9.6.07

Basilisk

Mais um que estreia na SIC-Radical, que hoje vi pela primeira vez. Ao ver este episódio percebi porque antes nunca me entusiasmara por este anime bastante popular.

À primeira vista, o character design é interessante mas demasiado exagerado. Dentro do leque de personagens há, a meu ver, demasiados "monstros". Eu sei que este é um anime shounen e fantástico, num universo tradicional japonês, mas, para mim, Rurou ni Kenshin é o limite para personagens monstruosas e a raiar o limite do não-credível.

Apesar de não ter visto o primeiro episódio, este que vi era o terceiro, só através dos genéricos me apercebi, mais ou menos, de quem são os protagonistas da história. Neste episódio apenas percebi a existência de dois grupos de viandantes, onde o grupo que mais agiu assassinava de modo sangrento um terceiro grupo com que se cruzou e, pelo que percebi o líder desse grupo tem um fascínio ou curiosidade pelo líder do outro grupo, o protagonista desta história. Não percebi se são inimigos, amigos, rivais, parentes, totais desconhecidos, se têm alguma ambição ou objectivo em comum, etc...

Apesar de tudo ainda tenho alguma curiosidade em continuar a ver este anime tão diverso do que costumo ver, espero que entretanto a narrativa se torne mais explícita.

Basilisk
バジリスク~甲賀忍法帖~

 SIC-Radical

8.6.07

Premiere

Apesar de já ter comprado a revista Premiere há uns dias, só hoje reparei que, na pág.20, no correio do Criswell, está uma missiva do Sérgio Lopes, do blog Cine-Asia, para o qual colaboro com pouca assiduidade (sim, Sérgio, estou a dever-te umas críticas).

É bom ver um print-screen do blog dele, onde também se vê o banner do Anime-comic.

Espero que a resposta, altamente positiva, do Criswell dê bons frutos ao Cine-Asia e, claro está, aqui ao Anime-comic.

22.5.07

Comecei a ver: Lady Georgie

É mais uma maratona de Lady Georgie que outra coisa... ou seja, sou viciada nesta série. Mesmo já a tendo visto, INTEIRA, das duas vezes que passou na RTP, quando finalmente a encontrei (infelizmente não encontrei o original, mas a versão italiana), não consigo parar de ver...

Lady Georgie, da mesma desenhadora de Candy Candy, Yumiko Igarashi, e de Izawa Man (história) é uma das séries anime do meu top 10, mesmo não sendo a primeira da lista (Candy Candy). Comparando com a sua irmã mais velha, esta série tem uma produção muitíssimo mais cuidada e com outro tipo de investimento. Mas tanto a manga como a sua produção é posterior. Já apanha o início dos áureos anos 80 do anime e bebe do sucesso das outras séries shoujo semelhantes. A história é também mais madura e cruel que a de Candy Candy, mas na manga a diferença ainda é mais clara.

Apesar de a protagonista (Georgie) não me cativar do mesmo modo que Candy (que é mais maria-rapaz e menos subserviente) há, definitivamente, qualquer coisa de especial neste tipo de histórias e de anime que me vicia para todo o sempre. Claro que a qualidade gráfica da série é um factor que pesa imenso na minha preferência, mas também o tema do amadurecimento das relações amorosas apimentadas com dois quase-incestos, muito próximos do folhetim, cenas de ciúmes doentios, que aliados à diferenciação rígida de classes dos ingleses, intriga política e crime não transformam esta série numa xaropada de levar ao vómito, como seria de prever.

Estou a gostar imenso de rever esta série, exactamente porque arrisca mais em termos narrativos (gráficos também, pois há algumas cenas de nudez parcial, masculina e feminina), tanto que fiz uma pequena pausa no re-visionamento de Candy (que ando a ver com muita calma). O facto de saber o final da história na manga, que é mais intenso mas que apresenta uma resolução mais coerente que a do anime, ajuda a imaginar o que me intrigou imenso nos visionamentos anteriores.

Esta é uma série muito marcante, que é uma pena também ter sido arrastada para os intermináveis processos de direitos de autor que a desenhadora provocou.

