23.3.08

Terminei de ver: NANA

Ok, finalmente acabei NANA, demorei tanto que já chateava! (há mais séries...)

Houve vários motivos para a demora, mas um deles é que o meu entusiasmo acerca desta série começou a esmorecer à medida que a ia vendo. É uma série muito bem feita, muito bem animada, com gráficos de primeira qualidade, excelentes e variados genéricos, bem estruturada e com uma boa história mas que lhe falta "aquilo" para ser uma excelente série.

Não sei se foi ser um soap, se foi não sentir verdadeira evolução na história ou personagens, ou até as coisas ficarem mais ou menos em aberto (eu até costumo gostar disso) mas NANA não me convenceu e até desiludiu por comparação às duas outras histórias que já conheço de Ai Yazawa, Gokinjo Monogatari e Paradise Kiss. Acho que talvez seja demasiado realista para me agarrar ao écran. Confesso que 3(!) episódios de resumo também chateiam, um já é muito, três são demais!

No fim foi deixada uma vaga promessa de uma continuação, promessa essa que parece não vir a ser cumprida em anime, apenas na manga. Felizmente vimo-nos livres da Suzue Nana... não percebo o que é que lhes deu para inventarem tal coisa!

NANA ーナナー

16.3.08

Magic Knight Rayearth: Openings e Endings

Estão aqui os vídeos dos genéricos de início (OP) e fim (ED) originais de Rayearth como tira-teimas da minha embirração com as versões americanas dos anime. Bem mais decentes!!


OP1: Yuzurenai Negai
OP2: Kirai ni Narenai
OP3: Hikari to Kage wo Dakishimeta Mama

ED1: Asue no Yuuki
ED2: Lullaby ~Yasashiku Dakasete~
ED3: Itsuka Kagayaku

魔法騎士レイアース
Magic Knight Rayearth TMS

Cyborg009

Se não fosse ter dois gatos chatos, que me acordam de madrugada para lhes dar comida, NUNCA tinha dado por este anime por causa do título que lhe foi dado pela SIC: Cyborg. Sem o 009 tomei-a por mais uma daquelas séries de animação americanas ou europeias para exportar como americanas de encher. Aliás resta perceber porque deixaram cair o 009... Neste caso não me parece que seja por dificuldades em traduzir.

Cyborg009 é uma das séries anime mais antigas, mas a que está neste momento a passar na SIC é um remake de 2002. A primeira é de 1968 que teve uma segunda série em 1979-80 e uma série de filmes. Com tanta proliferação e o actual remake posso apenas pensar que, para além de ser um clássico, esta série foi muito popular.

É também uma daquelas séries anime vintage que há muito gostava de ver. Claro que preferia ver também a original, mas para já contento-me com o remake, que tem muito bom ar e já serve para apanhar a história. Isto também se a conseguir ver, pois cada vez mais me acontece não conseguir ver as séries na TV porque se prolongam muito e porque dão em horários em que ou se sobrepõem com outros programas ou que apenas não dão jeito (como é o caso, brrr de madrugada).

Este anime é ficção-científica pura, como já pouco se vê, com um traço no character design em tudo semelhante ao de Osamu Tezuka, talvez pela sua contemporaneidade. Sei pouquinho da história, OK sei que existem 9 cyborgs, que todos eles têm características e poderes diferentes, que o 009 é o herói e que um deles é uma rapariga. Os resto vou apreciar a partir de agora mas estou bem entusiasmada!

SIC
sáb. e dom. cerca das 6:30

サイボーグ009 (1968) [JP]
:: Cyborg009 Official site :: [JP/EN]

2.3.08

Escaflowne

Tenkuu no Escaflowne é um anime bom demais para passar no Canal Panda. Digo isto pois já passou, e felizmente, na primeira fornada de anime da SIC-Radical, no original com legendas em português, mas agora começou a passar no Panda dobrado em espanhol. Normalmente até acho as dobragens em espanhol aceitáveis (bons actores de voz, semelhantes aos originais, traduções sérias, etc.), mas a de Escaflowne custa-me a engolir. Há qualquer coisa neste anime de qualidade superior, com character design de Nobuteru Yuki e banda-sonora de Yoko Kanno, que impede que eu consiga gostar dele dobrado, seja em que língua for, só aceito originais!

Mesmo assim, para quem perdeu, vale a pena tentar seguir esta série agora.

Escaflowne foi daquelas séries que já estava farta de conhecer através de diversos meios antes de a ver, mas que não me despertava muita curiosidade. Ao vê-la (nessa primeira leva da SIC-Radical) para além de me ter viciado, fiquei agradavelmente surpresa com a qualidade não só da produção e da produção artística, mas também da história. Apenas uma embirração ficou: os narizes arrebitados de Nobuteru Yuki e o ar demasiado andrógino das raparigas.

A banda-sonora, para além de ser da minha compositora japonesa favorita, Yoko Kanno, ainda por cima pertence ao seu periodo áureo, em que ainda não se auto-plagiava e cada banda-sonora sua era uma obra única e arrebatadora na originalidade e força das melodias. Ainda por cima inclui uma das minhas canções preferidas dela, Yakusoku wa iranai, melodia que me ajuda a tirar da cabeça aquelas canções embirrantes que insistem em permanecer por vezes na memória. O forte de Yoko Kanno é a música com ambiências mais místicas e sobrenaturais (exceptuando todas as bandas-sonoras de Cowboy Bebop, que são sublimes) e Escaflowne é um excelente exemplo da utilização de canto gregoriano e influências da Europa medieval, que também se sentem na arte gráfica do anime.

