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10.5.09

Ando a ver: Naruto



Segundo os especialistas na matéria (que eu decididamente não sou) Naruto na SIC-Radical acabou de entrar na fase de encher chouriços, isto é, já se deu e terminou o duelo Naruto-Sasuke.

Confesso que para mim já pelo meio houve uns tantos episódios de encher e não fiquei satisfeita com a introdução temporã dos carismáticos Akatsuki para depois voltarem a desaparecer, e apesar de ter gostado da reviravolta que os combates individuais dos companheiros de Konoha levaram, com a adição dos seus anteriores rivais da areia, eu teria saltado algumas partes.

Quanto ao combate Naruto-Sasuke, o grande motivo deste post, surpreendeu-me bastante! Enquanto que esperava muito mais do combate Naruto-Gaara, principalmente devido a Gaara parecer invencível, o mesmo decepcionou-me bastante e, apesar de uma ou duas vezes isso me agradar, já começo a ficar farta de todo e mais algum duelo importante ser intercalado por imagens da história pessoal dos intervenientes. Neste duelo Naruto-Sasuke foi o que gostei menos até porque a maioria das imagens e história de Sasuke já tinham sido contadas poucos episódios antes, portanto estavam frescos na minha memória.

Gostei imenso do duelo: o cenário foi excepcionalmente bem escolhido e se em vez de espremerem mais a história do massacre do clã Uchiha tivessem contado um pouco do que se passou anteriormente ali, talvez introduzisse mais força a esse mesmo cenário. As cenas da água, se bem que algo irrealistas na sua limpidez e calma (é um rio e uma cascata), que até me fizeram lembrar o mar de Conan, o Rapaz do Futuro, são magníficas e o combate é intenso e longo o suficiente para satisfazer q.b., apesar do seu final deixar tudo demasiado pendurado. E pensando que durante algum tempo nada de extraordinário irá suceder, essa perspectiva torna-se ainda mais decepcionante.

Ao seguir no momento três dos animes de maior sucesso no Japão (e não só) nos últimos anos, Naruto, One Piece e Detective Conan (infelizmente nenhum título shoujo), não consigo deixar de comparar com a situação de há mais de 10 anos atrás, pré-Evangelion, em que séries com um sucesso equivalente como Dragon Ball ou Sailormoon, ficam tecnicamente muitíssimo atrás apesar de muito bem tratadas dentro dos parâmetros da época. Todas estas três séries têm um character design muito próprio e individual, tornando-se facilmente reconhecíveis mesmo sem a presença de personagens chave, coerência de expressões e de directores de animação ao longo dos episódios (coisa que não acontecia nem em Dragon Ball nem em Sailormoon), narrativas bem elaboradas, apesar da sua longevidade extraordinária que mantém o interesse dos espectadores, mesmo sendo possível perder um ou outro episódio e, sobretudo, a excelente qualidade da animação. Essa qualidade é em parte proporcionada pelo abandono da pintura de acetatos à mão em prol da pintura digital, o que permite um maior investimento nessa área, mantendo, até mesmo em séries mais comerciais e secundárias um alto padrão de qualidade que só tende a melhorar.

Voltando a Naruto e ao duelo Naruto-Sasuke, a animação, para além de extremamente bem feita, é muito interessante, lembrando no estilo o filme Tekkon Kinkreet, e fez um excelente uso dos cenários e do character design, nunca descurando a meio, mesmo com a "intrusão" das cenas de Sasuke e dos Uchiha. A série Naruto, em geral, continua a ter um cuidado excepcional na banda sonora, brilhante nesta sequência, apesar de no geral já não gostar tanto das canções dos genéricos como gostei das primeiras.

Vamos lá ver se escrevo acerca de Naruto antes da série terminar, só um muito bom motivo me levará a fazê-lo, ando a mentalizar-me para aturar um pouco de seca, mas eu sou teimosa e muito paciente, portanto aguentarei até ao fim. E se a SIC-Radical estrear então Naruto Shippuuden, confiando no que me têm dito, pretendo continuar a acompanhar.

NARUTO-ナルト-

SIC-Radical

23.9.08

CONFERÊNCIA: Anime Japão!

