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12.5.08

Zona Animax - 2ª leva


Já vem com algum atraso mas não queria deixar de opinar a 2ª leva da Zona Animax no AXN.

InuYasha
Continuo a gostar bastante, se bem que a história evolui um bocado devagar (é para fazer render o peixe). Mesmo assim é um bom exemplo de história de Rumiko Takahashi que alia de forma bastante equilibrada a acção, o romance e a comédia, não é é tão boa como algumas das anteriores.

Corrector Yui
Este anime parece-me um spin-off do clássico mahou shoujo, mas a Yui é tão parvinha e barulhenta que não consigo deixar de achar esta série irritante. Lá pelo meio vão se encontrando referências a outras séries ou filmes, inclusive tem (no episódio 5 ou 6) uma cena directamente inspirada na minha cena favorita de Totoro.

Ueki no Housoku [The Law of Ueki]
A primeira coisa irritante deste anime aborrecido é o mau português na tradução do título: A Lei do Ueki. Se Ueki é uma pessoa, deveria ser A Lei de Ueki... Adiante, este é um anime aborrecido, cuja permissa, um rapaz indiferente é arrastado para uma competição sobrenatural, parece vagamente interessante mas torna-se rapidamente repetitiva e chata. Nem a sua eléctrica amiga anima as coisas... deixei de ver.

Detective Conan
Para um anime com tanto sucesso no Japão, fiquei um pouco desapontada. Primeiro, para um anime desta duração (mais de 500 episódios) sente-se imensa falta de uma explicação conclusiva, para além da introdução no genérico, do que raio afinal se passou com Conan/Kudo. Depois os episódios, em forma de casos policiais, deixam muito aquém a intriga e não usam estratagemas clássicos da narrativa de suspanse as vezes que seriam de desejar. Para um anime que tem claramente inspiração directa nos livros de Agatha Christie, parece-me pouco criativo, ficando a curiosidade de compreender o mistério principal que envolve Conan. Mas como esta série é looonga, ainda há esperança.
Ah, a péssima tradução do espanhol faz com que hajam frases que não fazem sentido num anime que depende do texto e que os nomes japoneses sejam escritos numa grafia, no mínimo, esquisita e que não tem nada a ver com o português ou com a convenção adoptada internacionalmente para a escrita dos mesmos. Acho que o truque é ler os Y como J e os J como H, confuso não é?

Lupin III
Claramente a minha série preferida desta leva! Apesar da animação um pouco antiquada e menos fluída, é uma série que tem personagens divertidas e cativantes, histórias cheias de acção e uma banda-sonora excelente! É daquelas séries que não sei de qual personagem gostar mais: se do cool Lupin, se do pragmático Jigen, da aldrabona Fujiko, do eficiente Goemon ou do trapalhão Zenigata. São todos fantásticos e todos constroem excelentes episódios. E depois cada estratagema mais rocambolesco de Lupin para levar a bom porto os seus roubos ou salvamentos, são de partir o coco a rir! Saio daqui a cantar...
♪Lupin the Thiird, Lupin the Thiiird, Lupin, Lupin Lupin...♪

Kochikame, a louca academia de polícia
Já tinha visto alguns episódios desta série no Canal Panda, mas agora estou a divertir-me bastante a vê-la de fio a pavio no AXN. Este é um típico anime de comédia, bastante inocente mas por vezes atrevido, que conta as desventuras de um polícia demasiado calão para o ser. Claro que vendo isto do ponto de vista da polícia japonesa, que serve mais para dar informação aos transeuntes ou ajudar a comunidade, já nos parece um pouquinho mais plausível. Mesmo assim os exageros de Ryo são demais e proporcionam uns bons 25 minutos de anime. É uma série estruturada sem uma continuidade forte, mas com divertidas e loucas histórias por episódio.

AXN
sábado e domingo, a partir das 12:45h
e a partir das 6:45 (repetição)

Zona Animax

12.12.06

CINE-ASIA: Tonari no Totoro

Crítica, para o Cine-Asia, do meu filme preferido de Hayao Miyazaki.



Japão, 1988, 86min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Uma família, o pai e as duas filhas, a responsável Satsuki e a introspectiva Mei, mudam-se para uma nova casa no campo que mais parece uma mansão assombrada. A casa é perto de uma árvore centenária que esconde alguns mistérios. A mãe das raparigas está hospitalizada por perto o que as faz sofrer de modos diferentes. Sem notícias da mãe, Mei foge, fazendo com que Satsuki inicie uma extraordinária busca.

