23.6.08

Comecei a ver: Ace o Nerae!

Como planeado, agora comecei a ver a primeira série anime de Ace o Nerae! (Jenny).

Já estava preparada para um anime envolvente e, mesmo estando no início, já gosto muito desta série.

A primeira coisa que me saltou à vista foi todo o grafismo. Os fundos são estilo aguarela, e tudo o que não é importante em cena é estilizado ao mínimo de linhas. É um estilo gráfico muito anos 70, e mais universal que o típico estilo anime dos anos 70. Em certos aspectos faz lembrar a ilustração europeia da época, com uma forte influência da Arte Nova ou mesmo das Ukiyo-e (gravuras japonesas). A paleta de cores é muito bem estudada, abusando dos pores-do-sol e contrastes fortes. Dentro destas premissas, os figurantes costumam ser silhuetas cinza apenas com contorno, ao longe os ténis (ou outros objectos mais pequenos) perdem os detalhes e "fundem-se" com as meias, os movimentos rápidos são resolvidos com linhas fortes que cortam a silhueta das raparigas, e o impacto das bolas é destacado com "explosões" de cor ou pinturas paradas (estilo esse da responsabilidade de Osamu Dezaki, realizador desta série e também de Versailles no Bara e Oniisama E...).

A música é muito ao estilo anime shoujo anos 70, dá-nos uma sensação agradável de nostalgia e as canções não chateiam, reforçam a motivação de Hiromi.

Por fim, a história é mais uma vez a luta incansável da protagonista, Hiromi, para ultrapassar os seus limites, contra todas as aparências. Há gente ressabiada, adversárias duras, mas vilões-vilões não existem. Mais adiante espera-se uma história de redenção e crescimento, para reforçar as qualidades de Hiromi. Este tipo de narrativa, mesmo não sendo novidade, faz muito a noção clássica da narrativa de anime, de um herói/heroína comum mas com uma força de vontade acima da média que o faz ultrapassar todos os limites possíveis, mas tudo dentro de critérios plausíveis num universo real, mesmo que a encenação seja muitas vezes exacerbadamente dramática, assim como o penteado de Ochoufujin.

エースをねらえ!

Ando a ver: Minky Momo: Yume wo Dakishimete

Apesar das aparências, há grandes diferenças entre esta série e a primeira:
A Momo, propriamente dita, tem algumas alterações no vestuário (corações em vez de estrelas, etc.) e o character design é parecido mas esquisito (falta qualquer coisa). Nas transformações é que se nota mais a diferença, principalmente no tratamento dado ao cabelo, que é mais realista e tem menos aquele ar de balão insuflável que tinha na primeira série.
Os animais de Momo são mais coloridos e, na minha opinião, mais feios.
Os pais, sejam da Terra ou do reino mágico (Marinarsa) também são parecidos mas diferentes. O rei de Marinarsa tem peixinhos em vez de flores na coroa e o cabelo da rainha parece uma onda. Na Terra, a mãe de Momo tem o cabelo mais alaranjado e reluzente, só o pai está mais parecido.

No geral o character design tem mais linhas, é menos arredondado e a paleta de cores mais limitada que na primeira série. Mas não é apenas o character design que é diferente, as histórias têm aventuras mais descabidas e menos plausíveis, e esta Momo é muito violenta! Já não é a primeira vez que a vejo a usar armas de fogo, mas o episódio do Oeste (Dodge City, ep. 23) abusa, até com uma metralhadora automática gigante ela combateu os pistoleiros... Compreendo o contexto, e não costumo ser muito sensível à violência em desenhos animados, mas nesta série, certas opções parecem-me descabidas e totalmente fora do contexto geral!

Não me lembro de a primeira série ser assim!

魔法のプリンセス ミンキーモモ -夢を抱きしめて-

20.6.08

Hakuchou no Mizuumi

As meninas da Animania Antiga relembraram-me que nunca tinha visto o filme do Lago dos Cisnes. É verdade, nos anos 90 estava disponível nos clubes de vídeo, mas o meu era tão manhoso que tinham a caixa mas não tinham a cassete ;__; Bem, agora finalmente vi o filme.

Esta produção podia ser uma adaptação de um conto de fadas da Disney em versão japonesa da Toei, com o estilo típico da Toei. O filme não é tão espectacular como os da Disney (principalmente os posteriores a este, que é de 1981) mas é competente e bem feito. Ao contrário das séries de TV, não há economia de meios nem de animação, sendo ela fluida, bem feita e com uso reduzido de ciclos ou acetatos repetidos. Os cenários são impressionantes, principalmente os interiores e a música de Tchaikovsky é omnipresente com a adição de umas adaptações dos temas para canção.

Sendo uma típica produção da Toei, temos dois esquilos que funcionam como um prolongamento do espectador, manifestando o que sentimos mas igualmente impotentes perante os acontecimentos. Quase. Claro que há alterações ao libretto original, a história é suavizada para crianças, não menosprezando uma dose de aventura. A grande diferença está nos vilões. Apesar de Rothbart ser um feiticeiro poderoso, a sua filha Odile é que maquina e coloca em acção os planos para ajudar o pai, um palerma apaixonado, a ficar com Odete e, por consequência, Odile ficar com o Príncipe Siegfried, apenas por capricho. Claro que tem um final feliz... nem precisa de ser dito.

Como curiosidade, Igarashi Yumiko, a autora de Candy Candy e Lady Georgie (Joaninha), é assistente neste filme (de quê não sei), mas sendo a produtora a mesma (de Candy) e o filme ter sido feito pouco tempo depois de Candy, parece-me aceitável.
Colocando de lado todos os preconceitos sobre um filme romântico infantil, este filme é agradável, definitivamente romântico e vê-se lindamente, sem um momento de aborrecimento.

Não existe site oficial, fica aqui o link da ANN:
Swan Lake (movie)

16.6.08

Genji Monogatari

O romance de Genji é considerado o primeiro romance da história da humanidade. Escrito no séc.XI, por uma cortesã, Murasaki Shikibu, foi um livro escrito ao longo de muito tempo em que ela conta, em estilo novela, as aventuras e desventuras amorosas do Príncipe Resplandecente Genji. Recentemente este livro foi traduzido para português (em duas edições) e eu comecei a ler a da editora Êxodus, traduzido, de quatro versões em inglês e espanhol, por Lígia Malheiro. Ainda mal comecei a ler e o livro para além de ter dois volumes é um calhamaço, portanto ver o filme apenas serve para me situar visualmente num universo cujas referências são muito poucas.

A primeira impressão é que, sendo o livro tão longo e estruturado em capítulos mais ou menos independentes, uma adaptação para um filme de cerca de hora e meia há de deixar sempre muita coisa de lado. A meu ver o mais prático seria fazer uma série, mas será que os japoneses querem ser mais uma vez bombardeados com o Genji? E será que, numa época em que séries deste tipo não têm mais que 13 ou 26 episódios, uma série de televisão aguentava mais que 40 ou 50 episódios? É pouco provável, portanto tenho de me contentar com o filme.

À partida o filme não surpreende. Para a época em que foi produzido (1987) até é muito bem feito. É visualmente correcto e rico, o character design está algures entre as ilustrações antigas, o Ukiyo-e e o grafismo mais clássico do anime, a paleta de cores é elegante e adequada à época, portanto satisfaz naquilo que eu buscava, uma referência visual. O ritmo, como também seria de esperar, é lento. A animação é também fluida, com boa qualidade e alguns efeitos interessantes. A música é um excercício interessante de música electrónica com muitos sons tradicionais, ou vice-versa. Não é impressionante mas sublinha bem o filme.

A história já não entusiasma... Como ainda não posso comparar com o livro, apenas dá para perceber que 'tentaram enfiar o Rossio na R. da Betesga' e não conseguiram. A história dá grandes saltos temporais (alguns também existem no livro, mas não tão espaçados), não existem grandes picos emocionais, é apenas uma sucessão dos episódios mais importantes na vida de Genji, antes de partir para o exílio. Até parece que assumem, da parte do espectador, um conhecimento prévio da obra. O delírio final, à la 2001: Odisseia no Espaço é que não vem nada a propósito. Há uma mudança radical de estilo tanto da narrativa (que adquire um lado mais fantasmagórico) como visual, onde tudo deixa de fazer sentido. Como muitas adaptações do género, tentaram deixar as coisas em aberto, mas a solução não foi nada feliz.

Ver este filme esclareceu alguns aspectos da cultura japonesa que muitas vezes transparecem no anime, em concreto Oniisama E... que acabei de ver recentemente. Em Oniisama E... muitas das alunas mais veneradas são chamadas com o sufixo -no kimi, era o modo como as pessoas se tratavam na época de Genji em vez do -sama, -san, etc. dos dias de hoje. O que me leva a outra imagem de Oniisama E... em que Nanako muitas vezes visualiza Kaoru-no kimi como o Príncipe Genji. As minhas afirmações do gosto das japonesas por homens belos e refinados são aqui todas confirmadas, o Príncipe ideal para as japonesas é o Hikaru no Ouji Genji, ou seja o Príncipe Resplandecente Genji, cujas actividades principais eram embelezar-se e conquistar mulheres. Depois há as sakura, as momiji, as hina, etc. etc. etc.

Não existe um site oficial, mas deixo aqui alguns links que encontrei sobre o filme e o livro:
Murasaki Shikibu Genji Monogatari (ANN)
紫式部 源氏物語
Murasaki Shikibu: Japan's First Novelist
The Picture Scroll of the Tale of Genji

9.6.08

Terminei de ver: Oniisama E...

Tudo me levava a crer que este anime era dos anos 80: o estilo de grafismo, o tipo de animação, o character design, as roupas, o modo como as personagens são compostas e a história se desenrola, mas afinal não, é de 1991! Foi um CD que me fez duvidar ;)

Aparentemente eu tinha razão no meu post anterior, Oniisama E... não é um anime de lésbicas. São simplesmente toneladas de egoísmo, meninas mimadas e falta de maturidade.

Este anime pode ser dividido em três partes: a primeira onde se apresentam as personagens e onde se mostra toda a teia de intriga existente no colégio de Seiran. A segunda onde as mesmas intrigas são instigadas até chegarem a um ponto que despoleta uma injustiça, que leva a uma revolução interna. Uma tragédia, que atinge as personagens principais deste anime, traz uma reviravolta gigantesca que muda radicalmente o rumo da história. Na terceira parte as personagens amadurecem, resolvem as paixões imaturas, que as levavam a actos de loucura, e todo o tom de melodrama exagerado é moderado para Oniisama E... se tornar num anime de drama mais plausível ou realista.

No fim das contas este é mais um anime onde temos uma clássica história de amadurecimento e redenção à japonesa, tal como nos anime mais antigos. Nada mais.

