30.7.12

Terminei de ver: Kuroshitsuji

 
Esta série foi daquelas que prometeu e não cumpriu. Realmente, como disse no post anterior, parecia uma série bem feita e a história prometia mistério sobrenatural. Infelizmente ao 5º episódio... fartei-me!

Já não há séries mal animadas e que não encham o olho, e nesse aspecto Kuroshitsuji é um doce tão apetecível como as sobremesas retratadas na série, mas a história tem pouco conteúdo, demasiadas personagens irritantes e não desperta o interesse. O mistério de Ciel e Sebastian é rapidamente explicado, de forma a parecer que ainda há mais qualquer coisa até ao fim da série, mas não passa de um simples pacto com o diabo (demónio?) e vingança. Ciel, Greil Sutcliffe, Undertaker e Madame Red, personagens com imenso potencial, irritam-me. O Undertaker então, não suporto personagens masculinas que falam daquela forma lenta e afectada, parece que só lá estão para enfeitar. O que no caso do Undertaker é isso mesmo, pois durante a série ele serve de muito pouco. As únicas personagens de que gosto são Sebastian, fiel ao seu sarcasmo até ao final, e os outros empregados da casa, que apesar de parecerem apenas um elemento de descompressão ao início, são quem surpreendentemente tem realmente uma função a cumprir nesta série.

A história desenvolve muito pouco, repartindo-se em pequenos casos detetivescos pouco interessantes com um fundo de mistério e sobrenatural que de algum modo os liga a Ciel Phantomhive. Os anjos demoníacos, são uma subversão demasiado óbvia das características angelicais, já muito vista e repetida. Mais ainda pois toda esta atenção dada à mitologia dos anjos e demónios não faz muito sentido numa Inglaterra Vitoriana, onde o Príncipe Albert, marido da Rainha Vitória, vem de um contexto Luterano e a própria Vitória do contexto Protestante. Este tipo de intriga só faria sentido num país Católico, pois choca com os seus valores mitológicos mais sagrados. Vejam/leiam Constantine, um comic e filme norte-americano onde este tipo de ideia é desenvolvido de forma mais interessante.

 

Em termos visuais Kuroshitsuji cumpre, e até vai buscar no 2º genérico final um quadro que aprecio muito, A Ilha dos Mortos, de Arnold Böcklin, como inspiração, uma citação inesperada! De notar que conhecem-se pelo menos quatro versões da Ilha dos Mortos pelo mesmo autor. As mesmas estão expostas em vários museus pelo mundo fora.

Só recomendo Kuroshitsuji a quem sinta apelo pelo lado estético, pois como história é pobre e um bocado aborrecida, tal como o Ciel. Vou encher-me de forças para ver a segunda série e os OVAs, mas a vontade não é das maiores. Muito provavelmente vou intercalar com outra série que tenha tido que interromper, como Galaxy Express 999 ou Ace wo Nerae!.

黒執事

24.7.12

Terminei de ver: Glass no Kamen (2005)


Há muito que não terminava uma série de anime com esta sensação, uma sensação de leveza e de ressaca de emoções fortes... Acho que a última vez que me senti assim foi ao ver as quatro primeiras séries modernas de Doctor Who. Ah Russel T Davies, és definitivamente um dos meus heróis! Se Glass no Kamen já era uma série excelente na versão um pouco datada de 1984, a versão de 2005, retrabalhada de forma a destacar mais as personagens e limpa de maneirismos ou clichés, demonstra que é possível fazer remakes, melhor, segundas versões de histórias sem estragar mas sim melhorando actualizando-as. Depois de ver estas duas séries compreendo o clássico que Glass no Kamen é para a manga shoujo e definitivamente é uma prioridade na minha lista de mangas a ler.

Tive de fazer uma pausa forçada no visionamento desta série, computador pifado, trabalho, vida e a dificuldade em encontrar a segunda metade dos episódios, mas ultimamente andava mesmo com vontade de ver o resto e a altura não podia ser mais propícia. Apesar de a primeira metade da série se concentrar mais na aprendizagem no sentido académico de Maya e a segunda no amadurecimento como actriz e mulher, o que as destingue, a sensação que tive há quatro anos quando vi a primeira metade é a mesma mas mais intensa pois as emoções vão crescendo e intensificando-se.

Glass no Kamen de 2005 é uma série extremamente rica, com personagens muito humanas, mesmo que façam sacrifícios sobrehumanos, que nos levam numa montanha russa de sensações bastante rara na ficção moderna. Talvez o mérito esteja todo em Miuchi Suzue, a autora da longa e inacabada manga, mas também passa e muito pelos argumentistas da série, que raramente terminam um episódio sem ser em cliffhanger e que me fizeram ver vários episódios em catadupa, coisa que raramente faço. Nesta segunda metade sentimos Maya à altura da rival Ayumi, competindo de forma justa. O segundo genérico representa muitíssimo bem a sua história, de miúda talentosa que tem de lutar por um lugar ao Sol e de Ayumi, para sempre apaparicada mas determinada em encontrar a sua própria voz. De modos opostos as duas chegam ao mesmo objectivo, representar "Kurenai Tenyo" [A Deusa Escarlate], a mítica peça escrita para a mestra Chigusa Tsukikage. O esforço de ambas é igualmente válido e intenso e isso é reconhecido tanto pelas duas raparigas como rivais, como pelos colegas e Chigusa. Cabe a cada um escolher a versão que lhe assenta melhor.

Não deixa de ser interessante observar como as peças de teatro, sejam elas reais, Helen Keller, Sonho de uma Noite de Verão, ou fictícias, As Duas Rainhas, são instrumentos para fazer avançar a protagonista e de modo algum se tornam chatas por serem exploradas com bastante pormenor, em média 3 episódios por peça. Em cada peça coloca-se um novo desafio a Maya e por consequência a Ayumi, rival, e Hayami, interesse amoroso. A relação de Ayumi e Maya também não é a clássica relação menina-rica-e-cabra contra menina-pobre-e-boazinha, as duas respeitam-se e aprendem uma com a outra. Na fase das Duas Princesas até se ajudam mutuamente.

O modo como a relação de Maya e Hayami se desenrola é uma peça importantíssima da história e adiciona-lhe uma intensidade do shoujo clássico dos anos 70, sem o lado piroso e sentimentalão que foi eliminado nesta versão. O modo como a verdadeira identidade de Hayami é revelada, para além de ser um dos maiores cliffhangers da série, é inteligente e muito credível, sem recorrer a subterfúgios narrativos gratuitos e leva Maya a tomar decisões fulcrais na sua vida. Maya cresce incrivelmente nesta segunda metade em muito devido à sua relação com ele.

Glass no Kamen é uma série que não se compreende como passou tão despercebida, pois não há série moe ou afins que lhe chegue aos calcanhares. Hoje em dia já não se podem comparar as séries em termos técnicos, pois os computadores vieram facilitar uma boa execução e raramente se vêm séries mal produzidas ou baratas, porque o orçamento não chegou. O que valoriza uma série é a sua história, personagens bem construídas e eventualmente se a estética visual e sonora agrada ao espectador. Isto comprova que o que tem verdadeirmente valor é universal e não vai em modas. É pena que por vezes passe despercebido.

