12.11.08

Toki o Kakeru Shoujo

Makoto é uma rapariga comum que se vê envolvida numa estranha situação em que pode dar saltos no tempo. Com esta premissa tão simples temos em Toki o Kakeru Shoujo (A Rapariga que Salta no Tempo) um excelente filme que merece toda a fama que tem adquirido desde que foi lançado.

Para além de Makoto temos os seus dois melhores amigos, Chiaki e Kousuke, com quem joga catch ball todos os dias, a sua amiga Yuri e, claro a família. De forma não-linear o filme conta-nos cerca de uma semana da vida de Makoto, desde a saída apressada de bicicleta para a escola, adormecer nas aulas, as tarefas após as aulas, o jogo com os dois rapazes, preguiçar em casa. O que acontece é que, graças a um acidente, Makoto descobre que pode "navegar" no tempo à descrição, através de saltos. Com isso Makoto vai "ajustando" os seus dias, corrigindo erros, mudando pequenas situações, etc. Mas, é óbvio, saltar no tempo não se faz sem as suas consequências.

Para começar, a narrativa relativamente complexa deste filme está extremamente bem construída e sem buracos. É muito fácil numa história que envolve saltos no tempo e a não-linearidade cair em erros de pormenor que estragam o fluir geral, mas neste caso a história é estanque, sem falhas e bem estruturada. Depois vem o excelente nível da animação, que surpreende a cada momento. Não segue as habituais regras para poupar tempo do anime, com longos movimentos de câmara sobre imagens paradas das personagens, muito pelo contrário, cada cena e cada plano é soberbamente animado, cheio de dinamismo, com um detalhe que ganha maior relevo na simplicidade do desenho de personagens. O desenho de personagens é simples, num estilo bastante "ghibliesco" mas mais detalhado, moderno, e muito expressivo. Os cenários também partilham essa característica "ghibliesca" [boa, usei o palavrão duas vezes!] sendo lindíssimos, em particular a casa de Makoto, e muito detalhados, mantendo o realismo da paisagem urbana japonesa. Os poucos 3D existentes estão perfeitamente integrados e só são utilizados como efeito especial.

Já me esquecia de falar da banda-sonora que, não sendo particularmente marcante ou espectacular e sendo constituída por uma conjugação de várias melodias pré-existentes, é uma banda-sonora realista, que apoia a história, de forma discreta e agradável, sem se sobrepor ou destacar. É daquelas bandas-sonoras que não faz multidões saírem para comprar o CD, mas que encaixa no filme na perfeição.

Num filme tecnicamente tão bem conseguido, aliado a uma história muito bem estruturada e emocionante, com reviravoltas surpreendentes sem cair no lugar-comum, deixamo-nos levar, guiados por Makoto, torcendo por ela e desejando a mudança prometida. Toki o Kakeru Shoujo é um filme de sobre o amadurecimento com um toque de fantasia, mantendo "a cabeça no céu e os pés na terra", utilizando as doses certas de realismo e fantasia para nos deixar com uma sensação agradável da satisfação de ter visto um excelente filme com cheiro a Verão.

La Traversée du Temps - Le film [FR]
The Girl Who Leapt Through Time [EN]
時をかける少女 [JP]

11.11.08

Demashitaa! Powerpuff Girls Z

Já tinha visto excertos desta série quando ela estreou no Japão, em parte porque adoro as Powerpuff Girls originais, mas já naquela altura não me entusiasmei por aí além com esta série. Mas hoje apanhei o que penso ter sido o primeiro episódio na RTP2, sob o título Superpoderosas, e até achei alguma graça.

Basicamente os japoneses agarraram num produto que já era muito "japonês" à partida e encaixaram-no naquele modelo de anime para raparigas pré-adolescentes com poderes fantásticos, isto é o mahou shoujo. Dentro deste género especificamente têm sido produzidas imensas séries de que tenho falado bastante aqui, não fosse eu fã de mahou shoujo, a começar com Card Captor Sakura, continuando por Ojamajo Doremi, Kaitou St. Tail, Mirmo e, mais recentemente, Onegai My Melody.

O defeito é que esta série, que no orginal foi marcante nos desenhos animados norte-americanos pela sua originalidade, por um grafismo diferente e um target invulgar (raparigas), mantendo uma certa ironia e humor que não apela apenas a crianças, tornou-se, na versão japonesa, em mais uma série e nem sequer das melhores... Pior: transformaram a personagem mais popular e cool em pouco cool. Buttercup, a inconformada passou a ser uma banal maria-rapaz a queixar-se de ter de vestir saias. Pelo contrário, a detestável Blossom está kawaii e Bubbles, se bem que menos kawaii que no original continua igualmente engraçada. Também sinto falta dos cenários muito "design anos 60" da série original. As transformações das raparigas têm demasiadas poses e são muito confusas, o que não ajuda, pois as transformações costumam ser o selo de garantia neste tipo de séries.

Pelos vistos o ditado: "em equipa ganha não se mexe" não serve só para os remakes de anime norte-americanos, mas também para a situação inversa.

Mesmo assim, é mais um anime a dar nas televisões portuguesas, especialmente na RTP que nos últimos anos tem passado muito pouco, portanto só tenho que ficar contente com mais esta estreia.

出ましたっ! パワパフガールズZ
テレビ東京・あにてれ 出ましたっ!パワパフガールズZ
出ましたっ!パワパフガールズZ

RTP2
2ª - 6ª: cerca das 18:00

Terminei de ver: Bamboo Blade


Bamboo Blade é uma série que se vê bem, mas sem grandes emoções. Realmente não fora o meu interesse pelo kendo, talvez nem sequer tivesse sabido da existência dela. Mas, apesar de discreta, não é uma má série e, dentro do anime que não costumo ver, até que foi uma pequena surpresa.

