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31.7.11

Macoto Takahashi

Era uma vez... em Portugal nos anos 70. Ainda não existia "anime", mas existiam "desenhos animados japoneses". Os desenhos animados japoneses eram a Heidi e o Marco (ew!) e a Candy Candy ainda nem sequer tinha nascido... Numa era em que quase nenhum dos conceitos com que um fã de anime actual se rege ainda tinha sido criado, quase todas as meninas ansiavam por um estojo em vinil brilhante, cheio de compartimentos e com uns desenhos de umas meninas, muito bonitos e românticos. Às vezes conseguiam umas bonecas de papel de Badajoz ou Ayamonte com ums desenhos parecidos, mas o estojo era o grande objectivo para exibir na escola.

Portanto, num mundo muito anterior a pseudo-otakus, Gothic-Lolitas ou à internet, já muitas meninas portuguesas conheciam o trabalho de Macoto Takahashi, mesmo que não soubessem o seu nome. Eu era uma delas, ansiei pelo tal estojo sem nunca o ter conseguido obter. Na altura pensava que eram espanhóis, pois a grande maioria vinha de Espanha, ou chineses, por causa dos caracteres. Depois da Candy Candy estrear (1983) confirmei que eram japoneses, mas nessa altura, para além de já não ambicionar perdidamente um, também já não eram tão fáceis de arranjar (coisa que nunca foram verdadeiramente).

Nos últimos anos tenho me apercebido destes desenhos de meninas de olhos muito redondos e cintilantes nas capas da revista japonesa Gothic and Lolita Bible, mas no meio de tantos autores de shoujo retro, encarei como mais um e continuei a perseguir aqueles que mais me chamam a atenção: Yumiko Igarashi (Candy Candy, Georgie!) e Ryoko Ikeda (Versailles no Bara, Oniisama He…). Há dias esbarrei com uma imagem de Macoto Takahashi e resolvi pesquisar. Os desenhos são deveras estáticos e as expressões das meninas, sempre meninas, são praticamente sempre iguais, mas o encanto destas ilustrações e a meticulosidade do detalhe são de um talento inigualável e maravilhoso!

Macoto Takahashi é na sua essência um ilustrador, já septuagenário, que continua tão activo hoje como nos anos 60 e 70 e mantém o mesmo estilo retro que nos deu a conhecer através das ilustrações que fez outrora para merchandising. Olhando para os seus desenhos apercebo-me de como o design do shoujo, onde Macoto é uma das principais influências de estilo, mudou tão pouco até aos anos 90 e, talvez com o advento da internet - quem sabe, deu uma volta enorme com uma clara tendência para o novo estilo "moe", que aliás não é shoujo.

Aconselho a darem uma olhadela pelo site oficial, e ver estas ilustrações maravilhosas. Pena é que nunca tenha conseguido o tal estojo!!

MACOTO Art

ilustração/merchandising

19.5.09

Comecei a ver: Genji Monogatari Sennenki

Literalmente A História de Genji, Romance Milenar, Genji Monogatari Sennenki é finalmente a adaptação ao formato série de anime, perfeitamente adequado ao romance e ao seu formato de novela interminável, pelas mãos de Osamu Dezaki.

Nenhum outro realizador poderia ser mais perfeito para adaptar esta obra, muito querida dos japoneses e considerada o primeiro romance da história, cuja história segue os vários romances e paixões do Príncipe Genji numa estrutura em tudo semelhante à estrutura básica das séries de anime: pequenas histórias episódicas e independentes interligadas por uma ténue mas presente linha narrativa principal, muitas vezes intimamente ligada ao(s) protagonista(s).

Osamu Dezaki é talvez, dentro dos realizadores clássicos de anime, um dos mais reconhecíveis, com um estilo marcado, muitas vezes ligado ao character design e animação de Shingo Araki, em séries de anime como Versailles no Bara, Ace o Nerae! ou Oniisama he… cuja história tem inclusive pequenas homenagens a Genji. O seu estilo, com personagens lânguidas, homens altos, belos e espadaúdos, mulheres belas, muitíssimo femininas e com cabelos ao vento, as faces longas, os planos intercalares extremamente dramáticos mas frequentemente de animação reduzida e com um trabalho de arte pormenorizado, iluminação dramática, paleta de cores reduzida, bandas sonoras exageradamente dramáticas, são únicos e tipicamente característicos do anime shoujo ou josei de romances perigosos ou proibidos, cujas personagens arriscam até a própria existência em prol das suas paixões.

