21.2.06

~Ayakashi~ Yotsuya Kaidan


Neste interregno percebi a estrutura da série: São três histórias clássicas de terror Japonesas em blocos de quatro episódios cada. Com isto tudo, já terminei de ver o primeiro bloco: Yotsuya Kaidan.

Outra informação importante, para a qual me chamaram a atenção, é que o desenho de personagens original é do brilhante Yoshitaka Amano. Quem seja fã de jogos de computador há de conhecer, com certeza (eu não sou, nem de longe, especialista). Apesar de não estar à vontade no mundo dos jogos, já conhecia o trabalho de ilustrador de Amano, através de um fantástico livro de ilustrações que pude folhear com bastante atenção. O mesmo livro também esteve disponível nas livrarias portuguesas especializadas, na sua edição, se não me engano, francesa, um pouco mais barata que a original japonesa, mas com idêntica qualidade.

Quanto a Yotsuya Kaidan, no geral gostei bastante do resultado, se bem que, para quem não seja fluente em língua japonesa (i.e. a quem o japonês não seja a língua materna) é complicado seguir, com legendas, uma história tão complexa na sua intriga, numerosas e idênticas personagens e minuciosos detalhes de época. Mas, fora o facto de ser anime para ver mais que uma vez com atenção, é sinistro e arrepiante o suficiente, muito bem realizado e com uma direcção artística e banda-sonora para ninguém por defeito (apesar da estranheza do hip-hop inicial).

Estou expectante em relação às duas histórias que se seguem.

http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/yotsuya/index.html

13.2.06

Terminei de ver: Galaxy Express 999 - os filmes

Não estava forçosamente à espera de nada de especial, mas os filmes de Galaxy Express 999 foram, no conjunto, uma pequena desilusão.

O primeiro filme, Galaxy Express 999, é uma espécie de resenha da série de TV um bocado mal feito e usa mesmo pedaços de animação da série. Para quem, como eu, não viu a série toda, é prático, sabemos como termina a história (pelo menos suponho que sim). Apesar de fraquinho, achei este o melhor filme dos três e foi o único que não desapontou verdadeiramente pois a história é boa.

O segundo filme, Adieu Galaxy Express 999, retoma a história do primeiro filme e da série de TV e, de certa forma, repete-a com uma lavagem de cara. Foi, dos três, o que mais detestei. O filme é uma grande seca, nunca mais acaba e todas as cenas mais dramáticas competem, no fazer render o peixe, com todo o conjunto das óperas românticas do séc.XIX! Sempre que alguém sofre ou algo de intenso acontece, toda a emoção se esvai com a duração das cenas que são demasiado longas. É estranho, os japoneses costumam ser mais económicos.
Ao ver este filme lembrei-me de outra seca que apanhei com um filme de anime: Urusei Yatsura, Beautiful Dreamer (atenção: eu AMO Urusei Yatsura) e percebi que o realizador é o mesmo: Rin Taro. Digam o que disserem, o homem é famoso, principalmente porque a grande maioria dos filmes dele foi lançada comercialmente nos Estados Unidos, mas, até hoje, ainda não gostei de nenhum filme dele que tenha visto (e até já foram alguns).

O terceiro filme corresponde ao título: Galaxy Express 999, Eternal Fantasy. É mesmo uma fantasia sobre o tema e as personagens de Galaxy Express. A história não faz muito sentido, talvez nem seja suposto fazer. A grande qualidade deste filme é que, tal como Space Symphony Maetel, por ser bem mais recente, dá a este universo a qualidade que ele merece através de excelente animação, algum 3D bem feitinho e gráficos mais limpos.

Pena estes filmes tresandarem a comércio e não transporem para o grande écran uma boa história, baseada numa boa série, feitos com qualidade merecida para uma sala de cinema.

http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/index.html
http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/eternal.html

9.2.06

Ando a ver: Candy Candy

Encontrei, quase que milagrosamente, a série da Candy Candy numa cópia de VHS francesa com péssima qualidade. Como é virtualmente impossível encontrar a série (legalmente é mesmo impossível) já é muito bom tê-la encontrado mesmo num estado miserável, com cores saturadas, imagem esborratada, sem os lindíssimos genéricos e em francês!

Candy Candy é a minha série de anime preferida de todo o sempre. Foi Candy Candy que introduziu verdadeiramente o anime na minha vida. Conto a história da passagem fugaz de Candy Candy em Portugal e mais detalhes neste mini-site: Candy Candy.

Rever a série, podendo ver os episódios que vi a preto e branco ou em péssimas condições ou até mesmo ver os episódios que perdi é um consolo. A série revela bem a sua idade, é claramente uma produção baratinha dos anos 70 em que a animação é por vezes trôpega ou repetitiva e o character design nem sempre é muito constante. A banda-sonora é o que mais revela a idade da série transitando entre musiquinhas mais ou menos melosas com uma enorme inspiração em música italiana ou mediterrânica (devia estar na moda no Japão nos anos 70) e a restante inspiração em música americana com banjo, harmónica, guitarra e afins. No meio das musiquinhas datadas há uma música bem estranha que acompanha as cenas de acção, mais ou menos cómicas, que tem um ritmo mais latino-americano com o som de cuícas! Estranhíssimo!

Na narrativa a série é um tanto desequilibrada, na grande maioria dos episódios a história evolui com alguma rapidez para ter pelo meio conjuntos de três ou quatro episódios "para fazer render o peixe" em que não acontece rigorosamente nada de interessante a não ser mais uma aventura com Candy.
Há uma clara influência de um universo americano, de cowboys e da "Casa na pradaria", inexistente na manga, e que mostra como os japoneses viam a América. A manga é mais rigorosa e segue o universo da família Andrew, descendente da nobreza escocesa, apesar de a grande maioria da história se passar nos Estados Unidos. É curioso ver como é engraçada a visão que os japoneses tinham, nos anos 70, do ocidente e dos Estados Unidos em particular. Nas mansões retratadas na série, sejam de cidade ou campo, seja num quarto, sala ou salão, há sempre algures, pendurada numa parede, uma cabeça de veado ou alce, até num quarto (espaçoso demais para um navio) no Mauritania, quando Candy viaja para Londres! Do mesmo modo, nas coisas que os japoneses ignoravam, transparecem pequenos hábitos japoneses como o modo como fecham envelopes, alguns alimentos e pequenos objectos, existentes em ambas as partes do mundo, mas com aspectos um pouco diferentes.

