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3.12.11

Shingo Araki ;__;

Dia 1 de Dezembro morreu um dos meus heróis do anime, Shingo Araki.

Primeiro era um anónimo mas cujo traço eu gostava tanto que de certa forma me fazia ir ao encontro das séries que tinham a sua mão, seja no character design ou como director de animação, Majokko Meg-chan (Bia, a Pequena Feiticeira), Aishite Night ou Saint Seiya, ou mais tarde, já colocando um nome nos desenhos, mas cujo apelo era semelhante, Versailles no Bara, Ashita no Joe, Glass no Kamen ou Lady Georgie.

Shingo Araki é um dos grandes motivadores da minha paixão pelo anime e uma daquelas pessoas que me fez continuar esta paixão por mais de 20 anos. É uma perda gigante, principalmente porque ele continuava activo até há pouco, nomeadamente com as novas séries de Saint Seiya onde mantinha o belíssimo e elegante traço dos seus desenhos.

O que me atrai nesses desenhos? Nem sei bem, talvez a primeira razão de todas é ter sido exposta a eles muito cedo e terem sido extremamente marcantes na minha cultura visual e memórias de infância. De resto, gosto como ele desenha os olhos, sim, enoo-ormes e cintilantes, adoro os narizes, os perfis (ver a Non aqui em cima), a forma longilínea das suas faces e corpos elegantes. A sua paleta de cores, mesmo pendendo bastante para os tons primários, era sempre rica e equilibrada. A sua animação era intocável, mesmo aos olhos de hoje continua com uma técnica impecável.

Araki-san, espero que estejas rodeado da beleza que criaste ao longo da tua vida, tu mereces!

31.7.11

Macoto Takahashi

Era uma vez... em Portugal nos anos 70. Ainda não existia "anime", mas existiam "desenhos animados japoneses". Os desenhos animados japoneses eram a Heidi e o Marco (ew!) e a Candy Candy ainda nem sequer tinha nascido... Numa era em que quase nenhum dos conceitos com que um fã de anime actual se rege ainda tinha sido criado, quase todas as meninas ansiavam por um estojo em vinil brilhante, cheio de compartimentos e com uns desenhos de umas meninas, muito bonitos e românticos. Às vezes conseguiam umas bonecas de papel de Badajoz ou Ayamonte com ums desenhos parecidos, mas o estojo era o grande objectivo para exibir na escola.

Portanto, num mundo muito anterior a pseudo-otakus, Gothic-Lolitas ou à internet, já muitas meninas portuguesas conheciam o trabalho de Macoto Takahashi, mesmo que não soubessem o seu nome. Eu era uma delas, ansiei pelo tal estojo sem nunca o ter conseguido obter. Na altura pensava que eram espanhóis, pois a grande maioria vinha de Espanha, ou chineses, por causa dos caracteres. Depois da Candy Candy estrear (1983) confirmei que eram japoneses, mas nessa altura, para além de já não ambicionar perdidamente um, também já não eram tão fáceis de arranjar (coisa que nunca foram verdadeiramente).

Nos últimos anos tenho me apercebido destes desenhos de meninas de olhos muito redondos e cintilantes nas capas da revista japonesa Gothic and Lolita Bible, mas no meio de tantos autores de shoujo retro, encarei como mais um e continuei a perseguir aqueles que mais me chamam a atenção: Yumiko Igarashi (Candy Candy, Georgie!) e Ryoko Ikeda (Versailles no Bara, Oniisama He…). Há dias esbarrei com uma imagem de Macoto Takahashi e resolvi pesquisar. Os desenhos são deveras estáticos e as expressões das meninas, sempre meninas, são praticamente sempre iguais, mas o encanto destas ilustrações e a meticulosidade do detalhe são de um talento inigualável e maravilhoso!

Macoto Takahashi é na sua essência um ilustrador, já septuagenário, que continua tão activo hoje como nos anos 60 e 70 e mantém o mesmo estilo retro que nos deu a conhecer através das ilustrações que fez outrora para merchandising. Olhando para os seus desenhos apercebo-me de como o design do shoujo, onde Macoto é uma das principais influências de estilo, mudou tão pouco até aos anos 90 e, talvez com o advento da internet - quem sabe, deu uma volta enorme com uma clara tendência para o novo estilo "moe", que aliás não é shoujo.

