24.7.08

Terminei de ver: Red Garden


Red Garden é definitivamente uma excelente série anime que passou discretamente despercebida. A sua produção é da melhor qualidade, cenários lindíssimos, 3D integrados de forma invisível, character design original e bonito, animação de muitíssimo boa qualidade e uma história muito boa e bem estruturada. De facto não há um único dos 22 episódios onde não aconteça algo de importante ou as raparigas não sofram algum tipo de evolução.

Apesar de ser um anime num contexto fantástico e de terror, existe uma grande procupação com as personagens, tendo todas elas uma caracterização meticulosamente detalhada, o que lhes dá espaço para mudanças de temperamento, amadurecimento, em suma, evolução. É interessante que todas as raparigas mudam: Rose torna-se menos infantil e mariquinhas, Claire menos agressiva e intolerante, Rachel menos fútil e insensível e Kate passa a ser menos passiva e conformada.

O final da série, ao contrário do que vem sucedendo demasiadas vezes com muitos anime recentes, não desilude e corresponde num crescimento emocional. Todas as explicações sobrenaturais para a situação e aventuras das 4+1 raparigas são plausíveis se bem que talvez um pouquinho insuficientes, mas algo tinha de ser deixado em aberto, não? Faltou saber exactamente como as maldições surgiram, mas são acontecimentos que ficaram esquecidos no passado. Pelo menos não ficam pontas soltas e a batalha final é suficientemente dura e bem coreografada para dar um bom clímax.

Gostando bastante das 3 canções dos genéricos (OP: "Jolly Jolly", ED1: "Rock the LM.C" e ED2: "OH MY JULIET."), a súbita aparição das raparigas a cantar canções melancólicas nos primeiros episódios é esquisita e artificial. É certo que faz alguma ligação entre os sentimentos de dúvida e confusão que as assaltam, mas faz pouco sentido num anime com uma caracterização geral para o realista. E as melodias, que como melodias de fundo até passam, como canções são demasiado melosas, não se integrando no ambiente funky e moderno nova-iorquino do resto do anime.

Aliás é de certa forma refrescante o cenário nova-iorquino, retratado de forma tão meticulosa, por oposição à grande maioria das séries que se passam num contexto mais nipónico ou às vezes europeu ou mediterrânico. É fácil conjugarmos este anime com as inúmeras séries e filmes americanos passados no mesmo contexto.

Ainda há uma pequena série de OAVs, Dead Girls, relacionada com este anime, espero conseguir vê-la também.

RED GARDEN

22.7.08

Ando a ver: Glass no Kamen (2005)

Já ando a ver esta série há bastante tempo, mas como os episódios (que são 50 ao todo) levam muuuuuito tempo a estar dispiníveis, tem sido um processo lento que de certeza não seria se acontecesse o contrário. Exactamente por causa disso há cerca de 6 meses que não via um episódio e, ao ver um hoje, tive aquela sensação: "Epa, já andava com saudades disto!"

Se eu devorei a primeira série (de 1984), esta série (de 2005) é igualmente devorável mas com diferenças. A qualidade da animação, character design, cenários, etc. melhorou com uma utilização inteligente das novas tecnologias. Maya está praticamente igual, mas Ayumi e algumas outras personagens foram devidamente actualizadas. Perde-se aquele sabor vintage, mas ganha-se em empatia, pois a história é mais forte que qualquer acessório.

Ao começar a ver este anime a primeira coisa que me marcou muito foram as canções dos genéricos e a banda-sonora. As canções, não sendo particularmente interessantes como músicas, são muito intensas e algo épicas, mas ao mesmo tempo sóbrias. Muitas vezes quando não aprecio ou acho cansativas as canções dos genéricos, salto-as, mas neste caso nunca o faço. A banda-sonora propriamente dita consiste principalmente de música electrónica ou de sintetizador, mas com melodias ambientais e mais clássicas. Isto dá-lhes uma força e ao mesmo tempo algum artificialismo que, por alguma razão estranha, encaixam lindamente nesta série e adicionam-lhe mais intensidade emocional.

E depois vem a história... que, claro, é a mesma da série anterior, mas talvez com alguma continuação (só quando chegar lá é que saberei), uma vez que a série de 1984 não abrangia de forma alguma a longuíssima e interminada manga de que ambas são adaptadas. A diferença na nova série é que, como tem mais episódios, as histórias individuais desenvolvem-se a um ritmo mais lento, mas também mais pormenorizado. Essa diferença na narrativa faz com que qualquer das personagens seja mais detalhada e se torne mais envolvente ainda.

Despojada quase na totalidade do estilo de drama exagerado à anos 80 da outra série, as duras penas de Maya continuam igualmente intensas, mas mais empáticas com o espectador. O maior realismo embutido nesta série faz com que aquela primeira estranheza, que se sente ao ver um dorama, com interpretações e realização muito exageradas dos anos 80, estejam ausentes e que se viva a história com maior verosimilhança, o que neste caso dá à série uma maior qualidade. É um bocado como quando uma canção é boa, independentemente das versões que dela são feitas, a melodia principal está sempre lá e até ganha com os diversos pontos de vista.

