2.5.13

Terminei de ver: xxxHOLiC dorama


xxxHOLiC já estava a derrapar, eis que surge Maya Kitajima! Bom, não é a Maya propriamente dita, mas sim Yumi Adachi, a actriz que interpretou Maya em Glass no Kamen (dorama, claro).

A segunda metade de CLAMP Dorama xxxHOLiC foca-se quase inteiramente na história de Watanuki com Jourogumo, a sinistra mas sedutora aranha, e é Yumi quem a interpreta. Se já tinha ficado impressionada com Yumi e Rio Matsumoto em Glass no Kamen, em xxxHOLiC ela salva literalmente a pátria! No dorama esta parte é uma condensação de várias histórias da manga para dar algo parecido a um fim à série, sem comprometer a sua possível continuação. As personagens de Himawari e Zashiki Warashi são fundidas em Himawari e são retirados os elementos mais sinistros de todo o tema de possessão que domina esta parte da narrativa. Não deixa de ser um tanto sinistro, muito graças a Yumi, pois é a sua interpretação adocicada e perversa que nos fazem esquecer os buracos na narrativa, a péssima interpretação de Shôta Sometani (Watanuki) e Karen Miyazaki (Himawari), o guarda-roupa a meia-haste e a decoração preguiçosa.

Em toda a série, fora Yumi Adachi, que está numa categoria completamente acima dos outros actores, Anne, como Yuuko, satisfez-me um tanto e a surpresa foi Masahiro Higashide como um Doumeki fascinante. Mas grande parte da minha insatisfação com os actores e suas interpretações também vem do modo como as personagens foram adaptadas para este dorama. A Yuuko falta imenso sex appeal, sentido de humor perverso, o lado bêbado politicamente incorrecto e um pouco de firmeza, a firmeza de quem é bem mais velho que aparenta. A Watanuki falta o lado pateta e um pouco histérico e adicionaram-lhe uns traumas familiares que não faziam grande falta, a Himawari falta ser mais kawaii, mais desligada e a empatia com o público, pois não fora essa empatia, Himawari é uma personagem detestável. Só se safa realmente Doumeki pois foi a única personagem que se manteve praticamente igual à caracterização na manga. Mesmo Ame Warashi foi suavizada e a actriz, apesar de não ser das piores, tem uma grande falta de presença. Ame Warashi faz sempre entradas de vedeta, tcharããã!

Visualmente senti sempre xxxHOLiC dorama como falso e preguiçoso. O guarda-roupa ou estava mal feito ou eram peças existentes modificadas. A excepção foram ambos os vestidos de feiticeira do tempo (preto e branco) de Yuuko, mas, em prol da narrativa e da caracterização da personagem, preferia que tivesse havido apenas um. As cores dão significado às personagens, principalmente numa história como xxxHOLiC e o facto de a Yuuko usar uma versão preta (mal/escuridão) e uma versão branca (bem/luz) do mesmo vestido, faz dela no último episódio uma espécie de anjo redentor, coisa que Yuuko está muito longe de ser. Preferia uma versão híbrida com elementos de ambos, por exemplo preta, de renda e mousseline com os detalhes a branco do design da manga em prateado. No geral o guarda-roupa parece uma má falsificação dos designs magníficos das CLAMP, definitivamente uma péssima interpretação dos mesmos que, como quem faz cosplay muito bem sabe, não são fáceis nem baratos de fazer. O cenário pior ainda, dependeu quase exclusivamente da decoração, tinha poucos cenários construídos de raiz e a decoração pareceu ser algo: "vamos lá ver o que temos no armazém que possa servir".

Por fim, houve uma coisa que me fez IMENSA confusão desde o início: Maru, Moro e Watanuki de sapatos em cima de tatami! Se a mim, que não sou japonesa, isso me parece quase um sacrilégio, não sei o que pensar da pessoa que tomou essa opção. Será que havia ocidentais inflitrados na produção para apelar a um público mais vasto? Creio que a indústria do anime já teve provas que isso costuma ser o caminho para o desastre...

Enfim, tinha de ver CLAMP Dorama xxxHOLiC, mas foi a excepção que confirmou a regra, nem todos os doramas japoneses valem a pena, pois este falhou no aspecto em que os que vi nunca falham, na dramaturgia.

CLAMPドラマ ホリック xxxHOLiC

RAW

1.4.13

Terminei de ver: Code Geass - Hangyaku no Lelouch


Pois, terminei de ver Code Geass - no Hangyaku Lelouch com um cliffhager gigantesco no final... portanto, vou começar a ver a R2.

コードギアス 反逆のルルーシュ

22.3.13

Comecei a ver: Code Geass - Hangyaku no Lelouch

Code Geass é daquelas séries que estava no topo da lista de espera há algum tempo. Ando a tentar alternar entre séries vintage e actuais para me manter minimamente actualizada e Code Geass não podia passar em branco.

Na verdade, ao fim de cerca de 10 episódios, estou agradavelmente supreendida. Code Geass mistura vingança, guerra e intriga política com honra, amizade e, quiçá, amor (ainda não avancei o suficiente para saber), uma mistura simples, de conceitos básicos, mas que podem constituir uma boa narrativa se bem equilibrados. Até agora não tenho razão de queixa.

O character design, como é sabido, ficou ao cargo das CLAMP (excepto os mechas e armas) o que resulta em rapazinhos lânguidos e num guarda-roupa sumptuoso. Como a maioria das personagens é realeza, venha o sumptuoso! De resto é uma série visualmente interessante, não se sente diferença entre os dois character designs e a animação é bastante boa.

Gosto das personagens em geral, Lelouch é um misto de bom coração e vingador, o que lhe dá uma personalidade forte e interessante, Suzaku é doce mas não é fraco, gosto da CC, da sua indiferença e sarcasmo, os alunos do colégio têm personalidades desenvolvidas e são um bom veículo para expôr certos conceitos sociais pertinentes para a série, os rebeldes não são totalmente cegos pela revolta, os militares mais que paus-mandados e a realeza de Britannia uns déspotas com um sentido de justiça maior que o esperado. Até Euphemia, a princesinha (literalmente) consegue não ser aborrecida.

A intriga, e é muita, avança bastante depressa e não há muitos mistérios insondáveis que possam mudar o mundo para descobrir. Depois de Penguindrum é de certa forma refrescante... Apesar de a grande maioria dos episódios até agora se concentrar na narrativa principal, bastante dramática e cheia de acção, o 9º episódio brinda-nos com um pouco de comédia que alivia o ambiente. Espero que nos voltem a brindar pontualmente com episódios semelhantes. Code Geass é uma série épica de batalhas e intriga palaciana, é boa para entreter e passar o tempo e vê-se bem sem ser cansativa.

Só não ligo muito à banda-sonora, o tipo de genéricos de Code Geass não me entusiasma e até salto passados poucos episódios, portanto, fora a música de fundo, que tem uma função específica, o resto é paisagem.

コードギアス 反逆のルルーシュ

21.3.13

Comecei a ver: xxxHOLiC dorama

Como normalmente os doramas japoneses me surpreendem pela positiva, estava expectante quando à adaptação de xxxHOLiC, de que tanto gosto. Infelizmente acho que me decepcionei.

Para começar, não gosto dos actores. Anne, que interpreta Yuuko está mais ou menos, mas falta-lhe charme em doses maciças e maquilhagem, o Watanuki é completamente sem graça, Himawari pouco kawaii e só escapa Doumeki, que é o único que corresponde à personagem da manga (e anime) ~ e também é o mais giro XD.