Aconselho a darem uma olhadela pelo site oficial, e ver estas ilustrações maravilhosas. Pena é que nunca tenha conseguido o tal estojo!!

MACOTO Art

ilustração/merchandising

19.5.09

Comecei a ver: Genji Monogatari Sennenki

Literalmente A História de Genji, Romance Milenar, Genji Monogatari Sennenki é finalmente a adaptação ao formato série de anime, perfeitamente adequado ao romance e ao seu formato de novela interminável, pelas mãos de Osamu Dezaki.

Nenhum outro realizador poderia ser mais perfeito para adaptar esta obra, muito querida dos japoneses e considerada o primeiro romance da história, cuja história segue os vários romances e paixões do Príncipe Genji numa estrutura em tudo semelhante à estrutura básica das séries de anime: pequenas histórias episódicas e independentes interligadas por uma ténue mas presente linha narrativa principal, muitas vezes intimamente ligada ao(s) protagonista(s).

Osamu Dezaki é talvez, dentro dos realizadores clássicos de anime, um dos mais reconhecíveis, com um estilo marcado, muitas vezes ligado ao character design e animação de Shingo Araki, em séries de anime como Versailles no Bara, Ace o Nerae! ou Oniisama he… cuja história tem inclusive pequenas homenagens a Genji. O seu estilo, com personagens lânguidas, homens altos, belos e espadaúdos, mulheres belas, muitíssimo femininas e com cabelos ao vento, as faces longas, os planos intercalares extremamente dramáticos mas frequentemente de animação reduzida e com um trabalho de arte pormenorizado, iluminação dramática, paleta de cores reduzida, bandas sonoras exageradamente dramáticas, são únicos e tipicamente característicos do anime shoujo ou josei de romances perigosos ou proibidos, cujas personagens arriscam até a própria existência em prol das suas paixões.

Sendo O Romance de Genji o primeiríssimo exemplo destas características e cuja marca tão forte foi prevalecendo de tal forma na cultura de ficção nipónica que transitou para o anime shoujo, até tardou esta adaptação que, infelizmente é curta em episódios (só 11) e portanto só pode resumir ou contar parcialmente a longa narrativa do romance. Ao ver o primeiro episódio já deu para perceber que a adaptação não é literal e contada de forma um pouco mais linear e cronológica que o romance, cuja infância de Genji é sugerida ao longo do decorrer dos diversos eventos e romances. Dezaki também introduz alguns novos detalhes, concentrando-se agora na infância de Genji e nos eventuais porquês das suas paixões para posteriormente vir a desenvolver a personagem.

Em termos técnicos, Dezaki, de quem já não via nenhum trabalho significativo há bastante tempo, usufrui em pleno o que as novas tecnologias lhe proporcionam, transformando o que antigamente seriam planos parados ou rudimentares em maravilhas de detalhe em movimento. Um recurso dramático que provavelmente começou a ser utilizado para ultrapassar certos entraves técnicos, transformou-se num estilo e deu azo a belíssimas imagens, dignas do Príncipe Genji, nesta série.


Por outro lado a utilização de uma canção pop/rock das PUFFY no genérico inicial é, no mínimo, divertida e surpreendente, continuando a tendência de colocar música moderna e popular nos genéricos de anime de época em vez da lógica música tradicional. Também é engraçado este retorno das PUFFY, já um pouco "velhas" no panorama do J-Pop, principalmente após a notoriedade que atingiram no Ocidente.

Infelizmente, por questões de disponibilidade, ainda não terminei de ler o romance. Sei que não há de ser condição para apreciar condignamente a série, mas gosto de fazer a análise comparativa, e logicamente não o irei poder fazer em relação à totalidade da narrativa tão cedo. Gostei deste lindíssimo e primeiro episódio, veremos que caminho Dezaki escolheu para resumir a história, se a conta parcialmente (como o filme) ou se salta partes reformulando a narrativa e que romances privilegia em detrimento de outros.

アニメ「源氏物語千年紀 Genji」公式サイト


5.2.09

Bihada Ichizoku

Bihada Ichizoku [Família Bihada - Bela Pele] foi uma série condenada à partida para os fãs ocidentais, pois foi encomendada por uma companhia de cosméticos, a Love Labo, utilizando as já existentes ilustrações barrocas da sua linha Bihada Ichizoku como inspiração directa, já de si inspiradas nos desenhos de manga romântica dos anos 70..