テレビ東京・あにてれ ガラスの仮面

19.7.08

Terminei de re-ver: Aishite Night



Parti do princípio que a história deste anime se passava em Osaka ou na região de Kansai, pois logo no primeiro episódio aparece o restaurante Mambou, de Okonomiyaki, comida típica dessa região, Go compra Takoyaki, outro prato típico da região, para o jantar com Hachizou e Shigemaru, o pai de Yakko, tem uma pronúncia e vocabulário de Kansai (Kansai-ben). Mas ao longo da série vamos tendo comprovativos de que afinal a história se passa em Tóquio ou na zona de Kantou. A primeira coisa que me levou a desconfiar foi na primeira ausência de Go por causa de um concerto em Osaka. Yakko leva Hachizou à estação, para se despedirem, e eles partem de Shinkansen (comboio-bala). Se vivessem na zona de Kansai não se justificava irem de Shinkansen. Mais tarde vê-se uma silhueta da Tokyo Tower à noite, mas como não era muito clara podia tratar-se de outra torre semelhante (e há muitas no Japão), mas quando Go vai por uma semana para perto do Fuji-san (Monte Fuji) e Hachizou olha para o Fuji-san no horizonte com saudades, não tive dúvidas. Com isto ficou claro que se a acção não se passa em Tóquio, passa-se nos arredores, pois o Fuji-san não está suficientemente perto para se ver ao longe na região de Kansai e ainda temos nos últimos episódios claramente a fachada de tijolo da Tokyo Eki (estação central de comboios de Tóquio).

Já me tinha pronunciado de que não aprecio lá muito as canções dos BeeHive, uma das razões é porque são demasiado anos 80! Aliás quase tudo neste anime é pronunciadamente anos 80. Como costumo dizer, infelizmente só o pior dos anos 80 é que voltou, rever este anime dá-me a mesma sensação. As canções são mesmo o estilo de música que não ouvia naquela época nem que me pagassem, e as roupas, os penteados e algumas situações são mesmo datados. Não que não tenha a sua piada, é um anime kitsch e datado, com isso vale o que vale e não deixa de ser viciante e bom de se ver. Até me parece que se não fosse tão datado perdia a graça. Pesquisando um bocadinho na net, vim a saber que o renomado Joe Hisaishi colaborou na composição das canções!! Aliás não é o único famoso neste anime, para além da mangaka, Kaoru Tada, também Shingo Araki colaborou no character design (assim se explica muito porque gosto deste anime).

Continuando nas canções, acho que este é o anime que vi com maior razão de engrish ou palavras em inglês misturadas com japonês, a começar pelo título: Aishite Night. Existem algumas dúvidas se não será Aishite Knight, mas eu não tenho nenhuma:
Logo nos primeiros episódios, Go veste um colete que diz nas costas Love Night, como aishite quer dizer amor ou amar, faz todo o sentido. Mas não é só o título, qualquer das canções dos BeeHive tem uma mistura de inglês com japonês, "Freeway, Freeway, rokuju ga iru..." [Freeway, Freeway, estão cá sessenta...], "Baby, onna no me o mirou..." [Baby, vejo os olhos da mulher], "I love you, machi o..." [I love you, pela cidade...] ou "Tatoeba twilight" [Talvez twilight]. Soa esquisito em português? Em japonês também!

Ver Aishite Night de novo não teve grandes diferenças das outras vezes (há mais de 10 anos), fora o facto de antes ter visto a série em italiano e agora em japonês. Apenas uma coisa mudou, não me senti tão envergonhada por estar a gostar de um anime assim, foi só da primeira vez ;) .

Agora olho para este anime como uma espécie de antepassado de NANA, aliás, se for analisar as origens de ambos, a inspiração das autoras é semelhante. Tanto Kaoru Tada como Ai Yazawa gostam de música e resolveram transpô-la para as suas manga. A grande diferença é que Ai Yazawa tem um melhor fashion sense que Kaoru Tada (mas já chega de martelar nos anos 80). Ambos os anime são histórias dramáticas e românticas, que se poderiam desenrolar na nossa vizinhança, pontuadas por actuações dos grupos rock/pop de cada um. Como formato é engraçado e interessante, torna o anime menos telenovela e mais animado. Se houvesse mais exemplos, talvez a variedade e qualidade da música fossem maiores.

愛してナイト



18.7.08

Naruto

E lá estreou Naruto na SIC-Radical. Confesso que não tenho muita curiosidade, mas também não tenho preconceito. Só não me interesso muito, porque não é o género de anime que costumo gostar. No fim-de-semana vou tentar ver o compacto (espero que façam um) e assim direi de minha justiça...

9.7.08

Ando a ver: Red Garden

Tenho reparado numa coisa curiosa neste anime: todas as pessoas "diferentes", como as 4 protagonistas, têm o cabelo em dégradé (de claro para escuro) sem sombras ou reflexos, enquanto que as pessoas "normais" têm o cabelo desenhado num estilo mais clássico, em cor lisa com a sombra recortada.

Haverá verdadeiramente alguma intenção nisto?

RED GARDEN

8.7.08

Comecei a re-ver: Aishite Night

(o anime viciante!)