6.5.07

CLAMP Gakuen Tantei Dan

Por esta altura o Canal-Panda está a ser tomado por anime. Um espectador distraído pode ver 3-4 séries seguidas sem dar por isso. E claro que isso é bom, mesmo com as limitações de um canal que tem um público bastante específico.

Hoje estreou CLAMP Gakuen Tantei Dan, ou seja O Clube de Detectives do Colégio CLAMP. Depois de Card Captor Sakura já cá faltava um anime das CLAMP, até porque todos eles foram bastante populares no Japão e são conhecidos no Ocidente, mas com uma grande falta de estreias em Portugal.

Este sempre foi um anime, e manga, das CLAMP pelo qual nunca me interessei muito, sei que temos 3 protagonistas, Nokoru, Akira e Suou, 3 rapazes de cerca de 11 anos, com um mundo de parafrenália e meios à disposição que decidem salvar donzelas em apuros. A intriga é algo fútil e pouco empenhada, mas promete bons momentos de diversão, num anime que une acção e aventura para pré-adolescentes e adolescentes com um humor muito japonês, muito próximo do disparate atrevido.

Esta deve ter sido uma das primeiras séries das CLAMP a unir alguns universos de outras histórias delas pelo meio do Colégio CLAMP. Colégio este que aparece em manga e anime anteriores, todos eles dentro do género fantástico, mas com públicos-alvo diferentes:
Magic Knight Rayearth, manga e anime que surgiram na cauda do sucesso que foi Sailormoon dentro do género mahou shoujo, encomenda da editora Kodansha, mas muito claramente CLAMP;
X, uma manga e anime bastante mais sérios a raiar o terror, a história mais antiga destas 3 e já um clássico no panorama da manga shoujo. Aliás, na aparição do Colégio CLAMP em X também aparecem os 3 rapazes desta série, já adultos e directores do mesmo.

O nome da série também é muito significativo de uma maior afirmação comercial das 4 autoras, o grupo CLAMP, e foi a segunda série das mesmas a ser produzida comercialmente para TV (a primeira foi Rayearth). Até então já algumas das inúmeras manga das CLAMP tinham sido produzidas para anime, mas nada mais que OAV's (RG Veda, Tokyo Babylon, Miyuki-chan), pequenos filmes especiais (CLAMP in Wonderland) ou o filme para cinema de X, numa adaptação algo polémica, pois a história ainda nem sequer tinha chegado a meio na manga. Portanto CLAMP Gakuen marca uma maior transição comercial para as CLAMP, até então autoras mais underground, com um público fiel mas limitado (Rayearth teve um sucesso modesto). Este foi o seu grande primeiro sucesso comercial, seguido depois de um maior ainda, Card Captor Sakura, que lhes possibilitou uma gigantesca proliferação e uma afirmação bem sólida no mercado.

Esta também foi a primeira série das CLAMP a ter um grande investimento a nível de merchandising, que, até então se tinha limitado a art books, anime comics e cartas de colecção e shitajiki (placas em plástico estampadas para colocar debaixo das folhas dos cadernos e evitar que a tinta repasse). Uma vez esbarrei, no Japão, com um livro de culinária de Akira e lembro-me de haver jogos, todo o tipo de bonecos (PVC, UFO Catcher, etc.), posters, todo o tipo de artigos de papelaria, artigos para a casa, etc.

Se a conseguir acompanhar, assim o espero, pois sempre foi o tipo de séries que, se um dia desse na TV gostaria de ver, logo me pronunciarei mais sobre o seu conteúdo e menos sobre o seu contexto de criação.

Canal-Panda
2ª-6ª: ?
sáb., dom.: 08:30, 14:00, 22:00

CLAMP学園探偵団

7.4.07

Captain Herlock

Infelizmente perdi o primeiro episódio (que deu na semana passada), mas, no Canal Panda, está a dar mais um mega-clássico, Space Pirate Captain Herlock: Outside Legend, The Endless Odyssey (antigamente realmente era Harlock, mas recentemente a tradução oficial passou a ser Herlock). Só não é tão clássico assim porque não se trata da série de televisão original (de 1978), mas sim de uma série de 13 OAVs, já produzidos em 2002/2003.

