12.11.10

Ando a ver: Blood +


Blood + é definitivamente uma série de excelente qualidade! Já estou a chegar ao final da série e nem um único episódio de fillers ou recaps, mesmo os episódios mais "calmos" têm conteúdo e são interessantes de ver, já para não falar que fazem falta para descomprimir dos episódios mais agitados e, naturalmente, fazer avançar, mesmo que mais lentamente, a história.

Gosto muito de como nenhuma personagem é plana, todas têm evoluído de forma bem interessante, e há inclusive "trocas de lado" por parte de personagens chave na narrativa. Nomeadamente Julia, a dedicada cientista que apoiava a organização Red Shield e Saya, que passa a trabalhar para a Cinq Flèches rival, em prol de poder avançar com as pesquisas acerca dos quirópteros, e Solomon, o Chevalier de Diva que, apaixonado por Saya, abandona os "irmãos" de sangue, mesmo colocando em causa a sua própria existência.

A partir de mais ou menos metade existe um hiato de tempo em que Saya e Kai amadurecem consideravelmente. Saya passa de alegre e despreocupada a sombria e grave e Kai torna-se num homem interessante. Por esta altura já sabemos a origem de Saya e Diva e dos quirópteros, nem tudo está explicado, mas o essencial já sabemos, e a temática passa de familiar a bastante mais política. Descobrimos que nada é definitivo o que nos deixa coisas suficientemente em aberto para não ser possível/provável um final previsível. Uma grande qualidade! Também nos introduz um novo grupo de personagens, os Schiff, que parecendo à primeira gratuita essa introdução, acaba por fazer sentido no geral.

Tenho de mencionar novamente os genéricos. Há um esforço de não colar a estética dos genéricos à da série, trazendo outros desenhadores para os conceber. Portanto, introduzindo ou fechando cada episódio e fase da história, temos pequenos clips musicais que podem funcionar de forma mais ou menos independente. Não podia deixar de fazer notar que ambos os 2ºs genéricos (inicial e final) são cantados pelas minhas duas vozes japonesas preferidas, independentemente de gostar ou não do estilo das músicas que cantam: Hyde, vocalista dos L'Arc~En~Ciel e Mika Nakashima, que interpretou Nana Ozaki no filme live-action NANA e NANA 2.

Estando agora na recta final da série, estou naquela fase de ansiedade de querer ver como tudo irá terminar, até porque introduziram novos factores que me deixaram bastante intrigada. A mim e provavelmente a todos os que seguiram esta série. Até agora Blood + tem sido uma surpresa bem agradável, e é uma série que merecia maior destaque pelos fãs ocidentais. No Japão foi um sucesso, mas pelo menos cá em Portugal, toda a gente pode saber mais ou menos que Saya é a adolescente caçadora de quirópteros, mas o que Blood + acrescenta é que é mais, muito mais que isso.

BLOOD+(ブラッドプラス)
BLOOD+ (ブラッドプラス) 予告編ライブラリー

Animax

21.9.10

Comecei a ver: Blood +


Estou a gostar, e muito de Blood +! Gostei do filme, Blood the Last Vampire, mas, (ultimamente parece que digo sempre isto) não sendo o meu estilo de anime só o apreciei sob um olhar mais analítico. A série para TV, Blood +, adiciona à história da adolescente caçadora de quirópteros em Okinawa a dimensão que, para mim, faltava: a emoção e a empatia.

Esta Saya é uma Saya bem diferente da do filme (ainda não vi o live-action, mas calculo que seja semelhante ao outro), é uma rapariga amorosa, comilona, com amnésia, que tem como objectivo final a união da sua família mas mesmo assim está disposta a cumprir o seu destino. A Saya do filme era mais fria e indiferente, portanto menos humana e menos interessante como personagem.

Ao fim de 10 episódios ainda muito pouco do mistério que envolve Saya e os quirópteros foi desvendado, mas a narrativa já sofreu evoluções dramáticas bastante interessantes e já me cativou! A série introduz novas personagens fixas, os dois irmãos adoptivos de Saya, Kai, o circunspecto e caladão e Riku, doce e sossegado. Também introduz um "assistente", Hagi, que, digamos, é quem irá aos poucos guiando e ajudando Saya na sua caça ao quiróptero. Cada episódio evolui bastante, sem partes secantes ou de encher e inclui emoção e acção q.b. para agradar a meninos e meninas. Isso é bom! A introdução de pequenos elementos shoujo, como a partilha de almoços na escola, colégios internos femininos, rosas azuis, etc., contribuem para tornar este anime numa série mais abrangente. Como a mesma teve um sucesso razoável, parto do princípio que os rapazes gostam de um pouco de romance e que as raparigas gostam (ah isso gostam!) de acção.

A arte visual da série é límpida e bastante simples, um character design que faz lembrar bastante Yoshiyuki Sadamoto, de Evangelion, paisagens abertas e claras, mesmo quando está escuro ou faz mau tempo.

Para variar, desta vez gosto dos genéricos, não propriamente marcantes mas bonitos e com canções agradáveis, mas gosto especialmente das ilustrações do genérico final, num estilo muito Osamu Dezaki retro e da canção final, "Kataritsugu Koto" por Chitose Hajime, que já tinha cantado o genérico final de ~Ayakashi~ Japanese Classic Horror.

Esta série é longa e estou a gostar, portanto: aguardem-me!

BLOOD+(ブラッドプラス)
BLOOD+ (ブラッドプラス) 予告編ライブラリー

Animax

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ERRATA: Hagi escreve-se, no nosso alfabeto, com G apesar de se pronunciar J.

4.9.10

Acabei de ver: Ergo Proxy


Não tenho realmente muito a acrescentar ao post anterior, Ergo Proxy é um anime lindíssimo, de primeira qualidade, com uma história muito rica e densa. Tenho um problema com animes deste género, adoro, deixo-me envolver muito, mas exigem uma atenção redobrada ao pormenor, senão parece que estamos a perder imenso... OK, não é realmente um problema, mas o que quero dizer é que o grau de atenção que me exigem, faz com que tenha de estar muito disposta a ver a série naquele momento e, confesso, que não vi todos os episódios de Ergo Proxy como eles mereciam. É uma daquelas séries que tenho de rever.