Após algo longas buscas consegui achar este anime (em raw), pois por mais que não seja o estilo de anime (ou ficção) que eu costume ver ou goste, este é aquela excepção à regra por ser tão viciante. Lembro-me, de quando começou a dar há uns anos na RTP2, ficar ao mesmo tempo enojada e fascinada, tanto que, das duas vezes que deu, vi a série de fio a pavio!

Aishite Night (ou A minha amiga Licia) é viciante porque é muito bem enquadrado numa realidade plausível, neste caso a zona de Kansai (Osaka) no Japão, e porque as emoções e peripécias se desenrolam a um ritmo bem orquestrado de tal forma que a curiosidade nos leva a querer ver mais e mais... É um anime romântico mas com boas cenas e personagens de comédia, que se equilibram um ao outro. Tem um quê de piroso (principalmente nas músicas) mas tratando-se de um dorama, se não for romântico e um pouco piroso, não é um dorama a sério.

Há qualquer coisa de desconcertante em Go (Mirko), Satomi e a sua banda. A música é um rock muito foleiro, mas também os meus gostos musicais estão a léguas do J-pop comum, e o visual da banda é um bocado andrógino. Mas suponho que esta é uma versão até bastante realista de uma banda rock popular japonesa na zona de Kansai, tradicionalmente mais discreta que Tóquio. A androginia e as cores de cabelo exóticas fazem parte.

Outro aspecto que me fez gostar muito desta série (e acredito que agora mais ainda) é a contextualização numa cultura popular e dia-a-dia nipónica. O restaurante do pai de Yakko (Licia) é um restaurante tradicional de Okonomiyaki (prato típico da zona de Kansai), o apartamento de Go e Hashizo (Andrea) é o mais provável que um rapaz de cerca de 18-19 anos sozinho poderia alugar, um 6 tatami com kitchenette num pequeno e modesto prédio de apartamentos. Toda a restante cidade, as paisagens, os estabelecimentos comerciais, a escola de Yakko, o estúdio de gravação e ensaios, o assédio das fãs, são muito típicos do Japão moderno. Durante a série vemos Yakko a ir às compras, o pai dela a preparar as okonomiyaki, Yakko e a amiga a conviverem nos locais típicos de duas jovens raparigas: o depaato (loja de departamentos), cafés, etc. É daqueles anime que, se não apelar a mais nada, apela pelo excelente retrato social.

Já me estou a preparar para ver isto num ápice. Hoje ainda só vi o primeiro episódio mas tenho a certeza de que se tiver oportunidade, daqui a uns dias já ando a ver aos dois e três episódios por dia! Como o dia de hoje ainda vai no início, nada me garante que não veja mais um ;).

愛してナイト

6.7.08

Ando a ver: Lupin III - Part II

Hoje começou a dar no AXN a 2ª série de Lupin III que, naturalmente tem algumas alterações: o casaco de Lupin passou a ser vermelho assim como a camisa azul-escura e a gravata rosa pálido. Gostava mais do anterior visual (casaco verde, camisa preta, gravata amarela) mas não são esses pormenores que me fazem deixar de gostar da série.

O engraçado desta 2ª série é que começou em Lisboa, num paquete. Não se vê rigorosamente nada de marcante de Lisboa, até poderia ser noutra cidade qualquer, mas gostei do pormenor. O próximo episódio continua em ambiente luso-brasileiro, vão estar no Rio de Janeiro ^_^.

Como não vi estas séries como deve ser quando deram anteriormente, já deu para perceber que esta é mais internacional, à lá James Bond. A 1ª parecia sempre que se passava num contexto japonês.

Lupin the 3rd Network

AXN
sab. dom. 14:30, 7:10 (repetição)

2.7.08

Terminei de ver: Le Chevalier D'Eon

A época é próxima (cerca de 10 anos as separam), o cenário é o mesmo, há personagens em comum e há gente travestida, mas apenas isso liga Le Chevailer D'Eon a Versailles no Bara.

"The pen is mightier than the sword" [A pena (caneta) é mais forte que a espada] é uma frase que me vem bastante à cabeça ao ver este anime. Mas se por vezes a força está do lado da caneta, outras está do lado da espada. Isto porque neste anime se arranja, através de uma conspiração extremamente rebuscada, uma explicação sobrenatural, até mística, para a Revolução Francesa. O poder é mantido através de salmos, recitados por poetas. O salmo mais ambicionado, que uns querem proteger e outros destruir, é o salmo do Rei, Rei esse, Luís XV de França. À maneira de Alexandre Dumas, por trás de personagens e acontecimentos reais, existe muito mais que as aparências ou o que a história registou.

No final, satisfatoriamente reslvido, alguns acontecimentos atropelam-se e Mme. Pompadour e a Rainha Marie morrem no mesmo episódio (e aparentemente no mesmo dia), enquanto que, no próprio genérico final da série, 4 anos separam as suas mortes. A própria doença de Luís XV vem, historicamente, bastante mais tarde que na série, mas são pequenos pormenores que não estragam o visionamento dos episódios finais. Não esperava um final feliz, afinal avizinha-se a Revolução Francesa e os protagonistas são nobres, mas não sei porquê não enguli bem o final que destinaram a D'Eon. Não sei até que ponto é baseado em factos reais (se o for, perdoo o anticlímax) mas se não for, é muito conformista.