Continua a ser um mistério para mim como é que os japoneses conseguem emocionar-me desta forma que a ficção Ocidental raramente consegue. Talvez deva permanecer um mistério para eu continuar a ter esta sensação. Felizmente Glass no Kamen não acaba por aqui, há os OAVs dos anos 80, de que já vi pelo menos um, e a série live-action. Por fim há os 48 volumes da manga que seguramente vão saber a pouco, nem que seja porque é uma incógnita se Miuchi Suzue algum dia a terminará.

ガラスの仮面

RAW

15.7.12

Comecei a ver: Kuroshitsuji

Quando esta série foi lançada, chamou-me a atenção nas páginas da Newtype, mas como a lista é sempre longa, logo a descartei. Tenho de confessar que esta é mais uma série que foi o cosplay que me levou a vê-la, a sucessão de bons cosplays, apesar de um bocado góticos para o meu gosto, despertou a minha curiosidade.

Apenas vi alguns episódios e tenho uma certa dificuldade em classificar Kuroshitsuji. Claramente não é um shounen, mas também não é o típico shoujo, ainda por cima porque os protagonistas são um rapaz e um demónio (o que também não é significativo). Está, definitivamente, inserida no género fantástico e sobrenatural, essa parte é clara, mas conjunto do estilo de narrativa e a estética são de certa forma novidade. Será que podemos criar o género "lolita"? Digo isto pois, tal como Rozen Maiden, é claramente uma série criada a apelar às lolitas ou às lolitas-cosplayers.

Kuroshitsuji é um misto de série de mistério/policial com comédia e fantástico à mistura. Passa-se na Londres Vitoriana, mas vai mais além, onde o tom do fantástico é muito mais nipónico que britânico, com direito a shinigamis (que aparentemente andam muito na moda - já conto três séries recentes com shinigamis: Death Note, Bleach e Kuroshitsuji) e jardins japoneses. No dia-a-dia Kuroshitsuji parece ser um manual de hábitos Vitorianos, principalmente no que toca ao chá. O rigor histórico é irritantemente alto e estou mesmo a ver as lolitas a tomar notas a cada episódio. Não é que não goste, mas é um traço típico da comédia à japonesa. Claro que, sendo uma série do fantástico há muitas concessões, mas ao contrário das séries dos anos 70-80, essas concessões, sejam a nível do guarda-roupa ou cenários ou de determinadas acções/atitudes, são claramente derivadas de uma pesquisa exaustiva. O resultado é um gótico-barroco, cheio de detalhes que dá a Kuroshitsuji um aspecto luxuoso e cuidado.

Como ainda só vou no início e cada episódio apenas desvenda um pouquinho do mistério da morte dos pais de Ciel e do seu pacto com Sebastian, ando a saborear essa descoberta. A relação de Ciel, sombrio e aborrecido, com o mordomo Sebastian, ultra-competente e sarcástico, é muito engraçada. Acho estranho o protagonista aparentemente ser uma personagem tão pouco apelativa, o que de facto é compensado por Sebastian, mas com os japoneses nunca se sabe... Os outros elementos que habitam a mansão são a criada trapalhona, o cozinheiro que queima constantemente a comida, o jardineiro que se engana nos adubos e o velho mordomo/valete que passa o tempo quase todo na forma chibi a beber sencha. Resumindo, os outros empregados são de fachada e é Sebastian quem realmente toma conta da casa e de Ciel. Como ele mesmo diz: "Akumade no shitsuji", em que as palavras "akumade" são um trocadilho entre um mordomo extremoso (aku made) e um mordomo demónio (akuma de). Aliás, há mais trocadilhos do género na série, que infelizmente são difícieis de transpor numa tradução.

Apesar de não me ter encantado, Kuroshitsuji parece-me ser uma boa série que vale a pena ver, e tenho uma certa curiosidade em saber mais. Como cereja no topo do bolo fica o delicioso genérico final, que retrata em versão chibi o dia-a-dia de Ciel com Sebastian. Não sou grande fã da canção, apesar de não me chatear.

Becca - I'm Alive



13.7.12

Terminei de ver: Candy Candy

É-me impossível escrever este post sem fazer SPOILERS, portanto deixo o aviso à navegação, se não querem saber detalhes acerca do final da Candy Candy, leiam apenas quando o virem/lerem.


É caso para dizer: FINALMENTE! Pois levei 14 anos para saber a segunda metade e o final da história de Candy Candy e quase 30 para ver a série até ao fim! Há uma explicação, Candy Candy foi cancelada a meio na RTP, quando deu a única vez em 1983-84, e só nos anos 90 tive a possibilidade de adquirir e ler a manga de Candy Candy em japonês, onde finalmente foi satisfeita essa curiosidade imensa. Entretanto deu-se o processo de direitos de autor entre as duas autoras, que resultou num embargo geral à Candy Candy, o que impossibilitou o acesso à série de forma legal. Sendo uma série antiga não foi das mais fáceis de encontrar pelas "internetes", demorei a conseguir a série completa e só recentemente tive finalmente a disponibilidade de voltar a pegar na Candy.

Bom, como disse no post anterior, a segunda metade da Candy está cheia de fillers o que é uma grandecíssima seca. Até parece que o director/produtor geral da série mudou e resolveram esvaziar Candy Candy de romance e fazer da série um pseudo-western. Comparativamente à primeira metade, quase metade dos episódios são fillers e mesmo quando têm a possibilidade de esticar a narrativa através dos acontecimentos originais da manga, que não são poucos, resolvem inventar novas intrigas, com novas personagens, que pouco ou nada têm a ver com a restante série, excepto serem protagonizadas por Candy. Até o rigor histórico, que já era pitoresco e pouco correcto, foi parar às urtigas. A dada altura perguntei-me porque de repente parecia que estava a ver um shounen infantil em vez de um shoujo adolescente. Mas as partes que são adaptadas da manga são bastante fiéis apesar de deixarem o romance ao mínimo. É romance que nós queremos! São lagriminhas impossiveis de controlar que queremos!

O pior mesmo é o final, que apesar de um pouco condensado e precipitado estava a correr bem até Candy voltar à Colina da Pony. O momento fulcral da série, o fechar do círculo, a explicação de tudo, as emoções ao rubro, no que deveria ser um momento privado entre Candy e Albert, torna-se uma experiência colectiva, com a adição de Annie, Archie e os membros do Lar da Pony, com uma necessidade pouco interessante de deixar tudo explicadinho sem a mínima alusão a um futuro, muito menos a um possível romance entre eles. Nem um plano dos dois sozinhos nos dão! Várias vezes ao longo da série, de certa forma até mais que na manga, foram dadas sugestões de que o Príncipe da Colina é que era o homem para Candy para depois nos deixarem a chupar no dedo... enfim, o final na manga é mais satisfatório apesar de deixar as coisas em suspense. 
"Ficas mais bonita a sorrir!"


