3.9.11

Comecei a ver: Macross Frontier

Nos anos 90 vi o filme Macross: Ai wo Oboeteimasu Ka? (Macross: Do You Remember Love) e mais tarde a série de OAVs Macross Plus, mas confesso que o que me despertou a curiosidade para Macross Frontier foi a quantidade enorme de cosplayers a fazer de Sheryl Nome.

Ao fim de 5 episódios, Macross Frontier é uma agradável surpresa e bem melhor do que estava à espera. Confesso que não achei grande graça ao filme de Macross, talvez por embirrar com o character design de Haruhiko Mikimoto e não apreciar as canções nem a personagem de Lynn Minmay. Mas com Macross Plus a conversa foi outra, um character design sofisticado, história simples mas empolgante e que posso eu dizer da fabulosa banda-sonora de Yoko Kanno? Ainda são dos CDs mais tocados cá de casa. E nessa série gosto muito da idol Sharon Apple, com os seus espectáculos complexos e sofisticados.

Macross Frontier vai beber a ambos, o universo continua o mesmo, mas no futuro, e a permissa é a mesma, lutas de humanos contra ameaças extraterrestres, com o complemento de uma idol intergaláctica. Talvez a grande diferença em Frontier seja focar-se mais nas personagens, nomeadamente no triângulo amoroso (?) Sheryl-Alto-Ranka. Sheryl Nome é a grande vedeta internacional, ídolo das raparigas e paixão dos rapazes, Alto é o piloto principiante mas genial das Valkyrie e Ranka, a novidade, a aspirante a ídolo da canção. Ranka Irrita-me, acho que ela tem demasiado de Lynn Minmay, aquela "coisinha" enervante que os japoneses parecem adorar, mas Sheryl está mais próxima de Sharon Apple, apesar de não ter o génio musical de Yoko Kanno por trás, tem a sua sofisticação. — Ups, asneira! A banda-sonora de Macross Frontier, incluindo as canções de Sheryl e Ranka, é da autoria de Yoko Kanno. Eu encontrei alguma "inspiração" na música, mas como não tem a subtileza e deslumbre de Macross Plus (provavelmente a melhor banda-sonora de Yoko Kanno), acabei por partir do princípio que se tratava de outra pessoa, inspirada em Yoko Kanno. My mistake! — Alto cumpre bem o papel de piloto enfant-terrible e as Valkyrie continuam a ser das naves espaciais/mechas mais fascinantes da história do anime!

Macross Frontier parece ser uma boa série, bem estruturada, com uma produção sofisticada e maravilhosas cenas de acção. Foi bom as personagens terem tanto destaque, traz a série para um contexto mais concreto e para além de isso apelar a mais público, dá mais intriga à narrativa e equilibra as cenas de acção. Por outro lado traz-me sempre à memória uma outra época, em que estava a descobrir o anime como tal, em que já não eram apenas desenhos animados japoneses que davam nos espaços infantis na TV. Não é por nada que me engano com frequência e chamo Macross Plus a Macross Frontier. Sabe bem ver uma série destas actualmente, quando a maioria das séries me parecem muito iguais entre si.

Estou bastante entusiasmada, devo terminar de ver a série dentro de pouco tempo.

マクロスFRONTIER


31.8.11

Zettai Karen Children

O trabalho tem destas coisas, nem tudo o que me vem parar às mãos é sempre interessante e nos últimos tempos estive a braços com as "Pitas Psíquicas", ou seja Zettai Karen Children (título oficial em inglês: Psychic Kids Squad).

Zettai Karen Children é daquelas séries de anime que, se não me tivesse cruzado com ela a trabalho, provavelmente nunca saberia da sua existência. A história fala de três raparigas de 10 anos com poderes paranormais, Kaoru, cujo poder é a telecinese e é uma miúda completamente rebarbada que adora mamas, Aoi, com o poder do teleporte, a certinha e intelectual do grupo, e Shiho, com o poder da psicometria, inteligência acima da média mas também muito perversa,  e as mais poderosas do Japão, Nível 7. Elas vivem juntas, apesar de não serem aparentadas, com o seu tutor/chefe Minamoto e trabalham para uma organização para-militar chamada B.A.B.E.L. a combater crimes que ainda não aconteceram mas que foram vistos em premonições. A série vai seguindo a evolução das suas relações com os adultos e a novidade de frequentarem a escola pela primeira vez na vida (não o fizeram antes, vítimas do preconceito).

Com isto, Zettai Karen Children tenta abordar o preconceito e o valor das relações humanas, independentemente das qualidades ou defeitos de cada um. De certo modo isso até o consegue transmitir, mas para além disso a narrativa principal pura e simplesmente não desenvolve! A série tem 51+1 episódios, só a partir do 35 é que deixam de ser introduzidas personagens recorrentes novas e que a história começa a desenvolver. Até lá é exposição, exposição, exposição! Isto é, introduzem-se personagens e temas novos até mais não. Mas também pudera, personagens principais e recorrentes, incluindo vilões, são pelo menos 25! Nem Sailormoon, com 200 episódios, chegou tão longe!

De resto a série até tem algum potencial, a permissa e as personagens prometem, as miúdas têm a sua graça e o tom de comédia ajuda. Mas chegamos ao final do 51º episódio e todas as questões importantes que foram lançadas, principalmente uma premonição que afecta directamente Kaoru e Minamoto e pode levar à destruíção do mundo, ficam no ar... à espera de quê? De mais 51 episódios para as explicar ou resolver? Por mim, não obrigada!

Tecnicamente nada a apontar, a série é normal, com uma animação boa, mas sem ser fora de série, um character design mais ou menos, não fiquei fã, banda sonora banal, canções de genérico como muitas outras e pouco mais de interessante. Enfim não é uma série que recomende, mas como a vi achei justo pronunciar-me por aqui.

