23.6.17

Ashita no Nadja

Mal posso crer que nunca escrevi um post dedicado a Ashita no Nadja!! Adorei de tal forma a primeira vez que vi a série que só uma eventual falta de disponibilidade o justifica. Durante uma actual maratona de costura uma das séries que tenho andado a engolir às colheradas é Ashita no Nadja.

Esta é uma série relativamente recente mas que se encaixa lindamente nas séries vintage dos anos 70 e 80, que contam a saga de uma menina órfã para encontrar as suas origens. Mas não é de todo mais do mesmo e é uma das melhores dentro do género.

Primeiro, Ashita no Nadja é uma série com bons valores de produção, resultando num character design polido e bonitinho, com uma dose q.b. de detalhes, cenários bem trabalhados e geograficamente correctos, boa animação com pouca palha e alguma animação 3D nas cenas da transformação da caravana em palco e nos itens de Nadja. Mas o melhor desta série é uma realização aprimorada e a ousadia em focar temas mais sérios ou em ter episódios mais melancólicos intercalando a alegria vigente. A banda-sonora é também inovadora, incluindo para além das canções, trechos de música clássica e longos silêncios que acentuam o dramatismo. Para além da saga de Nadja, esta série também inclui a dança e a música como complementos e é uma espécie de guia turístico romântico da Europa do início do séc. XX. Naturalmente existem as típicas incongruências japonesas neste tipo de série, como uma personagem japonesa, Kenosuke, que surge mais ou menos do nada, o facto de todos se entenderem, apesar de passarem por países com línguas diferentes, uns mini-leões que aparentemente crescem ao ritmo humano e objectos mecânicos pouco plausíveis. Gostava de saber onde cabem o palco e 8 pessoas/camas naquela caravana...

O meu episódio favorito é o episódio 26, uma espécie de perseguição muito reveladora para Nadja, passada no deslumbrante Alhambra, em Espanha. Mas ao rever a série apercebo-me que não é apenas o episódio do Alhambra que é marcante, todos os episódios passados em Espanha fogem ao clichè do salero e da alegria solar e mostram um lado mais melancólico ao crepúsculo, menos evidente naquela Espanha para turistas, mas sem dúvida romântico e realista, na dualidade de sol e sombra que existe na cultura de nuestros hermanos. Não há dúvida que o realizador destes episódios é fã de Espanha! A luz e a escolha de cenários nestes episódios é sublime e mesmo o modo como a narrativa é contada deixam-nos uma sensação de algo mais que uma simples série de anime shoujo a passar no Canal Panda.

Tenho andado muito ocupada e tenho uma série de posts atrasados. Nem devia estar aqui a escrever isto agora, mas não podia deixar passar o ímpeto de colmatar o facto de nunca ter escrito aqui acerca de uma das séries que mais me marcou nos últimos anos.

明日のナージャ

 Canal Panda

20.6.17

Comecei a ver: Saint Seiya Omega

Continuo a tentar organizar-me para voltar a um ritmo regular a ver anime, mas antes das séries da lista, as inacabadas ou filmes que vi e ainda não comentei por aqui, quando caiu-me no colo Saint Seiya Omega, que está a dar no Biggs. Está dobrado em português, é certo, mas até agora não tenho nada a apontar à dobragem. Tecnicamente está com boa qualidade de som, a tradução parece-me mais cuidada que o habitual, até traduziram o "cloth" por "manto", e as alarvidades da Novaga já são passado.

Saltei Lost Canvas, Hades e tudo o que está entre a série original e esta, tenciono vê-las na mesma, apesar de várias recomendações para não o fazer, mas Saint Seiya faz parte do meu panteão de séries "sagradas", e quero consumir tudo que lhe seja relacionado.

Ainda vi poucos episódios mas já estou a adorar! Omega é uma boa homenagem ao Saint Seiya original, uma espécie de continuação alternativa, que reconhece, menciona e inclui quase todas as personagens principais do original. Seiya é presença constante na herança que coube a Kouga, Saori aparece no início e é, como no arco dos Cavaleiros de Ouro, o pivô de tudo. Shaina treinou Kouga, Ryu é filho de Shiryu (e Shunrei, calculo eu) e o Cavaleiro da Hydra é colega da geração mais nova. A história, apesar de muito semelhante em vários aspectos com Saint Seiya, modernizou-se. Agora começa num ambiente de colégio, com direito a uniforme escolar e tudo, eles já não carregam os caixotes das armaduras, usam umas gemas muito "mahou shoujo", já chegam todos à história ligados à respectiva armadura e o grande prémio é uma entrevista com Atena em vez do Papa. Há mais elementos novos e importantes para a história, mas são spoilers e nem eu mesma ainda sei muito bem no que aquilo vai dar. Também há diferenças, os elementos da natureza agora têm um papel relevante, é uma coisa mais de jogo, a hierarquia está mais diluída e os elementos da "nossa" equipa não são todos herdeiros directos dos cinco originais. Para começar, temos uma menina, Yuna, que se rebelou e não usa máscara e que é cavaleira da Águia, mas nada de menções a Marin e a armadura é a mais diferente da original, aliás é de bronze, não prata. Soma é cavaleiro do Leão (Menor), mas não é Cavaleiro de Ouro ou Prata e assim por diante. Muito ainda está por saber.

Para além dos paralelismos óbvios, temos uma nova versão, menos anos 80, mas mesmo assim a ideia está lá, de "Pegasus Fantasy" e um character design que poderia ser de Shingo Araki, mas em que todos foram esticadinhos e rejuvenesceram um bocado, apesar de ou serem da mesma idade ou até mais velhos que o grupo original. Sim, nunca percebi muito bem como a Saori tinha 13 anos e os outros tinham uma média de 15 anos de idade. Sim, o Ikki, aquele homenzarrão, só tinha 16!! As armaduras foram estilizadas e tornaram-se numa segunda pele, o que não facilitou em nada o trabalho já complicado aos cosplayers de Saint Seiya.

Porque estou a gostar tanto? Anda a lembrar-me da maneira certa de Saint Seiya. De quando via às 11h da manhã de domingo (salvo erro) na RTP1, menos os baldes de sangue, por enquanto. A história é simples e avança bem, as personagens são fortes e carismáticas e mesmo sem grandes cliffhangers, deixa o desejo de ver mais!

聖闘士星矢Ω-セイントセイヤオメガ- 公式サイト 東映アニメーション

 BIGGS

29.6.16

O que se tem passado no Anime-comic

O Anime-comic (e os meus outros blogs) não morreu! O que sucedeu foi uma falta de disponibilidade para ver anime e postar (tenho uns quantos posts em lista de espera), um computador a morrer e a eliminação do serviço de alojamento onde tinha grande parte das fotos do blog, que resultou na eliminação das mesmas.

Espero lentamente, durante o Verão, conseguir repor tudo, e, pelo meio, escrever alguns posts. Peço-vos paciência e que não se vão embora!

2.6.15

xxxHOLiC: Kochou no Yume

É raro eu falar aqui de livros, mais ainda de artbooks, mas tive o privilégio de "apanhar" este Kochou no Yume, o meu terceiro artbook das CLAMP, que é um tesouro a guardar.

Tríptico cartonado - Yuuko
Os artbooks das CLAMP costumam ser uma boa adição à colecção de quem: 1. Goste dos desenhos e estética das CLAMP; 2. Tenha prazer em ter belos livros únicos na sua biblioteca. Os artbooks das CLAMP têm por norma uma encadernação diferente e uma impressão de primeiríssima qualidade. Aliás aqui posso englobar todos os artbooks japoneses que possuo, são um espanto de envergonhar muitas gráficas mundo fora.

Antes de o ter nas mãos o único acesso que tive a Kochou no Yume foram os inúmeros scans que navegam pela internet, que de forma alguma lhe fazem justiça. Servem apenas como referência e para guardar nas bibliotecas de imagens pessoais das CLAMP. Foi esse facto que me fez fazer esta crítica/revisão, de o livro-objecto ser muito mais que meros scans bem feitinhos.

Triptico interior - Watanuki
O formato é quadrado e razoavelmente grande (cerca de 30x30cm) e, primeira surpresa, vem envolto num tríptico encadernado com as três ilustrações originais criadas para a capa do artbook, Yuuko Ichihara em vestes de inspiração chinesa, com o título impresso a vermelho metalizado na frente. Nas costas, o meio do tríptico, estão Kimihiro Watanuki e Shizuka Doumeki, em traje chinês. Abrindo a capa (que fecha com um ímane embutido) temos a terceira ilustração com Watanuki no mesmo traje chinês com um kimono por cima.
Segunda surpresa, o tríptico encadernado é solto e no interior tem uma ilustração em tons escuros com o característico fumo e borboletas de xxxHOLiC. Um óptimo cenário para fotos com a minha Blythe B2-HOLiC.

