Louis Vuitton "Superflat Monogram" - Takashi Murakami
16.2.09
Aventuras em anime no País da Louis Vuitton
Louis Vuitton "Superflat Monogram" - Takashi Murakami
11.2.09
Ando a ver: Naruto

Sim! Continuo a ver Naruto na SIC-Radical. E ainda ando a gostar, se bem que começo a "desligar" um bocado. Desligo porque Naruto nunca foi daqueles animes que tem os ingredientes essenciais para me apaixonar e sem eles é difícil ter endurance suficiente para aguentar uma série comprida.
Mas a razão do meu post é comentar algumas coisas que me impressionaram. Gostei do clímax da batalha entre Naruto e Gaara se bem que estava à espera de mais. Mas o que verdadeiramente me impressionou ultimamente foi o efeito visual dado ao jutsu de Itachi, o Tsukiyomi. Gosto de ser em negativo a preto e branco, gosto do fundo vermelho, gosto de a Lua se manter em positivo. Afinal Tsukiyomi quer dizer "invocação da Lua" portanto é natural que ela fique em positivo quando nem o invocador fica em positivo. Também gosto da montagem destas cenas, com saltos no tempo e outras técnicas pós-modernistas de montagem, dos ângulos distorcidos e das nuvens a correr no céu.Também acho piada à fatiota dos membros da Akatsuki [Lua Vermelha] e sem dúvida que Itachi Uchiha é cool e misterioso [mmmmm............
] Já percebi porque é que tanta gente faz cosplay de membro da Akatsuki os fatos não são propriamente os mais complicados, têm bom impacto visual e as personagens são interessantes.
NARUTO-ナルト-
5.2.09
Bihada Ichizoku
Ao começar a ver esta curta série, de 12 episódios de 9 minutos cada, deparei-me com uma grande surpresa! Bihada Ichizoku é uma farsa às ultra-dramáticas séries (de que gosto imenso) dos anos 70, tipo Versailles no Bara, Oniisama E…, Ace o Nerae! ou Glass no Kamen, de que já falei por aqui mais que uma vez. Eles pegam nos clichés e exageram-nos, criando uma história bem divertida onde não é forçoso conhecer as referências, se bem que ajuda, claro.
Sara Bihada é a mais nova de um casal de gémeas que vence consecutivamente o concurso de beleza patrocinado pela família (WBC - World Beautiful-Skin Competition). Cheia de inveja a irmã, Saki, impede que Sara fique com o precioso pergaminho, a herança da família, e leva-os à ruína. O pai morre, a mãe fica destrambelhada e as duas vão viver para um pequeno T0. Alguns anos depois a bela Sara está "desfigurada" por ter de trabalhar em todo o tipo de trabalhos ao ar livre (pesca de atum, limpar vidros em prédios altos, etc. - ??? HAHAHA!) até que o destino a leva a trabalhar como empregada de limpeza na empresa da família agora gerida pela irmã. Tal como em Glass no Kamen, Sara tem um admirador secreto, determinado em restaurar a sua beleza, que lhe deixa sabonetes especiais e outros truques em locais que ela frequenta através do gato mais feio do anime. E, claro, também tem um love interest, um rapaz que não faz parte do seu passado de rainha da beleza e que a faz fazer os maiores disparates para estar com ele!
Como disse e se pode ler pela história, esta série pega em todos os clichés das séries antigas, incluindo o trabalho visual em que o character design parece tirado de uma manga de Ryoko Ikeda, os caracóis/canudos de Sara, as decorações dos genéricos e não só cheias de rosas, a mansão estilo ocidental da família e o luxuoso prédio dos escritórios Bihada Ichizoku. Cada episódio é introduzido por uma dramática narradora feminina que vai constatando óbvio no destino de Sara, a gargalhada enfática de Saki (ooh-hohohoo!) e a banda sonora dramaticamente romântica...
da manga e em Abril sairá o segundo [eu queeeero!]
Tem sido uma experiência bem divertida ver Bihada Ichizoku, foi pena os grupos de fansubs ocidentais não terem pegado nela, pois é um pequeno e divertido exemplo de comédia, que não fica atrás de nenhuma outra série mais séria e onde a publicidade nos passa totalmente ao lado (nem que seja porque os produtos não estão disponíveis fora do Japão).
E am♥ o genérico final! A canção é uma delícia e o estilo animação de recortes, como se fossem bonecas de papel está perfeito!
テレビ東京・あにてれ 美肌一族
RAW
31.1.09
Eva fashion!
Sempre a fazer render o peixe, a Gainax está a lançar, em colaboração com a Mobile Collection, uma loja por telemóvel, e também através da Evastore, uma linha de roupa inspirada nos Evas e nos diversos equipamentos técnicos e armas de Evangelion.Não fora os vestidinhos de poliéster serem fantásticos, como a Evastore já tem t-shirts e outros itens de roupa há algum tempo, nunca teria dado um minuto de atenção à notícia. O certo é que os vestidinhos (principalmente o do EVA02) são um must-have e mais um daqueles artigos que me faz ficar com pena de não ganhar uma pequena fortuna e de não poder ir ao Japão quando me der na telha...
ACTUALIZAÇÃO:
Depois dos vestidinhos, collants, bolas de futebol, malas de viagem... se andam a render o peixe, lá andam!!!!
Ora vejam na página principal: Evastore.
19.1.09
Comecei a ver: Wedding Peach
Praticamente desde que soube da existência de Sailormoon, cerca de 1994, que queria ver ambas as séries. Até porque, num passatempo da revista de anime inglesa Anime UK, ganhei uma cell de Yuri, uma das amigas da protagonista Momoko e Angel Lily. Sailormoon estreou poucos meses depois na SIC, mas Wedding Peach, não tendo obtido o mesmo sucesso que a sua antecessora, acabou por nunca estrear por cá.Ai Tenshi Densetsu Wedding Peach surgiu no Japão, claramente como um sucedâneo de Sailormoon, provavelmente o primeiro. Esta série já apareceu na fase de Sailormoon S, uma das melhores das 5 séries, e quando a história de Sailormoon começa a ficar verdadeiramente séria. Portanto, para além de ser uma colectânea de clichés do género, Wedding Peach surgiu com mau timing (um ano antes teria sido perfeito!) e apenas porque havia muito público conseguiu durar ainda um ano.
Quando vi os primeiros episódios de Wedding Peach fiquei perto de estar horrorizada com a cópia descarada que é de Sailormoon, sem as qualidades, com demasiadas transformações gratuitas e buracos no argumento. É praticamente insuportável aturar as transformações primeiro porque não são nada de especial e depois porque elas são três raparigas (para já) com duas transformações cada, que se transformam em todos os episódios e cujas transformações, quando acontecem ao mesmo tempo, raramente são resumidas... As músicas são um desfilar de potenciais MIDIs para brinquedos e merchandising, já que na altura os mp3 eram impensáveis, e versões baratas das de Sailormoon (atenção, também não acho as de Sailormoon nada de extraordinário, mas são francamente melhores que estas). A história é um pastiche romântico de cordel, com tantos buracos no argumento e questões pouco plausíveis que faz qualquer um perder o interesse com rapidez. Sobra a única coisa de que gosto mais ou menos: o character design. Não sendo maravilhoso e bem semelhante ao de Sailormoon, encaro-o como uma versão alternativa de Sailormoon, até porque, dentro dos padrões da época, tanto a direcção artística, como a animação são de boa qualidade.
Nem sequer pensava em comentar esta série para já, uma vez que a estou a "aturar" em prol de despachar um assunto, que anda pendente há muitos anos. Mas ao episódio 15 a série surpreendeu-me apresentando um primeiro e prematuro clímax, com a captura de Yousuke, o love interest de Momoko. Pelo menos isto dá-me algum alento para continuar a ver a série... são mais 36 episódios.
Definitivamente Wedding Peach não é uma série memorável, se bem que com algum potencial. É apenas mais uma para o meu catálogo de séries que tenho de ver, nem que seja porque um dia me despertaram a curiosidade.
[já não existe site oficial]
12.1.09
Recomecei a ver: Basilisk
Tinha tentado ver Basilisk da outra vez que deu na SIC-Radical mas não percebi nada da história (demasiadas personagens ao mesmo tempo) e acabei por não conseguir disponibilidade para a ver. Na semana que passou a série foi reposta e a ver se desta a consigo ver, até porque não é muito longa.
Mas uma coisa me chamou a atenção no episódio que vi: mais uma vez a má qualidade da tradução. Desta vez não foram os erros de sempre (más interpretações do inglês ou francês de onde é traduzida, mau português, etc.) foi um facto que me irrita imenso e demonstra uma enorme falta de profissionalismo. Traduzir qualquer coisa quer dizer torná-la compreensível na língua de quem a vê ou lê, utilizando equivalências. Ora a tradução de Basilisk deixa ficar os sufixos honoríficos do japonês, que da última vez que verifiquei, o cidadão português comum não compreende.