A primeira grande qualidade de Bamboo Blade está no kendo. Todas as sequências, sejam elas de treino ou combates exaltados, demonstram uma pesquisa muito bem feita e um profundo conhecimento da arte marcial e do seu quotidiano no contexto de um clube de escola secundária japonesa. A animação é bem feita, as sequências bem coreografadas e não abusa do "efeito especial anime de desporto" (=raios luminosos, capacidade sobrehumanas, etc.), filmando o kendo como seria muito complicado de fazer em imagem real, mas mantendo um estilo realista. Aliás mal seria deles se representassem mal essa faceta, seja por o kendo ser considerada a arte marcial mais popular e nobre do Japão, seja pelo facto de ser um dos desportos mais praticados nas escolas secundárias japonesas.

A outra grande qualidade de Bamboo Blade é a analogia das 5 raparigas do Clube de Kendo da Escola Muroe a personagens de um supersentai (Red - Tama-chan, Yellow - Kirino, Blue - Saya, Pink/Black - Mya Mya, Green - Satorin) e a sua ligação ao fanatismo pelas mesmas de Tama-chan. Esse lado e todo o lado de comédia poderia ser mais explorado e ter piadas mais acutilantes, acabando por se contentar com um humor brando, que não vai muito além das paredes do dojo. É pena.
Fica a série dentro da série, o supersentai Blade Braver, com os Bravers (de onde se basearam os alter-egos das meninas), o anti-herói Shinaider e a sua sidekick Shinai Girl! Só os nomes valem a pena! Depois de vermos imagens de Blade Braver só dá para dizer: um sentai com o tema de kendo, como ainda não tinham pensado nisso??

A personagem de Tama-chan (Kawazoe Tamaki) é a mais explorada e a mais intrigante. Tamaki é uma rapariga tímida e introvertida, excepto quando pratica kendo onde é surpreendentemente invencível e feroz. Tama-chan vive num universo fechado, entre o dojo da família e as séries que grava religiosamente no gravador de DVDs e, com a inscrição no clube de kendo da escola, abre-se para travar amizade com os restantes colegas do clube. Não é grande aprofundamento, mas numa série de comédia temática bastante ligeira não deixa de ser um ponto interessante.

Ficam pequenas lembranças de momentos com alguma graça de um anime que mostra com bastante pormenor o quotidiano de uma escola secundária, um clube de kendo e as relações de amizade e rivalidade que se vão estabelecendo neste contexto.

TVアニメーション バンブーブレード
テレビ東京・あにてれ バンブーブレード

 

9.11.08

Ribbon no Kishi

Já li a manga! Nesta edição são 8 volumes fininhos, mas no original são apenas 3. Na realidade o que li foi a primeira versão da manga, de 1954, tendo Osamu Tezuka editado uma segunda versão mais tarde, 1963, uma revisão da mesma história. Em 1967 foi produzida uma série de anime, baseada na primeira versão da manga.

Ao criar esta manga, Tezuka criou um novo género e ditou as primeiras regras da manga shoujo. Uma delas e a mais original de todas, foi a ideia da princesa vestida de príncipe, retomada em várias manga shoujo famosas, nomeadamente Versailles no Bara e Shoujo Kakumei Utena. Essa ideia do travestismo no feminino vem do facto de Tezuka ter vivido em Takarazuka, uma pequena cidade anfitriã da antiga companhia Takarazuka Revue, com um elenco unicamente feminino que encena histórias românticas, clássicos da literatura e algumas manga, num formato de revista musical, com encenações kitsch e barrocas. A influência é de tal modo marcante que a própria manga Ribbon no Kishi foi encenada pela companhia, fechando o círculo.

Ribbon no Kishi conta a história da Princesa Sapphire que nasce com dois corações, um de menino e outro de menina, por causa de uma partida de um anjinho chamado Tink. No Reino de Prata, o reino de Sapphire, as mulheres estavam proibidas de suceder ao trono e por isso, apesar de nascer menina, Sapphire é criada como um rapaz em segredo. A história vai seguindo as várias peripécias, os esforços da princesa e de seus aliados em proteger o segredo do malvado Duque Duralmin, que quer que o seu filho Plastic suceda ao trono.

Esta é uma manga muito empolgante e divertida, onde a acção nunca pára, onde quando pensamos que Sapphire já está finalmente livre dos obstáculos aparece mais um ou um novo vilão e a sua vida volta a complicar-se e nunca mais ela consegue realizar os seus dois desejos mais profundos, que ainda por cima são contraditórios: ou assume a vida de um homem e herda o trono do seu amado reino, ou assume a vida de uma mulher e fica com o seu Príncipe Franz Charming, do Reino de Ouro.

Olhando para as manga shoujo de hoje, em particular para as duas mencionadas acima que também já li, fica muito claro que Ribbon no Kishi, não encaixando ainda no modo como a narrativa se desenrola no modelo que hoje dita o ritmo de uma narrativa dirigida a raparigas, ditou algumas regras fundamentais e recorrentes ao longo das já cinco décadas que se passaram. Ao contrário das manga dos anos 70, não se sente nesta tanto a influência de uma época, seja na história, seja no grafismo. Apesar de algumas ideias ligeiramente conservadoras, a manga é na sua essência bem progressista para a época e para uma manga desenhada por um homem. Sente-se muito mais a forte influência da Disney, de Hollywood e dos contos de fadas europeus, em particular os dos irmãos Grimm.

Acho que esta é das primeiras vezes que aqui escrevo acerca de manga, mas já queria ler esta há tantos anos e é realmente de tal forma um clássico marcante que tinha de o fazer! O mais engraçado disto tudo é que esta, que é uma manga dirigida ao público feminino, que deu origem a várias ideias recorrentes da manga shoujo, surge com um ritmo e narrativa essencialmente para rapazes, numa acção incessante onde o romantismo não se manifesta apenas no interesse amoroso ou na verbalização desse amor, mas na imagem idealizada do romântico príncipe encantado, que tudo faz para ficar com a sua princesa. Com este misto de estratagemas narrativos, creio que hoje em dia seja uma manga que facilmente agrada tanto a rapazes como raparigas. E não é definitivamente uma manga datada, o que é deveras surpreendente e dá com toda a justiça o título de "Deus da Manga" a Osamu Tezuka.