絶対可憐チルドレン

31.7.11

Macoto Takahashi

Era uma vez... em Portugal nos anos 70. Ainda não existia "anime", mas existiam "desenhos animados japoneses". Os desenhos animados japoneses eram a Heidi e o Marco (ew!) e a Candy Candy ainda nem sequer tinha nascido... Numa era em que quase nenhum dos conceitos com que um fã de anime actual se rege ainda tinha sido criado, quase todas as meninas ansiavam por um estojo em vinil brilhante, cheio de compartimentos e com uns desenhos de umas meninas, muito bonitos e românticos. Às vezes conseguiam umas bonecas de papel de Badajoz ou Ayamonte com ums desenhos parecidos, mas o estojo era o grande objectivo para exibir na escola.

Portanto, num mundo muito anterior a pseudo-otakus, Gothic-Lolitas ou à internet, já muitas meninas portuguesas conheciam o trabalho de Macoto Takahashi, mesmo que não soubessem o seu nome. Eu era uma delas, ansiei pelo tal estojo sem nunca o ter conseguido obter. Na altura pensava que eram espanhóis, pois a grande maioria vinha de Espanha, ou chineses, por causa dos caracteres. Depois da Candy Candy estrear (1983) confirmei que eram japoneses, mas nessa altura, para além de já não ambicionar perdidamente um, também já não eram tão fáceis de arranjar (coisa que nunca foram verdadeiramente).

Nos últimos anos tenho me apercebido destes desenhos de meninas de olhos muito redondos e cintilantes nas capas da revista japonesa Gothic and Lolita Bible, mas no meio de tantos autores de shoujo retro, encarei como mais um e continuei a perseguir aqueles que mais me chamam a atenção: Yumiko Igarashi (Candy Candy, Georgie!) e Ryoko Ikeda (Versailles no Bara, Oniisama He…). Há dias esbarrei com uma imagem de Macoto Takahashi e resolvi pesquisar. Os desenhos são deveras estáticos e as expressões das meninas, sempre meninas, são praticamente sempre iguais, mas o encanto destas ilustrações e a meticulosidade do detalhe são de um talento inigualável e maravilhoso!

Macoto Takahashi é na sua essência um ilustrador, já septuagenário, que continua tão activo hoje como nos anos 60 e 70 e mantém o mesmo estilo retro que nos deu a conhecer através das ilustrações que fez outrora para merchandising. Olhando para os seus desenhos apercebo-me de como o design do shoujo, onde Macoto é uma das principais influências de estilo, mudou tão pouco até aos anos 90 e, talvez com o advento da internet - quem sabe, deu uma volta enorme com uma clara tendência para o novo estilo "moe", que aliás não é shoujo.

Aconselho a darem uma olhadela pelo site oficial, e ver estas ilustrações maravilhosas. Pena é que nunca tenha conseguido o tal estojo!!

MACOTO Art

ilustração/merchandising

11.7.11

Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch

Tenho andado tão ocupada que mal tenho tempo para ver anime, ainda por cima com a morte do Animax praticamente só me restam o Canal Panda e o Panda Biggs para ter um cheirinho pela televisão, e mesmo assim não tenho dado conta do recado.

Dentro das séries que tenho vindo a ver aos pouquinhos, Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch é uma que acabo por ver mais por descargo de consciência e para descomprimir um pouco do trabalho, que por outro motivo qualquer.

Mermaid Melody é mais um clone/sucedâneo de Sailormoon que não correu da melhor forma. O tema, sereias, é perfeito para um mahou shoujo mas foi pouco aproveitado. As personagens são engraçadinhas mas não propriamente cativantes, a história é básica e pobrezinha, demasiado colada à Pequena Sereia de Hans Christian Andersen, o character design pouco desenvolvido e por vezes trapalhão, a animação básica, os cenários normais e nem as roupas das personagens (factor cada vez mais importante num anime shoujo) são vagamente interessantes, nem dos humanos, nem das sereias, nem das versões "karaoke" nem sequer dos vilões, tudo muito para o pirosinho... Quanto às canções, o cavalo de batalha desta série,  bom, quem lê este blog depressa perceberá que não são o meu estilo... prefiro nem comentar.

Pela descrição acima até parece uma série terrível, mas não é, é apenas uma série mais ou menos, que se vai vendo em doses reduzidas. Não cativa mas também não irrita, vê-se!

テレビ東京・あにてれ マーメイドメロディー ぴちぴちピッチ ピュア [Mermaid Melody: Pichi Pichi Pitch Pure - 2º série]

Canal Panda 

23.3.11

Ando a re-ver: Sailormoon

Sailormoon, episódio 22 - 月下のロマンス! うさぎの初キッス [Romance ao luar! O Primeiro Beijo de Usagi]

Em 200 episódios, o episódio 22 (a cerca de 10% de toda a série) permaneceu sempre o meu favorito de todas as 5 séries de Sailormoon, e foi o que acabei de ver agora!

Este é o meu episódio preferido por imensas razões, é romântico até à exaustão, reflecte como poucos o espírito da série indo um pouco mais além, Usagi e Mamoru ainda não sabem que são as reencarnações da Princesa Serenity e do Prince Endymion, não sabem que uma é Sailormoon e o outro o Tuxedo Mask. Ainda nem sequer têm verdadeira noção de que estão apaixonados, apenas existe aquela tensão e atracção que tornam qualquer pedaço de ficção muito romântica e emocionante! Tudo isso aliado a Usagi num vestido bonito, a um baile de máscaras, aos sonhos recorrentes de Mamoru com a Princesa Serenity, a Mamoru a salvar Usagi e logo de seguida, ao bom estilo emancipado de Sailormoon, é ela quem salva os dois e por fim, por fim... o beijo. Bejio que vem um bocado do nada, mas quem quer saber?? Neste ponto da história tudo o que o espectador quer é ver esse beijo! Beijo dado ao luar, como convém, ambos banhados por uma luz azulada, em silhueta debaixo de umas arcadas em estilo palácio Ocidental, portanto, estilo Sailormoon!