A língua portuguesa, sendo radicalmente diferente do japonês, é magnífica para traduzir a língua nipónica, quiçá melhor que o inglês ou o francês. O japonês tem uma característica que normalmente dificulta o processo de tradução para línguas mais complexas, como as europeias: uma gramática extremamente simples e um excesso de vocabulário. Portanto o japonês tem hierarquias linguísticas muito definidas e específicas, o que para uma língua como o inglês, que não tem praticamente nenhumas, é uma complicação de todo o tamanho! O português não tem esse problema, temos uma língua riquíssima, cheia de variedade de vocabulário e também temos essas hierarquias linguísticas e sociais.
Na tradução de Basilisk optou-se por deixar os sufixos ~sama, ~san, ~dono, ~chan, etc. o que é um erro. Como a maioria das personagens fala um japonês muito formal era só ir ver à linguagem formal e de corte (que realmente caiu em desuso) portuguesa e está lá a solução para tudo. Como ainda por cima Basilisk é um anime de época, não iria ficar estranho se se utilizassem palavras como Lorde ou Dom/Dona para ~sama, Senhor para ~san, Dom/Dona para ~dono e diminutivos para ~chan. Quem fizesse isso teria de fazer alguma pesquisa, arranjar uma fórmula fixa e fazer o seu próprio glossário da série, pois as traduções que sugiro são equivalentes e não a tradução literal para esses termos. Que essas distinções sociais existiam no Portugal medieval, existiam e pode-se com bastante facilidade arranjar uma equivalência fixa.
Outro aspecto que me irritou foi as personagens, como já disse, falarem um japonês formal e no português oscilar, sem coerência, entre o coloquial e o formal (que nem é assim tão formal). Ainda por cima encontrei alguns erros ou invenções no português, o que demonstra mais uma vez falta de profissionalismo!
Já é um avanço este esforço de respeitar a língua original japonesa, mas mesmo assim quem o fez exagerou, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra", pois introduziu uma série de termos que o português comum tem enorme dificuldade em distinguir, pois é apenas uma minoria bem pequena que sabe fazer essa distinção. Pelos vistos nem quem traduziu a sabe fazer... MAS DEVIA!
Basilisk
バジリスク~甲賀忍法帖~
SIC-Radical
Comecei a ver: One Piece
Apesar de já ter visto alguns episódios esporádicos anteriormente, com o retomar da SIC-Radical desta série, é desta que vou tentar segui-la até onde for possível.Tenho alguma dificuldade com séries longas se as mesmas não são "aquela" paixão, daí tentar, e tentar é a palavra, segui-las quando passam nos canais de TV. Mas One Piece sempre foi daquelas séries que me atraiu, nem que seja pelo character design invulgar e muito bom. Agora que já vi os primeiros episódios, cada vez gosto mais do character design que me lembra um pouco o de Dragon Ball, mas é mais agradável. Uma das qualidade que vejo nele é o facto de todas as personagens serem bastante diferentes umas das outras, talvez com uma pequena excepção para as raparigas, e têm características especiais engraçadas. Da imagem ainda só conheço 4, mas todas são especiais à sua maneira.
A história de One Piece é simples, aliás para um anime de longa duração não podia ser diferente senão não era sustentável. Monkey D. Luffy comeu um fruto do diabo que lhe permite ter um corpo de borracha, que ele usa como arma para combater. Mas comer o fruto tem uma condição, nunca mais poderá voltar a nadar, o que para um aspirante a pirata pode ser um problema grande. Luffy, que é um rapaz descontraído e bem disposto tem como objectivo navegar na Grande Linha, o local mais perigoso da região, e obter o One Piece, e para isso quer reunir um bando de piratas. O início da história, onde eu estou, trata exactamente disso: reunir a tripulação.
Também como na maioria dos animes de longa duração, a história desenvolve-se em episódios com uma relativa autonomia, o que permite se poder perder um ou outro sem perder o grosso da história. Cada episódio que vi tem uma surpreendente economia narrativa, especialmente se tivermos em conta que esta série é de 1999 e ainda está a decorrer no Japão. Os episódios são divertidos, incluem acção e comédia q.b. e vêm-se lindamente. É também refrescante uma série com um cenário tão diferente, não é nem um ambiente urbano moderno japonês nem um universo alternativo fantástico ou de ficção-científica, o que, por mais que goste, se torna por vezes cansativo.
Infelizmente os episódios que estão a passar na SIC-Radical, os mesmos que passaram há tempos na SIC, estão dobrados em português e mais infelizmente ainda pelo meu mais odiado estúdio de dobragens português: a Novaga. Portanto, apesar de estar consideravelmente melhor, ainda temos as péssimas vozes e ainda pior direcção de actores de Dragon Ball, Sailormoon e Saint Seiya. Há pessoas que deviam se ouvir e considerar uma mudança de carreira. Outro problema mais técnico que isso constitui é que em quase todos os episódios temos invariavelmente vozes repetidas e como muito dificilmente estes actores saem do seu registo de no máximo dois tipos de voz... é fácil perceber o que acontece.
One Piece é definitivamente uma série bem divertida, que vou tentar seguir apesar das minhas dúvidas que a SIC a tenha comprado completa. Mas essa dúvida também inclui outra mais positiva: pode ser que não tenham dobrado tudo o que têm. A esperança é a última a morrer!!
ワンピース - フジテレビ [JP]
ワンピース 東映アニメーション [JP]
2ª-5ª: 08:25, 13:30, 19:20
sab: 11:45 (5 eps.)
dom: 19:40
23.12.08
Meri Kurisumasu 2008

Portanto ⋆Meri Kurisumasu⋆ com a Sakura e a Tomoyo!
21.12.08
Terminei de ver: Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE-

Ufa! Finalmente! Fiz uma grande pausa no visionamento desta série porque os direitos foram comprados para os Estados Unidos e os ficheiros desapareceram da net. Mas agora já despachei os episódios que me faltavam.
De todas as séries de anime ou manga criadas pelas CLAMP, esta é definitivamente a de que menos gosto, e poucas recordações, excepto a banda-sonora, me vai deixar. Em 26 episódios a grande dúvida plantada ao início permanece: como é que Sakura vai recuperar as memórias de Shaolan, trocadas com a feiticeira dimensional, Yuuko? Ou então: será que Sakura vai ter tantas novas boas memórias de Shaoran que não precisa das antigas? Resumindo, em 26 episódios eles encontraram cerca de 5 ou 6 penas (não contei), ainda falta pelo menos a metade (não me lçembro quantas são no total, acho que eram múltiplas de 6), que obviamente ficou para a segunda série. Pelo discurso de Mokona no final do último episódio é claro que a segunda série já estava a ser planeada há muito, daí fazerem render o peixe.
O grande problema desta série, para além de uma animação mais ou menos e uns efeitos 3D demasiado evidentes, é que é como viajar para um país e não parar mais que um dia no mesmo sítio: não se fica a conhecer o lugar, muito menos as pessoas e o seu modo de vida. A falta de seguimento e de envolvimento com as outras personagens, para além dos quinteto viajante é demasiado superficial, até parece que estão lá para encher a paisagem, as histórias individuais, seja do quinteto sejam dos habitantes dos vários mundos não se cruzam, há pouca troca, pouca aprendizagem ou evolução mútua. Até parece que a seguir a eles deixam os mundos sem deixar rasto nem memória, apesar de causarem naturalmente algumas mudanças.
Estou a criticar um facto que é a grande premissa de uma série de que gosto muito: Galaxy Express 999, mas a grande diferença é que com cada visita a cada planeta, por mais curta que ela seja, traz à superfície sempre a mesma questão fulcral mas muito simples, até que ponto o ser humano necessita de um corpo humano e até que ponto as máquinas lhes trouxeram benefícios? Para além disso eles estão apenas de passagem, não têm objectivo nenhum em concreto em cada planeta em que o Galaxy Express pára. O que falta em Tsubasa é um maior destaque ao motivo das suas viagens, a recuperação das penas de Sakura e o desvendar dos "vilões" que chegando ao fim da primeira série ainda não fazemos a mínima ideia do que são e qual é a sua motivação. Perdeu-se demasiado tempo com trivialidades do dia-a-dia da maioria dos mundos e focou-se pouco na recuperação das penas de Sakura.
Por mais que a série continue, e tenha continuado, é necessário algum tipo de remate para esta primeira série, mesmo que inclua um cliff hanger para manter o espectador curioso em relação à segunda série. Nada disso aconteceu, o único cliff hanger é tentar perceber o que querem os vilões, questão essa que já se colocava anteriomente.
A banda-sonora é a excepção que confirma a regra, neste anime desenxabido por comparação com outros pela mão das CLAMP. Nem o guarda-roupa, que habitualmente adoro me enche as medidas, excepto um ou outro figurino masculino (isto é verdadeiramente raro!) nomeadamente o de Shaolan e o de Seishiro.
Se conseguir meter as mãos na segunda série e depois nos OAVs, logo verei se realmente valia a pena tanto arrastamento...