Graficamente esta manga é extremamente dinâmica e variada, não se cingindo à ideia de quadradinho após quadradinho, sendo todas as páginas muitíssimo bonitas e agradáveis de ler. Gosto muito do desenho de personagens de Tezuka, que apesar de apresentar um estilo um pouco retro, não é perro como por vezes são os primeiros títulos de um autor. Na longa carreira de Tezuka, que engloba 700 títulos de manga, Ribbon no Kishi pode ser considerada uma das primeiras, uma vez que ele começou a desenhar profissionalmente no pós-guerra, mas a arte gráfica é de tal modo perfeccionista como poucas manga, o traço seguro e consistente, não tendo oscilações, onde todas as páginas são um quadro equilibrado e muito bem concebido.

Agora quero mais!!!!

Quem estiver interessado na edição brasileira, que tem uma excelente relação qualidade-preço, pode dar uma olhadela ao site da Editora JBC. Se quiserem "folhear" a manga, isso é possível através do site oficial da Tezuka Productions que, por ocasião da comemoração dos 80 anos de Tezuka a 3 de Novembro, publicou gratuitamente excertos de muitos títulos online (é só clicar nas capas - estão lá ambas as versões).

Cosplay

Já não ia ao FIBDA (Festival de Banda Desenhada da Amadora) há cerca de 5-6 anos, eu que ia lá com regularidade quase todos os anos desde que o festival começou... Este ano, em parte por serem os 10 anos oficiais do cosplay (se bem que o cosplay no FIBDA tem, na realidade 11 anos, fui quem o organizou nesses dois anos), e também por causa do tema ser a ficção-científica e da exposição de Star Wars, este ano fui lá ver.

O espaço do festival estava engraçado, gostei deste edifício, o último onde estive não era adequado a um evento como este, e gostei da cenografia, por vezes demasiado realista nos corredores de nave espacial (demorei que tempos e mais umas voltas para encontrar a saída), mas foi pena o auditório ser tão minúsculo e não ser em anfiteatro. Conclusão: no desfile propriamente dito do cosplay só vi cabeças e pontas de chapéus e adereços (e eu sou alta!). Já cheguei a meio, portanto já não vi todos os cosplayers, mas no geral foi com imensa satisfação que vi tanta adesão a uma coisa que há 10-11 anos atrás foi mais "obrigar" uma meia-dúzia de fãs de anime com que me dava a se juntarem a mim a fazer triste figura pelas ruas de Lisboa e da Amadora (sim, o pessoal vestia-se em casa e ia em cosplay até lá), e a serem gozados pela mão-cheia de visitantes do FIBDA. Não há dúvida que as coisas mudaram radicalmente e, para além dos números se terem inflacionado umas 20 vezes, tive muita satisfação em ver uma percentagem muito grande de rapazes em cosplay.

Como disse, no meio de tanta confusão e de um espaço demasiado apertado para o cosplay, acabei por ver menos fatos do que gostaria. A vantagem foi que os poucos que vi foi mesmo de muito perto, o que deu para apreciar condignamente a qualidade. Do lado espectacular estava uma Queen Esther de Trinity Blood, cujo fato, além de extremamente trabalhoso e certamente caro, estava muito bem feito. Foi, sem dúvida o que mais chamou a atenção. Depois vi uma Sakura de Tsubasa, cujo fato estava muitíssimo bem feito e também era muito espectacular. O Yue de Card Captor Sakura também era muito chamatório mas não estava muito bem feito, tinha todos os elementos, certamente que as asas deram um trabalhão, mas falta-lhe técnica. Pelos corredores também me cruzei várias vezes com uma Shinku e uma Suigintou de Rozen Maiden, cujos fatos estavam, na minha opinião entre os melhores: os tecidos estavam muitíssimo bem escolhidos (veludo) super bem cortados e confeccionados e não lhes faltavam pormenores nenhuns. A única coisa que eu fazia era investir em perucas melhores, pois destoavam, apesar de cumprirem a sua função. Também me cruzei, mas já de raspão com uma Kaoru de Kenshin (o kimono azul com borboletas de uma ilustração) que estava também excelente, muitíssimo bem pintado, bons tecidos, bem vestido (acreditem: não é fácil vestir bem um kimono).

E por fim os Zorros e as Princesas do cosplay à portuguesa: fatos de Naruto e de Final Fantasy... eram tantos que dava para encenarem cenas inteiras das respectivas séries e jogos, ia era haver personagens repetidas, o que em Naruto não é grave...

Foi divertido, também gostei muito da exposição que foi um misto de viagem ao passado (Flash Gordon Valerian, José Ruy, etc.) com algumas coisas novas bastante interessantes. Não queria gastar dinheiro nas lojas por diversas razões, mas acabei por comprar os 8 volumes da edição brasileira de A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka, que já tinha namorado há anos na loja (na Feira da Ladra) e não tinha comprado. Para quem não saiba, A Princesa e o Cavaleiro (Ribbon no Kishi) foi a primeira manga shoujo da história e é actualmente uma raridade. A edição brasileira é simpática, não posso avaliar o texto pois ainda não li, mas está bem impressa e é bem barata (€1,50 cada). As edições brasileiras seguem o sistema italiano de livrinhos, mais finos que os tankoubons, mas a preços acessíveis. E a mim não me chateia nada ler em português do Brasil, mas claro que preferia em japonês.

PS - ainda faço cosplay, mas no Carnaval.