Mesmo assim é um anime digno de ver e uma grande referência. É muito intenso, principalmente a partir da 2ª parte, e lida com aspectos emocionais e sociais muito importantes, em particular na sociedade japonesa. E, bem! Que raparigas mais cruéis tem este anime! Felizmente todas elas crescem e percebem que há coisas mais interessantes que andar a fazer a vida negra aos outros!

[spoiler - seleccionar o texto para conseguir ler]
O irmão de Nanako, Henmi Takeshi, é filho do pai dela, que ele abandonou, mais a mãe para se casar com a mãe de Nanako. Mas Nanako não é filha verdadeira do Prof. Misonoo, foi adoptada por ele quando se casou com a sua mãe (tinha Nanako cerca de 5 anos) mas ela acaba por considerar Henmi como seu irmão verdadeiro ao saber de toda a verdade.
[fim de spoiler]

PS - A Nanako do final até fica mais bonita!

Oniisama E... (ANN)

5.6.08

Ando a ver: Oniisama E...

Definitivamente há raparigas apaixonadas por raparigas neste anime! Mas é tudo muito contido, num ambiente exacerbadamente feminino, onde o convívio com rapazes (ou homens) é visto com maus olhos. Não consigo olhar para este anime como uma manifestação homoerótica no feminino, mas sim um despertar da sexualidade e amadurecimento das personagens em que as relações, de amizade ou amorosas, entre o mesmo sexo são aceites como parte integrante deste microcosmos, enquanto que relações entre o sexo oposto são alvo de escândalo e mexerico. O engraçado nisto tudo é que as duas ingénuas apaixonadas, a protagonista Nanako e a nova e franca amiga Mariko, se interessam pelas duas raparigas mais másculas ou maria-rapaz do microcosmos do Colégio Seiran, Saint-Juste e Kaoru-no-Kimi.

Não há dúvida que se trata de uma perspectiva estranha numa visão ocidental e heterosexual da sexualidade, mas também me parece que toda esta simbologia e intensidade de relações fazem parte de um universo exclusivamente feminino, para ser usufruido em privado. Esta história também vai buscar muito a um gosto antigo das japonesas por homens andróginos e/ou efeminados que personificam um ideal romântico. A dada altura Mariko refere-se aos homens como sujos e brutos, numa clara recusa dos homens másculos e guerreiros, que dificilmente partilham este universo tão feminino.

Não sou de todo especialista em sociologia ou mesmo antropologia, mas este é um anime que dá muito para pensar em relação ao modo como os japoneses, mais concretamente as mulheres japonesas, vivem a sexualidade e o seu papel em relações românticas idealistas. Não será por acaso que a companhia exclusivamente feminina Takarazuka Revue (que encena dramas musicais românticos) tem uma gigantesca popularidade entre as mulheres e as otokoyaku (actrizes que fazem os papeis masculinos) têm legiões de fãs, como se de um Brad Pitt ou Johnny Depp se tratassem. Não há dúvida que é um universo fechado, exclusivamente nipónico, que teve a sua época áurea entre os anos 60 e 80, época essa em que a manga e anime de Oniisama He... foram produzidos.

Ao ver esta série também encontro claríssimas influências no anime mais recente, Utena, assumidamente inspirado na mais famosa manga da mesma autora desta, Ikeda Riyoko. Ao contrário de Versailles no Bara, aqui as influências não são tanto visuais mas mais do ambiente, das hierarquias, das personagens e suas relações.

Mach GoGoGo

Acabei de ver mesmo agora uma reportagem da estreia do filme Speed Racer e fiquei chocada! Deu-me mais razões ainda para não querer ver.

Speed Racer, ou Mach GoGoGo no original, é uma simples série anime de desporto, que passou no Canal Panda há alguns anos. Como foi produzida nos anos 60, e por consequência é uma das primeiras séries anime dos estúdios Tatsunoko, que marcou o seu estilo muito particular, faz algum sentido que as corridas de Grand-Prix onde o Mach 5 participa sejam algo mais que simples corridas de carros.

Este anime partilha um espírito muito anos 60 em que este tipo de corridas, Monte Carlo e Steve McQueen estavam na moda e vai beber a todas estas inspirações, com aquele visual streamlined, graficamente muito limpinho da época.

Infelizmente a série foi muito (demasiado) remisturada nos Estados Unidos, onde foi um sucesso retumbante, que lhe tirou parte da pureza e frescura originais. Talvez por isso me tenha assustado tanto o excesso de 3D e efeitos digitais (de qualidade questionável, topava-se sempre que o Mach 5 era em 3D) nas imagens que vi do filme que, na intenção, a la Dick Tracy, de lhe conferir um visual colorido de desenho animado, estragou. O cabelo à Pin-y-Pon de Speed (Go Mifune no original) também não ajuda.

Há coisas (e séries anime) que devem ser deixadas sossegadinhas no lugar onde sempre estiveram, principalmente se continuam populares há mais de 30 anos!

マッハGoGoGo

3.6.08

Minky Momo: Yume wo Dakishimete

Quase tive um ataque quando percebi que o Canal Panda estava a dar este anime. Pensava que era a mesma série que tinha dado cá, na falecida Europa Television, no final dos anos 80, sob o título de Gigi, mas afinal é a segunda série, já produzida em 91 (a primeira é de 1982-83).

Mesmo assim é sem dúvida um anime que quero seguir! Já andava com saudades de um mahou shoujo à séria!

Como em quase todos os mahou shoujos a permissa é simples: Minky Momo vem de um reino mágico, o Reino dos Sonhos, para a Terra, viver como uma rapariga normal para salvar os sonhos dos humanos. A característica que a distingue dos outros é que Momo se pode transformar, graças, claro, a uma varinha mágica em adulta com as mais variadas profissões ou capacidades. Não é um anime muito profundo ou intrincado, mas é simpático e divertido de ver.

Gostava também de rever a série original, principalmente nas condições desta, com o genérico integralmente em japonês e os nomes das personagens mantidos. Pedir que não seja dobrado é demais para o Canal Panda, mas neste caso é uma pena pois nesta segunda série a voz de Momo não é mais que a famosérrima Megumi Hayashibara (Rei em Evangelion, Faye em Cowboy Bebop), num dos seus primeiros papéis de renome.

魔法のプリンセス ミンキーモモ -夢を抱きしめて-

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:30, 20:40
sáb.: 13:00
dom.: 13:10, 20:40

1.6.08

Comecei a ver: Oniisama E...

Por ser de Ikeda Riyoko, a autora de Versailles no Bara, este anime despertou-me a curiosidade.

Oniisama E... (Querido irmão...) circula no universo de um colégio ao estilo ocidental, melhor, no que os japoneses nos anos 70 achavam que era um colégio ao estilo ocidental, feminino. A protagonista, Misonoo Nanako, uma rapariga simples, ingénua e sensível, e na ilusão de que entrou para o colégio dos seus sonhos, é arrebatada para um universo cheio de intrigas, rivalidades, poder e mistério. Como estes elementos, aliados a um outro mistério na sua família, temos os ingredientes certos para muito (melo)drama ao melhor estilo japonês. Sim, porque apesar de a "paisagem" ser ocidentalizada, a nível de relações e emoções este anime não podia ser mais japonês!

A nível técnico, dentro da época que foi criado, é um anime excepcional, sem bem que um pouco coxo para os dias de hoje. O trabalho de arte e desenho de personagens é muitíssimo elaborado, a paleta de cores escura e contrastada, mas a animação abusa um pouco dos quadros parados ou repetições em situações de tensão, conflito ou êxtase. A música é como os vestidos delas: romântica, com imenso piano e os vestidos com muitos laços, flores e folhos.

Este anime é conhecido pelas conotações lésbicas entre as diversas raparigas. Ainda vou no início, já deu para perceber que algo de estranho se passa principalmente com as duas raparigas mais masculinas, Saint Juste e Kaoru no Kimi. Mesmo assim, como normalmente este tipo de relações em manga e anime shoujo costumam apenas ser implícitas ou platónicas, vou esperar para ver mais para depois me pronunciar.

Ah! Não falei do irmão do título (oniisama). Esse irmão, é um rapaz mais velho a quem Nanako pediu para escrever como se fosse seu irmão mais velho e pensa que não o é, mas é quase irmão dela, mas não é. Confuso? É mesmo para ser (por enquanto).

28.5.08

Monstra 2008


Atama Yama (Mount Head) - Kôji Yamamura

Recentemente, durante o Festival de Cinema de Animação, Monstra, em colaboração com o novíssimo Museu do Oriente, os Lisboetas (eu incluída) tiveram uma oportunidade rara de ver animação japonesa de autor. Houve quatro tipos de sessões, abrangendo várias gerações de animadores, a primeira dedicada ao Mestre Osamu Tezuka, mostrando pequenos filmes mais experimentais do mesmo, uma segunda de filmes de Renzo Kinoshita, uma terceira dedicada ao Oriente visto pelo Ocidente e a quarta e última com os filmes de Kôji Yamamura.

Osamu Tezuka
Dos títulos que passaram, Lenda da Floresta, A Sereia, Pingo, Contos do Fim da Rua e Salto, já conhecia os dois últimos, sendo o meu preferido o brilhante Salto (Jumping). Esta pequeníssima amostra, fez-nos perceber o quão prolífico e ecléctico era Osamu Tezuka e deixou para trás a vontade de ver mais, muito mais.

Renzo Kinoshita
De Renzo Kinoshita passaram Made In Japan, Japonês, Picadon e Último Raid em Kumagaya. Esta sessão foi uma espécie de déjà-vu, pois já tinha visto todos os filmes e alguns (Picadon) mais que uma vez, talvez nos Nippon Koma. Kinoshita, cuja carreira se concentra mais nos anos 70, tem um estilo um pouco datado, mas que nos transporta no tempo, para um Japão que tende a desaparecer. Por outro lado, os seus filmes são sentidos testemunhos das bombas atómicas, pedem-nos para não esquecer a catástrofe que causaram. Destaco Made In Japan.

O Oriente visto pelo Ocidente
Passaram vários filmes de várias origens e a inspiração oriental não era apenas nipónica. De entre todos os títulos destaco em particular Screenplay, de Barry Purves, que repega na animação de marionetes (técnica desenvolvida originalmente na Checoslováquia, adoptada pelo realizador japonês Kihachiro Kawamoto, cuja estética de certo inspirou este filme), adaptando uma estética tradicional japonesa e do teatro de Kabuki e nos oferece um filme tecnicamente arrojado, muito bonito e muito japonês.

Kôji Yamamura
Até esta sessão só tinha visto o filme acima: Atama Yama (Mount Head). Depois de ver mais, Aquatic, Perspektivenbox, The Old Crocodile, Fig, A House, Kid's Castle, Pieces e A Child's Metaphysics, fiquei fã deste realizador muito criativo, que alia técnicas muito variadas (pintura no vidro, plasticina, tinta sobre papel) a aspectos da cultura popular japonesa, tais como o teatro Kyogen ou as antigas formas de narração japonesas. Como brinde a Monstra ainda nos proporcionou uma masterclass com o realizador, onde ele explicou a sua metodologia de trabalho e uma exposição com originais do seu último filme, em competição no festival, Franz Kafka's A Country Doctor.