Sendo O Romance de Genji o primeiríssimo exemplo destas características e cuja marca tão forte foi prevalecendo de tal forma na cultura de ficção nipónica que transitou para o anime shoujo, até tardou esta adaptação que, infelizmente é curta em episódios (só 11) e portanto só pode resumir ou contar parcialmente a longa narrativa do romance. Ao ver o primeiro episódio já deu para perceber que a adaptação não é literal e contada de forma um pouco mais linear e cronológica que o romance, cuja infância de Genji é sugerida ao longo do decorrer dos diversos eventos e romances. Dezaki também introduz alguns novos detalhes, concentrando-se agora na infância de Genji e nos eventuais porquês das suas paixões para posteriormente vir a desenvolver a personagem.

Em termos técnicos, Dezaki, de quem já não via nenhum trabalho significativo há bastante tempo, usufrui em pleno o que as novas tecnologias lhe proporcionam, transformando o que antigamente seriam planos parados ou rudimentares em maravilhas de detalhe em movimento. Um recurso dramático que provavelmente começou a ser utilizado para ultrapassar certos entraves técnicos, transformou-se num estilo e deu azo a belíssimas imagens, dignas do Príncipe Genji, nesta série.


Por outro lado a utilização de uma canção pop/rock das PUFFY no genérico inicial é, no mínimo, divertida e surpreendente, continuando a tendência de colocar música moderna e popular nos genéricos de anime de época em vez da lógica música tradicional. Também é engraçado este retorno das PUFFY, já um pouco "velhas" no panorama do J-Pop, principalmente após a notoriedade que atingiram no Ocidente.

Infelizmente, por questões de disponibilidade, ainda não terminei de ler o romance. Sei que não há de ser condição para apreciar condignamente a série, mas gosto de fazer a análise comparativa, e logicamente não o irei poder fazer em relação à totalidade da narrativa tão cedo. Gostei deste lindíssimo e primeiro episódio, veremos que caminho Dezaki escolheu para resumir a história, se a conta parcialmente (como o filme) ou se salta partes reformulando a narrativa e que romances privilegia em detrimento de outros.

アニメ「源氏物語千年紀 Genji」公式サイト


5.2.09

Bihada Ichizoku

Bihada Ichizoku [Família Bihada - Bela Pele] foi uma série condenada à partida para os fãs ocidentais, pois foi encomendada por uma companhia de cosméticos, a Love Labo, utilizando as já existentes ilustrações barrocas da sua linha Bihada Ichizoku como inspiração directa, já de si inspiradas nos desenhos de manga romântica dos anos 70..

Ao começar a ver esta curta série, de 12 episódios de 9 minutos cada, deparei-me com uma grande surpresa! Bihada Ichizoku é uma farsa às ultra-dramáticas séries (de que gosto imenso) dos anos 70, tipo Versailles no Bara, Oniisama E…, Ace o Nerae! ou Glass no Kamen, de que já falei por aqui mais que uma vez. Eles pegam nos clichés e exageram-nos, criando uma história bem divertida onde não é forçoso conhecer as referências, se bem que ajuda, claro.

Sara Bihada é a mais nova de um casal de gémeas que vence consecutivamente o concurso de beleza patrocinado pela família (WBC - World Beautiful-Skin Competition). Cheia de inveja a irmã, Saki, impede que Sara fique com o precioso pergaminho, a herança da família, e leva-os à ruína. O pai morre, a mãe fica destrambelhada e as duas vão viver para um pequeno T0. Alguns anos depois a bela Sara está "desfigurada" por ter de trabalhar em todo o tipo de trabalhos ao ar livre (pesca de atum, limpar vidros em prédios altos, etc. - ??? HAHAHA!) até que o destino a leva a trabalhar como empregada de limpeza na empresa da família agora gerida pela irmã. Tal como em Glass no Kamen, Sara tem um admirador secreto, determinado em restaurar a sua beleza, que lhe deixa sabonetes especiais e outros truques em locais que ela frequenta através do gato mais feio do anime. E, claro, também tem um love interest, um rapaz que não faz parte do seu passado de rainha da beleza e que a faz fazer os maiores disparates para estar com ele!

Como disse e se pode ler pela história, esta série pega em todos os clichés das séries antigas, incluindo o trabalho visual em que o character design parece tirado de uma manga de Ryoko Ikeda, os caracóis/canudos de Sara, as decorações dos genéricos e não só cheias de rosas, a mansão estilo ocidental da família e o luxuoso prédio dos escritórios Bihada Ichizoku. Cada episódio é introduzido por uma dramática narradora feminina que vai constatando óbvio no destino de Sara, a gargalhada enfática de Saki (ooh-hohohoo!) e a banda sonora dramaticamente romântica...