Cosplay@FIBDA 08 - Galeria oficial

esqueci-me da minha máquina, mas um amigo meu tirou algumas fotos, quando ele mas der eu coloco aqui uma ou duas.
22.04.2009: finalmente a foto prometida... a Queen Esther com uma outra personagem que desconheço.

4.11.08

Gedo Senki / Tales From Earthsea

Li os livros, Contos de Terramar, de Ursula K. LeGuin há bastantes anos, lembro-me de muito pouco dos livros, excepto das paisagens e da rapariga, de dragões e magia, e pouco mais... Mas a impressão que ficou foi muito boa, pelo que, quando Goro Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki, resolve realizar este filme, adaptação dos livros de LeGuin, achei que aquele universo Ghibli e de Miyazaki (pai) se adequavam bastante ao que tinha lido.

Mal sabia eu o romance que se desenrolou por trás da execução deste filme. Desde o início da sua carreira que Hayao Miyazaki é fã confesso d'Os Contos de Terramar e tem vindo a assediar a sua autora para lhe ceder os direitos de adaptação ao cinema, direitos esses que Ursula LeGuin tem vindo a recusar durante muito tempo. Entretanto, impossibilitado de adaptar os livros, Miyazaki foi criando um universo cinematográfico, em muito semelhante ao dos livros de LeGuin, em particular em Nausicaa ou Laputa.

Hayao Miyazaki tornou-se num nome conceituado a nível mundial e Ursula LeGuin cedeu e convida-o a finalmente adaptar os seus livros. Mas já foi tarde demais e ele demonstra que perdeu o interesse. Mesmo assim a Ghibli compra os direitos e a produção do filme é iniciada. Desde o início que Goro Miyazaki, também colaborador da Ghibli mas que nunca realizara uma longa-metragem, se mostrou interessado em realizar este filme, mas o pai recusa a ideia afirmando que o filho é demasiado inexperiente e ainda não se encontra preparado para tal tarefa. O resultado: pai e filho zangam-se durante toda a produção de Gedo Senki.

Não sei os capítulos seguintes da novela Miyazaki, mas vi o filme. Foi-me um pouco difícil não passar o filme todo ora em busca de memórias dos livros de LeGuin, ora em busca de algum traço pessoal de Goro Miyazaki. Gedo Senki é um filme fantástico de aventuras bastante interessante, muitíssimo bem executado, não desmerecendo outros filmes dos estúdios Ghibli, mas que me deixou sempre a impressão de uma cópia bem feitinha dos filmes de Hayao Miyazaki.

Dos livros não houve remédio, relembrei-me de muito pouco, mas fiquei com a impressão de que não foi adaptada toda a história. Infelizmente os livros que li não eram meus, e não o posso verificar para já.

A realização de Goro Miyazaki é boa, competente, mas pouco inventiva ou empolgante como noutros filmes da Ghibli, mesmo os que não são do seu pai. Parece-me uma realização pobre, com um estilo demasiado banal, sustentada por uma equipa muitíssimo competente e determinada a que o filme não escorregue o tempo todo e que o consegue sustentar. Existe realmente uma grande disparidade entre a realização, que é tímida e pouco arrojada com uma máquina de produção, muitíssimo habituada a funcionar com filmes neste estilo, que vai agarrando as inseguranças de Goro Miyazaki pelos colarinhos com pulso forte, através de uma animação de primeira qualidade e cenários, mais uma vez, deslumbrantes. A única excepção fica no character design que é um bocado atarracado, demasiado colado ao que nos habituámos a ver nos filmes do seu pai e pouco interessante. Honestamente, estava à espera de mais.

A banda-sonora é que realmente varia, não sendo de Joe Hisaishi, não temos aquela familiaridade habitual, mas é bonita. Só tenho pena de às vezes ser um pouco em demasia, tornando-se intrusiva em momentos em que seria preferível o silêncio.

Gedo Senki é um filme interessante de ver mas não surpreendente, transparece a batalha travada entre um realizador inexperiente e com pulso fraco contra uma gigantesca máquina de produção. Vale pelos magníficos momentos na cidade, pelas imagens do porto e a detalhada arquitectura medieval-europeia. A história está bem contada mas podia ter mais reviravoltas e ser mais emocionante. Os livros são grandes, contam diversas fases de uma história, com bastante detalhe, e já se sabe: enfiar o Rossio na R. da Betesga é muito complicado. Talvez o projecto tenha sido demasiado ambicioso para alguém que deve andar a sonhar em sair debaixo da sombra paterna.

Os livros Contos de Terramar estão editado pelos Livros do Brasil em três volumes, colecção ficção-científica de bolso (são aqueles pequeninos, baratinhos).

31.10.08

Kuromi Harowiin!


Procurei, procurei, procurei, não consegui arranjar esta imagem maior e com melhor qualidade pela net. Quando a vi pela primeira vez, achei que seria perfeita para colocar aqui no Halloween, e realmente é, pois a minha actual obsessão é mesmo My Melody. Bem, a imagem é de um CD extra da segunda série, Onegai My Melody ~Kuru Kuru Shuffle!~, intitulado Kuromi no Halloween Party!, cantado, naturalmente pela actriz de voz que faz a Kuromi, Junko Takeuchi. Bom fato para cosplay, não?

Não deixa de ser engraçado, com tanto anime novo que se vai estreando (se bem que mal comecei a ver algumas das séries novas que quero seguir) e com tanto anime que anda a dar nos canais portugueses eu estar a ver mais fielmente justamente as duas estreias do Canal Panda, My Melody, que é puro kawaii com um ligeiro toque apimentado, e Keroro Gunsou, um anime para fãs de anime hardcore. Keroro está cheio de referências, são umas atrás das outras (Cobra, Evangelion, Gundam, Harlock, só para mencionar algumas das mais óbvias), mas é super engraçado e muito divertido, mesmo quando não se apanham as piadas com segundo sentido.