天空のエスカフローネ

10.2.08

Ando a re-ver: Evangelion


Zankokuna tenshi no these - A tese do anjo cruel
Opening de Neon Genesis Evangelion

É mesmo com imenso prazer que oiço de novo com regularidade a canção acima, especialmente numa TV portuguesa e ainda por cima no original sem dobragens!

Evangelion (diz-se evanguelion) é definitivamente uma série marcante e já um clássico do anime. Rever esta série passados tantos anos, de novo na SIC-Radical, dá para perceber com clareza a sua importância: é uma série tecnicamente e artisticamente muito bem feita e equilibrada, com sequências que continuam a surpreender. A sua montagem não é linear e básica, usa muitos saltos no tempo e elipses que, eventualmente, resurgirão mais tarde sob um novo ponto de vista. Esta é uma técnica utilizada em maior ou menor escala ao longo de toda a série, mas o mais frequente é não vermos directamente as derrotas dos Eva's mas as suas consequências.

O argumento desta série é talvez um dos mais densos e bem escritos, com uma pesquisa de fundo tão bem feita que até pessoas que vivem num país católico (se bem que também tem muitas ideias anglicanas ao longo da série) têm uma certa dificuldade em acompanhar a temática dos anjos/apóstolos, do génesis e não só. Desperta a curiosidade de uma agnóstica ignorante como eu acerca de toda a "teoria da conspiração" por trás das religiões cristãs. Para além disso a abordagem pela psicologia, que deriva em personagens muito bem construídas, dá-lhe uma base extremamente sólida e que faz com que o público se identifique com intensidade.

A banda-sonora não abusa das canções pop-pastilha-elástica japonesas, o que a torna intemporal, apresentando-nos alguns exemplos memoráveis, tal como as músicas do genérico. As inúmeras versões de Fly Me to the Moon, originalmente cantada por Frank Sinatra, marcam talvez uma das primeiras vezes na introdução de música ocidental no genérico de um anime, e até há algumas versões bem engraçadas, mas confesso-me fã desta canção, muito antes da era Evangelion.

O character design não é dos mais originais ou rebuscados, mas é perfeito para o tipo de série que se trata, sem recorrer a cores de cabelo demasiado extravagentes (eu sei que a Rei tem cabelo azul, mas ela é albina e é apenas uma variante mais gráfica para cabelo branco, o mesmo se passa com Kaworu) ou um guarda-roupa exótico e pouco funcional. A extravagância é deixada para os mechas, mais em concreto para os Eva e Anjos, onde encontramos de tudo um pouco: desde Anjos em forma de vírus até formas geométricas simples.

Evangelion é uma série a rever, ou começar a ver para quem não a viu da primeira vez, foi um ponto de viragem na história do anime, que nunca mais foram os mesmos. É lógico que sou fã, se bem que não se trata da minha série favorita, tem a minha personagem favorita, a doida, extrovertida e ao mesmo tempo inteligente e responsável Misato, isto é: EU! ;)

EVANGELION.CO.JP

4.2.08

Não há bela sem senão...

Surpresa das surpresas! Apesar de ser num canal de cabo, o Hollywood, o filme Cowboy Bebop: Knockin' on Heaven's Door está a passar numa TV em Portugal!

Mas... sim, MAS... está com a dobragem americana, chamam à Ed Edward (que raramente acontece na versão original) e ainda por cima puseram a Faye a dizer he, em vez de she, referindo-se a Ed. Ela é uma RAPARIGA! E a Faye sabe-o.

Ah! E no início, legendas em português... népias! Mas depois lá apareceram.

É sempre uma boa notícia ter um filme de anime tão fabuloso a passar nas nossas TVs, mas por esta altura do campeonato, em que temos o AXN a passar anime, a SIC-Radical e até por vezes os canais públicos, no original legendado em português, já não se justifica passarem logo Cowboy Bebop nestas condições.

カウボーイビバップ 天国の扉
Cowboy Bebop - The Movie

31.1.08

Ando a ver: Cutie Honey THE LIVE

Como fã que sou de Cutie Honey, pareceu-me lógico começar a ver este tokusatsu. Ao princípio não me entusiasmou muito, sentia a falta do exagero colorido, acelerado e naïf do filme e de Re: Cutie Honey, para não falar de Eriko Sato, que é, sem dúvida, perfeita para o papel. Os fatos de Cutie Honey e o novo logotipo também são um bocado mais angulosos e menos kawaii, o que também não ajudou.

Mas como cada episódio acaba num bom cliff hanger e, sendo cada um de apenas 25 minutos, onde a historia se densenvolve aos poucos, a sementinha da curiosidade ficou lá e continuei a ver. Mesmo assim continuo claramente a preferir o filme.