É engraçado perceber que, no fim das contas, esta é uma simples história de amor e amadurecimento e até com um final feliz! Mas no meio é que está a virtude, é nos detalhes, na busca pelas memórias de Vincent Law, na evolução e crescimento de Re-l, na aprendizagem de Pino, na ascenção e queda da sociedade decadente de Romdeau que está a grande riqueza de Ergo Proxy, um anime bem envolvente.

Noutro olhar, criei uma pequena obsessão com a sombra dos olhos de Re-l e adorei o casacão de inverno dela. Tem um ar super quentinho e cosy e corta com o restante guarda-roupa essencialmente negro. Também achei piada à Pino vestida de coelhinho cor-de-rosa e os Proxies são lindos em termos de character design.

Só existe realmente uma coisa a qual não consigo encaixar. Eu talvez devesse gostar de Radiohead, tenho sido fã dos U2 e de semelhantes estilos musicais desde a adolescência, mas o certo é que não consigo gostar deles! Demasiado melosos para o meu gosto. Isto leva-me aos genéricos, que apesar de visualmente muito bonitos, saltei na grande maioria das vezes por a música me enervar... bah... paciência!

Ergo Proxy|エルゴプラクシー

Animax

27.8.10

Acabei de ver: Death Note


O grande problema de Death Note é o protagonista. Light Yagami é uma personagem desagradável, pouco interessante, egoísta e não suficientemente enigmático, psicopata ou louco para ser atractivo e aguentar a narrativa. Normalmente tenho tendência a gostar dos vilões, para mim o melhor vilão de sempre é Darth Vader, seguido de Makoto Shishio de Rurou ni Kenshin. Ambos estes vilões demonstram prazer no mal que fazem e são coerentes nas suas loucuras até ao final, mesmo quando, no caso de Darth Vader, se redimem. Light Yagami não tem prazer em tirar as vidas dos malfeitores da sociedade, muito menos em tentar ser um deus do novo mundo. O seu percurso é apenas um capricho de um menino mimado com tempo, inteligência e dinheiro a mais... enfim, um sonso, realmente perigoso, mas que não mete medo nenhum.

Outro grande defeito de Death Note é matarem a única personagem apelativa e o único antagonista convincente de Light a meio. L é definitivamente a única personagem interessante das que se mantém algum tempo na série mas acabam com ele antes da história estar terminada. Também não "engoli" a facilidade com que toda a gente aceita o universo e as razões sobrenaturais dos Shinigamis e do Caderno da Morte. As histórias são válidas na medida da sua verosimilhança, mas nunca, naquele universo extremamente calculista e teórico, com poucas empatias ou crenças, o conceito do sobrenatural encaixou de forma convincente. E continuo sem perceber a histeria em redor da série, agora que a acabei de ver, ainda menos...

Em relação ao final, poderia ser assim ou não, apenas comprova a minha teoria do whodunnit, do post anterior acerca de Death Note. Nos whodunnits clássicos reúnem-se os suspeitos e intervenientes da acção numa sala para explicar o que se passou e colocar em confronto o(s) suspeito(s). É assim o final de Death Note, sem grandes surpresas e N também não é lá grande antagonista, apenas coloca em prática todas as teorias anteriormente delineadas por L, sendo um fraco substituto (como personagem).

Enfim, Death Note foi uma enorme desilusão, com uma premissa tão interessante, com o lado dos Shinigamis por explorar e um antagonista bom, acabaram por se perder num labirinto de esquemas e explicações, excesso de teoria e pouco sumo narrativo. É com muita pena que não recomendo esta série, esperava muitíssimo mais, pode ser que um dia veja o que resta de Death Note, os filmes, a manga e tudo mais... para já, fico-me por aqui.

DEATH NOTE デスノート

Animax

24.8.10

Satoshi Kon

Foi com um grande choque que li a notícia da morte de Satoshi Kon hoje. Não sendo muito fã dele e do seu estilo peculiar, desde as primeiras obras que vi dele que reconheço o seu génio e é esse mesmo estilo peculiar que o torna num. Hoje é um dia triste para o anime, ele era um pilar muito importante na disseminação e divulgação do anime no mundo e ainda por cima um com a melhor das qualidades.

Escolhi o cartaz do Paprika, por achar que é uma das imagens mais representativas do universo complexo e surrealista deste realizador. Felizmente na sua curta vida Satoshi Kon foi bem prolífico, deixou-nos muito de si, para sempre.








EDIT: 28.08.2010
Deram-me o link para este, o último filme completo de Satoshi Kon: uma delícia!

O-HA-YO - Satoshi Kon - Good Morning from Elrinda on Vimeo.



今 敏 オフィシャル・サイト - KON'S TONE
Satoshi Kon (Wikipedia)

18.8.10

Comecei a ver: Death Note

De início estava bem curiosa acerca de Death Note, era uma daquelas séries que, não sendo o meu género preferido, queria muito ver. Agora que estou a chegar sensivelmente a meio, percebo as suas qualidades, mas também percebo os defeitos e não percebo o porquê de tanto histerismo à volta de Death Note.

Death Note é uma série essencialmente cerebral e, em certos aspectos, não muito longe de Detective Conan. Quero com isto dizer que se Detective Conan é uma série em que cada episódio (ou pequeno conjunto de episódios) é um whodunnit clássico, Death Note é, na sua linha narrativa principal, também um whodunnit. A grande diferença é que em Death Note sabemos logo à partida "quem o fez" e vemos a historia do ponto de vista do "criminoso".