O meu Halloween vai ser infelizmente passado "de molho", mas o lado bom é que posso ver anime com fartura.

Já me esquecia: parabéns ao anime-comic, que fez 3 anos dia 8 de Outubro (eu sei, esqueci-me de novo).

27.10.08

Terminei de ver: Chi's Sweet Home

Já terminei de ver esta série há uns dias, mas tenho andado mesmo ocupada e daí o atraso no post.

Nos últimos 10-15 episódios de Chi's Sweet Home o problema, sempre presente, de serem proíbidos os animais de estimação no prédio dos Yamada começou a tomar maior relevância para dominar os últimos episódios. Talvez por causa disso há uma clara aceleração das pequenas aprendizagens do dia-a-dia de Chi, especialmente as felinas com o gatarrão preto. No final a história deixa de ser uma pequena crónica do quotidiano da pequena Chi para tomar novas formas, mais romanescas, de drama com uma forte continuidade.

Uma tal, mas lógica, transformação da narrativa, especialmente tratando-se este de um anime de episódios de 3 minutos, poderia prever um descarrilamento da qualidade, mas em vez disso simplesmente mudou o tom e trouxe à tona aquela pedra no sapato de desde o início assombrava a vida de Chi e dos Yamada.

Por mais que eu desejasse continuar a ver as aventuras de Chi, teria sempre de haver um desfecho e este foi muito bem resolvido e satisfatório, o que atesta mais uma vez a qualidade desta série. Chi's Sweet Home comprova que um bom anime não é forçosamente feito de cenários mágicos ou irreais, cheios de efeitos especiais mas que acabam por ser apenas visual com a adição de um êxito de J-Pop no genérico. Chi's Sweet Home segue uma permissa muito simples, histórias pequenas e pouco rebuscadas mas emocionantes e, no total dos seus 104 episódios uma estrutura narrativa equilibrada, esforçando-se e conseguindo manter a qualidade prometida inicialmente. Para amantes de gatos, mas não só!

チーズスイートホーム

10.10.08

Ando a ver: Keroro Gunsou


Já sabia, antes de começar a ver, que Keroro Gunsou era um anime de referências a outros anime, principalmente pelas imagens de Keroro com Gundam e afins. Essas referências (e outras) manifestam-se principalmente na paixão por kits (puramo) de Keroro, um dos primeiros que montou era justamente um Gundam.

Mas no episódio em que surge, pela primeira vez Kururu, não me podia ter rido mais: as referências eram a Evangelion e o monolito de contraplacado "sound only" de Keroro não podia ter sido melhor! Mas a coisa não se ficou por aqui, ao longo do episódio as piadas relativas a Eva continuaram com um A.T. Field e a clara analogia ao Kaoru e ao terceiro impacto.

Aliás a analogia não podia ter sido melhor, uma vez que um dos grandes fortes de Keroro são as divertidíssimas reuniões conspiratórias, sejam elas dos sapos para conquistar Pokopen, sejam dos humanos para impedir essa conquista e manter os extraterrestres num ambiente controlado.

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

Canal Panda
2ª - dom: 22:00

3.10.08

Comecei a ver: Keroro Gunsou

É engraçado Keroro ter estreado ao mesmo tempo que My Melody (se bem que passam imensos anime tipo My Melody no Canal Panda) pois as semelhanças são imensas! É como se Keroro Gunsou fosse um mahou shoujo para rapazes, isto é, um "mahou shounen"!

À semelhança de My Melody, Keroro vem para a Terra com o objectivo de reunir a sua tropa de cinco rãs (ele incluído), mas com o objectivo de conquistá-la. Fora as óbvias diferenças de cenário, personagens e objectivos, a situação é praticamente a mesma: seres de outro mundo, em geral pequenos, semelhantes a bonecos ou brinquedos, convivem com adolescentes humanos para aprender sobre os seus costumes e cumprir as suas missões. Cada um desses seres tem um poder mágico específico que, em geral, não domina na perfeição. Os conflitos de interesses e as diferenças de costumes conduzem a uma série, em geral longa, de episódios independentes, cheios de peripécias, com uma ténue linha condutora geral.

Mas Keroro Gunsou é engraçado, utiliza bem as regras prédeterminadas do mahou shoujo no seu novo formato, adicionando os ingredientes suficientes para também agradar a rapazes. As piadas são um bocado mais picantes ou mordazes e os itens mágicos são mais masculinos. Gostei da animação e do character design, estou curiosa para ver mais. Ah! E os episódios, na mesma com a duração de 25 minutos, são divididos em duas histórias.

Ah! Estava a esquecer-me completamente da melhor, mesmo a melhor, razão para ver/gostar de Keroro Gunsou: o genérico final AFRO Gunsou!


AFRO Gunsou - DANCE MAN

Só não percebo os critérios de dobragem ou legendagem, do Canal Panda. Vai na volta até percebo, são conforme dá na telha às distribuidoras das séries. Mas até agora pensava que as séries anime que vinham dobradas em espanhol eram apenas as mais antigas, tipo Doraemon ou Ninja Hattori, mas enganei-me pois Keroro vem dobrado em espanhol. Não me queixo muito, prefiro sempre o original em japonês, mas sei que isso é quase impossível no Canal Panda, portanto conformo-me com as dobragens que aparecerem e as espanholas em geral costumam ser bastante boas, bem melhores que as "brásileiras" ou, pior ainda, as norte-americanas... Mas preferia sempre o sistema adoptado para My Melody ou Minky Momo: a dobragem em português (de Portugal) com os genéricos em japonês ou versões em português das mesmas canções, como em Escaflowne.

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

Canal Panda
2ª - dom: 22:00

2.10.08

Comecei a ver: Onegai My Melody

É simplesmente irresistível!

Como se já não bastasse My Melody ter sido criada como uma mascote de merchandise, o anime, Onegai My Melody, ou My Melody, ainda veio acrescentar mais potencial de merchandise!