Quanto à minha paixão pela série, ela continua plenamente justificada apesar de já ter visto anime bem melhor, no geral. A história é envolvente e empolgante, as personagens não são totalmente más nem totalmente boas, apesar de a vilã Elisa, estar muito perto de não ter qualidades nenhumas a não ser ser bonita. O trabalho de arte, cenários, character design, arquitectura e guarda-roupa são muito interessantes apesar de limitados aos meios existentes.
E, claro, o Terry. Terry é definitivamente o galã anti-herói rebelde mais exemplificativo do shoujo anime. É bonito, charmoso, carismático, perturbado, rebelde, contra o sistema, com um passado algo misterioso e ainda por cima tem o cabelo comprido! Liga lindamente com Candy, que por si só já é uma rebelde por ser uma simples orfã que vive honestamente entre as afectadas e arrogantes classes altas sem se vergar a convenções sem sentido mantendo-se fiel aos próprios valores.
Candy é uma rapariga determinada e forte que, apesar de passar as passinhas do Algarve, não desiste de lutar pela sua felicidade e até a encontra!

Apesar de eu não os estar a ver agora, os genéricos de Candy Candy ainda são, para mim, os genéricos de anime mais bonitos que vi, sejam eles shoujo ou shounen!

http://www.candycandy.net/ [site de Igarashi Yumiko, a desenhadora da manga]
http://www.k-nagi.com/ [site de Keiko Nagita, a autora da história]

5.2.06

Terminei de ver: Space Symphony Maetel

Definitivamente esta é uma série, para fazer render o peixe, mas que ao menos explica alguns mistérios do passado de Maetel.

No fundo esta série é um produto moderno, com tecnologia moderna e uma construção sólida que reflecte um investimento nem sempre existente nos exemplos passados. Quem a criou teve a preocupação de que não houvesse falhas. Pena que lhe falte algum coração.

Serviu. Serviu para satisfazer a minha curiosidade, para ter mais um pedacinho deste universo (desta vez bem produzido) e para perceber alguns porquês da personalidade de Maetel. Não explica tudo, talvez seja para arranjar mais uma desculpa, no futuro, para fazer render mais um bocadinho o peixe.

24.1.06

~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror - Parte II

Andei a ler e a pesquisar um bocadinho e achei bem fazer uma adenda ao meu post anterior sobre ~Ayakashi~.

Pois bem: a trama inicial (não faço a mínima ideia se a série continua com outras estórias) deste anime baseia-se na peça de kabuki Tokaido Yotsuya Kaidan que nos conta uma rebuscada história de interesses, ambições, assassínios, crimes e chacina, com a adição de uns fantasmas bastante cruéis.

Tokaido Yotsuya Kaidan foi inicialmente encenada como uma espécie de "double feature" e seguimento de uma peça muito mais popular, o Chushingura. Ambas as peças são baseadas em factos reais. Chushingura, muitíssimo resumidamente, trata de um senhor da guerra que humilhado comete seppuku e os seus samurai, agora ronin, juntam-se para vingar o seu antigo mestre e no fim todos cometem seppuku.

Tokaido Yotsuya Kaidan apanha a história no seguimento desses acontecimentos e é tão ou mais sangrenta que Titus Andronicus de Shakespeare. O protagonista é Tamiya Iemon, um ronin, que casa com Oiwa contra os desejos do pai dela e a menospreza a seguir ao nascimento do filho de ambos. Sendo pretendido por uma jovem e bonita herdeira, Oume, a família dela desfigura Oiwa e Iemon separa-se dela quando ela morre acidentalmente. De seguida o fantasma de Oiwa e de Kohei, um antigo criado de Iemon, também brutalmente assassinado, assombram Iemon, levando-o a matar Oume, no dia do próprio casamento, a mãe, o pai dela e sei lá quem mais... Muitos baldes de sangue depois, Iemon acaba por se atirar a um rio, não aguentando mais tanta tortura.

Resumindo: este não é um anime para os mais sensíveis, mas sem dúvida que estabelece o mote para as histórias de terror japonesas e porque são tão cruéis e brutais. Como gosto muito de histórias de terror e tenho bastante interesse por kabuki, apesar de não perceber nada do assunto, não podia estar mais contente.

http://www.kabuki21.com/yotsuya_kaidan.php

23.1.06

2: Samurai 7

Já está a dar há cerca de 2 meses (vai no episódio 8) uma série que, na prática, só conheço de título, Samurai 7.

Não vi o episódio todo (tenho uma certa alergia a começar a ver as coisas a meio), mas pelo que percebi do pré-genérico é uma adaptação futurista da história do filme Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.

Não sei se vou acompanhar a série, de qualquer modo o ambiente "ciber-samurai" não me atrai em particular, e a série pareceu-me demasiado feita para rapazes adolescentes, se bem que o ambiente geral não me pareceu mau. O character design não é mau, mas não gosto do guarda-roupa. O facto de ser dobrada em português vai também fazer com que não me entusiasme à partida.

Pode ser que esteja enganada, por um lado espero que sim (não gosto de falar das coisas que não conheço e espero sempre que estreie bom anime), por outro espero que não (assim já teria perdido o início de uma série de anime de que goste e detesto que isso aconteça).

http://www.samurai7.tv/ [EN]
http://www.samurai-7.com/index.html [JP]

2:
sáb. 20:15

19.1.06

Terminei de ver: Paradise Kiss

Finalmente vi o ansiosamente esperado episódio 12 de Para Kiss.

Definitivamente as histórias de Ai Yazawa são invulgares no panorama narrativo tanto do anime como da manga. São mais realistas. No meio daquele cenário e guarda-roupa de encher o olho, as pessoas são pessoas, com frustrações, sonhos e precalços semelhantes aos de qualquer um de nós. Os sentimentos, senão os acontecimentos, também, são, de certo modo universais.

Em Para Kiss temos os artistas vistos como párias pelo seu aspecto e opções mais liberais de vida, a frustração de Yukari confinada aos desejos da mãe para ela e sua consequente falta de individualismo e a tolerância de Toku-chan que, apesar de aparentemente conservador, sempre conviveu com ambos os universos e aprendeu a respeitá-los.