E, para quem se pergunte, eu sou fã de Terry para sempre, era ele quem eu gostaria que ficasse com Candy. Mas também acho que depois dos acontecimentos com Susanna, da decisão de Candy de se afastar, seguidos da aproximação e empatia dela com Albert, numa relação de amor e companheirismo, é com Albert que ela fica melhor. São decisões realistas que muitas vezes as pessoas têm de tomar. A relação de Candy com Albert é mais madura e praticamente um casamento sem sexo. Mas ninguém estava à espera de ver sexo em Candy, portanto... é um bocado como as metáforas de sexo nos filmes de Hollywood após o estabelecimento do Código Hayes.

No geral Candy Candy continua a minha série favorita, mas nunca dissociando da manga onde a história está muito mais bem escrita. Era uma série, que se a situação das autoras não fosse a que é, merecia um remake à altura, sem fillers nem "caubóiadas"! Apesar de Shingo Araki, o character designer ideal para Candy, ter morrido, se fizessem uma produção como a de 2005 de Glass no Kamen, sem a necessidade de tantos episódios, Candy Candy teria a adaptação perfeita a série anime. Só sentiria falta daqueles genéricos maravilhosos!!!

15.4.12

Ando a ver: Candy Candy


Voltei à Candy Candy, desta vez determinada em acabar de ver a série, pois já tenho todos os episódios. Volta e meia eu regresso à Candy, uma presença constante na minha vida desde que vi *aquele* genérico pela primeira vez.

Numa série tão longa, mesmo para os anos 70 em que as séries costumavam durar normalmente 1 ano, a Candy durou mais de 2, é natural haver fillers, mas é uma pena, numa história tão cheia de reviravoltas, tantos fillers, principalmente no Lar da Pony. Ao contrário dos fillers em casa dos Logans, dos Andrews, no Colégio e pressuponho que na escola de enfermagem e no hospital, os fillers no Lar da Pony são aborrecidos pois não há intriga, simplesmente são fracos reforços às decisões seguintes de Candy. Basicamente o que me faz ver estes episódios é a noção de que muito há para vir e que a fase seguinte é mais empolgante.

Calculo que se a Candy Candy fosse produzida após se ter a noção do sucesso que viria a adquirir, e talvez se as autoras tivessem mais mão nas liberdades criativas tomadas na adaptação, a série anime Candy Candy tivesse uma produção mais cuidada e um argumento mais bem escrito.

ADENDA [19.06.2012]
Como se não bastassem os fillers no Lar da Pony já existentes na manga, após meia-dúzia de episódios na Escola de Enfermagem Mary Jane e com a desculpa de levar Mina para o Lar, vá de pespegar mais TRÊS episódios completamente inúteis em contexto campestre. Na manga Candy limita-se a levar Mina, sem casamentos, fugas ou reencontros com personagens fora do baralho. Argh! Quando é que chega o Mr. Albert para as coisas começarem a aquecer??

7.3.12

Terminei de ver: Super GALS! Kotobuki Ran


Aaaah, finalmente! A culpa de ter levado tanto tempo a terminar de ver Super GALS! não é da série, é minha. Entre precalços da vida, cosplays para fazer que não foram sequer começados, Blythes, trabalho e afins, tenho tido pouca disponibilidade para me sentar e ver anime.

Super GALS! Kotobuki Ran foi uma série que gostei muito de ver. É divertida, supreendentemente bem feita (bem animada, boa realização, bons gráficos) e é menos fútil do que aparenta.

Ran, uma gal de Shibuya, uma rapariga aparentemente fútil que só se interessa por compras e por moda, é também uma justiceira do bairro de Shibuya e dá imenso valor à honestidade e à amizade. Entre um temperamento fogoso e destrambelhado, Ran cultiva amizades com facilidade, amolece o coração das rivais e fomenta a paz na sua família, escola e no seu amado bairro de Shibuya.

Super GALS! Kotobuki Ran mostra um lado da tribo de moda que são as gals que quem está de fora não costuma ver. É uma série que transmite uma ideia muito positiva e construtiva dos adolescentes de Tóquio, que até pode ser algo idealista mas que deixa um sorriso na cara de quem vê.

No meio disto tudo, as citações de séries de anime clássicas, o ataque boomerangue com botas de Ran, a série de culto "Odaiba Cop", que emula as séries policiais japonesas dos anos 70, as relações hierárquicas e de idade entre as diversas gerações e bons momentos de humor, fazem de Super GALS! uma série a ver até para quem não costuma ver shoujo mas gosta de comédia e de slice-of-life.

Super GALS! termina mesmo como um slice-of-life, com uma festa de despedida da gal veterana, com Ran e os amigos a fazerem planos para o futuro próximo. Ran, fiel a si própria, vive um dia de cada vez. Assim é que é miúda!

超GALS!寿蘭

14.2.12

Happy Barentain Day

Nunca liguei ao dia de S. Valentim, apenas me lembro do dia pois um amigo faz anos e por vezes vêm-me à cabeça algumas imagens de animes ou mangas que gosto. É o caso desta, originalmente no artbook de Tokyo Babylon, Photographs, onde as CLAMP mostram talvez pela primeira vez a sua arte em toda a sua glória. Não que não houvesse já artbooks maravilhosos com ilustrações delas e que outras mangas sejam inferiores a Tokyo Babylon. O artbook de Tokyo Babylon é que é um dos mais deslumbrantes e bem conseguidos do grupo. Nesta fase as ilustrações são de Mokona (então Apapa) mas a arte final e acabamentos passaram pelas mãos de Mick Nekoi e Satsuki Igarashi. Naturalmente a coordenação geral é de Nanase Ohkawa, mas no caso de um artbook a participação dela fica em segundo plano.

Uso os nomes antigos delas por duas razões, eram os que usavam na altura da concepção de Tokyo Babylon e também porque à excepção de Mokona, que simplesmente abandonou um nome, e de Satsuki Igarashi, que manteve a fonética mas mudou os kanjis, esqueço-me sempre dos novos pseudónimos de Mick Nekoi e de Nanase Ohkawa.

Um dia faço este cosplay ^__^

Clamp-net.com

Tokyo Babylon Photographs

5.1.12

Terminei de ver: Gokinjo Monogatari

Comecei o ano com os últimos episódios e o filme de Gokinjo Monogatari, um anime adaptado de uma das minhas mangas preferidas.

Gokinjo tem umensas qualidades que a diferenciam da série de anime shoujo comum, as mais óbvias são o character design invulgar, de personagens compridas e magras, que mais parecem feitas de esparguete, algo caricaturais mas muito giras! Nos cenários optou-se por contornar todos os volumes e objectos, quase como nas gravuras tradicionais (ukiyo-e) e, contrastando com o guarda-roupa de cores vivas das personagens, as cores são predominantemente pastéis. Por outro lado as sombras, seja nas personagens ou nos cenários são a preto, criando uma coerência fora do comum entre cenários e partes em movimento e um efeito gráfico forte.

A animação é bastante boa e cuidada, ao contrário do que ainda era comum na época quase não se distinguem os diferentes desenhadores principais e no geral não tem um ar barato ou feito à pressa, aspecto surpreendente pois Ai Yazawa era então uma desconhecida e séries shoujo ligadas à moda uma tendência a explorar.

