer uma adaptação linear da história do Conde de Monte Cristo, como aliás muitas que já vi e gostei, resolveram mudar radicalmente o ponto de vista, retirá-lo ao Conde/Edmond e passá-lo para o filho do seu arqui-inimigo, Albert de Moncerf. Assim vamos descobrindo o plano de vingança do Conde através das suas potenciais vítimas e o Conde passa de vítima vingativa a vilão carismático. É sem dúvida uma reviravolta extremamente interessante que, tal como os gráficos, podia facilmente falhar, mas os argumentistas de Gankutsuou agarraram na sua decisão com punho firme e, para além de a narrativa correr rapidamente episódio a episódio, sem tempos mortos, têm sido coerentes e sólidos na mudança de ponto de vista. Mas não é apenas isso. Mantendo os nomes e locais (excepto um ou outro menos importantes) a acção passa-se num futuro incerto, num planeta que poderá ser a Terra com seres humanos e não-humanos. O espaço-tempo passa-se numa espécie de cruzamento de ficção científica com fantasia, que aliás justificam os cenários, as novas texturas e a paleta de cores invulgar.
Ambas as canções dos genéricos são insolitamente cantadas em inglês por um senhor com nome francês, Jean-Jacques Burnel. A voz dele lembra vagamente a de Damon Albarn dos Blur e as canções facilmente poderiam ser baladas da banda anglo-saxónica. É estranho, mas a melodia cola-se bem ao tom melancólico da história, os genéricos são bonitos e elaborados e de todo o conjunto é talvez o elemento mais banal.
Mal posso esperar para ver como se desenvolve a história, mas também quero ir novamente buscar O Conde de Monte Cristo à biblioteca, pois tive de o devolver quando ia a meio (é um calhamaço, um calhamaço que se lê bem, mas um calhamaço!). Estava a correr bem fazer as duas coisas ao mesmo tempo e o livro ajuda-me a manter-me a par de um leque enorme de personagens e de uma intriga bem rebuscada.
巌窟王
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