23.5.08

Terminei de ver: xxxHOLiC

A estreia da nova série de xxxHOLiC, xxxHOLiC ◆ Kei, fez com que retomasse esta série que apenas ficou pendurada por falta de disponibilidade para ver tanto anime.

Comparando com a manga, que entretanto estou a ler, esta série faz muitas alterações, com alguma falta de lógica. A primeira grande alteração, e talvez a única justificada, é a liagação com a outra história das CLAMP, que se desenvolve em paralelo, Tsubasa-RESERVoir CHRoNiCLE-. Mas como não gostei de Tsubasa, não me faz diferença. De qualquer modo, esta ausência deve-se essencialmente ao facto de as duas séries serem produzidas por estúdios diferentes e emitidas em canais diferentes de televisão: Bee Train e NHK para Tsubasa e Production I.G. e TBS para xxxHOLiC. Outra alteração grande é a ordem das histórias, que não tendo grande força na narrativa principal, não faz mossa, mas que em certos casos, onde se justifica por falta de coincidência de calendário, obriga a mudanças na história, como foi o caso dos episódios do Dia de S. Valentim e White Day. Por outro lado houve episódios onde se acrescentou perfeito disparate gratuito de anime, talvez apenas para encher... Tenho bastante pena dessas alterações pois assim perderam-se alguns detalhes bem divertidos da manga. A última grande alteração, nem sempre consensual entre os fãs, foi a cor do cabelo de Ame Warashi, a espírito da chuva, azul claro na manga, vermelho fogo no anime. Apesar de eu gostar mais do vermelho, não encontro nenhuma razão para essa mudança.

De resto é um anime bem interessante, com um aspecto de comédia fantástica, gótica e esotérica, escondento por trás sentimentos e noções filosóficas bem sérios interessantes. Muitos desses conceitos de destino e etc. já vêm de trás na obra das CLAMP, directamente inspirados pelo Budismo e Xintoísmo, e não são, de forma alguma gratuitos.

O guarda-roupa de Yuuko continua fabulosamente exótico, se bem que aquém das ilustrações da manga. Com o tempo até passei a achar graça à canção do genérico inicial, 19 Sai, mas a primeira canção do genérico final, Reason, nunca me convenceu. Por outro lado a segunda canção do genérico final, Kagerou, interpretada pelo grupo(?) BUCK-TICK, fez me lembrar, juntamente com a animação de Maru, Moro e Mokona, a maneira de cantar do brasileiro Sidney Magal.

Há alguma coisa no final da série que me fez confusão: o penúltimo episódio termina como se fosse o fim da série, dando a ideia de que Yuuko vai continuar a atender quem precisar dela e depois há um último episódio, encarado como um especial, em que conta uma história bem pessoal de Watanuki. Não vejo porque não foi integrado no meio do resto da série, apesar de nos dar alguns elementos do passado de Watanuki, elementos que já andavam implícitos no resto dos episódios.

xxxHOLiC - TBS Animation

12.5.08

Zona Animax - 2ª leva


Já vem com algum atraso mas não queria deixar de opinar a 2ª leva da Zona Animax no AXN.

InuYasha
Continuo a gostar bastante, se bem que a história evolui um bocado devagar (é para fazer render o peixe). Mesmo assim é um bom exemplo de história de Rumiko Takahashi que alia de forma bastante equilibrada a acção, o romance e a comédia, não é é tão boa como algumas das anteriores.

Corrector Yui
Este anime parece-me um spin-off do clássico mahou shoujo, mas a Yui é tão parvinha e barulhenta que não consigo deixar de achar esta série irritante. Lá pelo meio vão se encontrando referências a outras séries ou filmes, inclusive tem (no episódio 5 ou 6) uma cena directamente inspirada na minha cena favorita de Totoro.

Ueki no Housoku [The Law of Ueki]
A primeira coisa irritante deste anime aborrecido é o mau português na tradução do título: A Lei do Ueki. Se Ueki é uma pessoa, deveria ser A Lei de Ueki... Adiante, este é um anime aborrecido, cuja permissa, um rapaz indiferente é arrastado para uma competição sobrenatural, parece vagamente interessante mas torna-se rapidamente repetitiva e chata. Nem a sua eléctrica amiga anima as coisas... deixei de ver.

Detective Conan
Para um anime com tanto sucesso no Japão, fiquei um pouco desapontada. Primeiro, para um anime desta duração (mais de 500 episódios) sente-se imensa falta de uma explicação conclusiva, para além da introdução no genérico, do que raio afinal se passou com Conan/Kudo. Depois os episódios, em forma de casos policiais, deixam muito aquém a intriga e não usam estratagemas clássicos da narrativa de suspanse as vezes que seriam de desejar. Para um anime que tem claramente inspiração directa nos livros de Agatha Christie, parece-me pouco criativo, ficando a curiosidade de compreender o mistério principal que envolve Conan. Mas como esta série é looonga, ainda há esperança.
Ah, a péssima tradução do espanhol faz com que hajam frases que não fazem sentido num anime que depende do texto e que os nomes japoneses sejam escritos numa grafia, no mínimo, esquisita e que não tem nada a ver com o português ou com a convenção adoptada internacionalmente para a escrita dos mesmos. Acho que o truque é ler os Y como J e os J como H, confuso não é?

Lupin III
Claramente a minha série preferida desta leva! Apesar da animação um pouco antiquada e menos fluída, é uma série que tem personagens divertidas e cativantes, histórias cheias de acção e uma banda-sonora excelente! É daquelas séries que não sei de qual personagem gostar mais: se do cool Lupin, se do pragmático Jigen, da aldrabona Fujiko, do eficiente Goemon ou do trapalhão Zenigata. São todos fantásticos e todos constroem excelentes episódios. E depois cada estratagema mais rocambolesco de Lupin para levar a bom porto os seus roubos ou salvamentos, são de partir o coco a rir! Saio daqui a cantar...
♪Lupin the Thiird, Lupin the Thiiird, Lupin, Lupin Lupin...♪

Kochikame, a louca academia de polícia
Já tinha visto alguns episódios desta série no Canal Panda, mas agora estou a divertir-me bastante a vê-la de fio a pavio no AXN. Este é um típico anime de comédia, bastante inocente mas por vezes atrevido, que conta as desventuras de um polícia demasiado calão para o ser. Claro que vendo isto do ponto de vista da polícia japonesa, que serve mais para dar informação aos transeuntes ou ajudar a comunidade, já nos parece um pouquinho mais plausível. Mesmo assim os exageros de Ryo são demais e proporcionam uns bons 25 minutos de anime. É uma série estruturada sem uma continuidade forte, mas com divertidas e loucas histórias por episódio.

AXN
sábado e domingo, a partir das 12:45h
e a partir das 6:45 (repetição)

Zona Animax

10.5.08

Witch Hunter ROBIN

Levada pelo meu gosto pelo fantástico, resolvi ver Witch Hunter ROBIN, um anime já um tanto datado. Infelizmente é mais uma daquelas séries que impressionam pela originalidade e aparência mais séria ou adulta, mas que acabam por desiludir por não oferecerem, afinal, nada de novo.

Robin Sena é uma rapariga de 15 anos que, apesar de ter nascido no Japão, viveu em Itália, num convento, até ao início da série. Ela regressa ao Japão para integrar uma equipa de caçadores de Witches. Não vou utilizar a tradução, bruxa ou feiticeira, porque para além de estas(es) Witches não corresponderem à definição literal da palavra, tanto podem ser homens ou mulheres para o que a palavra em inglês (utilizada no original) é mais prática, não tendo género. Na equipa temos um pouco de tudo: o geek de computadores (sem poderes), a mulher maternal, a rapariga fútil, o rapaz imaturo e o líder carismático e também sorumbático. De todos só mesmo Robin e Amon (o líder) são mais góticos no visual, parecendo que Robin está sempre com as roupas de alguém maior que ela... Mas Robin tem uma Vespa e por isso já gosto dela!

Esta equipa usa os seus próprios poderes para caçar Witches rebeldes, sem os matar. Robin usa o fogo e tem uma certa dificuldade em adaptar-se às regras desta equipa e da sociedade japonesa em geral. As histórias são independentes com uma ténue linha condutora através dos episódios que nos vai dando pormenores da vida de Robin e das personalidades dos outros elementos. A meio a narrativa concentra-se mais em Robin e o seu passado misterioso, passando a caçadora a ser a caça.

A acção passa-se na actualidade, mostrando por vezes lados socialmente menos aceitáveis, tais como os sem-abrigo ou outras realidades invulgares nos anime. Portanto quase todos os cenários são paisagens realistas de Tóquio, mas sem referências marcantes excepto o ocasional plano da Tokyo Tower ou das torres do Município. A excepção é o edifício da organização (STN) que faz em quase tudo lembrar o edifício do Blade Runner e o escritório, mais concretamente, parece o escritório da série de TV Earth: Final Conflict. Ah! E gosto da maneira como os japoneses dizem Robin (com ênfase no in), é giro!

Queria ver, já vi, está visto. É um anime um bocado chato de ver, pois arrasta-se e não deixa recordações memoráveis...

Witch Hubter ROBIN [JP]

25.4.08

Doraemon, Embaixador do Anime


O Ex.mo Sr. Embaixador Doraemon e o seu assessor Nobita.

É um senhor cargo esse a que foi nomeado Doraemon!

Ainda não tinha mencionado esta importante notícia para o mundo do anime e dos seus fãs. Acho a escolha de Doraemon muito acertada pois é extremamente popular e bem conhecido também no ocidente, não sendo demasiado infantil para irritar e por pertencer a uma série que nos mostra bastante o dia-a-dia japonês.

Durante muitas décadas o anime foi produzido apenas para consumo interno no Japão, havendo pouco interesse das entidades na sua exportação, uma vez que os lucros proveninetes da mesma eram pouco significativos em comparação aos do próprio país. Mas nos anos 90 isso foi mudando e é refrescante perceber que as autoridades japonesas já não consideram apenas como produto cultural as artes tradicionais que, por mais interessantes que sejam (e são!), por vezes cheiram a mofo...

Parabéns Doraemon! E o mesmo será dizê-lo, parabéns ao anime e a quem o faz!

11.4.08

Canal Animax


Só mesmo nesta terra... fiquei a saber do novo Canal Animax há bocado pelo jornal do Metro e como se isso não bastasse a pouquíssima informação que consegui recolher na net só me deu alguns títulos e não percebi rigorosamente nada de como a programação ser vai processar.