O que mais me surpreendeu foi a banda-sonora! Já conhecia e gostava bastante das canções do genérico, todas cantadas pela actriz de voz que faz de Mikako, Rumi Shishido, umas  canções divertidas e que poderiam perfeitamente integrar a playlist pessoal de Mikako. As outras músicas e canções que nos conduzem durante a série são um pouco jazzy e muito engraçadas e é de louvar uma banda-sonora inteiramente original, sem recorrer a música incidental banal reciclada de outras séries.

Só tenho uma crítica negativa a dar, com uma série de 50 episódios nas mãos, cortaram a 2ª fase da história, mais ou menos 1/3 da manga, após a reconciliação dos pais de Mikako. Para mim Gokinjo não é apenas sobre os dilemas das relações pessoais de Mikako, com Tsutomu (amorosa) e com os pais (familiar) mas também acerca do seu crescimento e amadurecimento pessoal e profissional. No anime o crescimento profissional ficou em segundo plano em detrimento das relações pessoais. Também tenho alguma pena de o esforço em reproduzir o fabuloso guarda-roupa de Ai Yazawa tenha ficado um pouco pelo caminho e se tenha cingido a 4 ou 5 peças, no caso específico de Mikako. Um dos grandes valores das mangas de Ai Yazawa são a ligação muito íntima à moda, mas creio que para uma primeira série do género e dos anos 90 não está nada mau!

O filme, diria mais episódio especial pois tem 30 minutos, é um recontar de parte da história em que Mikako anda indecisa em relação aos seus sentimentos por Tsutomu. É engraçado de ver mas não sobrevive fora do contexto e é algo confuso de ver após esses dilemas estarem resolvidos.

Apesar de não ser uma série muito popular, uma das razões que me levou bastante tempo a vê-la foi mesmo a dificuldade em arranjá-la, ver Gokinjo Monogatari não é tempo perdido, é um pouco de arqueologia do anime, pois tem de se ter em conta que foi provavelmente a primeira série do género e que Ai Yazawa era uma ilustre desconhecida com um estilo incomum. Apesar de gostar muitíssimo mais da manga, por ser menos superficial e mais intimista, para além de brilhar em toda a sua glória visual, Gokinjo continua a ser, até à data, a minha história preferida de Ai Yazawa, pois é mais simples e directa, sem demasiados meandros e situações contraditórias, mantendo uma empatia fora do vulgar em relação às personagens. Talvez também por ser mais optimista que as outras que conheço (NANA, Paradise Kiss, Kagen no Tsuki). Provavelmente sinto essa empatia por ter tido parte das angústias de Mikako antes de ir para o 10º ano, de entrar numa escola onde me pudesse revelar artisticamente à minha vontade, vestir-me como me apetecia, sem restrições e por depois ter andado numa escola semelhante. Apesar de não ter optado pelo estilismo e moda, passei mais ou menos pela mesma experiência.

ご近所物語 - TOEI ANIMATION

17.12.11

Dia de Osamu Tezuka

Apesar de estar longe de ser o autor de manga e anime mais conhecido, publicado ou exibido em Portugal, a importância de Osamu Tezuka na história da animação e da banda-desenhada é inigualável e incontornável, de modo que tenho de assinalar o Dia de Osamu Tezuka.

Osamu Tezuka, ou o "pai da manga", ou o "deus da manga", é o fundador do estilo moderno de fazer manga e animação comercial. Tezuka era um workaholic, produzia incansavelmente e era um grande controlador da sua obra, tendo produzido quase tudo pelas proprias mãos com pouca ou nenhuma ajuda de assistentes. Foi um autor prolífico que publicou um elevado número de títulos de manga, onde destaco os famosos Astro Boy e Black Jack ou Ribon no Kishi, A Princesa e o Cavaleiro, provavelmente a primeira manga shoujo da história. Na animação Tezuka sistematizou o modo de produção em acetatos, de forma a economizar tempo e mão de obra, criando a animação "simplificada" em várias camadas em que a camada estática era apenas uma e só se anima a camada que se move por cima dela. O exemplo mais comum é a cabeça da personagem ser um acetato e noutro(s) move-se a boca para falar e ainda noutra camada os olhos piscam, ou o cabelo move-se ao vento.

Descobri Osamu Tezuka cedo, quando lia regularmente as bandas-desenhadas da Mônica, por Maurício de Souza, que era amigo de Tezuka e se encontraram com frequência tanto no Japão como no Brasil. Nesse pequeno artigo Tezuka tinha ido ao Brasil para visitar o amigo e iniciar uma parceria de personagens. Foi assim que conheci Astro Boy e Sapphire, a princesa de Ribon no Kishi. Infelizmente pouco tempo depois Tezuka morre e Portugal pouco continuou a saber acerca deste autor.

Desde final dos anos 60 alguma coisa passou na nossa televisão, mas foi apenas uma minúscula amostra da obra de Tezuka. Antes do 25 de Abril de 74 estima-se que Jungle Taitei e Unico tenham passado pela RTP, mas são dados difíceis de confirmar e fica-se pela incerteza. Durante o programa Animação de Vasco Granja passaram algumas curtas de autor de Tezuka, que mais tarde pude identificar como tal. No início dos anos 90 a série Histórias da Bíblia, uma co-produção com a RAI, encomendada pelo Vaticano, passou na TVI, mas a série só foi produzida inicialmente pelo próprio Tezuka, tendo o próprio falecido e a produção foi continuada por Osamu Dezaki. Só no início dos anos 2000 é que Jungle Taitei, vamos assumir, teve uma reposição na RTP2 e um pouco mais tarde estreou Astro Boy 2003 na TVI, um remake da série original e pioneira do anime moderno, de 1963. Algures no início dos anos 2000 Metropolis, o filme adaptado da manga homónima de Tezuka, teve uma estreia discreta nas salas portuguesas, mas pouco ou nada mais se soube acerca da importância da sua obra.

Há alguns títulos da manga traduzidos para português nas edições brasileiras da JBC (Ribon no Kishi) e algumas edições francesas (Black Jack), italianas e norte-americanas (Budha, Adolf). Dada essa dificuldade e alguns títulos terem tornado-se raridades no Japão, não é realmente o mangaka de mais fácil acesso ao público português.

TezukaOsamu.net
Tezuka In English

3.12.11

Shingo Araki ;__;

Dia 1 de Dezembro morreu um dos meus heróis do anime, Shingo Araki.

Primeiro era um anónimo mas cujo traço eu gostava tanto que de certa forma me fazia ir ao encontro das séries que tinham a sua mão, seja no character design ou como director de animação, Majokko Meg-chan (Bia, a Pequena Feiticeira), Aishite Night ou Saint Seiya, ou mais tarde, já colocando um nome nos desenhos, mas cujo apelo era semelhante, Versailles no Bara, Ashita no Joe, Glass no Kamen ou Lady Georgie.

Shingo Araki é um dos grandes motivadores da minha paixão pelo anime e uma daquelas pessoas que me fez continuar esta paixão por mais de 20 anos. É uma perda gigante, principalmente porque ele continuava activo até há pouco, nomeadamente com as novas séries de Saint Seiya onde mantinha o belíssimo e elegante traço dos seus desenhos.