Ao começar a ver esta curta série, de 12 episódios de 9 minutos cada, deparei-me com uma grande surpresa! Bihada Ichizoku é uma farsa às ultra-dramáticas séries (de que gosto imenso) dos anos 70, tipo Versailles no Bara, Oniisama E…, Ace o Nerae! ou Glass no Kamen, de que já falei por aqui mais que uma vez. Eles pegam nos clichés e exageram-nos, criando uma história bem divertida onde não é forçoso conhecer as referências, se bem que ajuda, claro.

Sara Bihada é a mais nova de um casal de gémeas que vence consecutivamente o concurso de beleza patrocinado pela família (WBC - World Beautiful-Skin Competition). Cheia de inveja a irmã, Saki, impede que Sara fique com o precioso pergaminho, a herança da família, e leva-os à ruína. O pai morre, a mãe fica destrambelhada e as duas vão viver para um pequeno T0. Alguns anos depois a bela Sara está "desfigurada" por ter de trabalhar em todo o tipo de trabalhos ao ar livre (pesca de atum, limpar vidros em prédios altos, etc. - ??? HAHAHA!) até que o destino a leva a trabalhar como empregada de limpeza na empresa da família agora gerida pela irmã. Tal como em Glass no Kamen, Sara tem um admirador secreto, determinado em restaurar a sua beleza, que lhe deixa sabonetes especiais e outros truques em locais que ela frequenta através do gato mais feio do anime. E, claro, também tem um love interest, um rapaz que não faz parte do seu passado de rainha da beleza e que a faz fazer os maiores disparates para estar com ele!

Como disse e se pode ler pela história, esta série pega em todos os clichés das séries antigas, incluindo o trabalho visual em que o character design parece tirado de uma manga de Ryoko Ikeda, os caracóis/canudos de Sara, as decorações dos genéricos e não só cheias de rosas, a mansão estilo ocidental da família e o luxuoso prédio dos escritórios Bihada Ichizoku. Cada episódio é introduzido por uma dramática narradora feminina que vai constatando óbvio no destino de Sara, a gargalhada enfática de Saki (ooh-hohohoo!) e a banda sonora dramaticamente romântica...

Juntamente com algumas máscaras faciais saiu o primeiro volume
da manga e em Abril sairá o segundo [eu queeeero!]

Tem sido uma experiência bem divertida ver Bihada Ichizoku, foi pena os grupos de fansubs ocidentais não terem pegado nela, pois é um pequeno e divertido exemplo de comédia, que não fica atrás de nenhuma outra série mais séria e onde a publicidade nos passa totalmente ao lado (nem que seja porque os produtos não estão disponíveis fora do Japão).

E am o genérico final! A canção é uma delícia e o estilo animação de recortes, como se fossem bonecas de papel está perfeito!

JET★GIRL - Lil'B

テレビ東京・あにてれ 美肌一族

RAW

9.11.08

Ribbon no Kishi

Já li a manga! Nesta edição são 8 volumes fininhos, mas no original são apenas 3. Na realidade o que li foi a primeira versão da manga, de 1954, tendo Osamu Tezuka editado uma segunda versão mais tarde, 1963, uma revisão da mesma história. Em 1967 foi produzida uma série de anime, baseada na primeira versão da manga.

Ao criar esta manga, Tezuka criou um novo género e ditou as primeiras regras da manga shoujo. Uma delas e a mais original de todas, foi a ideia da princesa vestida de príncipe, retomada em várias manga shoujo famosas, nomeadamente Versailles no Bara e Shoujo Kakumei Utena. Essa ideia do travestismo no feminino vem do facto de Tezuka ter vivido em Takarazuka, uma pequena cidade anfitriã da antiga companhia Takarazuka Revue, com um elenco unicamente feminino que encena histórias românticas, clássicos da literatura e algumas manga, num formato de revista musical, com encenações kitsch e barrocas. A influência é de tal modo marcante que a própria manga Ribbon no Kishi foi encenada pela companhia, fechando o círculo.