NHKアニメワールド ツバサ・クロニクル
20.12.08
SaaIKOU! Tamagotchi
Há dias descobri que a Bandai colocou no seu canal do YouTube e grátis os pequenos filmes da série que produziu para os Tamagotchi. Quem não se lembra da febre de há cerca de 10 anos atrás que esgotou os brinquedos no Japão e até em Portugal em poucas horas? Foi uma daquelas modas (passageiras) que pegou com força! Mesmo com menos potência, os Tamagotchis continuaram a sua carreira no Japão dando origem a outros tipos de brinquedos (peluches, etc.), artigos de papelaria, livros, e muito mais.O título é tem um duplo sentido entre a palavra saikou [= o melhor] e saa ikou [= 'bora aí], demonstrando logo o lado coloquial e frívolo da série. Ela é constituída por (até agora) 15 episódios de 2 minutos e meio e vai mostrando o dia-a-dia de um grupo de tamagotchis pré-adolescentes (?) na escola, com os amigos, com a família, etc. É uma série suficientemente engraçada para agradar tanto a crianças como adultos, não contando nada de novo, é um dia-a-dia muito japonês, mas apresentando a variedade de "formas" que os tamagotchis podem tomar e os seus "padrões de beleza"! O rei do Reino dos Tamagotchis, ou será Tamagotchilândia?, Gotchi Daiou, é um ovo! HAHAHA!
Os episódios podem ser vistos no canal da Bandai no YouTube em japonês e inglês, mas nem todos os episódios em japonês estão disponíveis para países fora do Japão :( :
YouTube - BandaiJP's Channel
Mas a página tem vários links, inclusive para os canais europeus e norte-americanos da Bandai no YouTube.
Não é nenhuma série importante ou histórica, mas também não é todos os dias que existe anime gratuito e legal online!
ネットで発見!! たまごっち
19.12.08
Cutie Honey THE LIVE Special

Acabei mesmo agora de ver um episódio especial (exclusivo do 9º DVD) da série tokusatsu Cutie Honey THE LIVE, intitulado Kisaragi-hakase no Techou! (O Livro de Apontamentos do Prof. Kisaragi). Não sendo de longe o melhor episódio da série, aliás é mais uma recapitulação do passado das três raparigas, sob o ponto de vista do Prof. Kisaragi, focando-se mais nas "falecidas" Miki e Yuki. Este episódio tem uma curiosidade: o próprio Go Nagai, autor/criador da manga Cutie Honey, faz de Kisaragi Koushirou, o "pai" de Honey e das outras raparigas, o que ele é literalmente!

キューティーハニー THE LIVE
14.12.08
Nippon Koma 08: dia 6
Yasukuni trata de um santuário xintoísta, simultaneamente memorial aos mortos na II Guerra Mundial. O problema está em vários países asiáticos, invadidos pelo Japão durante a Guerra, nomeadamente a China, que para além de contestarem a existência do dito santuário também contestam o direito do então Primeiro-Ministro Koizumi de o visitar. Antes de ver este filme nem sequer fazia a mínima ideia da existência do tal santuário, e pelo menos durante a primeira meia-hora do filme não percebi o porquê de tanta polémica, pois um santuário semelhante parece-me natural e existem locais semelhantes em vários países do mundo, inclusive em Portugal. O documentário é extremamente parcial, só mostra o radicalismo e a obsessão nipónica com a honra e os heróis nacionais e todas as poucas pessoas que se manifestam em contrário ou parecem os dois velhos dos Marretas ou uns palermas que andam por ali... Como alguém diz durante o filme, com certeza que nem todos os japoneses são assim! Os únicos intervenientes no documentário que me pareceram verdadeiramente credíveis e pelos quais senti alguma empatia foram os parentes de militares forçados a participar na Guerra, que não querem os seus nomes inscritos no santuário (por não concordarem com os que os levou a morrer na guerra) e o ferreiro de sabres japoneses, de 90 anos, que os fabrica em nome do dito santuário (facto comum, principalmente antes da Era Meiji - quem viu Kenshin pode atestar isso). Pouco mais sei acerca do assunto, mas percebi rapidamente que o filme só mostrava o que interessava e que alguns factores sócio-culturais faziam falta para explicar determinadas acções, inclusive a visita do Primeiro-Ministro. Talvez o mais importante de todos é que os santuários xintoístas têm um papel importante na sociedade, nomeadamente no culto dos antepassados e são parte da vida política do país, nem que seja porque o Imperador é o sacerdote-mor, descendente directo de Amaterasu, a Deusa/Deus mais importante do xintoísmo (sic). Depois há outra questão: quem são os autores do filme, pelo que percebi de ascendência chinesa, para questionar a existência de um santuário semelhante? É verdade que determinadas atitudes e rituais testemunhados neste filme são exagerados e questionam a vontade de manter a paz dos japoneses, mas, por mais fascistas que determinadas atitudes sejam (e que são) pelo menos estes "neo-imperialistas" não nadam a espalhar violência gratuita nas ruas e a boicotar tudo o que não entra no seu limitado universo. Basta olhar para o que os neo-nazis têm feito, à revelia da lei, pela Europa fora para ter um termo de comparação. Acho que países como os da Europa, como os Estados Unidos, a China e até Portugal, não têm o direito de criticar os japoneses por não saberem gerir o conflito entre a tradição e as regras de uma sociedade capitalista moderna, aberta ao mundo. Tanto os diversos países da Europa, através da colonização, os Estados Unidos, através das inúmeras guerras que não lhes dizem respeito, do Vietname e do Iraque e a China que tendo deixado de ser oficialmente um país em regime comunista totalitário continua a exibir com orgulho um retrato gigantesco de Mao Tse Tung na praça de Tien An Men, têm demasiados telhados de vidro para criticar seja quem for, principalmente desta forma tão facciosa.
Este documentário valeu pelo ferreiro e pelo acompanhamento do fabrico de um sabre, arte nobre e rara, com um protagonista com imenso potencial para um filme brilhante e muitíssimo mal aproveitado, pois apesar de o mostrarem como homem de poucas palavras, deixou sempre a dúvida do que não mostraram.
O filme de animação da noite, Vexille, é um filmezito em 3D com acabamentos com um ar 2D com uma animação razoável, mas não maravilhosa e uma história de ficção-científica apocalíptica acabada às pressas. Digo isto porque o filme tem uma exposição inicial demasiado detalhada e muito longa para ter um final precipitado, lamechas e cheio de buracos narrativos e falhas de raccord. É o tipo de filme com o intuito de agradar a uma massa de fãs com um universo limitado ao cyberpunk, que não abre os horizontes a ninguém. Tem a curiosidade de ter a banda-sonora de um nome memorável da música electrónica britânica dos anos 80: Paul Oakenfold.
A edição deste ano do Nippon Koma foi definitivamente diferente. Achei os documentários muito dentro de um tom acusatório às maldades que o Japão cometeu na II Guerra Mundial (se bem que dentro do tema houve excepções), demasiados documentários sobre o Japão e demasiado poucos do Japão e quase todos dentro de um tom demasiado negativo e com uma grande falta de um olhar de cineasta e sentido de humor. A grande excepção e, sem dúvida, o melhor documentário de todos, foi The Cats of Mirikitani, mas é um documentário que por acaso é acerca de um japonês (que nem sequer o é verdadeiramente) mas que poderia ser sobre uma pessoa de outro país qualquer.
Achei a média das animações no geral mais fraquita, mas satisfez-me consideravelmente mais como espectadora que os documentários. As curtas Digista eram bem interessantes, mas dentro do género já vi melhor nas edições anteriores do Nippon Koma e toda a semana valeu pelas curtas dos anos 20-30, nem que seja pela sua importância histórica e antropológica.
Também reparei que este ano houve uma alta percentagem de filmes em que aparecia a Tokyo Tower
! É daquelas referências que nos dá a certeza inconsciente de que é mesmo do Japão que se está a falar!Para o ano há mais (assim o espero)!
13.12.08
Nippon Koma 08: dia 5
A grande maioria dos filmes emula o que era popular na época: os filmes da Disney e dos irmãos Fleischer, que aliás determinaram em grande parte a estética inicial do anime. Mas também há muito experimentalismo, técnicas mistas e novas e originais técnicas. Nestes filmes temos a herança do entretenimento popular japonês, seja nas adaptações de contos clássicos, seja na utilização de uma benshi, Midori Sawato, ou então na utilização original de chiyogami, o papel tradicional japonês, muito utilizado em origami. É necessária uma explicação: as novas tecnologias proporcionam-nos um privilégio até há bem pouco muito raro ou de outras gerações, viver o cinema (mudo) próximo de como se vivia na época da sua estreia. O cinema mudo japonês nunca foi propriamente mudo. Enquanto que o cinema mudo ocidental em geral tinha o acompanhamento musical ao piano ou de uma pequena orquestra (com partituras específicas em muitos casos), o cinema mudo japonês, para além desse eventual acompanhamento musical, costumava ter sempre um benshi, que era algo entre um narrador e actor que enriquecia a narrativa visual através da sua interpretação e improviso, criando uma ligação empática com os espectadores. Como esta compilação faz com certeza parte de um apaixonado trabalho de arquivo de algumas pessoas, tentou se manter uma parcela do que era o espectáculo do cinema no Japão dos anos 20-30, onde o cinema mudo durou mais que no ocidente por causa dessa mesma banda-sonora "ao vivo". Os filmes trazem-nos uma outra magia, a da vontade de contar histórias, em animações engraçadas e bem criativas e talvez o que sejam os primeiros karaokes da história: Harvest Festival e Kimigayo (o Hino Nacional do Japão).