É tudo tão puro, tão descomplicado, os objectivos de todos são claros: encontrar a Princesa Serenity e o Cristal Prateado. Os vilões querem-nos para ter mais poder e finalmente conquistar a Terra, as guerreiras querem-nos pela herança, para salvar a Terra e ressuscitar o Reino da Lua e Mamoru quer para perceber quem é e desvendar o mistério que é a sua vida.

Como em quase todas as séries que têm este tipo de tensão, chamaremos-lhe romântica, mantêm-se sempre mais interessantes enquanto os objectivos (românticos) não são cumpridos. A grande qualidade deste episódio é que, como Usagi e Mamoru estão ambos disfarçados, ela pensa que beijou o Tuxedo Mask e ele pensa que beijou uma princesa desconhecida, essa magia romântica ainda se mantém até tudo ser desvendado e ainda faltam à volta de 20 episódios para isso!

É por estas e por outras que Sailormoon continua a ser uma das minhas séries de anime preferidas!

Sailormoon Channel

Canal Panda

20.3.11

Terminei de ver: Honey and Clover e Honey and Clover II


Agora já posso dizer: Honey and Clover foi das MELHORES séries de anime que vi nos últimos anos! Mas não é uma série comum, não tem características comuns à maioria dos animes, não foi produzida como grande parte das séries e é tudo menos previsível!

Grande parte do encanto de Honey and Clover começa no design visual. O character design parece saído de um livro de ilustrações, as cores são claras e em tons pastel, há uma sensação de lápis de cor em todo o ambiente. Depois vêm as personagens. Todas elas únicas e bem marcadas, sem maniqueísmos ou clichés, sem heróis nem vilões. Takemoto, o fio condutor da história, quase se dissolve no seu grupo de amigos, sendo a sua personalidade em geral apagada, acaba por se revelar. Hagu cativa-nos a todos com o seu ar de menina e personalidade doce mas esconde um lado muito sombrio. A maria-rapaz com um amor não correspondido Yamada, revela-se uma rapariga forte mas por vezes indecisa. Mayama, o tipo cool mais maduro, é por vezes cobarde mas transforma-se num sedutor, o doido e estranho Morita, que desaparece de tempos a tempos, demonstra uma doçura e maturidade surpreendentes e o professor Hanamoto, tio de Hagu torna-se numa peça-chave em toda a história. Nenhuma destas personagens está igual ao que era no final.

É surpreendente como uma história com um ritmo lento, acerca de um pequeno grupo de amigos e dos seus dramas pessoais, consegue ser tão cativante e empolgante. Sempre que via um episódio mal podia esperar pelo seguinte e, sempre que a oportunidade surgia, vi 3 ou 4 de seguida. Ao longo de Honey and Clover queremos conhecer pessoalmente aquelas personagens, queremos fazer parte da história, daquele mundo.

É com alguma satisfação mas também tristeza que acabei de ver esta série, quero mais! Felizmente ainda há o dorama, a ver se um dia consigo vê-lo. Estou mortinha de curiosidade para ver aquelas personagens encarnadas por actores, principalmente dentro do formato dos doramas japoneses em que existe um modo de filmar, de contar uma história, os maneirismos dos actores, que são bem peculiares, mas que me parece que irão servir lindamente esta história e aumentar o grau de empatia sentida. Espero não estar enganada.

Depois disto só me apetece terminar como comecei: HachiKuro é tãããããooo giiiiiiiiiiiiiirooooooooo!!!!!!!!!!!

ハチミツとクローバー
Honey and Clover (J.C. Staff)

Animax

13.3.11

Tsunami

Tsunami [津波] foi uma das primeiríssimas palavras em japonês que aprendi, para além das óbvias, graças ao anime Mirai Shounen Conan. Desde sexta feira (11.03.2011) que a natureza parece estar a brincar ao Conan. Temos de tudo: terramoto, tsunami, centrais nucleares em perigo de meltdown, o eixo da Terra desviado, a costa japonesa engolida, a Tokyo Tower retorcida... Mais do que nunca a realidade imita a ficção, mas a realidade não é nada bonita!

No meio disto tudo a Internet tem se mostrado uma ferramenta fulcral na divulgação atempada e correcta da informação, destronando as televisões na rapidez e nos testemunhos na primeira pessoa. A Anime News Network criou uma lista de pessoas ligadas à indústria do anime e da manga que já deram sinais de vida, com links para os próprios blogs, sites, Twitters e semelhantes e em actualização permanente. Consultem aqui:

日本人がんばってね~


9.3.11

Cosplay Photoshoot #8

Este ano voltei a participar, fui de Yuuko Ichihara (xxx HOLiC), o fato do episódio da neve, versão manga (não gosto da versão do anime - demasiado mãe Natal), e a tirar fotografias no encontro anual de cosplay em Lisboa, o Cosplay Photoshoot, este ano organizado pela Cosplayer E-zine. Acabei por não ter nenhuma foto minha tirada com a minha máquina, mas vou ver se arranjo uma para colocar aqui (já arranjei!).