A série para TV é um bocadinho sóbria demais para a personagem, mas a personalidade parvinha mas querida de Honey, a introdução das duas sisters, Miki e Yuki, a primeira soturna, solitária e misteriosa e a segunda podre de rica e psicopata, ajudam muito à série e a desvendar o mistério desta versão de Honey. Uma Cutie Honey mais integrada no dia-a-dia parece ser o estilo desta série, uma versão mais "normal", mais dentro do staus quo clássico. Seiji continua a ser um detective um tanto trapalhão, Natsuko a melhor amiga de Honey, agora de novo colega de escola, o Prof. Kisaragi continua a ser o pai e inventor de Honey e das sisters, os generais da Panther Claw é que são mais discretos, mas com personalidades bem fora do normal a atirar, eles também, para o psicopata. Os lacaios da Panther Claw é que são praticamente iguais, mas ainda não se vislumbra nenhum mega-vilão, tipo Sister Jill.

Por esta altura talvez já esteja na hora de ler a manga original de Go Nagai e ver as restantes séries de anime, Cutie Honey, Cutie Honey OAV (que deu na SIC Radical mas acabei por perder muitos episódios) e Cutey Honey F (a série mais soft para adolescentes). Talvez em breve tenha mais posts de Cutie Honey.

キューティーハニー THE LIVE

14.1.08

Terminei de ver: Jigoku Shoujo Futakomori

Definitivamente estas séries vivem de histórias episódicas para terminar nalguma intriga que envolva Enma Ai e os seus seguidores. Esta segunda série já desvendou bastante mais acerca das origens de todos e como se juntaram a Ai, quebrando um pouco a tendência da repetição. Também é pontualmente menos tétrica, graças a alguns interessantes momentos de humor.

Quanto ao final, gostei. Aliás, gostei mais do que do final da primeira série. O final da primeira série era necessário, explicava os porquês mais importantes e deixou uma aura de mistério à volta de Ai, o que é sempre bom. Este segundo final volta a focar-se em Ai, numa situação, com um mortal, que se vai desenvolvendo de forma semelhante à que levou Ai a tornar-se na Jigoku Shoujo. Kikuri, como era obvio desde o início, é muito mais do que aparenta, mas mesmo assim poderia ter se revelado mais cedo e não apenas no último episódio. Não querendo fazer spoilers, só posso dizer que o final é surpreendente e feliz e deixa, conveninentemente, um cliff hanger para uma possível 3ª série, que foi anunciada há pouco no site oficial.

Cá fico à espera da terceira série, espero que, pelo menos, mantenha o nível das anteriores, mas se conseguisse superar... melhor ainda!

地獄少女

11.1.08

Mirmo

Estreou quase simultaneamente na SIC e no Canal Panda a série Mirmo, Wagamama no Fairy Mirmo de Pon! no original. É uma típica série Doraemon, isto é, com um público alvo de raparigas pré-adolescentes, cuja protagonista é, claro uma rapariga que vem ser 'ajudada' por um ser mágico. Ao contrário de Doraemon, que tem um público mais unisexo, Mirmo é mais dirigido a raparigas.

Anteriormente, quando via imagens deste anime, pensava que seria um anime delicodoce, detestável, cheio de personagens demasiado kawaii para o meu gosto. Ao ver esporadicamente alguns episódios, mudei de ideias. Como o título original diz, Mirmo é uma (?) fada macho, que vem dentro de uma caneca (ah, a oportunidade de merchandising!) egoísta ou caprichoso, o que muda radicalmente a imagem que passa à primeira vista. Em português, o termo inglês fairy é complicado de usar, uma vez que a sua tradução, a palavra fada, é no feminino e estas fadas têm ambos os sexos.

Temos quatro protagonistas humanos, Kaede, Setsu, Azumi e Kaoru, com as suas respectivas fadas, Mirmo, Ririmu, Yashichi e Murumo. Claro que Kaede é a boazinha, Setsu o seu love interest, Azumi a sua rival e Kaoru o apaixonado por Kaede. As histórias são simples, normalmente um dos bonzinhos tem um problema, Mirmo é suposto ajudar, mas isso nunca é prioridade (a não ser que seja subornado com chocolate) e Azumi tenta sempre afastar Kaede de Setsu. As trapalhadas e caprichos de Mirmo, aliados às trapalhadas ao quadrado de Yashichi à incompetência que a maioria das fadas tem em fazer encantamentos, o modo deles de voar com a ajuda de dois leques, etc. apimentam um bocadinho a história e cortam o lado delicodoce do excesso de cor-de-rosa e azul-bebé. Ao longo dos episódios vão aparecendo mais personagens para complicar a vida aos protagonistas, sejam eles humanos ou mágicos.

A "versão" que foi distribuida para Portugal contrariamente ao habitual parece vir imaculada. Digo contrariamente pois é distribuída por uma distribuidora americana, a Viz, que normalmente costumam reeditar as séries a seu bel prazer, mudando os nomes e censurando a história. Também gosto da dobragem (parece-me a mesma em ambos os canais) e tem a mesma voz de Shin-chan a fazer de Mirmo, que lhe fica a matar!

Dentro do género e faixa etária, este é um anime engraçado e que tem alguma piada ver, sem grande compromisso.

Mirmo!
わがまま☆ファエリーミルモでポン!
ミルモでポン!

23.12.07

Ando a ver: InuYasha

De todas as séries correntemente a passar no Animax do AXN, InuYasha é a que estou a seguir com maior entusiasmo.

A esse entusiasmo deve-se a InuYasha ser uma série à antiga: com uma narrativa com um objectivo muito claro, recuperar a esfera dos espíritos, dois protagonistas, uma humana e um semi-demónio, cuja a acção vai se desenrolando em episódios semi-independentes com novos antagonistas a cada um e por vezes novos aliados na busca.