No meio desta intriga já complicada, ainda existe toda a intriga política histórica, ela também bastante complicada. Sendo esta combinação muito interessante, complica bastante a assimilação deste anime, e é essa uma das razões que me levou tanto tempo a vê-lo. Só consigui ver um ou dois episódios de cada vez e com a cabeça bem descansada.

シュヴァリエ|WOWOW ONLINE

29.6.08

Comecei a ver: Red Garden


Red Garden - (OP) Jolly Jolly, Jill-Decoy association

Nunca tinha ouvido falar neste anime, nem sequer rumores, deparei com ele numa navegação pelas cadeias de televisão/produtoras japonesas e o que me despertou a atenção foi a arte gráfica com muito bom aspecto.

Pois definitivamente a direcção artística deste anime é fa-bu-lo-sa! O genérico (que se pode ver em cima) é brutal, o character design é muito interessante, o trabalho 3D excelente e a história promete.

A acção passa-se em Nova Iorque, e é sobre cinco raparigas, Kate, Rachel, Rose, Clair e Lisa, todas elas mortas, mas apenas Lise não é uma morta-viva. Não sei se poderei utilizar este termo para as descrever, mas à falta de outra descrição para quatro raparigas que parecem vivas mas que lhes dizem que morreram, para já fica esta. Cada uma delas corresponde a um tipo maniqueísta de aluna de um colégio americano: a membro da elite do colégio, a rebelde descarada cheia de amigos, a geek tímida e discreta e a rebelde punk. O colégio é chique, elitista e com o seu conjunto de regras internas. E depois há as paisagens de Nova Iorque, tratadas de uma forma muito interessante.

Só espero que este anime não desiluda, para já estou entusiasmada!

RED GARDEN

28.6.08

Card Captor Sakura, the Movie

Yep, o Canal Panda passou o 1º filme de Card Captor Sakura, mas feliz ou infelizmente estava em espanhol. Felizmente porque, do pouquinho que vi a dobragem não estava nada má, a voz da Sakura é bastante parecida com o original e os nomes das cartas mantinham-se no original, em engrish. Infelizmente porque, como já tinha visto o filme, acabei por não o ver, exactamente por estar dobrado numa língua que não é nem o original japonês ou a minha língua, o português.

O filme de Sakura é bem engraçado, leva as personagens para fora do bairro de Tomoeda e do seu quotidiano e clarifica algumas questões da descendência de Shaoran de Clow Reed. Portanto, para quem viu a série já valeu a pena. Mas não é só, por ser um filme a produção é mais rica e melhor, figurinos totalmente novos, desenhados pelas CLAMP e as paisagens de Hong Kong impressionantes e muitíssimo bem elaboradas, de forma que até dá vontade de lá ir e descobrir esses locais. E claro tudo o mais que um filme de anime normalmente oferece.

Só tem um senão, quem não está totalmente familiarizado com o universo de Sakura e dos seus amigos e familiares pode achar um filme bonitinho e interessante, mas não apanhar as subtilezas da informação previamente fornecida pela série de televisão.

23.6.08

Comecei a ver: Ace o Nerae!

Como planeado, agora comecei a ver a primeira série anime de Ace o Nerae! (Jenny).

Já estava preparada para um anime envolvente e, mesmo estando no início, já gosto muito desta série.

A primeira coisa que me saltou à vista foi todo o grafismo. Os fundos são estilo aguarela, e tudo o que não é importante em cena é estilizado ao mínimo de linhas. É um estilo gráfico muito anos 70, e mais universal que o típico estilo anime dos anos 70. Em certos aspectos faz lembrar a ilustração europeia da época, com uma forte influência da Arte Nova ou mesmo das Ukiyo-e (gravuras japonesas). A paleta de cores é muito bem estudada, abusando dos pores-do-sol e contrastes fortes. Dentro destas premissas, os figurantes costumam ser silhuetas cinza apenas com contorno, ao longe os ténis (ou outros objectos mais pequenos) perdem os detalhes e "fundem-se" com as meias, os movimentos rápidos são resolvidos com linhas fortes que cortam a silhueta das raparigas, e o impacto das bolas é destacado com "explosões" de cor ou pinturas paradas (estilo esse da responsabilidade de Osamu Dezaki, realizador desta série e também de Versailles no Bara e Oniisama E...).

A música é muito ao estilo anime shoujo anos 70, dá-nos uma sensação agradável de nostalgia e as canções não chateiam, reforçam a motivação de Hiromi.

Por fim, a história é mais uma vez a luta incansável da protagonista, Hiromi, para ultrapassar os seus limites, contra todas as aparências. Há gente ressabiada, adversárias duras, mas vilões-vilões não existem. Mais adiante espera-se uma história de redenção e crescimento, para reforçar as qualidades de Hiromi. Este tipo de narrativa, mesmo não sendo novidade, faz muito a noção clássica da narrativa de anime, de um herói/heroína comum mas com uma força de vontade acima da média que o faz ultrapassar todos os limites possíveis, mas tudo dentro de critérios plausíveis num universo real, mesmo que a encenação seja muitas vezes exacerbadamente dramática, assim como o penteado de Ochoufujin.