E depois vem o guarda-roupa... Oh sim, um factor extremamente importante para qualquer obra das CLAMP mas em especial nesta. Na manga (e anime) Yuuko raramente repete uma peça de roupa e são todas bem originais e deslumbrantes. Na série há por vezes uma ou outra peça mais interessantes, mas já todas foram repetidas pelo menos uma vez só em 4 episódios. Escapam o vestido em brocado vermelho com gola de pêlo (da cintura para cima) ou a reinterpretação do vestido de Feiticeira das Dimensões em renda, mas no geral as roupas de Yuuko parecem reinterpretações por um aspirante a estilista, que adapta peças existentes a algo vagamente parecido com os desenhos das CLAMP, mas não parece alta costura ou um novo modo de vestir kimonos vintage. Não, nem um kimono (verdadeiro) à vista até agora! O guarda-roupa de Yuuko É luxuoso e o da série devia pelo menos parecê-lo. E era tão fácil! Bastava irem buscar uns kimonos de séries de época, que com certeza têm em acervo, e fazerem o que a Yuuko muitas vezes faz: atarem-nos com um corpete Ocidental e enfeitarem com rendas, acessórios e um penteado extravagante.

Mas o pior nem são os fatos de Yuuko, é a interpretação deles, dos produtores e directores artísticos da série, e estão no seu direito. O pior são os uniformes escolares. O uniforme feminino (de Himawari) parece um saco de batatas preto com gola e punhos brancos, apertado com um cinto. Lembra-me o uniforme com um ar severo do colégio (católico e feminino) que vestiam as minhas vizinhas do lado quando era miúda. O masculino (Watanuki e Doumeki) parece que transformaram uns casacos à pressa e coseram umas fitinhas brancas para os destinguir dos outros... já vi cosplays manhosos mais bem feitos que aquilo! No caso do uniforme feminino, como o das CLAMP é bastante original, até compreendo que fossem por outro caminho, mas aquele vestido?!! Não podiam ter optado simplesmente por um clássico bleiser e saia plissada? O dos rapazes então, não se justifica mesmo, há casacos semelhantes no mercado (de uniformes escolares japoneses) aos desenhados pelas CLAMP, era só preciso mudar os botões e pouco mais. Sim, porque tenho a noção que são precisos pelo menos uns 10 a 20 uniformes para filmar a série, e mesmo assim evitando cenas de multidão. Se o orçamento era baixo, há outras maneiras de contornar estes detalhes de forma a manter uma certa coesão com o original.

Depois de uma interpretação tão boa dos serafuku em Sailormoon, com a experiência que os japoneses têm em fatos "estranhos" com os sentai, estava à espera de muito mais! Eu sei que não é a mesma produtora, mas se iam adaptar xxxHOLiC, cuja componente visual e de direcção artística é tão forte, aumentem o orçamento, por favor! Naoko Takeuchi foi quase militante ao defender a sua criação na adaptação a dorama, não compreendo como as CLAMP, que sempre fizeram isso, desenhando muitas vezes Mokona o guarda-roupa ou character design das próprias séries ou Nanase Ohkawa ser a argumentista principal, deixaram escapar isto, que ainda por cima tomou um rumo que tem pouco a ver com todo o histórico da sua obra: é mais lamechas e menos profundo e dramático.

Os produtores/autores da série quiseram fazer um produto sério e tiraram todo o humor tonto de xxxHOLiC e todos os elementos mais fora, como Mokona, os espíritos antropomórficos e dramatizaram mais, a dar ares de filme de terror, os casos que vão ter à loja de Yuuko. Por outro lado, os efeitos especiais, fora o fumo e as setas de Doumeki, que estão excelentes, são do mais manhoso que há. Engolia muito melhor uma Mokona em peluche, como a Luna em Sailormoon, que umas mãos atrás de uma árvore. Foleiro! O contraste entre o lado negro sobrenatural e as patetices engraçadas do dia-a-dia das personagens é que tornam xxxHOLiC numa manga e anime que me atraem e acentuam o dramatismo da história de fundo de Watanuki e depois Yuuko. Ao tirarem tudo isso da série estão a tirar-lhe todo o charme e fica um resultado seco, desinteressante, artificialmente sério, pois a produção não consegue estar à altura.

Os doramas japoneses têm sempre uma componenete um bocado pirosa, overacting dos actores e bastante exagero em certas cenas, mas essa é uma linguagem própria dos doramas, que aprendi a gostar e que os tornam num produto curioso e original. Esta grande preocupação em querer fazer uma série mais séria com os mesmos meios, sem os utilizar no seu maior potencial, resulta num desastre sem graça e que, sinceramente, vou continuar a ver só porque é xxxHOLiC.

CLAMPドラマ ホリック xxxHOLiC

RAW

18.3.13

Terminei de ver: Mawaru Penguindrum

 
A cerca de metade da série, mais ou menos depois do meu último post sobre Mawaru Penguindrum, comecei a perder um pouco o entusiasmo. Já se tinha percebido mais ou menos a motivação da história, apesar de muita informação continuar nublada, e de repente parece que estagnou um pouco. Mas o final foi satisfatório e se tenho algo a apontar isso dirige-se à série como um todo e não ao final.

A minha maior crítica negativa é Mawaru Penguindrum ir progressivamente entrando cada vez mais num universo de conceitos metafóricos e surreais onde se perde o vínculo com a realidade e também com o espectador. É um fenómeno que também acontece em Kare-Kano (Kareshi Kanojo no Jijou), mas aí de forma bem mais atabalhoada. Em Penguindrum isso foi claramente planeado, mas talvez tenha sido feito de uma forma demasiado rebuscada. Pessoalmente prefiro uma abordagem mais directa ou mais clara. Talvez a tendência de haver cada vez mais diálogos nas séries de anime devesse mudar, grande parte da informação poderia ser transmitida visualmente, mas nisso Kunihiko Ikuhara exagera um bocado. Penguindrum, apesar de ser visualmente lindíssimo, com um character design delicado, de Lily Hoshino, uma paleta de cores apetecível, bom guarda-roupa, tem demasiada informação e é humanamente impossível apanhar tudo à primeira, principalmente para quem é estrangeiro e está a tentar concentrar-se no texto. Mas esse é um problema que à partida os japoneses não têm, mas tenho andado a achar os animes demasiado verbosos, principalmente quando tratam de assuntos mais profundos, e Penguindrum não é excepção.

Os (não) irmãos Takakura cumprem o seu destino, chegam ao fim da linha, literalmente, e o final é comovente. Reafirmo que Mawaru Penguindrum é uma excelente série, não para todos os gostos, mas excelente. A banda-sonora é de louvar e A-M-E-I as WH (Double H ou Triple H, se contarmos com Himari). Ninguém faz uns gifs animados dos banners delas do metro???

輪るピングドラム

CLAMP Festival 2011

Quando soube do CLAMP Festival, acho que no Verão de 2011, quando soube do lançamento da Neo Blythe B2-HOLiC (a minha Yuuko-san) senti um misto de curiosidade e desconfiança: mas que raio se vê num Festival das CLAMP? As quatro no palco a falar do seu trabalho? Isso constitui um festival?