De certa forma todas as personagens principais se mantiveram fiéis a si próprias e evoluíram de algum modo, muitas vezes derivadas pelas circunstâncias. Apesar da personalidade forte de George, que conseguiu levar o grupo a trabalhar quase exclusivamente para ele, no fim ele está prestes a desistir de si próprio, cede, como qualquer um de nós às exigências da vida em sociedade. Felizmente que, apesar de o final não ser própriamente feliz (ou típico de uma história romântica), George tem amigos e pessoas que acreditam nele e acaba por viajar (luxuosamente num paquete, só ele!) face ao seu futuro na Haute Couture em Paris. Do mesmo modo Yukari não desiste do seu novo sonho onde se empenha mais ainda do que se empenhava antes em agradar à mãe. Apesar de gostar de George, escolhe-se a si própria e não a depender de alguém.

No fundo está aqui mais uma vez o tema, recorrente a Yazawa, da independência e do individualismo que, acredito, devem ser conceitos muito complicados de lidar na sociedade japonesa. Se já o são na nossa que incentiva o individualismo, como não será por lá!?

http://parakiss.tv

~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror


Acabadinho de estrear, este anime, só ainda vi o primeiro episódio. O subtítulo foi o que me despertou a curiosidade e, ao ler umas notas que os subbers fizeram, quis logo ver. Este é mais um anime, assim como Paradise Kiss, do novo bloco da Fuji TV, Noitamina, que visa um público mais adulto.

Pelo que até agora percebi o anime vai consistir em histórias independentes (ou não), mas o primeiro episódio baseia-se nos factos que deram origem a uma das peças clássicas de Kabuki (Kizewamono, histórias fantásticas, entre outras), Tokaido Yotsuya Kaidan, de Tsuruya Nanboku IV, que, por sua vez, originou um género muito popular no cinema japonês, o fantástico de terror.

Como a história está dividida, ainda não me vou pronunciar sobre a narrativa. Mas, apesar de me lembrar sempre com alguma nostalgia dos Clássicos da Literatura Japonesa, série que deu há alguns anos na RTP e que partilha, de certo modo, o conceito, gostei muito do modo como este universo da era de Edo foi transposto para a modernidade.

Toda a tecnologia moderna é aqui experimentada e muito bem conseguida. O facto de já não se pintar os acetatos e a cor ser digital resulta numa enorme vantagem estética, usando jogos de luz e sombras, enriquecendo a imagem com texturas e facilitando o uso de padrões nos tecidos, efeitos anteriormente muito difíceis de conseguir. Nos anime mais antigos evitava-se usar tecidos estampados por ser muito moroso e complicado animá-los. Dado que a era de Edo é uma das mais ricas, visualmente, no Japão, séc.XVII-XVIII, contemporânea do Barroco ocidental, imaginar um anime com este tipo de contexto, pintado artesanalmente em acetatos, perde-se logo muito do ambiente.

Não gostei particularmente do character design, parece que todos têm cara de mau e olhos demasiado rasgados (aqui está uma contradição à imagem mais comum do anime), mas serve na perfeição ao ambiente fantástico e de terror e às torturadas personagens.

Achei curioso o hip-hop na música do genérico de abertura, que não fica mal, apesar da estranheza ao início. A música do genérico final já está mais de acordo com o contexto, mas também não é má, apesar de não ser particularmente marcante.


http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/index.html [JP]
http://freya.tv/gg/[gg]_~ayakashi~_Japanese_Classic_Horror_01_-_pdf_notes_[02E0CE18].pdf [EN]

16.1.06

Ando a ver: Galaxy Express 999, Space Symphony Maetel

Juntei as duas séries porque o fio narrativo é o mesmo. Apesar de Galaxy Express 999 ser uma série bem mais antiga e Space Symphony Maetel ser muito recente, a história de Space Symphony antecede a de Galaxy Express e, supostamente, explica alguns dos mistérios de Maetel.

Sempre tive muita curiosidade em todos estes anime e manga de Leiji Matsumoto, uma das razões foi porque sabia que as histórias se interligam e que muitas personagens são em comum. Em suma, o universo (narrativo) é o mesmo. Apesar de por vezes as figuras serem um pouco mal desenhadas, também sempre gostei das mulheres longilíneas e lânguidas, com longos cabelos de Leiji Matsumoto, que também desenhou o filme/videoclips de Daft Punk, Interstella 5555. As imagens, um tanto românticas, de um velho comboio a vapor pelo espaço são muito marcantes e, sem dúvida, que as naves espaciais de Matsumoto são muito bem concebidas.

Galaxy Express 999
Esta série é antiga, do final dos anos 70, e isso nota-se, principalmente na animação um bocado crua. Apesar de ter envelhecido um pouco, no lado tecnológico, a história é deveras interessante.

O primeiro episódio dá-nos a permissa, do sonho dourado que é ter um corpo mecânico. Mas será que é mesmo? Também ficamos a conhecer as duas personagens que acompanhamos na viagem pelas estrelas: Tetsurou, um miúdo, pobre e orfão, que sonha com o desejado corpo mecânico e que vai crescendo e aprendendo com a viagem. Maetel, uma mulher misteriosa, sempre vestida de preto, supostamente humana (será?) que toma conta de Tetsurou e lhe oferece, entre outros, o almejado passe para o 999 (three-nine), o comboio expresso até Andromeda, onde oferecem um corpo mecânico a quem o quiser.

Cada episódio seguinte é uma paragem (de um ciclo solar) em cada um dos planetas e um passo na aprendizagem de Tetsurou. Como a série é longa, as peripécias serão muitas e, suponho, Tetsurou há de vir a perceber que afinal um corpo de carne e osso é bem mais valioso.

Cada história individual que eles conhecem na viagem costuma ser bastante trágica e, normalmente, o arrependimento pela escolha da mecanização é evidente. Pelo meio transparecem outros valores importantes numa aprendizagem e para uma vida em sociedade. É uma espécie de pedagogia em anime.

O caso mais dramático dos pouquinhos episódios que vi é o de Claire, uma lindíssima andróide totalmente feita de vidro que trabalha no 999 para pagar a reversão a um corpo de carne e osso. Trágicamente ela sacrifica-se e fica feita em pedacinhos para salvar Tetsurou de uma fantasma vampiresco num túnel (sim túneis no espaço) através da cadeia de asteróides do nosso sistema solar.