Mais uma vez o documentário da noite, Abduction, The Megumi Yokota Story, traz-nos um tema "sonegado" pelos japoneses, também mais uma vez através do olhar estrangeiro. Conta a trágica história de uma miúda de 13 anos, Megumi Yokota, que, nos anos 70, foi raptada pelos norte-coreanos. Rapto esse que não foi único, o governo da Coreia do Norte admitiu 13 raptos semelhantes, mas estima-se que tenham sido mais de 100. O documentário conta a história sob o ponto de vista dos pais e da sua luta para encontrar a filha e para que a verdade venha à tona. O certo é que até hoje não se tem a certeza de ela estar morta ou viva.
Na busca de uma foto de Megumi, descobri que foi feita uma manga e um anime, disponível para downolad em várias línguas.
Os japoneses parecem ter alguns bloqueios em questões de nível emocional ou psicológico, empacando em vez de agir, negando assim todas as teorias e regras de conduta vindas das artes marciais que incentivam à acção em vez desta passividade constrangedora. E quando algum tipo de questão mais grave ou escândalo acontece, escondem o acontecido, aparentemente por "vergonha", o que para a minha cabeça latina não faz sentido nenhum e desperta alguma revolta. Basicamente apetece-me agarrá-los pelos colarinhos e dizer-lhes: façam alguma coisa! Claro que isto não se aplica aos pais de Megumi e outros parentes das pessoas raptadas, pois têm sido incansáveis na sua busca.
11.12.08
Nippon Koma 08: dia 4
A sessão da noite foi uma sessão de curtas de animação do mesmo autor, Tomoyasu Murata, a grande maioria utilizando mistura de técnicas artesanais como plasticina e desenho em papel, animação de volumes ou marionetas e acetatos, etc. De todos os filmes, nem todos particularmente interessantes, destaco os três filmes da série de cinco The Road, uma série de animações de marionetas, que segue num ambiente melancólico e intimista o percurso de um homem. Apesar de deixar qualquer um cabisbaixo, é notório e interessante o modo não linear e indefinido com que se passa de um mundo aparentemente realista para um universo interior do protagonista. O filme de que gostei mais, foi o mais experimentalista de todos, Metropolis (não confundir com a longa de Rintaro), uma montagem de imagens nocturnas das luzes de Tóquio, lembrando vagamente os Koyaanisqatsi e Powaqatsi de Godfrey Reggio, mas com uma banda-sonora mais ambientalista e menos dramática.
10.12.08
Nippon Koma 08: dia 3
Infelizmente esta sessão encetou a falha técnica do ano: os episódios são em 16:9 (ou letterbox) e passaram-nos em 4:3, o que significou que os lados da imagem foram decepados. Este ano nem me dei mais ao trabalho de protestar... até na Premiere veio um artigo acerca dos formatos, portanto só tenho que concluir que o projeccionista ou é burgesso ou é totalmente bronco, porque não se admite! Também tenho de apontar para a péssima tradução e legendagem em português: a maioria das frases eram em mau português ou um português fotocopiado do inglês, que mais parecia traduzido com o Babelfish e as legendas estavam pessimamente divididas, dividindo frases a meio, deixando-as penduradas em preposições ou artigos, não estavam síncronas com as deixas, etc. Mas o pior foi mesmo o mau português, que vergonha! Mesmo sendo a sessão gratuita, ela é gratuita para promover as edições em DVD, e acho indecente pagar para ter este tipo de péssima tradução. Eu nem sempre acompanhei os diálogos pelas legendas, apenas quando o linguajar mais denso ou técnico mo obriga, e passei a sessão horrorizada.

Jimmy Tsutomu Mirikitani - Mother and Baby
Até parece que me estou a repetir, mas The Cats of Mirikitani, continua com o tema da paz versus a guerra e os malefícios da mesma. Mas este filme desvia para um percurso mais humano, seguindo um artista plástico japonês (mas nascido em Sacramento, Califórnia), "Jimmy" Tsutomu Mirikitani, de cerca de 80 anos, a viver nas ruas de Manhattan, Nova Iorque. Fascinada com o artista, a realizadora já lhe fornecia material de desenho, cobertores, casacos, etc. sempre que ele necessitava, mas com o 11 de Setembro, as cinzas espalharam-se pela cidade e ela recolheu-o para que não adoecesse nas ruas. A história de Mirikitani, cujos desenhos são maravilhosos, não é propriamente a típica história de uma vítima da guerra, ele fora a São Francisco visitar a irmã, a seguir a assistir à queda da bomba atómica em Hiroxima, quando todos os japoneses e seus descendentes (mesmo que cidadãos norte-americanos) foram tirados de suas casas e presos, por 3 anos num campo de concentração. Realmente os norte-americanos não têm rigorosamente moral nenhuma para se armarem em polícias do mundo! Felizmente Mirikitani vive para a sua arte e, independentemente de tudo o que lhe aconteceu posteriormente (empregos vários em típicos negócios orientais nos EU, viver nas ruas) continuou a desenhar compulsivamente. Uma bela lição para os pseudo-artistas que "sofrem" pela arte ^_^
9.12.08
Nippon Koma 08: dia 2
A sessão da noite foi a "sessão das curtas de animação experimental", portanto tinha muito 3D mas também animação mais tradicional de autor. Digista é a compilação de alguns vídeos de um programa da televisão estatal japonesa, a NHK, uma espécie de Onda Curta à japonesa. A selecção desta noite foi no geral equilibrada e bastante boa. Houve uma certa tendência 3D/2D retro anos 80, principalemente em Piece e Z, um trabalho experimental, com inspiração em Edward Muybridge, sobre fotografias de pássaros, Flock, Gluebe, uma animação com as bandeiras do mundo (onde estava Portugal???), numa técnica intrigante, um melodrama com frigoríficos, Fridges, uma outra interessante animação de técnicas mistas sobre o tema dos gatos, Ikuemi no Zanzou. Os de que gostei mais vieram seguidos: Kujira, uma animação tradicional, de traço preto sobre papel com um desenho de personagens maravilhoso; Paper Play, um filme que mistura imagem real com 3D de bonecos recortados em papel
, um divertido exercício de criatividade; e Selene Attraction, que me lembrou Gate Vision, utiliza a mesma técnica e é do mesmo autor, Kobayashi Kazuhiko, que vi no Nippon Koma de 2006.Nippon Koma 08: dia 1
Agora os filmes (que é o que interessa):
A sessão da tarde foi preenchida com a compilação de curtas de animação Genius Party, em substituição do originalmente previsto Appleseed (já não sei qual versão, suponho que a mais recente, tinha de ir procurar ao programa da Culturgest - em papel - e agora não me apetece). É refrescante ver que grandes nomes do anime comercial também conseguem fazer filmes de autor, mas nem todos são 100% bem-sucedidos na tarefa. Será falta de prática? Será que precisam de "fronteiras" e restricções para serem verdadeiramente criativos? A meu ver há lugar para tudo e é um bocado como uma velha máxima, de que "bons profissionais não dão bons professores", mas há sempre excepções.
O primeiro filme, Genius Party Opening, de Atsuko Fukushima, é um deleite para os sentidos, uma pequena animação de técnicas mistas, com um ambiente psicadélico que faz lembrar velhos filmes de animação de autor, tais como La Planète Sauvage, de René Laloux, com um belo toque moderno, mais notório nos "néons" em CGI. O segundo filme, Shanghai Dragon, do renomado Shoji Kawamori (Macross, Macross Plus, Escaflowne, etc.), brinda-nos com um trabalho artístico fora do comum, uma animação de primeira qualidade e uma história de pequenos-grandes mal-entendidos divertida. Mais convencional que o anterior, estes dois foram os meus preferidos dos sete. Deathtic 4 e Happy Machine são dois filmes bem diferentes entre si mas ambos muito interessantes (e algo surrealistas), Limit Cycle é uma daquelas secas demasiado densas, existencialistas com excesso de informação, tanto no texto como visualmente. É daqueles filmes que nos perguntamos, mas afinal onde é que ele quer chegar, pois o filme satura ao fim do primeiro minuto, apesar de exuberante. Por fim, não deixando de ser um bom filme, Baby Blue, a maior decepção de todos, pois vindo de quem vem, Shinichiro Watanabe (Cowboy Bebop, Samurai Champloo e agora Michiko to Hatchin), que chamou a atenção pelo seu trabalho vanguardista e arrojado na indústria, traz-nos um filme comedido e discreto, com a velha temática nostálgica das separações e rebeldias da adolescência, sempre interessantes, mas que começam a tornar-se algo repetitivas no panorama da animação japonesa. O filme é bem giro e gostei, mas talvez se não tivesse sabido de antemão de quem é, tivesse gostado muito mais.