Hoje, quando devia estar a fazer coisas mais sérias, esbarrei com o link para o video do Festival de 2011 (Veoh - procurar "CLAMP Festival") e acabei por vê-lo. São duas horas e meia, não é pouco, e pus-me a fazer as ditas coisas sérias e a ouvir o vídeo. De vez em quando dava uma olhadela. A grande maioria foram canções das diversas séries das CLAMP, com grande enfoque em Card Captor Sakura, Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE-, Chobits e Magic Knight Rayearth, cujas cantoras/actrizes de voz foram as estrelas do espectáculo. Mas antes da "cantoria" houve um sketch, com a história de Shiritsu Horitsuba, criada para o Festival pelas CLAMP, interpretado por todos os convidados. O sketch permitiu ver como a maioria dos actores são excelentes, mesmo que as mulheres falem quase todas em falsete, e perceber porque o dorama de xxxHOLiC não me anda a encher as medidas (mas disso falarei noutro post). Mesmo sem prestar muita atenção reconheci logo a voz de Yuuko quando a actriz Sayaka Ohara me deixou a rir à gargalhada a gozar com as típicas frases de coincidência e destino de Yuuko. Ohara-san também envergava um kimono pintado pelas CLAMP para o livro Okimono Kimono, prezo a minha cópia como um tesouro pois é o que é! Para quem tem o livro ou os scans, é o beije das borboletas. Ah, e Mika Kikuchi, a actriz de voz de ambas as Mokonas (Soel e Larg) de xxxHOLiC/Tsubasa, é ultra-kawaii!

 

Mas o espantoso foi quando dei por mim a ficar emocionada ao ouvir as canções de Card Captor Sakura, mas o que me derreteu foi mesmo a canção Yuzurenai Negai, de Magic Knight Rayearth, que me fez lembrar dos tempos de uma internet primitiva, de canções arduamente sacadas da net com modems de 33 ou 56, que arruinavam a conta telefónica (o mIRC também) e que eu ouvia, às vezes em loop, no Walkman a cantar no meio da rua. Card Captor Sakura é um excelente anime e manga e, fora xxxHOLiC, tenho algumas saudades dos velhos tempos em que as CLAMP não eram tão notórias. Sou fã das CLAMP desde mais ou menos 1995, já nem sei qual foi a primeira manga delas com a qual tomei contacto, acho que foi Rayearth, ou então X e já li a grande maioria do que elas produziram, mas ainda me lembro dos tempos em que os fãs de anime (assumidos) escasseavam e de esconder o volume 9 de X, quando o lia no Metro, por causa da violência gráfica. É uma pena elas nunca mais terem podido pegar em X para terminar a história, ainda é a minha manga preferida delas. E se eu, que não sou a maior fã do J-Pop-anime do mundo, que duvidei do propósito de um CLAMP Festival desde o início (excepto o negócio colateral de vender merchandise novo) acabei por divertir-me com o vídeo, afinal até valeu a pena e compreende-se que se tenha repetido em 2012 (não sei se houve em 2010 — se houve, não sei).

E nem ares das CLAMP em lado nenhum!

CLAMP.net

22.2.13

Macross Frontier - os filmes

Não sei porquê mas quando vi a série Macross Frontier não vi os filmes. Naturalmente agora já os vi e de certa forma foi boa ideia ter feito um intervalo.

Macross Frontier: Itsuwari no Utahime e Macross Frontier: Sayonara no Tsubasa são uma espécie de recontagem da mesma história da série e ambos são em sequência. Como tal há detalhes que são diferentes o que torna a coisa um pouco confusa. Talvez por isso, em termos de narrativa, gosto mais da série, que é mais completa. Pelo menos uma coisa é boa, o final é conclusivo apesar de ser deixado em aberto. Talvez este ano, ano do 30º Aniversário de Macross, façam um filme ou coisa parecida pegando nos nozinhos que ficaram por atar. Veremos.

A animação, principalmente dos concertos e sequências de batalha, continua a ser fabulosa e bastante superior à média das séries ou filmes actuais, mas a aposta (sempre boa) nessas sequências foi em detrimento da história que nos filmes tem muitos buracos. É verdade que estamos a ver dois filmes onde o que queremos é ver a resolução do triângulo amoroso Sheryl-Alto-Ranka e a salvação do mundo com uma canção. A permissa de todos os Macross é idiota, portanto nesse aspecto, investindo mais nas personagens, Macross Frontier, até mesmo nos filmes onde têm menos densidade, já é melhor. O certo é que a ideia de salvar o mundo com uma canção, apesar de originalmente de Macross, lembra-me sempre e inevitavelmente o filme Mars Attacks, de Tim Burton, e as cabeças dos aliens macrocéfalos a explodir nos capacetes ao som de 'Indian Love Call'. Não consigo deixar de achar a ideia ridícula.

Ambos os filmes de Macross Frontier funcionam de forma autónoma,  podem ver-se sem ver a série ou vê-los como complemento da série. Como são narrativas alternativas acho que deixam ao espectador escolher as versões que mais lhes convém. Como a animação e toda a produção são de fazer cair o queixo, são definitivamente filmes a ver, pois são deslumbrantes e enchem bastante o olho. Até diria que essa magnificência técnica nos faz esquecer facilmente a permissa um bocado tonta.

劇場版 マクロスF 虚空歌姫~イツワリノウタヒメ~
劇場版 マクロスF 恋離飛翼~サヨナラノツバサ~

13.2.13

Cosplay Photoshoot #10

 
Há muito que não falo aqui em cosplay, mas o certo é que ultimamente até tenho andado mais activa. Desde 2010 tenho feito um fato novo por ano (o meu limite orçamental) e tenho ido a mais eventos que o costume. Como o Cosplay Photoshoot comemorou a 10ª edição este ano, não podia haver melhor ocasião para falar em cosplay! Em 2011 vesti o meu fato de Yuuko, do capítulo da neve na versão da manga de xxxHOLiC, pois não gostei das cores demasiado natalícias da versão do anime. Como na manga a ilustração está só a preto e branco, o que era preto deixei preto e o branco optei por um grená. Inicialmente queria um vermelho escuro, mas a pouca escolha em tecidos acabou por condicionar a cor. Acabei por utilisar um veludo grená, que também me "obrigou" a bordar as rosas das baínhas. Ainda me falta bordá-las na baínha da saia, mas o orçamento acabou - as linhas são caras. Em 2012 não fui ao Photoshoot pois era para fazer par com um amigo meu num cosplay bastante elaborado que mal está começado... Como na 3ª-Feira de Carnaval uma amiga fazia anos, aproveitei a festa para voltar a vestir a Yuuko. Em Março arranjei convite para o Iberanime Lx, mas não levei cosplay pois os meus são quase todos mais invernosos, estava demasiado calor. Entretanto em Julho decidi fazer o fato dos corações da Hokuto (Tokyo Babylon) que levei à Festa do Japão em Belém. Tive algumas dificuldades com a estrutura da saia, só me lembrando de usar espuma na véspera do evento, quando já não tinha tempo para a ir comprar. Voltei a vestir a Hokuto em Setembro no Midori II, já com a espuma, mas ainda sem os sapatos (não consigo encontrar sapatos com a forma aproximada por um preço módico...). E finalmente regressei à BD Amadora em cosplay! Voltei a vestir a Yuuko e uma amiga tirou-me umas fotos engraçadas num cenário vagamente semelhante ao da manga, mas sem a neve...
    