As leis da física e a correcção científica não são muito levadas em conta, mas quando o erro é demasiado evidente a própria série encontra uma explicação lógica dentro da sua organização. O facto mais fantástico é o Galaxy Express ser uma réplica de um comboio a vapor do séc.XIX cuja explicação para o seu aspecto é que as pessoas têm de ter algo com que se identificar e podem se assomar à janela devido a um campo de forças, heheheeee!

Pena que só consegui arranjar os primeiros 7 episódios e o 999 acabou de sair do Sistema Solar... pode ser que um dia continue e acabe de ver a série!

Space Symphony Maetel
Tecnológicamente esta série é realmente bem melhor, mas a narrativa já se desenvolve através dos episódios e não em histórias individuais. Algumas explicações para o passado de Maetel, já surgiram: ela é filha de Promethium, a rainha do planeta vagueante e totalmente mecanizado La Metal, que é responsável pela mecanização dos seres humanos. Maetel deveria ser a herdeira e futura rainha de La Metal, mas é contra a escravidão a que Promethium e Laurela (a anterior rainha) submeteram a raça humana. Emeraldas, uma pirata, antagonista ao sistema, é sua irmã e como amigo e cúmplice tem o protagonista de outra série de Matsumoto: Captain Harlock. Ambos também aparecem em Galaxy Express.

Por enquanto estou no grosso da acção e ainda há muito para acontecer e as ligações à história do Galaxy Express se estabelecerem. No geral, apesar de satisfazer a curiosidade, desvendando os mistérios, em 7 episódios preferi o Galaxy Express 999, onde a narrativa é mais económica, mas também mais eficaz. Às vezes o excesso de efeitos não passa disso, excesso.

Para além destas duas séries, ligadas a esta linhagem de La Metal há: 1000 Nen no Jo-ou (Rainha dos 1000 anos), que trata da história de Promethium, e Maetel Legend, que nos mostra Maetel mais nova. As duas são cronológicamente anteriores a estas duas. Há ainda os filmes de Galaxy Express 999, que são uma espécie de histórias alternativas á série de TV e a série ou filme (não sei bem) Queen Emeraldas que é sobre Emeraldas, a irmã pirata de Maetel.

http://www.leiji-matsumoto.ne.jp/ [JP]

11.1.06

Vicky, o viking

Se há anime nostálgico para mim é o Vicky. Da fase pré-Conan e pré-Candy Candy, é, talvez (fora os Barbapapa, que também são anime!) o único anime de que gostava verdadeiramente. A Heidi via-se e o Marco, detestava (demasiado lamechas)!

Com o Vicky era diferente: cantava a música (Hey, hey Vicky/Hey Vicky hey!/Iça bem a vela!), tinha o barco dele em papel, livros e as figurinhas de pvc pequeninas, que não me lembro bem de onde vinham (acho que do Nestum ou farinha Pensal). Algures ainda devo ter uma foca.

As aventuras nórdicas e sua mitologia, desde cedo me fascinaram e talvez o Vicky tenha sido um dos responsáveis. Mas o mais incrível de que me apercebi agora foi, ao ver recentemente um episódio na 2:, que são extremamente pedagógicos. Cada episódio tem um tema social, disfarçado de aventura. No que vi o tema eram os impostos alfandegários. Impressionante!

23.12.05

メーリ・クリスマス

... ou seja: Feliz Natal!

Quem leia o meu outro blog já há de ter percebido que não ligo quase nada ao Natal, mas nos anime e manga costuma haver ilustrações tão boas de Natal e porque me apaixonei por esta, apesar de já ser do ano passado (se não me engano), deixo então aqui a Rei a a Asuka de Evangelion para dar as boas festas.

http://www.gainax.co.jp [JP]

Ando a re-ver: Shoujo Kakumei Utena

Felizmente tive a sorte de poder ver a série Shoujo Kakumei Utena relativamente pouco tempo depois de ela sair no Japão, numa altura em que até tirar mp3 da net era quase proíbitivo. Infelizmente no pacote de K7s VHS faltava um episódio, o 12.

Agora que tenho a série, e com melhor qualidade, em formato digital, tenho andado a revê-la aos pouquinhos e finalmente vi o episódio 12 que é bastante importante na série. É um episódio em que vemos uma Utena atípica, em vez de na sua habitual boa disposição energética de maria-rapaz, vêmo-la deprimida e sorumbática, de uniforme feminino, isto tudo porque perdeu um duelo com Touga porque ele se aproveitou da sua ingenuidade.

Utena é uma heroína, já de si, atípica para um anime. Para além de ser uma maria-rapaz a 100% (costumam sê-lo numa percentagem menor), de se vestir com uniforme de rapaz mas mesmo assim gostar de rapazes, é independente, determinada e inconformista. Mas do mesmo modo que é inconformista e rebelde também é idealista e ingénua. É engraçado que num anime de cores saturadas também as personagens o são de certo modo e Utena reflecte muito bem um desejo que se manifesta bastante nos anime, o de ser diferente e individualista, contrário às regras básicas da sociedade japonesa. Talvez por isso os heróis de anime tenham os cabelos de quase todas as cores menos o preto e tenham personalidades tão fortes e fora do comum (são muitas vezes preguiçosos ou têm um mau desempenho na escola) e raramente são os overachievers que a sociedade pede. Através do contraste de ver a Utena vestida como todas as raparigas do colégio e com atitudes tão passivas é que nos apercebemos da sua diferença e do que a faz a heroína da série. Definitivamente este é um episódio chave para a compreensão da protagonista e, para além disso, fica-lhe muito bem o uniforme feminino!

http://www.jrt.co.jp/yos/ikuniweb/toppage.htm [JP]

22.12.05

Terminei de ver: Glass no Kamen

Como eu esperava, o facto de a história não terminar com a série, soube a pouco. Aliás algo de surpreendente nestes anime mais antigos é que me agarram ao écran e fazem com que veja as séries quase de seguida, em todos os intervalos que consiga arranjar. Parece quando se lê um daqueles livros empolgantes que não se conseguem largar a não ser quando chegam ao fim e mesmo assim ainda queremos mais!