Dentro desta fórmula bem experimentada e muito simples, temos imenso espaço para conhecer os nossos protagonistas, ver a sua relação pessoal se desenvolver, intercalado de cenas de acção q.b., momentos de humor, dramatismo e algum romantismo. Depois temos ingredientes que agradam a rapazes e raparigas, os protagonistas são um quase-rapaz e uma rapariga, há magia, há armas, temos cenas de época e actuais, e acção e romantismo em equilíbrio.

Por alguma razão que Rumiko Takahashi tem a importância que tem na história mais recente do anime e manga, não há dúvida que sabe criar um enredo, sabe os ingredientes obrigatórios e conjugá-los de modo a obter um 'bolo' saboroso e de fácil digestão. InuYasha entusiasma a cada episódio, mantém-nos na espectativa suficiente para aguentarmos uma semana até ver o próximo episódio (no nosso caso a cada dois) e, mesmo não sendo, a meu ver, a sua obra mais brilhante, ainda mantém um nível equilibrado de popularidade e seriedade, sem ferir susceptibilidades ou provocar em demasia.

A imagem acima é invernosa para tentar dar algum espírito natalício a este blog, enfim, foi o de mais próximo que se arranjou.


犬夜叉 Avex
犬夜叉 YTV

16.12.07

Magic Knight Rayearth

E porque é não há meio de me habituar a pelo menos verificar a programação do Canal Panda a cada fim do mês??? Já me tinha apercebido há que tempos que é comum começarem a emissão de uma série de anime a cada dia 1 e mesmo assim esqueço-me!

Pois, a razão do protesto é que a estreia deste mês foi uma série que sempre quis ver, cuja manga já li há que tempos e que só tinha tido oportunidade de ver alguns episódios... Magic Knight Rayearth.

Magic Knight Rayearth foi o primeiro projecto mainstream das CLAMP, com o objectivo inicial da criação de uma manga e um anime, produzido pela Tokyo Movie Shinsha, em resposta ao sucesso de Sailormoon, da concorrente Toei. O resultado foi uma qualidade acima da média, mas um sucesso algo limitado, que só seria atingido em grande, mais tarde com Card Captor Sakura.

Em Rayearth as CLAMP partem das mesmas motivações estéticas e narrativas de Sailormoon, com uma clara inspiração nas séries de sentai, cores básicas, transformações, mechas, poderes mágicos, romance e, claro, adolescentes colegiais. A grande diferença está no local onde se passa a acção, no universo paralelo de Cefiro, onde as personagens têm nomes de modelos japoneses de automóveis (Primera, Lantis, etc.) e onde as nossas três protagonistas, detentoras de um poder mais bélico que em Sailormoon, lutam pelo equilíbrio de ambos os universos, através dos seus poderes mágicos com que foram marcadas pelo destino.

O destino é um tema recorrente em toda a obra das CLAMP, portanto não é de estranhar a sua introdução nesta série. As três raparigas têm personalidades tão distintas como as cores dos seus uniformes, sendo Hikaru (vermelho) a mais desastrada, fogosa e de enorme coração, praticante de kendo (esgrima japonesa), Umi (azul) a mais elegante, fria e pragmática, praticante de esgrima, e Fuu (verde) a mais intelectual, tímida e caseira, praticante de kyudo (tiro ao arco). A sua evolução na história acaba por ser um caminho de auto-descoberta, culminando na difícil decisão de ficar em Cefiro e viver um mundo de fantasias ou regressar ao mundo real. Apesar do seu sucesso moderado, acabou por ser produzida uma segunda parte, onde as raparigas regressam a um Cefiro transformado, um pouco mais maduras, e onde encontram o amor o que as conduz a novas tomadas de decisão difícieis.

Com o tempo Magic Knight Rayearth acabou por se transformar num clássico, é uma das séries, dentro do género magic shoujo, a ver, que ajudou a elevar os padrões de qualidade e os orçamentos para este tipo de público. Graças a Rayearth outras séries (tais como St. Tail, Fushigi Yuugi, Card Captor Sakura e muitas outras) puderam crescer e evoluir, reavivando género magic shoujo.

ADENDA: Porquê, mas porquêêê!!!! Porque é que raio tenho de apanhar com dobragens em inglês???? Se tenho de apanhar com um anime dobrado, ao menos que seja em português. E se temos de ler legendas, ao menos que a dobragem seja a original em japonês. E, já agora, que Magic Knight Rayearth mantenha as canções originais e não uma versão-qualquer-pop-em-inglês... Ah sim, e que os nomes estejam correctos: é Ceres e não Selene. Infelizmente tenho a certeza de haver mais americanizações onde não eram necessárias... pelo menos parece que não há cortes nesta versão exibida pelo Canal Panda. São estas as razões que levam uma pessoa a acabar por fazer download das séries da net... Se ao menos o anime fosse tratado com o respeito que merece...

魔法騎士レイアース
Magic Knight Rayearth TMS

Acabei de ver: Romeo x Juliet

Após uma pausa, finalmente terminei de ver este anime. De certo modo passei a ver o conjunto com um olhar refrescado, menos influenciado pelas estratégias narrativas que nos colam ao écran e à expectativa de continuar a história.