エースをねらえ!

Ando a ver: Minky Momo: Yume wo Dakishimete

Apesar das aparências, há grandes diferenças entre esta série e a primeira:
A Momo, propriamente dita, tem algumas alterações no vestuário (corações em vez de estrelas, etc.) e o character design é parecido mas esquisito (falta qualquer coisa). Nas transformações é que se nota mais a diferença, principalmente no tratamento dado ao cabelo, que é mais realista e tem menos aquele ar de balão insuflável que tinha na primeira série.
Os animais de Momo são mais coloridos e, na minha opinião, mais feios.
Os pais, sejam da Terra ou do reino mágico (Marinarsa) também são parecidos mas diferentes. O rei de Marinarsa tem peixinhos em vez de flores na coroa e o cabelo da rainha parece uma onda. Na Terra, a mãe de Momo tem o cabelo mais alaranjado e reluzente, só o pai está mais parecido.

No geral o character design tem mais linhas, é menos arredondado e a paleta de cores mais limitada que na primeira série. Mas não é apenas o character design que é diferente, as histórias têm aventuras mais descabidas e menos plausíveis, e esta Momo é muito violenta! Já não é a primeira vez que a vejo a usar armas de fogo, mas o episódio do Oeste (Dodge City, ep. 23) abusa, até com uma metralhadora automática gigante ela combateu os pistoleiros... Compreendo o contexto, e não costumo ser muito sensível à violência em desenhos animados, mas nesta série, certas opções parecem-me descabidas e totalmente fora do contexto geral!

Não me lembro de a primeira série ser assim!

魔法のプリンセス ミンキーモモ -夢を抱きしめて-

20.6.08

Hakuchou no Mizuumi

As meninas da Animania Antiga relembraram-me que nunca tinha visto o filme do Lago dos Cisnes. É verdade, nos anos 90 estava disponível nos clubes de vídeo, mas o meu era tão manhoso que tinham a caixa mas não tinham a cassete ;__; Bem, agora finalmente vi o filme.

Esta produção podia ser uma adaptação de um conto de fadas da Disney em versão japonesa da Toei, com o estilo típico da Toei. O filme não é tão espectacular como os da Disney (principalmente os posteriores a este, que é de 1981) mas é competente e bem feito. Ao contrário das séries de TV, não há economia de meios nem de animação, sendo ela fluida, bem feita e com uso reduzido de ciclos ou acetatos repetidos. Os cenários são impressionantes, principalmente os interiores e a música de Tchaikovsky é omnipresente com a adição de umas adaptações dos temas para canção.

Sendo uma típica produção da Toei, temos dois esquilos que funcionam como um prolongamento do espectador, manifestando o que sentimos mas igualmente impotentes perante os acontecimentos. Quase. Claro que há alterações ao libretto original, a história é suavizada para crianças, não menosprezando uma dose de aventura. A grande diferença está nos vilões. Apesar de Rothbart ser um feiticeiro poderoso, a sua filha Odile é que maquina e coloca em acção os planos para ajudar o pai, um palerma apaixonado, a ficar com Odete e, por consequência, Odile ficar com o Príncipe Siegfried, apenas por capricho. Claro que tem um final feliz... nem precisa de ser dito.

Como curiosidade, Igarashi Yumiko, a autora de Candy Candy e Lady Georgie (Joaninha), é assistente neste filme (de quê não sei), mas sendo a produtora a mesma (de Candy) e o filme ter sido feito pouco tempo depois de Candy, parece-me aceitável.
Colocando de lado todos os preconceitos sobre um filme romântico infantil, este filme é agradável, definitivamente romântico e vê-se lindamente, sem um momento de aborrecimento.

Não existe site oficial, fica aqui o link da ANN:
Swan Lake (movie)

16.6.08

Genji Monogatari

O romance de Genji é considerado o primeiro romance da história da humanidade. Escrito no séc.XI, por uma cortesã, Murasaki Shikibu, foi um livro escrito ao longo de muito tempo em que ela conta, em estilo novela, as aventuras e desventuras amorosas do Príncipe Resplandecente Genji. Recentemente este livro foi traduzido para português (em duas edições) e eu comecei a ler a da editora Êxodus, traduzido, de quatro versões em inglês e espanhol, por Lígia Malheiro. Ainda mal comecei a ler e o livro para além de ter dois volumes é um calhamaço, portanto ver o filme apenas serve para me situar visualmente num universo cujas referências são muito poucas.

A primeira impressão é que, sendo o livro tão longo e estruturado em capítulos mais ou menos independentes, uma adaptação para um filme de cerca de hora e meia há de deixar sempre muita coisa de lado. A meu ver o mais prático seria fazer uma série, mas será que os japoneses querem ser mais uma vez bombardeados com o Genji? E será que, numa época em que séries deste tipo não têm mais que 13 ou 26 episódios, uma série de televisão aguentava mais que 40 ou 50 episódios? É pouco provável, portanto tenho de me contentar com o filme.