A desgraçada da Maya realmente sofre bastante, mas menos às mãos dos outros e mais em prol do sonho de ser actriz. Ao contrário das expectativas Ayumi, apesar de ser uma rival de peso, não é desonesta e não faz nada propositado para atrapalhar Maya a não ser esforçar-se mais ainda no seu próprio sonho. Como ainda não terminou a história ficou por ver qual das duas é que, no fim das contas, vai fazer de "Kurenai no Tenyou", a mítica peça sómente representada por Chigusa Tsukikage nos seus tempos áureos.

Maya, apesar dos sentimentos contraditórios acaba por se aperceber que Masumi é a mesma pessoa que "o homem das rosas púrpura", deixando-nos à espera do que possa vir a acontecer entre os dois nesta relação de amor-ódio. Quanto a Yuu, ele lá se esforça por dar a entender à distraída Maya, concentrada apenas em ser actriz, de que gosta dela. Apesar de alguns precalços ela acaba por perceber e respeitar o que ele sente e ele, ao perceber a dura concorrência que é a dedicação dela à carreira, resolve dar luta e ir para Nova Iorque estudar teatro como deve ser.

Enfim, está visto que vou ter de ver a série de 2005 a ver se pelo menos a restante história, entretanto publicada na manga, está lá.

19.12.05

Howl no Ugoku Shiro

Eu sou da geração que ficou a conhecer melhor o anime através de Conan, o Rapaz do Futuro, lógicamente sou fã de Hayao Miyazaki. Mas foi longo o intervalo entre o ver o Conan e a restante obra dele que, felizmente, comecei pelo melhor: Tonari no Totoro.

Então finalmente vi O Castelo andante, levei este tempo todo por diversas razões de força maior mas também porque, desde que Miyazaki ficou na moda a minha paciência começou a escassear. Isto não quer dizer que não continue a gostar dos seus filmes, muito pelo contrário, quero é vê-los no meu tempo, ao meu ritmo.

O que achei mais curioso neste filme foi a história que, se analisarmos os outros filmes de Miyazaki, faz um pequenino desvio. Feitiçarias, cenários e adereços à parte esta história é a história de um tipo solteiro, que perdeu a capacidade de conviver com as pessoas em sociedade que o que precisa é de uma mulher pragmática para tomar conta dele. É claro que Miyazaki nos enche esta simples história das típicas características do seu universo: o character design, a música mediterrânica de Jo Hisaishi, as máquinas voadoras, as paisagens de cortar a respiração, o céu muito azul, etc... mas, à parte de, para variar, a personagem feminina continuar a ser muito forte, esta é principalmente uma simples história de amor e tudo o resto está la para enfeitar. Ah, sim! O Calcifer é kawaii!!!

Por um lado é bom quando realizadores ou autores de filmes mais especiais ou diferentes aproveitam com inteligência as facilidades que o sucesso lhes traz, e sem dúvida que Miyazaki o faz muito bem, sem perder a inocência e o charme. Mas ele já fez melhor, pois acho que este filme vale quase só pela história (que nao é dele) e menos pelo equilíbrio de todas as partes que constituem um filme. O Castelo andante é um bom filme e se não tivéssemos termo de comparação com outros filmes de Miyazaki diria até que é um excelente filme, mas ele já fez muito melhor e, assim o espero, voltará a fazer pois a sofisticação e as facilidades que a tecnologia e a fama lhe trazem só ajudam.

http://www.howl-movie.com/ [JP]
http://disney.go.com/disneypictures/castle/ [EN]

18.12.05

Glass no Kamen

Glass no Kamen (Máscara de vidro) é daquelas manga e anime shoujo que desde sempre me despertou a atenção por duas razões: primeiro porque é, juntamente com Versailles no Bara, um dos clássicos e porque tem bom aspecto. Com o tempo vim a perceber que também é uma das manga de maior longevidade no japão, pelo que percebi, encontra-se actualmente num hiato e tem 42 volumes publicados num espaço de mais de 10 anos!

Tudo isto e porque encontrei a série na net fez com que começasse a vê-la. A série é totalmente anos 80 com um genérico muito Fame/Flashdance-Made in Japan e uma canção a condizer. O guarda-roupa e parte da direcção artística também são bastante datados mas vêem-se bem e não chocam tanto como o genérico. A história já é mais neutra sendo um drama daqueles com convicção, em que a protagonista, Maya Kitajima, uma miúda de 14 anos, de uma família pobre é amadrinhada por uma ex-vedeta do teatro desfigurada e decadente, Chigusa Tsukikage, para aprender a ser actriz.

Apesar de ainda ter visto muito pouco já deu para perceber que a palavra teatro e ser actor/actriz, nesta história tem um sentido mais lato, em japonês diz-se o-shibai que quer dizer literalmente 'actuar em palco', e é mesmo isso que Maya e as outras personagens fazem, não sómente teatro. É interessante perceber como o anime mudou tanto, as histórias dos shoujo dos anos 70 e 80 eram muito mais intensas e emocionantes do que o são hoje. Tal como Maya as protagonistas eram um exemplo de preseverança e de auto-sacrifício seja por elas ou pelos que amam, abdicando de sonhos e coisas importantes da vida pelo que realmente consideram importante ou justo no momento.

Típicamente numa história destas, além da severa professora, Maya tem dois love-interests, o 'gajo bom' mais velho e independente Masumi Hayami e o jovem puro e apaixonado Sakurakouji Yuu. Ela também tem uma rival, Ayumi Himekawa, que é em tudo, menos no talento, o oposto de Maya começando pelo apelido. Kitajima é comum, quer dizer "ilha do norte" e Himekawa é elegante, quer dizer "princesa do rio". Maya é morena, pequenina, magrinha, pobre e tem um ar comum, simples, enquanto que Ayumi é bonita, loira, tem o cabelo aos canudos, exuberante, rica e muito elegante. Apesar de a rivalidade entre as duas mal ter começado parece que Maya vai SOFRER, mas... também acho que lá para o fim as duas vão ser concorrentes leais, quem sabe até amigas.