Capa e guarda-pó
O livro em si é de capa mole, mas não o subestimemos. A capa é em cartolina baça azul indigo com xxxHOLiC impresso a dourado na capa e borboletas, também douradas, na contracapa. A envolver a capa há um guarda-pó, na mesma cartolina, mas vermelha com os cantos recortados e no meio uma "janela" que deixa entrever o título e as borboletas, respectivamente.



O livro é em papel acetinado geralmente impresso a preto. A maioria das ilustrações está impressa do lado esquerdo (o lado mais nobre na encadernação japonesa - da direita para a esquerda), com uma frase e uma pequena ilustração a preto e branco sobre cor no lado direito. Nas primeiras páginas há uma pequena história com o Doumeki, que ainda não li. Depois sucedem-se as ilustrações das capas e pin-ups (ilustrações a cor, estilo cartaz, nas páginas iniciais de cada volume) da manga, desta vez sobre papel branco e não perlado, o que deixa as cores mais vivas. Mais ou menos a meio temos novamente as ilustrações da capa, num desdobrável que faz outra vez o tríptico. Depois temos mais uma série de ilustrações espalhadas por ambas as páginas em formato maior, mas infelizmente algumas divididas ao meio pela encadernação. No final, separadas por uma página de título dizendo "Monochrome Illustrations" uma série de ilustrações a preto e branco, das capas de capítulo da manga, várias dispostas em cada página, com apontamentos de cor à volta.


As ilustrações incluídas são na grande maioria da manga de xxxHOLiC, não incluindo nenhumas de xxxHOLiC - Rei (talvez para novo artbook?), com algumas ilustrações feitas para cartazes ou merchandising da série e uma ou outra incluídas em Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE-.


No geral este livro é um espanto e uma boa compra, apesar de o preço não ser generoso. Por tê-lo adquirido cerca de um ano depois do seu lançamento, só o encontrei em segunda mão e com o preço inflaccionado. Infelizmente as CLAMP são suficientemente populares para dar azo a especulação e não foi fácil encontrar o livro a menos do dobro do preço original (mas encontrei). O livro chegou em excelentes condições, sem uma mossa ou risquinho, bem acondicionado numa caixa de cartão e plástico bubble, depois de uma viagem de dois meses de barco do Japão, chegou a Portugal impecável. Até parece o tempo das descobertas!

Tríptico contracapa - Watanuki e Doumeki
Talvez venha a fazer uma crítica no futuro aos meus outros artbooks das CLAMP, Tokyo Babylon Photographs e X ZERØ, pois ambos são livros de encadernação invulgar e lindos.

CLAMP-net

artbook

25.1.15

Acabei de ver: Princess Tutu

 
Princess Tutu tinha ficado pendurada há tempos, pois o que me acontece com frequência quando começo a ver uma série é por algum motivo ter de interromper e quando volto a ter disponibilidade para continuar a vontade mudou e acabo por começar a ver outra série que também me despertou o interesse. Mas recentemente andava (e ando) com uma vontade de shoujos à antiga, de onde regressou o pensamento a Princess Tutu.

Como se passou bastante tempo, basicamente o que me recordava era o ambiente e arte da série, para além das maravilhosas músicas do genérico. Portanto recomecei do início e fiz bem. Princess Tutu definitivamente é uma série para ver de serguida, de preferência de uma assentada.

À primeira vista Princess Tutu, com um título assim, a ideia de um shoujo, um mahou shoujo, aliado a ballet, parece uma coisa muito pink, delicodoce e enjoativa por acréscimo. Mas, tal como os ballets, contos, óperas e outras peças de música clássica, principalmente do séc. XIX, onde se inspira, Princess Tutu é sombria, melancólica e por vezes trágica. O ambiente é inspirado num cenário germânico, de contos de fadas, de uma pequena cidade que aparentemente gira em redor da escola de artes, onde Ahiru e os outros protagonistas estudam ballet. Com torreões e águas-furtadas, moinhos e noras, canais e riachos, arquitectura em pedra, estuque e madeira, ruas empedradas e pequenas pontes, temos a sensação de uma pequena cidade aprazível, algo antiquada, com uma atmosfera um pouco desconcertante. Mas como temos seres humanos a socializar pacificamente com animais antropomórficos, logo descartamos essa ideia para o "suspension of disbelief" e não pensamos mais nisso.

Nesta série a banda sonora tem um papel fundamental, pois é a inspiração directa para a própria narrativa, que, sendo completamente original, bem construída e empolgante, bebe da grande maioria das peças em que se baseia, tais como: O Lago dos Cisnes, O Quebra-Nozes, Scheherazade, Romeu e Julieta... Mais ballets pontuam a banda-sonora e a narrativa, mas gostei bastante dos acordes d'O Crepúsculo dos Deuses, de Richard Wagner, nas cenas de tensão ou quando algo corria mal. Wagner é o meu compositor preferido. Utilizando elementos narrativos destas e de outras peças musicais, os argumentistas de Princess Tutu souberam criar uma história inteligente e muito bonita. Mesmo o "final feliz" não é exactamente o que se está à espera e a dois episódios do fim, dificilmente se sabe como tudo vai acabar, apesar de haver uma esperança.

Princess Tutu é uma pérola no anime mahou shoujo actual, com identidade própria, que foi buscar inspiração a outras praias sem precisar de ser mais do mesmo. A quem goste de shoujo à antiga e ainda não viu: veja!

プリンセスチュチュ
ADV: Princess Tutu


22.12.14

Blade


Na altura do Halloween a SIC despejou a série do Blade, adaptação dos comics com o mesmo nome, de uma só assentada. Por acaso dei por isso e gravei-a na minha box para ir vendo aos poucos.

Antes desta série apenas tinha visto o Blade II, de Guillermo del Toro, e os comics apenas tinha folheado. Gostei bastante do filme de del Toro, mas acredito que o mérito seja principalmente dele, pois consta-me que os outros filmes não são nada de extraordinário.

A série é bastante bem produzida, nota-se que há dinheiro, e curta, apenas 12 episódios. Segue a busca de Blade por Deacon Frost, o vampiro de quatro presas que transformou e matou a sua mãe. Tipicamente das adaptações de anime, a história é mais centrada nas personagens e no seu lado "humano", incluindo uma caçadora de vampiros, Makoto, determinada em vingar o pai, assassinado enquanto vampiro por Blade, mas ao qual acaba por se afeiçoar e ajudar. Também aparecem mais amigos humanos e ainda um cão, Razor, que ajudam a essa humanização da história.

O character design bastante bonito, sem péssimos cortes de cabelo como em Wolverine (se bem que ele aparece, HA!), realista q.b., mas estilizado. A maioria das personagens está fiel à sua etnia, incluindo o próprio Blade e são todas fáceis de identificar. A animação é boa, sem muitas repetições ou distorções estranhas. Os cenários e o ambiente geral parece que se vive num crepúsculo permanente, havendo menos cenas nocturnas que o esperado. A história flui naturalmente, sem engonhanço ou grandes secas, alternando bem as cenas mais dramáticas com as de acção e desperta curiosidade suficiente para querer ver o desfecho.

ブレイド|ANIMAX アニメ見るならアニマックス

SIC

31.10.14

Happii Harouiin


Não ia fazer um post de Halloween este ano, de facto não ando com paciência, mas eis que encontrei esta imagem giríssima do Watanuki, Doumeki, as duas Mokonas e outras personagens sobrenaturais de xxxHOLiC.

Uma Noite das Bruxas Assustadora!

16.8.14

Ando a ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal

Na série original e também na manga, o episódio 22, o episódio do baile, é o meu preferido dos 200, portanto, ao ver a previsão desse episódio há 15 dias, não pude deixar de ficar empolgada.

Este episódio é talvez o primeiro episódio chave de toda a série e, da primeira fase é sem dúvida um episódio decisivo: é a primeira vez que Usagi e Mamoru estão juntos, num reflexo do que terá sido a sua relação como Princess Serenity e Prince Endymion, o objectivo das guerreiras torna-se claro, a busca pelo Cristal Prateado e os Shi Tennou, os Quatro Generais, apresentam-se às raparigas. Mesmo que Mako, Minako e Artemis ainda não se tenham junto ao grupo, a partir deste episódio os objectivos ficam bastante claros.

Neste 4º episódio de Sailor Moon Crystal já dá para resumir o que estou a gostar e o que não estou a gostar nesta série.
Gosto: da proximidade com a manga, do lado mais soturno, de não haver desperdícios de narrativa e tudo fluir mais rapidamente, da paleta de cores, dos cenários mais elaborados e do character design.
Não gosto: às vezes parece que o character design "desliza", da quase total ausência de suspense, parece que os autores estão demasiado confiantes de o espectador já conhecer a série, mas com isso tiram-lhe interesse, ritmo e tensão, de uma realização menos interessante e apressada e a revelação precoce de detalhes da história não criando uma tensão e ainda umas transformações simultaneamente bonitas mas com um 3D duvidoso, acho que preferia se as tivessem feito à mão. E nós precisamos de cliff hangers!