Este ano foi particularmente divertido já que o tempo resolveu colaborar apesar de uma ameaçadora chuvada matinal. Resultado: houve mais gente mascarada e imensos miúdos a fazer cosplay, entre eles uma Luna de Sailormoon, uma Sakura Kinomoto (Card Captor Sakura) um Naruto ultra-kawaii e uma Temari (acho, espero que sim) acompanhada do pai. Esta geração tem os pais mais fixes de sempre! Houve várias personagens de Sailormoon, algumas de Dragon Ball e Dragon Ball Z, menos de Naruto que o habitual, umas de Kenshin. O anime old school ainda bomba!

Divirtam-se com a galeria, se identificarem algum cosplay, personagem ou série, por favor comentem aqui ou no Picasa.



Parque das Nações

24.2.11

Comecei a ver: Nodame Cantabile

Nodame Cantabile é provavelmente a última série a estrear no Animax, mas uma série para fechar o canal com chave de ouro. Tal como Hachi-Kuro, Nodame Cantabile é mais um anime do projecto Noitamina que há muito quero ver. E queria ver principalmente pela temática original, que até à altura era pouco abordada em séries de anime: a música clássica♪.

Mas não se iludam os mais cépticos, esta é uma série de anime acerca de uma rapariga trapalhona e de um rapaz bonito e inteligente, cujo pano de fundo é a música clássica. Na realidade esta é a história de Nodame (Noda Megumi), uma rapariga trapalhona, desleixada com um ouvido musical excepcional e de Chiaki Shinichi um génio musical sobre-dotado, bonito e demasiado egoísta para seu próprio bem. Ao cruzar-se com Nodame, Chiaki treme até às fundações no seu carácter e na sua abordagem à música. Por mais improvável que o par seja, Chiaki fica impressionado com a espontaneidade com que Nodame toca o piano, por oposição à sua rigidez e exigência técnica. Nodame nem sequer sabe ler pautas, aliás característica dos "naturais" nesta série, e toca de ouvido. Ela não precisa de ouvir uma música mais que uma vez para a reproduzir extraordinariamente mas em versões muito pessoais que quase levam Chiaki à loucura. É na música que ambos encontram a sintonia, como aliás o demonstra a imagem — a primeira vez que tocam em dueto ao piano —, a rigidez e técnica de Chiaki compensam o improviso e emoção de Nodame e vice-versa, aproximando-os cada vez mais.

Como todas as séries saídas do Noitamina, Nodame Cantabile tem um cuidado técnico acima da média, mas no que Nodame é diferente é no uso da modelagem 3D e do rotoscópio para um maior rigor na representação e animação dos instrumentos musicais e das respectivas interpretações. Os instrumentos musicais são modelados em 3D e a animação das mãos do intérprete é feitas através de uma técnica chamada rotoscópio. Trata-se de filmar a cena em imagem real, por exemplo mãos a tocar piano, e depois redesenhar essa filmagem, fotograma a fotograma, em animação. Esta técnica dá um efeito realista ao movimento e torna-o também mais fluido. Os japoneses não fazem maravilhas com o 3D mas no caso de Nodame Cantabile aproveitam lindamente o que o 3D lhes pode oferecer de melhor para a animação dos instrumentos. Este cuidado com o rigor técnico musical inclui também, sempre que é tocada uma peça de música, uma legenda com o nome da peça e o autor da mesma, tornando-a também pedagógica.

Só é pena, mesmo muita pena, que a tradução continue a ser considerada um aspecto menor e seja muito aquém da série traduzida.
Erro nº 1: a tradutora deixou os honoríficos japoneses (os ~san, ~kun, ~chan, ~sama, etc.). Os honoríficos devem ser traduzidos sempre que isso for possível, no caso de ~san é utilizar Sr., Sra., etc. se for caso disso. Nunca esquecer que é normal que amigos ou colegas se tratem por ~san, portanto a palavra não implica forçosamente um tratamento formal. Portanto os honoríficos japoneses têm uma função ligeiramente diferente dos portugueses, servem para estabelecer o grau de formalidade da relação entre dois indivíduos. A razão é muito simples: um português que nunca tenha ouvido uma palavra de japonês não faz a mínima ideia do que seja ~san ou ~chan, portanto, como essas palavras têm uma razão de ser, têm de ser traduzidas. Mas já me estou a alargar, pois a série deve ter sido traduzida do inglês ou do francês, portanto o erro já deve vir de trás.
Erro nº 2: deram uma série, cujo tema principal é a música clássica, a traduzir a alguém que para além de não perceber patavina do assunto foi preguiçosa na pesquisa, cingindo-se apenas à Wikipédia em português, que já TODA a gente sabe que é 90% preenchida por brasileiros. Naturalmente os termos não vão coincidir e temos incoerências na tradução ao longo da série, como o uso de mais de que uma palavra para o mesmo conceito. Estudei música, já soube em tempos todos os elementos de uma orquestra (tinha de o saber), entretanto já estou muito esquecida, mas de uma coisa me lembro: apesar de ambos os termos estarem correctos no dicionário, em Portugal timbales (os "tambores" gigantes em cobre que costumam ficar na parte de trás de uma orquestra) são timbales e não tímpanos (aliás, se a memória não me falha, tímpano é a pele dos timbales propriamente dita), e o primeiro violino é primeiro violino e não concertino (até ver Nodame nunca tinha ouvido o termo referido a uma orquestra). O primeiro violino é a 2ª mais importante posição numa orquestra, sendo a 1ª ocupada pelo maestro. A palavra concertino faz sentido, mas o termo correcto em Portugal é primeiro violino. E nem me vou aprofundar mais nestas questões musicais, senão até fico mal-disposta... já para não falar em certas "traduções" de títulos de peças musicais... Nunca mais aprendem...

