5.4.09

Terminei de ver: Wedding Peach


Aha! FINALMENTE! Esta foi das séries anime que vi que mais custou a arrancar. Definitivamente detesto os primeiros 14 episódios e não há nada a fazer em relação a isso: a sucessão de clichés de mahou shoujo e plágios à Sailormoon são deveras irritantes e mal feitos.

Como uma das piores características de Wedding Peach é o exagero de transformações e ataques (pelo menos dois por anjo do amor, que são 4!), apontei uma estimativa dos seus tempos que, fazendo as contas, dão um total de 4,46 minutos! Felizmente nunca aparecem todas ao mesmo tempo e nem sempre completas. Senão vejamos: em episódios de 25 minutos, se tirarmos os 3 de ambos os genéricos (1,5min cada), ficamos com 22, menos estes 4,46 minutos, sobra um tempo útil para desenvolvimento narrativo de cerca de 17 minutos! O meu objectivo foi ver se realmente era muito, é bastante, mas até poderia ser pior, tendo em conta o número de transformações e ataques existente.

Ao introduzir o love interest de Momoko, Yousuke, na trama, a história começou a caminhar pelos próprios pés e apesar de nunca se ter descolado completamente de Sailormoon, melhorou bastante. Desde o episódio 15, de que já aqui falei, até aos últimos cerca de 10 episódios, quase todos os episódios intercalares são fillers mas com a evolução romântica da relação de Momoko e Yousuke. Os últimos episódios, apesar de a história da Reine Devila ser demasiado parecida com a da Queen Beryl de Sailormoon, são bastante razoáveis e a conclusão estende-se em mais episódios do que o habitual, o que não deixa de ser agradável!

No fim de tudo é o beijo que salva o dia (e Tóquio, e o mundo), o que resultou nesta imagem, um pouco risqué para um anime shoujo comum! Gostei!

A cena final não deixa de ser engraçada, emparelharam três casais, Yousuke e Momoko, Yuri e Yanagiba e Hinagiku e Takurou e deixaram a rapariga mais interessante em termos gráficos, Scarlett, emparelhada com a mascote irritante Jama-P! Coitada, merecia melhor!!!

Não me arrependo de ter visto Wedding Peach, apesar de por vezes ter visto forçada. Esta era daquelas séries que um dia teria de ver, nem que seja pelo seu contexto histórico (e por a única cell de anime que tenho ser desta série - a Yuri), tendo surgido num período áureo para o anime shoujo. Há mais umas tantas séries destas que tenho para ver, esperemos que esta seja a piorzinha do pacote!

Em suma: Wedding Peach vê-se, tem duas ou três ideias engraçadas, mas no geral não recomendo, a não ser que não se tenha nada para fazer...

1.4.09

Animax no Funtastic da Zon



Pois é, fui eu ao site da Zon ver uma coisa no horário do MOV, quando vejo a notícia de que a partir do dia 6 de Abril o canal Animax, junto com outros novos canais, entre eles o Sony Entertainment Television, vão estar dixsponíveis para quem tem o pacote Funtastic, nas zonas de Lisboa, Porto, Coimbra e Margem Sul do Tejo. Não é o meu caso, mas é bom ver que o Animax vai estar mais democraticamente disponível a partir de agora! Menos mau!

Animax

Animax

30.3.09

Terminei de ver: Basilisk


Finalmente acabei de ver Basilisk, não sem adormecer em mais que um episódio pelo meio, mas vi, aguentei! O mais incrível é que esta é daquelas séries que se tivesse uns 7 ou 8 episódios contava a história na mesma e para além de deixar de ser chata, tinha bom potencial para ser até uma série interessante. Digo isto porque os últimos episódios, em que finalmente a história desenvolve, atinge o clímax e chega à conclusão, foram bastante interessantes.

Basicamente Basilisk é uma lição de como tornar uma história interessante, com uma boa intriga numa série chata que é apenas um desfilar de criaturas ninja grotescas a exibir os seus poderes irreais para serem mortas logo a seguir. O tempo que esta série perde em batalhas atrás de batalhas é inacreditável e creio que nem o fã mais ferrenho de artes marciais veja algum interesse nelas porque são demasiado irreais e demasiado curtas.

Nos últimos episódios a conclusão chega a ser emocionante mas é previsivelmente mais uma história de Romeu e Julieta sem fazer jus ao original de Shakespeare.

Os gráficos, embora muito elaborados e cheios de efeitos não me convenceram pelo seu exagero que nem a manga shoujo mais barroca dos anos 70 atinge. Esta série deixa sempre uma sensação enorme de insatisfação, por deixar perceber que tem uma boa base, bons meios, bom orçamento e que foi muito mal aproveitada em prol de razões que custo a compreender.

E, para variar, a SIC-Radical não pensa na maioria do seu público, com televisores de 3:4, e passou uma série em formato panorâmico encolhida como um harmónio...

SIC-Radical

22.3.09

Silent Möbius: the movie 2

Descobri, graças ao Twitter, um site com TV japonesa em directo, e acabei por ver esta tarde uma relíquia dos anos 90, o filme Silent Möbius 2.