A permissa é simples, é um mahou shoujo básico, a coelhinha My Melody vivia uma pacata e idílica vida em Maryland quando Kuromi, rouba uns intens mágicos para conquistar o poder. My Melody é encarregue de vir para o mundo dos humanos, tentar travar Kuromi. No mundo dos humanos conhece Yumeno Uta (lit. "canção de sonho"), Mia na versão portuguesa, que a vai ajudar na sua missão.

Mas o anime é muuuito kawaii!! Não há como resistir! Está bem animado, o character design é agradável, as histórias, apesar de simples, são mais uma vez uma pequena amostra do quotidiano dos adolescentes japoneses, através dos sonhos que Kuromi, que, apesar de tudo até é bem intencionada, tenta conceder com consequências desastrosas. Kuromi, só por si, vale o anime, é a coelhinha famosa entre as gothic-lolitas do Japão, que com muita frequência vemos bonecos e outro merchandise nos seus visuais.

Não sei se o vou conseguir fielmente, e não é para quem não aguenta o excesso de coisas doces, kawaii ou cor-de-rosa, mas vou tentar seguir esta série.

テレビ大阪  おねがいマイメロディ

Canal Panda
2ª - 6ª: 8:30, 13:30, 21:00
sab. - dom: 8:30, 14:30, 20:00

Keroro Gunsou + My Melody

Keroro Gunsou, ou Soldado Keroro, é já um velho conhecido das páginas da Newtype. Pelas imagens loucas e por já ter visto esporadicamente alguns clips, sempre tive bastante vontade de ver este anime, mas são TANTOS os episódios que sempre me senti desencorajada de os arranjar pela net...

Bem, o meu desejo foi satisfeito, o Canal Panda acaba de estrear, fresquinha, esta série e também My Melody, velhos companheiros na Sanrio de Hello Kitty, hoje mesmo. Perdi os primeiros episódios, paciência, mas não há meio de me habituar a verficar a programação do Canal Panda no fim de cada mês...

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

SOLDADO KERORO
Canal Panda
2ª - dom: 22:00

MY MELODY
Canal Panda
2ª - 6ª: 8:30, 13:30, 21:00
sab. - dom: 8:30, 14:30, 20:00

30.9.08

Comecei a ver: Bamboo Blade

Comecei a ver este anime, atípico no género de anime que costumo ver, essencialmente por causa do kendo e por se tratarem de praticantes femininas. Apesar de ser uma "infiltrada", esta é uma série agradável , se bem que não forçosamente genial.

Bamboo Blade é uma comédia simpática que conta a "saga" de um professor de kendo pobretanas numa escola secundária, que já fora campeão mas que se desleixou completamente. O professor, Toraji, fez uma aposta com o seu senpai, e tenta reunir cinco raparigas para bater a equipa dele. Mas quase todas as pessoas envolvidas nesta aposta têm segundas intenções, a começar por Toraji, cujo único interesse é obter comida grátis.

Esta é uma comédia de referências, se não se estiver minimamente dentro do contexto do kendo e dos fãs de anime e sentai, dificilmente se achará alguma piada ao anime. A verdadeira piada está no subtexto, nas alcunhas sentai de cores que Toraji dá às raparigas, em Miya Miya passar com demasiada frequência de "Pink" a "Black", na obsessão de Tama-chan por anime e na sua excessiva timidez que desaparece quando pratica kendo, no chazinho que elas tomam após o treino, e assim sucessivamente.

Em relação ao kendo é refrescante vê-lo com tanto protagonismo numa série. Pessoalmente torço pelas raparigas e os combates e treinos estão extremamente bem orquestrados. O melhor de tudo são as bocas acerca do cheiro e outras desvantagens do kendo, as bolhas nas mãos e pés dos principiantes e todos os pequenos mas divertidos detalhes por que um praticante de kendo tem de passar, que são aproveitados ao mínimo detalhe. Já me ia esquecendo do figurante principal, o gato gordo branco, uma espécie de oposto físico do gato de Trigun, que simplesmente entra em campo em alturas completamente disparatadas. A melhor de todas foi vê-lo desmaiar quando cheirou um men acabado de tirar.

Portanto Bamboo Blade não é um anime a descartar, mesmo que não seja o mais marcante ou interessante à face da Terra.

TVアニメーション バンブーブレード
テレビ東京・あにてれ バンブーブレード

28.9.08

Cinqueccento de Lupin volta à FIAT

A FIAT anunciou que vai lançar, para o ano (2009), uma nova versão, em edição limitada, do seu Fiat Nuova 500, inspirado no Fiat 500 (cinqueccento) de 1957, que Lupin conduz com frequência, com uma imagem da personagem.

Os mais nostálgicos, têm de se contentar em arranjar um cinqueccento antigo, restaurá-lo e pintá-lo daquele amarelo (aliás É a cor do cinqueccento para mim!). Os mais modernos, vão poder conduzir esta versão.

Isto é o que se chama merchandise de anime à séria!

26.9.08

Ando a ver: Naruto


Ou mais ou menos... sim, porque a moda dos resets em anime parece que está a pegar nas TVs portuguesas. Primeiro foi InuYasha no AXN e agora Naruto na SIC-Radical...

É verdade que já tinha lido algures que a SIC não tinha comprado os episódios todos da 1ª série de Naruto, mas em vez de andarem a inventar tangas que "o que é bom é para repetir" (sic), bem podiam ser honestos e fazerem umas "férias" até terem os episódios restantes. A não ser que não os planeiem comprar, o que infelizmente é bem provável.

Bem aparentemente de futuro, o que vai a contecer com Naruto é o mesmo que aconteceu com Dragon Ball: vão repetir a série tantas vezes que ninguém a vai querer mais ver à frente! E o pior de tudo é que enquanto que de Dragon Ball têm a totalidade dos 200 e mais episódios, em Naruto têm cerca de metade, ou até menos (não me dei ao trabalho de ir ver em que episódio pararam, nem me vou dar...).