O bom dos remakes das séries de Leiji Matsumoto é que são supervisionados pelo próprio e a qualidade do character design, dos cenários, efeitos especiais e da animação é francamente melhor, permanecendo as histórias com a excelente qualidade que fez dos originais preciosidades que deram a Matsumoto o estatuto de um dos melhores autores de anime ainda vivos no Japão, a par com Hayao Miyazaki, se bem que com menos popularidade no ocidente.
Adicionalmente a realização ainda é de outro "monstro sagrado do anime", Rin Taro, que realizou, entre muitas outras obras primas, episódios da série original de Tetuwan Atom (1963), também episódios da série original de Captain Harlock (1978), Galaxy Express 999 (1979), o filme X (1996) e o filme Metropolis (2001).

Nunca vi a série original, por isso pouco sei acerca dela, só sei que a sua narrativa se cruza com as várias outras séries de Matsumoto, nomeadamente a que ando a ver (lentamente) Galaxy Express 999. Claro que também sei que Herlock é uma espécie de anti-herói, um rebelde que cortou laços com uma sociedade humana corrupta para fazer justiça pelas próprias mãos e qualquer coisa como salvar o Planeta Terra.

De Leiji Matsumoto gosto da sua fama de iconoclasta, veste-se como se se tratasse de uma personagem dentro das suas narrativas e vai pontuando, a la Hitchcock, figurações especiais nas suas séries. É só tentar encontrar as diferenças nestas imagens.

Como a série tem apenas 13 episódios (tratando-se de OAVs, é comum) parece que o Canal Panda, contrariando o hábito de exibir as séries diariamente, está a passá-la apenas aos sábados, às 12:00h e às 21:30h.

SPACE PIRATE CAPTAIN HERLOCK

Canal Panda

2.4.07

Sakuran

Mais uma vez o excelente site Midnighteye levou-me a mais um filme curioso: Sakuran.

Sakuran é adaptado de uma manga seinen, da autoria de ninguém mais do que, Moyoco Anno, mulher de Hideaki Anno da Gainax, um dos criadores de Evangelion. Sakuran é um misto de tradição com o pós-modernismo colorido japonês, e fala de uma oiran de outros tempos, vestida de modo extremamente exuberante, cheia de cores vivas. Essa mistura, tal como na manga Osen, é tiro e queda para me despertar a curiosidade e as imagens que já vi do filme cativaram-me seriamente.

Este filme é protagonizado por Anna Tsuchiya, onde alia a sua imagem de rockeira e as suas feições mestiças de forma muito interessante e, quem sabe engraçada, a uma imagem muitíssimo perto da do original da manga. Aparentemente é também um filme cheio de convidados especiais, sabe-se que Hideaki Anno faz lá uma perninha, entre outras personalidades pop japonesas.

Fico ansiosamente à espera deste filme, que espero que preencha as minhas expectativas do mesmo modo que Shimotsuma Monogatari (Kamikaze Girls) me surpreendeu pela positiva.

O site oficial está muito bonito, com uns loadings excelentes. Vale uma olhadela.

映画『さくらん』

26.3.07

EVA at Work

Fui fazer uma das minhas visitas regulares ao site da Gainax quando me deparo com a maior loucura, que são algumas peças de arte executadas sob o tema de Evangelion, EVA at Work, mais uma comemoração dos 10 anos da série.

De todas as obras feitas, e são bem variadas, desde arte digital até uma tatuagem, passando por uma performance num estilo muito teatro Noh, a mais estranha e "fora" de todas elas é este prato-Lilith, chamado de Eva course e os respectivos garfo e faca, directamente inspirados na lança de Longines (Longin, no original), onde se come na "barriga" de Lilith. É muito interessante, mas eu é que não comia naquele prato (ew)! Bem, o comentário do autor sobre a peça é quaquer coisa como: "Será que consegues comer neste prato?" (eu não). Os talheres ainda vá lá, apesar de não parecerem lá muito práticos, mas para quem come 90% das vezes com pauzinhos, não me parece que isso tenha grande importância.