Silent Möbius não é, definitivamente o meu estilo de anime preferido, mesmo dentro do cyberpunk, mas é um anime/manga pelo qual tenho um carinho especial, pois foi a primeira manga que comprei na vida, ainda numa edição da Viz em inglês e a cores, no início dos anos 90. É claro que não escolhi, basicamente quando topei o volume da manga, apelidada de "graphic novel", na loja Yellow das Amoreiras (onde é agora a Bertrand), percebendo que se tratava de banda-desenhada japonesa, já não saí da loja sem ela! Digamos que foi o início de uma bela colecção...

O filme é um filme de qualidade acima da média, principalmente para a época em que se trata, que não faria feio frente a filmes actuais em termos técnicos, de animação, cenários, desenho de personagens, etc. Não sou grande fã do desenho de personagens, apesar de semelhante ao da manga, é mais rígido e rectilíneo, perdendo alguma beleza e languidez do traço de Kia Asamiya.
Onde o filme falha, a meu ver, é mesmo na história, demasiado básica, quase equivalente a um qualquer episódio de uma série televisiva, pouco aprofundada e pouco desenvolvida. O filme é curtinho, tem pouco menos de uma hora, mas poderia ter mais sumo narrativo. Esse é um aspecto em que os actuais filmes mudaram bastante, apostando muito mais na narrativa que nos anos 90 onde se apostava alto nos gráficos e animação.

Está visto, era um filme que não morria por ver, mas de que tinha alguma curiosidade. De certa forma é uma interessante viagem ao passado e bom para ver as diferenças instaladas pelo digital e pelas várias evoluções dos gostos e do mercado.

FreshVerse

Streaming

Ando a ver: Fullmetal Alchemist



Fullmetal Alchemist é daquelas séries de anime que estou a insistir ver, nem que seja porque por todo o lado apenas vejo opiniões positivas, mas que ainda não me convenceu. Não é uma má série, é agradável de ver, sendo um shounen tem vários elementos que apelam também a um público feminino, como personagens femininas fortes, dilemas emocionais, character design e direcção artística apelativos e paisagísticos, história com um ligeiro cariz romântico de aventuras, magia, mas há algo de pouco consolidado, e o facto de a história levar algum tempo a desenvolver, sem picos emocionais, que não me chama.

Mas no episódio que vi hoje houve uma pequena citação ou piada aos Salteadores da Arca Perdida que não podia deixar de mencionar: Edward está a tentar entrar num edifício aparentemente abandonado mas cheio de defesas. A dada altura as defesas são como nos Salteadores, ele pisa uma lage, saem lanças do tecto, pisa noutra, saem setas da parede, abre-se um alçapão no chão, e assim sucessivamente até que... se ouve um ruído ao fundo do corredor, eu disse para mim própria: "é a bola dos Salteadores!"... e era! Só faltaram mesmo as tarântulas!

Como o contexto da série não tem nada a ver com os filmes de Indiana Jones, a piada foi particularmente eficaz, principalmente para a minha geração que viu o filme ainda adolescente. Foi uma homenagem engraçada dos autores de Fullmetal Alchemist ao que provavelmente deve ser um dos seus filmes preferidos.

鋼の錬金術師 公式ホームページ

SIC-Radical

4.3.09

Ando a ver: Wedding Peach



Já cheguei a mais de 1/3 da série e posso afirmar que no geral melhorou um pouquinho: as transformações já são resumidas em quase todos os episódios (apesar de ainda serem longas - cerca de 2 minutos as duas transformações + os ataques só para a Peach), a história desenvolveu um bocado, mudaram os genéricos (se bem que a qualidade da música não melhorou) e descolou um bocadinho da matriz Sailormoon.

Mas o melhor até agora foi episódio extra: Episódio nº 10,526 - Gomen ne Yousuke [Desculpa Yousuke] que basicamente é um mecha Wedding Peach! Foi com grande surpresa que vi este especial, que brinca com a série original e as séries de mechas, em particular Gundam, de um modo super divertido, cheio de humor e bem mais interessante que toda a restante série. Foi uma oportunidade para umas boas gargalhadas, e para melhorar a minha opinião acerca de Wedding Peach! Pena é que aparentemente existe uma segunda parte e não a tenho :(

Agora a série já começa a entrar na recta final, já surgiu a 4ª Ai Tenshi (Anjo do Amor), Salvia/Scarlett, e poucos mistérios restam para desvendar.

16.2.09

Aventuras em anime no País da Louis Vuitton

Enquanto não tenho mais nada a dizer acerca de alguma série de anime, deixo isto:

Louis Vuitton "Superflat Monogram" - Takashi Murakami


Obrigada pelo vídeo, Paulinho!

Streaming

11.2.09

Ando a ver: Naruto



Sim! Continuo a ver Naruto na SIC-Radical. E ainda ando a gostar, se bem que começo a "desligar" um bocado. Desligo porque Naruto nunca foi daqueles animes que tem os ingredientes essenciais para me apaixonar e sem eles é difícil ter endurance suficiente para aguentar uma série comprida.

Mas a razão do meu post é comentar algumas coisas que me impressionaram. Gostei do clímax da batalha entre Naruto e Gaara se bem que estava à espera de mais. Mas o que verdadeiramente me impressionou ultimamente foi o efeito visual dado ao jutsu de Itachi, o Tsukiyomi. Gosto de ser em negativo a preto e branco, gosto do fundo vermelho, gosto de a Lua se manter em positivo. Afinal Tsukiyomi quer dizer "invocação da Lua" portanto é natural que ela fique em positivo quando nem o invocador fica em positivo. Também gosto da montagem destas cenas, com saltos no tempo e outras técnicas pós-modernistas de montagem, dos ângulos distorcidos e das nuvens a correr no céu.