Ribbon no Kishi conta a história da Princesa Sapphire que nasce com dois corações, um de menino e outro de menina, por causa de uma partida de um anjinho chamado Tink. No Reino de Prata, o reino de Sapphire, as mulheres estavam proibidas de suceder ao trono e por isso, apesar de nascer menina, Sapphire é criada como um rapaz em segredo. A história vai seguindo as várias peripécias, os esforços da princesa e de seus aliados em proteger o segredo do malvado Duque Duralmin, que quer que o seu filho Plastic suceda ao trono.

Esta é uma manga muito empolgante e divertida, onde a acção nunca pára, onde quando pensamos que Sapphire já está finalmente livre dos obstáculos aparece mais um ou um novo vilão e a sua vida volta a complicar-se e nunca mais ela consegue realizar os seus dois desejos mais profundos, que ainda por cima são contraditórios: ou assume a vida de um homem e herda o trono do seu amado reino, ou assume a vida de uma mulher e fica com o seu Príncipe Franz Charming, do Reino de Ouro.

Olhando para as manga shoujo de hoje, em particular para as duas mencionadas acima que também já li, fica muito claro que Ribbon no Kishi, não encaixando ainda no modo como a narrativa se desenrola no modelo que hoje dita o ritmo de uma narrativa dirigida a raparigas, ditou algumas regras fundamentais e recorrentes ao longo das já cinco décadas que se passaram. Ao contrário das manga dos anos 70, não se sente nesta tanto a influência de uma época, seja na história, seja no grafismo. Apesar de algumas ideias ligeiramente conservadoras, a manga é na sua essência bem progressista para a época e para uma manga desenhada por um homem. Sente-se muito mais a forte influência da Disney, de Hollywood e dos contos de fadas europeus, em particular os dos irmãos Grimm.

Acho que esta é das primeiras vezes que aqui escrevo acerca de manga, mas já queria ler esta há tantos anos e é realmente de tal forma um clássico marcante que tinha de o fazer! O mais engraçado disto tudo é que esta, que é uma manga dirigida ao público feminino, que deu origem a várias ideias recorrentes da manga shoujo, surge com um ritmo e narrativa essencialmente para rapazes, numa acção incessante onde o romantismo não se manifesta apenas no interesse amoroso ou na verbalização desse amor, mas na imagem idealizada do romântico príncipe encantado, que tudo faz para ficar com a sua princesa. Com este misto de estratagemas narrativos, creio que hoje em dia seja uma manga que facilmente agrada tanto a rapazes como raparigas. E não é definitivamente uma manga datada, o que é deveras surpreendente e dá com toda a justiça o título de "Deus da Manga" a Osamu Tezuka.

Graficamente esta manga é extremamente dinâmica e variada, não se cingindo à ideia de quadradinho após quadradinho, sendo todas as páginas muitíssimo bonitas e agradáveis de ler. Gosto muito do desenho de personagens de Tezuka, que apesar de apresentar um estilo um pouco retro, não é perro como por vezes são os primeiros títulos de um autor. Na longa carreira de Tezuka, que engloba 700 títulos de manga, Ribbon no Kishi pode ser considerada uma das primeiras, uma vez que ele começou a desenhar profissionalmente no pós-guerra, mas a arte gráfica é de tal modo perfeccionista como poucas manga, o traço seguro e consistente, não tendo oscilações, onde todas as páginas são um quadro equilibrado e muito bem concebido.

Agora quero mais!!!!

Quem estiver interessado na edição brasileira, que tem uma excelente relação qualidade-preço, pode dar uma olhadela ao site da Editora JBC. Se quiserem "folhear" a manga, isso é possível através do site oficial da Tezuka Productions que, por ocasião da comemoração dos 80 anos de Tezuka a 3 de Novembro, publicou gratuitamente excertos de muitos títulos online (é só clicar nas capas - estão lá ambas as versões).

2.7.08

Terminei de ver: Le Chevalier D'Eon

A época é próxima (cerca de 10 anos as separam), o cenário é o mesmo, há personagens em comum e há gente travestida, mas apenas isso liga Le Chevailer D'Eon a Versailles no Bara.