À partida o filme não surpreende. Para a época em que foi produzido (1987) até é muito bem feito. É visualmente correcto e rico, o character design está algures entre as ilustrações antigas, o Ukiyo-e e o grafismo mais clássico do anime, a paleta de cores é elegante e adequada à época, portanto satisfaz naquilo que eu buscava, uma referência visual. O ritmo, como também seria de esperar, é lento. A animação é também fluida, com boa qualidade e alguns efeitos interessantes. A música é um excercício interessante de música electrónica com muitos sons tradicionais, ou vice-versa. Não é impressionante mas sublinha bem o filme.

A história já não entusiasma... Como ainda não posso comparar com o livro, apenas dá para perceber que 'tentaram enfiar o Rossio na R. da Betesga' e não conseguiram. A história dá grandes saltos temporais (alguns também existem no livro, mas não tão espaçados), não existem grandes picos emocionais, é apenas uma sucessão dos episódios mais importantes na vida de Genji, antes de partir para o exílio. Até parece que assumem, da parte do espectador, um conhecimento prévio da obra. O delírio final, à la 2001: Odisseia no Espaço é que não vem nada a propósito. Há uma mudança radical de estilo tanto da narrativa (que adquire um lado mais fantasmagórico) como visual, onde tudo deixa de fazer sentido. Como muitas adaptações do género, tentaram deixar as coisas em aberto, mas a solução não foi nada feliz.

Ver este filme esclareceu alguns aspectos da cultura japonesa que muitas vezes transparecem no anime, em concreto Oniisama E... que acabei de ver recentemente. Em Oniisama E... muitas das alunas mais veneradas são chamadas com o sufixo -no kimi, era o modo como as pessoas se tratavam na época de Genji em vez do -sama, -san, etc. dos dias de hoje. O que me leva a outra imagem de Oniisama E... em que Nanako muitas vezes visualiza Kaoru-no kimi como o Príncipe Genji. As minhas afirmações do gosto das japonesas por homens belos e refinados são aqui todas confirmadas, o Príncipe ideal para as japonesas é o Hikaru no Ouji Genji, ou seja o Príncipe Resplandecente Genji, cujas actividades principais eram embelezar-se e conquistar mulheres. Depois há as sakura, as momiji, as hina, etc. etc. etc.

Não existe um site oficial, mas deixo aqui alguns links que encontrei sobre o filme e o livro:
Murasaki Shikibu Genji Monogatari (ANN)
紫式部 源氏物語
Murasaki Shikibu: Japan's First Novelist
The Picture Scroll of the Tale of Genji

9.6.08

Terminei de ver: Oniisama E...

Tudo me levava a crer que este anime era dos anos 80: o estilo de grafismo, o tipo de animação, o character design, as roupas, o modo como as personagens são compostas e a história se desenrola, mas afinal não, é de 1991! Foi um CD que me fez duvidar ;)

Aparentemente eu tinha razão no meu post anterior, Oniisama E... não é um anime de lésbicas. São simplesmente toneladas de egoísmo, meninas mimadas e falta de maturidade.

Este anime pode ser dividido em três partes: a primeira onde se apresentam as personagens e onde se mostra toda a teia de intriga existente no colégio de Seiran. A segunda onde as mesmas intrigas são instigadas até chegarem a um ponto que despoleta uma injustiça, que leva a uma revolução interna. Uma tragédia, que atinge as personagens principais deste anime, traz uma reviravolta gigantesca que muda radicalmente o rumo da história. Na terceira parte as personagens amadurecem, resolvem as paixões imaturas, que as levavam a actos de loucura, e todo o tom de melodrama exagerado é moderado para Oniisama E... se tornar num anime de drama mais plausível ou realista.

No fim das contas este é mais um anime onde temos uma clássica história de amadurecimento e redenção à japonesa, tal como nos anime mais antigos. Nada mais.

Mesmo assim é um anime digno de ver e uma grande referência. É muito intenso, principalmente a partir da 2ª parte, e lida com aspectos emocionais e sociais muito importantes, em particular na sociedade japonesa. E, bem! Que raparigas mais cruéis tem este anime! Felizmente todas elas crescem e percebem que há coisas mais interessantes que andar a fazer a vida negra aos outros!

[spoiler - seleccionar o texto para conseguir ler]
O irmão de Nanako, Henmi Takeshi, é filho do pai dela, que ele abandonou, mais a mãe para se casar com a mãe de Nanako. Mas Nanako não é filha verdadeira do Prof. Misonoo, foi adoptada por ele quando se casou com a sua mãe (tinha Nanako cerca de 5 anos) mas ela acaba por considerar Henmi como seu irmão verdadeiro ao saber de toda a verdade.
[fim de spoiler]

PS - A Nanako do final até fica mais bonita!

Oniisama E... (ANN)

5.6.08

Ando a ver: Oniisama E...