Também acho piada à fatiota dos membros da Akatsuki [Lua Vermelha] e sem dúvida que Itachi Uchiha é cool e misterioso [mmmmm............ ] Já percebi porque é que tanta gente faz cosplay de membro da Akatsuki os fatos não são propriamente os mais complicados, têm bom impacto visual e as personagens são interessantes.

NARUTO-ナルト-

SIC-Radical

5.2.09

Bihada Ichizoku

Bihada Ichizoku [Família Bihada - Bela Pele] foi uma série condenada à partida para os fãs ocidentais, pois foi encomendada por uma companhia de cosméticos, a Love Labo, utilizando as já existentes ilustrações barrocas da sua linha Bihada Ichizoku como inspiração directa, já de si inspiradas nos desenhos de manga romântica dos anos 70..

Ao começar a ver esta curta série, de 12 episódios de 9 minutos cada, deparei-me com uma grande surpresa! Bihada Ichizoku é uma farsa às ultra-dramáticas séries (de que gosto imenso) dos anos 70, tipo Versailles no Bara, Oniisama E…, Ace o Nerae! ou Glass no Kamen, de que já falei por aqui mais que uma vez. Eles pegam nos clichés e exageram-nos, criando uma história bem divertida onde não é forçoso conhecer as referências, se bem que ajuda, claro.

Sara Bihada é a mais nova de um casal de gémeas que vence consecutivamente o concurso de beleza patrocinado pela família (WBC - World Beautiful-Skin Competition). Cheia de inveja a irmã, Saki, impede que Sara fique com o precioso pergaminho, a herança da família, e leva-os à ruína. O pai morre, a mãe fica destrambelhada e as duas vão viver para um pequeno T0. Alguns anos depois a bela Sara está "desfigurada" por ter de trabalhar em todo o tipo de trabalhos ao ar livre (pesca de atum, limpar vidros em prédios altos, etc. - ??? HAHAHA!) até que o destino a leva a trabalhar como empregada de limpeza na empresa da família agora gerida pela irmã. Tal como em Glass no Kamen, Sara tem um admirador secreto, determinado em restaurar a sua beleza, que lhe deixa sabonetes especiais e outros truques em locais que ela frequenta através do gato mais feio do anime. E, claro, também tem um love interest, um rapaz que não faz parte do seu passado de rainha da beleza e que a faz fazer os maiores disparates para estar com ele!

Como disse e se pode ler pela história, esta série pega em todos os clichés das séries antigas, incluindo o trabalho visual em que o character design parece tirado de uma manga de Ryoko Ikeda, os caracóis/canudos de Sara, as decorações dos genéricos e não só cheias de rosas, a mansão estilo ocidental da família e o luxuoso prédio dos escritórios Bihada Ichizoku. Cada episódio é introduzido por uma dramática narradora feminina que vai constatando óbvio no destino de Sara, a gargalhada enfática de Saki (ooh-hohohoo!) e a banda sonora dramaticamente romântica...

Juntamente com algumas máscaras faciais saiu o primeiro volume
da manga e em Abril sairá o segundo [eu queeeero!]

Tem sido uma experiência bem divertida ver Bihada Ichizoku, foi pena os grupos de fansubs ocidentais não terem pegado nela, pois é um pequeno e divertido exemplo de comédia, que não fica atrás de nenhuma outra série mais séria e onde a publicidade nos passa totalmente ao lado (nem que seja porque os produtos não estão disponíveis fora do Japão).

E am o genérico final! A canção é uma delícia e o estilo animação de recortes, como se fossem bonecas de papel está perfeito!

JET★GIRL - Lil'B

テレビ東京・あにてれ 美肌一族

RAW

31.1.09

Eva fashion!

Sempre a fazer render o peixe, a Gainax está a lançar, em colaboração com a Mobile Collection, uma loja por telemóvel, e também através da Evastore, uma linha de roupa inspirada nos Evas e nos diversos equipamentos técnicos e armas de Evangelion.

Não fora os vestidinhos de poliéster serem fantásticos, como a Evastore já tem t-shirts e outros itens de roupa há algum tempo, nunca teria dado um minuto de atenção à notícia. O certo é que os vestidinhos (principalmente o do EVA02) são um must-have e mais um daqueles artigos que me faz ficar com pena de não ganhar uma pequena fortuna e de não poder ir ao Japão quando me der na telha...

ACTUALIZAÇÃO:
Depois dos vestidinhos, collants, bolas de futebol, malas de viagem... se andam a render o peixe, lá andam!!!!
Ora vejam na página principal: Evastore.

19.1.09

Comecei a ver: Wedding Peach

Praticamente desde que soube da existência de Sailormoon, cerca de 1994, que queria ver ambas as séries. Até porque, num passatempo da revista de anime inglesa Anime UK, ganhei uma cell de Yuri, uma das amigas da protagonista Momoko e Angel Lily. Sailormoon estreou poucos meses depois na SIC, mas Wedding Peach, não tendo obtido o mesmo sucesso que a sua antecessora, acabou por nunca estrear por cá.