A verdade é que, quando a Zona Animax estreou no canal AXN já se falava num canal Animax da Península Ibérica e é isso que começa amanhã (dia 12/04). De resto o site oficial http://www.animax.pt/ ainda está inactivo, até agora, e pelo que percebi, o canal apenas vai estar disponível para quem tem o MEO com o pacote adicional de Entretenimento (onde o canal Animax está classificado como infantil, HAHAHAHAHA!) e que, entre outras, vai passar as séries NANA, Detective Conan, Le Chevalier D'Éon, Lupin III, Chobits, Love Hina e os filmes Ghost In the Shell, Appleseed e Kai Doh Maru.

Vamos lá ver se a disponibilidade do canal será um pouquinho mais democrática...
12.04.2008
Voltei ao site oficial e já está a funcionar. Lá, para além da programação e informação sobre as séries ainda diz que o canal também está disponível no Clix Smart TV, para além do MEO.
Animax

Ando a ver: Witch Hunter ROBIN

Só ia fazer um post sobre esta série (nesse post vai se perceber porquê) mas não resisti a este misto de engrish e de marca alternativa em anime. É mais uma prova de que os japoneses muitas vezes usam o inglês de forma muito "criativa"... esta é muito boa!

2.4.08

Comecei a ver: Chi's Sweet Home

Para quem gosta de gatos como eu, este Chi's Sweet Home é para ver e tão kawaii, tão kawaii quanto há memória!!!

São curtíssimos episódios que contam a história de um gatinho, Chi, sob o seu ponto de vista, desde que se perde da mãe. De-li-ci-o-so!

チーズスイートホーム

30.3.08

Terminei de ver: Cutie Honey THE LIVE

Mais uma versão de Cutie Honey e ainda me faltam algumas... Definitivamente sou fã assumida de qualquer versão deste título e o que tem sido feito ultimamente mantém vivo o espírito leve e divertido, mas cheio de acção e efeitos especiais do original e das adaptações anteriores.

Cutie Honey THE LIVE começou um bocado perra e talvez parvinha demais até para uma Cutie Honey. Com um público-alvo claramente mais novo que a maioria das adaptações e a querer apelar a um público feminino (com a excepção de Cutey Honey F), esta série é mais suave que, por exemplo o filme, a anterior adaptação com pessoas reais. Tendo em conta o meio televisivo a que também foi destinada, a quantidade e qualidade dos efeitos é inferior, mas bem resolvida dentro da narrativa, mantendo-se simples, coerente e sem grandes ideias acima das suas capacidades. Digamos que este é um formato mais pragmático, onde a grande motivação das protagonistas (Honey, Miki e Yuki) é a amizade e o amor, com uma pitada de conquista megalómana do mundo, que, claro, prevalecem!

No geral a impressão é boa, esta série deixou-me semana a semana expectante acerca do que iria acontecer e, apesar de não ter uma história brilhante e de também não ter sido a melhor adaptação da manga que já vi, convence e diverte.

キューティーハニー THE LIVE

23.3.08

Terminei de ver: NANA

Ok, finalmente acabei NANA, demorei tanto que já chateava! (há mais séries...)

Houve vários motivos para a demora, mas um deles é que o meu entusiasmo acerca desta série começou a esmorecer à medida que a ia vendo. É uma série muito bem feita, muito bem animada, com gráficos de primeira qualidade, excelentes e variados genéricos, bem estruturada e com uma boa história mas que lhe falta "aquilo" para ser uma excelente série.

Não sei se foi ser um soap, se foi não sentir verdadeira evolução na história ou personagens, ou até as coisas ficarem mais ou menos em aberto (eu até costumo gostar disso) mas NANA não me convenceu e até desiludiu por comparação às duas outras histórias que já conheço de Ai Yazawa, Gokinjo Monogatari e Paradise Kiss. Acho que talvez seja demasiado realista para me agarrar ao écran. Confesso que 3(!) episódios de resumo também chateiam, um já é muito, três são demais!

No fim foi deixada uma vaga promessa de uma continuação, promessa essa que parece não vir a ser cumprida em anime, apenas na manga. Felizmente vimo-nos livres da Suzue Nana... não percebo o que é que lhes deu para inventarem tal coisa!

NANA ーナナー

16.3.08

Magic Knight Rayearth: Openings e Endings

Estão aqui os vídeos dos genéricos de início (OP) e fim (ED) originais de Rayearth como tira-teimas da minha embirração com as versões americanas dos anime. Bem mais decentes!!


OP1: Yuzurenai Negai
OP2: Kirai ni Narenai
OP3: Hikari to Kage wo Dakishimeta Mama

ED1: Asue no Yuuki
ED2: Lullaby ~Yasashiku Dakasete~
ED3: Itsuka Kagayaku

魔法騎士レイアース
Magic Knight Rayearth TMS

Cyborg009

Se não fosse ter dois gatos chatos, que me acordam de madrugada para lhes dar comida, NUNCA tinha dado por este anime por causa do título que lhe foi dado pela SIC: Cyborg. Sem o 009 tomei-a por mais uma daquelas séries de animação americanas ou europeias para exportar como americanas de encher. Aliás resta perceber porque deixaram cair o 009... Neste caso não me parece que seja por dificuldades em traduzir.

Cyborg009 é uma das séries anime mais antigas, mas a que está neste momento a passar na SIC é um remake de 2002. A primeira é de 1968 que teve uma segunda série em 1979-80 e uma série de filmes. Com tanta proliferação e o actual remake posso apenas pensar que, para além de ser um clássico, esta série foi muito popular.

É também uma daquelas séries anime vintage que há muito gostava de ver. Claro que preferia ver também a original, mas para já contento-me com o remake, que tem muito bom ar e já serve para apanhar a história. Isto também se a conseguir ver, pois cada vez mais me acontece não conseguir ver as séries na TV porque se prolongam muito e porque dão em horários em que ou se sobrepõem com outros programas ou que apenas não dão jeito (como é o caso, brrr de madrugada).

Este anime é ficção-científica pura, como já pouco se vê, com um traço no character design em tudo semelhante ao de Osamu Tezuka, talvez pela sua contemporaneidade. Sei pouquinho da história, OK sei que existem 9 cyborgs, que todos eles têm características e poderes diferentes, que o 009 é o herói e que um deles é uma rapariga. Os resto vou apreciar a partir de agora mas estou bem entusiasmada!

SIC
sáb. e dom. cerca das 6:30

サイボーグ009 (1968) [JP]
:: Cyborg009 Official site :: [JP/EN]

2.3.08

Escaflowne

Tenkuu no Escaflowne é um anime bom demais para passar no Canal Panda. Digo isto pois já passou, e felizmente, na primeira fornada de anime da SIC-Radical, no original com legendas em português, mas agora começou a passar no Panda dobrado em espanhol. Normalmente até acho as dobragens em espanhol aceitáveis (bons actores de voz, semelhantes aos originais, traduções sérias, etc.), mas a de Escaflowne custa-me a engolir. Há qualquer coisa neste anime de qualidade superior, com character design de Nobuteru Yuki e banda-sonora de Yoko Kanno, que impede que eu consiga gostar dele dobrado, seja em que língua for, só aceito originais!

Mesmo assim, para quem perdeu, vale a pena tentar seguir esta série agora.

Escaflowne foi daquelas séries que já estava farta de conhecer através de diversos meios antes de a ver, mas que não me despertava muita curiosidade. Ao vê-la (nessa primeira leva da SIC-Radical) para além de me ter viciado, fiquei agradavelmente surpresa com a qualidade não só da produção e da produção artística, mas também da história. Apenas uma embirração ficou: os narizes arrebitados de Nobuteru Yuki e o ar demasiado andrógino das raparigas.

A banda-sonora, para além de ser da minha compositora japonesa favorita, Yoko Kanno, ainda por cima pertence ao seu periodo áureo, em que ainda não se auto-plagiava e cada banda-sonora sua era uma obra única e arrebatadora na originalidade e força das melodias. Ainda por cima inclui uma das minhas canções preferidas dela, Yakusoku wa iranai, melodia que me ajuda a tirar da cabeça aquelas canções embirrantes que insistem em permanecer por vezes na memória. O forte de Yoko Kanno é a música com ambiências mais místicas e sobrenaturais (exceptuando todas as bandas-sonoras de Cowboy Bebop, que são sublimes) e Escaflowne é um excelente exemplo da utilização de canto gregoriano e influências da Europa medieval, que também se sentem na arte gráfica do anime.

天空のエスカフローネ

10.2.08

Ando a re-ver: Evangelion


Zankokuna tenshi no these - A tese do anjo cruel
Opening de Neon Genesis Evangelion

É mesmo com imenso prazer que oiço de novo com regularidade a canção acima, especialmente numa TV portuguesa e ainda por cima no original sem dobragens!

Evangelion (diz-se evanguelion) é definitivamente uma série marcante e já um clássico do anime. Rever esta série passados tantos anos, de novo na SIC-Radical, dá para perceber com clareza a sua importância: é uma série tecnicamente e artisticamente muito bem feita e equilibrada, com sequências que continuam a surpreender. A sua montagem não é linear e básica, usa muitos saltos no tempo e elipses que, eventualmente, resurgirão mais tarde sob um novo ponto de vista. Esta é uma técnica utilizada em maior ou menor escala ao longo de toda a série, mas o mais frequente é não vermos directamente as derrotas dos Eva's mas as suas consequências.

O argumento desta série é talvez um dos mais densos e bem escritos, com uma pesquisa de fundo tão bem feita que até pessoas que vivem num país católico (se bem que também tem muitas ideias anglicanas ao longo da série) têm uma certa dificuldade em acompanhar a temática dos anjos/apóstolos, do génesis e não só. Desperta a curiosidade de uma agnóstica ignorante como eu acerca de toda a "teoria da conspiração" por trás das religiões cristãs. Para além disso a abordagem pela psicologia, que deriva em personagens muito bem construídas, dá-lhe uma base extremamente sólida e que faz com que o público se identifique com intensidade.

A banda-sonora não abusa das canções pop-pastilha-elástica japonesas, o que a torna intemporal, apresentando-nos alguns exemplos memoráveis, tal como as músicas do genérico. As inúmeras versões de Fly Me to the Moon, originalmente cantada por Frank Sinatra, marcam talvez uma das primeiras vezes na introdução de música ocidental no genérico de um anime, e até há algumas versões bem engraçadas, mas confesso-me fã desta canção, muito antes da era Evangelion.

O character design não é dos mais originais ou rebuscados, mas é perfeito para o tipo de série que se trata, sem recorrer a cores de cabelo demasiado extravagentes (eu sei que a Rei tem cabelo azul, mas ela é albina e é apenas uma variante mais gráfica para cabelo branco, o mesmo se passa com Kaworu) ou um guarda-roupa exótico e pouco funcional. A extravagância é deixada para os mechas, mais em concreto para os Eva e Anjos, onde encontramos de tudo um pouco: desde Anjos em forma de vírus até formas geométricas simples.