"The pen is mightier than the sword" [A pena (caneta) é mais forte que a espada] é uma frase que me vem bastante à cabeça ao ver este anime. Mas se por vezes a força está do lado da caneta, outras está do lado da espada. Isto porque neste anime se arranja, através de uma conspiração extremamente rebuscada, uma explicação sobrenatural, até mística, para a Revolução Francesa. O poder é mantido através de salmos, recitados por poetas. O salmo mais ambicionado, que uns querem proteger e outros destruir, é o salmo do Rei, Rei esse, Luís XV de França. À maneira de Alexandre Dumas, por trás de personagens e acontecimentos reais, existe muito mais que as aparências ou o que a história registou.

No final, satisfatoriamente reslvido, alguns acontecimentos atropelam-se e Mme. Pompadour e a Rainha Marie morrem no mesmo episódio (e aparentemente no mesmo dia), enquanto que, no próprio genérico final da série, 4 anos separam as suas mortes. A própria doença de Luís XV vem, historicamente, bastante mais tarde que na série, mas são pequenos pormenores que não estragam o visionamento dos episódios finais. Não esperava um final feliz, afinal avizinha-se a Revolução Francesa e os protagonistas são nobres, mas não sei porquê não enguli bem o final que destinaram a D'Eon. Não sei até que ponto é baseado em factos reais (se o for, perdoo o anticlímax) mas se não for, é muito conformista.

No meio desta intriga já complicada, ainda existe toda a intriga política histórica, ela também bastante complicada. Sendo esta combinação muito interessante, complica bastante a assimilação deste anime, e é essa uma das razões que me levou tanto tempo a vê-lo. Só consigui ver um ou dois episódios de cada vez e com a cabeça bem descansada.

シュヴァリエ|WOWOW ONLINE

23.6.08

Comecei a ver: Ace o Nerae!

Como planeado, agora comecei a ver a primeira série anime de Ace o Nerae! (Jenny).

Já estava preparada para um anime envolvente e, mesmo estando no início, já gosto muito desta série.

A primeira coisa que me saltou à vista foi todo o grafismo. Os fundos são estilo aguarela, e tudo o que não é importante em cena é estilizado ao mínimo de linhas. É um estilo gráfico muito anos 70, e mais universal que o típico estilo anime dos anos 70. Em certos aspectos faz lembrar a ilustração europeia da época, com uma forte influência da Arte Nova ou mesmo das Ukiyo-e (gravuras japonesas). A paleta de cores é muito bem estudada, abusando dos pores-do-sol e contrastes fortes. Dentro destas premissas, os figurantes costumam ser silhuetas cinza apenas com contorno, ao longe os ténis (ou outros objectos mais pequenos) perdem os detalhes e "fundem-se" com as meias, os movimentos rápidos são resolvidos com linhas fortes que cortam a silhueta das raparigas, e o impacto das bolas é destacado com "explosões" de cor ou pinturas paradas (estilo esse da responsabilidade de Osamu Dezaki, realizador desta série e também de Versailles no Bara e Oniisama E...).

A música é muito ao estilo anime shoujo anos 70, dá-nos uma sensação agradável de nostalgia e as canções não chateiam, reforçam a motivação de Hiromi.

Por fim, a história é mais uma vez a luta incansável da protagonista, Hiromi, para ultrapassar os seus limites, contra todas as aparências. Há gente ressabiada, adversárias duras, mas vilões-vilões não existem. Mais adiante espera-se uma história de redenção e crescimento, para reforçar as qualidades de Hiromi. Este tipo de narrativa, mesmo não sendo novidade, faz muito a noção clássica da narrativa de anime, de um herói/heroína comum mas com uma força de vontade acima da média que o faz ultrapassar todos os limites possíveis, mas tudo dentro de critérios plausíveis num universo real, mesmo que a encenação seja muitas vezes exacerbadamente dramática, assim como o penteado de Ochoufujin.

エースをねらえ!

5.6.08

Ando a ver: Oniisama E...

