Pois é, vai recomeçar a maratona Nippon Koma no Anime-comic. Confesso que estou com boas expectativas para a edição de este ano que parece ter uma programação mais sólida e esperemos que seja desta que não haja os problemas técnicos do costume. Infelizmente o programa ainda não satisfaz por completo, apesar das claras melhorias. Mas o dia de hoje correu bem, e por isso só tenho de dar os parabéns à organização e à Culturgest.
Agora os filmes (que é o que interessa):
A sessão da tarde foi preenchida com a compilação de curtas de animação Genius Party, em substituição do originalmente previsto Appleseed (já não sei qual versão, suponho que a mais recente, tinha de ir procurar ao programa da Culturgest - em papel - e agora não me apetece). É refrescante ver que grandes nomes do anime comercial também conseguem fazer filmes de autor, mas nem todos são 100% bem-sucedidos na tarefa. Será falta de prática? Será que precisam de "fronteiras" e restricções para serem verdadeiramente criativos? A meu ver há lugar para tudo e é um bocado como uma velha máxima, de que "bons profissionais não dão bons professores", mas há sempre excepções.
O primeiro filme, Genius Party Opening, de Atsuko Fukushima, é um deleite para os sentidos, uma pequena animação de técnicas mistas, com um ambiente psicadélico que faz lembrar velhos filmes de animação de autor, tais como La Planète Sauvage, de René Laloux, com um belo toque moderno, mais notório nos "néons" em CGI. O segundo filme, Shanghai Dragon, do renomado Shoji Kawamori (Macross, Macross Plus, Escaflowne, etc.), brinda-nos com um trabalho artístico fora do comum, uma animação de primeira qualidade e uma história de pequenos-grandes mal-entendidos divertida. Mais convencional que o anterior, estes dois foram os meus preferidos dos sete. Deathtic 4 e Happy Machine são dois filmes bem diferentes entre si mas ambos muito interessantes (e algo surrealistas), Limit Cycle é uma daquelas secas demasiado densas, existencialistas com excesso de informação, tanto no texto como visualmente. É daqueles filmes que nos perguntamos, mas afinal onde é que ele quer chegar, pois o filme satura ao fim do primeiro minuto, apesar de exuberante. Por fim, não deixando de ser um bom filme, Baby Blue, a maior decepção de todos, pois vindo de quem vem, Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop, Samurai Champloo e agora Michiko to Hatchin), que chamou a atenção pelo seu trabalho vanguardista e arrojado na indústria, traz-nos um filme comedido e discreto, com a velha temática nostálgica das separações e rebeldias da adolescência, sempre interessantes, mas que começam a tornar-se algo repetitivas no panorama da animação japonesa. O filme é bem giro e gostei, mas talvez se não tivesse sabido de antemão de quem é, tivesse gostado muito mais.
À noite foi a hora do documentário, Wings of Defeat, um documentário por uma nisei norte-americana, Risa Morimoto, acerca dos pilotos de kamikaze que sobreviveram e os seus testemunhos na primeira pessoa acerca das suas impressões sobre a sua missão e a II Guerra Mundial. Não sendo um documentário particularmente brilhante a nível cinematográfico, é um estudo interessante sobre a inutilidade da guerra e, principalmente da bomba atómica. Muito antes das bombas terem sido lançadas, o Japão já tinha claramente perdido a guerra, e só a vontade teimosa de um homem (o Imperador Showa, Hirohito) é que adiava o inevitável. O poder bélico norte-americano era claramente superior, o Japão tinha pior tecnologia, menos recursos, já tinha o exército e o país praticamente dizimado, não havia necessidade de tomar medidas tão drásticas, especialmente por duas vezes. Mesmo assim é interessante ver os testemunhos de quem, ingenuamente, travou a guerra em primeira mão (e não são apenas soldados japoneses) e de como partilham convicções humanas de que tudo aquilo por que passaram poderia ter sido de outra forma, não fora essa agressividade incontrolável do Homem.
Culturgest
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9.12.08
14.11.08
Comecei a ver: Michiko to Hatchin
É quase caso para dizer finalmente, pois a série que eu esperava com maior antecipação da nova estação já estreou há mais de um mês!
Quando vi o trailer desta série, ainda no Verão, só pensei: "Isto parece um filme de Quentin Tarantino com Robert Rodriguez, versão anime, no Brasil e produzido pela Manglobe!", isto tudo com os olhos arregalados de entusiasmo. Está aqui uma boa e invulgar conjugação de elementos.