Achei a segunda metade deste anime mais fraca e um pouco mais mal feita do ponto de vista técnico. A fraca qualidade técnica dos episódios 14 e 15 teve uma grande influência nisso. O facto de nalguns destes episódios do meio a história se arrastar um pouco também não ajudou.

Mas, a curiosidade de saber como se iria resolver a conclusão da história e se afinal Romeo e Juliet morreriam, foram motivo suficiente para ultrapassar um meio um pouco perro. A segunda metade desta série leva uma reviravolta grande, onde a grande motivação de Juliet passa a ser o seu "dever" de proteger e salvar os habitantes de Neo Verona, em detrimento do seu grande amor, Romeo. De facto a grande motivação da série também passa a ser essa, com a excepção de Romeo que, apesar de preocupado com a população, luta até ao fim pela sua Juliet.

Mesmo sendo bem escrita esta conclusão, com cenas de acção e românticas muitíssimo bem feitas que não ficam nada aquém do início da série, tenho bastante pena do desvio da motivação da peça original, pois Romeo e Juliet deixam de ser os 'star crossed lovers' de Shakespeare, a grande força da história deixa de ser o seu amor, para passar a ser salvar aquele 'mundo que ambos partilharam'. Mesmo ficando essa falha presente, há duas ou três cenas, lá para o fim, entre Romeo e Juliet que nos preenchem e fazem com que a série mantenha os padrões de qualidade a que nos habituou. A minha favorita é a cena do duelo entre Romeo e Juliet, ambos com armaduras muito semelhantes, claramente não são inimigos, apenas se trata de uma luta entre o dever e o amor onde só um dos dois pode vencer. A seguinte despedida dos dois é lindíssima e fica para sempre marcada como uma das melhores cenas entre os dois, em toda a série.

Como conclusão, esta é uma série marcante, extremamente bem executada, que vale, definitivamente, a pena ver.


ロミオ×ジュリエット

9.12.07

Nippon Koma 07: dia 6

A primeira sensação que tive ao ver os filmes de Kurosaka Keita é de que são muito pessoais. Há qualquer coisa nos filmes muito experimentais que tende a torná-los demasiado desequilibrados e densos. Os de Kurosaka Keita mostram-nos técnicas de animação com fotografias e manipulação de imagem real muito interessantes e complexas, com imagens fortes e marcantes, mas são demasiado longos e imprevisíveis. Foi interessante ver os filmes por ordem cronológica de produção, felizmente ao contrário da ordem proposta no programa, pois nota-se uma interessante evolução em todos os aspectos formais, sendo para mim o último, Idade da Caixa, o mais interessante.

Tekkonkinkreet é surpreendente! Ao ver o trailer há cerca de um mês interessei-me, mas nunca pensei que fosse tão bom. É um filme com uma produção excelente, muitíssimo equilibrada, onde cenários exuberantes e muito detalhados, um character design invulgar e muito expressivo convivem equilibradamente com uma excelente e ágil realização, uma história poderosa, dois protagonistas, e outras personagens fortes e cativantes onde nada é gratuito. Este é um filme de pormenores, para rever, onde a cada visionamento se encontram aspectos diferentes, pequenas piscadelas de olho que adicionam corpo à história.
Só achei um pouco forçada a introdução do arqui-vilão, Hebi, a meio da história, com o propósito simplista de conquistar o bairro Takara (que, a propósito, quer dizer tesouro). Numa história destas só há espaço para um vilão e a força que ele poderia ter dilui-se desta forma. Felizmente que a história de Kuro e Shiro acaba por se sobrepor a todo o resto e essa falha deixa de ter importância.
Apesar de o realizador, Michael Arias, ser americano, não deixa de ser um filme muito japonês o que é curioso. Por vezes pensava nisso ao ver o filme mas nunca teve importância na sua apreciação.

Tekkonkinkreet
映画「鉄コン筋クリート」

Em resumo a edição deste ano deu um salto qualitativo apesar de a programação ter sido um pouco mais fraca, menos arrojada. O esforço de trazer a Srª. Hirano Kyoko foi extremamente positivo e as falhas técnicas não foram, nem por sombras tão graves como anteriormente. Já estão incluídos no programa os nomes dos realizadores, não houve trocas nas dobragens para inglês e, apesar de as traduções ainda dependerem essencialmente das cópias de origem e não estarem em português, as falhas de comunicação foram menores. Acabei por finalmente conhecer um dos programadores da mostra o que deu para perceber alguns dos porquês do Nippon Koma. A Srª. Hirano foi sempre disponível, estava sempre com atenção a quem vinha e porquê às sessões e abordava as pessoas para tentar compreender as motivações e talvez o que move os portugueses a interessar-se pelo Japão e, mais concretamente pelo cinema japonês.

8.12.07

Nippon Koma 07: dia 5

Hoje sim, pude ir à sessão da tarde!

New Hal & Bons teria sido excelente se se visse um episódio de cada vez (com pelo menos 12 horas pelo meio). Trata-se de uma pequena série de filmes em 3D, produzida para uma revista, a Grasshoppa!. Hal e Bons são dois cães que passam a vida, tranquilamente a beber cervejas no sofá. A série começa quando essa tranquilidade é interrompida pela chegada de Mochi-kun, um verdadeiro mochi (ver glossário), bastante histérico e que se diz entrevistador. É engraçado o contraste dos cães cool com o mochi histérico, passei a sessão toda a pensar que, no fim, os cães comiam o mochi de tanta saturação, mas isso foi um anti-clímax, não acontece. Os diálogos são muito bons, mas à velocidade Excel Saga, demasiado rápidos para as legendas acompanharem. O grande problema foi projectarem tudo junto, facto que satura o espectador e torna os filmes, que vivem muito de repetições de acções, a dada altura aborrecidos.