テレビアニメ「のだめカンタービレ」公式サイト

Animax

23.2.11

Animax: a metamorfose


Já é sabido que o Animax em Maio irá oficialmente dar lugar a outra coisa, outra coisa essa que se tem vindo a infiltrar na programação de anime... É a hora da metamorfose!!

Não tive o canal Animax desde que começou em Portugal (o meu provedor de TV por cabo não o tinha - e era o mais popular na altura!), só desde há mais ou menos um ano é que pude comprovar do que o canal se tratava. Mas desde o início, através da pequena previsão que nos deu o AXN e depois olhando para a grelha de programação, deu para perceber que o canal não começou da melhor forma.

O Animax e a SONY Portugal deveriam ter prestado mais atenção ao produto que tinham em mãos e às pessoas a quem ele se destinava. A escolha de séries foi realmente equilibrada, passando por séries como Super GALS!, Death Note, Inu Yasha, Crayon Shin-chan, Paradise Kiss, Le Chevalier D'Éon, Saiyuki, Detective Conan, Honey and Clover, Kinniku-man, Yakitate! Ja-pan, Saint Seiya, Lupin III, Blood + e tantas outras. Olhando para trás, pode-se ver que é uma boa selecção, feita com algum critério, tentando atingir uma gama maior de fãs, incluindo o sempre excluído público feminino e apostando na qualidade. Só é pena o tratamento que as séries levam depois, com um total desrespeito das mesmas em traduções medíocres, com mau português, português espanholado, horários esquizofrénicos, falta de respeito pela ordem dos episódios ou séries e total falta de comunicação com o público.

Com uma postura distante e elitista, falta de investimento na divulgação por onde mais se encontram fãs de anime, a internet, a não colaboração utilizando as ferramentas sociais à disposição (site oficial, blogs, fóruns, FaceBook, Twitter, MySpace e afins), anunciaram um fim prematuro a um canal com enorme potencial mas menosprezado logo à partida por quem o criou ou administrou.

Lamento o final do Animax mas na realidade não fico assim com tanta pena. Tantas vezes que, ao ver o tratamento dado às séries que emitiam, não pensei que estavam a empurrar o público para procurar as séries que queria ver pelos meios menos próprios que tanto condenam? Eu sou a primeira a querer ver as séries de modo correcto e legal, através da televisão (mais barato) ou, sempre que possível, pela compra de DVDs (mais caro), mas quando quem tem esses meios de distribuição nas mãos trata tão mal o seu produto, só me resta uma alternativa: a internet! Portanto só posso fazer um belo manguito ao Animax e à SONY Portugal! Vão morrer longe!!

Por outro lado, é com TODO o prazer que anuncio (se bem que também já é mais que sabido) o regresso de Sailormoon no mês de Março ao Canal Panda (deve começar logo dia 1 como é habitual no canal)! Infelizmente a série regressa com a dobragem original, onde, entre outras liberdades "criativas", Luna e Artemis fizeram operações de troca de sexo e a Luna tem a voz do Topo Gigio (ewwwww!).

Animax Portugal
Panda TV

Animax/Canal Panda

19.2.11

Ando a ver: Honey and Clover


Há uma coisa que me agrada IMENSO em Hachi-Kuro, para além de ser uma excelente série, naturalmente, a sua imprevisibilidade. Nos primeiros episódios damos por nós a torcer por dois casais, Takemoto + Hagu e Mayama + Yamada. Mas... rigorosamente NADA nos garante que eles fiquem juntos e, ao contrário das estruturas narrativas de praticamente todas as soaps no mundo, que nos apresentam os casais principais logo nos primeiros episódios, para depois passarmos 100 e tal a sofrer para que fiquem juntos, coisa que acontece apenas no final, Hachi-Kuro não nos indica nada disso. Mas pode surpreender! É claro que ainda não cheguei ao fim, existe ainda a segunda série, mas mesmo assim, para já, tudo me leva a acreditar que no final ninguém será o mesmo. Nem as personagens da série, que já estão a evoluir a olhos vistos, nem nós que fomos surpreendidos com uma série de anime excepcionalmente bem escrita.

Agora só espero que o fim anunciado do canal Animax não me faça recorrer a meios menos próprios para terminar de ver esta série...

ハチミツとクローバー
Honey and Clover (J.C. Staff)

Animax

15.1.11

Ando a ver: Crayon Shin-chan


Crayon Shin-chan é divertido, mas no episódio 45, 3º segmento, até o Shin-chan perdeu o controle e foi o episódio mais hilariante de Crayon Shin-chan que vi até agora (restam-me 700 e tal e a contar~)!

Falo de マユゲなしの顔だゾ ("A cara sem sobrancelha") em que Shin-chan, como sempre, vê o pai a arranjar-se para ir ao trabalho e, macaquinho de imitação, ata uma gravata ao pescoço, usa as gavetas da cómoda como escada e trata de rapinar a máquina de barbear do pai!

A partir daí é um desenrolar descontrolado de piadas brilhantes, e desculpem já antecipadamente, mas TENHO de descrever isto, é irresistível! SPOILERS!
Shin-chan liga a máquina de barbear e imita o pai. A coisa corre mal e a máquina desvia-se, rapando uma sobrancelha. Shin-chan consegue escapulir-se de casa, "vou brincar!", e vai ter com os amigos que jogam futebol. Ao aperceberem-se da falta de sobrancelha, uns ficam apavorados enquanto que Nene, a única rapariga do grupo, acha que ele fica mais fofinho. Shin-chan fica na brincadeira até ao sol se pôr e ter de finalmente enfrentar a mãe.

O mais hilariante é que Shin-chan age fora do seu normal, percebe que fez asneira da grande e em vez de enfrentar a "fera" com a lata insolente do costume, pisga-se!