À noite foi a hora do documentário, Wings of Defeat, um documentário por uma nisei norte-americana, Risa Morimoto, acerca dos pilotos de kamikaze que sobreviveram e os seus testemunhos na primeira pessoa acerca das suas impressões sobre a sua missão e a II Guerra Mundial. Não sendo um documentário particularmente brilhante a nível cinematográfico, é um estudo interessante sobre a inutilidade da guerra e, principalmente da bomba atómica. Muito antes das bombas terem sido lançadas, o Japão já tinha claramente perdido a guerra, e só a vontade teimosa de um homem (o Imperador Showa, Hirohito) é que adiava o inevitável. O poder bélico norte-americano era claramente superior, o Japão tinha pior tecnologia, menos recursos, já tinha o exército e o país praticamente dizimado, não havia necessidade de tomar medidas tão drásticas, especialmente por duas vezes. Mesmo assim é interessante ver os testemunhos de quem, ingenuamente, travou a guerra em primeira mão (e não são apenas soldados japoneses) e de como partilham convicções humanas de que tudo aquilo por que passaram poderia ter sido de outra forma, não fora essa agressividade incontrolável do Homem.
Culturgest
26.11.08
Entrevista sobre Sailormoon com Naoko Takeuchi
Mais ou menos na altura da sua publicação (1998), li na revista sobre anime online EX: The Online World of Anime & Manga uma pequena mas esclarecedora entrevista que Naoko Takeuchi deu, logo após a publicação do último volume da sua manga Sailormoon (18º), acerca da série numa convenção nos Estados Unidos. Hoje voltei, após 10 anos, a esbarrar com a mesma entrevista e, arriscando-me a chatear o autor, Charles McCarter, resolvi traduzi-la e publicá-la no Anime-Comic. Fi-lo essencialmente porque a entrevista clarifica aspectos importantes da manga e acho que o público português, por vezes induzido em erro com boatos de internet, acaba por ficar com algumas dúvidas ou criar mal entendidos por causa dos mesmos.O original da entrevista, em inglês, pode ser lido aqui:
Public Interview with Naoko Takeuchi, by Charles McCarter (EX)
CHAMAM-LHE TAKEUCHI NAOKO
—por Charles McCarter
A Comic Con International deste ano teve a presença de mais uma personalidade notória do anime. A criadora da fenomenalmente popular Sailormoon, Naoko Takeuchi foi trazida do Japão para uma rara presença pessoal pela Mixx Entertainment.
Apesar de a Srª. Takeuchi só ter tido a possibilidade de participar na convenção nos dois primeiros dias, o seu impacto foi sentido de imediato. Multidões vestidas como as suas personagens favoritas de Sailormoon andavam pelos salões, fizeram fila para obter um autógrafo e para participar na sua única conferência na Comic Con.
Levou quase 20 minutos para os fãs entrar na única fila para a sala e se sentarem. Após a multidão se ter acalmado, a Srª Takeuchi entrou recebida com aplausos retumbantes. Então, após alguma confusão inicial e problemas técnicos, a conferência começou. Foi essencialmente uma longa sessão de perguntas e respostas. Aqui estão a maioria das perguntas feitas à Srª Takeuchi, e as suas respostas.
P: Como chegou à ideia para Sailormoon?
NT: Conversava com os meus editores a tentar decidir uma história, quando mencionei que era fã das séries sentai [séries de equipas de super-heróis]. Decidi que queria criar uma série com um grupo exclusivamente feminino.
P: O que acha de Sailormoon ser chamada de "um tipo novo de desenho-animado para raparigas"?
NT: No Japão, existe imenso anime especificamente para raparigas. Gostava de ver esta tendência espalhar-se por todo o mundo.
P: A Sailormoon vai continuar?
NT: A manga de Sailormoon termina no volume 18. Acabou, não vai haver mais.
P: Haverá alguma vez Sailors masculinos?
NT: As Guerreiras Sailor [Navegantes] são apenas raparigas.
P: O que influênciou a sua criação de Sailormoon?
NT: No Japão, as raparigas das escolas preparatória e secundária vestem o sailor-fuku [uniforme escolar de marinheiro], portanto estas roupas são um símbolo geralmente reconhecido para as jovens raparigas. Queria torná-la numa super-heroína que tivesse a ver com toda a gente. E muitos rapazes japoneses gostam muito desses uniformes. (risos)
P: Se fosse uma das Guerreiras Sailor, qual delas seria e porquê?
NT: Seria Sailormoon, porque quando criei a personagem, ela estava próxima da minha personalidade.
P: Existe alguma controvérsia acerca da personagem Haruka. Ela era um homem que se transformou numa mulher quando se tornou Sailor Uranus?
NT: A Haruka sempre foi uma rapariga. E sempre o será. Quanto às Starlights, na manga elas sempre foram raparigas. Mas, no anime, foram transformadas em rapazes, e eu não fiquei muito satisfeita com isso.
P: Vai haver algum filme Starlight ou OVAs?
NT: Também quero que façam isso!
P: A Sailor Uranus e a Sailor Neptune são amantes? Se são, porque escreveu a história assim?
NT: Sim, são amantes. A razão é porque ligam bem. Neptune é muito menina e feminina enquanto que a Uranus é maria-rapaz e tem um coração masculino. E naquelas idades as raparigas são muito emotivas. (pausa) E comparando com as outras cinco, elas têm mais tempo livre. (risos)
P: Porque não existe uma Sailor Earth [Terra]?
NT: O Tuxedo Mask [Mascarado] toma o lugar de uma Sailor Earth.
P: Porque estão a Sailormoon e a Sailor Mars sempre a discutir?
NT: Porque são muito boas amigas. São tão amigas que discutem o tempo todo.
P: Sempre quis ser artista?
NT: No Japão é muito comum as crianças quererem ser artistas quando crescerem. Sempre foi o meu sonho desde pequena.
P: Porque é que a manga Sailormoon, dirigida a jovens raparigas, é tão popular com tipos mais velhos?
NT: Porque tem muitas raparigas giras e sexy. (risos)
P: No que está a trabalhar agora?
NT: Ainda estou a tentar decidir o meu próximo projecto. Gostava de fazer algo com magia.
No fim da conferência, a Srª Takeuchi posou para fotografias com alguns dos seus fãs vestidos como as personagens, e depois teve de ir a correr para baixo para a sua sessão de autógrafos.
De notar que não utilizei as traduções de nomes e outros da dobragem portuguesa, porque em geral estão mal traduzidos ou aportuguesados, aspecto com o qual não concordo. Mas, para a compreensão geral, coloquei entre [] o seu equivalente.
23.11.08
Terminei de ver: Onegai My Melody

Já acabou... Definitivamente, dentro deste estilo de série anime, esta é talvez uma das melhores, o que é surpreendente para um anime motivado por uma mascote de merchandising. A história desenvolveu-se de forma escorreita, sem episódios de recapitulação ou para encher, com boa animação e character design e com alguns desenvolvimentos dramáticos interessantes.
Uma das coisas diferentes e engraçadas nesta série é logo a personagem
My Melody. Ao contrário do que aparenta à primeira, My Melody realmente é kawaii em doses XL, mas ao mesmo tempo é tão desligada e por vezes até parva que torna certas situações hilariantes. Uma das coisas que esta série tem, e que me faz gostar de anime em geral, é a conjugação estranha de momentos de humor tolo em situações de grande dramatismo. Até ao fim, e principalmente no clímax final, Onegai My Melody brinda-nos com esses momentos, muito bem orquestrados, de modo a não se sobreporem à história principal, o que torna esta série à partida 100% cor-de-rosa numa série com muitas outras e bem interessantes cores.Os seres humanos são bem caracterizados, sem exageros e cumprindo certas regras maniqueístas do género e ao mesmo tempo aceitando, muito à japonesa, os factores "estranhos" e integrando-os naturalmente no seu dia-a-dia.
Espero que o Canal Panda compre as outras séries (são mais 4), pois esta claramente deixou coisas para acontecer e provou que vale a pena.
テレビ大阪 おねがいマイメロディ
21.11.08
Fullmetal Alchemist
Estreou hoje (com dois episódios) Fullmetal Achemist, uma nova série na SIC-Radical. Não querendo estabelecer comparações, esta é uma série muito no género de Orphen, que mistura vários factores místicos e visuais da Europa medieval ou renascentista e lhes dá, através de uma reinterpretação de conhecimentos, neste caso de alquimia, química e outros novos poderes em novas situações.Pelo que vi, e daí não querer comparar, é uma boa série, mais interessante que Orphen, nestes dois primeiros episódios não vi o suficiente para me fidelizar, mas a série tem 51 episódios, portanto o ritmo é mais lento.
Gostei da premissa de cada um ser Deus, no sentido de que cada um pode decidir o seu caminho, e de ao mesmo tempo se mexeres em coisas divinas (proibidas) serás castigado, no equilíbrio é que está a virtude. Não é propriamente uma temática nova ou original, mas é forte e tem muitas bases para se poder desenvolver uma boa história.
Nos próximos dias vou tentar acompanhar, logo vejo se a vejo toda, mas se a SIC-Radical fizer como fez com Naruto (está a passar no mesmo horário), com um episódio novo em cada dia de semana, os 51 episódios vêm-se em cerca de dois meses, o que não é assim tanto.
