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3.4.10

Summer Wars

Não tenho visto anime ultimamente, daí o estado de abandono deste blog, mas o anime veio ter comigo... Por razões profissionais veio me parar às mãos este filme magnífico, Summer Wars! [bom trabalho o meu, não?]

Summer Wars conta-nos a reviravolta de 180º que o mundo de Kenji, um génio da matemática, dá, quando a sua colega Natsuki o "contrata" para um trabalho de Verão. Kenji, Natsumi, os Jinnouchi, a família dela, e Sakuma, o seu melhor amigo, vivem num futuro próximo, onde as pessoas vivem uma segunda vida no mundo virtual de OZ. Mas, ao contrário do que este resumo deixa a entender, o cenário deste filme é campestre e dentro de uma tradição o mais japonesa possível.

A história, sem fazer spoilers, é muito inteligente, utilizando bem os contrastes entre a tecnologia sofisticada e os pequenos detalhes da vida no campo. Esse contraste também é notório entre a família minúscula e urbana, solitária e quase sem interacção social, de Kenji (filho único, pais separados e ocupados com os empregos) e a família gigante, unida, meio louca e tradicional de Natsuki.

Escusado será dizer que os preparativos para a festa do 90º aniversário da bisavó, Sakae, as pequenas quezílias entre parentes, as rivalidades, um passado rico, uma casa belíssima e gigantesca, todo o historial familiar que remonta à era dos Samurais e as histórias que daí advêm, são um regalo para os olhos e ouvidos e quase que todos queremos fazer parte daquele bando de loucos amistosos.

Apesar da estranheza inicial, o elemento estranho, Kenji, acaba por ser o catalisador de diversos eventos que vão desde os preparativos para a festa de aniversário à possível destruição do mundo. O certo é que, todos unidos, esta família de gente doida consegue se superar, encontrar novos talentos e, claro, acolher o seu mais novo elemento.

A animação de Summer Wars, sendo produzido pelos estúdios Madhouse, é sem mácula, utilizando uma estética naturalista, que faz lembrar Toki o Kakeru Shoujo, uma tendência recente entre filmes do género, e uma estética muito Takashi Murakami para o mundo de OZ, onde os avatares são tão variados e criativos quanto as pessoas os utilizam.

vídeo de abertura do filme e apresentação do mundo de OZ

Recomendo vivamente o site oficial, mesmo não compreendendo a língua japonesa, pois tem uma série de informação acerca do filme, tal como a árvore genealógica dos Jinnouchi, vídeos, wallpapers e uma série de posters do filme.

映画「サマーウォーズ」公式サイト [JP]

Quem tiver possibilidade, este filme e outros dois filmes produzidos pela Madhouse, vão passar em sala durante o festival de cinema independente Indie Lisboa, na secção Indie Júnior. A programação estará no site para a semana.

12.11.08

Toki o Kakeru Shoujo

Makoto é uma rapariga comum que se vê envolvida numa estranha situação em que pode dar saltos no tempo. Com esta premissa tão simples temos em Toki o Kakeru Shoujo (A Rapariga que Salta no Tempo) um excelente filme que merece toda a fama que tem adquirido desde que foi lançado.

Para além de Makoto temos os seus dois melhores amigos, Chiaki e Kousuke, com quem joga catch ball todos os dias, a sua amiga Yuri e, claro a família. De forma não-linear o filme conta-nos cerca de uma semana da vida de Makoto, desde a saída apressada de bicicleta para a escola, adormecer nas aulas, as tarefas após as aulas, o jogo com os dois rapazes, preguiçar em casa. O que acontece é que, graças a um acidente, Makoto descobre que pode "navegar" no tempo à descrição, através de saltos. Com isso Makoto vai "ajustando" os seus dias, corrigindo erros, mudando pequenas situações, etc. Mas, é óbvio, saltar no tempo não se faz sem as suas consequências.

Para começar, a narrativa relativamente complexa deste filme está extremamente bem construída e sem buracos. É muito fácil numa história que envolve saltos no tempo e a não-linearidade cair em erros de pormenor que estragam o fluir geral, mas neste caso a história é estanque, sem falhas e bem estruturada. Depois vem o excelente nível da animação, que surpreende a cada momento. Não segue as habituais regras para poupar tempo do anime, com longos movimentos de câmara sobre imagens paradas das personagens, muito pelo contrário, cada cena e cada plano é soberbamente animado, cheio de dinamismo, com um detalhe que ganha maior relevo na simplicidade do desenho de personagens. O desenho de personagens é simples, num estilo bastante "ghibliesco" mas mais detalhado, moderno, e muito expressivo. Os cenários também partilham essa característica "ghibliesca" [boa, usei o palavrão duas vezes!] sendo lindíssimos, em particular a casa de Makoto, e muito detalhados, mantendo o realismo da paisagem urbana japonesa. Os poucos 3D existentes estão perfeitamente integrados e só são utilizados como efeito especial.