O trailer prometia acção e, o primeiro episódio, mesmo antes do genérico dá-nos acção digna do último James Bond! Aliás Michiko lembra a Camille de Quantum of Solace, mas já lá vou! O genérico, bem ao estilo da Manglobe, faz-nos lembrar o genérico de Cowboy Bebop no seu estilo gráfico-pop e com a sua música drum & base. O facto de fazer lembrar Cowboy Bebop não desmerece este genérico que é absolutamente maravilhoso e há de ficar também na memória. Naturalmente que apenas no primeiro episódio, temos pouca noção do que aí vem em termos de história (não em termos de acção, que essa promete e muita!), mas apresentou-nos as personagens, Michiko, uma bandida implacável, morena boazona, que vive descascada, como boa brasileira-morena-boazona que é, e Hatchin a miúda órfã, quase coitadinha, mas que tem personalidade suficiente para se rebelar e não se conformar ao seu injusto destino.
Michiko to Hachin, ou então Michiko e Hatchin, mostra-nos um Brasil idealizado (não idealista) que é um misto das paisagens de sonho e miséria terceiro-mundista que, certamente não corresponde à realidade (espero bem que não!). Mas visualmente os autores, seguindo uma interessante pesquisa, criam um universo ficcional meio realista, meio retro, muitíssimo rico, pormenorizado e interessante, que é um regalo para os olhos. O character design é fantástico, mostrando-nos uma Michiko que é uma personificação da gaja-boa brasileira, de pele morena, lábios carnudos, cabelo escuro (mas liso), com roupas reduzidas e cheia de dourados! Eu bem disse que fazia lembrar a Camille, se bem que Camille é um pouco menos chunga. No lado oposto temos uma Hatchin um tanto caricaturada, versão infantil exagerada de uma miúda franzina com excesso de cabelo. Será que os totós e laços da órfã são uma homenagem subliminar a Candy Candy???
Claro que temos incoerências sociais, a miséria apresentada é exagerada, as instituições são antiquadas, os carros da polícia ainda são Carochas (o Brasil foi um dos últimos países do mundo a deixar de fabricar estes carros) e o padre é casado! Acho que os japoneses precisam de ver mais telenovelas! Por falar em novelas, estava a dar uma na televisão da sala do padre, heheee! A mota, que faz lembrar uma Vespa, versão II Guerra Mundial alterada, é simplesmente fa-bu-lo-sa!!!!! Também, para variar, temos a introdução num universo latino-americano, de pequenos pormenores nipónicos, como nomes japoneses, Hatchin a lavar o chão de joelhos, por oposição à esfregona, o café da manhã sem café e com omelete, ou as portas de correr e o ar oriental do banco que Michiko assalta.
A animação é de primeira qualidade, nem parece que estamos a ver uma série de TV. A Manglobe não desilude e mantém a fasquia alta, o que nos proporciona um visionamento muito mais interessante. É uma animação fluida e muito dinâmica, que torna as sequências de acção, se nada mais, obrigatórias de ver.
Gostei muito das vozes tanto de Michiko, muito grave, ligeiramente nasalada, mas muito feminina, como a de Hatchin, jovem mas sem ser infantil ou infantilizada. Neste anime não há lugar para vozes esganiçadas ou em falsete, como é habitual. É engraçado reparar que, em geral, acertam na pronúncia brasileira... Os nomes, dos locais e pessoas, é que são um tanto estranhos, e há um errozito ortográfico aqui e ali, mas nada de extraordinário.
Estou entusiasmada, não estou? Pois é, é que este anime prometia muito e o primeiro episódio está a léguas de desiludir. Ainda por cima com o selo de garantia da Manglobe, equipa que se formou com a série Cowboy Bebop, com Shinichiro Watanabe a liderar as hostes, e que criou na Manglobe Samurai Champloo e Afro Samurai, duas séries invulgares e muito interessantes que têm em comum com esta a mistura incoerente de aspectos tradicionais com um modernismo retro-funk, mas que resulta! Com uma banda-sonora que vai entre o jazz, o funk, o hip-hop e, claro, a bossa-nova, na pior das hipóteses esta é uma série divertida e bem animada.