Juntamente com algumas máscaras faciais saiu o primeiro volume
da manga e em Abril sairá o segundo [eu queeeero!]

Tem sido uma experiência bem divertida ver Bihada Ichizoku, foi pena os grupos de fansubs ocidentais não terem pegado nela, pois é um pequeno e divertido exemplo de comédia, que não fica atrás de nenhuma outra série mais séria e onde a publicidade nos passa totalmente ao lado (nem que seja porque os produtos não estão disponíveis fora do Japão).

E am o genérico final! A canção é uma delícia e o estilo animação de recortes, como se fossem bonecas de papel está perfeito!

JET★GIRL - Lil'B

テレビ東京・あにてれ 美肌一族

RAW

23.6.08

Comecei a ver: Ace o Nerae!

Como planeado, agora comecei a ver a primeira série anime de Ace o Nerae! (Jenny).

Já estava preparada para um anime envolvente e, mesmo estando no início, já gosto muito desta série.

A primeira coisa que me saltou à vista foi todo o grafismo. Os fundos são estilo aguarela, e tudo o que não é importante em cena é estilizado ao mínimo de linhas. É um estilo gráfico muito anos 70, e mais universal que o típico estilo anime dos anos 70. Em certos aspectos faz lembrar a ilustração europeia da época, com uma forte influência da Arte Nova ou mesmo das Ukiyo-e (gravuras japonesas). A paleta de cores é muito bem estudada, abusando dos pores-do-sol e contrastes fortes. Dentro destas premissas, os figurantes costumam ser silhuetas cinza apenas com contorno, ao longe os ténis (ou outros objectos mais pequenos) perdem os detalhes e "fundem-se" com as meias, os movimentos rápidos são resolvidos com linhas fortes que cortam a silhueta das raparigas, e o impacto das bolas é destacado com "explosões" de cor ou pinturas paradas (estilo esse da responsabilidade de Osamu Dezaki, realizador desta série e também de Versailles no Bara e Oniisama E...).

A música é muito ao estilo anime shoujo anos 70, dá-nos uma sensação agradável de nostalgia e as canções não chateiam, reforçam a motivação de Hiromi.

Por fim, a história é mais uma vez a luta incansável da protagonista, Hiromi, para ultrapassar os seus limites, contra todas as aparências. Há gente ressabiada, adversárias duras, mas vilões-vilões não existem. Mais adiante espera-se uma história de redenção e crescimento, para reforçar as qualidades de Hiromi. Este tipo de narrativa, mesmo não sendo novidade, faz muito a noção clássica da narrativa de anime, de um herói/heroína comum mas com uma força de vontade acima da média que o faz ultrapassar todos os limites possíveis, mas tudo dentro de critérios plausíveis num universo real, mesmo que a encenação seja muitas vezes exacerbadamente dramática, assim como o penteado de Ochoufujin.

エースをねらえ!

16.6.08

Genji Monogatari

O romance de Genji é considerado o primeiro romance da história da humanidade. Escrito no séc.XI, por uma cortesã, Murasaki Shikibu, foi um livro escrito ao longo de muito tempo em que ela conta, em estilo novela, as aventuras e desventuras amorosas do Príncipe Resplandecente Genji. Recentemente este livro foi traduzido para português (em duas edições) e eu comecei a ler a da editora Êxodus, traduzido, de quatro versões em inglês e espanhol, por Lígia Malheiro. Ainda mal comecei a ler e o livro para além de ter dois volumes é um calhamaço, portanto ver o filme apenas serve para me situar visualmente num universo cujas referências são muito poucas.

A primeira impressão é que, sendo o livro tão longo e estruturado em capítulos mais ou menos independentes, uma adaptação para um filme de cerca de hora e meia há de deixar sempre muita coisa de lado. A meu ver o mais prático seria fazer uma série, mas será que os japoneses querem ser mais uma vez bombardeados com o Genji? E será que, numa época em que séries deste tipo não têm mais que 13 ou 26 episódios, uma série de televisão aguentava mais que 40 ou 50 episódios? É pouco provável, portanto tenho de me contentar com o filme.