A única, e mesmo a única, coisa boa que retiro disto é poder ouvir de novo a canção Wind, mas, fora os primeiros episódios, que não tinha visto da primeira vez, Naruto não é daquelas séries que queira ver de novo tão cedo! Nem por sombras!!!

NARUTO-ナルト-

23.9.08

CONFERÊNCIA: Anime Japão!

Não fui cheia de expectativas, mas mesmo assim a conferência de ontem foi agradável e uma boa oportunidade de ter uma preview in loco dos filmes que irão ficar na boca de muita gente no próximo ano, pelo menos foi isso que aconteceu com os três do ano passado: Toki o Kakeru Shoujo, Paprika, Tekkonkinkreet. Os três filmes comerciais apresentados este ano pela professora Kei Suyama foram, Kappa no Coo to Natsuyasumi, Gake no Ue no Ponyo e Sky Crawlers. Do primeiro filme já tinha vislumbrado algures uma imagem e era um exemplo do uso da mitologia japonesa para fazer passar uma mensagem pedagógica, realizado por um dos realizadores do divertido e corrosivo Crayon Shin-chan. De Ponyo, que tem um ar ultra-kawaii, não vou falar muito porque é o filme que certamente mais cedo nos chegará às salas, mas com este último Miyazaki estou bastante entusiasmada, depois da desilusão de Howl. Mesmo assim, tudo o que vi e li acerca do filme até agora, me faz lembrar mesmo muito o livro A menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, cuja história é bem semelhante. Sky Crawlers foi uma clara demonstração do uso do 3D em imagens de combate aéreo, e é o filme acerca do qual estou mais céptica. Céptica pois nunca gostei de um único filme de Mamoru Oshii, parece-me tudo um enorme show off e acho que o senhor não tem sentido de humor, mas a Sr.ª. Suyama disse que este filme é bastante diferente dos anteriores, a ver vamos.

De seguida falou mais um convidado, Taku Furukawa, que nos mostrou um fantástico e psicadélico filme dele dos anos 70, Coffee Break, um outro filme de um grupo de animadores "geriátricos", os G9+1, ao qual pertence, que era uma espécie de showreel do trabalho deles em que cada um animou 45 segundos ao som da versão electrónica de músicas tradicionais, que tinha segmentos muito interessantes. E, por fim, a selecção de filmes dos alunos finalistas do Curso de Animação da Universidade Tokyo Kogei, de que em geral gostei mais a nível da qualidade e técnica da animação que dos do ano passado. Eles são mesmo muito bons!

A Livraria Byblos mostrou que o auditório está extremamente bem equipado e, apesar da ausência de portas, que fez com que o choro lancinante de uma criança irrompesse pela sala a dada altura, é um exemplo a seguir. É uma pena que não tenha sido a mesma pessoa a desenhar a sala do Museu do Oriente, que infelizmente tem imensos problemas técnicos.

Gostava de notar, apesar de achar um pouco despropositado, a Goth-Loli que apareceu por lá, impecavelmente vestida de branco da cabeça aos pés! Isto era uma conferência, não uma convenção, mas ela estava muito bonita.

11.9.08

Comecei a re-ver: Sailormoon R

Mais ou menos pelas mesmas razões que Sailormoon S, recomecei a ver Sailormoon R, a 2ª série de Sailormoon e anterior à S. Infelizmente Sailormoon R começa com a pior fase de Sailormoon, no total da obra, e o único troço no anime que não está na manga. Nesta fase da 'Makaiju', ou 'Eil e Ann', prova-se que, apesar de Naoko Takeuchi nunca mais ter tido um êxito, pelo menos em Sailormoon ela acertou em cheio e os argumentistas do anime nunca deveriam ter tido tanta rédea solta. A única coisa boa que resultou desta fase foi o filme de Sailormoon R, cuja narrativa e especialmente a arte gráfica se inspiram nesta pequena fase, claramente o melhor filme dos 3 feitos a partir da série.

Mas Sailormoon R é a série que começou a beber do êxito inesperado que Sailormoon obteve, que originou toneladas de merchandising, introduziu a intriga de Neo-Tokyo, o futuro longínquo de Usagi, Mamoru, ou seja Neo-Queen Serenity e King Endymion, e a sua filha Small Lady Serenity, ou seja Chibi-Usa. Chibi-Usa é um dos ódios de estimação de muitos fãs de Sailormoon, mas, apesar de a achar uma pestinha insuportável, não é um dos meus (acho que não tenho ódios de estimação em Sailormoon) e nesta série dá origem a uma das minhas vilãs preferidas: Black Lady. Aqui ainda aparece a primeira e carismática outer senshi, Sailorpluto, a única que hoje em dia talvez não existisse, pois oficialmente Plutão não é mais considerado planeta.

Como Sailormoon S, vou apreciar a R devagarinho e apanhar pormenores que o tempo me fez esquecer.

セーラームーンチャンネル

7.9.08

Ando a ver: Galaxy Express 999

Sendo a série comprida, neste momento ainda só vi cerca de 10%. Nestes 10% já foram estabelecidas as personagens principais, as suas motivações e os mistérios da série.

Por mais que Tetsuro diga à boca cheia que quer um corpo mecânico para poder viver para sempre, está constantemente a contradizer-se à medida que vai encontrando seres que ou estimam o seu corpo de carne e osso ou se arrependem por terem abdicado dele.

Já Maetel é outra história: até agora não percebemos bem qual o seu motivo para embarcar no 999, apenas sabemos que conhece e está à vontade em quase todos os planetas, parece que já fez outras vezes esta viagem e que está na viagem para chegar à estação final. Ela está bem equipada e preparada para todas as intempéries que possam a vir cruzar os seus caminhos e é bastante protectora de Tetsuro, mas permanece sempre um lado misterioso onde não percebemos as suas verdadeiras motivações.