Evangelion é uma série a rever, ou começar a ver para quem não a viu da primeira vez, foi um ponto de viragem na história do anime, que nunca mais foram os mesmos. É lógico que sou fã, se bem que não se trata da minha série favorita, tem a minha personagem favorita, a doida, extrovertida e ao mesmo tempo inteligente e responsável Misato, isto é: EU! ;)

EVANGELION.CO.JP

4.2.08

Não há bela sem senão...

Surpresa das surpresas! Apesar de ser num canal de cabo, o Hollywood, o filme Cowboy Bebop: Knockin' on Heaven's Door está a passar numa TV em Portugal!

Mas... sim, MAS... está com a dobragem americana, chamam à Ed Edward (que raramente acontece na versão original) e ainda por cima puseram a Faye a dizer he, em vez de she, referindo-se a Ed. Ela é uma RAPARIGA! E a Faye sabe-o.

Ah! E no início, legendas em português... népias! Mas depois lá apareceram.

É sempre uma boa notícia ter um filme de anime tão fabuloso a passar nas nossas TVs, mas por esta altura do campeonato, em que temos o AXN a passar anime, a SIC-Radical e até por vezes os canais públicos, no original legendado em português, já não se justifica passarem logo Cowboy Bebop nestas condições.

カウボーイビバップ 天国の扉
Cowboy Bebop - The Movie

31.1.08

Ando a ver: Cutie Honey THE LIVE

Como fã que sou de Cutie Honey, pareceu-me lógico começar a ver este tokusatsu. Ao princípio não me entusiasmou muito, sentia a falta do exagero colorido, acelerado e naïf do filme e de Re: Cutie Honey, para não falar de Eriko Sato, que é, sem dúvida, perfeita para o papel. Os fatos de Cutie Honey e o novo logotipo também são um bocado mais angulosos e menos kawaii, o que também não ajudou.

Mas como cada episódio acaba num bom cliff hanger e, sendo cada um de apenas 25 minutos, onde a historia se densenvolve aos poucos, a sementinha da curiosidade ficou lá e continuei a ver. Mesmo assim continuo claramente a preferir o filme.

A série para TV é um bocadinho sóbria demais para a personagem, mas a personalidade parvinha mas querida de Honey, a introdução das duas sisters, Miki e Yuki, a primeira soturna, solitária e misteriosa e a segunda podre de rica e psicopata, ajudam muito à série e a desvendar o mistério desta versão de Honey. Uma Cutie Honey mais integrada no dia-a-dia parece ser o estilo desta série, uma versão mais "normal", mais dentro do staus quo clássico. Seiji continua a ser um detective um tanto trapalhão, Natsuko a melhor amiga de Honey, agora de novo colega de escola, o Prof. Kisaragi continua a ser o pai e inventor de Honey e das sisters, os generais da Panther Claw é que são mais discretos, mas com personalidades bem fora do normal a atirar, eles também, para o psicopata. Os lacaios da Panther Claw é que são praticamente iguais, mas ainda não se vislumbra nenhum mega-vilão, tipo Sister Jill.

Por esta altura talvez já esteja na hora de ler a manga original de Go Nagai e ver as restantes séries de anime, Cutie Honey, Cutie Honey OAV (que deu na SIC Radical mas acabei por perder muitos episódios) e Cutey Honey F (a série mais soft para adolescentes). Talvez em breve tenha mais posts de Cutie Honey.

キューティーハニー THE LIVE

14.1.08

Terminei de ver: Jigoku Shoujo Futakomori

Definitivamente estas séries vivem de histórias episódicas para terminar nalguma intriga que envolva Enma Ai e os seus seguidores. Esta segunda série já desvendou bastante mais acerca das origens de todos e como se juntaram a Ai, quebrando um pouco a tendência da repetição. Também é pontualmente menos tétrica, graças a alguns interessantes momentos de humor.

Quanto ao final, gostei. Aliás, gostei mais do que do final da primeira série. O final da primeira série era necessário, explicava os porquês mais importantes e deixou uma aura de mistério à volta de Ai, o que é sempre bom. Este segundo final volta a focar-se em Ai, numa situação, com um mortal, que se vai desenvolvendo de forma semelhante à que levou Ai a tornar-se na Jigoku Shoujo. Kikuri, como era obvio desde o início, é muito mais do que aparenta, mas mesmo assim poderia ter se revelado mais cedo e não apenas no último episódio. Não querendo fazer spoilers, só posso dizer que o final é surpreendente e feliz e deixa, conveninentemente, um cliff hanger para uma possível 3ª série, que foi anunciada há pouco no site oficial.

Cá fico à espera da terceira série, espero que, pelo menos, mantenha o nível das anteriores, mas se conseguisse superar... melhor ainda!

地獄少女

11.1.08

Mirmo

Estreou quase simultaneamente na SIC e no Canal Panda a série Mirmo, Wagamama no Fairy Mirmo de Pon! no original. É uma típica série Doraemon, isto é, com um público alvo de raparigas pré-adolescentes, cuja protagonista é, claro uma rapariga que vem ser 'ajudada' por um ser mágico. Ao contrário de Doraemon, que tem um público mais unisexo, Mirmo é mais dirigido a raparigas.

Anteriormente, quando via imagens deste anime, pensava que seria um anime delicodoce, detestável, cheio de personagens demasiado kawaii para o meu gosto. Ao ver esporadicamente alguns episódios, mudei de ideias. Como o título original diz, Mirmo é uma (?) fada macho, que vem dentro de uma caneca (ah, a oportunidade de merchandising!) egoísta ou caprichoso, o que muda radicalmente a imagem que passa à primeira vista. Em português, o termo inglês fairy é complicado de usar, uma vez que a sua tradução, a palavra fada, é no feminino e estas fadas têm ambos os sexos.

Temos quatro protagonistas humanos, Kaede, Setsu, Azumi e Kaoru, com as suas respectivas fadas, Mirmo, Ririmu, Yashichi e Murumo. Claro que Kaede é a boazinha, Setsu o seu love interest, Azumi a sua rival e Kaoru o apaixonado por Kaede. As histórias são simples, normalmente um dos bonzinhos tem um problema, Mirmo é suposto ajudar, mas isso nunca é prioridade (a não ser que seja subornado com chocolate) e Azumi tenta sempre afastar Kaede de Setsu. As trapalhadas e caprichos de Mirmo, aliados às trapalhadas ao quadrado de Yashichi à incompetência que a maioria das fadas tem em fazer encantamentos, o modo deles de voar com a ajuda de dois leques, etc. apimentam um bocadinho a história e cortam o lado delicodoce do excesso de cor-de-rosa e azul-bebé. Ao longo dos episódios vão aparecendo mais personagens para complicar a vida aos protagonistas, sejam eles humanos ou mágicos.

A "versão" que foi distribuida para Portugal contrariamente ao habitual parece vir imaculada. Digo contrariamente pois é distribuída por uma distribuidora americana, a Viz, que normalmente costumam reeditar as séries a seu bel prazer, mudando os nomes e censurando a história. Também gosto da dobragem (parece-me a mesma em ambos os canais) e tem a mesma voz de Shin-chan a fazer de Mirmo, que lhe fica a matar!

Dentro do género e faixa etária, este é um anime engraçado e que tem alguma piada ver, sem grande compromisso.

Mirmo!
わがまま☆ファエリーミルモでポン!
ミルモでポン!

23.12.07

Ando a ver: InuYasha

De todas as séries correntemente a passar no Animax do AXN, InuYasha é a que estou a seguir com maior entusiasmo.

A esse entusiasmo deve-se a InuYasha ser uma série à antiga: com uma narrativa com um objectivo muito claro, recuperar a esfera dos espíritos, dois protagonistas, uma humana e um semi-demónio, cuja a acção vai se desenrolando em episódios semi-independentes com novos antagonistas a cada um e por vezes novos aliados na busca.

Dentro desta fórmula bem experimentada e muito simples, temos imenso espaço para conhecer os nossos protagonistas, ver a sua relação pessoal se desenvolver, intercalado de cenas de acção q.b., momentos de humor, dramatismo e algum romantismo. Depois temos ingredientes que agradam a rapazes e raparigas, os protagonistas são um quase-rapaz e uma rapariga, há magia, há armas, temos cenas de época e actuais, e acção e romantismo em equilíbrio.

Por alguma razão que Rumiko Takahashi tem a importância que tem na história mais recente do anime e manga, não há dúvida que sabe criar um enredo, sabe os ingredientes obrigatórios e conjugá-los de modo a obter um 'bolo' saboroso e de fácil digestão. InuYasha entusiasma a cada episódio, mantém-nos na espectativa suficiente para aguentarmos uma semana até ver o próximo episódio (no nosso caso a cada dois) e, mesmo não sendo, a meu ver, a sua obra mais brilhante, ainda mantém um nível equilibrado de popularidade e seriedade, sem ferir susceptibilidades ou provocar em demasia.

A imagem acima é invernosa para tentar dar algum espírito natalício a este blog, enfim, foi o de mais próximo que se arranjou.


犬夜叉 Avex
犬夜叉 YTV

16.12.07

Magic Knight Rayearth

E porque é não há meio de me habituar a pelo menos verificar a programação do Canal Panda a cada fim do mês??? Já me tinha apercebido há que tempos que é comum começarem a emissão de uma série de anime a cada dia 1 e mesmo assim esqueço-me!

Pois, a razão do protesto é que a estreia deste mês foi uma série que sempre quis ver, cuja manga já li há que tempos e que só tinha tido oportunidade de ver alguns episódios... Magic Knight Rayearth.

Magic Knight Rayearth foi o primeiro projecto mainstream das CLAMP, com o objectivo inicial da criação de uma manga e um anime, produzido pela Tokyo Movie Shinsha, em resposta ao sucesso de Sailormoon, da concorrente Toei. O resultado foi uma qualidade acima da média, mas um sucesso algo limitado, que só seria atingido em grande, mais tarde com Card Captor Sakura.

Em Rayearth as CLAMP partem das mesmas motivações estéticas e narrativas de Sailormoon, com uma clara inspiração nas séries de sentai, cores básicas, transformações, mechas, poderes mágicos, romance e, claro, adolescentes colegiais. A grande diferença está no local onde se passa a acção, no universo paralelo de Cefiro, onde as personagens têm nomes de modelos japoneses de automóveis (Primera, Lantis, etc.) e onde as nossas três protagonistas, detentoras de um poder mais bélico que em Sailormoon, lutam pelo equilíbrio de ambos os universos, através dos seus poderes mágicos com que foram marcadas pelo destino.