Rapsódia Rokkasho, o documentário da noite, tem um formato clássico abordando um tema muito forte. Recentemente tenho vindo a ver uma percentagem grande de documentários e quando vejo estes dois factores juntos, para que se torne num bom filme, sinto que é necessário dar espaço às pessoas, ao factor humano, para dar alma e textura aos filmes. Este filme tenta isso na analogia entre a senhora das túlipas e a luta desigual e inglória contra a implantação da central de extracção de plutónio, mas fica-se por aí, dispersa-se nas várias personagens sem se concentrar verdadeiramente numa. Mais uma vez é um documentário demasiado longo para o tipo de material que tem, e sem altos e baixos emocionais suficientes para que deixe de ser um bocado aborrecido. Mas é, no mínimo assustadoramente instrutivo acerca dos perigos do plutónio... kowai...

New Hal & Bons
The Rokkashomura Rapsody

7.12.07

Nippon Koma 07: dia 4

Finalmente o dia da falha técnica! Afinal já começa a ser tradição! Mas vamos por partes (como diz o homem do talho).

Mais uma vez não consegui ver o filme da tarde, Mary de Yokohama. Ainda por cima, pela sinopse, o documentário que mais queria ver... é a lei de Murphy em acção...

A sessão de cinco episódios da série Ghost In the Shell: STAND ALONE COMPLEX, que já deu na SIC-Radical e que vi com um olho aberto e outro fechado, pois aos sábados de manhã... só com a ajuda do meu fiel gravador de VHS.
Esta sessão foi grátis, mas mesmo assim a sala não encheu. Ou é impressão minha ou este ano o Nippon Koma anda menos populado. Mas também deu para perceber que a grande maioria das pessoas já tinham visto pelo menos parte desta série ou então um dos filmes. Ah, sim, a falha técnica... as legendas, que não eram as mais cuidadas, entravam bastante dessíncronas ao início da projecção e eu a pensar que este ano a falha era só esta, senão que (tcha-tcha-tcha-tchannn!) uma legenda fica engasgada, a imagem fica toda riscada e... sem legendas! Pára-se a projecção, rewind, recomeça, chega à mesma cena... volta a acontecer (o raio do pi****** não saiu!!), mas à segunda foi de vez e lá continuámos, felizes e contentes a ver o episódio...

Definitivamente Ghost In the Shell em versão animada só mesmo a série de TV. Os filmes são lindíssimos, isso é inquestionável, o primeiro foi marcante, isso também é inquestionável, é um bom filme? Sim. O segundo é só bonito... A série manteve o que sempre senti falta nos filmes: um character design mais próximo dos lindíssimos e tecnicamente rebuscados desenhos de Masamune Shirow e o seu humor extremamente sarcástico, mas mesmo assim muito japonês e por vezes denso. De resto a banda sonora continua a ser Yoko Kanno no seu melhor (ela não piora?) e nada bate os 'Tachikoma na hibi'...

Ghost In the Shell [STAND ALONE COMPLEX]
攻殻機動隊 STAND ALONE COMPLEX
攻殻機動隊 STAND ALONE COMPLEX The Laughing Man
STAND ALONE COMPLEX

6.12.07

Nippon Koma 07: dia 3

Com mesmo muita pena minha, mais uma vez foi-me impossível ver a sessão da tarde. Hoje fiquei particularmente triste pois tratava-se da sessão Loop de Tóquio, onde foram apresentadas diversas curtas de animação de várias épocas, uma espécie de resenha da história da animação japonesa. Duplamente pena pois a sessão das curtas de animação tem vindo, ao longo das várias edições do Nippon Koma, a ser sempre a minha favorita...

Por outro lado os variados documentários que tenho vindo a assistir nesta mostra têm sido um excelente modo de conhecer a sociedade japonesa no seu melhor e no seu pior. Campaign enquadra-se como uma luva nessa aprendizagem. É um filme onde se vê claramente a dualidade da sociedade japonesa, onde um enérgico político iniciante é obrigado a seguir protocolos extremamente rígidos, se calça luvas (brancas) ou não, se faz a vénia adequadamente, o que deve dizer, o tempo que demora a montar pormenores como o estandarte da campanha, o modo de distribuir folhetos, com quem e como deve ou não falar, etc... Por outro lado vemos as comadres que apoiam a campanha a fazer intriga dos vizinhos do bairro e a apontarem os defeitos do novo candidato, que ainda por cima não é da terra, ou então a fúria da mulher de Yamauchi (o candidato) por ser menosprezada por causa de conceitos retrógados e chauvinistas, que vão contra as convicções políticas do partido e do próprio marido.

No decorrer do filme passamos de ocidentais a rirmo-nos do ridículo de certas situações pouco naturais e demasiado japonesas para passarmos a simpatizar com a simplicidade, honestidade e ingenuidade de Yamauchi, pouco comuns a um político, seja qual for a sua nação. Como extra temos a aparição do ex-primeiro ministro Koizumi, o único em mangas de camisa (arregaçadas) o que contrapõe a formalidade imposta pelos seus co-partidários de hierarquia inferior. Aliás essa diferença no traje também se nota nos candidatos dos outros diferentes partidos, sendo o único que partilha essa formalidade, o grande opositor do Partido Democrata Liberal, o Partido Democrático.