Definitivamente há raparigas apaixonadas por raparigas neste anime! Mas é tudo muito contido, num ambiente exacerbadamente feminino, onde o convívio com rapazes (ou homens) é visto com maus olhos. Não consigo olhar para este anime como uma manifestação homoerótica no feminino, mas sim um despertar da sexualidade e amadurecimento das personagens em que as relações, de amizade ou amorosas, entre o mesmo sexo são aceites como parte integrante deste microcosmos, enquanto que relações entre o sexo oposto são alvo de escândalo e mexerico. O engraçado nisto tudo é que as duas ingénuas apaixonadas, a protagonista Nanako e a nova e franca amiga Mariko, se interessam pelas duas raparigas mais másculas ou maria-rapaz do microcosmos do Colégio Seiran, Saint-Juste e Kaoru-no-Kimi.

Não há dúvida que se trata de uma perspectiva estranha numa visão ocidental e heterosexual da sexualidade, mas também me parece que toda esta simbologia e intensidade de relações fazem parte de um universo exclusivamente feminino, para ser usufruido em privado. Esta história também vai buscar muito a um gosto antigo das japonesas por homens andróginos e/ou efeminados que personificam um ideal romântico. A dada altura Mariko refere-se aos homens como sujos e brutos, numa clara recusa dos homens másculos e guerreiros, que dificilmente partilham este universo tão feminino.

Não sou de todo especialista em sociologia ou mesmo antropologia, mas este é um anime que dá muito para pensar em relação ao modo como os japoneses, mais concretamente as mulheres japonesas, vivem a sexualidade e o seu papel em relações românticas idealistas. Não será por acaso que a companhia exclusivamente feminina Takarazuka Revue (que encena dramas musicais românticos) tem uma gigantesca popularidade entre as mulheres e as otokoyaku (actrizes que fazem os papeis masculinos) têm legiões de fãs, como se de um Brad Pitt ou Johnny Depp se tratassem. Não há dúvida que é um universo fechado, exclusivamente nipónico, que teve a sua época áurea entre os anos 60 e 80, época essa em que a manga e anime de Oniisama He... foram produzidos.

Ao ver esta série também encontro claríssimas influências no anime mais recente, Utena, assumidamente inspirado na mais famosa manga da mesma autora desta, Ikeda Riyoko. Ao contrário de Versailles no Bara, aqui as influências não são tanto visuais mas mais do ambiente, das hierarquias, das personagens e suas relações.

Mach GoGoGo

Acabei de ver mesmo agora uma reportagem da estreia do filme Speed Racer e fiquei chocada! Deu-me mais razões ainda para não querer ver.

Speed Racer, ou Mach GoGoGo no original, é uma simples série anime de desporto, que passou no Canal Panda há alguns anos. Como foi produzida nos anos 60, e por consequência é uma das primeiras séries anime dos estúdios Tatsunoko, que marcou o seu estilo muito particular, faz algum sentido que as corridas de Grand-Prix onde o Mach 5 participa sejam algo mais que simples corridas de carros.

Este anime partilha um espírito muito anos 60 em que este tipo de corridas, Monte Carlo e Steve McQueen estavam na moda e vai beber a todas estas inspirações, com aquele visual streamlined, graficamente muito limpinho da época.

Infelizmente a série foi muito (demasiado) remisturada nos Estados Unidos, onde foi um sucesso retumbante, que lhe tirou parte da pureza e frescura originais. Talvez por isso me tenha assustado tanto o excesso de 3D e efeitos digitais (de qualidade questionável, topava-se sempre que o Mach 5 era em 3D) nas imagens que vi do filme que, na intenção, a la Dick Tracy, de lhe conferir um visual colorido de desenho animado, estragou. O cabelo à Pin-y-Pon de Speed (Go Mifune no original) também não ajuda.

Há coisas (e séries anime) que devem ser deixadas sossegadinhas no lugar onde sempre estiveram, principalmente se continuam populares há mais de 30 anos!

マッハGoGoGo

3.6.08

Minky Momo: Yume wo Dakishimete

Quase tive um ataque quando percebi que o Canal Panda estava a dar este anime. Pensava que era a mesma série que tinha dado cá, na falecida Europa Television, no final dos anos 80, sob o título de Gigi, mas afinal é a segunda série, já produzida em 91 (a primeira é de 1982-83).

Mesmo assim é sem dúvida um anime que quero seguir! Já andava com saudades de um mahou shoujo à séria!

Como em quase todos os mahou shoujos a permissa é simples: Minky Momo vem de um reino mágico, o Reino dos Sonhos, para a Terra, viver como uma rapariga normal para salvar os sonhos dos humanos. A característica que a distingue dos outros é que Momo se pode transformar, graças, claro, a uma varinha mágica em adulta com as mais variadas profissões ou capacidades. Não é um anime muito profundo ou intrincado, mas é simpático e divertido de ver.

Gostava também de rever a série original, principalmente nas condições desta, com o genérico integralmente em japonês e os nomes das personagens mantidos. Pedir que não seja dobrado é demais para o Canal Panda, mas neste caso é uma pena pois nesta segunda série a voz de Momo não é mais que a famosérrima Megumi Hayashibara (Rei em Evangelion, Faye em Cowboy Bebop), num dos seus primeiros papéis de renome.