Porque será que ela faz subtilmente de tudo para desencorajar Tetsuro de se decidir por um corpo mecânico? Porque será que, apesar de tudo, Maetel quer que Tetsuro leve a sua viagem até ao fim? Estará Maetel verdadeiramente contra a mecanização? Estas perguntas e muitas outras são um simples mas inteligente estratagema narrativo que faz com que se acompanhe inúmeras histórias individuais para descobrir o que o destino reserva a Tetsuro e quem será verdadeiramente Maetel.

Cada novo planeta é uma nova história num cenário ingenuamente exótico. Quando as histórias são trágicas, em geral os protagonistas são humanoides belos, mas que perderam os seus objectivos mais altruístas algures pelo meio. A beleza exótica do espaço é sempre realçada, através dos olhos inexperientes de Tetsuro. Mas tanta beleza em geral esconde sempre um lado sombrio. Por mais que as histórias individuais se assemelhem grandemente, e já sabermos como termina cada episódio, no decorrer da história, nas peripécias e nas pequenas diferenças é que acaba por estar a magia de Galaxy Express 999.

銀河鉄道999

2.9.08

Neko no Ongaeshi

Neko no Ongaeshi (O Reino dos Gatos) é daqueles filmes de que tomei conhecimento mesmo antes de existir. Já nem sequer me lembro bem onde é que vi a primeira imagem do Baron, que imediatamente me fascinou e quis ver o anime onde ele entrava. Nessa altura Baron e Muta, as duas únicas personagens que transitaram para este filme, entravam numa outra produção dos Estúdios Ghibli, Mimi o Sumaseba (Se ouvires com atenção), que até hoje nunca vi. O Barão e Muta foram criados como personagens de um parque temático que acabou por não ser construído e acabou por dar origem a uma manga, Neko no Danshaku, Baron (O Barão Gato, Baron). Gostando das personagens e da História, Hayao Miyazaki apoiou o projecto que daria origem a este Neko no Ongaeshi, realizado por Hiroyuki Morita. Comprei o DVD há que tempos mas na altura não tive oportunidade de o ver e acabou por ficar na estante à espera do dia de hoje.

Neko no Ongaeshi é uma deliciosa fantasia com gatos. Haru é uma rapariga banal que um dia salva a vida de um gato que lhe agradece verbal e educadamente e lhe faz uma vénia. Ao contrário do que seria de esperar, a recompensa da boa acção de Haru é um incómodo e não uma bênção. Haru tenta escapar mas é levada à força para o Reino dos Gatos e tem de escapar de lá quanto antes.

A permissa, é fascinante personagem do Barão e todo o universo fantástico deste filme são fascinantes, mas o "objectivo" de Haru de auto-descoberta é um tanto confuso. Primeiro não é posto claramente como um problema, quando Haru entra em contacto com o universo dos gatos não se tinha percebido que ela tinha algum tipo de falta de auto-estima, era apenas uma adolescente trapalhona que gosta do rapaz mais giro da turma. Quem coloca primeiro o dedo na ferida é o Barão, é a partir desta ideia, enfiada um bocado à força na história, que a auto-descoberta passa a ser o objectivo de fundo de Haru, para além da fuga do Reino dos Gatos.

Quem lê estas linhas até pensa que não gostei do filme, mas pelo contrário. Existem realmente algumas falhas de argumento, mas o filme continua sendo muito engraçado, interessante e vale a pena vê-lo. Começando pelos cenários, onde tanto a paisagem real, das ruas de uma metróple japonesa é retratada na perfeição: nas avenidas e ruelas, na sinalética, nas avenidas ladeadas de arbustos e gradeamentos com o desenho das folhas de gingko, nas pontes de peões elevadas, no buliço, etc. A repartição do gato e o Reino dos Gatos continuam algo realistas mantendo imensos elementos do nosso mundo mas alterando-os um pouco. A praça onde é a repartição podia ser uma praça numa cidade europeia, com a grande diferença que tudo é numa escala menor, à escala de um gato. No Reino dos Gatos temos maioritariamente campo com espigas e erva-gateira e poucas construções. O lado irreal é nos dado por alguns elementos, as casotas dos gatos civis, a comida, as vestes dos gatos e, claro, o Palácio Real. Apesar de Haru ser uma personagem interessante, o verdadeiro fascínio neste filme está no Barão, uma estátua de um gato elegantemente vestido que ganhou alma. O Barão é um galã romântico que deixaria qualquer uma de coração a palpitar. É pena que se destaca em demasia das outras personagens e nos dá vontade de ver mais histórias com ele. (tenho mesmo de ver Mimi o Sumaseba!). É uma aventura leve e divertida, com um pequeno toque de romantismo e amadurecimento.

Infelizmente a edição portuguesa do DVD é demasiado fraca. Como se já não bastasse apenas ter o filme, ainda por cima as legendas não se podem tirar! Eu sei que pertenço a uma minoria que percebe minimamente o japonês, mas sempre que posso gosto de ver os filmes sem a perturbação das legendas. A tradução não está má, mas é claramente feita a partir do inglês. Isso nota-se em dois aspectos, no trocadilho com o nome de Muta e na troca de sexo de Natoru. A dada altura Haru engana-se e chama Buta a Muta. Buta em japonês quer dizer porco e por isso Muta ofende-se, pensando que ela lhe está a chamar gordo. Natoru, a arauto do Rei dos Gatos foi erradamente tornada macho por causa da dobragem americana que colocou um homem a fazer a sua voz, mas ela é uma gata (como se já não bastasse a Luna de Sailormoon)! Alguns timings das legendas também estão mal feitos, aparecem antes dos diálogos certos, antecipando a mensagem.

The Cat Returns // Nausicaa.net
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