Para cada obra há um videozinho disponível em flash, podcast, pda e psp. Nada como dar lá um pulinho e ver com os próprios olhos.

8.3.07

CINE-ASIA: Malice@Doll

Há algum tempo, por falta de disponibilidade, que não fazia nenhuma crítica para o Cine-Asia. Aqui fica uma crítica a um conjunto de 3 OAV's, que funcionam como um único filme, bastante invulgares em animação 3D, Malice@Doll, que descobri através do fantástico site sobre cinema japonês, Midnight Eye.

19.2.07

Ando a ver: Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE-

Comecei a ver este anime já há algum tempo (e muito lentamente) por uma única razão, ser mais uma obra das CLAMP. Sou fã das CLAMP há muitos anos mas ainda não me tinha pronunciado sobre este anime simplesmente porque me desiludiu.

Tsubasa CHRoNiCLE é um anime cuja história se arrasta infindávelmente e cuja premissa não é suficientemente forte para agarrar tanta seca. Parece que as CLAMP ficaram sem ideias e resolveram criar uma manga/anime que reúna todas as suas personagens, criadas até então, adicionando mais algumas novas, juntando tudo num mesmo pote com a "desculpa" dos mundos alternativos e viagens interdimensionais. O problema é que com tanta "alternativa" o carisma de certas personagens, algumas das minhas favoritas, tais como Arashi e Sorata, da manga X, fica de tal forma diluído que perdem o interesse que outrora tiveram nos seus verdadeiros contextos.

Para além disso o grande motivo porque a história se arrasta é o facto de as personagens principais de Tsubasa CHRoNiCLE ficarem 2, 3 ou 4 episódios no mesmo mundo/dimensão, com a resolução a ficar progressivamente mais longe.

De tudo, a única coisa de que gostei verdadeiramente é da banda-sonora, excepto talvez as duas canções dos genéricos, essas não acho nada de especial. A banda-sonora até parece descoordenada com este anime, em que nem a qualidade da animação se tem safado, de tão boa que é. Tem uma sonoridade algo world music, com influências várias, mas essencialmente asiáticas, fazendo lembrar alguns outros trabalhos no género como as bandas-sonoras de Macross Plus, pela fantástica Yoko Kanno, ou de Last Exile.

Neste momento vou a meio da série, insisto para ver até ao fim porque ainda me resta alguma curiosidade para ver como as coisas se desenrolam e para dar uma última oportunidade a este anime. Também quero ver até ao fim pois não sou pessoa de deixar coisas a meio.

A esperança é pouca, mas, quando vir a série até ao fim, cá me manifestarei.

ツバサ・クロニクル

13.2.07

Anime na Fnac

A maré sempre me levou à Fnac no domingo. Foi interessante, ouviu-se e falou-se bastante, o que acho que é raro, pelo menos do modo como foi feito.

Foi produtivo! Parabéns!

NCREATURES

6.2.07

Escândalo ou oportunismo?

Soube há pouco da escandaleira que foi terem sido aprovadas classificações "maiores de 6 anos" para dois DVD's de anime porno (hentai), pelo IGAC, e até terem sido colocados no mercado.

Bem... os tipos da distribuidora é que souberam, como deve ser, aproveitar uma janela que se lhes proporcionou. É mais que sabido que quem classifica os desenhos animados, na grande maioria das vezes nem se preocupa em vê-los, "rotulando-os" directamente de "se são desenhos animados, são para crianças.".

Por mais que seja escandaloso (e é), foram apenas uns tipos espertalhões, que se aproveitaram do preconceito e funcionarismo público para tentarem fazer uns trocos a mais. O mal está no facto que situações destas não servem para mais nada a não ser aumentar o preconceito: se antes o anime eram apenas "meninas de olhos grandes", depois passou a ser "demasiado violento" para agora ser (e apenas) pornográfico? Se os funcionários do IGAC e afins fizessem sempre bem o seu papel, mais difícil seria situações destas surgirem... é triste.

5.2.07

Comecei a ver: Jigoku Shoujo Futakomori

Ao fim de ver cerca de seis episódios da segunda série de Jigoku Shoujo, já dá para tirar algumas conclusões.