FOTOS: Joana Fernandes, Isabel Tomás, Leo Pinela

Entretanto, como aliás fiz vários posts aqui, encontrei os episódios que me faltavam ver de Glass no Kamen de 2005, comecei e li a manga até onde pude (vol.48) e vi o dorama. Excusado será dizer que rapidamente Glass no Kamen se tornou uma das minhas manga/anime preferidos pelo que decidi levar a paixão ao próximo patamar, fazer o cosplay de Tsukikage-sensei. Escolhi-a por várias razões, gosto do fato, apesar de ser simples, gosto do drama que lhe está associado (a cicatriz, o cinto com um ar vintage) e, para além dos figurinos de Maya e Ayumi, Glass no Kamen não é propriamente a série mais fértil em bons cosplays. Outro factor decisivo é que dificilmente eu faria cosplay de Maya ou Ayumi, demasiado adolescentes para mim, não faço crossplay (Masumi ou Onodera - HAHAHA! ia ser engraçado!) pelo que me restava Tsukikage-sensei, que é a personagem com a imagem mais marcante. Gostei imenso de fazer este fato, pois envolveu mais do que costura, que é o meu forte. Aliás, neste fato a costura foi o mais fácil, também tive de pentear a peruca, que vinha menos volumosa e encaracolada que eu queria, fazer o cinto, que envolveu fazer de raiz a jóia verde em resina e caracterização, com a cicatriz de queimada de Tsukikage-sensei, que, à falta de orçamento para latex, fiz com cola UHU, base, e maquilhagem que tinha em casa. Não fotografei a cicatriz das três vezes que a fiz (uma de teste, para o Photoshoot e para um pequeno evento num restaurante), mas é uma cicatriz mutante XD. Posso assegurar que vou fazer sempre a cicatriz, mesmo que se veja mal por trás do cabelo, sempre que fizer cosplay de Tsukikage-sensei.

O Cosplay Photoshoot é definitivamente o meu evento preferido. É o mais democrático, pois as pessoas vão essencialmente para se divertir, é o mais fácil, pois é no Carnaval, o que faz com que os mais tímidos tenham menos receio de se mascarar e é o evento com a maior aglomeração de cosplayers de todo o país. Não tenho 100% certeza disto, mas aposto como é. Este ano houve faltas de cosplayers habitués, e é sempre com pena que vejo cosplayers à civil no evento. Mas é sempre muito bom passar uma tarde a falar de tecidos, perucas, adereços, métodos de construção com um punhado de pessoas com quem normalmente só "converso" online. Foi muito divertido e naturalmente já ando a pensar no do próximo ano, que será um remake do único cosplay meu que falhou. Na altura não encontrei o tecido que queria, a peruca teve de ser em lã e ficou muito feia e é uma personagem que A-D-O-R-O! Claro que não é o único cosplay da lista, que está sempre a crescer. Fiquem atentos...

E fiquem com a galeria das fotos que tirei no Photoshoot #10:


Parque das Nações

4.2.13

Ando a ver: Mawaru Penguindrum


Mawaru Penguindrum não é definitivamente uma série vulgar que mistura quatro adolescentes, 3 deles irmãos, um crime horrível, destino e uma segunda dimensão sobrenatural. Sensivelmente a meio da série ainda pouco mais foi revelado que a ligação entre os quatro protagonistas e a existência desse mundo sobrenatural que tanto pode estar na cabeça deles, como não. Vai na volta a explicação é daquelas super simples: estão todos mortos... ou talvez não!

Visualmente Mawaru também é invulgar, utiliza bastante a sinalética do metropolitano, os pinguins como logótipos, as Double H, com significados adicionais que nos obrigam a ver a série com muita atenção. Outra coisa que não pude deixar de reparar é o hospital de Himari ser o Centre Pompidou, em Paris. Ora vejam:

Hospital de Mawaru Penguindrum

Centre Pompidou, Paris
Isto reforça ainda mais o lado surreal da série, uma vez que o Centre Pompidou é um centro cultural de artes plásticas e visuais, uma referência na arte moderna, cuja arquitectura marcou muito a vida cultural de Paris nos anos 80, quando foi construído. O ângulo é ligeiramente diferente, mas as turbinas claramente visíveis na imagem de Penguindrum também existem no Pompidou, aliás foi isso que me confirmou a citação. Adoro encontrar referências destas no anime!

輪るピングドラム

21.1.13

Glass no Kamen - dorama

É raro falar aqui de doramas, mas torna-se pertinente quando os que vejo são normalmente adaptados de mangas ou animes. Ao fim de cerca de três anos de busca, finalmente consegui encontrar o dorama de Glass no Kamen, que vi quase a eito, as duas séries e o final especial.

Para dorama japonês, que têm sempre maneirismos irritantes, este é o melhor que vi até à data. Isso deve-se muito ao elenco principal, Yumi Adachi, como Maya Kitajima, Megumi Matsumoto (mais tarde Rio Matsumoto, fez de Ochoufujin em Ace o Nerae!), como Ayumi Himekawa, e a Yôko Nogiwa, fabulosa como Chigusa Tsukikage.

Glass no Kamen está cheia de pirosadas anos 80, apesar das séries terem sido produzidas entre 1997 e 1999. Acho que a dada altura o Japão entrou numa espécie de bolha temporal onde a moda e estética ocidentalizadas por um lado evoluíram à velocidade da luz e para campos inexplorados, e pelo outro ficaram congeladas nuns anos 80 completamente pirosos, cheios de folhos, rendas foleiras e chumaços. Sim, até chumaços se vêm em Glass no Kamen! Será que a série foi produzida uma década antes e só foi exibida 10 anos depois? Bom, muito provavelmente não, mas essa dúvida surgiu sempre que via um novo episódio.

A adaptação em si é muito bem feita, aglutinaram alguns acontecimentos e eliminaram muitos outros, tinha de ser!, mas no geral a história, a paixão e a alma de Glass no Kamen, a manga, estão lá. Como disse, o trio principal é muito bom, mesmo muito bom, e carrega o resto às cavalitas. A realização é por vezes bastante má, cheia de clichés e efeitos pirosos, o restante elenco muitas vezes forçado e mecânico, mas Yumi Adachi agarra a sua Maya com todas as forças e arrasta-nos com ela. Foi pena terem substituído Megumi Matsumoto no final especial, quando a história atinge um clímax importante. A segunda actriz é claramente pior, tem uma voz horrível e estridente quando recita e não é tão bonita, característica importante para a personagem de Ayumi. As duas séries mais o final especial contam grande parte da história na manga (até ao estágio no vale da Kurenai Ten'nyo), ficam sensivelmente no mesmo ponto que o anime de 2005. Há apenas uma diferença, um final original, mais conclusivo e menos aberto.

Não fora a estética anos 80 (pirosa), a realização por vezes demasiado kitsch e a banda sonora, que é constituída por uma única canção, rockada, anos 80, em loop, que ainda por cima fica na cabeça (aaaargh!), Glass no Kamen seria uma boa série de televisão, independentemente da língua e do país em que foi produzida.

Garasu no Kamen - IMDB


29.12.12

Comecei a ver: Mawaru Penguindrum

Oh sim, Kunihiko Ikuhara volta a atacar! Mawaru Penguindrum é uma série intrigante, aliás como tudo onde Kunihiko mete o dedo: Sailormoon, Shoujo Kakumei Utena. Descobri Kunihiko Ikuhara graças a Utena (apesar de já ter visto Sailormoon naquela altura), que descobri nas páginas da revista Newtype, muito por causa do character design invulgar. Desde então Ikuhara tem andado muuuito sossegado, apenas revelando um estranho fetiche por pinguins no seu blog. Naturalmente quando percebi que Mawaru Penguindrum foi criado por ele e que envolvia pinguins, a série foi imediatamente acrescentada à lista.