Ai Tenshi Densetsu Wedding Peach surgiu no Japão, claramente como um sucedâneo de Sailormoon, provavelmente o primeiro. Esta série já apareceu na fase de Sailormoon S, uma das melhores das 5 séries, e quando a história de Sailormoon começa a ficar verdadeiramente séria. Portanto, para além de ser uma colectânea de clichés do género, Wedding Peach surgiu com mau timing (um ano antes teria sido perfeito!) e apenas porque havia muito público conseguiu durar ainda um ano.

Quando vi os primeiros episódios de Wedding Peach fiquei perto de estar horrorizada com a cópia descarada que é de Sailormoon, sem as qualidades, com demasiadas transformações gratuitas e buracos no argumento. É praticamente insuportável aturar as transformações primeiro porque não são nada de especial e depois porque elas são três raparigas (para já) com duas transformações cada, que se transformam em todos os episódios e cujas transformações, quando acontecem ao mesmo tempo, raramente são resumidas... As músicas são um desfilar de potenciais MIDIs para brinquedos e merchandising, já que na altura os mp3 eram impensáveis, e versões baratas das de Sailormoon (atenção, também não acho as de Sailormoon nada de extraordinário, mas são francamente melhores que estas). A história é um pastiche romântico de cordel, com tantos buracos no argumento e questões pouco plausíveis que faz qualquer um perder o interesse com rapidez. Sobra a única coisa de que gosto mais ou menos: o character design. Não sendo maravilhoso e bem semelhante ao de Sailormoon, encaro-o como uma versão alternativa de Sailormoon, até porque, dentro dos padrões da época, tanto a direcção artística, como a animação são de boa qualidade.

Nem sequer pensava em comentar esta série para já, uma vez que a estou a "aturar" em prol de despachar um assunto, que anda pendente há muitos anos. Mas ao episódio 15 a série surpreendeu-me apresentando um primeiro e prematuro clímax, com a captura de Yousuke, o love interest de Momoko. Pelo menos isto dá-me algum alento para continuar a ver a série... são mais 36 episódios.

Definitivamente Wedding Peach não é uma série memorável, se bem que com algum potencial. É apenas mais uma para o meu catálogo de séries que tenho de ver, nem que seja porque um dia me despertaram a curiosidade.

[já não existe site oficial]

12.1.09

Recomecei a ver: Basilisk


Tinha tentado ver Basilisk da outra vez que deu na SIC-Radical mas não percebi nada da história (demasiadas personagens ao mesmo tempo) e acabei por não conseguir disponibilidade para a ver. Na semana que passou a série foi reposta e a ver se desta a consigo ver, até porque não é muito longa.

Mas uma coisa me chamou a atenção no episódio que vi: mais uma vez a má qualidade da tradução. Desta vez não foram os erros de sempre (más interpretações do inglês ou francês de onde é traduzida, mau português, etc.) foi um facto que me irrita imenso e demonstra uma enorme falta de profissionalismo. Traduzir qualquer coisa quer dizer torná-la compreensível na língua de quem a vê ou lê, utilizando equivalências. Ora a tradução de Basilisk deixa ficar os sufixos honoríficos do japonês, que da última vez que verifiquei, o cidadão português comum não compreende.

A língua portuguesa, sendo radicalmente diferente do japonês, é magnífica para traduzir a língua nipónica, quiçá melhor que o inglês ou o francês. O japonês tem uma característica que normalmente dificulta o processo de tradução para línguas mais complexas, como as europeias: uma gramática extremamente simples e um excesso de vocabulário. Portanto o japonês tem hierarquias linguísticas muito definidas e específicas, o que para uma língua como o inglês, que não tem praticamente nenhumas, é uma complicação de todo o tamanho! O português não tem esse problema, temos uma língua riquíssima, cheia de variedade de vocabulário e também temos essas hierarquias linguísticas e sociais.

Na tradução de Basilisk optou-se por deixar os sufixos ~sama, ~san, ~dono, ~chan, etc. o que é um erro. Como a maioria das personagens fala um japonês muito formal era só ir ver à linguagem formal e de corte (que realmente caiu em desuso) portuguesa e está lá a solução para tudo. Como ainda por cima Basilisk é um anime de época, não iria ficar estranho se se utilizassem palavras como Lorde ou Dom/Dona para ~sama, Senhor para ~san, Dom/Dona para ~dono e diminutivos para ~chan. Quem fizesse isso teria de fazer alguma pesquisa, arranjar uma fórmula fixa e fazer o seu próprio glossário da série, pois as traduções que sugiro são equivalentes e não a tradução literal para esses termos. Que essas distinções sociais existiam no Portugal medieval, existiam e pode-se com bastante facilidade arranjar uma equivalência fixa.

Outro aspecto que me irritou foi as personagens, como já disse, falarem um japonês formal e no português oscilar, sem coerência, entre o coloquial e o formal (que nem é assim tão formal). Ainda por cima encontrei alguns erros ou invenções no português, o que demonstra mais uma vez falta de profissionalismo!

Já é um avanço este esforço de respeitar a língua original japonesa, mas mesmo assim quem o fez exagerou, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", pois introduziu uma série de termos que o português comum tem enorme dificuldade em distinguir, pois é apenas uma minoria bem pequena que sabe fazer essa distinção. Pelos vistos nem quem traduziu a sabe fazer... MAS DEVIA!

Basilisk
バジリスク~甲賀忍法帖~

SIC-Radical

Comecei a ver: One Piece

Apesar de já ter visto alguns episódios esporádicos anteriormente, com o retomar da SIC-Radical desta série, é desta que vou tentar segui-la até onde for possível.