Já me esquecia de falar da banda-sonora que, não sendo particularmente marcante ou espectacular e sendo constituída por uma conjugação de várias melodias pré-existentes, é uma banda-sonora realista, que apoia a história, de forma discreta e agradável, sem se sobrepor ou destacar. É daquelas bandas-sonoras que não faz multidões saírem para comprar o CD, mas que encaixa no filme na perfeição.

Num filme tecnicamente tão bem conseguido, aliado a uma história muito bem estruturada e emocionante, com reviravoltas surpreendentes sem cair no lugar-comum, deixamo-nos levar, guiados por Makoto, torcendo por ela e desejando a mudança prometida. Toki o Kakeru Shoujo é um filme de sobre o amadurecimento com um toque de fantasia, mantendo "a cabeça no céu e os pés na terra", utilizando as doses certas de realismo e fantasia para nos deixar com uma sensação agradável da satisfação de ter visto um excelente filme com cheiro a Verão.

La Traversée du Temps - Le film [FR]
The Girl Who Leapt Through Time [EN]
時をかける少女 [JP]

23.9.08

CONFERÊNCIA: Anime Japão!

Não fui cheia de expectativas, mas mesmo assim a conferência de ontem foi agradável e uma boa oportunidade de ter uma preview in loco dos filmes que irão ficar na boca de muita gente no próximo ano, pelo menos foi isso que aconteceu com os três do ano passado: Toki o Kakeru Shoujo, Paprika, Tekkonkinkreet. Os três filmes comerciais apresentados este ano pela professora Kei Suyama foram, Kappa no Coo to Natsuyasumi, Gake no Ue no Ponyo e Sky Crawlers. Do primeiro filme já tinha vislumbrado algures uma imagem e era um exemplo do uso da mitologia japonesa para fazer passar uma mensagem pedagógica, realizado por um dos realizadores do divertido e corrosivo Crayon Shin-chan. De Ponyo, que tem um ar ultra-kawaii, não vou falar muito porque é o filme que certamente mais cedo nos chegará às salas, mas com este último Miyazaki estou bastante entusiasmada, depois da desilusão de Howl. Mesmo assim, tudo o que vi e li acerca do filme até agora, me faz lembrar mesmo muito o livro A menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, cuja história é bem semelhante. Sky Crawlers foi uma clara demonstração do uso do 3D em imagens de combate aéreo, e é o filme acerca do qual estou mais céptica. Céptica pois nunca gostei de um único filme de Mamoru Oshii, parece-me tudo um enorme show off e acho que o senhor não tem sentido de humor, mas a Sr.ª. Suyama disse que este filme é bastante diferente dos anteriores, a ver vamos.

De seguida falou mais um convidado, Taku Furukawa, que nos mostrou um fantástico e psicadélico filme dele dos anos 70, Coffee Break, um outro filme de um grupo de animadores "geriátricos", os G9+1, ao qual pertence, que era uma espécie de showreel do trabalho deles em que cada um animou 45 segundos ao som da versão electrónica de músicas tradicionais, que tinha segmentos muito interessantes. E, por fim, a selecção de filmes dos alunos finalistas do Curso de Animação da Universidade Tokyo Kogei, de que em geral gostei mais a nível da qualidade e técnica da animação que dos do ano passado. Eles são mesmo muito bons!

A Livraria Byblos mostrou que o auditório está extremamente bem equipado e, apesar da ausência de portas, que fez com que o choro lancinante de uma criança irrompesse pela sala a dada altura, é um exemplo a seguir. É uma pena que não tenha sido a mesma pessoa a desenhar a sala do Museu do Oriente, que infelizmente tem imensos problemas técnicos.

Gostava de notar, apesar de achar um pouco despropositado, a Goth-Loli que apareceu por lá, impecavelmente vestida de branco da cabeça aos pés! Isto era uma conferência, não uma convenção, mas ela estava muito bonita.
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