Penguindrum nasce da estranhíssima combinação de pinguins com o ataque com gás sarin, na linha Marunouchi do metro de Tóquio, pela seita Aum Shinrikyo, a 20 de Março de 1995. Como é que daí sai uma série anime shoujo, sobrenatural e com algum drama do quotidiano, só mesmo Ikuhara para dar uma eventual explicação. Mas a mencionada linha de metro e a data 20 de Março de 1995 têm um papel fundamental na história e isso percebe-se rapidamente. Mais não sei e não digo.

Os protagonistas são uma família de três irmãos adolescentes, Himari, Shouma e Kanba Takakura, órfãos e a viver sozinhos. Himari está gravemente doente e os irmãos mais velhos fazem tudo para permanecer juntos e cuidar da irmã. A nossa história começa com uma ida dos irmãos ao aquário onde compram um gorro em forma de pinguim real a Himari. A partir daí, sem querer fazer spoilers, a vida deles entra numa espiral surrealista de acontecimentos sobrenaturais, que os leva a conhecer a sociopata Ringo Oginome. Sociopata, pois Ringo não regula definitivamente bem da carola, vive em função de um plano louco elaborado num diário da sua irmã morta, Momoko, que envolve também Keiju Tabuki, o professor dos irmãos Takakura.

Ainda só vi 6 episódios e ainda há muito para esclarecer nesta fase, mas, se esta série não for como a maioria das séries mais recentes que tenho visto, não o parece e ainda tem o selo de garantia de Kunihiko Ikuhara, de prometer mas não cumprir, acho que vou gostar, muito. Gosto das personagens, até mesmo de Himari, a mais sonsinha, gosto do character design e dos gráficos, gosto dos genéricos algo depurados, gosto da música, gosto da história intrigante e algo surrealista. Também gosto muito de os figurantes serem representados como figurinhas da sinalética das casas de banho e afins. Já em xxxHOLiC tinha gostado de serem apenas silhuetas, faz com que as personagens se destaquem e reforça a ideia que estão lá só para encher.


Seizon Senryaku ROCK OVER JAPAN - Triple H
*O clip começa aos 32 segundos e é de um episódio mais adiantado. Para não haver spoilers, sugiro começar nessa altura e parar quando o clip termina. Não consegui encontrar o clip sozinho. 

Tenho de falar na banda-sonora. Para variar adoro ambas as canções do genérico (até ao episódio 6) e a transformação de Himari é um verdadeiro videoclip, levando o conceito das transformações de mahou shoujos a outro nível. Videoclip esse, nada mau, com uma canção engraçada e que apetece ver sempre. Já tinha havido uma tentativa semelhante em Utena, com a sua "escalada" à arena dos duelos, mas na época notavam-se em demasia as costuras da junção de CGI com animação tradicional e o videoclip tornava-se algo limitado. A música em Utena apesar de boa era demasiado pesada e ao fim de alguns episódios tornou-se cansativa. O uso de CGI e animação 3D em Penguindrum é uma mais-valia que foi muito bem aproveitada, pois faz-nos querer saber a importância de cada elemento que o integra. Voltando à banda-sonora, não sei se é o mesmo compositor de Utena, mas reconheço a mesma percussão em cenas de tensão e alguma semelhança no geral. Como Kunihiko Ikuhara parece ser a versão moderna do génio produtor/ditador para o anime, não me admira nada que até tenha o dedinho dele nisso.

Há mais um factor que intriga, na série há muitas cenas passadas no metro, onde aparecem sempre duas personagens, Double H, em sinalética ou pequenas animações informativas com roupa semelhante à de Himari quando se transforma e ao primeiro genérico final. Estou a roer-me de curiosidade para saber a ligação com o resto da história!

輪るピングドラム

26.11.12

1000 Nen Joou

Finalmente encontrei o filme 1000 Nen Joou e pude vê-lo. Encontrar anime mais antigo pode por vezes ser uma busca complicada, mas com paciência e perseverança chega-se lá! Como fã acérrima de Leiji Matsumoto, na minha longa lista de anime a ver estão todas as suas obras. Até agora não tem desapontado.

1000 Nen Joou é um filme que reconta a história de Andromeda Promethium, a dita Rainha dos 1000 Anos, originalmente uma série com 42 episódios, que estreou após Galaxy Express 999. Andromeda Promethium, ou Yukino Yayoi, o seu nome na Terra, reina em segredo a Terra durante 1000 anos, milénio esse que chega ao fim e a rainha será substituída por uma nova. Mas os planos mudam e La Metal, o planeta de Promethium, aproxima-se perigosamente da Terra.

Leiji Matsumoto varia pouco a caracterização das personagens, Promethium, na realidade a mãe de Maetel e Esmeraldas, de Galaxy Express 999 e Captain Harlock, faz as vezes de Maetel e Hajime, o rapazinho órfão, as vezes de Tetsuro. Talvez isso seja por 1000 Nen Joou ter sido produzida na sequência do sucesso de Galaxy Express 999, mas para mim não importa, o que interessa é o resto. A série aparentemente não teve o sucesso desejado, ficando com menos 10 episódios que o planeado, mas o filme, se não o teve foi por ignorância, pois é um deslumbre do princípio ao fim!

A animação é de primeira, nota-se um cuidado geral maior que o costume na época, a banda-sonora magnífica e completamente adequada à história e ambiência geral e a narrativa uma história de ficção-ciêntífica sólida e empolgante. Ao contrário de Galaxy Express, aqui não se explora um mistério, Hajime fica cedo a saber quem é a sua professora Yayoi e o que importa é salvar a Terra, os humanos e, se for possível, La Metal e os "metalianos". A narrativa está suficientemente bem construída para quem conhece perceber os laços que a unem a outras séries de Matsumoto, mas sem deixar quem não conhece atrapalhado com conceitos mal explicados. O filme funciona sozinho, por si só, sem depender das histórias paralelas e as duas horas de duração passam espantosamente num ápice. É raro um filme de anime durar mais que uma hora e meia, e em 1000 Nen Joou não há um momento inútil ou enfiado à força. Todas as sequências são importantes e o ritmo é acelerado.

Gostei mesmo muito de ver este filme, surpreendeu-me pois é bem melhor do que estava à espera. Promethium tem maior densidade que esperava, Hajime, um pouco como Tetsuro, serve de elo de ligação e elemento explicativo, há um cientista limitado na sua humanidade, mas brilhante e que ajuda a encontrar a solução, naves espaciais espectaculares, conflito de interesses, um love interest, até dois e uma vilã sinistra como convém. Tenho de ver a série e comparar, pois gostava de saber até que ponto as diferenças entre ambos se aproximam das diferenças entre GE 999, a série e os filmes.

Ver filmes como este dá-me cada vez mais vontade de ver anime vintage e cada vez menos ver o mais recente. A maioria do que tenho visto de recente, salvo algumas excepções, ainda bem que as há, tem sido desapontante. Muitas das séries modernas são um desperdício de excelentes recursos técnicos que se vendem a conceitos fáceis ou comerciais que mais não fazem senão vender merchandising. As histórias prometem muito e não cumprem, parecem vazias de conteúdo... será que os fãs estão cada vez menos exigentes?

松本零士オフィシャルホームページ


RAW

3.9.12

Ando a Re-Ver: Majokko Meg-chan


Meg-chan é VIOLENTO!