A grande razão porque não percebo o histerismo é que, no geral, não acho as personagens interessantes: Light Yagami é irritante e antipático, Misa é uma parvinha e todos os secundários são isso mesmo: carne para canhão. Escapam Ryuk, excelente na sua despreocupação com tudo o que de "moralmente condenável" se passa à sua volta, sendo a sua maior preocupação a própria sobrevivência, passar um bom bocado e comer maçãs (detalhe delicioso!), e L. L acho que compensa o desinteresse das outras personagens, mas talvez eu diga isto porque em geral gosto de personagens cerebrais e é isso que ele é. Para além disso é um tipo enigmático que é talvez o que Light precisa para se tornar vagamente interessante.
Para além de tudo isto, em termos do peso que possa ter em "adolescentes influenciáveis", Jigoku Shoujo, tratando essencialmente de vingança, parece-me bem mais perigosa. O único problema moral-social que vejo é o sentido deturpado de justiça de Yagami, mas as personagens que oiço mais gente comentar são o L (que tem a moral aparentemente no sítio) e Misa (que é uma parvinha).

Qualidades: é realmente uma série de primeira, com uma produção excelente. A premissa da história é muito boa, dá pano para mangas e é suficientemente flexível para se poder arrastar a história ao sabor do share de audiências.

Defeitos: não sou grande fã do character design (diga-se, dos humanos), a paleta soturna também não me fascina demasiado e até acho o visual um tanto pretensioso. Ah! Explicações a mais... gostaria que deixassem um bocadinho mais de raciocínio com os espectadores, aquilo é pior que qualquer C.S.I.! Odeio o estilo da música do genérico, só consigo tolerar este tipo de música por ser castiça em genéricos como o de Saint Seiya. Mas isso é apenas o meu gosto pessoal, que raramente anda em sintonia com genéricos de anime.

No geral estou a gostar de Death Note, mas sinceramente está a decepcionar-me um bocado. Não estava à espera.

DEATH NOTE デスノート

Animax

17.7.10

Volta Candy Candy, que estás perdoada!


Este post é um apelo aos fãs de Candy Candy em Portugal e também do Brasil, pois sei que muitos brasileiros lêem este blog, para não deixarem a Candy Candy morrer.

Como explico em traços largos no meu site dedicado à Candy Candy, a autora dos desenhos, Yumiko Igarashi, comercializou indevidamente ilustrações e merchandising da Candy Candy desrespeitando os direitos de autor da autora do texto, Kyoko Mizuki, sem a compensar dos lucros. Esse acto resultou num longo processo em tribunal que foi decidido a favor de Kyoko Mizuki. Infelizmente como resultado ambas as editoras, a Kodansha para a manga e a Toei para a série anime, bloquearam a reedição da Candy por causa da má imagem gerada pelo processo. Com isso, os direitos internacionais de edição e distribuição também estão bloqueados e os fãs de Candy Candy, que foi um dos animes mais marcantes em Portugal no início dos anos 80, estão impedidos de usufruir novamente desta história, seja em manga traduzida, seja em edição da série em DVD.

Está a decorrer uma petição online com o objectivo de pedir a Igarashi Yumiko que faça um pedido de desculpas formal a Kyoko Mizuki e, por consequente, limpar a imagem de Candy Candy e permitir que a mesma volte a ser publicada, como muitas séries dos anos 70 e 80 têm vindo a ser e com sucesso.

A petição encontra-se aqui: Rebirth of "Candy Candy" Petition, é muito fácil e rápida de assinar e a assinatura pode ficar anónima se o desejarem. Por favor assinem pois, quem sabe, não poderá haver uma edição em português da manga!

Candy Candy (Wikipedia)
Kyoko Mizuki (Wikipedia)
Yumiko Igarashi (Wikipedia)

 manga

21.6.10

Comecei a ver: Ergo Proxy

Ergo Proxy é um anime SÉRIO... e deslumbrante!

Na continuação da exploração (e aproveitamento) do canal Animax, comecei a ver mais uma série há muito adiada: Ergo Proxy. Estava adiada pois chamou-me a atenção mas não aprofundei nem pesquisei acerca da série. De certa forma ainda bem que a estou a ver bem "verde" sem saber quase nada, pois Ergo Proxy é daquelas para ver com muita atenção.

Com a chancela de qualidade da Manglobe e do canal Wowow, Ergo Proxy consegue estar no topo da escala em termos de qualidade da produção. Aos primeiros episódios deparamo-nos com uma estética deslumbrante, dentro do género ficção-científica com ares de cyberpunk, em tons escuros, quase monocromáticos, de pretos, cinzas e azuis, mas onde personagens e cenários se fundem, quase sem se notarem as costuras, formando um ambiente coerente, discreto mas impressionante. Gosto!

Quanto à história ainda mal posso falar, este não é daqueles animes onde se estabelece a situação num só episódio, tem uma narrativa complexa, cheia de meandros e novos conceitos que vão sendo apresentados aos poucos. Para já percebe-se que Re-l, a protagonista que goza de uma boa posição social, é a chave para desvendar os diversos enigmas e conspirações já sugeridos, que envolvem planos de poder e conspiração científica e social. Dificilmente dá para perceber onde esta história vai parar, também não é daquelas histórias que nos agarram com ambas as mãos e nos arrastam quase desesperadamente até ao final, mas tudo o que até agora foi sugerido desperta uma boa dose de curiosidade e promete uma excelente série.

Gostei do detalhe de algumas personagens terem nomes de filósofos modernos: Lacan, Deleuze, Guattari... se a ligação for mais que apenas os nomes, isto promete mesmo!

Como a programação do Animax não é de todo linear e apanhei muitas das séries que comecei a ver mais ou menos a meio, o processo de as terminar de ver será lento e entre cortado, mas sou uma pessoa paciente... Para já parece-me que vou ver Ergo Proxy de uma assentada, portanto até deve ser a primeira série que vou acabar desta fase.

Ergo Proxy|エルゴプラクシー

Animax

14.5.10

Comecei a ver: Honey and Clover

HachiKuro é tãããããooo giiiiiiiiiiiiiirooooooooo!!!!!!!!!!!

A sério, há muito, praticamente desde que a série estreou, que estou para ver Honey and Clover. Já conhecia o genérico mais adorável da história do anime, sabia mais ou menos as circunstâncias da história, mas só mesmo vendo, episódio a episódio, para apreciar condignamente.