Não fui cheia de expectativas, mas mesmo assim a conferência de ontem foi agradável e uma boa oportunidade de ter uma preview in loco dos filmes que irão ficar na boca de muita gente no próximo ano, pelo menos foi isso que aconteceu com os três do ano passado: Toki o Kakeru Shoujo, Paprika, Tekkonkinkreet. Os três filmes comerciais apresentados este ano pela professora Kei Suyama foram, Kappa no Coo to Natsuyasumi, Gake no Ue no Ponyo e Sky Crawlers. Do primeiro filme já tinha vislumbrado algures uma imagem e era um exemplo do uso da mitologia japonesa para fazer passar uma mensagem pedagógica, realizado por um dos realizadores do divertido e corrosivo Crayon Shin-chan. De Ponyo, que tem um ar ultra-kawaii, não vou falar muito porque é o filme que certamente mais cedo nos chegará às salas, mas com este último Miyazaki estou bastante entusiasmada, depois da desilusão de Howl. Mesmo assim, tudo o que vi e li acerca do filme até agora, me faz lembrar mesmo muito o livro A menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, cuja história é bem semelhante. Sky Crawlers foi uma clara demonstração do uso do 3D em imagens de combate aéreo, e é o filme acerca do qual estou mais céptica. Céptica pois nunca gostei de um único filme de Mamoru Oshii, parece-me tudo um enorme show off e acho que o senhor não tem sentido de humor, mas a Sr.ª. Suyama disse que este filme é bastante diferente dos anteriores, a ver vamos.

De seguida falou mais um convidado, Taku Furukawa, que nos mostrou um fantástico e psicadélico filme dele dos anos 70, Coffee Break, um outro filme de um grupo de animadores "geriátricos", os G9+1, ao qual pertence, que era uma espécie de showreel do trabalho deles em que cada um animou 45 segundos ao som da versão electrónica de músicas tradicionais, que tinha segmentos muito interessantes. E, por fim, a selecção de filmes dos alunos finalistas do Curso de Animação da Universidade Tokyo Kogei, de que em geral gostei mais a nível da qualidade e técnica da animação que dos do ano passado. Eles são mesmo muito bons!

A Livraria Byblos mostrou que o auditório está extremamente bem equipado e, apesar da ausência de portas, que fez com que o choro lancinante de uma criança irrompesse pela sala a dada altura, é um exemplo a seguir. É uma pena que não tenha sido a mesma pessoa a desenhar a sala do Museu do Oriente, que infelizmente tem imensos problemas técnicos.

Gostava de notar, apesar de achar um pouco despropositado, a Goth-Loli que apareceu por lá, impecavelmente vestida de branco da cabeça aos pés! Isto era uma conferência, não uma convenção, mas ela estava muito bonita.

9.12.07

Nippon Koma 07: dia 6

A primeira sensação que tive ao ver os filmes de Kurosaka Keita é de que são muito pessoais. Há qualquer coisa nos filmes muito experimentais que tende a torná-los demasiado desequilibrados e densos. Os de Kurosaka Keita mostram-nos técnicas de animação com fotografias e manipulação de imagem real muito interessantes e complexas, com imagens fortes e marcantes, mas são demasiado longos e imprevisíveis. Foi interessante ver os filmes por ordem cronológica de produção, felizmente ao contrário da ordem proposta no programa, pois nota-se uma interessante evolução em todos os aspectos formais, sendo para mim o último, Idade da Caixa, o mais interessante.

Tekkonkinkreet é surpreendente! Ao ver o trailer há cerca de um mês interessei-me, mas nunca pensei que fosse tão bom. É um filme com uma produção excelente, muitíssimo equilibrada, onde cenários exuberantes e muito detalhados, um character design invulgar e muito expressivo convivem equilibradamente com uma excelente e ágil realização, uma história poderosa, dois protagonistas, e outras personagens fortes e cativantes onde nada é gratuito. Este é um filme de pormenores, para rever, onde a cada visionamento se encontram aspectos diferentes, pequenas piscadelas de olho que adicionam corpo à história.
Só achei um pouco forçada a introdução do arqui-vilão, Hebi, a meio da história, com o propósito simplista de conquistar o bairro Takara (que, a propósito, quer dizer tesouro). Numa história destas só há espaço para um vilão e a força que ele poderia ter dilui-se desta forma. Felizmente que a história de Kuro e Shiro acaba por se sobrepor a todo o resto e essa falha deixa de ter importância.
Apesar de o realizador, Michael Arias, ser americano, não deixa de ser um filme muito japonês o que é curioso. Por vezes pensava nisso ao ver o filme mas nunca teve importância na sua apreciação.

Tekkonkinkreet
映画「鉄コン筋クリート」

Em resumo a edição deste ano deu um salto qualitativo apesar de a programação ter sido um pouco mais fraca, menos arrojada. O esforço de trazer a Srª. Hirano Kyoko foi extremamente positivo e as falhas técnicas não foram, nem por sombras tão graves como anteriormente. Já estão incluídos no programa os nomes dos realizadores, não houve trocas nas dobragens para inglês e, apesar de as traduções ainda dependerem essencialmente das cópias de origem e não estarem em português, as falhas de comunicação foram menores. Acabei por finalmente conhecer um dos programadores da mostra o que deu para perceber alguns dos porquês do Nippon Koma. A Srª. Hirano foi sempre disponível, estava sempre com atenção a quem vinha e porquê às sessões e abordava as pessoas para tentar compreender as motivações e talvez o que move os portugueses a interessar-se pelo Japão e, mais concretamente pelo cinema japonês.
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