Poucos dias antes de recomeçar a ver esta série, li algures que a versão italiana, a mesma que passou cá (dobrada em português), teve 3 ou 4 episódios excluídos por causa dessa mesma violência. De todos os episódios que já revi, lembrei-me sempre de alguns detalhes ou imagens, quando não cenas inteiras. O episódio 22 foi muito provavelmente um desses episódios censurados, pois para além de não me lembrar rigorosamente de nada do episódio o tema principal é, no mínimo, polémico: o suicídio. Fiquei curiosa acerca dos outros, pois este, por mais que eu seja contra a censura, até faz sentido ter sido retirado.

Há uns dias, ao trocar ideias com uma amiga, ela disse-me, e com razão, que essa violência faz falta, pois faz parte do dia-a-dia. As séries infantis dos dias de hoje são tão "limpas" de toda uma violência que está presente nas vidas de todos, é tudo tão cor-de-rosa, tão perfeito, que até se tornam pouco credíveis. Se as crianças não têm contacto com essa violência através da ficção, mais tarde quando tiverem na realidade isso pode resultar num choque com consequências imprevisíveis. Nem eu nem a minha amiga somos psicólogas, nem me vou alargar muito mais nesta análise, mas é, para mim, uma questão de bom-senso. E basicamente não foi por a minha geração ter sido exposta a mais violência que as crianças de hoje se tornou numa geração violenta por norma. Até acho o contrário, que somos uma geração extremamente pacífica ou melhor, com falta de iniciativa. Para além disso, sem conflito uma história é simplesmente CHATA!

Uma coisa é certa: para mim, que gosto de filmes de terror e distingo a realidade da ficção, é revigorante ter, numa série para miúdas pré-adolescentes e adolescentes, uma tal crueza e honestidade narrativa. Também presente é um lado extremamente atrevido, a raiar o perverso, sexual (desse lembrava-me bem), onde temos constantemente Chou-san a tentar despir Meg e se calhar, por acréscimo, Non. A cena de Meg na banheira a atravessar a cidade é épica!

魔女っこメグちゃん

DVD R

21.8.12

Kuroshitsuji II

Surpreendentemente, e apesar da permissa pouco interessante de uma pseudo-rivalidade entre iguais, Ciel-Sebastian contra Alois-Claude, a segunda série de Kuroshitsuji é bem mais satisfatória! Ciel aparenta mais carácter, Alois consegue ser um vilão irritante, Claude um rival à altura de Sebastian, que mantém parte do sarcasmo, aliado a um pouco de emoção, e as personagens que achava irritantes ou desapareceram ou tornaram-se elementos de comédia, Grell.

Os episódios são menos chatos e a história avança bem sem se tornar pesada, cada episódio está estruturado de forma equilibrada incluindo as qualidades da primeira série e a narrativa principal, sendo mais simples, acaba por tornar-se mais interessante no todo. Até o final é satisfatório!

Resumindo, a equipa aprendeu com os erros e soube dar a volta a uma série que tinha tudo para descambar à grande. Contudo a primeira série estragou o que havia a estragar e Kuroshitsuji acabará sendo uma série anime de que vou me lembrar por causa do guarda-roupa. É pena!

Ainda vou ver os OAVs, já vi dois, mas depois faço um post sobre todos.

黒執事Ⅱ

12.8.12

Comecei a Re-ver: Majokko Meg-chan

Já tinha tido uma falsa partida há tempos e o facto de ainda ter pendurada a Candy Candy fizeram com que só tivesse revisto, desta vez na versão original, 2 ou 3 episódios de Majokko Meg-chan (Bia, a Pequena Feiticeira). Mas, tal como foi para a Candy e para Glass Mask, esta é a altura certa, está-me a apetecer imenso rever a Meg-chan. Lembro-me bem da série, mas quero ver especialmente com o meu olhar de hoje, por onde já passaram imensos mahou shoujos.

Meg-chan dificilmente deixará de ser uma das minhas séries preferidas, logo o primeiro episódio dá o tom, Meg não é uma menina bonitinha, tal como mais tarde perceberemos que também Non não é propriamente uma vilã. O lado atrevido muito presente também torna esta numa série assaz invulgar, mesmo aos olhos de hoje. Mas ao contrário de muitas séries actuais, o fanservice quase sempre presente funciona como elemento de comédia e não parece forçado, apesar de muitas vezes ser exagerado.

Graficamente a série é um espanto. O character design e a animação têm um traço tão pessoal que é inevitável reparar neles e os cenários, muito evocativos de uma Europa mediterrânica do imaginário japonês, são deliciosos. Não há uma rua plana, há imensa cor, imenso verde e os telhados são sempre vermelhos. A casa da família Kanzaki (de Meg) parece uma casa dos Estrunfes e a de Non saída das páginas da revista de arquitectura mais vanguardista dos anos 60. Do mesmo modo o guarda-roupa das duas rivais é um tratado de moda anos 60-70, até nas cores escolhidas. Esta foi provavelmente uma das primeiras séries que introduziu o "código de cores" do mahou shoujo, em que Meg usa cores quentes e Non cores frias, que reflectem ambas as personalidades. Meg é mais menina (mas raramente vemos o excesso de cor-de-rosa actual) e Non mais elegante e madura. Ah, Non anda de mota! Basicamente Meg é divertida e kawaii e Non é uma tsundere  cool.

Os genéricos são ambos uma delícia, bem animados e representam bem a série. As músicas japonesas são completamente diferentes das que passaram cá. Como adoro o ♪Bie-aa, bie-e ba-be, bie-o ba-be-bi-bo♪, custou-me a adaptar-me a duas canções fortes mas com uma sonoridade muito mais anos 60. O certo é que a canção original, cantada pela mesma cantora de Cutie Honey (produzida na mesma época), entranhou-se e já não identifico a Meg-chan com a canção italiana/portuguesa.

魔女っこメグちゃん

DVD R

30.7.12

Terminei de ver: Kuroshitsuji

 
Esta série foi daquelas que prometeu e não cumpriu. Realmente, como disse no post anterior, parecia uma série bem feita e a história prometia mistério sobrenatural. Infelizmente ao 5º episódio... fartei-me!

Já não há séries mal animadas e que não encham o olho, e nesse aspecto Kuroshitsuji é um doce tão apetecível como as sobremesas retratadas na série, mas a história tem pouco conteúdo, demasiadas personagens irritantes e não desperta o interesse. O mistério de Ciel e Sebastian é rapidamente explicado, de forma a parecer que ainda há mais qualquer coisa até ao fim da série, mas não passa de um simples pacto com o diabo (demónio?) e vingança. Ciel, Greil Sutcliffe, Undertaker e Madame Red, personagens com imenso potencial, irritam-me. O Undertaker então, não suporto personagens masculinas que falam daquela forma lenta e afectada, parece que só lá estão para enfeitar. O que no caso do Undertaker é isso mesmo, pois durante a série ele serve de muito pouco. As únicas personagens de que gosto são Sebastian, fiel ao seu sarcasmo até ao final, e os outros empregados da casa, que apesar de parecerem apenas um elemento de descompressão ao início, são quem surpreendentemente tem realmente uma função a cumprir nesta série.

A história desenvolve muito pouco, repartindo-se em pequenos casos detetivescos pouco interessantes com um fundo de mistério e sobrenatural que de algum modo os liga a Ciel Phantomhive. Os anjos demoníacos, são uma subversão demasiado óbvia das características angelicais, já muito vista e repetida. Mais ainda pois toda esta atenção dada à mitologia dos anjos e demónios não faz muito sentido numa Inglaterra Vitoriana, onde o Príncipe Albert, marido da Rainha Vitória, vem de um contexto Luterano e a própria Vitória do contexto Protestante. Este tipo de intriga só faria sentido num país Católico, pois choca com os seus valores mitológicos mais sagrados. Vejam/leiam Constantine, um comic e filme norte-americano onde este tipo de ideia é desenvolvido de forma mais interessante.