Certamente não irá substituir a série original, apesar de ela merecer uma produção com a qualidade desta. Mas Sailor Moon Crystal tem um lugar neste colosso criado por Naoko Takeuchi e no geral está a dar-me um gozo tremendo voltar estar em contacto com este universo.

アニメ:美少女戦士セーラームーン20周年プロジェクト公式サイト

15.7.14

Comecei a ver: Shin Taketori Monogatari: 1000 Nen Joou

Poucos dias antes de estrear o meu cosplay de Andromeda Promethium, a protagonista desta série, consegui finalmente encontrar 1000 Nen Joou! Infelizmente como muitas séries mais antigas e menos famosas, não foi tarefa fácil. A manga então... nem cheirá-la!

Pelo que dá para perceber pelos primeiros episódios, conta mais ou menos a mesma história que o filme, mas com muito mais detalhe, eventos que nem são mencionados no filme, e algumas diferenças, principalmente acerca dos protagonistas Hajime, e a vida dupla (tripla?) de Yukino Yayoi, que vai sendo desvendada aos poucos. Por isso também os planos dos vilões vão sendo revelados aos poucos e as suas intenções não são as mais claras.

Tal como foi planeado, 1000 Nen Joou é um claro substituto para o bem-sucedido Galaxy Express 999, tendo passado logo depois e no mesmo horário e sendo as personagens de Hajime e Yayoi uma espécie de recriação de Tetsuro e Maetel. Vem a ser que Yayoi/Andromeda é na realidade a mãe de Maetel, aliás o planeta La Metal aparece em ambas as séries e trata-se de mais uma série dos múltiplos universos cruzados de Leiji Matsumoto.

Muito provavelmente utilizando os mesmos meios de Galaxy Express, 1000 Nen Joou é uma série bem animada, e com muito boa produção para a época. A história parece intrigante q.b. e como inclui mais eventos que o filme a experiência de vê-la consegue ser fresca e empolgante. Ao contrário de Galaxy Express, a acção desta série passa-se (até agora) sempre na Terra e a ameaça, a proximidade extrordinariamente perigosa de La Metal, é sobre a Terra.

Ir passando a informação fulcral aos poucos é uma boa forma de manter o espectador ligado à série, vamos ver como se desenvolve.

Queen Millenia (TV) - ANN

RAW

7.7.14

Comecei a ver: Gankutsuou


Na realidade comecei a ver Gankutsuou muito antes de Sailor Moon Crystal, mas queria ver alguns episódios antes de me pronunciar aqui. Simultaneamente também comecei a ler, é caso para dizer finalmente, O Conde de Monte Cristo, o que se tem tornado fulcral no visionamento desta série. Gankutsuou é simplesmente uma adaptação do conhecido romance de Alexandre Dumas. Mas de simples esta adaptação não tem nada e daqui resultou uma das séries anime mais originais que já vi.

Comecemos pelos gráficos. Gankutsuou apareceu numa época em que se experimentava muito com as novas tecnologias em 3D, em especial na fase da transição da pintura das imagens em acetato uma a uma à mão, para virem a ser quase exclusivamente coloridas em computador, um método mais rápido e eficaz, que permite a introdução de padrões e texturas mais fáceis de gerir. Já falei aqui nalgumas séries onde isso era evidente, ~ Ayakashi ~, ou Le Chevalier D'Éon, mas Gankutsuou é talvez o expoente máximo dessa fase de experimentação. Os cenários, um pouco à semelhança de Le Chevalier D'Éon mas menos realistas, são uma espécie de colagem de talhas, mármores, damascos, engrenagens rocambolescas e detalhes e objectos arquitectónicos reais, que lembram as pinturas de Gustav Klimt ou vitrais de catedrais góticas, e dão uma atmosfera onírica e surreal a todos os episódios, independentemente de onde a acção se passa, se no espaço ou num prosaico jardim. Esta conjugação que facilmente poderia falhar, é um regalo para os olhos e marca de uma forma muito original a conhecida narrativa de vingança. As personagens, com um traço relativamente reconhecível e simples, são pintadas com todo o tipo de texturas que se movem com elas e com alguma indiferença às mudanças de escala. No início custa um pouco a habituar o olhar nesta nova "gramática" de pintura animada, mas logo nos habituamos, pois a história é suficientemente cativante para que o trabalho artístico não se lhe sobreponha. Creio que se a história não fosse forte e bem estruturada, eu perdesse a vontade de continuar a ver, apesar de cada plano ser deslumbrante.

Se o aspecto gráfico de Gankutsuou é original, a equipa que produziu a série não se ficou por aí e em vez de fazer uma adaptação linear da história do Conde de Monte Cristo, como aliás muitas que já vi e gostei, resolveram mudar radicalmente o ponto de vista, retirá-lo ao Conde/Edmond e passá-lo para o filho do seu arqui-inimigo, Albert de Moncerf. Assim vamos descobrindo o plano de vingança do Conde através das suas potenciais vítimas e o Conde passa de vítima vingativa a vilão carismático. É sem dúvida uma reviravolta extremamente interessante que, tal como os gráficos, podia facilmente falhar, mas os argumentistas de Gankutsuou agarraram na sua decisão com punho firme e, para além de a narrativa correr rapidamente episódio a episódio, sem tempos mortos, têm sido coerentes e sólidos na mudança de ponto de vista. Mas não é apenas isso. Mantendo os nomes e locais (excepto um ou outro menos importantes) a acção passa-se num futuro incerto, num planeta que poderá ser a Terra com seres humanos e não-humanos. O espaço-tempo passa-se numa espécie de cruzamento de ficção científica com fantasia, que aliás justificam os cenários, as novas texturas e a paleta de cores invulgar.

Ambas as canções dos genéricos são insolitamente cantadas em inglês por um senhor com nome francês, Jean-Jacques Burnel. A voz dele lembra vagamente a de Damon Albarn dos Blur e as canções facilmente poderiam ser baladas da banda anglo-saxónica. É estranho, mas a melodia cola-se bem ao tom melancólico da história, os genéricos são bonitos e elaborados e de todo o conjunto é talvez o elemento mais banal.

Mal posso esperar para ver como se desenvolve a história, mas também quero ir novamente buscar O Conde de Monte Cristo à biblioteca, pois tive de o devolver quando ia a meio (é um calhamaço, um calhamaço que se lê bem, mas um calhamaço!). Estava a correr bem fazer as duas coisas ao mesmo tempo e o livro ajuda-me a manter-me a par de um leque enorme de personagens e de uma intriga bem rebuscada.

巌窟王

5.7.14

Comecei a Ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal



Sendo toda a série de Sailor Moon (manga, anime, live-action) uma das que mais me marcou no meu percurso como fã de anime e manga, não podia perder a estreia da Sailor Moon Crystal, a mais recente adaptação da manga para anime.

Felizmente tenho conseguido manter-me longe de spoilers, acho que pouco passou para o público e, com o primeiro episódio acabadinho de ver, vou deixar as minhas primeiras impressões. Afinal termo de comparação não me falta!

Ao ver os primeiros segundos, a primeira coisa que pensei foi: "sofisticado". Sofisticada é a palavra perfeita para descrever o tipo de produção que esta 6ª série de Sailor Moon recebeu. Apesar de adorar as séries antigas, havia muitos episódios de encher e a animação às vezes era muito trôpega. Actualmente, em que há mais séries bonitinhas, que com conteúdo, isso não se justifica, portanto tais erros seriam imperdoáveis. Não me parece que isso venha a acontecer. A segunda coisa que me chamou a atenção foi a banda sonora. As canções não são nada más e relembram bastante as antigas. A banda sonora propriamente dita é também mais sofisticada, menos música electrónica barata (mesmo que bonita, continua a ser barata) como nas séries antigas, e com coro e orquestra!

O ambiente lembra simultaneamente a manga e a 1ª série, mas puxa mais para a manga, assim como o character design. O character design parece quase directamente tirado dos desenhos de Naoko Takeuchi, mas mais limpo e a cores. Os cenários têm cores um pouco mais vivas que na série original, mas também não fogem à paleta de cores da manga.

Quanto à história do primeiro episódio, é tal e qual a manga, até inclui os sonhos do Moon Kingdom e o Mamoru aparece a primeira vez de smoking, exactamente como na manga.

Até agora parece que a minha expectativa de ser mais próxima da manga se concretizou nesta série e se se mantiver assim tenho a certeza que vou gostar, pois sempre gostei mais da narrativa da manga. Sailor Moon Crystal nunca vai ocupar o lugar das outras séries, mas não tenho dúvidas que irei acarinhá-la como acarinhei Pretty Guardian Sailormoon.