Definitivamente há raparigas apaixonadas por raparigas neste anime! Mas é tudo muito contido, num ambiente exacerbadamente feminino, onde o convívio com rapazes (ou homens) é visto com maus olhos. Não consigo olhar para este anime como uma manifestação homoerótica no feminino, mas sim um despertar da sexualidade e amadurecimento das personagens em que as relações, de amizade ou amorosas, entre o mesmo sexo são aceites como parte integrante deste microcosmos, enquanto que relações entre o sexo oposto são alvo de escândalo e mexerico. O engraçado nisto tudo é que as duas ingénuas apaixonadas, a protagonista Nanako e a nova e franca amiga Mariko, se interessam pelas duas raparigas mais másculas ou maria-rapaz do microcosmos do Colégio Seiran, Saint-Juste e Kaoru-no-Kimi.

Não há dúvida que se trata de uma perspectiva estranha numa visão ocidental e heterosexual da sexualidade, mas também me parece que toda esta simbologia e intensidade de relações fazem parte de um universo exclusivamente feminino, para ser usufruido em privado. Esta história também vai buscar muito a um gosto antigo das japonesas por homens andróginos e/ou efeminados que personificam um ideal romântico. A dada altura Mariko refere-se aos homens como sujos e brutos, numa clara recusa dos homens másculos e guerreiros, que dificilmente partilham este universo tão feminino.

Não sou de todo especialista em sociologia ou mesmo antropologia, mas este é um anime que dá muito para pensar em relação ao modo como os japoneses, mais concretamente as mulheres japonesas, vivem a sexualidade e o seu papel em relações românticas idealistas. Não será por acaso que a companhia exclusivamente feminina Takarazuka Revue (que encena dramas musicais românticos) tem uma gigantesca popularidade entre as mulheres e as otokoyaku (actrizes que fazem os papeis masculinos) têm legiões de fãs, como se de um Brad Pitt ou Johnny Depp se tratassem. Não há dúvida que é um universo fechado, exclusivamente nipónico, que teve a sua época áurea entre os anos 60 e 80, época essa em que a manga e anime de Oniisama He... foram produzidos.

Ao ver esta série também encontro claríssimas influências no anime mais recente, Utena, assumidamente inspirado na mais famosa manga da mesma autora desta, Ikeda Riyoko. Ao contrário de Versailles no Bara, aqui as influências não são tanto visuais mas mais do ambiente, das hierarquias, das personagens e suas relações.

1.6.08

Comecei a ver: Oniisama E...

Por ser de Ikeda Riyoko, a autora de Versailles no Bara, este anime despertou-me a curiosidade.

Oniisama E... (Querido irmão...) circula no universo de um colégio ao estilo ocidental, melhor, no que os japoneses nos anos 70 achavam que era um colégio ao estilo ocidental, feminino. A protagonista, Misonoo Nanako, uma rapariga simples, ingénua e sensível, e na ilusão de que entrou para o colégio dos seus sonhos, é arrebatada para um universo cheio de intrigas, rivalidades, poder e mistério. Como estes elementos, aliados a um outro mistério na sua família, temos os ingredientes certos para muito (melo)drama ao melhor estilo japonês. Sim, porque apesar de a "paisagem" ser ocidentalizada, a nível de relações e emoções este anime não podia ser mais japonês!

A nível técnico, dentro da época que foi criado, é um anime excepcional, sem bem que um pouco coxo para os dias de hoje. O trabalho de arte e desenho de personagens é muitíssimo elaborado, a paleta de cores escura e contrastada, mas a animação abusa um pouco dos quadros parados ou repetições em situações de tensão, conflito ou êxtase. A música é como os vestidos delas: romântica, com imenso piano e os vestidos com muitos laços, flores e folhos.

Este anime é conhecido pelas conotações lésbicas entre as diversas raparigas. Ainda vou no início, já deu para perceber que algo de estranho se passa principalmente com as duas raparigas mais masculinas, Saint Juste e Kaoru no Kimi. Mesmo assim, como normalmente este tipo de relações em manga e anime shoujo costumam apenas ser implícitas ou platónicas, vou esperar para ver mais para depois me pronunciar.

Ah! Não falei do irmão do título (oniisama). Esse irmão, é um rapaz mais velho a quem Nanako pediu para escrever como se fosse seu irmão mais velho e pensa que não o é, mas é quase irmão dela, mas não é. Confuso? É mesmo para ser (por enquanto).

5.8.07

Séries TV

Fui desafiada pelo Ricardo do CineArte para nomear as minhas 5 séries de TV preferidas. Como dividi, tal como ele, as minhas séries em categorias e, sendo uma delas anime, passo a chamar a atenção ao dito post no TV-child.