O que me atrai nesses desenhos? Nem sei bem, talvez a primeira razão de todas é ter sido exposta a eles muito cedo e terem sido extremamente marcantes na minha cultura visual e memórias de infância. De resto, gosto como ele desenha os olhos, sim, enoo-ormes e cintilantes, adoro os narizes, os perfis (ver a Non aqui em cima), a forma longilínea das suas faces e corpos elegantes. A sua paleta de cores, mesmo pendendo bastante para os tons primários, era sempre rica e equilibrada. A sua animação era intocável, mesmo aos olhos de hoje continua com uma técnica impecável.

Araki-san, espero que estejas rodeado da beleza que criaste ao longo da tua vida, tu mereces!

17.11.11

Ojamajo Doremi DOKAAN!

Tenho andado a ver (com a ajuda da box) a 4ª série de Doremi (falhei a 3ª) e a relembrar-me que lá por as séries terem um público-alvo mais infantil e passarem num canal como o Panda, não significa que sejam más, e Doremi é definitivamente excelente!

Todos os episódios são engraçados, têm conteúdo e a Hana-chan é adorável, tão adorável que derrete o coração mais empedrenido! Até gosto, e muito, da voz dela na versão portuguesa!

Mas queria falar mais concretamente do episódio nº 40, どれみと魔女をやめた魔女 (Doremi e a bruxa que desistiu de ser bruxa - o título no Panda também era algo parecido), que é de uma beleza estonteante e muitíssimo invulgar! É um episódio que se desenrola a um ritmo mais compassado e lento que os outros e que tem um tom mais contemplativo e filosófico. Doremi, sem nada para fazer, resolve baldar-se ao trabalho na Loja Mágica e ir deambular pelas redondezas. Acaba por ir parar a uma casa tradicional japonesa onde uma mulher trabalha o vidro. Essa mulher é uma bruxa que não usa magia. Durante o resto do episódio Doremi visita repetidamente a bruxa e vai aprendendo a fazer peças em vidro soprado.

O invulgar neste episódio está principalmente no modo como a história é contada, em planos com poucos diálogos, uma banda-sonora algo melancólica a acompanhar e uma luz quase diáfana que dá sempre um ar irreal à situação, como se Doremi estivesse a sonhar e não a viver a situação. Sempre que Doremi se dirige à casa, ela hesita um pouco na bifurcação onde normalmente passa para ir para casa e opta, naquele dia, por ir na outra direcção. A repetição, a aprendizagem de Doremi, a luz, a música, a atmosfera conduzem a uma questão pertinente: ao converter-se em bruxa, Doremi não envelhecerá e viverá muitíssimo mais que os humanos, que as pessoas que sempre a rodearam... será que ela quer mesmo ser bruxa? O modo como esse dilema, que poderia estar presente desde o início da(s) série(s), ou que poderia ser abordado em catadupa nos últimos episódios, é abordado de forma bela e subtil, demonstra um cuidado e inteligência acima da média por parte de quem produz e dirige a série.

 
Se não valesse por mais nada, por uma história original, um desenho de personagens giro, uma animação de boa qualidade, Ojamajo Doremi DOKAAN! valeria apenas por este episódio!

おジャ魔女どれみドッカ~ン!

Canal Panda

12.11.11

Terminei de ver: Macross Frontier


Já está, Macross Frontier está visto. Os últimos episódios vi-os quase em catadupa, de tão empolgante se foi tornando a história. As minhas primeiras impressões estavam certas, Macross Frontier é uma bela série de anime, que conjuga as qualidade dos Macrosses anteriores, acrescentando maior dimensão às personagens.

Esse facto e não cairem na armadilha de simplesmente "salvar o mundo com uma canção", torna esta série de Macross mais apelativa a todos os públicos, principalmente introduzindo uma personagem tão forte como Sheryl Nome. Sheryl, ao contrário de Lynn Minmay e de Sharon Apple, não é apenas uma menina com voz bonita, por quem o piloto-herói se apaixona, mas uma personagem com densidade, dúvidas e defeitos. Naturalmente Ranka Lee também tem maior dimensão que as duas primeiras, mas, como já disse, é o tipo de personagem com quem embirro...

O triângulo amoroso Sheryl-Alto-Ranka é muito bem pensado, em termos de Macross já tudo tinha sido feito: uma cantora pop que salva o mundo, uma diva virtual que salva o mundo, agora precisavam de duas! Sheryl, com o seu egoísmo, caprichos e ambição, infelizmente não é suficientemente digna da admiração de um público masculino para o fazer sozinha. Ranka é uma tontinha carente e irresponsável, não tem determinação suficiente para ser a "diva" de Macross sozinha. É a rivalidade em conquistar Alto e pela popularidade quase perdida, da parte de Sheryl, e a necessidade, qual cachorrinho abandonado, de Ranka em ter alguém que lhe dê atenção e a paz mundial, que as motivam. Alto é uma personagem da qual me sinto em cima do muro. Sim, é galante, bonito (apesar de efeminado) e corajoso, mas ao mesmo tempo é demasiado indeciso quanto às raparigas e às políticas de defesa de Macross Forntier, o que demonstra imaturidade. Felizmente o seu sonho de voar é genuíno e ele consegue ter suficiente carácter para agradecer às pessoas que lhe proporcionaram isso.

O que nunca consigo compreender é o que apela às pessoas numa personagem como Ranka. Ser fofinha? Quiduxa? Isso é bom para um boneco de peluche ou animal de estimação, mas não numa rapariga! Bah, egoísta ou não, venha a Sheryl! Que para além disso tem muito melhor gosto no guarda-roupa!

Só a banda-sonora de Yoko Kanno me decepcionou um pouco. A nível de música de fundo o seu génio estava lá, mas as canções são normais e demasiado coladas à imagem de pop idol. Eu sei que são mais adequadas à permissa, que já era idiota nos tempos do Macross original, e que Macross Plus é demasiado electrónico/experimental para um grande público, mas ela já coneguiu surpreender tantas vezes, é pena ter "descansado" durante esta série.

Depois de ver a série percebi a popularidade dos cosplays de Sheryl, ela é carismática, poderosa, esperta, elegante e bonita. Deve ser uma personagem interessante de encarnar (não que eu o pretenda fazer). Agora pelo menos já reconheço os fatos, já posso perceber melhor o contexto e proporcionou-me bons momentos de anime!

マクロスFRONTIER

9.11.11

Paradise Kiss (filme)

Recentemente foi feita uma adaptação live-action da manga de Ai Yazawa Paradise Kiss. A minha primeira reacção foi entusiástica, mas ao ver as fotos de produção fiquei um pouco decepcionada por estar tudo muito atenuado. Vendo o filme cheguei a essa mesma conclusão, mas como já se passou algum tempo, de certa forma consegui ver o filme um pouco menos ligada a esse aspecto.