アニメ:美少女戦士セーラームーン20周年プロジェクト公式サイト

23.6.14

Non Gou & Andromeda Promethium

Non Gou, Majokko Meg-chan | La Andromeda Promethium, 1000 Nen Joou
Há algum tempo que não fazia aqui um post sobre cosplay, mas desde então tenho ido a alguns eventos e dois fatos novos. Continuo a seguir a política de 1 fato por ano, pois a carteira não permite mais.

O ano passado no Verão fiz a 2ª versão do fato de Non Gou (Nádia), de Majokko Meg-chan (Bia, a Pequena Feiticeira), cuja 1º versão foi o meu maior falhanço em termos de cosplay. As razões foram muitas, mas resumindo a época em que o fiz, anos 90, foi errada: perucas, ainda por cima azuis, nem imaginá-las e eu tive a ideia macarrónica de fazê-la novamente em lã (a de Black Lady resultou pois tinha os totós e eu fiz uma touca) e devo ter parecido uma Non de trapos. Também houve outros precalços, que aliás até desta vez tive dificuldade em ultrapassar alguns, um deles a pintura facial branca, que para mim é um sacrifício. Como insisto em estar o mais confortável possível, o fato da Non, pelas razões menos óbvias, acaba por ser um dos meus fatos mais desconfortáveis.

Por outro lado, o meu mais recente fato, Andromeda Promethium, de 1000 Nen Joou, de Leiji Matsumoto, é um dos meus fatos mais confortáveis, também pelas razões menos óbvias. Apesar da peruca de 1,5m e 660g de peso, como fui aprendendo a prender bem as perucas (= maior conforto), consegui fazer a coroa bastante leve e que permanecesse segura um dia inteiro na minha cabeça, como o vestido é comprido e de malha, pude usar os sapatos que me apeteceu (no caso as minhas sandalechas, estilo Birkenstock, todo-o-terreno) e chegar ao fim do dia com um cansaço mínimo.

Sim, fazer cosplay não é confortável, basicamente passam-se muitas horas em pé, nem sempre com os sapatos mais confortáveis ou com roupa constrangedora ou pouco adequada à temperatura local. Já para não falar nas perucas, que às vezes podemos estar um dia inteiro com uma peruca de 1,5m e não nos sentir muito incomodados, ou outras vezes passarmos umas horas com uma peruca curtinha e só sentir comichão e calor na cabeça... Mas a diversão de enfiar uma fatiota fora do vulgar, que saiu das nossas mãos e olhar-mo-nos de relance numa vitrine ou espelho e reconhecermos a personagem é do mais recompensador que há!

Aos eventos, vamos por partes.

Asian Culture Party
Em Julho do ano passado fui a este evento convidada como jurada de dois concursos de skits de cosplay, um individual e outro de grupo, e também porque foi num local que tinha curiosidade em ver, num pavilhão na Cidade Universitária. No primeiro dia levei o cosplay de Tsukikage-sensei, que como o tempo estava chocho provou ser uma boa opção (mas fui de ténis - a vantagem dos vestidos compridos), mas no segundo não levei o da Non, que estava praticamente pronto, fui à civil, pois a peruca chegou, Lei de Murphy, na segunda-feira seguinte. Típico.
O evento tinha boas condições mas foi chocho. A entrada não era cara, mas desiludiu um pouco quem ia lá atrás do título, pois basicamente foi um evento de anime (Japão) modesto com Gangnam Style (Coreia) aos berros nos altifalantes. A organização era esforçada e simpática, mas talvez tenha sido demasiado ambiciosa.
Soube há pouco que este ano é mesmo perto de minha casa, mas no mesmo dia do AniFest... que já foi anunciado há meses. Sem comentários.

AniFest
Em Setembro foi a primeira edição do AniFest em que fui mais uma vez jurada do concurso de cosplay ECG. Estreei o cosplay de Non, mas a temperatura ainda estava demasiado alta para tanta roupa e a cara branca. Resultado: apesar de ter adorado toda a experiência, partilhado a mesa do júri com a Asheria, excelente cosplayer portuguesa, e a Shappi, uma cosplayer incrível da Polónia, que para além de talentosa é amorosa, acabei por passar grande parte do dia fechada nos camarins com o ar condicionado no fresquinho e não ter usufruído de grande parte do evento.
Mas no dia seguinte fui à civil e aproveitei vários workshops, um genérico sobre cosplay da Ana Isabela e um muito esclarecedor sobre armaduras da Shappi.
O ambiente no evento, cheio de actividades e com a adicional de convidados estrangeiros, era muito bom e animado e achei tudo bastante bem organizado. Este ano há mais e mal posso esperar!

Winter Cosplay Ball
Em Dezembro finalmente foi organizado um "baile" de cosplay, coisa que desejava há algum tempo. A APC, Associação Portuguesa de Cosplay, junto com um "salão de jogos", a X-treme games, organizou o que era mais uma festa com traje obrigatório cosplay ou formal. Levei o meu fato de Yuuko, pois como é bastante natalício e por ser de veludo, achei adequado para uma festa assim.
O espaço, apesar de pequeno e lhe faltar qualquer tipo de charme digno da palavra "baile", é mais estilo garagem, foi perfeitamente adequado ao tipo de festa que resultou e foi uma excelente oportunidade para conviver com outros cosplayers sem mais elementos que pudessem distrair. Fora a escolha musical, para mim pouco interessante, a festa foi um sucesso, conheci imensa gente simpática nova, convivi com mais gente simpática que já conhecia e diverti-me muito. Este evento ainda teve a vantagem de ser suficientemente perto da minha casa para ir a pé. Espero que haja nova edição este ano.

Cosplay Photoshoot #11
Novamente em sábado de Carnaval fui ao Parque das Nações ao Photoshoot. Levei o cosplay de Non, já com alguns alívios, graças a muita pesquisa e algumas ££, e soube lindamente tentar encarnar uma personagem que tem poses e não precisa estar com um ar demasiado sério ou zangado.
O que faz a diferença neste evento todos os anos, para além de um fato diferente, são os cosplayers com quem calha acabarmos por conviver. Mais uma vez conheci gente nova, na maior parte das vezes são as personagens ou alguma característica dos fatos que servem para quebrar o gelo. Nesse aspecto o cosplay gera um convívio fácil, calculo eu, até para a pessoa mais tímida.
Este ano repetiu-se a after-party, desta vez uma espécie de reprise mais descontraída do baile de Inverno na X-treme Games. Foi bom, mas uma bela canseira!

Festa do Japão
Acho que não mencionei antes, há quatro anos que se organiza em Lisboa, no jardim das Sakuras em Belém a Festa do Japão. No primeiro ano não fui, nem sei porquê, mas a partir do segundo ano, e porque percebi que havia algum destaque ao cosplay, fui sempre até agora. Estreei lá o fato dos corações da Hokuto Sumeragi (Tokyo Babylon), o ano passado fui de Tsukikage-sensei e este ano estreei a Andromeda.
A Festa do Japão é mais multicultural, tem vários espectáculos em palco, dança, música, artes marciais, cosplay, e ainda bancas, cuja minha preferida é a dos livros em 2ª mão. Já lá achei uns tesourinhos! Também há bancas de comida, o meu tirar a barriga de misérias anual de takoyaki.
Este ano foi especial por reencontrar um velho amigo destas andanças do anime, o Tetsuo Ogata, do Club Otaku. Também foi especial por o test-drive da minha coroa, que tanto trabalho deu, ter sido um sucesso, até quando me abaixava ela não saiu do lugar. Só não experimentei fazer headbanging ou andar aos pulos, mas convenhamos... seria off-character!

Podem ver as fotos que fui tirando nesses eventos nas minhas galerias do Google (Asian Culture Party, AniFest, Cosplay Photoshoot #11, Festa do Japão 2014).


Cidade Universitária, ETIC, X-treme Games, Parque das Nações, Belém

24.2.14

Andersen Dowa Ningyo Hime

Encontro sempre nos animes dos anos 70 um charme que já desapareceu. Nem é por uma questão de nostalgia que os vejo, simplesmente aprecio mais a sua estética e linguagem cinematográfica mais directa. A sua produção era abordada simplesmente como um entretenimento e não como uma obra de valor artístico ou monetário, o que lhes dá uma simplicidade muito cativante.

Andersen Dowa Ningyo Hime, ou seja a Contos de Andersen, A Pequena Sereia, de 1975, é, dentro das adaptações de contos ocidentais dos anos 70 que já vi, das obras mais conseguidas. Os outros que vi são Hakuchou no Mizuumi (O Lago dos Cisnes) e Sekai Meisaku Dōwa: Oyayubi Hime (A Polegarzinha - que nunca comentei aqui). Primeiro o filme não desvia muito do conto original (de que sou fã desde pequena), coisa realmente desnecessária - em equipa ganha não se mexe - os contos de Hans Christian Andersen já são extremamente dramáticos e visuais por si só, não precisam de glitter. Apesar disso não desgostei do final feliz da versão da Disney e a Pequena Sereia ainda é o meu filme Disney preferido da era moderna.