 

Em termos visuais Kuroshitsuji cumpre, e até vai buscar no 2º genérico final um quadro que aprecio muito, A Ilha dos Mortos, de Arnold Böcklin, como inspiração, uma citação inesperada! De notar que conhecem-se pelo menos quatro versões da Ilha dos Mortos pelo mesmo autor. As mesmas estão expostas em vários museus pelo mundo fora.

Só recomendo Kuroshitsuji a quem sinta apelo pelo lado estético, pois como história é pobre e um bocado aborrecida, tal como o Ciel. Vou encher-me de forças para ver a segunda série e os OVAs, mas a vontade não é das maiores. Muito provavelmente vou intercalar com outra série que tenha tido que interromper, como Galaxy Express 999 ou Ace wo Nerae!.

黒執事

24.7.12

Terminei de ver: Glass no Kamen (2005)


Há muito que não terminava uma série de anime com esta sensação, uma sensação de leveza e de ressaca de emoções fortes... Acho que a última vez que me senti assim foi ao ver as quatro primeiras séries modernas de Doctor Who. Ah Russel T Davies, és definitivamente um dos meus heróis! Se Glass no Kamen já era uma série excelente na versão um pouco datada de 1984, a versão de 2005, retrabalhada de forma a destacar mais as personagens e limpa de maneirismos ou clichés, demonstra que é possível fazer remakes, melhor, segundas versões de histórias sem estragar mas sim melhorando actualizando-as. Depois de ver estas duas séries compreendo o clássico que Glass no Kamen é para a manga shoujo e definitivamente é uma prioridade na minha lista de mangas a ler.

Tive de fazer uma pausa forçada no visionamento desta série, computador pifado, trabalho, vida e a dificuldade em encontrar a segunda metade dos episódios, mas ultimamente andava mesmo com vontade de ver o resto e a altura não podia ser mais propícia. Apesar de a primeira metade da série se concentrar mais na aprendizagem no sentido académico de Maya e a segunda no amadurecimento como actriz e mulher, o que as destingue, a sensação que tive há quatro anos quando vi a primeira metade é a mesma mas mais intensa pois as emoções vão crescendo e intensificando-se.

Glass no Kamen de 2005 é uma série extremamente rica, com personagens muito humanas, mesmo que façam sacrifícios sobrehumanos, que nos levam numa montanha russa de sensações bastante rara na ficção moderna. Talvez o mérito esteja todo em Miuchi Suzue, a autora da longa e inacabada manga, mas também passa e muito pelos argumentistas da série, que raramente terminam um episódio sem ser em cliffhanger e que me fizeram ver vários episódios em catadupa, coisa que raramente faço. Nesta segunda metade sentimos Maya à altura da rival Ayumi, competindo de forma justa. O segundo genérico representa muitíssimo bem a sua história, de miúda talentosa que tem de lutar por um lugar ao Sol e de Ayumi, para sempre apaparicada mas determinada em encontrar a sua própria voz. De modos opostos as duas chegam ao mesmo objectivo, representar "Kurenai Tenyo" [A Deusa Escarlate], a mítica peça escrita para a mestra Chigusa Tsukikage. O esforço de ambas é igualmente válido e intenso e isso é reconhecido tanto pelas duas raparigas como rivais, como pelos colegas e Chigusa. Cabe a cada um escolher a versão que lhe assenta melhor.

Não deixa de ser interessante observar como as peças de teatro, sejam elas reais, Helen Keller, Sonho de uma Noite de Verão, ou fictícias, As Duas Rainhas, são instrumentos para fazer avançar a protagonista e de modo algum se tornam chatas por serem exploradas com bastante pormenor, em média 3 episódios por peça. Em cada peça coloca-se um novo desafio a Maya e por consequência a Ayumi, rival, e Hayami, interesse amoroso. A relação de Ayumi e Maya também não é a clássica relação menina-rica-e-cabra contra menina-pobre-e-boazinha, as duas respeitam-se e aprendem uma com a outra. Na fase das Duas Princesas até se ajudam mutuamente.

O modo como a relação de Maya e Hayami se desenrola é uma peça importantíssima da história e adiciona-lhe uma intensidade do shoujo clássico dos anos 70, sem o lado piroso e sentimentalão que foi eliminado nesta versão. O modo como a verdadeira identidade de Hayami é revelada, para além de ser um dos maiores cliffhangers da série, é inteligente e muito credível, sem recorrer a subterfúgios narrativos gratuitos e leva Maya a tomar decisões fulcrais na sua vida. Maya cresce incrivelmente nesta segunda metade em muito devido à sua relação com ele.

Glass no Kamen é uma série que não se compreende como passou tão despercebida, pois não há série moe ou afins que lhe chegue aos calcanhares. Hoje em dia já não se podem comparar as séries em termos técnicos, pois os computadores vieram facilitar uma boa execução e raramente se vêm séries mal produzidas ou baratas, porque o orçamento não chegou. O que valoriza uma série é a sua história, personagens bem construídas e eventualmente se a estética visual e sonora agrada ao espectador. Isto comprova que o que tem verdadeirmente valor é universal e não vai em modas. É pena que por vezes passe despercebido.

Continua a ser um mistério para mim como é que os japoneses conseguem emocionar-me desta forma que a ficção Ocidental raramente consegue. Talvez deva permanecer um mistério para eu continuar a ter esta sensação. Felizmente Glass no Kamen não acaba por aqui, há os OAVs dos anos 80, de que já vi pelo menos um, e a série live-action. Por fim há os 48 volumes da manga que seguramente vão saber a pouco, nem que seja porque é uma incógnita se Miuchi Suzue algum dia a terminará.

ガラスの仮面

RAW

15.7.12

Comecei a ver: Kuroshitsuji

Quando esta série foi lançada, chamou-me a atenção nas páginas da Newtype, mas como a lista é sempre longa, logo a descartei. Tenho de confessar que esta é mais uma série que foi o cosplay que me levou a vê-la, a sucessão de bons cosplays, apesar de um bocado góticos para o meu gosto, despertou a minha curiosidade.

Apenas vi alguns episódios e tenho uma certa dificuldade em classificar Kuroshitsuji. Claramente não é um shounen, mas também não é o típico shoujo, ainda por cima porque os protagonistas são um rapaz e um demónio (o que também não é significativo). Está, definitivamente, inserida no género fantástico e sobrenatural, essa parte é clara, mas conjunto do estilo de narrativa e a estética são de certa forma novidade. Será que podemos criar o género "lolita"? Digo isto pois, tal como Rozen Maiden, é claramente uma série criada a apelar às lolitas ou às lolitas-cosplayers.

Kuroshitsuji é um misto de série de mistério/policial com comédia e fantástico à mistura. Passa-se na Londres Vitoriana, mas vai mais além, onde o tom do fantástico é muito mais nipónico que britânico, com direito a shinigamis (que aparentemente andam muito na moda - já conto três séries recentes com shinigamis: Death Note, Bleach e Kuroshitsuji) e jardins japoneses. No dia-a-dia Kuroshitsuji parece ser um manual de hábitos Vitorianos, principalmente no que toca ao chá. O rigor histórico é irritantemente alto e estou mesmo a ver as lolitas a tomar notas a cada episódio. Não é que não goste, mas é um traço típico da comédia à japonesa. Claro que, sendo uma série do fantástico há muitas concessões, mas ao contrário das séries dos anos 70-80, essas concessões, sejam a nível do guarda-roupa ou cenários ou de determinadas acções/atitudes, são claramente derivadas de uma pesquisa exaustiva. O resultado é um gótico-barroco, cheio de detalhes que dá a Kuroshitsuji um aspecto luxuoso e cuidado.