A manga ainda não tem fim, como eu disse encontra-se num hiato. Pelo que sei, a série de 1984 que estou a ver, também não tem final e o mais provável é vir a deixar-me com aquela sensação de que fata algo quando a acabar de ver. Como dizem os americanos: closure. Nos anos 90 foi feita uma série de OVAs, seguida de um dorama (=drama, palavra usada em japonês para a novelização de histórias para televisão, as nossas telenovelas) e, este ano (2005) começou a dar uma nova série em que talvez haja uma conclusão. Se gostar da antiga vou ver também a nova.

http://www.dreamsaddict.com/GarasuNoKamen/Intro.html [EN]
http://myhome.naver.com/fischer/Miuchi/GMEnglish.htm [EN]

17.12.05

Terminei de ver: Versailles no Bara

Finalmente a emocionante história de Oscar François chegou ao fim e com ela a monarquia francesa. Um pouco como na revista Première vou comentar...

O melhor: A intrincada história que não fica muito atrás de Alexandre Dumas na ligação entre a ficção e os factos reais. O excelente character design por Shingo Araki (não me canso de o elogiar) e a lindíssima direcção artística.

O pior: A banda sonora demasiado "anime anos 80" que está muito ligada a este anime, mas que é demasiado datada. A animação por vezes um pouco rudimentar e as pequenas incorrecções históricas, principalmente no guarda-roupa.

Oscar François é uma personagem impressionante na sua força e convicções, uma mulher como poucas. Admirávelmente humana. Este anime merece a designação de clássico, é daqueles que, independentemente do gosto de cada um, qualquer fã sério de anime deveria ver. Está no meu TOP10!!

Noir

Foi com satisfação que confirmei hoje que está a dar um dos anime que mais satisfação me deu nos últimos anos na SIC-Radical, Noir.

Mireille e Kirika são duas muito eficientes assassinas a soldo ligadas por um destino ancestral. Ao juntarem-se assumem o lendário nome assassino de "Noir". Mireille é mais velha, vivida tem sentido de humor e é algo maternal. Por vezes, nos primeiros episódios, ela faz-me lembrar a personagem de Jean Reno no filme Leon de Luc Besson, principalmente na sua relação com a planta num vaso. Kirika é uma adolescente japonesa, órfã, introvertida e fria o que a torna mais arrepiante cada vez que mata alguém.

A acção passa-se maioritáriamente na Europa, na actualidade, apesar de um certo ambiente de época, por vezes anos 20/30, por vezes anos 50. A maioria dos episódios passa-se em França e parte na Córsega o que faz com que os cenários solarengos contrastem com a acção, bastante soturna, na luz brilhante do sul da Europa. Todas as cenas de acção, principalmente os tiroteios são brilhantes, muitíssimo bem realizadas deixando-nos colados ao écran. A história leva-nos de um policial em tons de filme negro (film noir, suponho que foi intencional) através de um puzzle de misteriosas pistas acerca da relação destas duas mulheres até a um destino gótico medieval de sacrifício.

Gosto imenso das cenas da vida quotidiana de Mireille a começar pelo apartamento dela, a mini-scooter e vê-la a trazer uma baguette ao fim do dia para casa. Os cenários na Córsega deixaram-me cheia de vontade de visitar a ilha, com as suas villas e vinhas sem fim.

Uma das coisas que mais me marcou quando vi este anime foi a banda sonora, muitíssimo tétrica de canções com vozes femininas, coros medievais em latim e letras sinistras. É arrepiante e muito boa. Como já disse acerca de Paradise Kiss, é raro gostar muito de uma banda sonora de um anime, portanto quando gosto é porque é bastante marcante e provávelmente invulgar.

Finalmente não posso deixar de dizer que a voz de Mireille é interpretada por uma das minhas seiyuu (actriz/actor de voz) preferidas, Mitsuishi Kotono, que fez anteriormente Usagi de Sailormoon, Misato de Evangelion, Excel de Excel Saga e muitas outras vozes pois ela é excelente e bastante popular no Japão.

http://www.jvcmusic.co.jp/m-serve/tv/noir/index.html [JP]

3.12.05

Nippon Koma: dia 6

Apesar de ser sábado, a sessão de hoje foi um bocado desinteressante. Pelo menos os dois documentários de hoje à tarde, Danchizake (Sake caseiro) e Good Morning Yokohama (Bom dia Yokohama), não foram desapontantes, se bem que também não foram brilhantes.

O que havia de interessante no primeiro era o modo como o pai do realizador é um pária na sociedade japonesa, mostrando a audiências ocidentais, muitas vezes ignorantes do verdadeiro Japão, que lá nem tudo é pink e que nem toda a gente vive bem, só porque é um dos países mais ricos do mundo. O modo artesanal com que o senhor faz o sake é, no mínimo, curioso, principalmente porque o realizador intercala as actividades do pai com o testemunho da mãe (os dois são ainda casados mas vivem separados). O final é a partilha do dito sake entre pai e filho. Eles aparentemente gostam e, pela cor, a zurrapa tem um ar forte!

O segundo filme mostra-nos quase literalmente o dia-a-dia na gigantesca estação de comboios de Yokohama, igual a tantas outras no Japão. É a confirmação de certos hábitos e maneirismos que só os japoneses têm. É um filme pertinente, como serão todos os outros com o mesmo tema, não fosse o Japão um país de comboios, já Ozu o afirmava repetidamente nos seus filmes.

http://www.midnighteye.com/reviews/homasake.shtml

Os 4 filmes da noite, a série Fade into White, tem o defeito que quase todos os filmes experimentais com pouca narrativa têm: até podem ser muito bem feitos, e estes eram sublimes no uso muito feliz do 3D a preto e branco muitíssimo saturado, mas costumam ser um bocado chatinhos. Apesar de esta ter sido uma das sessões mais curtas de todo o ciclo, estava farta de estar ali e no fim vi muitas (demasiadas) caras sonolentas.

http://www.alles.or.jp/~goshima/

Em resumo: comparando com os anos anteriores, esta edição do Nippon Koma foi, de certo modo desapontante.
Em 8 documentários/filmes experimentais só um foi marcante, Peep "TV" Show, que, felizmente não desapontou mas sim surpreendeu, e dois se viam sem problema, Danchizake e Good Morning Yokohama.
De todas as sessões de animação valeram a pena as duas de Paranoia Agent, que apesar de anime comercial era bem interessante no lado surrealista das narrativas japonesas, Memories porque, preconceitos à parte, é um excelente conjunto de filmes, a sessão de dia 1 dos filmes da OneDotZero, que continua a ter uma excelente escolha de filmes em 3D, videoclips e publicidade, e do filme Kakurenbo, por tudo, talvez tenha sido o anime de que gostei mais no festival, e ainda a sessão dos filmes de Kawamoto Kihachiro que apesar de terem, em média, 30 anos ainda espantam com a sua beleza e qualidade e, acima de tudo, mostram um lado tradicional do Japão ainda considerado muito belo contando histórias muito interessantes.