Honey and Clover tem uma história slice-of-life, com uma narrativa compassada mas que evolui de modo sólido, acerca de um grupo de estudantes universitários numa faculdade de belas artes e arquitectura (será a GeiDai em Tóquio?). Naturalmente o trunfo de um anime como estes está no detalhe, nos pequenos pormenores das relações entre personagens, nos amores cruzados, na vida universitária, nas decisões de vida, sem grandes eufemismos nem exageros. Honey and Clover é no que o anime pode ser de mais próximo de um dorama ou telenovela, portanto nem sequer surpreendeu a sua posterior adaptação a live-action, melhor, dorama.

As personagens são todas muito ricas, cada uma com características psicológicas marcadas mas onde sobressai sempre Hagu, a rapariga de 18 anos minúscula e com ar infantil, que é um génio artístico.

Sendo mais uma produção do bloco Noitamina, esta é mais uma série de anime que passou originalmente num horário tardio, com um público-alvo mais maduro e uma qualidade técnica sem mácula com um pequeno toque de irreverência ou experimentalismo. Para além do maravilhoso genérico inicial, do grafismo cuidado geral da série, o character design e décors são sublimes no seu traço delicado, cores pastel e gradações de ilustração a aguarela. Esta combinação dá a Honey and Clover uma estética fora do comum e algo etérea, que liga às mil maravilhas com a história.


Dramatic, YUKI - Honey and Clover OP1

ハチミツとクローバー
Honey and Clover (J.C. Staff)

Animax

11.5.10

Comecei a ver: Yakitate!! Ja-pan

Graças ao novo brinquedo da box, comecei a ver um número considerável de séries de anime, algumas que já tinha começado a ver e outras que queria ver mas ainda não tinham calhado. No meio disto tudo dei por mim a ver Yakitate!! Ja-pan (Amassando Ja-pão - boa tradução do título!) e a ficar viciada!

De todas as séries a dar no Animax (e não só) fui logo cair na menos provável. Yakitate!! Ja-pan era daquelas séries de que via constantemente referências na revista Newtype, na qual reparei essencialmente pelo título, mas à qual não dei importância alguma, digamos que se infiltrou. Dentro dos anime de comédia que já vi, este não é dos melhores, mas como todo o anime de comédia, se se gosta e se percebe minimamente o humor, proporciona boas gargalhadas.

Como a maioria dos anime de comédia, à semelhança de Excel Saga e Keroro Gunsou, Yakitate!! Ja-pan é um anime que vive das referências a outras séries de anime, doramas, J-pop e todo o tipo de cultura pop japonesa. Um bom exemplo é o grupo rival dos Pantasia (sim, nome genial!), chamado CMAP que é claramente uma paródia à velhíssima boys-band japonesa SMAP que têm (ou tiveram, não tenho a certeza) um popular talk show, de referir um talk show à japonesa, chamado SMAP x SMAP. O vilão é o Gendou de Evangelion, na equipa de Pantasia têm um samurai que é uma versão do Goemon de Lupin III e assim sucessivamente... os clones são descarados!

Como o título indica, Yakitate!! Ja-pan é um anime cujo tema principal é o pão. Melhor, o tema principal é conseguir fazer o pão do Japão (daí o trocadilho do título). Portanto trata-se de uma série em que em cada episódio vemos o herói, Kazuma Azuma, junto com os seus amigos, mentor (o genial e bronzeado Matsushiro Ken, que enverga uma afro e é mais uma referência ao cinema popular japonês dos anos 70) e rivais convertidos a superar uma série de provas, uma cada vez mais louca que a anterior, em que as suas capacidades inventivas de fazer o ja-pão perfeito são colocadas à prova.

Em si, cada episódio e a linha narrativa principais não têm nada de especial, mas é impossível não rir à gargalhada quando o júri do programa de TV/concurso Yakitate Nine, Kuroyanagi Ryo, se transforma em Super-Kuroyanagi, nada mais que um super sayajin de Dragon Ball, ao provar o pão da equipa rival e depois na sua versão de super sayajin II ao provar o pão de Kazuma e da aua equipa de Pantasia.

Problemas: apesar de terem acertado muito bem no título, a tradução continua duvidosa e com opções altamente questionáveis. Kanmuri Shigeru, um rapaz kawaii, mas definitivamente um rapaz (até já apareceu de tronco nu) é muitas vezes "traduzido" como uma rapariga. Quando o 1º membro dos CMAP que aparece (o de cabelo vermelho, não me lembro do nome) , ao falar ele utiliza imensas palavras em inglês e até as usa de forma correcta. Na versão portuguesa acharam por bem substituir cerca de metade dos termos em inglês pelos seus sinónimos, também em inglês, opção que me passa totalmente ao lado. Para quê? Se está uma palavra em inglês no original, se ela não é traduzida por causa do tipo de diálogo que a personagem fala, para quê substituí-la por um sinónimo em inglês? Por quê substituir "quit" por "resign"? Não percebo...

De resto é daquelas séries para ver e ficar bem disposto, é divertida, alucinante e mesmo que não se apanhem as referências todas, as mais óbvias apanham-se bem e nunca nos sentimos a leste da piada. Outra qualidade desta série é que, inadvertidamente, acabamos por aprender imenso acerca de pão, culinária japonesa e produtos regionais do Japão. É um anime didáctico! Mas talvez seja melhor não o ver de estômago vazio...

テレビ東京・あにてれ 焼きたて!! ジャぱん
YAKITATE-JAPAN.COM -焼きたて!!ジャぱんコム-

Animax

11.4.10

Recomecei a ver: Inu Yasha



Grande revolução cá em casa: larguei a TV-Cabo e agora com o novo sistema do Clix e uma box de gravação tenho o Animax! Não estou deslumbrada com o Animax e, de momento ando com pouquíssima disponibilidade de engolir anime às colheradas, mas uma box de gravação tem as suas vantagens e a partir de agora vou aproveitar, é claro! E não é só no Animax que anda a dar anime que quero ver: o Panda, a SIC-Radical e a MTV (? - pois é, também fiquei surpresa quando soube) também!