魔法のプリンセス ミンキーモモ -夢を抱きしめて-

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:30, 20:40
sáb.: 13:00
dom.: 13:10, 20:40

1.6.08

Comecei a ver: Oniisama E...

Por ser de Ikeda Riyoko, a autora de Versailles no Bara, este anime despertou-me a curiosidade.

Oniisama E... (Querido irmão...) circula no universo de um colégio ao estilo ocidental, melhor, no que os japoneses nos anos 70 achavam que era um colégio ao estilo ocidental, feminino. A protagonista, Misonoo Nanako, uma rapariga simples, ingénua e sensível, e na ilusão de que entrou para o colégio dos seus sonhos, é arrebatada para um universo cheio de intrigas, rivalidades, poder e mistério. Como estes elementos, aliados a um outro mistério na sua família, temos os ingredientes certos para muito (melo)drama ao melhor estilo japonês. Sim, porque apesar de a "paisagem" ser ocidentalizada, a nível de relações e emoções este anime não podia ser mais japonês!

A nível técnico, dentro da época que foi criado, é um anime excepcional, sem bem que um pouco coxo para os dias de hoje. O trabalho de arte e desenho de personagens é muitíssimo elaborado, a paleta de cores escura e contrastada, mas a animação abusa um pouco dos quadros parados ou repetições em situações de tensão, conflito ou êxtase. A música é como os vestidos delas: romântica, com imenso piano e os vestidos com muitos laços, flores e folhos.

Este anime é conhecido pelas conotações lésbicas entre as diversas raparigas. Ainda vou no início, já deu para perceber que algo de estranho se passa principalmente com as duas raparigas mais masculinas, Saint Juste e Kaoru no Kimi. Mesmo assim, como normalmente este tipo de relações em manga e anime shoujo costumam apenas ser implícitas ou platónicas, vou esperar para ver mais para depois me pronunciar.

Ah! Não falei do irmão do título (oniisama). Esse irmão, é um rapaz mais velho a quem Nanako pediu para escrever como se fosse seu irmão mais velho e pensa que não o é, mas é quase irmão dela, mas não é. Confuso? É mesmo para ser (por enquanto).

28.5.08

Monstra 2008


Atama Yama (Mount Head) - Kôji Yamamura

Recentemente, durante o Festival de Cinema de Animação, Monstra, em colaboração com o novíssimo Museu do Oriente, os Lisboetas (eu incluída) tiveram uma oportunidade rara de ver animação japonesa de autor. Houve quatro tipos de sessões, abrangendo várias gerações de animadores, a primeira dedicada ao Mestre Osamu Tezuka, mostrando pequenos filmes mais experimentais do mesmo, uma segunda de filmes de Renzo Kinoshita, uma terceira dedicada ao Oriente visto pelo Ocidente e a quarta e última com os filmes de Kôji Yamamura.

Osamu Tezuka
Dos títulos que passaram, Lenda da Floresta, A Sereia, Pingo, Contos do Fim da Rua e Salto, já conhecia os dois últimos, sendo o meu preferido o brilhante Salto (Jumping). Esta pequeníssima amostra, fez-nos perceber o quão prolífico e ecléctico era Osamu Tezuka e deixou para trás a vontade de ver mais, muito mais.

Renzo Kinoshita
De Renzo Kinoshita passaram Made In Japan, Japonês, Picadon e Último Raid em Kumagaya. Esta sessão foi uma espécie de déjà-vu, pois já tinha visto todos os filmes e alguns (Picadon) mais que uma vez, talvez nos Nippon Koma. Kinoshita, cuja carreira se concentra mais nos anos 70, tem um estilo um pouco datado, mas que nos transporta no tempo, para um Japão que tende a desaparecer. Por outro lado, os seus filmes são sentidos testemunhos das bombas atómicas, pedem-nos para não esquecer a catástrofe que causaram. Destaco Made In Japan.

O Oriente visto pelo Ocidente
Passaram vários filmes de várias origens e a inspiração oriental não era apenas nipónica. De entre todos os títulos destaco em particular Screenplay, de Barry Purves, que repega na animação de marionetes (técnica desenvolvida originalmente na Checoslováquia, adoptada pelo realizador japonês Kihachiro Kawamoto, cuja estética de certo inspirou este filme), adaptando uma estética tradicional japonesa e do teatro de Kabuki e nos oferece um filme tecnicamente arrojado, muito bonito e muito japonês.

Kôji Yamamura
Até esta sessão só tinha visto o filme acima: Atama Yama (Mount Head). Depois de ver mais, Aquatic, Perspektivenbox, The Old Crocodile, Fig, A House, Kid's Castle, Pieces e A Child's Metaphysics, fiquei fã deste realizador muito criativo, que alia técnicas muito variadas (pintura no vidro, plasticina, tinta sobre papel) a aspectos da cultura popular japonesa, tais como o teatro Kyogen ou as antigas formas de narração japonesas. Como brinde a Monstra ainda nos proporcionou uma masterclass com o realizador, onde ele explicou a sua metodologia de trabalho e uma exposição com originais do seu último filme, em competição no festival, Franz Kafka's A Country Doctor.

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