O destino é um tema recorrente em toda a obra das CLAMP, portanto não é de estranhar a sua introdução nesta série. As três raparigas têm personalidades tão distintas como as cores dos seus uniformes, sendo Hikaru (vermelho) a mais desastrada, fogosa e de enorme coração, praticante de kendo (esgrima japonesa), Umi (azul) a mais elegante, fria e pragmática, praticante de esgrima, e Fuu (verde) a mais intelectual, tímida e caseira, praticante de kyudo (tiro ao arco). A sua evolução na história acaba por ser um caminho de auto-descoberta, culminando na difícil decisão de ficar em Cefiro e viver um mundo de fantasias ou regressar ao mundo real. Apesar do seu sucesso moderado, acabou por ser produzida uma segunda parte, onde as raparigas regressam a um Cefiro transformado, um pouco mais maduras, e onde encontram o amor o que as conduz a novas tomadas de decisão difícieis.

Com o tempo Magic Knight Rayearth acabou por se transformar num clássico, é uma das séries, dentro do género magic shoujo, a ver, que ajudou a elevar os padrões de qualidade e os orçamentos para este tipo de público. Graças a Rayearth outras séries (tais como St. Tail, Fushigi Yuugi, Card Captor Sakura e muitas outras) puderam crescer e evoluir, reavivando género magic shoujo.

ADENDA: Porquê, mas porquêêê!!!! Porque é que raio tenho de apanhar com dobragens em inglês???? Se tenho de apanhar com um anime dobrado, ao menos que seja em português. E se temos de ler legendas, ao menos que a dobragem seja a original em japonês. E, já agora, que Magic Knight Rayearth mantenha as canções originais e não uma versão-qualquer-pop-em-inglês... Ah sim, e que os nomes estejam correctos: é Ceres e não Selene. Infelizmente tenho a certeza de haver mais americanizações onde não eram necessárias... pelo menos parece que não há cortes nesta versão exibida pelo Canal Panda. São estas as razões que levam uma pessoa a acabar por fazer download das séries da net... Se ao menos o anime fosse tratado com o respeito que merece...

魔法騎士レイアース
Magic Knight Rayearth TMS

Acabei de ver: Romeo x Juliet

Após uma pausa, finalmente terminei de ver este anime. De certo modo passei a ver o conjunto com um olhar refrescado, menos influenciado pelas estratégias narrativas que nos colam ao écran e à expectativa de continuar a história.

Achei a segunda metade deste anime mais fraca e um pouco mais mal feita do ponto de vista técnico. A fraca qualidade técnica dos episódios 14 e 15 teve uma grande influência nisso. O facto de nalguns destes episódios do meio a história se arrastar um pouco também não ajudou.

Mas, a curiosidade de saber como se iria resolver a conclusão da história e se afinal Romeo e Juliet morreriam, foram motivo suficiente para ultrapassar um meio um pouco perro. A segunda metade desta série leva uma reviravolta grande, onde a grande motivação de Juliet passa a ser o seu "dever" de proteger e salvar os habitantes de Neo Verona, em detrimento do seu grande amor, Romeo. De facto a grande motivação da série também passa a ser essa, com a excepção de Romeo que, apesar de preocupado com a população, luta até ao fim pela sua Juliet.

Mesmo sendo bem escrita esta conclusão, com cenas de acção e românticas muitíssimo bem feitas que não ficam nada aquém do início da série, tenho bastante pena do desvio da motivação da peça original, pois Romeo e Juliet deixam de ser os 'star crossed lovers' de Shakespeare, a grande força da história deixa de ser o seu amor, para passar a ser salvar aquele 'mundo que ambos partilharam'. Mesmo ficando essa falha presente, há duas ou três cenas, lá para o fim, entre Romeo e Juliet que nos preenchem e fazem com que a série mantenha os padrões de qualidade a que nos habituou. A minha favorita é a cena do duelo entre Romeo e Juliet, ambos com armaduras muito semelhantes, claramente não são inimigos, apenas se trata de uma luta entre o dever e o amor onde só um dos dois pode vencer. A seguinte despedida dos dois é lindíssima e fica para sempre marcada como uma das melhores cenas entre os dois, em toda a série.

Como conclusão, esta é uma série marcante, extremamente bem executada, que vale, definitivamente, a pena ver.


ロミオ×ジュリエット

9.12.07

Nippon Koma 07: dia 6

A primeira sensação que tive ao ver os filmes de Kurosaka Keita é de que são muito pessoais. Há qualquer coisa nos filmes muito experimentais que tende a torná-los demasiado desequilibrados e densos. Os de Kurosaka Keita mostram-nos técnicas de animação com fotografias e manipulação de imagem real muito interessantes e complexas, com imagens fortes e marcantes, mas são demasiado longos e imprevisíveis. Foi interessante ver os filmes por ordem cronológica de produção, felizmente ao contrário da ordem proposta no programa, pois nota-se uma interessante evolução em todos os aspectos formais, sendo para mim o último, Idade da Caixa, o mais interessante.

Tekkonkinkreet é surpreendente! Ao ver o trailer há cerca de um mês interessei-me, mas nunca pensei que fosse tão bom. É um filme com uma produção excelente, muitíssimo equilibrada, onde cenários exuberantes e muito detalhados, um character design invulgar e muito expressivo convivem equilibradamente com uma excelente e ágil realização, uma história poderosa, dois protagonistas, e outras personagens fortes e cativantes onde nada é gratuito. Este é um filme de pormenores, para rever, onde a cada visionamento se encontram aspectos diferentes, pequenas piscadelas de olho que adicionam corpo à história.
Só achei um pouco forçada a introdução do arqui-vilão, Hebi, a meio da história, com o propósito simplista de conquistar o bairro Takara (que, a propósito, quer dizer tesouro). Numa história destas só há espaço para um vilão e a força que ele poderia ter dilui-se desta forma. Felizmente que a história de Kuro e Shiro acaba por se sobrepor a todo o resto e essa falha deixa de ter importância.
Apesar de o realizador, Michael Arias, ser americano, não deixa de ser um filme muito japonês o que é curioso. Por vezes pensava nisso ao ver o filme mas nunca teve importância na sua apreciação.

Tekkonkinkreet
映画「鉄コン筋クリート」

Em resumo a edição deste ano deu um salto qualitativo apesar de a programação ter sido um pouco mais fraca, menos arrojada. O esforço de trazer a Srª. Hirano Kyoko foi extremamente positivo e as falhas técnicas não foram, nem por sombras tão graves como anteriormente. Já estão incluídos no programa os nomes dos realizadores, não houve trocas nas dobragens para inglês e, apesar de as traduções ainda dependerem essencialmente das cópias de origem e não estarem em português, as falhas de comunicação foram menores. Acabei por finalmente conhecer um dos programadores da mostra o que deu para perceber alguns dos porquês do Nippon Koma. A Srª. Hirano foi sempre disponível, estava sempre com atenção a quem vinha e porquê às sessões e abordava as pessoas para tentar compreender as motivações e talvez o que move os portugueses a interessar-se pelo Japão e, mais concretamente pelo cinema japonês.

8.12.07

Nippon Koma 07: dia 5

Hoje sim, pude ir à sessão da tarde!

New Hal & Bons teria sido excelente se se visse um episódio de cada vez (com pelo menos 12 horas pelo meio). Trata-se de uma pequena série de filmes em 3D, produzida para uma revista, a Grasshoppa!. Hal e Bons são dois cães que passam a vida, tranquilamente a beber cervejas no sofá. A série começa quando essa tranquilidade é interrompida pela chegada de Mochi-kun, um verdadeiro mochi (ver glossário), bastante histérico e que se diz entrevistador. É engraçado o contraste dos cães cool com o mochi histérico, passei a sessão toda a pensar que, no fim, os cães comiam o mochi de tanta saturação, mas isso foi um anti-clímax, não acontece. Os diálogos são muito bons, mas à velocidade Excel Saga, demasiado rápidos para as legendas acompanharem. O grande problema foi projectarem tudo junto, facto que satura o espectador e torna os filmes, que vivem muito de repetições de acções, a dada altura aborrecidos.

Rapsódia Rokkasho, o documentário da noite, tem um formato clássico abordando um tema muito forte. Recentemente tenho vindo a ver uma percentagem grande de documentários e quando vejo estes dois factores juntos, para que se torne num bom filme, sinto que é necessário dar espaço às pessoas, ao factor humano, para dar alma e textura aos filmes. Este filme tenta isso na analogia entre a senhora das túlipas e a luta desigual e inglória contra a implantação da central de extracção de plutónio, mas fica-se por aí, dispersa-se nas várias personagens sem se concentrar verdadeiramente numa. Mais uma vez é um documentário demasiado longo para o tipo de material que tem, e sem altos e baixos emocionais suficientes para que deixe de ser um bocado aborrecido. Mas é, no mínimo assustadoramente instrutivo acerca dos perigos do plutónio... kowai...

New Hal & Bons
The Rokkashomura Rapsody

7.12.07

Nippon Koma 07: dia 4

Finalmente o dia da falha técnica! Afinal já começa a ser tradição! Mas vamos por partes (como diz o homem do talho).

Mais uma vez não consegui ver o filme da tarde, Mary de Yokohama. Ainda por cima, pela sinopse, o documentário que mais queria ver... é a lei de Murphy em acção...

A sessão de cinco episódios da série Ghost In the Shell: STAND ALONE COMPLEX, que já deu na SIC-Radical e que vi com um olho aberto e outro fechado, pois aos sábados de manhã... só com a ajuda do meu fiel gravador de VHS.
Esta sessão foi grátis, mas mesmo assim a sala não encheu. Ou é impressão minha ou este ano o Nippon Koma anda menos populado. Mas também deu para perceber que a grande maioria das pessoas já tinham visto pelo menos parte desta série ou então um dos filmes. Ah, sim, a falha técnica... as legendas, que não eram as mais cuidadas, entravam bastante dessíncronas ao início da projecção e eu a pensar que este ano a falha era só esta, senão que (tcha-tcha-tcha-tchannn!) uma legenda fica engasgada, a imagem fica toda riscada e... sem legendas! Pára-se a projecção, rewind, recomeça, chega à mesma cena... volta a acontecer (o raio do pi****** não saiu!!), mas à segunda foi de vez e lá continuámos, felizes e contentes a ver o episódio...

Definitivamente Ghost In the Shell em versão animada só mesmo a série de TV. Os filmes são lindíssimos, isso é inquestionável, o primeiro foi marcante, isso também é inquestionável, é um bom filme? Sim. O segundo é só bonito... A série manteve o que sempre senti falta nos filmes: um character design mais próximo dos lindíssimos e tecnicamente rebuscados desenhos de Masamune Shirow e o seu humor extremamente sarcástico, mas mesmo assim muito japonês e por vezes denso. De resto a banda sonora continua a ser Yoko Kanno no seu melhor (ela não piora?) e nada bate os 'Tachikoma na hibi'...