Não sei se terá sido uma boa aposta dobrar o nº de sessões em relação aos anos anteriores. Antes, em vez de 12 sessões eram 6 sessões que repetiam alternadamente (uma vez às 18h30 e outra às 21h30) pelos 6 dias. Acho que aqui o ditado "poucos, mas bons" se aplica, não fica bem ser ganacioso. Peca também o festival este ano pelas falhas técnicas que foram demasiadas, entre dobragens em inglês e falta de legendagem em muitos dos filmes que passaram, não foi só a sessão de Kihachiro. Outra falha é a falta de informação e a má tradução dos textos do programa. Era bom que para a próxima, para além da tradução dos títulos lá estivessem os títulos originais e outra informação como, por exemplo, a distribuidora ou produtora ou ainda o título do videoclip e não o nome da banda/músico. Se se quer procurar mais informação sobre os filmes que vimos, na maioria das vezes é difícil assim. Esperemos que para o ano melhore um bocadinho. Lá estarei de novo.

2.12.05

Nippon Koma: dia 5

A sessão da tarde foi mais uma sessão de curtas de animação mas mais experimentais ou de autor e menos marcantes que as de ontem à noite. Não me lembro bem de todos, portanto vou saltar alguns.

Shimomomo (Pêssegos congelados) é um filme bonitinho que nos mostra uma rapariga a tirar uma lata de sumo de pêssego, único item no seu frigorífico, que está colada no congelador.
Yume no nokori (Remanescente do sonho) é um mais um filme em 3D que aborda o dia-a-dia de um estudante de escola secundária com as suas frustrações, etc., etc...
Jii-san no tsubo (A jarra do velhote) é um filme, do ponto de vista de uma máquina fotográfica do velhote que faz várias tentativas, com mudanças de zoom, foco, etc. de fotografar uma jarra em cima de uma mesinha.
Tools (Ferramentas) é um filme muito sinistro em 3D (pelo que percebi pelas legendas em japonês - o filme era falado numa lingua inventada), em que um sapo tenta extorquir dinheiro de um outro animal através de violência.
Polygonhand_oooo.jpg filma umas mãos com efeitos 3D.
Gravitation (Gravitação) é um bonito filme em fundo preto com traços a branco e pontualmente outras cores vivas, onde uma miúda é atraída pela gravidade da Lua para o espaço.
Maze (Labirinto) é um filme feito a partir de fotografias ligadas por fades e morphing que nos mostra um pequeno labirinto de ruas estreitas japonesas.
Real é um interessante filme que usa imagens reais e as fragmenta.
Platform (Plataforma) é um divertido filme que mostra, através de animação de plasticina, o que se passa numa dada plataforma do metro quando os comboios páram e os salarymen saem e se encontram, cada um com o seu jornal.
Chalkdust (Pó de giz) é um filme melancólico que mostra um homem que desenha diversas figuras no chão enquanto que as restantes pessoas passam como sombras.
Vamos almoçar juntos (não consegui apanhar o título original) é um colorido filme que conta sobre um miúdo que não quer comer. Apesar do grafismo com cores muito vivas os pratos de comida vão parecendo cada vez mais deliciosos. A não ver de estômago vazio.
Papillon Yoshiko (Borboleta Yoshiko) é um filme com uma animação infantil e rudimentar mas algo erótica sobre o corpo de uma rapariga.
Fancy (Distinto) sobre imagens de uma mulher a preto e branco e com uma música desconstruída ao inverso, vemos formas florais surgir.
Kougan é um engraçado filme de animação de plasticina cuja história faz lembrar a original do Planeta dos Macacos.

http://www.open-art.tv/theater/movielist.html

Agora vamos provávelmente ao melhor filme do festival! Os documentários têm desapontado bastante mas Yutaka Tsuchiya não desapontou! Na primeira edição do Nippon Koma, em 2003, tive a sorte de, entre os filmes que pude ver, estar incluído um outro filme dele, The New God, de que até hoje me lembro como um excelente retrato de uma parcela da sociedade japonesa. Também era muito divertido. O filme de hoje, Peep "TV" Show, mostra mais um pouco desses nichos da sociedade que continuam a passar pela falta de objectivos e de identificação sentida pela juventude japonesa. Yutaka mostra-nos isso através de um voyeur e de uma Goth-Loli com um excelente sentido de humor e um realismo de fazer inveja ao prórpio site www.peeptvshow.net (que ainda existe!!!) do voyeur. Desta vez Tsuchiya já contou com a colaboração da sua antiga vítima em The New God, Karin Amamiya, cuja amizade vimos surgir no filme. É difícil escolher um momento no filme, mas talvez o meu preferido seja a cena em que os dois protagonistas, Moe e Hasegawa, correm pelo cruzamento de Shibuya, antes de irem para uma casa de banho pública feminina filmar.

http://www1.cts.ne.jp/~w-tv/pts_index_e.html
http://www.asahi-net.or.jp/~kn5t-szk/index.htm

1.12.05

Nippon Koma: dia 4

Não sei o que se passa com a programação dos documentários deste ano mas eu estou a achar todos uma seca. Se calhar não atinjo o propósito destes filmes. O de hoje, Tegami (Carta), tem uma excelente ideia mas muitíssimo mal desenvolvida e técnicamente muito má. A ideia, mostrar o diálogo (quase de surdos) por mensagem de telemóvel de um adolescente com os seus correspondentes, é, na minha opinião excelente e daria pano para mangas em linguagem cinematográfica. Pena que o resultado é um filme chato em que os picos de interesse se focam quase no toque do telemóvel de mensagem nova, isto tudo porque os tempos de espera vão sendo progressivamente maiores até à seca final. Acredito que esta cadência tenha sido propositada, mas que é uma grande seca, é! Mas o pior mesmo não foi isso. Se a imagem era de má qualidade pela fraca iluminação e falta de compreensão que provocava o pior era um som, muito degradado, quem sabe na pós produção, que parecia que estava a ser ouvido num sistema sonoro de péssima qualidade, com demasiados ruídos de linha, má calibração do sistema e desgaste do original. Isso, mais que tudo irritava imenso o que não ajuda num filme de difícil digestão.