O filme Paradise Kiss concentra-se mais no romance Yukari/George que no resto, mas não são só as histórias que fazem a manga de Ai Yazawa, o lado visual, mais concretamente a moda, são peça fundamental. Portanto, por mais que me esforçasse, fico sempre com pena de Isabella não ser tão exuberante e parecer mais uma mulher e não um travesti de loja de roupa em 2ª mão, de Arashi não ser punk a sério e ter o cabelo loiro, de Miwako não ter o cabelo cor de rosa e ser menos soft-lolita, de George não ser um actor que para o trânsito e ter o cabelo curtinho e de Yukari vestir pouco as criações de Yazawa (para além de a franja postiça se notar imenso e me irritar o filme inteiro).

Fora isso, e de Mikako não aparecer (eu sei, não faz assim tanta falta, mas é a minha personagem favorita de Yazawa), é um filme simpático, romântico, muito próximo dos doramas televisivos, mas, apesar de tudo, com um desempenho dos actores mais aceitável, que se vê bem, mas que tem muito pouco de original ou de bom cinema a sério. Mesmo assim, a história está bem distribuída, não cortaram demasiadas coisas que os fãs sentissem falta e tem um bom ritmo, sem desequilíbrios, elipses em cima do joelho ou um final apbruto.

Quem gosta de Ai Yazawa e de Paradise Kiss, vai achar alguma piada ao filme, mas irá sempre preferir a série anime, com o seu ritmo mais alucinante. É estranho perceber que os japoneses conseguem fazer cenas com uma carga emocional e erótica muito forte numa série de animação e, quando transportam isso para pessoas reais, parecem tomados de uma vergonha súbita em que qualquer toque mais íntimo ou, pior, beijo, parece trapalhão e forçado. Não sei se a falha está nos actores ou na direcção de actores, ou mesmo na produção em geral que corta essa carga mais erótica para atingir um público mais alargado. Seja qual o motivo for, tira interesse às relações entre personagens e faz com que uma narrativa emocionante se torne... meh.

Quem quiser ver o filme, ele encontra-se com legendas em inglês, para ver em streaming aqui.

Paradise Kiss

Drama Crazy

7.11.11

Cosplay @ FIBDA 2011

Mais um post sobre cosplay, mas desta vez, infelizmente, a experiência não foi tão feliz.

Desde o ano passado que a organização do cosplay no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (Amadora BD) mudou de mãos e o cosplay ressentiu-se disso. Há 3 anos regressei à BD Amadora, para o 10º aniversário oficial do cosplay na BD Amadora (11º não-oficial) e deparei-me com o fenómeno de massas em que o cosplay se tornara, uma reunião caótica mas feliz de cosplayers no mais antigo festival de banda-desenhada do país. Entre tantos cosplayers, tal como no Photoshoot, encontra-se de tudo, mas sobretudo fãs de anime, bd e jogos contentes por encarnarem as suas personagens preferidas. Naturalmente a concurso foi uma parcela, mas as restantes pessoas rejubilavam.

O ano passado aparentemente as pessoas evaporaram-se... participaram poucos cosplayers do costume, o concurso teve pouquíssimos concorrentes, mas a qualidade geral dos fatos ainda era bastante boa e encontravam-se bastantes cosplayers a assistir. Este ano, o número de concorrentes foi semelhante, o público também, mas a organização do festival foi, no mínimo, cruel em localizar o palco, que não é utilizado apenas para o cosplay, na cave, que é um estacionamento e cujo pé direito é tão baixo que as luzes de palco faziam sombra umas nas outras... Como o estacionamento já é um local escuro, com o chão preto, as "paredes" da exposição pretas e uma iluminação geral muito fraca, nem fotografias minimamente decentes deu para tirar!

Mas infelizmente não foi só, o concurso, claramente organizado em cima do joelho, demonstrou uma falta de empenho e ignorância do formato, que felizmente parece que não se abateu muito no espírito dos concorrentes, que continuaram a divertir-se entre os amigos. No dia seguinte foi a final nacional do Concurso de Cosplay da Anipop, cujo júri era 33% o mesmo da véspera, onde uma concorrente foi penalizada pela falha técnica da organização na projecção do vídeo. Só quando a concorrente tinha o skit quase no fim, é que se lembraram de recomeçar e aparentemente isso penalizou-a injustamente na pontuação (já para não falar na sobrecarga no nervosismo que estas coisas implicam). No geral é uma pena que as coisas tenham decorrido como decorreram, todas as concorrentes foram altamente penalizadas pela falta de condições (nem bastidores o palco tinha!) e tenho a certeza que no final, sobrepondo-se à satisfação de ter concorrido, houve uma dose de frustração que ninguém merece!

Eu, que há 3 e 2 anos, me desfiz em elogios pelo cosplay português ter florescido de forma tão bonita e saudável, hoje só consigo esconder a cara de vergonha, pela péssima organização, tanto da parte da Anipop como da própria Amadora BD, que insiste em ignorar os cosplayers e um público mais jovem que não vê outro atractivo no festival a não ser o cosplay e as lojas. É uma falta de respeito para quem perde tanto tempo, faz um esforço acima da média e gasta bastante dinheiro nestes fatos, muitas vezes de qualidade quase profissional, apenas por amor à arte, ao anime e manga (e jogos, etc.) e a um passatempo extremamente criativo e positivo!

Resta-me deixar as galerias do ano passado e deste ano, não bloguei o ano passado por razões pessoais que me afastaram de muita coisa, mas cá estão elas!




Amadora BD - Fórum Luís Camões

19.9.11

European Cosplay Gathering @ Anipop

Há muito que não ia a uma Anipop, a falta de disponibilidade e o facto de pagar entrada, confesso que me demovem com frequência. Mas neste ano fui convidada a fazer um painel sobre as bonecas Blythe (ver Dolls with ATTITUDE) e logo de seguida a ser jurada da eliminatória portuguesa para o European Cosplay Gathering, que aceitei com prazer. Foi a minha primeira experiência do género, já que nunca pensei em participar em concursos (o palco/performance são o meu calcanhar de aquiles) e foi muito interessante.

Havia poucas participantes divididas em categorias de individual e grupo - sim, eram só raparigas. Tínhamos vários critérios de avaliação, eles também divididos pela concepção do fato e skit (50/50), o que ajuda a tomar decisões em casos de impasse. Infelizmente houve uma concorrente que teve de desistir, pois não se sentia suficientemente segura para concorrer. Acho que foi uma decisão sensata da parte dela, já que sofreu uma série de azares com o fato e não teria sido justo para ela. Mas espero que não desista de acabar o seu cosplay e concorra numa próxima oportunidade. O cosplay é para ser acima de tudo divertido!

Um concurso destes passa por duas fases: a apreciação dos fatos e adereços, com a condição de terem sido feitos pelos próprios, e depois o skit, em palco e em público. No geral posso afirmar que os fatos ou eram muito bons ou muito maus, não houve meio-termo. A concepção dos adereços de algumas participantes revela um investimento acima da média das cosplayers, que é de louvar e valoriza o cosplay português. Todas souberam defender muito bem as suas criações e quero ver mais destas cosplayers que conheci melhor neste evento. Os skits foram todos bastante bons, mas infelizmente houve algumas falhas técnicas que acabaram por prejudicar as cosplayers. Isso revela que ainda existe por parte das instituições alguma falta de profissionalismo em relação a eventos com esta natureza mais pop. Gostava que fossem encarados com a mesma seriedade com que se encaram um concerto de música clássica ou um bailado. Disponibilizar o palco para um ensaio geral como deve ser, sem stresses e histerias (para isso já basta o nervosismo das concorrentes - não esqueçamos que quem faz isto são amadores), seria um dos factores que teria melhorado a performance de todas as cosplayers envolvidas.