Ghost In the Shell [STAND ALONE COMPLEX]
攻殻機動隊 STAND ALONE COMPLEX
攻殻機動隊 STAND ALONE COMPLEX The Laughing Man
STAND ALONE COMPLEX

6.12.07

Nippon Koma 07: dia 3

Com mesmo muita pena minha, mais uma vez foi-me impossível ver a sessão da tarde. Hoje fiquei particularmente triste pois tratava-se da sessão Loop de Tóquio, onde foram apresentadas diversas curtas de animação de várias épocas, uma espécie de resenha da história da animação japonesa. Duplamente pena pois a sessão das curtas de animação tem vindo, ao longo das várias edições do Nippon Koma, a ser sempre a minha favorita...

Por outro lado os variados documentários que tenho vindo a assistir nesta mostra têm sido um excelente modo de conhecer a sociedade japonesa no seu melhor e no seu pior. Campaign enquadra-se como uma luva nessa aprendizagem. É um filme onde se vê claramente a dualidade da sociedade japonesa, onde um enérgico político iniciante é obrigado a seguir protocolos extremamente rígidos, se calça luvas (brancas) ou não, se faz a vénia adequadamente, o que deve dizer, o tempo que demora a montar pormenores como o estandarte da campanha, o modo de distribuir folhetos, com quem e como deve ou não falar, etc... Por outro lado vemos as comadres que apoiam a campanha a fazer intriga dos vizinhos do bairro e a apontarem os defeitos do novo candidato, que ainda por cima não é da terra, ou então a fúria da mulher de Yamauchi (o candidato) por ser menosprezada por causa de conceitos retrógados e chauvinistas, que vão contra as convicções políticas do partido e do próprio marido.

No decorrer do filme passamos de ocidentais a rirmo-nos do ridículo de certas situações pouco naturais e demasiado japonesas para passarmos a simpatizar com a simplicidade, honestidade e ingenuidade de Yamauchi, pouco comuns a um político, seja qual for a sua nação. Como extra temos a aparição do ex-primeiro ministro Koizumi, o único em mangas de camisa (arregaçadas) o que contrapõe a formalidade imposta pelos seus co-partidários de hierarquia inferior. Aliás essa diferença no traje também se nota nos candidatos dos outros diferentes partidos, sendo o único que partilha essa formalidade, o grande opositor do Partido Democrata Liberal, o Partido Democrático.

Campaign

4.12.07

Nippon Koma 07: dia 2

Infelizmente por razões de trabalho não pude assistir à sessão da tarde, portanto, não dá para comentar.

Negadon é um divertido filme em 3D, comemorativo de um aniversário dos kaiju eiga, ou seja filmes de monstros, género popularizado pelos filmes da Gojira (Godzilla). O 3D hiperrealista é excelente excepto quando chega às figuras humanas, onde se espalha ao comprido, parecendo as personagens feitas de borracha (será que é uma homenagem aos fatos de monstro em borracha originais?). Mas a realização e a montagem resolvem bastante bem esse problema não fazendo muitos planos de pessoas, filmando quase toda a acção em planos bastante fechados ou distantes, que, para além de facilitar tecnicamente, dá uma sensação claustrofóbica muito interessante que valoriza muito o filme.

5cm por segundo é um bonito filme, muito romântico, em três partes, sobre a história de amor entre dois adolescentes que, devido a uma separação, a deixam por resolver. O character design e os cenários lembram e muito as produções da Gainax, em particular Kare-Kano e Eva. Este filme retrata com fidelidade o excesso de timidez e a dificuldade dos japoneses em demonstrar emoções, especialmente as amorosas. Como tudo nos é mostrado de forma bastante poética, e com a típica analogia entre as pétalas de cerejeira e a neve, o filme comove e não enjoa.
Ao ver o filme em sala cheguei à triste conclusão que o ser humano hoje-em-dia se sente constrangido com o romantismo e ri, como se não houvesse outra reacção possível. É pena, talvez esta experiência explique muita coisa...

Negadon-The Monster From Mars
秒速5センチメートル

Culturgest

Nippon Koma 07: dia 1

Este ano o Nippon Koma brindou-nos com um pouquíssimo anunciado extra, uma conferência por Hirano Kyoko, sobre as duas temáticas principais desta mostra, a animação e o documentário japoneses. Achei a conferência agradável, se bem que um pouco maçuda pois a conferencista apenas leu um texto e o seu engrish não ajudava à compreensão clara do mesmo. Mesmo assim a Sra. Hirano abordou de uma forma um tanto mais aprofundada o tema da animação, do que na recente conferência a que assisti na Faculdade de Letras de Lisboa. Achei o facto de ela se disponibilizar para falar com o público do Nippon Koma durante a sua duração, bem simpático e espero poder partilhar algum diálogo com ela.

Achei o já famoso Paprika de Kon Satoshi um filme excelente. Como se pode perceber pelo conteúdo deste blog não é o tipo de filmes mais apelativo para mim, mas aproveito as ocasiões como esta para vê-los em grande ecrã, e este ano sinto que valeu a pena. Paprika é tecnicamente e visualmente exuberante sem descurar de uma fantástica narrativa que nos faz pensar bastante após o seu visionamento. É um filme bastante equilibrado sem cair em clichés ou maniqueísmos limitadores, trata o público com respeito e como adultos que pensam e raciocinam. Para além disso aborda de forma subtil e engraçada temas por vezes politicamente incorrectos como a homossexualidade, a discriminação, a degradação, sem-abrigo, corrupção, etc. Justificam-se plenamente os prémios e os comentários positivos que tinha lido/ouvido até agora.

Acerca do documentário de Minamata, é o primeiro de uma série de documentários sobre o mesmo tema, realizados pelo mesmo realizador ao longo de vários anos. Esta série de documentários faz parte da história do documentário japonês, pertencendo a um género de documentários de confronto político com uma estrutura linear. Serve basicamente pelo seu conteúdo e como documento histórico. Foca-se demasiadamente sobre o tema mas mesmo assim não caindo no miserabiliosmo ou comiseração, o que acho positivo. Dentro do género, preferi o filme sobre a construção do aeroporto de Narita, que passou o ano passado, onde dos protestos a atenção passava com facilidade para as pessoas, as suas vidas, a sua riqueza pessoal.

Nippon Koma 2007

13.11.07

NANA 2

Já comecei a ver este filme um pouco desiludida, pois as mudanças no casting desde o primeiro filme foram, no mínimo, controversas. Falou-se bastante na desistência de Aoi Miyazaki, a meu ver uma Nana Komatsu (Hachi) bastante convincente, com as doses certas de kawaii (querida), de beleza física e infantilidade, por causa de alegadas cenas de nudez e sexo que esta fase da história implicaria. Onde é que estão elas? Os decotes de Yui Ichikawa ficavam-lhe pelo pescoço e as cenas entre Hachi e Takumi e Hachi e Nobu eram, no mínimo, insípidas.

Aliás todo o filme é bastante insípido o que, tendo em conta a fase da história que conta, a relação de Hachi com Takumi e Nobu, o seu afastamento de Nana, a gravidez, o escândalo Nana/Ren, o debut dos Black Stones, é esquisito. Mika Nakashima, que convenceu no primeiro filme como uma Nana forte e sensível, precisa de bons parceiros, quiçá de uma boa direcção de actores para brilhar. Sentiu-se e mesmo muito a falta de Ryuhei Matsuda como Ren, Nobuo Kyô, para além de ser feio, de não ter a presença carismática que Ren precisa, era quase invisível. Todos, sem excepção têm preformances aquém do desejado, exceptuando, talvez, Hiroki Narimiya como Nobu, que, mesmo assim, deixa muito a desejar, comparando com o que já demonstrou noutros filmes. A única boa troca de actores foi de Kenichi Matsuyama por Kanata Hongô. Visualmente tem mais a ver com o ar doce, miúdo e efeminado de Shin que o seu antecessor e não desiludiu na sua maior prestação nesta fase da história, tendo em conta a fraca prestação geral.

O filme, apesar da sua duração de duas horas, é demasiado superficial, nenhuma das personagens é aprofundada, conta demasiados factos sem convicção, não tem uma única cena forte, nem sequer se sente uma ligeira trepidação de emoção ao longo de todo o filme. Nem a cena em que Takumi tortura psicológicamente Hachi ao saber da gravidez, faz a mínima mossa nas emoções de quem a vê. A cena em que Nana parte os copos dos morangos é fraquíssima, não se percebe a extrema importância destes como metáforas da relação das duas e o que eles se partirem provoca em Nana. Nunca é estabelecida uma empatia com as personagens, parece o tempo todo que estão a debitar texto. Nem os videoclips dos Trapnest impressionam na monumentalidade ou nos efeitos especiais. Já agora, também senti falta da relação Shin/Leila, mas talvez seja demasiado pesado num filme comercial o facto de ele se prostituir com 15 anos. Também não se percebe o que fazem, de repente, as personagens Jun e Kyosuke, no meio do filme. Com tanto acontecimento a mais, um leque de personagens alargado e se cortaram algumas narrativas paralelas para economizar, quem não fazia definitivamente falta eram estes dois! Preferia que introduzissem a personagem de Misato, a groupie de serviço, mas mesmo assim seria desajustado.

Ao menos o primeiro filme, NANA, em si já nada de extraordinário, tinha a cena do concerto e da reconciliação de Nana e Ren, que estava excelente, agora este, nem isso.

Até o guarda-roupa de Nana, as peças Vivienne Westwood parecem construídas, falsificadas, e não genuínas. A música é menos potente e chamativa apesar de eu ter gostado de 'Eyes For the Moon', que apesar de mais suave é mais punk, na sua composição, que as músicas do primeiro filme. Sente-se também a ausência de Hyde na composição das canções para Mika.

É uma pena, o anime é bem mais comovente e emocionante, ao contar a mesma fase da história, as personagens desenhadas têm uma prestação bem melhor e mais humana que os actores. Pensava, quando via o filme, que afinal uma boa história não salva um filme, mas é mais uma boa história pode até não salvar um filme se o argumento feito a partir dela for mau.

Volta Aoi Miyazaki que estás perdoada! Volta Ryuhei Matsuda que estás perdoado!

NANA 2

11.11.07

CONFERÊNCIA “A Animação no Japão – Nova Geração de Artistas Japoneses de ANIME” II

Consegui ir à conferência acima mencionada, esforço feito dada a exclusividade de um tal evento em Portugal (o horário não era generoso para quem trabalha).

A prof. Kei Suyama, professora de história, teoria e técnicas de produção de anime na Faculdade de Belas Artes – Departamento de Anime – da Universidade de Tokyo Kogei, falou resumidamente da indústria do anime, dos seus elementos mais vanguardistas ou que marcam actualmente a diferença e também do "Inter College Animation Festival" de que é membro da organização.