鋼の錬金術師 公式ホームページ
2ª - 6ª: 19:30
dom. : 10:15 (compacto)
14.11.08
Comecei a ver: Michiko to Hatchin
Quando vi o trailer desta série, ainda no Verão, só pensei: "Isto parece um filme de Quentin Tarantino com Robert Rodriguez, versão anime, no Brasil e produzido pela Manglobe!", isto tudo com os olhos arregalados de entusiasmo. Está aqui uma boa e invulgar conjugação de elementos.
O trailer prometia acção e, o primeiro episódio, mesmo antes do genérico dá-nos acção digna do último James Bond! Aliás Michiko lembra a Camille de Quantum of Solace, mas já lá vou! O genérico, bem ao estilo da Manglobe, faz-nos lembrar o genérico de Cowboy Bebop no seu estilo gráfico-pop e com a sua música drum & base. O facto de fazer lembrar Cowboy Bebop não desmerece este genérico que é absolutamente maravilhoso e há de ficar também na memória. Naturalmente que apenas no primeiro episódio, temos pouca noção do que aí vem em termos de história (não em termos de acção, que essa promete e muita!), mas apresentou-nos as personagens, Michiko, uma bandida implacável, morena boazona, que vive descascada, como boa brasileira-morena-boazona que é, e Hatchin a miúda órfã, quase coitadinha, mas que tem personalidade suficiente para se rebelar e não se conformar ao seu injusto destino.
Michiko to Hachin, ou então Michiko e Hatchin, mostra-nos um Brasil idealizado (não idealista) que é um misto das paisagens de sonho e miséria terceiro-mundista que, certamente não corresponde à realidade (espero bem que não!). Mas visualmente os autores, seguindo uma interessante pesquisa, criam um universo ficcional meio realista, meio retro, muitíssimo rico, pormenorizado e interessante, que é um regalo para os olhos. O character design é fantástico, mostrando-nos uma Michiko que é uma personificação da gaja-boa brasileira, de pele morena, lábios carnudos, cabelo escuro (mas liso), com roupas reduzidas e cheia de dourados! Eu bem disse que fazia lembrar a Camille, se bem que Camille é um pouco menos chunga. No lado oposto temos uma Hatchin um tanto caricaturada, versão infantil exagerada de uma miúda franzina com excesso de cabelo. Será que os totós e laços da órfã são uma homenagem subliminar a Candy Candy???
Claro que temos incoerências sociais, a miséria apresentada é exagerada, as instituições são antiquadas, os carros da polícia ainda são Carochas (o Brasil foi um dos últimos países do mundo a deixar de fabricar estes carros) e o padre é casado! Acho que os japoneses precisam de ver mais telenovelas! Por falar em novelas, estava a dar uma na televisão da sala do padre, heheee! A mota, que faz lembrar uma Vespa, versão II Guerra Mundial alterada, é simplesmente fa-bu-lo-sa!!!!! Também, para variar, temos a introdução num universo latino-americano, de pequenos pormenores nipónicos, como nomes japoneses, Hatchin a lavar o chão de joelhos, por oposição à esfregona, o café da manhã sem café e com omelete, ou as portas de correr e o ar oriental do banco que Michiko assalta.
A animação é de primeira qualidade, nem parece que estamos a ver uma série de TV. A Manglobe não desilude e mantém a fasquia alta, o que nos proporciona um visionamento muito mais interessante. É uma animação fluida e muito dinâmica, que torna as sequências de acção, se nada mais, obrigatórias de ver.
Gostei muito das vozes tanto de Michiko, muito grave, ligeiramente nasalada, mas muito feminina, como a de Hatchin, jovem mas sem ser infantil ou infantilizada. Neste anime não há lugar para vozes esganiçadas ou em falsete, como é habitual. É engraçado reparar que, em geral, acertam na pronúncia brasileira... Os nomes, dos locais e pessoas, é que são um tanto estranhos, e há um errozito ortográfico aqui e ali, mas nada de extraordinário.
Estou entusiasmada, não estou? Pois é, é que este anime prometia muito e o primeiro episódio está a léguas de desiludir. Ainda por cima com o selo de garantia da Manglobe, equipa que se formou com a série Cowboy Bebop, com Shinichiro Watanabe a liderar as hostes, e que criou na Manglobe Samurai Champloo e Afro Samurai, duas séries invulgares e muito interessantes que têm em comum com esta a mistura incoerente de aspectos tradicionais com um modernismo retro-funk, mas que resulta! Com uma banda-sonora que vai entre o jazz, o funk, o hip-hop e, claro, a bossa-nova, na pior das hipóteses esta é uma série divertida e bem animada.
ミチコと八チン
12.11.08
Toki o Kakeru Shoujo
Makoto é uma rapariga comum que se vê envolvida numa estranha situação em que pode dar saltos no tempo. Com esta premissa tão simples temos em Toki o Kakeru Shoujo (A Rapariga que Salta no Tempo) um excelente filme que merece toda a fama que tem adquirido desde que foi lançado.Para além de Makoto temos os seus dois melhores amigos, Chiaki e Kousuke, com quem joga catch ball todos os dias, a sua amiga Yuri e, claro a família. De forma não-linear o filme conta-nos cerca de uma semana da vida de Makoto, desde a saída apressada de bicicleta para a escola, adormecer nas aulas, as tarefas após as aulas, o jogo com os dois rapazes, preguiçar em casa. O que acontece é que, graças a um acidente, Makoto descobre que pode "navegar" no tempo à descrição, através de saltos. Com isso Makoto vai "ajustando" os seus dias, corrigindo erros, mudando pequenas situações, etc. Mas, é óbvio, saltar no tempo não se faz sem as suas consequências.
Para começar, a narrativa relativamente complexa deste filme está extremamente bem construída e sem buracos. É muito fácil numa história que envolve saltos no tempo e a não-linearidade cair em erros de pormenor que estragam o fluir geral, mas neste caso a história é estanque, sem falhas e bem estruturada. Depois vem o excelente nível da animação, que surpreende a cada momento. Não segue as habituais regras para poupar tempo do anime, com longos movimentos de câmara sobre imagens paradas das personagens, muito pelo contrário, cada cena e cada plano é soberbamente animado, cheio de dinamismo, com um detalhe que ganha maior relevo na simplicidade do desenho de personagens. O desenho de personagens é simples, num estilo bastante "ghibliesco" mas mais detalhado, moderno, e muito expressivo. Os cenários também partilham essa característica "ghibliesca" [boa, usei o palavrão duas vezes!] sendo lindíssimos, em particular a casa de Makoto, e muito detalhados, mantendo o realismo da paisagem urbana japonesa. Os poucos 3D existentes estão perfeitamente integrados e só são utilizados como efeito especial.
Já me esquecia de falar da banda-sonora que, não sendo particularmente marcante ou espectacular e sendo constituída por uma conjugação de várias melodias pré-existentes, é uma banda-sonora realista, que apoia a história, de forma discreta e agradável, sem se sobrepor ou destacar. É daquelas bandas-sonoras que não faz multidões saírem para comprar o CD, mas que encaixa no filme na perfeição.
Num filme tecnicamente tão bem conseguido, aliado a uma história muito bem estruturada e emocionante, com reviravoltas surpreendentes sem cair no lugar-comum, deixamo-nos levar, guiados por Makoto, torcendo por ela e desejando a mudança prometida. Toki o Kakeru Shoujo é um filme de sobre o amadurecimento com um toque de fantasia, mantendo "a cabeça no céu e os pés na terra", utilizando as doses certas de realismo e fantasia para nos deixar com uma sensação agradável da satisfação de ter visto um excelente filme com cheiro a Verão.
La Traversée du Temps - Le film [FR]
The Girl Who Leapt Through Time [EN]
時をかける少女 [JP]
11.11.08
Demashitaa! Powerpuff Girls Z
Já tinha visto excertos desta série quando ela estreou no Japão, em parte porque adoro as Powerpuff Girls originais, mas já naquela altura não me entusiasmei por aí além com esta série. Mas hoje apanhei o que penso ter sido o primeiro episódio na RTP2, sob o título Superpoderosas, e até achei alguma graça.Basicamente os japoneses agarraram num produto que já era muito "japonês" à partida e encaixaram-no naquele modelo de anime para raparigas pré-adolescentes com poderes fantásticos, isto é o mahou shoujo. Dentro deste género especificamente têm sido produzidas imensas séries de que tenho falado bastante aqui, não fosse eu fã de mahou shoujo, a começar com Card Captor Sakura, continuando por Ojamajo Doremi, Kaitou St. Tail, Mirmo e, mais recentemente, Onegai My Melody.
O defeito é que esta série, que no orginal foi marcante nos desenhos animados norte-americanos pela sua originalidade, por um grafismo diferente e um target invulgar (raparigas), mantendo uma certa ironia e humor que não apela apenas a crianças, tornou-se, na versão japonesa, em mais uma série e nem sequer das melhores... Pior: transformaram a personagem mais popular e cool em pouco cool. Buttercup, a inconformada passou a ser uma banal maria-rapaz a queixar-se de ter de vestir saias. Pelo contrário, a detestável Blossom está kawaii e Bubbles, se bem que menos kawaii que no original continua igualmente engraçada. Também sinto falta dos cenários muito "design anos 60" da série original. As transformações das raparigas têm demasiadas poses e são muito confusas, o que não ajuda, pois as transformações costumam ser o selo de garantia neste tipo de séries.