Ao chegar a casa ele ainda consegue protelar, mas a mãe aldraba-o e ele acaba por mostrar a cara. Segue-se o raspanete de sempre (acho que desta não houve carolos) mas, como se o episódio não pudesse ficar ainda mais hilariante, o final é o pico das gargalhadas. Misae, preocupada em resolver a questão, agarra numa Sharpie e desenha a sobrancelha em falta na testa de Shin-chan, que não fica calado e critica os dotes "artísticos" da mãe, claro!

テレビ朝日|クレヨンしんちゃん
バンダイビジュアル★クレヨンしんちゃん★

Animax

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12.1.11

Ando a ver: Super GALS! Kotobuki Ran

Algo familiar esta imagem, não? Sim, lembra outra série de anime, aparentemente em nada relacionada com Super GALS!. Quem lê o Anime-comic já deve ter percebido que adoro uma boa citação, principalmente se essa citação é:
1. de uma série anime que conheço;
2. de uma série que conheço e gosto;
3. é bem encaixada na narrativa e feita com humor, de preferência.

Ora bem, a série citada é Ace o Nerae!, da qual já aqui falei, mas que infelizmente ainda não pude terminar de ver, que é um dos grandes clássicos do anime shoujo desportivo e que foi feito por um dos grandes nomes do anime dos anos 70-80: Osamu Dezaki. Na realidade quem vemos nesta imagem é Ran, que na sua multiplicidade de talentos até serve para substituir a capitã do clube de ténis da escola, Hiromi Ryuuzaki! O nome soa familiar? E é! Hiromi é o primeiro nome da protagonista de Ace o Nerae! e Ryuuzaki é o apelido da sua mentora/rival, a rainha do ténis da escola, Ochoufujin, aquela dos canudos no cabelo e laço cor-de-rosa. A homenagem, para além de engraçada é bem feita, foram "pescar" uma das características estéticas mais marcantes de Dezaki, os planos/quadros parados, sem animação, cujo único movimento é um ligeiro afastamento da câmara ou panorâmica. Essa foi uma opção que Dezaki tomou por causa das grandes condicionantes técnicas da época, mas que tem um efeito dramático forte e muito marcante.

E, para variar, Ran vence o colégio rival, com uma perna às costas, mesmo sem treino exaustivo algum, com o objectivo de consumir as prometidas takoyaki que quiser! Só mesmo a Ran!

Continuo a achar curioso como um anime sobre personagens e situações aparentemente fúteis e vazias consegue ser tão engraçado e cheio de conteúdo! Super GALS! Kotobuki Ran continua a ser uma muito agradável surpresa.

超GALS!寿蘭


20.12.10

Mery Kurisumasu!


Sempre que encontro uma imagem de Natal engraçada de algum anime, gosto de a colocar aqui para as Boas Festas. A grande maioria dessas imagens fazem parte ou de episódios especiais de Natal (não os há assim tantos) ou de promoções natalícias como CDs, DVDs especiais, merchandising, etc., algo mais comum.

Este caso concreto pertence ao genérico de abertura de Super GALS! Kotobuki Ran e é apenas mais um exemplo do que Ran massacra a desgraçada da estátua do Hachiko em Shibuya... Gosto do detalhe do bigode de Pai Natal dela, junto com as típicas botas de plataforma de gal e de o Hachiko ter virado... Rudolph!

★ Feliz Natal do Anime-comic, da Ran e do Hachiko!


14.12.10

Retoques

Dei uns retoques aqui ao blog, com o antigo layout já não estava a conseguir implementar as novas funcionalidades e widgets do Blogger e portanto arranjei um novo template. Ainda quero fazer uns retoques, tais como voltar a colocar a lista de títulos numa caixa drop down, pois é muito extensa e ocupa demasiado espaço. Mas para já basta.

Enfim, espero que as mudanças agradem e também facilitem as visitas a este blog.

じゃな!

10.12.10

Ando a ver: Crayon Shin-chan


No caso de Crayon Shin-chan não posso fazer um post "Comecei a ver:". Isso acontece fundamentalmente porque para além de ter já visto bastantes episódios da série alternados e a série é das longas. Os primeiros que vi, foram episódios algures do meio, há anos no Japão, depois fui vendo a versão remontada norte-americana na SIC e agora estou a ver a versão original, se bem que dobrada em português, que passa no Animax.

Mesmo assim consegui apanhar a série (segundo a informação da box e do Animax) quase no início, episódio 11, e, felizmente Shin-chan não obriga a um visionamento com grande rigor de continuidade.

Andava com saudades da insolência e da subversão de Shin-chan. Com o seu grafismo quase primário, visual infantilizado, Crayon Shin-chan engana bem no que toca a levar as pessoas pelas aparências. Sob essa capa visual infantil, encontra-se uma série de anime do mais adulto, subversivo, insolente, irreverente e cheia de humor negro que se possa imaginar. Quando vi os primeiros episódios, um amigo descrevia Shin-chan como Os Simpsons do Japão. A analogia pode ser válida nos argumentos que apresentei acima, mas Shin-chan é ainda mais subversivo que Os Simpsons. Definitivamente não é para crianças! O lado "bom" é que, na grande maioria, as piadas mais picantes, passam um bocado ao lado dos miúdos, ou lançam umas gargalhadas de alguma piada mais escatológica, e o assunto acaba por se resolver a si próprio sem chocar as almas mais pudicas.