Voltando ao Japão, a estética clássica da Toei pelas mãos mais que talentosas de Shingo Araki (eu sabia, eu sabia!) alia-se a uma animação impecável para a época, num filme onde não há a estranheza de uma animação muitas vezes arcaica ou "parada" das séries para TV. Não é só o character design que é lindíssimo, a animação, como já disse, é muito boa e os cenários deslumbrantes. O fundo do mar é escuro e algo lúgubre, o que nos ajuda a reforçar a ânsia de Marina (Ariel é invenção da Disney, no conto de Andersen a sereia não tem nome) em ver o céu e a superfície da terra, cheio de navios naufragados ou construções de búzios espiralados. Por seu lado, a terra é solarenga e parece tirada das ilustrações de um livro de contos ocidental. Mesmo assim, nenhuma das construções, submarina ou terrestre é monumental ou avassaladora, são suficientemente luxuosas e acolhedoras para espicaçar a curiosidade do espectador comum e deslumbrar uma criança japonesa dos anos 70, para quem qualquer coisinha ocidental teria parecido exótica.
Quando Marina vem à superfície pela primeira vez.
A história em si desenrola-se rapidamente mas de modo equilibrado, afinal o filme tem apenas uma hora, sem desperdiçar tempo em subterfúgios ou sentimentalismos lamechas. Quem fez a adaptação do conto respeitou-o no seu dramatismo algo cruel, que aliás caracteriza quase todos os contos de Andersen. Gostei da presença quase constante da Bruxa, como uma sombra, enquanto que apenas tem duas cenas curtas em que participa activamente, brrr, é sinistro. Apenas dispensava o "golfinho amiguinho", mas optando por excluir a narração em off, Marina precisava de "alguém" para interagir, portanto é um mal necessário e os japoneses adoooram uma mascote!

Ao ver este filme tive uma vaga sensação de familiaridade, portanto é provável que o tenha visto quando era miúda, mas não tenho memórias concretas e a adaptação que mais me lembro da Pequena Sereia era um filme de um país de leste, talvez checo, que passou no Vasco Granja e que tem semelhanças estéticas com este. Sou parcial na minha leitura deste filme pois é o meu conto de Andersen, o meu escritor de contos infantis preferido, favorito e Shingo Araki é um dos meus heróis. Digo "é", pois apesar de já ter morrido, estou longe de ter visto toda a sua obra. Ah, as sereias deste filme não usam soutien! Eu sei que é por uma questão de classificação etária, etc., etc., mas sempre achei que soutiens em sereias são um anacronismo. O mais engraçado é que apesar de não ser frequente, não houve uma preocupação exagerada em tapar as maminhas de Marina e temos o ocasional mamilo à vista. Quando pensamos nos tempos passados como épocas pudicas e depois vejo um filme destes, que mostra maminhas sem as sexualizar, pergunto-me se os tempos pudicos não serão agora.

Andersen Dowa - Ningyo Hime - ANN

9.1.14

Kirarin Revolution

Mais um post acerca de um anime a passar no Panda, mas prometo que o próximo é bem diferente.

Não apanhei a "primeira" série de Kirarin Revolution no Panda, o que na realidade significa que não apanhei os primeiros 40 e tal episódios, pois trata-se de uma só série. O Panda costuma dividir as séries mais longas, provavelmente por questões comerciais e de programação, fazem-no com One Piece, etc., só não o fizeram com Sailormoon, que na realidade está mesmo dividida em 5 séries...

Kirarin Revolution é um anime shoujo, para raparigas pré-adolescentes que aborda o algo raro tema das idols. É estranho, num país onde a cultura pop depende quase exclusivamente das idols, haver tão poucas séries de anime dedicadas a este tema. Como tal, Kirarin Revolution está cheia de canções em estilo J-Pop puro, levezinho e cujas letras têm a densidade do ar. Mas as canções, apesar de tudo, são engraçadinhas e conseguem evitar ser irritantes.

A história é quase tão densa como as letras das canções, conta uma história básica de uma adolescente despistada que se apaixona por um ídolo e quer tornar-se ela também ídolo para poder estar com ele. Apesar do potencial para uma daquelas séries clássicas shoujo onde a protagonista está constantemente a ultrapassar os seus limites, chegando a capacidades quase sobrenaturais que envolvem um grau elevado de sacrifício, principalmente pessoal, Kirarin falha nisso tudo e a série é tão fútil como a motivação da protagonista, que passa os 150 e tal episódios dividida entre os dois cantores do duo Ships. Se fosse só isso em 20 a 40 episódios, tudo bem, mas para o esticarem por 150 e tal, o que significa cerca de 3 anos no ar (no Japão), é demasiado e resulta em imensos episódios de encher, sem conteúdo e pouco interesse para a narrativa principal, já de si fraca.

O character design e o artwork não são dos meus preferidos, os olhos ocupam 80% da face, cabelos com demasiadas linhas e pouco movimento e cabeças desproporcionalmente grandes. Mas não é mau e consegue ser consistente durante quase toda a série. Digo quase pois aqui está o grande motivo deste post. A dois terços da série o acabamento muda da tradicional animação com acetatos (apesar de certamente pintados digitalmente) para um 3D mal acabado. Aplicado a 95% da animação.Este 3D faz lembrar o software dos Vocaloids e mostra o esforço de o anime mais comercial utilizar as novas tecnologias que embaratecem a produção. Não desgosto da ideia, mas acho que no exemplo de Kirarin ainda tem muito que evoluir, criando por vezes imagens distorcidas e na maioria dos casos pouco interessantes. Os character designers têm primeiro que se adaptar às condicionantes do software e limpar aspectos que são, para todos os efeitos, erros técnicos. A animação, principalmente das coreografias resulta muito bem e nota-se que houve mais cuidado nela que no restante. Se a história fosse melhorzinha este experimentalismo passava, pode ser que em breve vejamos estas novas técnicas aplicadas com mais cuidado.

Curioso o papel das mascotes, em geral gatos que são só orelhas mas têm cursos universitários, que comunicam com as personagens humanas e até chegam a ter elas prórpias mascotes!

Kirarin Revolution é uma série de anime que se vê como quem folheia uma revista cor-de-rosa num dentista ou cabeleireiro, é um anime para ver e jogar fora. É pena, gostava de ver mais séries com este tema das idols musicais e do J-Pop.

きらりん☆レボリューション

Canal Panda

20.9.13

Heroes of Cosplay



Quando ouvi falar da série do Sy-Fy Heroes of Cosplay fiquei de antenas no ar. Por mais que deteste reality shows, um acerca de um dos meus passatempos favoritos, tinha que ver. Já escrevi a minha primeira reacção (em inglês) num journal no meu DA [It's Just a Silly Show] onde manifestei o meu choque pelas reacções violentas de ódio que senti pela internet. Cerca de quatro semanas depois ainda defendo o meu ponto de vista.

Heroes of Cosplay é realmente apenas tolinho, altamente ensaiado e não pretende mostrar o que realmente é o cosplay para a maioria dos cosplayers. Apenas é um reality show onde só interessa o drama, com gente espampanante de preferência. Querem gente mais espampanante que os cosplayers? Só mesmo travestis. O programa foca-se essencialmente em concursos, que é apenas um lado do cosplay, o lado que uma minoria escolhe. A escolha do elenco incidiu essencialmente num grupo de pessoas que já se conheciam entre si, com graus diferentes de aptidões e de reconhecimento na comunidade americana. Pelo que deu para perceber, poderiam ter sido estas pessoas ou outras quaisquer, desde que preenchessem os requisitos para cada "personagem". Sob o filtro da montagem agressiva que nos dá muito provavelmente uma imagem errada das pessoas, então vamos a eles:

Yaya Han, a grande vedeta do programa, uma cosplayer bem conhecida (eu já a conhecia - não pelas razões certas - boobs!) que tem um negócio derivado do cosplay. No programa ela passa como a "rainha", a grande autoridade do cosplay que na maioria dos episódios é júri nos concursos. Para mim ela é boa cosplayer, tem fatos muito elaborados e bem executados, usa materiais caros, rodeia-se de bons fotógrafos e tem disponibilidade para fazer sessões de fotografia profissionais. Embirro com o facto de ela valorizar demasiado a sua identidade em detrimento de uma certa fidelidade ao design original. Um exemplo é o fato de C.C. de que prefiro muito mais a versão da cosplayer portuguesa Ureshii (na imagem).

Ricky LeCotay, cosplayer com uma vertente de construção e moldagem forte que quer vingar no meio dos efeitos especiais. Passa como a profissional dedicada e vê-se bastante a construir os fatos apesar da ajuda ocasional do namorado/marido. Achei-a boa cosplayer, em geral gostei das personagens escolhidas e o fato de Rocketeer encheu-me as medidas! Muito bem escolhido, muito fiel ao design original (da banda-desenhada) e muito bem feito.

