Já vi o filme Sakuran há um tempo, mas só ontem é que me lembrei que ainda não o tinha comentado por aqui.
Sakuran é tudo o que Memoirs of a Geisha queria ser quando fosse grande: é historicamente correcto, apesar de tomar algumas liberdades criativas, tem um design de produção muitíssimo colorido e apelativo, é divertido, bem feito, tem uma boa história, é erótico q.b., a ligação romântica é bem mais resolvida e não é preconceituoso, uma vez que a visão é despretensiosa sem moralismos, lamechices e clichés americanos.
Tudo isto àparte, Anna Tsuchiya convence, encarna na perfeição o papel da oiran arrogante e rebelde e todo o filme é muitíssimo mais convincente, mais curto e menos chato que o Memoirs. Também gostei muito da metáfora, bastante óbvia, dos peixinhos dourados, que adornam, convenientemente o arco do portão de entrada para o bairro.
A quem se interessa por este universo aparentemente fútil e exótico, mesmo não se tratando de geishas, mas de oiran (prostitutas), que é o que os ocidentais, erradamente, costumam achar que são as geishas, recomendo vivamente.
Já agora um PS: apesar de geisha e oiran serem profissões bem diferentes, o universo laboral e social em que viviam era semelhante. Ambas as profissões eram executadas por mulheres, à noite, envolviam guarda-roupa, kimonos, exuberantes (os das oiran mais exuberantes e kitsch), os clientes eram homens, trabalhavam em bairros fechados (distintos) e a hierarquia e aprendizagem nas casas onde viviam era bem semelhante. Daí parte do mal-entendido que é gerado. Mas geisha são artistas e entertainers e oiran eram prostitutas.
さくらん
Sem comentários:
Enviar um comentário