ミチコと八チン
Quando vi o trailer desta série, ainda no Verão, só pensei: "Isto parece um filme de Quentin Tarantino com Robert Rodriguez, versão anime, no Brasil e produzido pela Manglobe!", isto tudo com os olhos arregalados de entusiasmo. Está aqui uma boa e invulgar conjugação de elementos.
O trailer prometia acção e, o primeiro episódio, mesmo antes do genérico dá-nos acção digna do último James Bond! Aliás Michiko lembra a Camille de Quantum of Solace, mas já lá vou! O genérico, bem ao estilo da Manglobe, faz-nos lembrar o genérico de Cowboy Bebop no seu estilo gráfico-pop e com a sua música drum & base. O facto de fazer lembrar Cowboy Bebop não desmerece este genérico que é absolutamente maravilhoso e há de ficar também na memória. Naturalmente que apenas no primeiro episódio, temos pouca noção do que aí vem em termos de história (não em termos de acção, que essa promete e muita!), mas apresentou-nos as personagens, Michiko, uma bandida implacável, morena boazona, que vive descascada, como boa brasileira-morena-boazona que é, e Hatchin a miúda órfã, quase coitadinha, mas que tem personalidade suficiente para se rebelar e não se conformar ao seu injusto destino.
Michiko to Hachin, ou então Michiko e Hatchin, mostra-nos um Brasil idealizado (não idealista) que é um misto das paisagens de sonho e miséria terceiro-mundista que, certamente não corresponde à realidade (espero bem que não!). Mas visualmente os autores, seguindo uma interessante pesquisa, criam um universo ficcional meio realista, meio retro, muitíssimo rico, pormenorizado e interessante, que é um regalo para os olhos. O character design é fantástico, mostrando-nos uma Michiko que é uma personificação da gaja-boa brasileira, de pele morena, lábios carnudos, cabelo escuro (mas liso), com roupas reduzidas e cheia de dourados! Eu bem disse que fazia lembrar a Camille, se bem que Camille é um pouco menos chunga. No lado oposto temos uma Hatchin um tanto caricaturada, versão infantil exagerada de uma miúda franzina com excesso de cabelo. Será que os totós e laços da órfã são uma homenagem subliminar a Candy Candy???
Claro que temos incoerências sociais, a miséria apresentada é exagerada, as instituições são antiquadas, os carros da polícia ainda são Carochas (o Brasil foi um dos últimos países do mundo a deixar de fabricar estes carros) e o padre é casado! Acho que os japoneses precisam de ver mais telenovelas! Por falar em novelas, estava a dar uma na televisão da sala do padre, heheee! A mota, que faz lembrar uma Vespa, versão II Guerra Mundial alterada, é simplesmente fa-bu-lo-sa!!!!! Também, para variar, temos a introdução num universo latino-americano, de pequenos pormenores nipónicos, como nomes japoneses, Hatchin a lavar o chão de joelhos, por oposição à esfregona, o café da manhã sem café e com omelete, ou as portas de correr e o ar oriental do banco que Michiko assalta.
A animação é de primeira qualidade, nem parece que estamos a ver uma série de TV. A Manglobe não desilude e mantém a fasquia alta, o que nos proporciona um visionamento muito mais interessante. É uma animação fluida e muito dinâmica, que torna as sequências de acção, se nada mais, obrigatórias de ver.
Gostei muito das vozes tanto de Michiko, muito grave, ligeiramente nasalada, mas muito feminina, como a de Hatchin, jovem mas sem ser infantil ou infantilizada. Neste anime não há lugar para vozes esganiçadas ou em falsete, como é habitual. É engraçado reparar que, em geral, acertam na pronúncia brasileira... Os nomes, dos locais e pessoas, é que são um tanto estranhos, e há um errozito ortográfico aqui e ali, mas nada de extraordinário.
Estou entusiasmada, não estou? Pois é, é que este anime prometia muito e o primeiro episódio está a léguas de desiludir. Ainda por cima com o selo de garantia da Manglobe, equipa que se formou com a série Cowboy Bebop, com Shinichiro Watanabe a liderar as hostes, e que criou na Manglobe Samurai Champloo e Afro Samurai, duas séries invulgares e muito interessantes que têm em comum com esta a mistura incoerente de aspectos tradicionais com um modernismo retro-funk, mas que resulta! Com uma banda-sonora que vai entre o jazz, o funk, o hip-hop e, claro, a bossa-nova, na pior das hipóteses esta é uma série divertida e bem animada.
ミチコと八チン
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