Tenho alguma dificuldade com séries longas se as mesmas não são "aquela" paixão, daí tentar, e tentar é a palavra, segui-las quando passam nos canais de TV. Mas One Piece sempre foi daquelas séries que me atraiu, nem que seja pelo character design invulgar e muito bom. Agora que já vi os primeiros episódios, cada vez gosto mais do character design que me lembra um pouco o de Dragon Ball, mas é mais agradável. Uma das qualidade que vejo nele é o facto de todas as personagens serem bastante diferentes umas das outras, talvez com uma pequena excepção para as raparigas, e têm características especiais engraçadas. Da imagem ainda só conheço 4, mas todas são especiais à sua maneira.

A história de One Piece é simples, aliás para um anime de longa duração não podia ser diferente senão não era sustentável. Monkey D. Luffy comeu um fruto do diabo que lhe permite ter um corpo de borracha, que ele usa como arma para combater. Mas comer o fruto tem uma condição, nunca mais poderá voltar a nadar, o que para um aspirante a pirata pode ser um problema grande. Luffy, que é um rapaz descontraído e bem disposto tem como objectivo navegar na Grande Linha, o local mais perigoso da região, e obter o One Piece, e para isso quer reunir um bando de piratas. O início da história, onde eu estou, trata exactamente disso: reunir a tripulação.

Também como na maioria dos animes de longa duração, a história desenvolve-se em episódios com uma relativa autonomia, o que permite se poder perder um ou outro sem perder o grosso da história. Cada episódio que vi tem uma surpreendente economia narrativa, especialmente se tivermos em conta que esta série é de 1999 e ainda está a decorrer no Japão. Os episódios são divertidos, incluem acção e comédia q.b. e vêm-se lindamente. É também refrescante uma série com um cenário tão diferente, não é nem um ambiente urbano moderno japonês nem um universo alternativo fantástico ou de ficção-científica, o que, por mais que goste, se torna por vezes cansativo.

Infelizmente os episódios que estão a passar na SIC-Radical, os mesmos que passaram há tempos na SIC, estão dobrados em português e mais infelizmente ainda pelo meu mais odiado estúdio de dobragens português: a Novaga. Portanto, apesar de estar consideravelmente melhor, ainda temos as péssimas vozes e ainda pior direcção de actores de Dragon Ball, Sailormoon e Saint Seiya. Há pessoas que deviam se ouvir e considerar uma mudança de carreira. Outro problema mais técnico que isso constitui é que em quase todos os episódios temos invariavelmente vozes repetidas e como muito dificilmente estes actores saem do seu registo de no máximo dois tipos de voz... é fácil perceber o que acontece.

One Piece é definitivamente uma série bem divertida, que vou tentar seguir apesar das minhas dúvidas que a SIC a tenha comprado completa. Mas essa dúvida também inclui outra mais positiva: pode ser que não tenham dobrado tudo o que têm. A esperança é a última a morrer!!

ワンピース - フジテレビ [JP]
ワンピース 東映アニメーション [JP]

SIC-Radical
2ª-5ª: 08:25, 13:30, 19:20
sab: 11:45 (5 eps.)
dom: 19:40

23.12.08

Meri Kurisumasu 2008



Finalmente encontrei esta imagem! Aliás era esta que queria colocar aqui num dos anteriores Natais.

Portanto Meri Kurisumasu com a Sakura e a Tomoyo!

21.12.08

Terminei de ver: Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE-



Ufa! Finalmente! Fiz uma grande pausa no visionamento desta série porque os direitos foram comprados para os Estados Unidos e os ficheiros desapareceram da net. Mas agora já despachei os episódios que me faltavam.

De todas as séries de anime ou manga criadas pelas CLAMP, esta é definitivamente a de que menos gosto, e poucas recordações, excepto a banda-sonora, me vai deixar. Em 26 episódios a grande dúvida plantada ao início permanece: como é que Sakura vai recuperar as memórias de Shaolan, trocadas com a feiticeira dimensional, Yuuko? Ou então: será que Sakura vai ter tantas novas boas memórias de Shaoran que não precisa das antigas? Resumindo, em 26 episódios eles encontraram cerca de 5 ou 6 penas (não contei), ainda falta pelo menos a metade (não me lçembro quantas são no total, acho que eram múltiplas de 6), que obviamente ficou para a segunda série. Pelo discurso de Mokona no final do último episódio é claro que a segunda série já estava a ser planeada há muito, daí fazerem render o peixe.

O grande problema desta série, para além de uma animação mais ou menos e uns efeitos 3D demasiado evidentes, é que é como viajar para um país e não parar mais que um dia no mesmo sítio: não se fica a conhecer o lugar, muito menos as pessoas e o seu modo de vida. A falta de seguimento e de envolvimento com as outras personagens, para além dos quinteto viajante é demasiado superficial, até parece que estão lá para encher a paisagem, as histórias individuais, seja do quinteto sejam dos habitantes dos vários mundos não se cruzam, há pouca troca, pouca aprendizagem ou evolução mútua. Até parece que a seguir a eles deixam os mundos sem deixar rasto nem memória, apesar de causarem naturalmente algumas mudanças.