Pelos vistos o ditado: "em equipa ganha não se mexe" não serve só para os remakes de anime norte-americanos, mas também para a situação inversa.
Mesmo assim, é mais um anime a dar nas televisões portuguesas, especialmente na RTP que nos últimos anos tem passado muito pouco, portanto só tenho que ficar contente com mais esta estreia.
出ましたっ! パワパフガールズZ
テレビ東京・あにてれ 出ましたっ!パワパフガールズZ
出ましたっ!パワパフガールズZ
RTP2
2ª - 6ª: cerca das 18:00
Terminei de ver: Bamboo Blade
A primeira grande qualidade de Bamboo Blade está no kendo. Todas as sequências, sejam elas de treino ou combates exaltados, demonstram uma pesquisa muito bem feita e um profundo conhecimento da arte marcial e do seu quotidiano no contexto de um clube de escola secundária japonesa. A animação é bem feita, as sequências bem coreografadas e não abusa do "efeito especial anime de desporto" (=raios luminosos, capacidade sobrehumanas, etc.), filmando o kendo como seria muito complicado de fazer em imagem real, mas mantendo um estilo realista. Aliás mal seria deles se representassem mal essa faceta, seja por o kendo ser considerada a arte marcial mais popular e nobre do Japão, seja pelo facto de ser um dos desportos mais praticados nas escolas secundárias japonesas.
A outra grande qualidade de Bamboo Blade é a analogia das 5 raparigas do Clube de Kendo da Escola Muroe a personagens de um supersentai (Red - Tama-chan, Yellow - Kirino, Blue - Saya, Pink/Black - Mya Mya, Green - Satorin) e a sua ligação ao fanatismo pelas mesmas de Tama-chan. Esse lado e todo o lado de comédia poderia ser mais explorado e ter piadas mais acutilantes, acabando por se contentar com um humor brando, que não vai muito além das paredes do dojo. É pena.
Fica a série dentro da série, o supersentai Blade Braver, com os Bravers (de onde se basearam os alter-egos das meninas), o anti-herói Shinaider e a sua sidekick Shinai Girl! Só os nomes valem a pena! Depois de vermos imagens de Blade Braver só dá para dizer: um sentai com o tema de kendo, como ainda não tinham pensado nisso??
A personagem de Tama-chan (Kawazoe Tamaki) é a mais explorada e a mais intrigante. Tamaki é uma rapariga tímida e introvertida, excepto quando pratica kendo onde é surpreendentemente invencível e feroz. Tama-chan vive num universo fechado, entre o dojo da família e as séries que grava religiosamente no gravador de DVDs e, com a inscrição no clube de kendo da escola, abre-se para travar amizade com os restantes colegas do clube. Não é grande aprofundamento, mas numa série de comédia temática bastante ligeira não deixa de ser um ponto interessante.
Ficam pequenas lembranças de momentos com alguma graça de um anime que mostra com bastante pormenor o quotidiano de uma escola secundária, um clube de kendo e as relações de amizade e rivalidade que se vão estabelecendo neste contexto.
TVアニメーション バンブーブレード
テレビ東京・あにてれ バンブーブレード
9.11.08
Ribbon no Kishi
Já li a manga! Nesta edição são 8 volumes fininhos, mas no original são apenas 3. Na realidade o que li foi a primeira versão da manga, de 1954, tendo Osamu Tezuka editado uma segunda versão mais tarde, 1963, uma revisão da mesma história. Em 1967 foi produzida uma série de anime, baseada na primeira versão da manga.Ao criar esta manga, Tezuka criou um novo género e ditou as primeiras regras da manga shoujo. Uma delas e a mais original de todas, foi a ideia da princesa vestida de príncipe, retomada em várias manga shoujo famosas, nomeadamente Versailles no Bara e Shoujo Kakumei Utena. Essa ideia do travestismo no feminino vem do facto de Tezuka ter vivido em Takarazuka, uma pequena cidade anfitriã da antiga companhia Takarazuka Revue, com um elenco unicamente feminino que encena histórias românticas, clássicos da literatura e algumas manga, num formato de revista musical, com encenações kitsch e barrocas. A influência é de tal modo marcante que a própria manga Ribbon no Kishi foi encenada pela companhia, fechando o círculo.
Ribbon no Kishi conta a história da Princesa Sapphire que nasce com dois corações, um de menino e outro de menina, por causa de uma partida de um anjinho chamado Tink. No Reino de Prata, o reino de Sapphire, as mulheres estavam proibidas de suceder ao trono e por isso, apesar de nascer menina, Sapphire é criada como um rapaz em segredo. A história vai seguindo as várias peripécias, os esforços da princesa e de seus aliados em proteger o segredo do malvado Duque Duralmin, que quer que o seu filho Plastic suceda ao trono.
Esta é uma manga muito empolgante e divertida, onde a acção nunca pára, onde quando pensamos que Sapphire já está finalmente livre dos obstáculos aparece mais um ou um novo vilão e a sua vida volta a complicar-se e nunca mais ela consegue realizar os seus dois desejos mais profundos, que ainda por cima são contraditórios: ou assume a vida de um homem e herda o trono do seu amado reino, ou assume a vida de uma mulher e fica com o seu Príncipe Franz Charming, do Reino de Ouro.
Olhando para as manga shoujo de hoje, em particular para as duas mencionadas acima que também já li, fica muito claro que Ribbon no Kishi, não encaixando ainda no modo como a narrativa se desenrola no modelo que hoje dita o ritmo de uma narrativa dirigida a raparigas, ditou algumas regras fundamentais e recorrentes ao longo das já cinco décadas que se passaram. Ao contrário das manga dos anos 70, não se sente nesta tanto a influência de uma época, seja na história, seja no grafismo. Apesar de algumas ideias ligeiramente conservadoras, a manga é na sua essência bem progressista para a época e para uma manga desenhada por um homem. Sente-se muito mais a forte influência da Disney, de Hollywood e dos contos de fadas europeus, em particular os dos irmãos Grimm.
Acho que esta é das primeiras vezes que aqui escrevo acerca de manga, mas já queria ler esta há tantos anos e é realmente de tal forma um clássico marcante que tinha de o fazer! O mais engraçado disto tudo é que esta, que é uma manga dirigida ao público feminino, que deu origem a várias ideias recorrentes da manga shoujo, surge com um ritmo e narrativa essencialmente para rapazes, numa acção incessante onde o romantismo não se manifesta apenas no interesse amoroso ou na verbalização desse amor, mas na imagem idealizada do romântico príncipe encantado, que tudo faz para ficar com a sua princesa. Com este misto de estratagemas narrativos, creio que hoje em dia seja uma manga que facilmente agrada tanto a rapazes como raparigas. E não é definitivamente uma manga datada, o que é deveras surpreendente e dá com toda a justiça o título de "Deus da Manga" a Osamu Tezuka.
Graficamente esta manga é extremamente dinâmica e variada, não se cingindo à ideia de quadradinho após quadradinho, sendo todas as páginas muitíssimo bonitas e agradáveis de ler. Gosto muito do desenho de personagens de Tezuka, que apesar de apresentar um estilo um pouco retro, não é perro como por vezes são os primeiros títulos de um autor. Na longa carreira de Tezuka, que engloba 700 títulos de manga, Ribbon no Kishi pode ser considerada uma das primeiras, uma vez que ele começou a desenhar profissionalmente no pós-guerra, mas a arte gráfica é de tal modo perfeccionista como poucas manga, o traço seguro e consistente, não tendo oscilações, onde todas as páginas são um quadro equilibrado e muito bem concebido.
Agora quero mais!!!!
Quem estiver interessado na edição brasileira, que tem uma excelente relação qualidade-preço, pode dar uma olhadela ao site da Editora JBC. Se quiserem "folhear" a manga, isso é possível através do site oficial da Tezuka Productions que, por ocasião da comemoração dos 80 anos de Tezuka a 3 de Novembro, publicou gratuitamente excertos de muitos títulos online (é só clicar nas capas - estão lá ambas as versões).
Cosplay
Já não ia ao FIBDA (Festival de Banda Desenhada da Amadora) há cerca de 5-6 anos, eu que ia lá com regularidade quase todos os anos desde que o festival começou... Este ano, em parte por serem os 10 anos oficiais do cosplay (se bem que o cosplay no FIBDA tem, na realidade 11 anos, fui quem o organizou nesses dois anos), e também por causa do tema ser a ficção-científica e da exposição de Star Wars, este ano fui lá ver.O espaço do festival estava engraçado, gostei deste edifício, o último onde estive não era adequado a um evento como este, e gostei da cenografia, por vezes demasiado realista nos corredores de nave espacial (demorei que tempos e mais umas voltas para encontrar a saída), mas foi pena o auditório ser tão minúsculo e não ser em anfiteatro. Conclusão: no desfile propriamente dito do cosplay só vi cabeças e pontas de chapéus e adereços (e eu sou alta!). Já cheguei a meio, portanto já não vi todos os cosplayers, mas no geral foi com imensa satisfação que vi tanta adesão a uma coisa que há 10-11 anos atrás foi mais "obrigar" uma meia-dúzia de fãs de anime com que me dava a se juntarem a mim a fazer triste figura pelas ruas de Lisboa e da Amadora (sim, o pessoal vestia-se em casa e ia em cosplay até lá), e a serem gozados pela mão-cheia de visitantes do FIBDA. Não há dúvida que as coisas mudaram radicalmente e, para além dos números se terem inflacionado umas 20 vezes, tive muita satisfação em ver uma percentagem muito grande de rapazes em cosplay.