17.12.05

Terminei de ver: Versailles no Bara

Finalmente a emocionante história de Oscar François chegou ao fim e com ela a monarquia francesa. Um pouco como na revista Première vou comentar...

O melhor: A intrincada história que não fica muito atrás de Alexandre Dumas na ligação entre a ficção e os factos reais. O excelente character design por Shingo Araki (não me canso de o elogiar) e a lindíssima direcção artística.

O pior: A banda sonora demasiado "anime anos 80" que está muito ligada a este anime, mas que é demasiado datada. A animação por vezes um pouco rudimentar e as pequenas incorrecções históricas, principalmente no guarda-roupa.

Oscar François é uma personagem impressionante na sua força e convicções, uma mulher como poucas. Admirávelmente humana. Este anime merece a designação de clássico, é daqueles que, independentemente do gosto de cada um, qualquer fã sério de anime deveria ver. Está no meu TOP10!!

7.11.05

Ando a ver: Beru Bara

Desde que Nadja já acabou (e reiniciou) no Panda e que Last Exile acabou que não tenho prestado grande atenção aos anime que têm passado nas TVs, excepto Astro Boy. Em parte isso acontece porque tenho visto também os originais, sem censura.

Há já cerca de um mês fiquei chocadíssima por ter visto um episódio de Beru Bara (Berusaiu no Bara = A Rosa de Versailles) no Panda e ter me apercebido que estava grosseiramente censurado e pior, muito provávelmente pelos mesmos franceses que forneceram a série ao canal e lhe mudaram a música do genérico por uma canção que não tem nada a ver.

Como já andava a tirar episódios da série da net (só tinha ainda visto os primeiros 4) ultimamente tenho andado a ver a série e a gostar bastante.

A realização, apesar de ligeiramente datada é muito boa usando muito, em situações de tensão, o recurso a tons contrastantes ou ao vermelho, quase monocromático e a elementos muito gráficos. Com o cada vez maior recurso aos computadores para fazer quase tudo nas séries actuais, certos códigos cinematográficos andam a perder-se e com eles talvez alguma eficácia no uso da linguagem.

O character design e a animação talvez sejam os factores que mais envelheceram. O character design agrada-me muito, sou fã de Shingo Araki, mas é realmente muito exemplificativo do típico character design de shoujos dos anos 70. A animação peca um pouco por ser um bocado estática e abusar um pouco dos ciclos (ou repetições), mas mesmo assim a realização é suficientemente boa para utilizar essas limitações em sua vantagem. A paleta de cores é também um pouco limitada, parece que comprámos uma caixa de lápis de cor Caran D'Ache e que não temos escolha para além das 40 cores disponíveis. Mas, em contrapartida os cenários são muito bons, provávelmente tirados de fotos do Palácio de Versailles e de outros locais que se vão vendo na série.

A banda-sonora, apesar de encaixar lindamente no clima de intriga de corte, é bastante datada (parece que o compositor dos anime naquela altura era sempre o mesmo) e não tem absolutamente inspiração nenhuma em música do séc. XVIII. Como é coerente com a concepção visual acaba por se diluir bem e a música do genérico, se bem que muito baseada em Enka (Enka é um estilo de música popular japonesa, dizem semelhante ao fado - eu não acho -, muito utilizada em cinema e anime nos anos 60 e 70) é dramática o suficiente.

Fora o guarda-roupa, onde, principalmente nas personagens principais, se tomam algumas liberdades históricas (os vestidos de Maria Antonieta foram estilizados para uma moda-anime anos 70 e os fatos militares de Oscar são inspirados em fatos posteriores do fim do séc. XVIII), há poucas incorrecções históricas fora a Ópera de Paris, que ainda não tinha sido construída. Eventualmente, lá mais para a frente, encontrarei outras incorrecções, mas não conheço assim tão bem esse período da história de França e, apesar disso, há uma grande preocupação com a correcção dos factos históricos e mesmo explicação de certos hábitos sociais estranhos a um público nipónico ignorante, em imensos aspectos, da história da Europa.

http://www.ladyoscar.com/

8.10.05

Anime nos canais Portugueses

Resolvi criar este blog como uma espécie de filho do meu 1º blog, o TV-child, pois ultimamente andava a escrever demasiado sobre anime por lá. A partir de agora, tudo relacionado com anime vai estar aqui.
Vou tentar pôr sempre o título original e o título português (quando há) ou uma tradução (quando é possível traduzir).