Tanto para os fatos como para o skit a escolha da série/jogo e personagens é definitivamente fundamental. Se nos fatos pesam a sua complexidade, execução e adereços vistosos, no skit pesa haver um tipo de narrativa e um bom apoio em vídeo/áudio (neste concurso os individuais têm 1 minuto e os grupos 2,5 minutos) que proporcione espectáculo para o público. Portanto a escolha de séries ou jogos que tenham bom potencial para um espectáculo simples, mas fácil e acessível, são muito importantes. Não precisam ser forçosamente séries muito populares, mas há que haver uma boa capacidade de síntese da parte dos cosplayers para pensar no seu skit como um mini-espectáculo de entretenimento e talvez por vezes abdicar de personagens ou séries favoritas por não darem muitas possibilidades para tal.

Gostei imenso da experiência, gostei de trocar ideias com outras cosplayers e acho realmente admirável o seu esforço e investimento. O cosplay é um passatempo incrível que de mau só tem o facto de ser dispendioso.




Museu do Oriente

3.9.11

Comecei a ver: Macross Frontier

Nos anos 90 vi o filme Macross: Ai wo Oboeteimasu Ka? (Macross: Do You Remember Love) e mais tarde a série de OAVs Macross Plus, mas confesso que o que me despertou a curiosidade para Macross Frontier foi a quantidade enorme de cosplayers a fazer de Sheryl Nome.

Ao fim de 5 episódios, Macross Frontier é uma agradável surpresa e bem melhor do que estava à espera. Confesso que não achei grande graça ao filme de Macross, talvez por embirrar com o character design de Haruhiko Mikimoto e não apreciar as canções nem a personagem de Lynn Minmay. Mas com Macross Plus a conversa foi outra, um character design sofisticado, história simples mas empolgante e que posso eu dizer da fabulosa banda-sonora de Yoko Kanno? Ainda são dos CDs mais tocados cá de casa. E nessa série gosto muito da idol Sharon Apple, com os seus espectáculos complexos e sofisticados.

Macross Frontier vai beber a ambos, o universo continua o mesmo, mas no futuro, e a permissa é a mesma, lutas de humanos contra ameaças extraterrestres, com o complemento de uma idol intergaláctica. Talvez a grande diferença em Frontier seja focar-se mais nas personagens, nomeadamente no triângulo amoroso (?) Sheryl-Alto-Ranka. Sheryl Nome é a grande vedeta internacional, ídolo das raparigas e paixão dos rapazes, Alto é o piloto principiante mas genial das Valkyrie e Ranka, a novidade, a aspirante a ídolo da canção. Ranka Irrita-me, acho que ela tem demasiado de Lynn Minmay, aquela "coisinha" enervante que os japoneses parecem adorar, mas Sheryl está mais próxima de Sharon Apple, apesar de não ter o génio musical de Yoko Kanno por trás, tem a sua sofisticação. — Ups, asneira! A banda-sonora de Macross Frontier, incluindo as canções de Sheryl e Ranka, é da autoria de Yoko Kanno. Eu encontrei alguma "inspiração" na música, mas como não tem a subtileza e deslumbre de Macross Plus (provavelmente a melhor banda-sonora de Yoko Kanno), acabei por partir do princípio que se tratava de outra pessoa, inspirada em Yoko Kanno. My mistake! — Alto cumpre bem o papel de piloto enfant-terrible e as Valkyrie continuam a ser das naves espaciais/mechas mais fascinantes da história do anime!

Macross Frontier parece ser uma boa série, bem estruturada, com uma produção sofisticada e maravilhosas cenas de acção. Foi bom as personagens terem tanto destaque, traz a série para um contexto mais concreto e para além de isso apelar a mais público, dá mais intriga à narrativa e equilibra as cenas de acção. Por outro lado traz-me sempre à memória uma outra época, em que estava a descobrir o anime como tal, em que já não eram apenas desenhos animados japoneses que davam nos espaços infantis na TV. Não é por nada que me engano com frequência e chamo Macross Plus a Macross Frontier. Sabe bem ver uma série destas actualmente, quando a maioria das séries me parecem muito iguais entre si.

Estou bastante entusiasmada, devo terminar de ver a série dentro de pouco tempo.

マクロスFRONTIER


31.8.11

Zettai Karen Children

O trabalho tem destas coisas, nem tudo o que me vem parar às mãos é sempre interessante e nos últimos tempos estive a braços com as "Pitas Psíquicas", ou seja Zettai Karen Children (título oficial em inglês: Psychic Kids Squad).

Zettai Karen Children é daquelas séries de anime que, se não me tivesse cruzado com ela a trabalho, provavelmente nunca saberia da sua existência. A história fala de três raparigas de 10 anos com poderes paranormais, Kaoru, cujo poder é a telecinese e é uma miúda completamente rebarbada que adora mamas, Aoi, com o poder do teleporte, a certinha e intelectual do grupo, e Shiho, com o poder da psicometria, inteligência acima da média mas também muito perversa,  e as mais poderosas do Japão, Nível 7. Elas vivem juntas, apesar de não serem aparentadas, com o seu tutor/chefe Minamoto e trabalham para uma organização para-militar chamada B.A.B.E.L. a combater crimes que ainda não aconteceram mas que foram vistos em premonições. A série vai seguindo a evolução das suas relações com os adultos e a novidade de frequentarem a escola pela primeira vez na vida (não o fizeram antes, vítimas do preconceito).

Com isto, Zettai Karen Children tenta abordar o preconceito e o valor das relações humanas, independentemente das qualidades ou defeitos de cada um. De certo modo isso até o consegue transmitir, mas para além disso a narrativa principal pura e simplesmente não desenvolve! A série tem 51+1 episódios, só a partir do 35 é que deixam de ser introduzidas personagens recorrentes novas e que a história começa a desenvolver. Até lá é exposição, exposição, exposição! Isto é, introduzem-se personagens e temas novos até mais não. Mas também pudera, personagens principais e recorrentes, incluindo vilões, são pelo menos 25! Nem Sailormoon, com 200 episódios, chegou tão longe!

De resto a série até tem algum potencial, a permissa e as personagens prometem, as miúdas têm a sua graça e o tom de comédia ajuda. Mas chegamos ao final do 51º episódio e todas as questões importantes que foram lançadas, principalmente uma premonição que afecta directamente Kaoru e Minamoto e pode levar à destruíção do mundo, ficam no ar... à espera de quê? De mais 51 episódios para as explicar ou resolver? Por mim, não obrigada!

Tecnicamente nada a apontar, a série é normal, com uma animação boa, mas sem ser fora de série, um character design mais ou menos, não fiquei fã, banda sonora banal, canções de genérico como muitas outras e pouco mais de interessante. Enfim não é uma série que recomende, mas como a vi achei justo pronunciar-me por aqui.