Estou a criticar um facto que é a grande premissa de uma série de que gosto muito: Galaxy Express 999, mas a grande diferença é que com cada visita a cada planeta, por mais curta que ela seja, traz à superfície sempre a mesma questão fulcral mas muito simples, até que ponto o ser humano necessita de um corpo humano e até que ponto as máquinas lhes trouxeram benefícios? Para além disso eles estão apenas de passagem, não têm objectivo nenhum em concreto em cada planeta em que o Galaxy Express pára. O que falta em Tsubasa é um maior destaque ao motivo das suas viagens, a recuperação das penas de Sakura e o desvendar dos "vilões" que chegando ao fim da primeira série ainda não fazemos a mínima ideia do que são e qual é a sua motivação. Perdeu-se demasiado tempo com trivialidades do dia-a-dia da maioria dos mundos e focou-se pouco na recuperação das penas de Sakura.

Por mais que a série continue, e tenha continuado, é necessário algum tipo de remate para esta primeira série, mesmo que inclua um cliff hanger para manter o espectador curioso em relação à segunda série. Nada disso aconteceu, o único cliff hanger é tentar perceber o que querem os vilões, questão essa que já se colocava anteriomente.

A banda-sonora é a excepção que confirma a regra, neste anime desenxabido por comparação com outros pela mão das CLAMP. Nem o guarda-roupa, que habitualmente adoro me enche as medidas, excepto um ou outro figurino masculino (isto é verdadeiramente raro!) nomeadamente o de Shaolan e o de Seishiro.

Se conseguir meter as mãos na segunda série e depois nos OAVs, logo verei se realmente valia a pena tanto arrastamento...

NHKアニメワールド ツバサ・クロニクル

20.12.08

SaaIKOU! Tamagotchi

Há dias descobri que a Bandai colocou no seu canal do YouTube e grátis os pequenos filmes da série que produziu para os Tamagotchi. Quem não se lembra da febre de há cerca de 10 anos atrás que esgotou os brinquedos no Japão e até em Portugal em poucas horas? Foi uma daquelas modas (passageiras) que pegou com força! Mesmo com menos potência, os Tamagotchis continuaram a sua carreira no Japão dando origem a outros tipos de brinquedos (peluches, etc.), artigos de papelaria, livros, e muito mais.

O título é tem um duplo sentido entre a palavra saikou [= o melhor] e saa ikou [= 'bora aí], demonstrando logo o lado coloquial e frívolo da série. Ela é constituída por (até agora) 15 episódios de 2 minutos e meio e vai mostrando o dia-a-dia de um grupo de tamagotchis pré-adolescentes (?) na escola, com os amigos, com a família, etc. É uma série suficientemente engraçada para agradar tanto a crianças como adultos, não contando nada de novo, é um dia-a-dia muito japonês, mas apresentando a variedade de "formas" que os tamagotchis podem tomar e os seus "padrões de beleza"! O rei do Reino dos Tamagotchis, ou será Tamagotchilândia?, Gotchi Daiou, é um ovo! HAHAHA!

Os episódios podem ser vistos no canal da Bandai no YouTube em japonês e inglês, mas nem todos os episódios em japonês estão disponíveis para países fora do Japão :( :
YouTube - BandaiJP's Channel
Mas a página tem vários links, inclusive para os canais europeus e norte-americanos da Bandai no YouTube.

Não é nenhuma série importante ou histórica, mas também não é todos os dias que existe anime gratuito e legal online!

ネットで発見!! たまごっち

YouTube

19.12.08

Cutie Honey THE LIVE Special



Acabei mesmo agora de ver um episódio especial (exclusivo do 9º DVD) da série tokusatsu Cutie Honey THE LIVE, intitulado Kisaragi-hakase no Techou! (O Livro de Apontamentos do Prof. Kisaragi). Não sendo de longe o melhor episódio da série, aliás é mais uma recapitulação do passado das três raparigas, sob o ponto de vista do Prof. Kisaragi, focando-se mais nas "falecidas" Miki e Yuki. Este episódio tem uma curiosidade: o próprio Go Nagai, autor/criador da manga Cutie Honey, faz de Kisaragi Koushirou, o "pai" de Honey e das outras raparigas, o que ele é literalmente!


Cutie Honey (Hara Mikie), Go Nagai e Hayami Seiji (Yamamoto Shouma)

キューティーハニー THE LIVE

14.12.08

Nippon Koma 08: dia 6

Antes de comentar o documentário da tarde, Yasukuni, quero deixar duas ou três ideias claras: considero o Japão uma nação bélica e agressora durante a II Guerra Mundial, não concordo com todo e qualquer tipo de fascismo, mas também não gosto de radicalismos e hipocrisia.