Campaign

4.12.07

Nippon Koma 07: dia 2

Infelizmente por razões de trabalho não pude assistir à sessão da tarde, portanto, não dá para comentar.

Negadon é um divertido filme em 3D, comemorativo de um aniversário dos kaiju eiga, ou seja filmes de monstros, género popularizado pelos filmes da Gojira (Godzilla). O 3D hiperrealista é excelente excepto quando chega às figuras humanas, onde se espalha ao comprido, parecendo as personagens feitas de borracha (será que é uma homenagem aos fatos de monstro em borracha originais?). Mas a realização e a montagem resolvem bastante bem esse problema não fazendo muitos planos de pessoas, filmando quase toda a acção em planos bastante fechados ou distantes, que, para além de facilitar tecnicamente, dá uma sensação claustrofóbica muito interessante que valoriza muito o filme.

5cm por segundo é um bonito filme, muito romântico, em três partes, sobre a história de amor entre dois adolescentes que, devido a uma separação, a deixam por resolver. O character design e os cenários lembram e muito as produções da Gainax, em particular Kare-Kano e Eva. Este filme retrata com fidelidade o excesso de timidez e a dificuldade dos japoneses em demonstrar emoções, especialmente as amorosas. Como tudo nos é mostrado de forma bastante poética, e com a típica analogia entre as pétalas de cerejeira e a neve, o filme comove e não enjoa.
Ao ver o filme em sala cheguei à triste conclusão que o ser humano hoje-em-dia se sente constrangido com o romantismo e ri, como se não houvesse outra reacção possível. É pena, talvez esta experiência explique muita coisa...

Negadon-The Monster From Mars
秒速5センチメートル

Culturgest

Nippon Koma 07: dia 1

Este ano o Nippon Koma brindou-nos com um pouquíssimo anunciado extra, uma conferência por Hirano Kyoko, sobre as duas temáticas principais desta mostra, a animação e o documentário japoneses. Achei a conferência agradável, se bem que um pouco maçuda pois a conferencista apenas leu um texto e o seu engrish não ajudava à compreensão clara do mesmo. Mesmo assim a Sra. Hirano abordou de uma forma um tanto mais aprofundada o tema da animação, do que na recente conferência a que assisti na Faculdade de Letras de Lisboa. Achei o facto de ela se disponibilizar para falar com o público do Nippon Koma durante a sua duração, bem simpático e espero poder partilhar algum diálogo com ela.

Achei o já famoso Paprika de Kon Satoshi um filme excelente. Como se pode perceber pelo conteúdo deste blog não é o tipo de filmes mais apelativo para mim, mas aproveito as ocasiões como esta para vê-los em grande ecrã, e este ano sinto que valeu a pena. Paprika é tecnicamente e visualmente exuberante sem descurar de uma fantástica narrativa que nos faz pensar bastante após o seu visionamento. É um filme bastante equilibrado sem cair em clichés ou maniqueísmos limitadores, trata o público com respeito e como adultos que pensam e raciocinam. Para além disso aborda de forma subtil e engraçada temas por vezes politicamente incorrectos como a homossexualidade, a discriminação, a degradação, sem-abrigo, corrupção, etc. Justificam-se plenamente os prémios e os comentários positivos que tinha lido/ouvido até agora.

Acerca do documentário de Minamata, é o primeiro de uma série de documentários sobre o mesmo tema, realizados pelo mesmo realizador ao longo de vários anos. Esta série de documentários faz parte da história do documentário japonês, pertencendo a um género de documentários de confronto político com uma estrutura linear. Serve basicamente pelo seu conteúdo e como documento histórico. Foca-se demasiadamente sobre o tema mas mesmo assim não caindo no miserabiliosmo ou comiseração, o que acho positivo. Dentro do género, preferi o filme sobre a construção do aeroporto de Narita, que passou o ano passado, onde dos protestos a atenção passava com facilidade para as pessoas, as suas vidas, a sua riqueza pessoal.

Nippon Koma 2007

13.11.07

NANA 2

Já comecei a ver este filme um pouco desiludida, pois as mudanças no casting desde o primeiro filme foram, no mínimo, controversas. Falou-se bastante na desistência de Aoi Miyazaki, a meu ver uma Nana Komatsu (Hachi) bastante convincente, com as doses certas de kawaii (querida), de beleza física e infantilidade, por causa de alegadas cenas de nudez e sexo que esta fase da história implicaria. Onde é que estão elas? Os decotes de Yui Ichikawa ficavam-lhe pelo pescoço e as cenas entre Hachi e Takumi e Hachi e Nobu eram, no mínimo, insípidas.