À partida o filme não surpreende. Para a época em que foi produzido (1987) até é muito bem feito. É visualmente correcto e rico, o character design está algures entre as ilustrações antigas, o Ukiyo-e e o grafismo mais clássico do anime, a paleta de cores é elegante e adequada à época, portanto satisfaz naquilo que eu buscava, uma referência visual. O ritmo, como também seria de esperar, é lento. A animação é também fluida, com boa qualidade e alguns efeitos interessantes. A música é um excercício interessante de música electrónica com muitos sons tradicionais, ou vice-versa. Não é impressionante mas sublinha bem o filme.

A história já não entusiasma... Como ainda não posso comparar com o livro, apenas dá para perceber que 'tentaram enfiar o Rossio na R. da Betesga' e não conseguiram. A história dá grandes saltos temporais (alguns também existem no livro, mas não tão espaçados), não existem grandes picos emocionais, é apenas uma sucessão dos episódios mais importantes na vida de Genji, antes de partir para o exílio. Até parece que assumem, da parte do espectador, um conhecimento prévio da obra. O delírio final, à la 2001: Odisseia no Espaço é que não vem nada a propósito. Há uma mudança radical de estilo tanto da narrativa (que adquire um lado mais fantasmagórico) como visual, onde tudo deixa de fazer sentido. Como muitas adaptações do género, tentaram deixar as coisas em aberto, mas a solução não foi nada feliz.

Ver este filme esclareceu alguns aspectos da cultura japonesa que muitas vezes transparecem no anime, em concreto Oniisama E... que acabei de ver recentemente. Em Oniisama E... muitas das alunas mais veneradas são chamadas com o sufixo -no kimi, era o modo como as pessoas se tratavam na época de Genji em vez do -sama, -san, etc. dos dias de hoje. O que me leva a outra imagem de Oniisama E... em que Nanako muitas vezes visualiza Kaoru-no kimi como o Príncipe Genji. As minhas afirmações do gosto das japonesas por homens belos e refinados são aqui todas confirmadas, o Príncipe ideal para as japonesas é o Hikaru no Ouji Genji, ou seja o Príncipe Resplandecente Genji, cujas actividades principais eram embelezar-se e conquistar mulheres. Depois há as sakura, as momiji, as hina, etc. etc. etc.

Não existe um site oficial, mas deixo aqui alguns links que encontrei sobre o filme e o livro:
Murasaki Shikibu Genji Monogatari (ANN)
紫式部 源氏物語
Murasaki Shikibu: Japan's First Novelist
The Picture Scroll of the Tale of Genji

9.6.08

Terminei de ver: Oniisama E...

Tudo me levava a crer que este anime era dos anos 80: o estilo de grafismo, o tipo de animação, o character design, as roupas, o modo como as personagens são compostas e a história se desenrola, mas afinal não, é de 1991! Foi um CD que me fez duvidar ;)

Aparentemente eu tinha razão no meu post anterior, Oniisama E... não é um anime de lésbicas. São simplesmente toneladas de egoísmo, meninas mimadas e falta de maturidade.

Este anime pode ser dividido em três partes: a primeira onde se apresentam as personagens e onde se mostra toda a teia de intriga existente no colégio de Seiran. A segunda onde as mesmas intrigas são instigadas até chegarem a um ponto que despoleta uma injustiça, que leva a uma revolução interna. Uma tragédia, que atinge as personagens principais deste anime, traz uma reviravolta gigantesca que muda radicalmente o rumo da história. Na terceira parte as personagens amadurecem, resolvem as paixões imaturas, que as levavam a actos de loucura, e todo o tom de melodrama exagerado é moderado para Oniisama E... se tornar num anime de drama mais plausível ou realista.

No fim das contas este é mais um anime onde temos uma clássica história de amadurecimento e redenção à japonesa, tal como nos anime mais antigos. Nada mais.

Mesmo assim é um anime digno de ver e uma grande referência. É muito intenso, principalmente a partir da 2ª parte, e lida com aspectos emocionais e sociais muito importantes, em particular na sociedade japonesa. E, bem! Que raparigas mais cruéis tem este anime! Felizmente todas elas crescem e percebem que há coisas mais interessantes que andar a fazer a vida negra aos outros!

[spoiler - seleccionar o texto para conseguir ler]
O irmão de Nanako, Henmi Takeshi, é filho do pai dela, que ele abandonou, mais a mãe para se casar com a mãe de Nanako. Mas Nanako não é filha verdadeira do Prof. Misonoo, foi adoptada por ele quando se casou com a sua mãe (tinha Nanako cerca de 5 anos) mas ela acaba por considerar Henmi como seu irmão verdadeiro ao saber de toda a verdade.
[fim de spoiler]

PS - A Nanako do final até fica mais bonita!