No geral ando a achar a série mais fraquinha que a primeira, não sei se foi o impacto da novidade ou se é mesmo uma questão de ser melhor ou pior, mas a sensação de estranheza e arrepios que me deu a primeira série, na segunda não tive.

A história introduz uma nova personagem e consideravelmente menos tempo em começar a mostrá-la. Por outro lado de Tsugumi e Hajime desapareceram do mapa (pode ser que voltem, ou não). As histórias individuais de cada episódio já não são tão repetitivas, quase nenhuma segue a mesma fórmula fixa e rígida que prevalecia na primeira série. O guarda-roupa das meninas do Inferno (Enma Ai e Honee Onna) foi renovado, andam as duas mais coloridas, e, claro, temos uma abertura e fecho novos com músicas novas.

Das mudanças mais óbvias, sem dúvida que o avançar mais rápido da narrativa principal é uma mudança positiva, ninguém aguenta bem esperar tanto que alguma coisa aconteça. Como a repetição, na primeira série, tinha uma certa lógica de reforçar a frieza de sentimentos e criar, na rotina, a sensação de insólito, acaba por ser um dos elementos que tira as sensações fortes de antes. A falta da rotina em cada episódio sem uma justificação forte torna, a meu ver, a curiosidade para ver o próximo episódio um tanto fraca. Mesmo sendo mais simples, acho que gostava mais dos kimonos anteriores e também dos genéricos, mas isso é apenas uma questão de gosto.

地獄少女

2.2.07

Mais do mesmo? (acho que já perguntei isto noutro post)

Vai haver um evento, a Semana Anime, pelas palavras da organização "o primeiro no género a ocorrer num espaço comercial", de 5 a 11 de Fevereiro na FNAC do Chiado, em Lisboa.

Foi com satisfação que fiquei a saber do evento até me deparar com o programa: são as séries e os filmes de sempre, nada que não tenha já passado em Portugal, seja na televisão pública, cabo ou esteja editado em DVD e o pior é que a escolha, dentro do que já está editado é também sempre a mesma: Akira, Ghost In the Shell (vá lá que agora o testemunho foi passado ao Innocence), O Castelo Andante, Conan, o Rapaz do Futuro, etc. Até o único filme não-anime que vão passar é mais do mesmo!! Sim, é mais um Kurosawa e sim, é Os Sete Samurais!!! (falta de imaginação!).

Pergunto-me se, havendo um claro apoio comercial, seja da loja como de editoras, se não seria mais interessante mostrarem títulos menos óbvios ou até mesmo títulos em catálogo mas ainda não editados. Até seria uma boa oportunidade para as respectivas editoras fazerem um pequeno teste de mercado a ver se certo tipo de títulos, dentro de outros géneros e públicos-alvo pouco contemplados, funcionariam.

É bom haver este tipo de eventos, mas é muito pouco interessante nunca passarem da cepa torta, não se variar e não aproveitar a enorme variedade que o anime nos apresenta, para alargar os horizontes do público, na grande maioria, ainda mal informado.

Logo vejo se apareço para o debate no domingo, mas... tudo depende das marés.

NCREATURES

28.1.07

Acabei de re-ver: Daddy Longlegs

Depois de, pelo meio, ter lido (graças ao Project Gutenberg) o livro original, que curiosamente são apenas as cartas de Judy, ou melhor Jerusha, aos diversos interlocutores (Daddy, Jervis, etc.) e ainda Dear Enemy, o livro seguinte de Jean Webster do qual foram aproveitadas pequenas partes para a história do anime e cuja protagonista é nada menos que Sallie MacBride, mais ainda admiro esta série de anime.