Com isto tudo vou voltar a pegar naquelas séries que foram cruelmente interrompidas quando o AXN deixou de passar anime e aproveitar para ver as que ainda não vi, e que me interessam, que estão a passar no canal e noutros também. A primeira delas é Inu Yasha, que fui forçada a interromper no episódio 150 e tal e que agora retomo no 213. Pode ser que consiga ver os que estão pelo meio, no Animax repetem tanto a programação que é bem provável. Felizmente os episódios de Inu Yasha são mais ou menos semelhantes entre si e perco relativamente pouco da narrativa principal, se bem que a quero ver na mesma, é claro! Não seria capaz de fazer isto com uma daquelas séries que estão no topo da minha escala, mas Inu Yasha está na categoria do "gosto, quero ver, mas não me importo de não ver tudo de seguidinha e certinho".

Para já, mais uma vez insisto, porque não tenho muito tempo, vou ver cerca de 1 episódio de uma série por dia. Portanto o avanço será lento, mas seja pelo brinquedo novo ou seja porque simplesmente me apetece, está me a saber bem!

犬夜叉 Avex
犬夜叉 YTV

Animax

3.4.10

Summer Wars

Não tenho visto anime ultimamente, daí o estado de abandono deste blog, mas o anime veio ter comigo... Por razões profissionais veio me parar às mãos este filme magnífico, Summer Wars! [bom trabalho o meu, não?]

Summer Wars conta-nos a reviravolta de 180º que o mundo de Kenji, um génio da matemática, dá, quando a sua colega Natsuki o "contrata" para um trabalho de Verão. Kenji, Natsumi, os Jinnouchi, a família dela, e Sakuma, o seu melhor amigo, vivem num futuro próximo, onde as pessoas vivem uma segunda vida no mundo virtual de OZ. Mas, ao contrário do que este resumo deixa a entender, o cenário deste filme é campestre e dentro de uma tradição o mais japonesa possível.

A história, sem fazer spoilers, é muito inteligente, utilizando bem os contrastes entre a tecnologia sofisticada e os pequenos detalhes da vida no campo. Esse contraste também é notório entre a família minúscula e urbana, solitária e quase sem interacção social, de Kenji (filho único, pais separados e ocupados com os empregos) e a família gigante, unida, meio louca e tradicional de Natsuki.

Escusado será dizer que os preparativos para a festa do 90º aniversário da bisavó, Sakae, as pequenas quezílias entre parentes, as rivalidades, um passado rico, uma casa belíssima e gigantesca, todo o historial familiar que remonta à era dos Samurais e as histórias que daí advêm, são um regalo para os olhos e ouvidos e quase que todos queremos fazer parte daquele bando de loucos amistosos.

Apesar da estranheza inicial, o elemento estranho, Kenji, acaba por ser o catalisador de diversos eventos que vão desde os preparativos para a festa de aniversário à possível destruição do mundo. O certo é que, todos unidos, esta família de gente doida consegue se superar, encontrar novos talentos e, claro, acolher o seu mais novo elemento.

A animação de Summer Wars, sendo produzido pelos estúdios Madhouse, é sem mácula, utilizando uma estética naturalista, que faz lembrar Toki o Kakeru Shoujo, uma tendência recente entre filmes do género, e uma estética muito Takashi Murakami para o mundo de OZ, onde os avatares são tão variados e criativos quanto as pessoas os utilizam.

vídeo de abertura do filme e apresentação do mundo de OZ

Recomendo vivamente o site oficial, mesmo não compreendendo a língua japonesa, pois tem uma série de informação acerca do filme, tal como a árvore genealógica dos Jinnouchi, vídeos, wallpapers e uma série de posters do filme.

映画「サマーウォーズ」公式サイト [JP]

Quem tiver possibilidade, este filme e outros dois filmes produzidos pela Madhouse, vão passar em sala durante o festival de cinema independente Indie Lisboa, na secção Indie Júnior. A programação estará no site para a semana.

19.2.10

Cosplay Photoshoot #7

Pois é, fiz o meu cosplay comeback! Já há muito tempo que não participava em eventos de cosplay (mesmo muito) e uns anitos (bastante menos) que nem sequer fazia cosplay... A vida tem destas coisas, por vezes uma pessoa opta por fazer uma pausa em determinadas coisas pelas mais variadas razões e essa pausa prolonga-se mais tempo que o previsto.

Nunca tinha ido ao Photoshoot, mas desde que comecei a ver fotografias do mesmo na net que de certa forma prometi a mim mesma que se algum dia fosse era para ir em glória e acho que o cumpri. Não foi um grupo particularmente interessante, em cada cosplayer havia 3 pessoas à civil e duas mais ou menos (isto é, com um ou outro adereço relacionado com anime). Isto aliado a uma chuva chata dispersou de tal forma as pessoas que dificilmente se teve uma boa ideia dos bons fatos que por lá passaram. Mas no meio da maralha de Narutos e afins, de gente encasacada onde mal se vislumbravam os fatos e de os poucos cosplayers que conheço pessoalmente ou não terem ido ou terem aparecido à civil, diverti-me bastante e valeu a pena!

Quanto aos cosplays destaco o par Kagome-Inu Yasha, estavam tal e qual! O Jack Skellington, que apesar de não estar perfeito, a cabeça e o laço-morcego estavam fabulosos, a Mokona Modoki pelo esforço e originalidade, fatos desse tipo não são os mais fáceis de conseguir mas são sempre eficazes. E depois... uma Eternal Sailormoon (mesmo sem as asas) e uma Super Sailor Mars são sempre razão de festa!

Mais uma vez tirei fotos que estão aqui. Perdoem-me o exercício narcisista, a maioria são minhas, mas pelo menos uma vez por ano tenho direito, não?