Yasukuni trata de um santuário xintoísta, simultaneamente memorial aos mortos na II Guerra Mundial. O problema está em vários países asiáticos, invadidos pelo Japão durante a Guerra, nomeadamente a China, que para além de contestarem a existência do dito santuário também contestam o direito do então Primeiro-Ministro Koizumi de o visitar. Antes de ver este filme nem sequer fazia a mínima ideia da existência do tal santuário, e pelo menos durante a primeira meia-hora do filme não percebi o porquê de tanta polémica, pois um santuário semelhante parece-me natural e existem locais semelhantes em vários países do mundo, inclusive em Portugal. O documentário é extremamente parcial, só mostra o radicalismo e a obsessão nipónica com a honra e os heróis nacionais e todas as poucas pessoas que se manifestam em contrário ou parecem os dois velhos dos Marretas ou uns palermas que andam por ali... Como alguém diz durante o filme, com certeza que nem todos os japoneses são assim! Os únicos intervenientes no documentário que me pareceram verdadeiramente credíveis e pelos quais senti alguma empatia foram os parentes de militares forçados a participar na Guerra, que não querem os seus nomes inscritos no santuário (por não concordarem com os que os levou a morrer na guerra) e o ferreiro de sabres japoneses, de 90 anos, que os fabrica em nome do dito santuário (facto comum, principalmente antes da Era Meiji - quem viu Kenshin pode atestar isso). Pouco mais sei acerca do assunto, mas percebi rapidamente que o filme só mostrava o que interessava e que alguns factores sócio-culturais faziam falta para explicar determinadas acções, inclusive a visita do Primeiro-Ministro. Talvez o mais importante de todos é que os santuários xintoístas têm um papel importante na sociedade, nomeadamente no culto dos antepassados e são parte da vida política do país, nem que seja porque o Imperador é o sacerdote-mor, descendente directo de Amaterasu, a Deusa/Deus mais importante do xintoísmo (sic). Depois há outra questão: quem são os autores do filme, pelo que percebi de ascendência chinesa, para questionar a existência de um santuário semelhante? É verdade que determinadas atitudes e rituais testemunhados neste filme são exagerados e questionam a vontade de manter a paz dos japoneses, mas, por mais fascistas que determinadas atitudes sejam (e que são) pelo menos estes "neo-imperialistas" não nadam a espalhar violência gratuita nas ruas e a boicotar tudo o que não entra no seu limitado universo. Basta olhar para o que os neo-nazis têm feito, à revelia da lei, pela Europa fora para ter um termo de comparação. Acho que países como os da Europa, como os Estados Unidos, a China e até Portugal, não têm o direito de criticar os japoneses por não saberem gerir o conflito entre a tradição e as regras de uma sociedade capitalista moderna, aberta ao mundo. Tanto os diversos países da Europa, através da colonização, os Estados Unidos, através das inúmeras guerras que não lhes dizem respeito, do Vietname e do Iraque e a China que tendo deixado de ser oficialmente um país em regime comunista totalitário continua a exibir com orgulho um retrato gigantesco de Mao Tse Tung na praça de Tien An Men, têm demasiados telhados de vidro para criticar seja quem for, principalmente desta forma tão facciosa.

Este documentário valeu pelo ferreiro e pelo acompanhamento do fabrico de um sabre, arte nobre e rara, com um protagonista com imenso potencial para um filme brilhante e muitíssimo mal aproveitado, pois apesar de o mostrarem como homem de poucas palavras, deixou sempre a dúvida do que não mostraram.

O filme de animação da noite, Vexille, é um filmezito em 3D com acabamentos com um ar 2D com uma animação razoável, mas não maravilhosa e uma história de ficção-científica apocalíptica acabada às pressas. Digo isto porque o filme tem uma exposição inicial demasiado detalhada e muito longa para ter um final precipitado, lamechas e cheio de buracos narrativos e falhas de raccord. É o tipo de filme com o intuito de agradar a uma massa de fãs com um universo limitado ao cyberpunk, que não abre os horizontes a ninguém. Tem a curiosidade de ter a banda-sonora de um nome memorável da música electrónica britânica dos anos 80: Paul Oakenfold.

A edição deste ano do Nippon Koma foi definitivamente diferente. Achei os documentários muito dentro de um tom acusatório às maldades que o Japão cometeu na II Guerra Mundial (se bem que dentro do tema houve excepções), demasiados documentários sobre o Japão e demasiado poucos do Japão e quase todos dentro de um tom demasiado negativo e com uma grande falta de um olhar de cineasta e sentido de humor. A grande excepção e, sem dúvida, o melhor documentário de todos, foi The Cats of Mirikitani, mas é um documentário que por acaso é acerca de um japonês (que nem sequer o é verdadeiramente) mas que poderia ser sobre uma pessoa de outro país qualquer.

Achei a média das animações no geral mais fraquita, mas satisfez-me consideravelmente mais como espectadora que os documentários. As curtas Digista eram bem interessantes, mas dentro do género já vi melhor nas edições anteriores do Nippon Koma e toda a semana valeu pelas curtas dos anos 20-30, nem que seja pela sua importância histórica e antropológica.

Também reparei que este ano houve uma alta percentagem de filmes em que aparecia a Tokyo Tower ! É daquelas referências que nos dá a certeza inconsciente de que é mesmo do Japão que se está a falar!

Para o ano há mais (assim o espero)!

Culturgest

13.12.08

Nippon Koma 08: dia 5

Hoje à tarde foi a sessão pela qual eu mais esperava: Japanese Anime Classic Collection 1928-1931. Esperava porque em geral gosto de ver cinema das décadas de 20-30, esperava porque gosto de ver animação arcaica, esperava porque esta compilação se trata de uma preciosidade que sobreviveu a várias intempéries, tais como terramotos, incêndios e afins. Só por isso sou os parabéns à Digital Meme pelas edições em DVD.