Crítica: “O meu vizinho Totoro” é um filme intemporal e para todos, tal é a sua universalidade. É talvez das obras mais fundamentais de Hayao Miyazaki, o filme que marcou o seu reconhecimento no Japão (basta ver a quantidade e variedade de merchandising existente). Mas este filme é muito para além de mero comércio, é um retrato do comportamento e modo de encarar a vida para os japoneses. O primeiro aspecto relevante será talvez a maneira como uma potencial casa assombrada e espíritos sobrenaturais não são uma via disciplinadora para as crianças, mas sim um dado extra, encarado com excitação e naturalidade, é como se viesse com o pacote de mudarem para o campo.

A história é de tal forma equilibrada e abrangedora que conjuga o lado fantástico, mais pitoresco, belo e infantil com uma narrativa que aborda a complexidade da mudança e de encarar a dor e eventual perda de um parente próximo, sem que o espectador dê muito por isso. É nessa subtileza que está a verdadeira magia de Totoro e se revela o génio de Miyazaki. Foi com certeza um filme muito trabalhado e amado por quem o fez.

Como curiosidade foi o próprio Hayao Miyazaki quem escreveu as letras de ambas as canções dos genéricos, com o propósito de serem de fácil entendimento tanto para crianças como adultos. No ocidente, são uma boa maneira para iniciantes à língua japonesa se sentirem preenchidos por as perceberem com facilidade. Isto traz-nos à que é provávelmente a primeira banda-sonora, da colaboração Miyazaki/Joe Hisaishi, que foi um sucesso de popularidade.

De resto este é um filme de pequenos detalhes: a arquitectura de uma casa no campo, as plantas, os animais, uma bolota, andar à boleia numa bicicleta, apanhar uma molha ao voltar da escola, pequenos hábitos do dia-a-dia, relações interpessoais entre crianças e adultos e um elogio à natureza como qualidade de vida e uma mais-valia para os seres humanos que a habitam. É também neste filme onde aparecem pela primeira vez os pequenos seres de fuligem que mais tarde retornam em “Sen To Chihiro no Kamikakushi”.

Desta volta, em vez da abordagem do choque, utilizada tanto em “Nausicaä”, como em “Laputa”, onde personagens lutam para defender a natureza, Miyazaki dá à ecologia uma forma mais ligada aos conceitos do Shitoísmo, ainda muito presentes na cutura japonesa. A árvore gigante é encarada com respeito e admiração, os seres/deuses sobrenaturais fazem parte da natureza e os seres humanos aceitam-nos com naturalidade e, mais uma vez, respeito. Os seres humanos integram-se na paisagem e vivem com e da natureza sem a adulterar em demasia, com propósitos egoístas e desnecessários.

Em contrapartida, através destas duas miúdas, de cerca de 10 e 4 anos, assistimos a um crescimento e aceitação de novas realidades muitas vezes tingidas por dificuldades difíceis de ultrapassar como é ter a mãe doente. Na esperança e preserverança de duas pequenas raparigas, temos a força para continuar a viver o melhor que podemos, apreciando as pequenas coisas do dia-a-dia.

A história é simples e com poucas reviravoltas, o que dá espaço para a apreciação dessa mesma natureza e dos seus habitantes,sejam eles as pessoas da aldeia, os animais domésticos ou selvagens ou seres sobrenaturais. Por isso o filme deixa muito espaço para as viagens mágicas com Totoro e os seus “colegas”, que constituem grande parte da atracção e apreciação deste delicioso filme. Não é um filme contemplativo e muito menos aborrecido, todas as cenas mágicas são isso mesmo, transportam-nos para uma outra realidade que gostariamos que pervalecesse mais tempo.

Há uma pequena piscadela de olho à paixão de Miyazaki por máquinas voadoras, na personagem do miúdo Kanta que brinca frequentemente com um pequeno avião de aeromodelismo. É um filme que nos diz para parar e olhar para as belas coisas em volta, apreciar a vida como ela é, não ambicionando para além das nossas capacidades, atropelando os que nos rodeiam. É um apelo à vida no campo, com as suas dificuldades mas maior qualidade de vida. E, convenhamos, o Totoro amolece o coração mais empedrenido!

Classificação: 9/10
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