Parque das Nações

13.12.09

Nippon Koma 09: dia 6

A sessão da tarde, uma selecção de filmes de Yuki Kawamura, foi a mais experimental de todas. Não posso chamar aos filmes dela animação, mas também não são ficção ou documentário ou outro rótulo comum qualquer. Através de música electrónica e imagens em vídeo trabalhadas digitalmente na pós-produção e não só, temos filmes dignos de uma instalação de vídeo numa qualquer exposição de arte moderna. Mesmo assim os vídeos são extremamente lúdicos e interessantes, tendo sido esta uma das melhores sessões do Nippon Koma deste ano. Não encontrei site oficial (experimentem googlar "Yuki Kawamura" e percebem porquê) mas encontrei este vídeo, que não tendo sido mostrado no Nippon Koma, é claramente dela e também bem interessante.



Sky Crawlers... a vedeta deste ano. Já várias vezes manifestei aqui que acho o trabalho de mamoru Oshii pretensioso, mas este Sky Crawlers foi o filme dele, até agora, de que mais gostei e o único que posso dizer de que gostei verdadeiramente apesar de, para variar, não achar genial. Como sempre o trabalho artístico do filme, cenários, desenho de personagens, animação, animação 3D e efeitos especiais é impecável e imaculado, dando protagonismo mediático a este filme, mas esse mérito não é totalmente de Mamoru Oshii que nada mais faz do que se rodear das pessoas certas. A história do filme é interessante, felizmente com menos filosofias de algibeira o que faz com que ele não se espalhe tanto, mas o filme é demasiado longo, com um tempo de exposição que se arrasta, só se percebendo o conflito do filme quase a meio. Passei o filme todo a pensar em Last Exile, pois o tema e a sua envolvência é algo semelhante, mas Last Exile é muitíssimo superior, mais emocionante. Da mesma forma as cenas de acção, de batalha aérea são espectaculares (animação 3D), mas dêm-me todos os dias Porco Rosso de Hayao Miyazaki, 100% animado à la pata mas 100 vezes superior a Sky Crawlers. E depois há uma coisa que me enerva um bocado no anime em geral e que neste filme é notório. Quando o 3D é hiperrealista e os cenários extremamente elaborados, sem contornos, choca-me sempre a bidimensionalidade e o aspecto plano da animação das personagens que não conjugam. Talvez seja embirração minha, mas se nos animes antigos isso era um defeito técnico difícil de contornar, nos de agora isso irrita-me um bocado. Por fim houve outra coisa que me fez alguma espécie, o facto de os aviões dos protagonistas (com um design bem interessante) e os aviões dos inimigos serem muito difíceis de distinguir em batalha. Das duas uma, ou foi asneira do designer dos aviões, que quis ser demasiado realista, ou foi propositado como um estratagema narrativo para nos indicar [spoiler alert!] que amigos ou inimigos, os pilotos são todos kildren, todos semelhantes. [fim de spoiler alert]

Este Nippon Koma de 2009 foi muito honestamente o mais fraco de todos. Senti falta do lado divertido e tolo do Japão, das coisas coloridas e engraçadas, das compilações de filmes e videoclips da One Dot Zero, dos documentários acerca de temas mais pop ou mais culturais, mais positivos, de me divertir. O público aparentemente concordou comigo, pois desta vez nem a sessão de Genius Party, nem a sessão de Sky Crawlers estiveram perto de esgotar... as outras, estiveram às moscas (ou quase)! Aliás, para o ano, ainda por cima com o aumento do preço dos bilhetes, vou fazer o que fazia sempre antes: antes de comprar os bilhetes pesquisar sobre os documentários e definitivamente só ver apenas aqueles que me despertam algum interesse, seja pelo tema ou por outra coisa qualquer que me chame a atenção. Estou farta de documentários em vídeo digital, mal filmados, com uma imagem manhosa, sem noção alguma de uma linguagem cinematográfica e sem preocupação nenhuma para além de registar, registar, registar... Felizmente a animação dificilmente desilude. Até para o ano!

Culturgest

12.12.09

Nippon Koma 09: dia 5

A sessão da tarde foi a "sessão histórica", uma selecção de filmes dos primórdios da animação japonesa pela Digital Meme e continuação de uma sessão semelhante do ano passado. Os filmes são sempre muito engraçados. Este ano dei por mim a tentar descobrir neles as sementes da estética do anime mais actual, ou pelo menos o anime dos anos 70 e 80. O character design é quase uma cópia das influências directas da Disney primordial e dos irmãos Fleischer, mas já se encontram pequenos desvios mais personalizados, nomeadamente quando são desenhadas personagens femininas que devem ser bonitas ou, melhor ainda, kawaii. Onde claramente a influência não é ocidental é quando as personagens são mais nipónicas (samurais, pessoas em kimono, etc.) e muito nos cenários, extremamente detalhados e com uma gradação de cinzas mais própria dos quadros orientais que de uma animação ocidental mais simplificada.

O documentário da noite, Mental, era ligeiramente mais bem produzido que os anteriores e aborda mais uma vez um tema social mas que pessoalmente me interessa um pouco mais, uma clínica/hospital de pessoas com problemas mentais, desde a esquizofrenia à mais comum doença bipolar. A realidade destas pessoas é triste, principalmente devido a um sistema de saúde longe de ser perfeito e muito por causa do perconceito social. Mas apesar de o documentário ser longo, vemos muita coisa mas vemos muito pouco, pois o filme não acompanha uma única pessoa, mas sim vários doentes da clínica, sem se acompanhar uma caso ou história do princípio ao fim.

Culturgest

10.12.09

Nippon Koma 09: dia 4

O documentário desta tarde foi uma espécie de continuação do conceito de que me queixava ontem... Nestas alturas pergunto-me: o que torna um documentário suficientemente digno de nota para vir parar a uma mostra ao outro lado do mundo? Será por causa do tema social? Será apenas por ser japonês? Será por ter sido produzido há pouco tempo e surgido num qualquer catálogo refundido de uma distribuidora underground? No caso do de hoje, Line, definitivamente a qualidade não era a razão da sua escolha. Qual foi ela? Não faço a mínima ideia... felizmente era curto.