Shin-chan também tem uma estrutura mais comum nos animes infantis, os episódios tem a duração normal de 25 minutos, mas são divididos em três mini-histórias, quase pequenos sketches da vida de Shin-chan a massacrar a família e conhecidos. Massacrar é a palavra que melhor descreve Shin-chan! Que peste! Não desejo um filho assim a ninguém, nem ao meu pior inimigo... Basicamente o modo de estar de Shin-chan é massacrar, moer, irritar, enervar, incomodar, envergonhar, embaraçar, armar confusão onde está e aos que o rodeiam, não olhando a idade, credo ou convicções políticas. Ao menos é democrático. Shin-chan é odiado, evitado, rejeitado, mas algo na sua inocência desenvergonhada faz com que as suas vítimas respirem fundo, suspirem, encham-se de paciência e se preparem para a próxima leva.

Mas o grande passatempo de Shin-chan é ver o seu grande herói na televisão, Action Kamen, um herói mascarado, arquétipo dos heróis infantis japoneses, que combate o mal, em geral personificado num dinossauro-clone-de-Godzilla. O quotidiano japonês revela-se então, na casa e na escola de Shin-chan, no merchandising relativo a Action Kamen, nas idas ao supermercado, nos passeios para fora da cidade. Para quem queira saber mais acerca da cultura japonesa e goste de um bocado de humor picante e insolente, basta estar de olhos e ouvidos bem atentos a Crayon Shin-chan, está lá tudo!

テレビ朝日|クレヨンしんちゃん
バンダイビジュアル★クレヨンしんちゃん★

Animax

23.11.10

Terminei de ver: Blood +


Que percurso incrível o de Saya! Saya, aquela rapariguinha despreocupada cuja satisfação era enfardar uma boa refeição ou estar com a família, mal se reconhece no final da série! Mas, ao contrário do habitual, o final é muito satisfatório, remata bem a história e aquela rapariguinha de Okinawa ainda existe dentro de Saya, provocando uma reviravolta muito interessante no final.

Não quero fazer spoilers, não vou contar nada de como Blood + acaba, mas, como já disse num post anterior, é uma série emocionante do princípio ao fim, com personagens muito interessantes e credíveis, sem um único tempo morto, sem momentos de "encher chouriços" e que se mantém consistentemente empolgante e interessante até no final, onde por vezes as coisas descambam...

Adorei Blood +, uma série que me surpreendeu muitíssimo, RECOMENDO!!

BLOOD+(ブラッドプラス)
BLOOD+ (ブラッドプラス) 予告編ライブラリー

Animax

21.11.10

Terminei de ver: Inu Yasha + Inuyasha: Tenka Hadou no Ken


Finalmente terminei de ver Inu Yasha. No geral foi uma desilusão. Tendo seguido a carreira de Rumiko Takahashi desde que me interessei mais profundamente pelo anime e manga, li grande parte de Ranma ½ e Urusei Yatsura e passei os olhos pelo Rumic World e Maison Ikkoku. Digamos que não me faltam termos de comparação.

A minha série favorita de Rumiko Takahashi é a mais controversa para o público ocidental: Urusei Yatsura. Não consigo compreender porquê, mas o humor japonês, algo pueril e atrevido, é mal compreendido entre o público ocidental e raramente as séries cómicas são verdadeiramente populares. O que adoro em Urusei Yatsura é a constante sucessão de disparates, o absurdo de uma extraterrestre, Lum, descolada da cultura popular japonesa (oni=demónio popular japonês) "invadir" a Terra e acabar por apenas "invadir" a vida e a casa de Ataru Moroboshi, o surrealismo aliado à via dia-a-dia de adolescentes japoneses, onde se aprende imenso acerca da cultura popular japonesa. O que gosto em Ranma ½ é, mais uma vez, o humor pueril, o absurdo de personagens que se transformam com água fria/água quente, o dia-a-dia num bairro comum japonês.

Inu Yasha tentou integrar isso, na vida de Kagome, no seu esforço em estudar apesar de passar 3/4 da série no passado, mas ao separar os dois universos, o normal do sobrenatural/passado por um portal (o poço) e de condicionar o seu uso a apenas duas personagens, também condiciona o humor desbragado que era uma das qualidades fortes de ambas as séries que mencionei acima. Para além disso o facto de a série se prolongar/de esticar/fazer render o peixe (escolher uma das hipóteses anteriores) e, como consequência, ter imensos fillers, tudo isto torna Inu Yasha uma série com bom potencial mas bastante chata e repetitiva. Existe mais um outro problema: a série anime (para TV) não termina onde a narrativa termina, esse final ainda não tinha sido escrito na manga à data da produção. Portanto, estamos 200 e muitos episódios à espera que Inu Yasha, Kagome, Sango, Miroku e Shippo reúnam os pedaços da Esfera dos Quatro Espíritos e derrotem Naraku mas não passamos da cepa torta.

Resumindo, Inu Yasha é uma série demasiado longa, que se pode ver mais ou menos sem ser por ordem, pois a resolução da história é ainda mais adiada do que a de qualquer telenovela venezuelana! É secante!

Mas gostei de alguns episódios, gostei da premissa e das motivações principais, só gostava de ter tido algum tipo de resolução.


Inuyasha: Tenka Hadou no Ken

Inuyasha: Tenka Hadou no Ken é o 3º filme de Inu Yasha mas não passa mais do que um episódio aleatório da série onde se foca mais nas origens de Inu Yasha, do seu pai e da sua mãe. De resto poderia ser perfeitamente um conjunto de dois ou três episódios da série. Não se nota grande sofisticação de argumento, técnica de animação, efeitos especiais ou outros que justifiquem um provável orçamento alargado. Em suma é um filme fraco, que necessita a contextualização na série mas que também não adianta grande coisa à mesma.

É com muita pena que, chegando ao final digo isto de Inu Yasha, desde o início que sempre gostei da série, mas a sua não-resolução é desapontante.

