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24.8.10

Satoshi Kon

Foi com um grande choque que li a notícia da morte de Satoshi Kon hoje. Não sendo muito fã dele e do seu estilo peculiar, desde as primeiras obras que vi dele que reconheço o seu génio e é esse mesmo estilo peculiar que o torna num. Hoje é um dia triste para o anime, ele era um pilar muito importante na disseminação e divulgação do anime no mundo e ainda por cima um com a melhor das qualidades.

Escolhi o cartaz do Paprika, por achar que é uma das imagens mais representativas do universo complexo e surrealista deste realizador. Felizmente na sua curta vida Satoshi Kon foi bem prolífico, deixou-nos muito de si, para sempre.








EDIT: 28.08.2010
Deram-me o link para este, o último filme completo de Satoshi Kon: uma delícia!

O-HA-YO - Satoshi Kon - Good Morning from Elrinda on Vimeo.



今 敏 オフィシャル・サイト - KON'S TONE
Satoshi Kon (Wikipedia)

29.11.05

Nippon Koma: dia 2

Hoje a sessão da tarde não foi anime, mas vou comentar na mesma os documentários.

Desde a primeira edição do Nippon Koma que acho que a grande maioria dos documentários que passam têm como característica a crueza e despojamento de serem feitos por quase amadores com banais câmeras de vídeo 8 ou digitais, estes dois documentários não fugiram à regra.

No primeiro, Now, Where, To? (Tsugi-doko-iku?), o realizador partiu de uma visita a um complexo de apartamentos sociais abandonado para interrogar os próprios pais, a viver num complexo semelhante, acerca do que pensam da própria vida, da sua vivência no apartamento e do que esperam para o futuro. Como bons japoneses as respostas são lacónicas. Ambos sentem que já contribuiram para a sociedade, com filhos e trabalho, conformaram-se, não ambicionam nada em particular.

O segundo filme, Grainy Days (não consegui fixar o título original - que não vem mencionado no programa) mostra-nos o dia-a-dia monótono de uma rapariga que trabalha numa fábrica de Nattou, a sua curiosidade por aviões dada a proximidade ao aeroporto de Narita, o seu reencontro com uma ex-colega de escola, agora prostituta e a concretização da curiosidade, voando num avião.

À noite tivemos a exibição de um clássico: Memories. Não sou grande fã de Katsuhiro Otomo, mas como ainda não tinha visto este filme (ou conjunto de três filmes) fui vê-lo.
O primeiro filmezinho, Magnetic Rose de Koji Morimoto, mostra-nos uma equipe de limpeza de detritos espaciais que é transportada para um universo surreal guiada ao som de Madama Butterfly para salões barrocos de mármore e talha, palcos de ópera, jardins idílicos até às memórias electrónicas de uma suposta diva da ópera vestida à séc.XVIII. Tudo é uma espécie de armadilha para atrair naves espaciais distraídas e engoli-las como se de uma rosa carnívora a engolir um insecto se tratasse.
O segundo filme (e o mais divertido, sem dúvida), Stink Bomb de Tensai Okamura, é uma sátira ao exército japonês com um dedinho do exército americano e a experiências de guerra química ultra-secretas. Toda esta organização metódica e muito séria é posta em causa e mesmo frustrada por um simples funcionário gripado e com excesso de zelo, numa progressão cómica muito bem engendrada.
O terceiro e último filmezinho, Cannon Fodder do famosérrimo Katsuhiro Otomo, mostra-nos um dia na vida de uma sociedade em constante guerra sem propósito e os pequenos sonhos idealizados de um miúdo comum. Este filme tem uma estética bem invulgar para um anime e é muito interessante, mas a mim não me cativou em particular.

Os três filmes são fruto de uma produção muito cuidada que deixa muito além as vulgares produções para televisão. As histórias são originais, com estruturas fora da norma e com um trabalho técnico coerente e muito bem conseguido. De certa forma podem ser considerados filmes de autor comerciais, se é que tal coisa existe (?).

http://www.imdb.com/title/tt0113799/

NOTA: infelizmente outra informação acerca dos primeiros filmes não foi fácil de achar na net, não faço a mínima ideia onde foram desencantá-los

Nippon Koma: dia 1

Nippon Koma é um ciclo de cinema japonês, centrado sobretudo em animação de autor ou alternativa e em documentários, que vai já na 3ª edição, na Culturgest em Lisboa. Desde a primeira edição que deu para perceber que o grande mérito deste ciclo é se poder ver coisas a que difícilmente se teria acesso de outra forma.

O programa das duas sessões de hoje foi a projecção integral da série de anime Paranoia Agent do muito conhecido Satoshi Kon. O bom de ver uma série inteira de seguida é ter-se uma visão do conjunto e a resolução sem a ansiedade de esperar uma semana por cada episódio. A série é curtinha, tem 7 episódios e foi produzida para passar no canal de cabo Wowowow, que tem feito uma aposta séria em anime.

A história desenvolve-se de uma forma bastante surrealista e é contada sob dois pontos de vista: primeiro o das vítimas do 'Shounen Bat' e depois pelo ponto de vista dos investigadores e da investigação. O interessante é que as personagens, mais ou menos desequilibradas, são todas muito ricas e muito realistas, apesar de a história nem sempre ser realista no modo como é contada. Através delas vemos diversos estratos, nem sempre agradáveis e políticamente correctos, da sociedade japonesa, como por exemplo a velhota sem-abrigo que vive (como todos os sem-abrigo no Japão) numa tenda de linóleo azul num jardim público, ou o pai que fotografa a filha adolescente na sua privacidade e vai a prostitutas pedir-lhes que lhe chamem de "paizinho".

Esta foi talvez a sessão comercial do ciclo, se bem que, amanhã também vai dar o muitíssimo famoso Memories de Katsuhiro Otomo, famoso pelo Akira.

Pena foi a primeira sessão (das 18h30), onde passaram os primeiros 4 episódios ter sido dobrada em inglês com legendas em inglês e, pior, com a imagem, originalmente a 16:9 (letterbox), a 3:4 (écran de televisão), portanto distorcida. Como dei por isso fui chamar a atenção ao projeccionista e, felizmente, na sessão seguinte os erros foram ambos corrigidos. Num ciclo com a qualidade que costuma ter o Nippon Koma, não se pode admitir que o anime seja menosprezado como num qualquer canal de televisão, sómente porque o japonês é uma língua estranha e incompreensível para a grande maioria.

http://www.culturgest.pt/actual/nippon_koma.html
http://www.paranoiaagent.com/
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