Monika Lee, talvez a mais novinha, discípula de Yaya Han, tem jeitinho mas raramente se vê a fazer seja o que for. Passa pela "bitch" de serviço, é a única que nunca tem nada de agradável a dizer. Gostei dela como cosplayer, é bonitinha, gostei inclusive das escolhas de fatos, não gostei da atitude mas acho que tem bom potencial como cosplayer. Talvez se não perdesse tanto tempo a falar dos outros a qualidade geral melhorasse.

Viktoria Schmidt, uma cosplayer mediana. Passa como a calona de serviço que não faz nenhum, atrasa-se sempre e acha que tem potencial para ser muito boa. Detestei as escolhas dela, achei que a abordagem dela era fútil e pouco esforçada e sobrevaloriza o próprio potencial. Os fatos eram mal executados, a grande maioria do trabalho era feita pelo namorado, que era tratado como escravo para todo o serviço. Estranhamente, fora do primeiro plano do programa achei que os cosplays dela eram melhores, talvez não fossem feitos por ela.

Chloe Dykstra, apresentadora de um programa no Nerdist chamado Just Cos. É apresentada como a "newbie" que não percebe nada do assunto e que tem uma visão idealista dos concursos de cosplay. Gostei dela por duas razões, é filha de John Dykstra, um nome que conheço há mais de duas décadas por ser um dos criadores de efeitos especiais em Star Wars e não só, e pela sua atitude desprendida. Apesar de passar pela deslumbrada boazinha, vê-se que sabe o que anda a fazer e escolhe bem as personagens. Não percebi porque, depois dela ter feito o fato de Lydia Deetz a colocam a "lutar" com a máquina de costura (da Hello Kitty ) no 5º episódio. Cronologicamente não faz sentido e duvido que ela não saiba costurar.

Jessica Merizan e Holly Conrad, são uma dupla de cosplayers que também tem um negócio de "prostethics" em conjunto. São apresentadas como a equipa que se desentende sempre e depois falha por causa disso. Apesar de terem um estilo completamente diferente do meu até achei que elas funcionam bem como equipa e que os resultados, embora algo atabalhoados, são bons.

Becky Young, cosplayer mediana. É apresentada como a "underdog" com falta de amor próprio, a desgraçada que é mal tratada por todos e considerada uma parvinha chorona. Tem dificuldade com grandes adereços e insiste em fazê-los, ou mandar o colega de quarto fazê-los, mas é esforçada, desenrasca-se bem na costura e tem um bom desempenho em palco.

Jess Lagers, o único homem e claramente um adepto do steampunk, quer vingar nos concursos de cosplay. É mostrado como o artista frustrado que gasta o que tem e o que não tem para os concursos de cosplay e nunca ganha nada. A nível de adereços e grandes peças pareceu-me que o trabalho dele não é mau, mas no último programa percebe-se bem que o nível de costura dele é muito fraco, cose torto, utiliza linhas de cor contrastante onde não fica bem e faz outros erros básicos de costura.

O programa mostra um lado muito exagerado do cosplay, focando-se nos concursos, menosprezando o que eles chamam "floor cosplay", cosplays que não vão a concurso, e deixando-nos de água na boca para ver alguns cosplays com muito bom ar que passam de raspão pelo écrã. Os gráficos que nos mostravam a "transformação" dos cosplayers nas personagens eram muito manhosos, teria sido preferível não tentarem fazer um efeito-todo-especial e fazerem algo mais interessante como uma mini sessão de fotografias. Aparentemente a cenourinha dos concursos americanos são prémios em dinheiro, por cá quando muito ganha-se um vale de compras dum patrocinador qualquer ou, no caso das eliminatórias dos concursos internacionais, alojamento e viagem à borla para os concorrentes vencedores - eu acho. Não estranhei haver tanto destaque para fatos de comics ou filmes de Hollywood ou mesmo para jogos, estranhei haver tanto desprendimento no juízo de cosplays originais ou variantes "criativas" de designs existentes. Para mim cosplays originais são um contrasenso, mas não me vou alargar nisso. O certo é que ambos são colocados ao mesmo nível nos concursos americanos o que me leva a questionar os critérios de pontuação. Por cá os cosplays originais não são permitidos na maioria dos concursos. Tive alguma pena de haver poucos cosplays baseados em anime, mas era previsível. Também estranhei a maioria dos concursos não ter skit (cá são quase fundamentais), portanto apenas os fatos são avaliados. Certamente que cada convenção/concurso tem as suas regras próprias e muito mais critérios que os que nos são mostrados, mas pelo menos para isso serviu Heroes of Cosplay, para vermos o que motiva os cosplayers americanos que têm claramente um estilo diferente dos europeus e dos asiáticos.

Para exacerbar o drama, os cosplayers são mostrados a começar fatos algo elaborados nas vésperas das convenções, muito improvável, a empenharem as suas vidas pessoais e económicas pelo cosplay e a arriscarem a sua saúde em nome do espectáculo, pouco saudável. Claro que um reality show que não incluísse tudo isto seria aborrecido, mas preferia que o programa tivesse focado mais na parte da construção, e menos no drama. Talvez o tiro lhes tenha saído pela culatra, pois nos programas finais mostraram a maioria a ganhar qualquer coisa e todos muito amiguinhos num final feliz cheio de corações.

Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo e isso viu-se fora do écrã. O vestido do Tron de Viktoria é originalmente da designer de moda Betsey Johnson, houve várias violações de direitos de autor por parte do Sy-Fy, utilizando fotografias sem a autorização dos fotógrafos e ainda menos sem lhes pagar os direitos, alguns intervenientes sentiram a necessidades de se retratar publicamente após a emissão do programa, etc.. Isto leva-me ainda mais a questionar a seriedade com que o programa foi feito, pois em geral pareceu-me produzido muito em cima do joelho, muito no desenrasca, pouco profissional e dependendo quase inteiramente dos cosplayers para animar a coisa. Quase parecem algumas convenções em Portugal... Sendo claramente um programa barato e sem grande produção, pergunto-me se não seria preferível não o terem feito. Era para encher chouriços? Sem dúvida!

Não deixando de achar Heroes of Cosplay um programa fútil e pouco representativo do que é o cosplay para a maioria dos adeptos, acho o saldo positivo, deu para aprender uma coisinha ou duas, é interessante ver como as coisas são encaradas do outro lado do oceano e praticar o lado voyeur de cada um de nós, que aliás é o que em geral nos leva a ver reality shows. Outra coisa que deu para perceber é que o nível dos cosplayers portugueses é, em geral, mais alto que o dos americanos, o que nos falta são os meios para fazer o que eles fazem, mas o talento está cá.

Agora a questão levanta-se: será que vai haver nova temporada? Se houver, será que se mantém o elenco? Veremos...

Heroes of Cosplay

apesar de termos o canal Sy-Fy, Heroes of Cosplay só passou nos Estados Unidos...

6.9.13

Jewelpet / Jewelpet Twinkle / Jewelpet Sunshine

Em geral estou sempre de olho nas séries anime que passam no Panda e no Panda BIGGS, onde quase por norma passa sempre um mahou shoujo muito direccionado à comercialização de merchandise. As várias séries de Jewelpet são disso exemplo mas nem sempre parecem ser as mais eficazes.

Gostei muito da primeira série, Jewelpet, em que vi semelhanças com Onegai My Melody (também da Sanrio), que aliás adorei. Nesta série são nos introduzidas as Jewelpets, o produto de merchandise da série, e a grande protagonista, Ruby. Como o nome indica, as Jewelpets são mascotes fofinhas associadas a uma pedra preciosa que fazem magia. Às vezes o nome da Jewelpet é indicativo da pedra, Ruby, Garnet, Saffy, outras é menos óbvio, como Diana. Em japonês diamante soletra-se "da-i-a-mo-n-do" e Diana "da-i-a-na", portanto é uma daquelas associações de ideias muito japonesas. Nesta primeira série o mundo dos humanos desconhece a existência das Jewelpets e de Jewel Land, mas facilmente as aceita como se não fosse nada de extraordinário. Vejo aqui inspiração directa em Pokemon, mas mais direccionado para raparigas. Aqui as Jewelpets associam-se a um ser humano que em geral necessita do poder da respectiva Jewelpet. Ruby, cujo poder é a coragem, associa-se a Ringo a quem falta coragem. Para além disso há uma linha narrativa de conquista de poder através do mal com a possibilidade do fim do mundo, que Ruby tem a a missão de combater. A série passa-se metade em Jewel Land e metade no mundo dos humanos.