Como disse anteriormente não sou particularmente fã do character design e menos ainda de alguns dos animadores principais que pontuaram os episódios e infelizmente o último. Mesmo assim, devido a uma narrativa extremamente envolvente e emocionante, este é um anime da minha lista dos melhores, do qual não abdico. Aqui fica a prova de que com um bom argumento quase tudo sobrevive e se torna interessante. É talvez uma das adaptações mais bem conseguidas de um livro, uma vez que o original é muito simples, depende apenas de um ponto de vista e todas as personagens secundárias são muito pouco desenvolvidas. No geral já existem todas no livro, Leonora Fenton, Carrie, Amasai mas não passam de nomes mencionados ao de leve pela autora das cartas, Judy. Desenvolvendo, como o fizeram, as histórias individuais destas personagens e também de Jervis, Sallie e Julia, os autores do argumento da série não fizeram nada mais do que enriquecer a história e a protagonista, de uma forma extremamente coerente sem terem de fazer render o peixe pelos 40 episódios que dura, não se valendo de expedientes fáceis como por vezes sucede até nos anime mais cuidados.

Judy Abbott é uma das minhas personagens favoritas na galeria dos meus anime preferidos, que já vi e revi muitas vezes mas que, de certeza voltarei a rever.

私のあしながおじさん

Kaleido Star

Já começou há cerca de um mês no Canal Panda Kaleido Star, um anime do qual apenas tinha visto o nome e cartazes de promoção. Em resumo: não sabia sequer do que se trata, fora as obvias conclusões que se tiram das imagens, de que é um shoujo.

Hoje finalmente vi um episódio e a primeira torcidela de nariz foi o facto de estar dobrado em brasilês... Não tenho rigorosamente nada contra os brasileiros e também é verdade que vemos muito anime dobrado noutras línguas que não são o português nos nossos canais. Mas independentemente disso faz-me alguma confusão e preferia, já que tem de ser dobrado, que fosse dobrado em português de Portugal.

O anime é engraçado mas não me entusiasmou. Sou capaz de tentar seguir a série, mas estou convencida que, com a falta de disponibilidade que tenho tido ultimamente, não o vou fazer. De qualquer modo é um anime bem feito técnicamente, com bons cenários, um character design agradável, boa animação, mas talvez algo insípido.

A história trata de uma rapariga, Sora (pelo menos mantiveram os nomes originais - 1 ponto para os brasileiros!), que pertence a uma trupe que faz espectáculos circences, a Kaleido Star. Aparentemente Sora é uma escolhida por um ser/duende, Fool de seu nome, cuja missão é encontrar os elementos perfeitos para um número especial dessa trupe, os quais e apenas eles o conseguem ver.

A história também não me deixou agarrada, vamos ver se, ao ver mais episódios, algo muda.

Kaleido Star - can you be a star?
カレイドスター: Kaleido Star

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:00, 13:00, 21:00
sab, dom: 13:00, 21:00

23.12.06

Meri Kurisumasu VI

Esta época é bem fértil em imagens engraçadas, principalmente as de anime ou manga shoujo. Este ano escolhi uma que já foi o splash screen do site oficial de Sailormoon, uma das minhas séries anime preferidas de sempre.

Gosto desta imagem por uma razão: pertence à série de desenhos de Sailormoon já executados pela sua autora, Naoko Takeuchi, à posteriori, na fase de promoção tanto do site como da série live action e das reedições da manga. O traço é bem mais limpo e definido e Naoko soube fazer muitíssimo bem a transição de acabamentos totalmente à mão (pintados à mão sobre papel) para a ilustração em computador, ou seja, pintada e com acabamentos feitos em computador. Para mais exemplos é ver as novas capas da manga, que são lindíssimas.

20.12.06

CINE-ASIA: Ghost In the Shell 2: Innocence

Na sequência do Nippon Koma, na Culturgest, aqui fica a minha crítica a este filme, com o qual fiquei pouco impressionada.



Japão, 2004, 100Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Ano 2032, Batou, personagem fácilmente reconhecível do filme anterior (Ghost In the Shell), gente da Section 9, é designado para investigar uma série de assassinatos de figuras importantes da sociedade, supostamente assassinadas por uma série de bonecas/robôs, as Gynoids, que avariam, matam os respectivos donos e de seguida se autodestroem. Na ausência da Major Kusanagi, que desapareceu em misteriosas circunstâncias e deixou fortes memórias a Batou, é-lhe atribuido um novo colega, Togusa, ex-detective da polícia. Os dois perseguem o criador das Gynoids sendo sucessivamente confrontados com a diferença entre homem e máquina, cada vez mais difícil de distinguir.