Começo por publicar uma lista (que provavelmente há de estar muito em breve desactualizada) dos anime a passar nos canais nacionais. Agora optei por pôr os nomes que os canais de TV lhes deram.

RTP1
Medabots - sab./dom.: 07:00~08:00

2:Doremi - 2ª-6ª: 07:30~14:00

SIC
Vandread - 3ª, 5ª, 6ª: 06:25~08:55
Yu-Gi-Oh - 2ª-6ª: 06:25~08:55
Megaman - 2ª-6ª: 06:25~08:55
Let's Go Quintuplets - 3ª, 5ª, 6ª: 06:25; 4ª: 07:00
Digimon - sab. dom.: 06:45~09:00
Pokemon - sab. dom.: 06:45~09:00

TVI
Beyblade II - sab.: 08:15
Astro Boy - sab. dom.: 08:50

SIC-RadicalDragon Ball GT - 2ª-4ª: 02:00, 13:00, 18:30; dom.: 09:30
Last Exile - 2ª: 02:30, 13:30, 19:00; sab.: 09:30; dom.: 03:00
Chrno Cruzade - 3ª: 02:30, 13:30, 19:00; sab.: 09:30~11:30; dom.: 03:00~05:00
Burst Angel - 4ª: 02:30, 13:30, 19:00; sab.: 09:30~11:30; dom.: 03:00~05:00
Kiddy Grade - 5ª: 02:30, 13:30, 19:00; sab.: 09:30~11:30; dom.: 03:00~05:00
Soul Taker - 6ª: 02:30, 13:30, 19:00; sab.: 09:30~11:30; dom.: 03:00~05:00
Dragon Ball - 5ª-6ª: 02:00, 13:00, 18:30; dom.: 04:15

Panda
Voltron - 2ª-6ª: 05:00, 00:30; sab. dom.: 05:00
Doraemon - diáriamente: 07:00, 12:30, 19:30
Beyblade V Force - 2ª-6ª: 07:30, 13:30, 21:30; sab. dom.: 13:00, 21:30
Nadja - 2ª-6ª: 08:00, 12:00, 18:30; sab. dom.: 09:00, 12:00, 18:30
Doremi - 2ª-6ª: 09:00, 15:00, 20:00; sab. dom.: 09:30, 16:30, 20:00
Digimon II - 2ª-6ª: 13:00, 20:30; sab. dom.: 13:30, 20:30
Monster Rancher - diáriamente: 14:00
Medabots II - 2ª-6ª: 19:00, 23:30; sab. dom.: 23:30
Lady Oscar - diaáriamente: 22:30
Louca Academia de Polícia - diáriamente: 23:00

Como se poder ver, há um bocadinho de tudo, desde clássicos a hi-tech, lógicamente com alguma predominância de anime mais infantis (com um canal infantil como o Panda, que passa bastante anime, não há hipótese!).

Ando a ver:
Doremi, muito de vez em quando, mas parece que vai estrear no Panda a 2ª série (não sei bem quando). A dobragem da 2: está mais correcta nos nomes e pronúncias e também um pouco mais bem feita que a do Panda. Algumas vozes são as mesmas.
Quando raramente estou acordada de madrugada também vejo Digimon e os Quintuplets.
O Astro Boy (definitivamente!).
Last Exile, que está no finzinho, mas que foi o único, dos que passam agora na SIC-Radical que pegou comigo. É muito bom, apesar de ter, por vezes, excesso de conteúdo.
Doraemon quando calha, é sempre engraçado e não me chateia a dobragem espanhola, até gosto da voz do Doraemon.
Nadja, é o meu preferido no momento, pena as vozes estridentes da dobragem e não acertarem com a pronúncia correcta nem de 'Applefield' nem de 'Dandelion'.
Lady Oscar deixei de ver quando me apercebi que estava (bastante!) censurada. É assim que se incentiva a pirataria na net!
Louca Academia de Polícia é bastante engraçado, mas vi pouquinhos episódios, felizmente a história não tem muita continuidade.

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