Literalmente A História de Genji, Romance Milenar, Genji Monogatari Sennenki é finalmente a adaptação ao formato série de anime, perfeitamente adequado ao romance e ao seu formato de novela interminável, pelas mãos de Osamu Dezaki.
Nenhum outro realizador poderia ser mais perfeito para adaptar esta obra, muito querida dos japoneses e considerada o primeiro romance da história, cuja história segue os vários romances e paixões do Príncipe Genji numa estrutura em tudo semelhante à estrutura básica das séries de anime: pequenas histórias episódicas e independentes interligadas por uma ténue mas presente linha narrativa principal, muitas vezes intimamente ligada ao(s) protagonista(s).
Osamu Dezaki é talvez, dentro dos realizadores clássicos de anime, um dos mais reconhecíveis, com um estilo marcado, muitas vezes ligado ao character design e animação de Shingo Araki, em séries de anime como Versailles no Bara, Ace o Nerae! ou Oniisama he… cuja história tem inclusive pequenas homenagens a Genji. O seu estilo, com personagens lânguidas, homens altos, belos e espadaúdos, mulheres belas, muitíssimo femininas e com cabelos ao vento, as faces longas, os planos intercalares extremamente dramáticos mas frequentemente de animação reduzida e com um trabalho de arte pormenorizado, iluminação dramática, paleta de cores reduzida, bandas sonoras exageradamente dramáticas, são únicos e tipicamente característicos do anime shoujo ou josei de romances perigosos ou proibidos, cujas personagens arriscam até a própria existência em prol das suas paixões.
Sendo O Romance de Genji o primeiríssimo exemplo destas características e cuja marca tão forte foi prevalecendo de tal forma na cultura de ficção nipónica que transitou para o anime shoujo, até tardou esta adaptação que, infelizmente é curta em episódios (só 11) e portanto só pode resumir ou contar parcialmente a longa narrativa do romance. Ao ver o primeiro episódio já deu para perceber que a adaptação não é literal e contada de forma um pouco mais linear e cronológica que o romance, cuja infância de Genji é sugerida ao longo do decorrer dos diversos eventos e romances. Dezaki também introduz alguns novos detalhes, concentrando-se agora na infância de Genji e nos eventuais porquês das suas paixões para posteriormente vir a desenvolver a personagem.
Em termos técnicos, Dezaki, de quem já não via nenhum trabalho significativo há bastante tempo, usufrui em pleno o que as novas tecnologias lhe proporcionam, transformando o que antigamente seriam planos parados ou rudimentares em maravilhas de detalhe em movimento. Um recurso dramático que provavelmente começou a ser utilizado para ultrapassar certos entraves técnicos, transformou-se num estilo e deu azo a belíssimas imagens, dignas do Príncipe Genji, nesta série.
Por outro lado a utilização de uma canção pop/rock das PUFFY no genérico inicial é, no mínimo, divertida e surpreendente, continuando a tendência de colocar música moderna e popular nos genéricos de anime de época em vez da lógica música tradicional. Também é engraçado este retorno das PUFFY, já um pouco "velhas" no panorama do J-Pop, principalmente após a notoriedade que atingiram no Ocidente.
Infelizmente, por questões de disponibilidade, ainda não terminei de ler o romance. Sei que não há de ser condição para apreciar condignamente a série, mas gosto de fazer a análise comparativa, e logicamente não o irei poder fazer em relação à totalidade da narrativa tão cedo. Gostei deste lindíssimo e primeiro episódio, veremos que caminho Dezaki escolheu para resumir a história, se a conta parcialmente (como o filme) ou se salta partes reformulando a narrativa e que romances privilegia em detrimento de outros.
アニメ「源氏物語千年紀 Genji」公式サイト
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19.5.09
16.6.08
Genji Monogatari
O romance de Genji é considerado o primeiro romance da história da humanidade. Escrito no séc.XI, por uma cortesã, Murasaki Shikibu, foi um livro escrito ao longo de muito tempo em que ela conta, em estilo novela, as aventuras e desventuras amorosas do Príncipe Resplandecente Genji. Recentemente este livro foi traduzido para português (em duas edições) e eu comecei a ler a da editora Êxodus, traduzido, de quatro versões em inglês e espanhol, por Lígia Malheiro. Ainda mal comecei a ler e o livro para além de ter dois volumes é um calhamaço, portanto ver o filme apenas serve para me situar visualmente num universo cujas referências são muito poucas.A primeira impressão é que, sendo o livro tão longo e estruturado em capítulos mais ou menos independentes, uma adaptação para um filme de cerca de hora e meia há de deixar sempre muita coisa de lado. A meu ver o mais prático seria fazer uma série, mas será que os japoneses querem ser mais uma vez bombardeados com o Genji? E será que, numa época em que séries deste tipo não têm mais que 13 ou 26 episódios, uma série de televisão aguentava mais que 40 ou 50 episódios? É pouco provável, portanto tenho de me contentar com o filme.
À partida o filme não surpreende. Para a época em que foi produzido (1987) até é muito bem feito. É visualmente correcto e rico, o character design está algures entre as ilustrações antigas, o Ukiyo-e e o grafismo mais clássico do anime, a paleta de cores é elegante e adequada à época, portanto satisfaz naquilo que eu buscava, uma referência visual. O ritmo, como também seria de esperar, é lento. A animação é também fluida, com boa qualidade e alguns efeitos interessantes. A música é um excercício interessante de música electrónica com muitos sons tradicionais, ou vice-versa. Não é impressionante mas sublinha bem o filme.
A história já não entusiasma... Como ainda não posso comparar com o livro, apenas dá para perceber que 'tentaram enfiar o Rossio na R. da Betesga' e não conseguiram. A história dá grandes saltos temporais (alguns também existem no livro, mas não tão espaçados), não existem grandes picos emocionais, é apenas uma sucessão dos episódios mais importantes na vida de Genji, antes de partir para o exílio. Até parece que assumem, da parte do espectador, um conhecimento prévio da obra. O delírio final, à la 2001: Odisseia no Espaço é que não vem nada a propósito. Há uma mudança radical de estilo tanto da narrativa (que adquire um lado mais fantasmagórico) como visual, onde tudo deixa de fazer sentido. Como muitas adaptações do género, tentaram deixar as coisas em aberto, mas a solução não foi nada feliz.
Ver este filme esclareceu alguns aspectos da cultura japonesa que muitas vezes transparecem no anime, em concreto Oniisama E... que acabei de ver recentemente. Em Oniisama E... muitas das alunas mais veneradas são chamadas com o sufixo -no kimi, era o modo como as pessoas se tratavam na época de Genji em vez do -sama, -san, etc. dos dias de hoje. O que me leva a outra imagem de Oniisama E... em que Nanako muitas vezes visualiza Kaoru-no kimi como o Príncipe Genji. As minhas afirmações do gosto das japonesas por homens belos e refinados são aqui todas confirmadas, o Príncipe ideal para as japonesas é o Hikaru no Ouji Genji, ou seja o Príncipe Resplandecente Genji, cujas actividades principais eram embelezar-se e conquistar mulheres. Depois há as sakura, as momiji, as hina, etc. etc. etc.
Não existe um site oficial, mas deixo aqui alguns links que encontrei sobre o filme e o livro:
Murasaki Shikibu Genji Monogatari (ANN)
紫式部 源氏物語
Murasaki Shikibu: Japan's First Novelist
The Picture Scroll of the Tale of Genji
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