É claro que a conferência foi muitíssimo interessante, soube foi a pouco. Mas para aprofundar mais o que uma pessoa como a prof. Kei Suyama nos pode trazer, nunca poderia ser feito em cerca de duas horas. O ideal (talvez um dia isso possa acontecer) seria um seminário de, no mínimo 3 dias, onde, para além de se falar, pela rama, de artistas proeminentes, tendências e novos valores, se aprofundariam melhor estes temas e haveria a possibilidade de dialogar e falar de outros. Mesmo assim tenho a certeza de que saberá a pouco.

Destacaria, entre os vários filmes e trailers mostrados, Mind Game, um filme com mistura de técnicas e muito irreverente, que a prof. Suyama mostrou como sendo exemplos de animação original, de qualidade e com personalidade. Nos filmes do ICAF gostei mais de Birthday, uma interpretação deliciosa da Teoria da Evolução das Espécies de Darwin.

Foi pena, mas não de todo grave, o tradutor ser um japonês que tem formação em português do Brasil (o que levou a uma escolha de palavras um pouco invulgar) e que trocou o tempo todo a palavra kantoku (que quer dizer realizador) por produtor. A diferença pode parecer pequena, mas não é. Um produtor encarrega-se de toda a prate financeira e logística de um filme, enquanto que o realizador se encarrega da parte de criação e coordenação artística de um filme. Essa função engloba também partes mais técnicas, mas sempre ligadas à criação do todo de uma obra de cinema ou, neste caso, cinema de animação.

Foi pena também que parte do público que participou na conferência em Lisboa, numa sala já por si complicada a nível de som, pois todo o mobiliário é de madeira, portanto range e faz barulho, não se tenha calado, mantendo um burburinho de fundo irritante e mal educado e rindo à gargalhada sempre que percebia algo em língua japonesa.

7.11.07

2 anos + Halloween

Ups, este blog já fez dois anos e esqueci-me de comemorar... fica aqui esta imagem para dar também um cheirinho de Halloween (atrasado) através de uma das minhas bruxinhas do anime preferidas a Meg (Bia na versão portuguesa), pois ambas as datas foram em Outubro.

25.10.07

Já vi: Sakuran

Já vi o filme Sakuran há um tempo, mas só ontem é que me lembrei que ainda não o tinha comentado por aqui.

Sakuran é tudo o que Memoirs of a Geisha queria ser quando fosse grande: é historicamente correcto, apesar de tomar algumas liberdades criativas, tem um design de produção muitíssimo colorido e apelativo, é divertido, bem feito, tem uma boa história, é erótico q.b., a ligação romântica é bem mais resolvida e não é preconceituoso, uma vez que a visão é despretensiosa sem moralismos, lamechices e clichés americanos.

Tudo isto àparte, Anna Tsuchiya convence, encarna na perfeição o papel da oiran arrogante e rebelde e todo o filme é muitíssimo mais convincente, mais curto e menos chato que o Memoirs. Também gostei muito da metáfora, bastante óbvia, dos peixinhos dourados, que adornam, convenientemente o arco do portão de entrada para o bairro.

A quem se interessa por este universo aparentemente fútil e exótico, mesmo não se tratando de geishas, mas de oiran (prostitutas), que é o que os ocidentais, erradamente, costumam achar que são as geishas, recomendo vivamente.

Já agora um PS: apesar de geisha e oiran serem profissões bem diferentes, o universo laboral e social em que viviam era semelhante. Ambas as profissões eram executadas por mulheres, à noite, envolviam guarda-roupa, kimonos, exuberantes (os das oiran mais exuberantes e kitsch), os clientes eram homens, trabalhavam em bairros fechados (distintos) e a hierarquia e aprendizagem nas casas onde viviam era bem semelhante. Daí parte do mal-entendido que é gerado. Mas geisha são artistas e entertainers e oiran eram prostitutas.

さくらん

Animax

Infelizmente o tempo tem sido pouco para dedicar umas linhas à novíssima Zona Animax no canal AXN. Já era fã do AXN, mas quando soube que o excelente canal de cabo japonês Animax (também pertencente à Sony) iria ter um espaço no AXN, fiquei mais ainda.

Apesar do começo algo tímido (não em número, uma vez que são 6 séries de uma só vez, mas em estilo) há imenso espaço para explorar novos géneros e épocas de anime uma vez que o catálogo em potencial do Animax é virtualmente infinito.

Foi pena as promoções com horários, etc, terem sido feitas muito em cima da hora o que fez com que perdesse o primeiro episódio de Samurai Champloo e, ao que me parece, os 2ºs de todas as séries (deram ao domingo).

Inu Yasha
Não sendo fã incondicional de Rumiko Takahashi, mas gostando e sendo um dos meus anime preferidos, Urusei Yatsura, da sua autoria, é um daqueles anime que não me fazem mover montanhas para ver, mas que vou seguir com curiosidade e atenção pela TV.

Outlaw Star
Se não me falha a memória este é daqueles que já passou na SIC-Radical. Se ainda não passou é porque se trata do tipo de anime a que não costumo ligar. Mas como vem tudo em pacote, desta vou tentar seguir, nem que sejam os primeiros episódios para depois me aborrecer e fazer fast forward no vídeo. Mas isso não vai acontecer.

Trigun
Como não segui fielmente quando deu na SIC-Radical e gosto das desventuras do herói/anti-herói com mais fama e menos proveito do anime, esta é daquelas séries que diverte e é bastante original.

Orphen
Mais um daqueles anime a que não costumo ligar, mas prometo que vou fazer um esforço, apesar de o primeiro episódio ter sido o que menos me convenceu.

Excel Saga
Provavelmente o meu favorito do pacote. Acordei tarde e a más horas para este anime na SIC-Radical, portanto agora vou tentar não perder um episódio. Razões: Excel, Mitsuishi Kotono (a voz de Usagi em Sailormoon e Misato em Evangelion, entre outras), o cão(?), a música, Pedoro, os disparates, Il Palazzo, os disparates, a tuberculose da assistente de Excel (não me lembro do nome dela), os disparates, os disparates, os textos pelo meio que se têm de ver em pause (e perceber japonês), mais uma vez os disparates.

Samurai Champloo
A mais esperada por mim. Já tive várias vezes para a procurar na net e não o fiz. Infelizmente não estava em casa e pus a gravar, mas, sendo a última do pacote e não sabendo eu o horário certo, acabei por não ver o primeiro episódio ;_; Mesmo assim quero ver este anime de samurais com um character design tão invulgar.

AXN
sábado, a partir das 12:45h
e a partir das 6:45 (repetição)
domingo, a partir das 6:45h (repetição)
e às 12:45h

Zona Animax
Animax (JP)

2.9.07

Fushigi Yuugi

Está a dar no Canal Panda um anime que desperta em mim recordações... Há mais de 10 anos vi os primeiros episódios desta série, em pleno auge de Sailormoon, achei-a mais adulta, mas não muito mais.

Este é mais um anime que viveu do boom de anime com magia surgido, em grande parte, do sucesso de Sailormoon. Naquela época também foi produzido Magic Knight Rayearth (das CLAMP) que pode-se enfiar no mesmo saco que Fushigi Yuugi.

Já não me lembro muito bem da história, só me lembro que Miaka (a protagonista) e Yui, a sua melhor amiga, são transportadas para uma outra dimensão mágica em que ambas se transformam em sacerdotizas de um animal místico chinês e do seu respectivo grupo de acólitos. Miaka na sacerdotiza da fénix (Suzaku no miko) e Yui na sacerdotiza do dragão (Seiryuu no miko). Ambas tornam-se rivais, apaixonam-se, etc.

Do que me lembro melhor é que é um anime com uns gráficos bastante opulentes, directamente baseados na iconografia chinesa dos 4 deuses sagrados (fénix, dragão, tigre, tartaruga), com um character design muito típico de um shoujo.

Canal Panda
2ª-6ª: 22:30
sab.-dom.: 22:00

ふしぎ遊戯

29.8.07

Akage no Anne

Dentro da exploração que são algumas edições de séries de anime, começou agora a ser editada a série Akage no Anne, ou, no título português, Ana dos cabelos ruivos.

Pessoalmente sou uma fã da história, fiquei-o ao ver a série canadiana Anne of Green Gables, depois vi o anime e só por fim é que li os livros, que amei! É uma história muito engraçada do percurso de uma órfã que de peculiar tem muito mais que os cabelos ruivos.

Os livros acompanham praticamente toda a vida dela, a série televisiva, com algumas diferenças, quase tudo e o anime apenas até Anne se formar e regressar à sua terra natal. Mesmo assim, o anime está muitíssimo bem adaptado, com poucas alterações "criativas", mantendo intacto o espírito dos livros. Apesar de ser uma produção da Nippon, com o character design 'tipo Ghibli', um pouco simplificado, é, mesmo assim, um anime contagiante, daqueles de que se espera(va) ansiosamente uma semana para ver o episódio seguinte.

Infelizmente estas edições da Altaya têm o entrave de servirem para explorar os paizinhos que querem arranjar uns desenhos animados para entreter as crias... É sempre um roubo, ora vejamos:
São 25 DVDs, com 2 episódios cada (sem extras que mereçam menção) e se forem todos ao preço do primeiro (€2,50), que normalmente não o são, fica a colecção da série completa na módica quantia de €62,5, o que não é nada barato, principalmente se tivermos em conta que a caixa das 4 séries completas dos Monty Phython's Flying Circus, com 45 episódios de 25 minutos (em caixas fininhas de 6 episódios cada) custa €40. Para além de sair caro, 25 DVDs de caixas normais ocupam imenso espaço!

Mas enfim, remato como sempre, felizmente que andam a publicar estas coisas, só não percebo, da informação disponível no site da Altaya, se os DVDs, para além da óbvia dobragem portuguesa (que, espero bem seja a mesma que passou na TV, pois era muito boa) têm também a muito pouco provável versão original em japonês, com legendagens em português.

Planeta deAgostini - Ana dos cabelos ruivos

20.8.07

Kakurenbo

Foi com imensa satisfação que constatei, com a transmissão do excelente OAV Kakurenbo, que a programação do Onda Curta na RTP2 é aberta o suficiente para passar anime da melhor qualidade sem os complexos pseudo-intelectuais e elitistas do costume.

Kakurenbo é um excelente e lindíssimo filme que pude ver no Nippon Koma de 2005 e que foi comentado aqui neste blog.

Pena que apesar da abertura, a RTP2 e o Onda Curta permaneçam programas de público reduzido e que, como reflexo disso, a transmissão deste filme tenha tido pouca divulgação. Pena também a legendagem ter falhas, mas isso são preciosismos meus.

Kakurenbo
RTP2 - Kakurenbo

5.8.07

Séries TV

Fui desafiada pelo Ricardo do CineArte para nomear as minhas 5 séries de TV preferidas. Como dividi, tal como ele, as minhas séries em categorias e, sendo uma delas anime, passo a chamar a atenção ao dito post no TV-child.
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