Como ainda só vou no início e cada episódio apenas desvenda um pouquinho do mistério da morte dos pais de Ciel e do seu pacto com Sebastian, ando a saborear essa descoberta. A relação de Ciel, sombrio e aborrecido, com o mordomo Sebastian, ultra-competente e sarcástico, é muito engraçada. Acho estranho o protagonista aparentemente ser uma personagem tão pouco apelativa, o que de facto é compensado por Sebastian, mas com os japoneses nunca se sabe... Os outros elementos que habitam a mansão são a criada trapalhona, o cozinheiro que queima constantemente a comida, o jardineiro que se engana nos adubos e o velho mordomo/valete que passa o tempo quase todo na forma chibi a beber sencha. Resumindo, os outros empregados são de fachada e é Sebastian quem realmente toma conta da casa e de Ciel. Como ele mesmo diz: "Akumade no shitsuji", em que as palavras "akumade" são um trocadilho entre um mordomo extremoso (aku made) e um mordomo demónio (akuma de). Aliás, há mais trocadilhos do género na série, que infelizmente são difícieis de transpor numa tradução.

Apesar de não me ter encantado, Kuroshitsuji parece-me ser uma boa série que vale a pena ver, e tenho uma certa curiosidade em saber mais. Como cereja no topo do bolo fica o delicioso genérico final, que retrata em versão chibi o dia-a-dia de Ciel com Sebastian. Não sou grande fã da canção, apesar de não me chatear.

Becca - I'm Alive



13.7.12

Terminei de ver: Candy Candy

É-me impossível escrever este post sem fazer SPOILERS, portanto deixo o aviso à navegação, se não querem saber detalhes acerca do final da Candy Candy, leiam apenas quando o virem/lerem.


É caso para dizer: FINALMENTE! Pois levei 14 anos para saber a segunda metade e o final da história de Candy Candy e quase 30 para ver a série até ao fim! Há uma explicação, Candy Candy foi cancelada a meio na RTP, quando deu a única vez em 1983-84, e só nos anos 90 tive a possibilidade de adquirir e ler a manga de Candy Candy em japonês, onde finalmente foi satisfeita essa curiosidade imensa. Entretanto deu-se o processo de direitos de autor entre as duas autoras, que resultou num embargo geral à Candy Candy, o que impossibilitou o acesso à série de forma legal. Sendo uma série antiga não foi das mais fáceis de encontrar pelas "internetes", demorei a conseguir a série completa e só recentemente tive finalmente a disponibilidade de voltar a pegar na Candy.

Bom, como disse no post anterior, a segunda metade da Candy está cheia de fillers o que é uma grandecíssima seca. Até parece que o director/produtor geral da série mudou e resolveram esvaziar Candy Candy de romance e fazer da série um pseudo-western. Comparativamente à primeira metade, quase metade dos episódios são fillers e mesmo quando têm a possibilidade de esticar a narrativa através dos acontecimentos originais da manga, que não são poucos, resolvem inventar novas intrigas, com novas personagens, que pouco ou nada têm a ver com a restante série, excepto serem protagonizadas por Candy. Até o rigor histórico, que já era pitoresco e pouco correcto, foi parar às urtigas. A dada altura perguntei-me porque de repente parecia que estava a ver um shounen infantil em vez de um shoujo adolescente. Mas as partes que são adaptadas da manga são bastante fiéis apesar de deixarem o romance ao mínimo. É romance que nós queremos! São lagriminhas impossiveis de controlar que queremos!

O pior mesmo é o final, que apesar de um pouco condensado e precipitado estava a correr bem até Candy voltar à Colina da Pony. O momento fulcral da série, o fechar do círculo, a explicação de tudo, as emoções ao rubro, no que deveria ser um momento privado entre Candy e Albert, torna-se uma experiência colectiva, com a adição de Annie, Archie e os membros do Lar da Pony, com uma necessidade pouco interessante de deixar tudo explicadinho sem a mínima alusão a um futuro, muito menos a um possível romance entre eles. Nem um plano dos dois sozinhos nos dão! Várias vezes ao longo da série, de certa forma até mais que na manga, foram dadas sugestões de que o Príncipe da Colina é que era o homem para Candy para depois nos deixarem a chupar no dedo... enfim, o final na manga é mais satisfatório apesar de deixar as coisas em suspense. 
"Ficas mais bonita a sorrir!"


E, para quem se pergunte, eu sou fã de Terry para sempre, era ele quem eu gostaria que ficasse com Candy. Mas também acho que depois dos acontecimentos com Susanna, da decisão de Candy de se afastar, seguidos da aproximação e empatia dela com Albert, numa relação de amor e companheirismo, é com Albert que ela fica melhor. São decisões realistas que muitas vezes as pessoas têm de tomar. A relação de Candy com Albert é mais madura e praticamente um casamento sem sexo. Mas ninguém estava à espera de ver sexo em Candy, portanto... é um bocado como as metáforas de sexo nos filmes de Hollywood após o estabelecimento do Código Hayes.

No geral Candy Candy continua a minha série favorita, mas nunca dissociando da manga onde a história está muito mais bem escrita. Era uma série, que se a situação das autoras não fosse a que é, merecia um remake à altura, sem fillers nem "caubóiadas"! Apesar de Shingo Araki, o character designer ideal para Candy, ter morrido, se fizessem uma produção como a de 2005 de Glass no Kamen, sem a necessidade de tantos episódios, Candy Candy teria a adaptação perfeita a série anime. Só sentiria falta daqueles genéricos maravilhosos!!!

15.4.12

Ando a ver: Candy Candy


Voltei à Candy Candy, desta vez determinada em acabar de ver a série, pois já tenho todos os episódios. Volta e meia eu regresso à Candy, uma presença constante na minha vida desde que vi *aquele* genérico pela primeira vez.

Numa série tão longa, mesmo para os anos 70 em que as séries costumavam durar normalmente 1 ano, a Candy durou mais de 2, é natural haver fillers, mas é uma pena, numa história tão cheia de reviravoltas, tantos fillers, principalmente no Lar da Pony. Ao contrário dos fillers em casa dos Logans, dos Andrews, no Colégio e pressuponho que na escola de enfermagem e no hospital, os fillers no Lar da Pony são aborrecidos pois não há intriga, simplesmente são fracos reforços às decisões seguintes de Candy. Basicamente o que me faz ver estes episódios é a noção de que muito há para vir e que a fase seguinte é mais empolgante.

Calculo que se a Candy Candy fosse produzida após se ter a noção do sucesso que viria a adquirir, e talvez se as autoras tivessem mais mão nas liberdades criativas tomadas na adaptação, a série anime Candy Candy tivesse uma produção mais cuidada e um argumento mais bem escrito.

ADENDA [19.06.2012]
Como se não bastassem os fillers no Lar da Pony já existentes na manga, após meia-dúzia de episódios na Escola de Enfermagem Mary Jane e com a desculpa de levar Mina para o Lar, vá de pespegar mais TRÊS episódios completamente inúteis em contexto campestre. Na manga Candy limita-se a levar Mina, sem casamentos, fugas ou reencontros com personagens fora do baralho. Argh! Quando é que chega o Mr. Albert para as coisas começarem a aquecer??

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...