Como disse, no meio de tanta confusão e de um espaço demasiado apertado para o cosplay, acabei por ver menos fatos do que gostaria. A vantagem foi que os poucos que vi foi mesmo de muito perto, o que deu para apreciar condignamente a qualidade. Do lado espectacular estava uma Queen Esther de Trinity Blood, cujo fato, além de extremamente trabalhoso e certamente caro, estava muito bem feito. Foi, sem dúvida o que mais chamou a atenção. Depois vi uma Sakura de Tsubasa, cujo fato estava muitíssimo bem feito e também era muito espectacular. O Yue de Card Captor Sakura também era muito chamatório mas não estava muito bem feito, tinha todos os elementos, certamente que as asas deram um trabalhão, mas falta-lhe técnica. Pelos corredores também me cruzei várias vezes com uma Shinku e uma Suigintou de Rozen Maiden, cujos fatos estavam, na minha opinião entre os melhores: os tecidos estavam muitíssimo bem escolhidos (veludo) super bem cortados e confeccionados e não lhes faltavam pormenores nenhuns. A única coisa que eu fazia era investir em perucas melhores, pois destoavam, apesar de cumprirem a sua função. Também me cruzei, mas já de raspão com uma Kaoru de Kenshin (o kimono azul com borboletas de uma ilustração) que estava também excelente, muitíssimo bem pintado, bons tecidos, bem vestido (acreditem: não é fácil vestir bem um kimono).
E por fim os Zorros e as Princesas do cosplay à portuguesa: fatos de Naruto e de Final Fantasy... eram tantos que dava para encenarem cenas inteiras das respectivas séries e jogos, ia era haver personagens repetidas, o que em Naruto não é grave...
Foi divertido, também gostei muito da exposição que foi um misto de viagem ao passado (Flash Gordon Valerian, José Ruy, etc.) com algumas coisas novas bastante interessantes. Não queria gastar dinheiro nas lojas por diversas razões, mas acabei por comprar os 8 volumes da edição brasileira de A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka, que já tinha namorado há anos na loja (na Feira da Ladra) e não tinha comprado. Para quem não saiba, A Princesa e o Cavaleiro (Ribbon no Kishi) foi a primeira manga shoujo da história e é actualmente uma raridade. A edição brasileira é simpática, não posso avaliar o texto pois ainda não li, mas está bem impressa e é bem barata (€1,50 cada). As edições brasileiras seguem o sistema italiano de livrinhos, mais finos que os tankoubons, mas a preços acessíveis. E a mim não me chateia nada ler em português do Brasil, mas claro que preferia em japonês.
PS - ainda faço cosplay, mas no Carnaval.
Cosplay@FIBDA 08 - Galeria oficial
esqueci-me da minha máquina, mas um amigo meu tirou algumas fotos, quando ele mas der eu coloco aqui uma ou duas.
22.04.2009: finalmente a foto prometida... a Queen Esther com uma outra personagem que desconheço.
4.11.08
Gedo Senki / Tales From Earthsea
Li os livros, Contos de Terramar, de Ursula K. LeGuin há bastantes anos, lembro-me de muito pouco dos livros, excepto das paisagens e da rapariga, de dragões e magia, e pouco mais... Mas a impressão que ficou foi muito boa, pelo que, quando Goro Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki, resolve realizar este filme, adaptação dos livros de LeGuin, achei que aquele universo Ghibli e de Miyazaki (pai) se adequavam bastante ao que tinha lido.Mal sabia eu o romance que se desenrolou por trás da execução deste filme. Desde o início da sua carreira que Hayao Miyazaki é fã confesso d'Os Contos de Terramar e tem vindo a assediar a sua autora para lhe ceder os direitos de adaptação ao cinema, direitos esses que Ursula LeGuin tem vindo a recusar durante muito tempo. Entretanto, impossibilitado de adaptar os livros, Miyazaki foi criando um universo cinematográfico, em muito semelhante ao dos livros de LeGuin, em particular em Nausicaa ou Laputa.
Hayao Miyazaki tornou-se num nome conceituado a nível mundial e Ursula LeGuin cedeu e convida-o a finalmente adaptar os seus livros. Mas já foi tarde demais e ele demonstra que perdeu o interesse. Mesmo assim a Ghibli compra os direitos e a produção do filme é iniciada. Desde o início que Goro Miyazaki, também colaborador da Ghibli mas que nunca realizara uma longa-metragem, se mostrou interessado em realizar este filme, mas o pai recusa a ideia afirmando que o filho é demasiado inexperiente e ainda não se encontra preparado para tal tarefa. O resultado: pai e filho zangam-se durante toda a produção de Gedo Senki.
Não sei os capítulos seguintes da novela Miyazaki, mas vi o filme. Foi-me um pouco difícil não passar o filme todo ora em busca de memórias dos livros de LeGuin, ora em busca de algum traço pessoal de Goro Miyazaki. Gedo Senki é um filme fantástico de aventuras bastante interessante, muitíssimo bem executado, não desmerecendo outros filmes dos estúdios Ghibli, mas que me deixou sempre a impressão de uma cópia bem feitinha dos filmes de Hayao Miyazaki.
Dos livros não houve remédio, relembrei-me de muito pouco, mas fiquei com a impressão de que não foi adaptada toda a história. Infelizmente os livros que li não eram meus, e não o posso verificar para já.
A realização de Goro Miyazaki é boa, competente, mas pouco inventiva ou empolgante como noutros filmes da Ghibli, mesmo os que não são do seu pai. Parece-me uma realização pobre, com um estilo demasiado banal, sustentada por uma equipa muitíssimo competente e determinada a que o filme não escorregue o tempo todo e que o consegue sustentar. Existe realmente uma grande disparidade entre a realização, que é tímida e pouco arrojada com uma máquina de produção, muitíssimo habituada a funcionar com filmes neste estilo, que vai agarrando as inseguranças de Goro Miyazaki pelos colarinhos com pulso forte, através de uma animação de primeira qualidade e cenários, mais uma vez, deslumbrantes. A única excepção fica no character design que é um bocado atarracado, demasiado colado ao que nos habituámos a ver nos filmes do seu pai e pouco interessante. Honestamente, estava à espera de mais.
A banda-sonora é que realmente varia, não sendo de Joe Hisaishi, não temos aquela familiaridade habitual, mas é bonita. Só tenho pena de às vezes ser um pouco em demasia, tornando-se intrusiva em momentos em que seria preferível o silêncio.
Gedo Senki é um filme interessante de ver mas não surpreendente, transparece a batalha travada entre um realizador inexperiente e com pulso fraco contra uma gigantesca máquina de produção. Vale pelos magníficos momentos na cidade, pelas imagens do porto e a detalhada arquitectura medieval-europeia. A história está bem contada mas podia ter mais reviravoltas e ser mais emocionante. Os livros são grandes, contam diversas fases de uma história, com bastante detalhe, e já se sabe: enfiar o Rossio na R. da Betesga é muito complicado. Talvez o projecto tenha sido demasiado ambicioso para alguém que deve andar a sonhar em sair debaixo da sombra paterna.
Os livros Contos de Terramar estão editado pelos Livros do Brasil em três volumes, colecção ficção-científica de bolso (são aqueles pequeninos, baratinhos).
31.10.08
Kuromi Harowiin!

Procurei, procurei, procurei, não consegui arranjar esta imagem maior e com melhor qualidade pela net. Quando a vi pela primeira vez, achei que seria perfeita para colocar aqui no Halloween, e realmente é, pois a minha actual obsessão é mesmo My Melody. Bem, a imagem é de um CD extra da segunda série, Onegai My Melody ~Kuru Kuru Shuffle!~, intitulado Kuromi no Halloween Party!, cantado, naturalmente pela actriz de voz que faz a Kuromi, Junko Takeuchi. Bom fato para cosplay, não?
Não deixa de ser engraçado, com tanto anime novo que se vai estreando (se bem que mal comecei a ver algumas das séries novas que quero seguir) e com tanto anime que anda a dar nos canais portugueses eu estar a ver mais fielmente justamente as duas estreias do Canal Panda, My Melody, que é puro kawaii com um ligeiro toque apimentado, e Keroro Gunsou, um anime para fãs de anime hardcore. Keroro está cheio de referências, são umas atrás das outras (Cobra, Evangelion, Gundam, Harlock, só para mencionar algumas das mais óbvias), mas é super engraçado e muito divertido, mesmo quando não se apanham as piadas com segundo sentido.
O meu Halloween vai ser infelizmente passado "de molho", mas o lado bom é que posso ver anime com fartura.
Já me esquecia: parabéns ao anime-comic, que fez 3 anos dia 8 de Outubro (eu sei, esqueci-me de novo).