Oniisama E... (ANN)

5.6.08

Ando a ver: Oniisama E...

Definitivamente há raparigas apaixonadas por raparigas neste anime! Mas é tudo muito contido, num ambiente exacerbadamente feminino, onde o convívio com rapazes (ou homens) é visto com maus olhos. Não consigo olhar para este anime como uma manifestação homoerótica no feminino, mas sim um despertar da sexualidade e amadurecimento das personagens em que as relações, de amizade ou amorosas, entre o mesmo sexo são aceites como parte integrante deste microcosmos, enquanto que relações entre o sexo oposto são alvo de escândalo e mexerico. O engraçado nisto tudo é que as duas ingénuas apaixonadas, a protagonista Nanako e a nova e franca amiga Mariko, se interessam pelas duas raparigas mais másculas ou maria-rapaz do microcosmos do Colégio Seiran, Saint-Juste e Kaoru-no-Kimi.

Não há dúvida que se trata de uma perspectiva estranha numa visão ocidental e heterosexual da sexualidade, mas também me parece que toda esta simbologia e intensidade de relações fazem parte de um universo exclusivamente feminino, para ser usufruido em privado. Esta história também vai buscar muito a um gosto antigo das japonesas por homens andróginos e/ou efeminados que personificam um ideal romântico. A dada altura Mariko refere-se aos homens como sujos e brutos, numa clara recusa dos homens másculos e guerreiros, que dificilmente partilham este universo tão feminino.

Não sou de todo especialista em sociologia ou mesmo antropologia, mas este é um anime que dá muito para pensar em relação ao modo como os japoneses, mais concretamente as mulheres japonesas, vivem a sexualidade e o seu papel em relações românticas idealistas. Não será por acaso que a companhia exclusivamente feminina Takarazuka Revue (que encena dramas musicais românticos) tem uma gigantesca popularidade entre as mulheres e as otokoyaku (actrizes que fazem os papeis masculinos) têm legiões de fãs, como se de um Brad Pitt ou Johnny Depp se tratassem. Não há dúvida que é um universo fechado, exclusivamente nipónico, que teve a sua época áurea entre os anos 60 e 80, época essa em que a manga e anime de Oniisama He... foram produzidos.

Ao ver esta série também encontro claríssimas influências no anime mais recente, Utena, assumidamente inspirado na mais famosa manga da mesma autora desta, Ikeda Riyoko. Ao contrário de Versailles no Bara, aqui as influências não são tanto visuais mas mais do ambiente, das hierarquias, das personagens e suas relações.

1.6.08

Comecei a ver: Oniisama E...

Por ser de Ikeda Riyoko, a autora de Versailles no Bara, este anime despertou-me a curiosidade.

Oniisama E... (Querido irmão...) circula no universo de um colégio ao estilo ocidental, melhor, no que os japoneses nos anos 70 achavam que era um colégio ao estilo ocidental, feminino. A protagonista, Misonoo Nanako, uma rapariga simples, ingénua e sensível, e na ilusão de que entrou para o colégio dos seus sonhos, é arrebatada para um universo cheio de intrigas, rivalidades, poder e mistério. Como estes elementos, aliados a um outro mistério na sua família, temos os ingredientes certos para muito (melo)drama ao melhor estilo japonês. Sim, porque apesar de a "paisagem" ser ocidentalizada, a nível de relações e emoções este anime não podia ser mais japonês!

A nível técnico, dentro da época que foi criado, é um anime excepcional, sem bem que um pouco coxo para os dias de hoje. O trabalho de arte e desenho de personagens é muitíssimo elaborado, a paleta de cores escura e contrastada, mas a animação abusa um pouco dos quadros parados ou repetições em situações de tensão, conflito ou êxtase. A música é como os vestidos delas: romântica, com imenso piano e os vestidos com muitos laços, flores e folhos.

Este anime é conhecido pelas conotações lésbicas entre as diversas raparigas. Ainda vou no início, já deu para perceber que algo de estranho se passa principalmente com as duas raparigas mais masculinas, Saint Juste e Kaoru no Kimi. Mesmo assim, como normalmente este tipo de relações em manga e anime shoujo costumam apenas ser implícitas ou platónicas, vou esperar para ver mais para depois me pronunciar.

Ah! Não falei do irmão do título (oniisama). Esse irmão, é um rapaz mais velho a quem Nanako pediu para escrever como se fosse seu irmão mais velho e pensa que não o é, mas é quase irmão dela, mas não é. Confuso? É mesmo para ser (por enquanto).
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