Mas, MAS, para compensar, Mind Game, o filme da noite, produzido pelo Studio 4ºC era excelente! Este filme continua dentro do espírito de tudo o resto que já vi saído deste estúdio de animação: mistura de técnicas, animação com uma estética meio de autor, meio industrial, uma história surreal que parte de um contexto mais ou menos realista, etc. Como estes valores dão pano para mangas e os filmes vão variando bastante, cada vez mais me estou a tornar fã do Studio 4ºC e estou bem longe de me cansar destes filmes... VENHAM MAIS! Não vou descrever nada, Mind Game é divertido, é esquisito, é diferente e recomenda-se.

Culturgest

9.12.09

Nippon Koma 09: dia 3

Comentava eu, pouco tempo antes da sessão da tarde do Nippon Koma, que achava as sessões dedicadas a um só autor problemáticas pois ou o dito autor é muito bom e a sessão é um prazer ou o autor é menos bom e pode se tornar uma seca descomunal...

Felizmente esta sessão, dedicada a Takashi Ishida, pertence à primeira categoria e a sessão foi um prazer surpreendente. Não posso considerar Ishida apenas um autor de filmes de animação, pois ele é mais do que isso. A avaliar pelos filmes exibidos, Ishida é um artista plástico com A grande! Os seus filmes conjugam o trabalho de luz e sombra, através de animações bicolores, nem sempre ou quase nunca sobre papel. Ele utiliza as paredes do estúdio e outros meios tridimensionais de grandes dimensões para desenvolver os seus filmes em stop-motion. As imagens lembram o que seria se Jackson Pollock tivesse animado os seus quadros, mas num trabalho muito além disso que conjuga diversas técnicas, repetições, sobreposições ópticas, trompe l'oeil ou ilusões ópticas, tudo coreografado ao som de música electrónica ou clássica. Numa espécie de culminar de todas essas experiências o filme Film of the Sea, ao substituir o habitual preto por tinta azul, transforma um experimentalismo quase abstracto em algo com que mais facilmente se empatiza, num filme mais consolidado e não apenas o estudo do movimento e da dicotomia luz/sombra apenas guiados pela sensibilidade do autor. Infelizmente calhou na ordem dos filmes ser este o primeiro, apesar de cronologicamente ser um dos últimos do artista (infelizmente já falecido), o que, a meu ver é uma má opção pois há uma clara evolução entre este filme e os outros. Ver primeiro uma obra que representa um culminar de experiências condiciona o visionamento das outras e faz com que dificilmente se goste tanto dos outros filmes. Se por outro lado os filmes tivessem sido mostrados por ordem cronológica teria se apreciado os mesmos em crescendo e talvez percebendo melhor a lógica da evolução da obra no seu todo.

O documentário da noite, A Normal Life, Please, pertencia à categoria dos documentários-câmara-de-vídeo-na-mão-sem-grande-preocupação-com-a-linguagem-cinematográfica, isto é, alguém agarrou numa câmara (segundo a narração um realizador freelancer) e resolveu filmar uma injustiça social sem preocupação alguma com a qualidade, o uso da linguagem cinematográfica ou das suas técnicas. Ah, mas fiquei a saber que, para além de os táxis no Japão terem naperons nos assentos, as cabines dos camionistas têm cortinas de renda preta... OK, é bom ver que o Japão não é o paraíso na Terra, já o tinha manifestado em edições anteriores do Nippon Koma, mas também ando a ficar saturada de tanta reportagem, de os filmes de cariz sócio-antropológico serem apenas, passe a expressão, sobre os podres do Japão, e de não aparecerem outro tipo de documentários que mostrem a sociedade japonesa como uma sociedade normal, com tantas coisas boas como más. Sinto falta dos documentários divertidos de Tsuchiya Yutaka, ou de trabalhos mais antigos mas mais cuidados como o saudoso documentário acerca das Takarazuka ou outros trabalhos na área do documentário e/ou experimentalismo que me digam mais que um qualquer tema polémico.

Culturgest

8.12.09

Nippon Koma 09: dia 2

Porque é que eu nunca tinha ouvido falar da Kusama Yayoi??? Porquê??!!!! Kusama Yayoi é uma artista plástica japonesa que reflecte practicamente tudo o que gosto na cultura japonesa na sua arte e modo de vida: a cor, o pop, a ingenuidade misturada com atevimento, o vanguardismo, uma dose de arrogância e narcisismo, o arrojo, o divertido, etc. O documentário de hoje à tarde era sobre esta senhora, na altura em que fez 77 anos mas que embora tenha alguma dificuldade em se locomover não os aparenta e mantém um espírito extremamente jovial. Pena que, para variar, o documentário não faz mais do que isso, mostrar a almas ignorantes como eu que existe uma artista pop de vanguarda japonesa, com méritos reconhecidos. O documentário apenas informa, ainda por cima centrando-se especificamente na obra que a artista estava a fazer quando o documentário foi feito e mostrando apenas um pouco da sua carreira artística riquíssima que inclui, entre outros eventos, uma passagem por Nova Iorque nos anos 60! Como nunca ouvi falar desta senhora??? [Misato auto-flagela-se]

A sessão da noite foi mais uma sessão de curtas de autor que inclui vários títulos curtos, de menos de 10 minutos, de vários autores. Entre eles está Hiroco Ichinose, que conheci este ano na sessão Beyond Kawaii na Universidade Nova de Lisboa. Pela terceira vez vi Ushi Nichi, o divertido filme da vaca com pijama de vaca! Passou uma segunda curta dela, Ha-P, também engraçada, mas que se destacava menos da amálgama dos outros filmes. Aliás, não sendo nenhum dos outros filmes mau, longe disso, também nenhum era brilhante mas todos nos demonstram mais uma vez que a animação de autor no Japão está a desabrochar com toda a sua força.