Crítica: Este filme é uma muito esperada sucessão do anterior êxito, principalmente entre os espectadores ocidentais, Ghost In the Shell. Feliz ou infelizmente, pelo meio houve a série dos três filmes do Matrix assumida e altamente inspirada neste filme o que torna o tema existêncialista das diferenças entre homem e máquina, animado e não-animado, com alma e sem alma, etc. um pouco gasto.

Ghost In the Shell 2: Innocence é um filme muitíssimo bem feito, com cenários em CG (computer graphics) e animações de paisagens e não só, monumentais, perfeitamente integrados com um character design um pouco mais próximo dos desenhos originais da manga de Masamune Shirow, com uma produção técnica e artística sem mácula. Pena é que a realização de Mamoru Oshii continua a ser uma realização mediana de “studio system”, pouco criativa, apesar do luxo do apoio técnico e artístico por trás desta produção.

Toda a temática filosófica é muito interessante, já vem directamente da manga, onde Masamune Shirow se diverte a dissertar e a fantasiar ao ritmo da pena e do pincel, mas neste filme sente-se um excesso de elementos e teorias com muito pouco desenvolvimento e menos ainda as conclusões. A falta de conclusões é de pouca relevância, pois a própria dissertação das diferenças entre homem e máquina é directamente proporcional aos avanços da tecnologia, e portanto as conclusões só poderão vir com as conclusões da própria humanidade. Mas a falta de desenvolvimento faz com que toda a introdução deste tema interessante mas denso, soe a académico, como se de um trabalho de faculdade se tratasse, onde o que interessa é mostrar quantidade e não qualidade. O espectador menos atento acaba por se perder entre tanta teoria e talvez não prestar atenção aos pormenores importantes.

A par da densidade do tema, sente-se falta do sarcasmo e sentido de humor algo perverso da manga, mistura essa que para além de cativar mais para o texto torna-o de mais fácil assimilação e muito mais divertido. Também se sente bastante a falta da major Kusanagi, seja pela sua figura escultórica, mas mais ainda pelo seu humor negro que contrapõe majestosamente a gravidade de Batou e a falta de ambição de Togusa.

Como o filme tem uma direcção artística de primeira e muitíssimo boa, engana muito parecendo um bom filme, com sequências de deixar qualquer um de queixo caído, tal é o deslumbramento provocado. A nível estético encontram-se influências directas de um outro filme, anterior a ambos os Ghost In the Shell, e que também já abordava, no início dos anos 80 e com grande sucesso, esta mesma temática, falo de Blade Runner. Outra curiosa influência é a do próprio Matrix, portanto já em 3ª mão.

Vale pelos cenários e sequências na cidade, pela parada com os elefantes (elementos importantes numa das alegorias mencionadas no filme), pela mansão e pela banda-sonora do mais-que-conhecido Kenji Kawai, que não desilude mas também surpreende pouco.

Classificação:6/10

17.12.06

Cowboy Bebop

Cowboy Bebop, que regressou à SIC-Radical, é uma das minhas séries anime preferidas e um clássico. Hoje finalmente madruguei para (re)ver Evangelion e acabei por ver o episódio de Cowboy Bebop, Session#09: Jamming With Edward, e tive a triste lembrança das péssimas legendagens/traduções. Entre outros erros (infelizmente até alguns de português) o pior é um que tem imenso a ver com a maneira de pensar dos japoneses e em particular da deliciosa personagem que é a Ed. Quando Ed entra em contacto com o satélite rebelde e decide dar-lhe um nome mais simples, ela chama-lhe "Npyu" da palvra konpyutaa [nota: escrevi a romanização do modo como se escreve computer em katakana], porque ela está a falar com o computador/inteligência artificial do dito satélite.