13.11.10

Comecei a ver: Super GALS! Kotobuki Ran

Opa... finalmente uma série de anime menos séria e mais ao meu estilo! Ultimamente tenho andado a dar conta de séries que queria e tinha de ver, mas cujos motivos que me levavam a vê-las não são os grandes motivos que, em geral, me levam a ver anime. É complicado explicar isto, não que umas séries sejam, a meu ver, melhores que outras ou porque são mais sérias ou porque são mais coloridas, mas há determinadas séries, e em geral não preciso de ver muitos episódios para me aperceber disso, que me enchem mais as medidas e fazem clique naquele sítio do meu cérebro que responde com um: "ah sim, isto é anime!"

Esta é uma série levezinha, que mostra o dia-a-dia de um pequeno grupo de adolescentes, que seguem e se vestem no estilo gal, mostram as suas ambições, sonhos e princípios. Na época em que a manga foi criada, as gals estavam na berra, foi a sua época áurea. Ainda existem bastantes gals em Tóquio, elas não desapareceram, mas em finais dos anos 90 eram o último grito na cidade. O anime levou algum tempo a ser produzido, no início dos anos 2000, o que é demonstrado numa qualidade técnica superior à dos anos 90.

Ao longo destes cerca de 10 anos, tenho me vindo a aperceber que as gals, apesar da sua aparência muito feminina e até muito sexy, de grandes decotes, saltos muito altos, roupas justas e mini saias que mais parecem cintos, elas são no fundo marias-rapaz. Kotobuki Ran é com certeza uma maria-rapaz! Cresceu numa família de gerações de polícias e é, digamos, a primeira a não querer seguir a profissão. Digamos, porque Ran é mandona e teimosa e segue com honra uma série de princípios éticos, como, por exemplo, não se vender para ter dinheiro para comprar o seu bric-a-brac de gal.

O que nos leva ao seu irmão que está destacado para o kouban (posto de polícia) de onde? Shibuya! O bairro quartel-general das gals. A sua melhor amiga, Miyu, é mais doce e simpática e traz sempre mimos ao irmão de Ran, por quem é apaixonada. Aya, o terceiro elemento do trio, é a primeira "vítima" da justiceira Ran.

Super GALS! Kotobuki Ran é divertida, alegre, tem roupas giras, situações cómicas e naturalmente, ou não fosse este um shoujo, uma ponta de romance e amores cruzados. A música é bem animada e não é de todo desagradável, os episódios seguem num ritmo acelerado, intercalado por informação escrita no ecrã, que quebra a parede invisível entre ficção e o espectador. É, no mínimo, uma boa desculpa para "passear" em Shibuya e conhecer um bocadinho melhor umas das grandes tribos de street fashion de Tóquio.


超GALS!寿蘭

Animax

12.11.10

Ando a ver: Blood +


Blood + é definitivamente uma série de excelente qualidade! Já estou a chegar ao final da série e nem um único episódio de fillers ou recaps, mesmo os episódios mais "calmos" têm conteúdo e são interessantes de ver, já para não falar que fazem falta para descomprimir dos episódios mais agitados e, naturalmente, fazer avançar, mesmo que mais lentamente, a história.

Gosto muito de como nenhuma personagem é plana, todas têm evoluído de forma bem interessante, e há inclusive "trocas de lado" por parte de personagens chave na narrativa. Nomeadamente Julia, a dedicada cientista que apoiava a organização Red Shield e Saya, que passa a trabalhar para a Cinq Flèches rival, em prol de poder avançar com as pesquisas acerca dos quirópteros, e Solomon, o Chevalier de Diva que, apaixonado por Saya, abandona os "irmãos" de sangue, mesmo colocando em causa a sua própria existência.

A partir de mais ou menos metade existe um hiato de tempo em que Saya e Kai amadurecem consideravelmente. Saya passa de alegre e despreocupada a sombria e grave e Kai torna-se num homem interessante. Por esta altura já sabemos a origem de Saya e Diva e dos quirópteros, nem tudo está explicado, mas o essencial já sabemos, e a temática passa de familiar a bastante mais política. Descobrimos que nada é definitivo o que nos deixa coisas suficientemente em aberto para não ser possível/provável um final previsível. Uma grande qualidade! Também nos introduz um novo grupo de personagens, os Schiff, que parecendo à primeira gratuita essa introdução, acaba por fazer sentido no geral.

Tenho de mencionar novamente os genéricos. Há um esforço de não colar a estética dos genéricos à da série, trazendo outros desenhadores para os conceber. Portanto, introduzindo ou fechando cada episódio e fase da história, temos pequenos clips musicais que podem funcionar de forma mais ou menos independente. Não podia deixar de fazer notar que ambos os 2ºs genéricos (inicial e final) são cantados pelas minhas duas vozes japonesas preferidas, independentemente de gostar ou não do estilo das músicas que cantam: Hyde, vocalista dos L'Arc~En~Ciel e Mika Nakashima, que interpretou Nana Ozaki no filme live-action NANA e NANA 2.

Estando agora na recta final da série, estou naquela fase de ansiedade de querer ver como tudo irá terminar, até porque introduziram novos factores que me deixaram bastante intrigada. A mim e provavelmente a todos os que seguiram esta série. Até agora Blood + tem sido uma surpresa bem agradável, e é uma série que merecia maior destaque pelos fãs ocidentais. No Japão foi um sucesso, mas pelo menos cá em Portugal, toda a gente pode saber mais ou menos que Saya é a adolescente caçadora de quirópteros, mas o que Blood + acrescenta é que é mais, muito mais que isso.

BLOOD+(ブラッドプラス)
BLOOD+ (ブラッドプラス) 予告編ライブラリー

Animax
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