Aliás todo o filme é bastante insípido o que, tendo em conta a fase da história que conta, a relação de Hachi com Takumi e Nobu, o seu afastamento de Nana, a gravidez, o escândalo Nana/Ren, o debut dos Black Stones, é esquisito. Mika Nakashima, que convenceu no primeiro filme como uma Nana forte e sensível, precisa de bons parceiros, quiçá de uma boa direcção de actores para brilhar. Sentiu-se e mesmo muito a falta de Ryuhei Matsuda como Ren, Nobuo Kyô, para além de ser feio, de não ter a presença carismática que Ren precisa, era quase invisível. Todos, sem excepção têm preformances aquém do desejado, exceptuando, talvez, Hiroki Narimiya como Nobu, que, mesmo assim, deixa muito a desejar, comparando com o que já demonstrou noutros filmes. A única boa troca de actores foi de Kenichi Matsuyama por Kanata Hongô. Visualmente tem mais a ver com o ar doce, miúdo e efeminado de Shin que o seu antecessor e não desiludiu na sua maior prestação nesta fase da história, tendo em conta a fraca prestação geral.

O filme, apesar da sua duração de duas horas, é demasiado superficial, nenhuma das personagens é aprofundada, conta demasiados factos sem convicção, não tem uma única cena forte, nem sequer se sente uma ligeira trepidação de emoção ao longo de todo o filme. Nem a cena em que Takumi tortura psicológicamente Hachi ao saber da gravidez, faz a mínima mossa nas emoções de quem a vê. A cena em que Nana parte os copos dos morangos é fraquíssima, não se percebe a extrema importância destes como metáforas da relação das duas e o que eles se partirem provoca em Nana. Nunca é estabelecida uma empatia com as personagens, parece o tempo todo que estão a debitar texto. Nem os videoclips dos Trapnest impressionam na monumentalidade ou nos efeitos especiais. Já agora, também senti falta da relação Shin/Leila, mas talvez seja demasiado pesado num filme comercial o facto de ele se prostituir com 15 anos. Também não se percebe o que fazem, de repente, as personagens Jun e Kyosuke, no meio do filme. Com tanto acontecimento a mais, um leque de personagens alargado e se cortaram algumas narrativas paralelas para economizar, quem não fazia definitivamente falta eram estes dois! Preferia que introduzissem a personagem de Misato, a groupie de serviço, mas mesmo assim seria desajustado.

Ao menos o primeiro filme, NANA, em si já nada de extraordinário, tinha a cena do concerto e da reconciliação de Nana e Ren, que estava excelente, agora este, nem isso.

Até o guarda-roupa de Nana, as peças Vivienne Westwood parecem construídas, falsificadas, e não genuínas. A música é menos potente e chamativa apesar de eu ter gostado de 'Eyes For the Moon', que apesar de mais suave é mais punk, na sua composição, que as músicas do primeiro filme. Sente-se também a ausência de Hyde na composição das canções para Mika.

É uma pena, o anime é bem mais comovente e emocionante, ao contar a mesma fase da história, as personagens desenhadas têm uma prestação bem melhor e mais humana que os actores. Pensava, quando via o filme, que afinal uma boa história não salva um filme, mas é mais uma boa história pode até não salvar um filme se o argumento feito a partir dela for mau.

Volta Aoi Miyazaki que estás perdoada! Volta Ryuhei Matsuda que estás perdoado!

NANA 2

11.11.07

CONFERÊNCIA “A Animação no Japão – Nova Geração de Artistas Japoneses de ANIME” II

Consegui ir à conferência acima mencionada, esforço feito dada a exclusividade de um tal evento em Portugal (o horário não era generoso para quem trabalha).

A prof. Kei Suyama, professora de história, teoria e técnicas de produção de anime na Faculdade de Belas Artes – Departamento de Anime – da Universidade de Tokyo Kogei, falou resumidamente da indústria do anime, dos seus elementos mais vanguardistas ou que marcam actualmente a diferença e também do "Inter College Animation Festival" de que é membro da organização.

É claro que a conferência foi muitíssimo interessante, soube foi a pouco. Mas para aprofundar mais o que uma pessoa como a prof. Kei Suyama nos pode trazer, nunca poderia ser feito em cerca de duas horas. O ideal (talvez um dia isso possa acontecer) seria um seminário de, no mínimo 3 dias, onde, para além de se falar, pela rama, de artistas proeminentes, tendências e novos valores, se aprofundariam melhor estes temas e haveria a possibilidade de dialogar e falar de outros. Mesmo assim tenho a certeza de que saberá a pouco.

Destacaria, entre os vários filmes e trailers mostrados, Mind Game, um filme com mistura de técnicas e muito irreverente, que a prof. Suyama mostrou como sendo exemplos de animação original, de qualidade e com personalidade. Nos filmes do ICAF gostei mais de Birthday, uma interpretação deliciosa da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin.

Foi pena, mas não de todo grave, o tradutor ser um japonês que tem formação em português do Brasil (o que levou a uma escolha de palavras um pouco invulgar) e que trocou o tempo todo a palavra kantoku (que quer dizer realizador) por produtor. A diferença pode parecer pequena, mas não é. Um produtor encarrega-se de toda a prate financeira e logística de um filme, enquanto que o realizador se encarrega da parte de criação e coordenação artística de um filme. Essa função engloba também partes mais técnicas, mas sempre ligadas à criação do todo de uma obra de cinema ou, neste caso, cinema de animação.

Foi pena também que parte do público que participou na conferência em Lisboa, numa sala já por si complicada a nível de som, pois todo o mobiliário é de madeira, portanto range e faz barulho, não se tenha calado, mantendo um burburinho de fundo irritante e mal educado e rindo à gargalhada sempre que percebia algo em língua japonesa.
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