Culturgest

Nippon Koma 09: dia 1

Tenho de começar a maratona de Nippon Koma com um desabafo: este ano a Culturgest (suponho que foi a Culturgest), pela primeira vez desde que o Nippon Koma começou, aumentou o preço dos bilhetes de €2 para €3,5. É certo que €3,5 por um bilhete de cinema não é muito, sim, é consideravelmente mais barato que um bilhete normal de cinema que, em geral, já está acima dos €5, mas para quem, como eu, compra bilhetes para todas as sessões convenhamos que €24 não são €42! Às tantas a Culturgest, a organização do Nippon Koma, enfim, quem tem poder de decisão nestas coisas, bem que podia arranjar um "passe" para quem comprasse bilhetes para todas as sessões, ou uma assinatura, como havia no Festival ACARTE, ou algo semelhante, pois a fidelidade deveria ser compensada... Terminou o desabafo!

Este Nippon Koma começou com uma sessão do Genius Party (Beyond), na continuação de Genius Party que fora programado no ano passado. Mais uma vez esta compilação de curtas de animação de autor do Studio 4ºC mostra-nos filmes muito criativos, com um lado surrealista muito forte e uma execução em técnica mista e de primeiríssima qualidade, misturando 3D com animação tradicional e outras técnicas tanto analógicas como digitais. Não vou destacar nenhum filme, embora tenha os meus preferidos, pois considero-os todos equiparados em termos de qualidade e tenho alguma dificuldade em avaliá-los comparativamente.

A sessão da noite ofereceu-nos uma maratona logo no primeiro dia. Uma sessão do documentário Fences, em duas partes, que ao todo chegou a quase 3h. O documentário era mais um documentário "naturalista" onde nos conta a história de uma aldeia próxima de Tóquio que teve de ser "trasladada" para os terrenos ao lado uma vez que os terrenos onde existia foram ocupados pelo exército para armazenamento de munição aérea. Acabada a Guerra a base passou para as mãos dos norte-americanos e apesar de à partida essa localidade, depois de um certo prazo, voltar por direito para os japoneses. Ao abrigo de uma série de leis mal interpretadas os americanos pervalecem e continuam por lá impedindo os habitantes locais de frequentar os locais onde estão os seus antepassados e onde as suas famílias viveram mais de 300 anos. Mais uma vez trata-se de um documentário que trata de um tema com um certo interesse (acredito que maior para uns que para outros) mas que como filme, ou melhor, obra cinematográfica, deixa muito a desejar e não satisfaz inteiramente.

Nippon Koma

Culturgest

30.11.09

Yatterman

Pensar em Takashi Miike e Yatterman juntos é, no mínimo, uma ideia estranha. Estranha porque ao pensarmos em Miike é inevitável não nos virem à ideia baldes de sangue e ao pensarmos em Yatterman, pensamos em super-heróis, em psicadelismo dos anos 70, muita cor, muito pop, muito alegre, muito kitsch. O certo é que Takashi Miike é o realizador da adaptação da popular série da Tatsunoko dos anos 70 Yatterman para cinema, em formato live-action, mas tanto poderia ter sido Miike como qualquer outra pessoa a realizar este filme dado que o que tem mais força são os cânones da série de anime e não alguma visão pessoal da mesma. De facto pouco ou nenhum traço de qualquer outra obra de Miike é evidente e nem sequer vale a pena tentar encontrá-lo no meio de tanto super-herói, mega vilão e mecha.

Não vi a série Yatterman, apesar de o desejar há alguns anos, juntamente com as outras séries da Tatsunoko, como Time Bokan, mas vi (mesmo que na sua adaptação norte-americana) e sou fã de Gatchaman! Em suma, gosto de anime de super-heróis!

Mesmo não tendo visto o anime Yatterman, logo na introdução percebe-se que tipo de filme é este: um filme de super-heróis, muito kitsch e pop, onde não há lugar para realismo ou ficção científica séria, grave e soturna, mas sim para a comédia, vilões desconexos, que fazem coreografias quando estão satisfeitos, e para mechas completamente loucos. Não sendo tão hilariante como Cutie Honey, trata-se de um filme do mesmo género, até um pouco infantil com uma ou outra piada ecchi pelo meio.

Yatterman é um filme bem divertido, cheio de efeitos especiais psicadélicos do princípio ao fim, com uma intriga bem básica onde os Doronbo, os vilões, querem roubar as 4 partes de uma caveira sagrada que satisfaz o maior desejo de quem a juntar e os Yatterman, duo de super-heróis com vida dupla, querem impedi-los para manter a justiça no mundo. Pelo meio temos o Yatterwan, e outros mechas bem espevitados, explosões cujo cogumelo nuclear tem a forma de caveirinha, vilões trapalhões, uma gaja-boa-má, Donronjo, e um vilão-mor megalómano, Dokurobei, cujo objectivo secreto e final é acabar com o mundo. E, é claro, o amor pervalece!

Gostei das variantes descaradas "Tokyoko", "Shibuyama", o "107", "Narway", "Ogypt" e outros que tais, claramente Tóquio, Shibuya, o 109, a Noruega e o Egipto (respectivamente) e assim sucessivamente. Digamos que à falta de mais referências e não tendo crescido com estas séries nos anos 70, é sempre bom "reconhecer" os locais onde se passa a acção, perceber alguns trocadilhos básicos, mesmo que os disfarces sejam o mais transparentes possível!

Não é um filme ambicioso, foi produzido para ser um entretenimento familiar de Verão, excepto nos efeitos especiais que são incríveis e tecnicamente perfeitos, utilizando da melhor forma possível os recursos à disposição, apesar de tudo menos realistas. A grande vantagem acaba sendo que as novas tecnologias acabam por encorajar o surgimento de adaptações em live-action das séries de maior culto dos anos 70, criando um género de cinema 100% lúdico mas muito, muito engraçado. A grande excepção talvez seja feita à campanha gigante que precedeu a estreia do filme, que deu azo a inúmeros eventos, os típicos roadshows e até (lá vou eu puxar a brasa à minha sardinha) uma boneca Blythe da Doronjo, uma colaboração rara e neste caso completamente bem sucedida!



2009.3.7 公開:映画「ヤッターマン」公式サイト

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