A grande maioria dos filmes emula o que era popular na época: os filmes da Disney e dos irmãos Fleischer, que aliás determinaram em grande parte a estética inicial do anime. Mas também há muito experimentalismo, técnicas mistas e novas e originais técnicas. Nestes filmes temos a herança do entretenimento popular japonês, seja nas adaptações de contos clássicos, seja na utilização de uma benshi, Midori Sawato, ou então na utilização original de chiyogami, o papel tradicional japonês, muito utilizado em origami. É necessária uma explicação: as novas tecnologias proporcionam-nos um privilégio até há bem pouco muito raro ou de outras gerações, viver o cinema (mudo) próximo de como se vivia na época da sua estreia. O cinema mudo japonês nunca foi propriamente mudo. Enquanto que o cinema mudo ocidental em geral tinha o acompanhamento musical ao piano ou de uma pequena orquestra (com partituras específicas em muitos casos), o cinema mudo japonês, para além desse eventual acompanhamento musical, costumava ter sempre um benshi, que era algo entre um narrador e actor que enriquecia a narrativa visual através da sua interpretação e improviso, criando uma ligação empática com os espectadores. Como esta compilação faz com certeza parte de um apaixonado trabalho de arquivo de algumas pessoas, tentou se manter uma parcela do que era o espectáculo do cinema no Japão dos anos 20-30, onde o cinema mudo durou mais que no ocidente por causa dessa mesma banda-sonora "ao vivo". Os filmes trazem-nos uma outra magia, a da vontade de contar histórias, em animações engraçadas e bem criativas e talvez o que sejam os primeiros karaokes da história: Harvest Festival e Kimigayo (o Hino Nacional do Japão).


Mais uma vez o documentário da noite, Abduction, The Megumi Yokota Story, traz-nos um tema "sonegado" pelos japoneses, também mais uma vez através do olhar estrangeiro. Conta a trágica história de uma miúda de 13 anos, Megumi Yokota, que, nos anos 70, foi raptada pelos norte-coreanos. Rapto esse que não foi único, o governo da Coreia do Norte admitiu 13 raptos semelhantes, mas estima-se que tenham sido mais de 100. O documentário conta a história sob o ponto de vista dos pais e da sua luta para encontrar a filha e para que a verdade venha à tona. O certo é que até hoje não se tem a certeza de ela estar morta ou viva.

Na busca de uma foto de Megumi, descobri que foi feita uma manga e um anime, disponível para downolad em várias línguas.

Os japoneses parecem ter alguns bloqueios em questões de nível emocional ou psicológico, empacando em vez de agir, negando assim todas as teorias e regras de conduta vindas das artes marciais que incentivam à acção em vez desta passividade constrangedora. E quando algum tipo de questão mais grave ou escândalo acontece, escondem o acontecido, aparentemente por "vergonha", o que para a minha cabeça latina não faz sentido nenhum e desperta alguma revolta. Basicamente apetece-me agarrá-los pelos colarinhos e dizer-lhes: façam alguma coisa! Claro que isto não se aplica aos pais de Megumi e outros parentes das pessoas raptadas, pois têm sido incansáveis na sua busca.

Culturgest

11.12.08

Nippon Koma 08: dia 4

Com A Permanent Part-Timer in Distress (o título original não é em inglês) temos o regresso de dois autores clássicos no Nippon Koma, Yutaka Tsuchiya, que desta vez produz, e Karin Amamiya, consultora e acho que também entra de raspão no filme. Será a Gothic Lolita que se vislumbra mais que uma vez no canto do ecrã? Acredito que sim. Este filme é também o primeiro documentário 100% japonês e não sobre algo japonês, o que muda radicalmente o olhar e, de certa forma, a temática que tem sido coerente até agora. Não sendo este o filme vindo destes autores que prefiro, mantém-se coerente com as polémicas temáticas sócio-juvenis que caracterizam os outros dois filmes que vi deles. Desta vez seguimos a indecisão apática de um jovem japonês de 23 anos que, por força das circunstâncias e talvez de alguma falta de iniciativa, se encontra num beco sem saída ou um andar em círculos laboral. Ele mantém um inseguro e desinteressante emprego de part-time numa fábrica e tenta alcançar o seu sonho utópico de uma Tóquio onde tudo acontece, ao fim-de-semana, onde se torna um sem-abrigo temporário. Mais uma vez se recorre através de uma pequena câmara o uso de um vídeo-diário, dando um realismo cru à história. Neste filme senti um pouco a falta do sentido de humor que caracterizava os filmes anteriores de Tsuchiya, e mais uma certa tentativa mal-amanhada de ser poético. Mas a questão social passou na mesma e é duro admitir, mas a realidade japonesa não passa para nós (espectadores portugueses) de uma ilusão tão grande como a sonhada Tóquio de Hiroki, o realizador/protagonista.

A sessão da noite foi uma sessão de curtas de animação do mesmo autor, Tomoyasu Murata, a grande maioria utilizando mistura de técnicas artesanais como plasticina e desenho em papel, animação de volumes ou marionetas e acetatos, etc. De todos os filmes, nem todos particularmente interessantes, destaco os três filmes da série de cinco The Road, uma série de animações de marionetas, que segue num ambiente melancólico e intimista o percurso de um homem. Apesar de deixar qualquer um cabisbaixo, é notório e interessante o modo não linear e indefinido com que se passa de um mundo aparentemente realista para um universo interior do protagonista. O filme de que gostei mais, foi o mais experimentalista de todos, Metropolis (não confundir com a longa de Rintaro), uma montagem de imagens nocturnas das luzes de Tóquio, lembrando vagamente os Koyaanisqatsi e Powaqatsi de Godfrey Reggio, mas com uma banda-sonora mais ambientalista e menos dramática.

Culturgest
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...