絶対可憐チルドレン

31.7.11

Macoto Takahashi

Era uma vez... em Portugal nos anos 70. Ainda não existia "anime", mas existiam "desenhos animados japoneses". Os desenhos animados japoneses eram a Heidi e o Marco (ew!) e a Candy Candy ainda nem sequer tinha nascido... Numa era em que quase nenhum dos conceitos com que um fã de anime actual se rege ainda tinha sido criado, quase todas as meninas ansiavam por um estojo em vinil brilhante, cheio de compartimentos e com uns desenhos de umas meninas, muito bonitos e românticos. Às vezes conseguiam umas bonecas de papel de Badajoz ou Ayamonte com ums desenhos parecidos, mas o estojo era o grande objectivo para exibir na escola.

Portanto, num mundo muito anterior a pseudo-otakus, Gothic-Lolitas ou à internet, já muitas meninas portuguesas conheciam o trabalho de Macoto Takahashi, mesmo que não soubessem o seu nome. Eu era uma delas, ansiei pelo tal estojo sem nunca o ter conseguido obter. Na altura pensava que eram espanhóis, pois a grande maioria vinha de Espanha, ou chineses, por causa dos caracteres. Depois da Candy Candy estrear (1983) confirmei que eram japoneses, mas nessa altura, para além de já não ambicionar perdidamente um, também já não eram tão fáceis de arranjar (coisa que nunca foram verdadeiramente).

Nos últimos anos tenho me apercebido destes desenhos de meninas de olhos muito redondos e cintilantes nas capas da revista japonesa Gothic and Lolita Bible, mas no meio de tantos autores de shoujo retro, encarei como mais um e continuei a perseguir aqueles que mais me chamam a atenção: Yumiko Igarashi (Candy Candy, Georgie!) e Ryoko Ikeda (Versailles no Bara, Oniisama He…). Há dias esbarrei com uma imagem de Macoto Takahashi e resolvi pesquisar. Os desenhos são deveras estáticos e as expressões das meninas, sempre meninas, são praticamente sempre iguais, mas o encanto destas ilustrações e a meticulosidade do detalhe são de um talento inigualável e maravilhoso!

Macoto Takahashi é na sua essência um ilustrador, já septuagenário, que continua tão activo hoje como nos anos 60 e 70 e mantém o mesmo estilo retro que nos deu a conhecer através das ilustrações que fez outrora para merchandising. Olhando para os seus desenhos apercebo-me de como o design do shoujo, onde Macoto é uma das principais influências de estilo, mudou tão pouco até aos anos 90 e, talvez com o advento da internet - quem sabe, deu uma volta enorme com uma clara tendência para o novo estilo "moe", que aliás não é shoujo.

Aconselho a darem uma olhadela pelo site oficial, e ver estas ilustrações maravilhosas. Pena é que nunca tenha conseguido o tal estojo!!

MACOTO Art

ilustração/merchandising

11.7.11

Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch

Tenho andado tão ocupada que mal tenho tempo para ver anime, ainda por cima com a morte do Animax praticamente só me restam o Canal Panda e o Panda Biggs para ter um cheirinho pela televisão, e mesmo assim não tenho dado conta do recado.

Dentro das séries que tenho vindo a ver aos pouquinhos, Mermaid Melody Pichi Pichi Pitch é uma que acabo por ver mais por descargo de consciência e para descomprimir um pouco do trabalho, que por outro motivo qualquer.

Mermaid Melody é mais um clone/sucedâneo de Sailormoon que não correu da melhor forma. O tema, sereias, é perfeito para um mahou shoujo mas foi pouco aproveitado. As personagens são engraçadinhas mas não propriamente cativantes, a história é básica e pobrezinha, demasiado colada à Pequena Sereia de Hans Christian Andersen, o character design pouco desenvolvido e por vezes trapalhão, a animação básica, os cenários normais e nem as roupas das personagens (factor cada vez mais importante num anime shoujo) são vagamente interessantes, nem dos humanos, nem das sereias, nem das versões "karaoke" nem sequer dos vilões, tudo muito para o pirosinho... Quanto às canções, o cavalo de batalha desta série,  bom, quem lê este blog depressa perceberá que não são o meu estilo... prefiro nem comentar.

Pela descrição acima até parece uma série terrível, mas não é, é apenas uma série mais ou menos, que se vai vendo em doses reduzidas. Não cativa mas também não irrita, vê-se!

テレビ東京・あにてれ マーメイドメロディー ぴちぴちピッチ ピュア [Mermaid Melody: Pichi Pichi Pitch Pure - 2º série]

Canal Panda 

23.3.11

Ando a re-ver: Sailormoon

Sailormoon, episódio 22 - 月下のロマンス! うさぎの初キッス [Romance ao luar! O Primeiro Beijo de Usagi]

Em 200 episódios, o episódio 22 (a cerca de 10% de toda a série) permaneceu sempre o meu favorito de todas as 5 séries de Sailormoon, e foi o que acabei de ver agora!

Este é o meu episódio preferido por imensas razões, é romântico até à exaustão, reflecte como poucos o espírito da série indo um pouco mais além, Usagi e Mamoru ainda não sabem que são as reencarnações da Princesa Serenity e do Prince Endymion, não sabem que uma é Sailormoon e o outro o Tuxedo Mask. Ainda nem sequer têm verdadeira noção de que estão apaixonados, apenas existe aquela tensão e atracção que tornam qualquer pedaço de ficção muito romântica e emocionante! Tudo isso aliado a Usagi num vestido bonito, a um baile de máscaras, aos sonhos recorrentes de Mamoru com a Princesa Serenity, a Mamoru a salvar Usagi e logo de seguida, ao bom estilo emancipado de Sailormoon, é ela quem salva os dois e por fim, por fim... o beijo. Bejio que vem um bocado do nada, mas quem quer saber?? Neste ponto da história tudo o que o espectador quer é ver esse beijo! Beijo dado ao luar, como convém, ambos banhados por uma luz azulada, em silhueta debaixo de umas arcadas em estilo palácio Ocidental, portanto, estilo Sailormoon!

É tudo tão puro, tão descomplicado, os objectivos de todos são claros: encontrar a Princesa Serenity e o Cristal Prateado. Os vilões querem-nos para ter mais poder e finalmente conquistar a Terra, as guerreiras querem-nos pela herança, para salvar a Terra e ressuscitar o Reino da Lua e Mamoru quer para perceber quem é e desvendar o mistério que é a sua vida.

Como em quase todas as séries que têm este tipo de tensão, chamaremos-lhe romântica, mantêm-se sempre mais interessantes enquanto os objectivos (românticos) não são cumpridos. A grande qualidade deste episódio é que, como Usagi e Mamoru estão ambos disfarçados, ela pensa que beijou o Tuxedo Mask e ele pensa que beijou uma princesa desconhecida, essa magia romântica ainda se mantém até tudo ser desvendado e ainda faltam à volta de 20 episódios para isso!

É por estas e por outras que Sailormoon continua a ser uma das minhas séries de anime preferidas!

Sailormoon Channel

Canal Panda
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