O character design dos humanos é bonitinho, moderno e simples, sem ser demasiado cor-de-rosa ou cheio de folhos e lacinhos. As personagens são simpáticas e as histórias compensam o excesso de "fofura" das Jewelpets. É uma série que se vê bem, é gira e engraçada e, se o merchandise existente nas lojas portuguesas fosse mais bem feito e engraçado, talvez servisse bastante bem a sua função.

Jewelpet Twinkle não é bem uma continuação da primeira série mas um spin-off, uma variante. As Jewelpets e as regras de Jewel Land mantém-se sensivelmente as mesmas, mas há uma mudança algo confusa nas personagens humanas. O character design é pior, mais rebuscado e menos interessante, com o tal excesso de folhos e lacinhos que não tinha na série anterior. Os nomes de algumas personagens mantém-se e quando isso não acontece é o character design que emula o da série anterior, aliado a personalidades a semelhantes. Torna-se confuso pois o universo alterou-se, agora as Jewelpets já fazem parte do quotidiano e os humanos têm a possibilidade de estudar magia em Jewel Land (uma possibilidade inédita e rara na série anterior), mas aparentemente as personagens humanas são as mesmas e não o são. E portanto é melhor não pensar nas duas séries em continuidade. Esta série passa-se 75% em, Jewel Land e o tempo no mundo dos humanos corre muitíssimo mais devagar, podendo as raparigas ficar descansadas quanto à sua ausência.

Surge uma sub-narrativa de um drama de gémeos (humanos) separados e da possibilidade da destruição através do excesso de magia negra. Os vilões agora são humanos e não Jewelpets. Fora um ou outro detalhe, a série é muito mais fraca que a anterior e as incongruências são demasiadas.

Jewelpet Sunshine melhora um pouco mas não o suficiente. É mais uma vez um spin-off, o character design volta a ser mais apelativo mas continua a emular os anteriores e volta a surgir a sub-narrativa dos gémeos separados. Desta vez não há um grande vilão prestes a destruir o mundo, apenas uma série de episódios no final que trazem um desequilíbrio na magia. Ao contrário das séries anteriores, agora os humanos não fazem magia mas estudam internos em Jewel Land como se fossem estudar para o estrangeiro. Nada demais. Achei imensa piada às duas Jewelpets mais fofinhas, Labra e Angela serem mas mais subversivas, aparecendo com armas pesadas, a citar o Easy Rider e Angela transforma-se em mota e vence corridas com a rebelde Shouko (uma humana). Esta série passa-se 95% em Jewel Land e o tempo corre ao mesmo ritmo em ambos os mundos.

A cada série vão sendo introduzidas novas Jewelpets, à laia de colecção (mais uma semelhança com Pokemon)  e algumas outras personagens. Há Jewelpets que vão ganhando ou perdendo protagonismo conforme a série, tal como Diana, a grande vilã da primeira e mera figurante na terceira. Em Jewelpet Sunshine também são introduzidas personagens antropomórficas que não têm poderes mágicos. O professor Iruka, um golfinho, um gorila, uma cabra, um mosquito... Mantém-se a Rainha Jewelina, a mãe/deusa das Jewelpets.

Há mais duas séries Jewelpet, Jewelpet Kira☆Deco—!Jewelpet Happiness. Se passarem no Canal Panda depois digo de minha justiça. Das três primeiras recomendo Jewelpet, dispensava Jewelpet Twinkle e veria Jewelpet Sunshine para passar o tempo, pois tem algumas coisas com piada.

Não tenho noção do sucesso das séries entre o público-alvo, dá-me a sensação que em Portugal não serviram a sua função de vender merchandise, talvez por o mesmo ser muito foleiro. Mas não deve ser a série de anime mais marcante que já passou neste canal. Com certeza!

ジュエルペット-宝石の目をもつ33匹のペットたち!|セガトイズ
Jewelpet
TVO テレビ大阪: ジュエルペット 宝石の目をもつ33匹のペットたち!
Jewelpet Twinkel
テレビ東京・ジュエルペット てぃんくる☆
Jewelpet Sunshine
テレビ東京・あにてれ ジュエルペット サンシャイン

Canal Panda

4.9.13

Panty & Stocking with Garterbelt

Esta é a série anime mais desbragada que já vi! De todos os animes mais "fora" ou subversivos que tentei ver até agora, aparentemente apenas Panty & Stocking with Garterbelt foi aquela que pegou. O primeiro que tentei ver foi Oh! Super Milk-chan mas o mais que consegui arranjar foram uns meros clips. Mais recentemente tentei ver Mach Girl, da qual só encontrei o primeiro episódio. Mas o nome Gainax certamente pesa, pois consegui ver Re: Cutie Honey, que aliás adorei. Novamente o peso do nome Gainax faz-se sentir e Panty & Stocking caiu na boca do povo. Mas o facto não deixa de ser intrigante.

Panty & Stocking é do mais subversivo que vi até à data, juntando um character design mais colorido e estilizado, a fazer lembrar as Powerpuff Girls e outras séries de Genndy Tartakovsky para a Cartoon Network, a uma narrativa debochada, sexualmente explícita e sem vergonha absolutamente nenhuma, o que é, no mínimo, surpreendente. Como sempre gostei de coisas subversivas e sempre me deparei com a incompreensão ou falta de apelo à maioria das pessoas, pergunto-me o que, para além do nome Gainax e um character design brilhante, que grita para eu fazer bonecas de papel, tornou a série tão popular. Séries subversivas, sejam elas anime ou outro estilo, tendem a ser quase sempre séries underground ou de culto e raramente passam daí. Os seus fãs são fiéis, mas poucos.

Isto leva-me a outra questão. Foi o cosplay que me despertou a atenção para esta série. Houve uma altura em que em qualquer evento havia sempre alguém de Panty, Stocking ou outra personagem da série. Claro que não é só isso que me leva a ver uma série, ao pesquisar percebi que era bem capaz de gostar e realmente é raro a Gainax nos oferecer algo menos que bom. É verdade que muitas vezes o que me leva a ver uma série anime ou ler uma manga é o aspecto visual, e creio que estou longe de estar sozinha nisto. O que me faz continuar a ver ou a gostar já não é apenas isso, mas a narrativa, como está construída e como empatizo com ela e com as personagens. Se o aspecto visual e da narrativa estão equilibrados, isso faz essa série de anime entrar no meu top de séries que recomendo. Então voltemos à questão que me tem martelado na cabeça desde que comecei a ver Panty & Stocking: Será que os cosplayers da série a viram e têm verdadeira noção do que ela trata? Elas fazem dança de varão na transformação e usam roupa interior como armas! Para não falar nas diversas cenas a raiar a pornografia que entram em todos os episódios. Eu sei que cada vez há menos tabus sexuais e que os adolescentes são bem mais espevitados do que há 10-20 anos, mas P & S não é um anime fútil e tem mais camadas para além de uns gráficos coloridos e apelativos. Não consigo deixar de acreditar que parte dos cosplayers que veste fatos de Panty ou Stocking o faz com uma grande dose de ingenuidade e que outra parte o faz com uma dose de exibicionismo. Acredito que haja verdadeiros fãs pelo meio, mas também acredito que sejam uma minoria. Não digo isto com intenções de criticar as escolhas de cada cosplayer, mas conhecer e gostar da série e personagens retratadas em geral ajuda muito no resultado final e torna o passatempo menos fútil.


Para além do lado subversivo e dos gráficos coloridos, nota-se que Panty & Stocking é uma série com uma produção surpreendente, para além de a animação não falhar, a série alia diversos estilos gráficos. Primeiro temos o estilo gráfico principal, tipo Powerpuff Girls, nas transformações em anjos de Panty e Stocking surge um estilo mais anime tradicional, com proporções mais longinlíneas, traço fino e detalhes, estilo esse também usado sempre que as meninas seduzem alguém, e por fim, os fantasmas explodem em 3 dimensões, em stop motion como nos super sentais. Pelo meio aparecem às vezes outros estilos, por exemplo à South Park, e outros. Mama! Esse investimento, que implica técnicos com aptidões diferentes, demonstra que há um orçamento alto e uma produção rigorosa e cuidada.

A série tem um ritmo muito acelerado, bem reforçado por uma banda sonora synth-pop, cujo genérico inicial é da autoria de Taku Takahashi, dos m-flo, episódios curtos (cada episódio tem duas histórias) e uma linha narrativa base muito simples. Elas são anjos caídos e têm de reunir suficientes moedas celestiais para voltar ao céu. Achei piada cada episódio ter um título que é uma citação de algum filme, série, música ou outro aspecto da cultura pop bastante conhecidos: Death Race 2010 (Death Race 2000, no original), Sex and the Daten City, Catfight Club, Pulp Addiction, High School Nudical, com gráficos a condizer e participações especiais de personagens dos filmes de Robert Rodriguez, Quentin Tarantino e afins. Muito bom!!