http://www.imdb.com/title/tt0383006/

A sessão da noite, pelo contrário, foi provávelmente uma das melhores até agora. Os filmes, em 3D, da distribuidora Onedotzero continuam a ser prestigiantes e muito bons! Os filmes são muitos, vou tentar comentar cada um deles.
Acidman (Homem ácido) é um videoclip, um pouco delirante, de imagens coloridas de natureza. Achei lindíssimo e a música também era bastante interessante.
Triple Jump (Salto triplo) é uma publicidade para as companhias ANA (aviões), JR (comboios) e JAL (aviões) para levar as pessoas a fazer ski. O divertido é um 3D excelente de três avestruzes radicais a esquiar.
Hybrids (Híbridos) é também uma publicidade, desta vez para a Nike, que parodia as séries tipo Transformers ou os sentai (Power Rangers) com personagens kawaii (giras) que se acopulam para se tornarem mais fortes. A ironia é que, quando se acopulam, em vez de ficarem um mecha gigante, ficam de um tamanho diminuto.
Akanegumo (Nuvens Akane) é um clip bem engraçado que retrata, através do som de Taiko, em vez do coração, as emoções por que passa um miúdo para entregar uma carta de amor à menina bonita da turma (Akane). Típicamente não consegue, mas recebe o certificado de tocador de taiko. Excelente!
Trainsurfer (Surfista de comboio) são dois episódios hilariantes, do que pressuponho seja uma série para a MTV Japan (tinham nº de episódio - 69 e 88), de uma espécie de anti-heróis que surfam, literalmente, em cima dos tejadilhos dos comboios citadinos. A fazer download se possível!
Catwalk (Passarela) é um filmezinho muito engraçado que nos mostra uma miúda que anda em cima de um muro préviamente ocupado por um gato. Muito bonitinho.
Mobile Suit Gundam MS Igloo é uma publicidade a um produto subsidiário da muito conhecida série de anime Mobile Suit Gundam. Confesso que percebo pouco de Gundam e não percebi exactamente do que se tratava, talvez um jogo para consola ou computador. O 3D era do estilo realista, como nos jogos de computador ou no filme Final Fantasy.
Afra: Dance (Dança) é um videoclip do grupo Afra muito psicadélico que foi buscar os efeitos de vídeo muito usados nos anos 80 (Baboushka de Kate Bush, por exemplo) e os transpôs para um 3D colorido. A música do grupo é muito vocal. Interessante.
3-Men (3-Homens) é mais um clip em 3D que usa as cores primárias para a caracterização das personagens.
Loop Pool (Piscina em Loop) é uma representação da cadeia alimentar num 3D muito bonito e bem conseguido cujo final tem um twist engraçado.
Tope con Giro é um clip onde salarymen saltam em camas elásticas criando ritmos de samplig acumulativos. Irónico.
Afra: Digital Breath (Respiração digital) é um clip do mesmo grupo (músico?) Afra mas que desta vez o resultado é bem mais interessante. Partindo da música, que são vocalizações quase suspiradas, vai se criando um universo 3D em redor do músico. Gostei imenso (da música e do clip).
YKK AP Evolution (Evolução YKK AP) uma publicidade para a firma de construcção YKK AP que combina de forma espectacular imagem real com formas escultóricas em 3D que pairam no ar. Excelente!
TV Zamurai é mais um clip que usa os ritmos de um DJ sobre os pratos de disco para criar texturas e ambientes.
Life no Color (Cor da vida) mostra um universo num futuro próximo em que, por baixo de viadutos circulam adolescentes, de escola em escola, em cadeiras tipo teleférico de esqui. A paisagem é de um urbanismo Nova Iorquino com pátios, grafittis e redes de galinheiro. No meio disto tudo percebemos o fragmento de uma história da relação entre um rapaz e uma rapariga que apenas se conhecem de se cruzar nas cadeiras/teleférico.
Nitro Microphone Underground é mais um videoclip. É mais uma prova de que os japoneses são definitivamente bons no hip-hop!
Moment of Love (Momento de amor) diversas formas num 3D muito geométrico, carros, edifícios, helicópteros, etc. são desmontadas ao ritmo da música. Um excelente uso do 3D no seu melhor.
Ex-fat Girl (Rapariga ex-gorda) é uma sátira aos videos de exercício físico onde a rapariga ex-gorda nos mostra, à frente de uma turma de poodles barbeados, vários métodos para sermos como ela. Um vídeo surrealista e muito engraçado.
Bloodthirsty Butchers: Jack Nicholson é um videoclip que me lembro de ter visto muito recentemente, acho que na SIC-Radical, não me lembro bem onde. A música é boa e o vídeo muito bom na sua ironia à vida cinzenta do dia-a-dia.

http://www.onedotzero.com/home.php

Kakurenbo (Jogo de escondidas) não é um videoclip nem publicidade, mas sim uma curta de animação. Oito miúdos reúnem-se para jogar um sinistro jogo de escondidas chamado O-To-Ko-Yo (uma variante da frase que os miúdos cantam quando jogam às escondidas: Mou ii yo! Mada da yo!). A zona onde o jogo se passa é uma variante em altura de arquitectura tradicional japonesa com bastante iconografia das histórias de terror tradicionais e da mitologia shinto. Digamos que esta história é uma variante moderna da atmosfera dos contos tradicionais misturada com uma dose de mito urbano. O facto de nunca vermos as caras de nenhum dos miúdos (eles têm de usar máscaras de raposa para jogarem) e de se brincar no character design de cada máscara para caracterizar cada um (gostei muito dos gémeos) reforça o ambiente sinistro da história. Os oni (demónios) e, mais tarde, a resolução da história ajudam mais ainda. É um filme a ver e rever, mesmo que os outros filmes da sessão não fossem bons, só por este tinha valido a pena!

http://centralparkmedia.com/kakurenbo/main.html
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