D City Rock - We are Angels [Anarchy] - TeddyLloyd ft. Debra Zeer

Panty & Stocking with Garterbelt - Gainax.net
Panty&Stocking with Garterbelt -パンティ&ストッキングwithガーターベルト

29.8.13

Ginga Tetsudo 999: Eien no Tabibito Emeraldas

Aos poucos vou encontrando e vendo filmes ou episódios aleatórios do vasto universo de Leiji Matsumoto. Desta vez foi um episódio especial de Galaxy Railways, ao que sei uma segunda versão de Galaxy Express 999.

Este episódio, aparentemente uma versão alargada do episódio 22 de Galaxy Railways, desvenda um pouco a relação entre Maetel e Esmeraldas. Como ainda estou longe de ter visto tudo o que há para ver destas duas, houve algo que me deixou confusa: Maetel e Esmeraldas não são irmãs? Apesar de o filme não ser muito esclarecedor, dá a ideia que ambas têm pouca intimidade, mas a informação para além de confusa é inconsistente, portanto é melhor não me debruçar mais nisso.

O filme/episódio especial em si não é particularmente interessante, a história está claramente fora do contexto e sem ter visto a série traz confusão ao espectador. Não sobrevive sozinha. A animação é mais rudimentar que dos episódios que vi de Galaxy Express 999 e o character design menos cuidado. Nota-se que é uma produção barata, talvez para encher algum espaço de programação sazonal e não faz justiça à obra de Leiji Matsumoto.

Apesar de fraco, mais uma vez algo que venha das mãos desse senhor, deixa-me com mais vontade ainda de ver o resto, nem que seja para preencher os espaços em branco.

Ginga Tetsudo 999: Eien no Tabibito Emeraldas - ANN

26.7.13

Code Geass - Hangyaku no Lelouch R2

Apesar de ter transitado quase de imediato da primeira para a segunda série de Code Geass, acabei por ver a segunda série mais lentamente que a primeira. No geral gostei mais da segunda, apesar de ser menos intensa, menos dedicada às personagens e com mais batalhas épicas. Como a vi mais espaçadamente, houve momentos em que o meu entusiasmo esmoreceu um pouco. Talvez não estivesse na disposição para ver uma série como esta ou então estes factores, aliados a menos disponibilidade, não ajudaram.

Houve realmente melhorias significantes de uma série para a outra, menos sentimentalismo, mas também menos intensidade de emoções. As canções de Orange Range e Ali Project já são bem mais adequadas a uma série épica, as Ali Project ficam sempre bem junto com a arte das CLAMP e as canções também me são bem mais agradáveis ao ouvido. Gosto das Ali Project e não desgosto dos Orange Range, apesar de não ser fã de nenhum dos grupos.

Senti que o character design degenerou um pouco, as caras deles parece que se tornaram um bocado triangulares, cheias de vértices (ah pois, um triângulo só tem três! XD), mas no decorrer da acção isso é pouco significante.

No meio de toda esta intriga política, familiar e guerras sem fim, houve duas ou três personagens que me chamaram mais a atenção, fora do círculo dos protagonistas. Uma é Viletta, que foi a única que personificou o desejo de paz de Lelouch e Suzaku, apaixonando-se e engravidando, para além de que é uma bad ass de primeira. Gosto! Também gostei bastante da Cornelia, que ao contrário da irmã Euphemia não é uma tontinha ingénua, mas uma mulher consciente das circunstâncias e suficientemente inteligente para mudar de opinião em prol das mudanças que enfrenta, decidida e generosa. Nunnally, que ao princípio parecia uma versão ainda mais débil de Euphemia, amadureceu e revelou-se mais esperta do que parecia. Já para não falar de C.C., uma feiticeira cheia de sentimentos humanos, por quem eu torci desde o primeiro momento.

O final de Code Geass - Hangyaku no Lelouch é bastante bom e coeso, não é apressado nem deixa pontas soltas onde não deve. Nota-se que toda a história foi bem desenvolvida e o final é mais que satisfatório e até emocionante na dose certa.

Este post até parece falta de entusiasmo, mas gostei muito destas séries, o facto de ter visto a segunda de forma muito espaçada e a ter terminado quase à força não influenciaram a minha opinião sobre a série, mas influenciaram a escrita menos entusiasta deste post. A grande qualidade de Code Geass é que apela a quem gosta de mechas e batalhas do mesmo modo a quem gosta de histórias épicas e emocionais. É um anime muito bem construído, lindíssimo, com personagens fortes e coerentes e de certa forma um híbrido novo que alia acção com romantismo, esbatendo as fronteiras do que os rapazes e as raparigas "supostamente" gostam.

コードギアス 反逆のルルーシュR2

2.5.13

Terminei de ver: xxxHOLiC dorama


xxxHOLiC já estava a derrapar, eis que surge Maya Kitajima! Bom, não é a Maya propriamente dita, mas sim Yumi Adachi, a actriz que interpretou Maya em Glass no Kamen (dorama, claro).

A segunda metade de CLAMP Dorama xxxHOLiC foca-se quase inteiramente na história de Watanuki com Jourogumo, a sinistra mas sedutora aranha, e é Yumi quem a interpreta. Se já tinha ficado impressionada com Yumi e Rio Matsumoto em Glass no Kamen, em xxxHOLiC ela salva literalmente a pátria! No dorama esta parte é uma condensação de várias histórias da manga para dar algo parecido a um fim à série, sem comprometer a sua possível continuação. As personagens de Himawari e Zashiki Warashi são fundidas em Himawari e são retirados os elementos mais sinistros de todo o tema de possessão que domina esta parte da narrativa. Não deixa de ser um tanto sinistro, muito graças a Yumi, pois é a sua interpretação adocicada e perversa que nos fazem esquecer os buracos na narrativa, a péssima interpretação de Shôta Sometani (Watanuki) e Karen Miyazaki (Himawari), o guarda-roupa a meia-haste e a decoração preguiçosa.

Em toda a série, fora Yumi Adachi, que está numa categoria completamente acima dos outros actores, Anne, como Yuuko, satisfez-me um tanto e a surpresa foi Masahiro Higashide como um Doumeki fascinante. Mas grande parte da minha insatisfação com os actores e suas interpretações também vem do modo como as personagens foram adaptadas para este dorama. A Yuuko falta imenso sex appeal, sentido de humor perverso, o lado bêbado politicamente incorrecto e um pouco de firmeza, a firmeza de quem é bem mais velho que aparenta. A Watanuki falta o lado pateta e um pouco histérico e adicionaram-lhe uns traumas familiares que não faziam grande falta, a Himawari falta ser mais kawaii, mais desligada e a empatia com o público, pois não fora essa empatia, Himawari é uma personagem detestável. Só se safa realmente Doumeki pois foi a única personagem que se manteve praticamente igual à caracterização na manga. Mesmo Ame Warashi foi suavizada e a actriz, apesar de não ser das piores, tem uma grande falta de presença. Ame Warashi faz sempre entradas de vedeta, tcharããã!

Visualmente senti sempre xxxHOLiC dorama como falso e preguiçoso. O guarda-roupa ou estava mal feito ou eram peças existentes modificadas. A excepção foram ambos os vestidos de feiticeira do tempo (preto e branco) de Yuuko, mas, em prol da narrativa e da caracterização da personagem, preferia que tivesse havido apenas um. As cores dão significado às personagens, principalmente numa história como xxxHOLiC e o facto de a Yuuko usar uma versão preta (mal/escuridão) e uma versão branca (bem/luz) do mesmo vestido, faz dela no último episódio uma espécie de anjo redentor, coisa que Yuuko está muito longe de ser. Preferia uma versão híbrida com elementos de ambos, por exemplo preta, de renda e mousseline com os detalhes a branco do design da manga em prateado. No geral o guarda-roupa parece uma má falsificação dos designs magníficos das CLAMP, definitivamente uma péssima interpretação dos mesmos que, como quem faz cosplay muito bem sabe, não são fáceis nem baratos de fazer. O cenário pior ainda, dependeu quase exclusivamente da decoração, tinha poucos cenários construídos de raiz e a decoração pareceu ser algo: "vamos lá ver o que temos no armazém que possa servir".

Por fim, houve uma coisa que me fez IMENSA confusão desde o início: Maru, Moro e Watanuki de sapatos em cima de tatami! Se a mim, que não sou japonesa, isso me parece quase um sacrilégio, não sei o que pensar da pessoa que tomou essa opção. Será que havia ocidentais inflitrados na produção para apelar a um público mais vasto? Creio que a indústria do anime já teve provas que isso costuma ser o caminho para o desastre...

Enfim, tinha de ver CLAMP Dorama xxxHOLiC, mas foi a excepção que confirmou a regra, nem todos os doramas japoneses valem a pena, pois este falhou no aspecto em que os que vi nunca falham, na dramaturgia.

CLAMPドラマ ホリック xxxHOLiC

RAW
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