Eu sei que a série infelizmente não foi traduzida directamente do japonês, que foi traduzida de uma tradução, já algo criativa, francesa e daí ter ficado o satélite batizado de "Plume", o que não faz sentido nenhum pois Ed tinha acabado de explicar o porquê do novo nome. Também sei que é caro, difícil, etc. fazer traduções do japonês, mas neste caso (e de todos os outros anime) fala simplesmente mais alto a conveniência de despejar a tradução à empresa mais próxima, que faz descontos se houver um volume maior de projectos a legendar... resumindo: o dinheiro e a eventual rapidez falam mais alto. Só que, "depressa e bem, não há quem"!

A maior pena que tenho nisto tudo é que Cowboy Bebop é uma das melhores séries de anime que já passaram nas televisões nacionais, que inclusive já adquiriu o estatuto de clássico e, ao contrário dos clássicos dos anos 70 e 80, tem uma qualidade técnica muito acima da média. Foi um dos primeiros anime produzidos para um público-alvo mais maduro, na sequência da acima mencionada série Shin Seiki Evangelion, uma tendência que tem vindo a aumentar. Merecia um tratamento melhor.

Resta-me continuar a desfrutar de Cowboy Bebop e tentar não ler as legendas, para não me irritar logo a um sábado de manhã.

カウボーイビバップ

12.12.06

CINE-ASIA: Tonari no Totoro

Crítica, para o Cine-Asia, do meu filme preferido de Hayao Miyazaki.



Japão, 1988, 86min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Uma família, o pai e as duas filhas, a responsável Satsuki e a introspectiva Mei, mudam-se para uma nova casa no campo que mais parece uma mansão assombrada. A casa é perto de uma árvore centenária que esconde alguns mistérios. A mãe das raparigas está hospitalizada por perto o que as faz sofrer de modos diferentes. Sem notícias da mãe, Mei foge, fazendo com que Satsuki inicie uma extraordinária busca.

Crítica: “O meu vizinho Totoro” é um filme intemporal e para todos, tal é a sua universalidade. É talvez das obras mais fundamentais de Hayao Miyazaki, o filme que marcou o seu reconhecimento no Japão (basta ver a quantidade e variedade de merchandising existente). Mas este filme é muito para além de mero comércio, é um retrato do comportamento e modo de encarar a vida para os japoneses. O primeiro aspecto relevante será talvez a maneira como uma potencial casa assombrada e espíritos sobrenaturais não são uma via disciplinadora para as crianças, mas sim um dado extra, encarado com excitação e naturalidade, é como se viesse com o pacote de mudarem para o campo.

A história é de tal forma equilibrada e abrangedora que conjuga o lado fantástico, mais pitoresco, belo e infantil com uma narrativa que aborda a complexidade da mudança e de encarar a dor e eventual perda de um parente próximo, sem que o espectador dê muito por isso. É nessa subtileza que está a verdadeira magia de Totoro e se revela o génio de Miyazaki. Foi com certeza um filme muito trabalhado e amado por quem o fez.

Como curiosidade foi o próprio Hayao Miyazaki quem escreveu as letras de ambas as canções dos genéricos, com o propósito de serem de fácil entendimento tanto para crianças como adultos. No ocidente, são uma boa maneira para iniciantes à língua japonesa se sentirem preenchidos por as perceberem com facilidade. Isto traz-nos à que é provávelmente a primeira banda-sonora, da colaboração Miyazaki/Joe Hisaishi, que foi um sucesso de popularidade.

De resto este é um filme de pequenos detalhes: a arquitectura de uma casa no campo, as plantas, os animais, uma bolota, andar à boleia numa bicicleta, apanhar uma molha ao voltar da escola, pequenos hábitos do dia-a-dia, relações interpessoais entre crianças e adultos e um elogio à natureza como qualidade de vida e uma mais-valia para os seres humanos que a habitam. É também neste filme onde aparecem pela primeira vez os pequenos seres de fuligem que mais tarde retornam em “Sen To Chihiro no Kamikakushi”.

Desta volta, em vez da abordagem do choque, utilizada tanto em “Nausicaä”, como em “Laputa”, onde personagens lutam para defender a natureza, Miyazaki dá à ecologia uma forma mais ligada aos conceitos do Shitoísmo, ainda muito presentes na cutura japonesa. A árvore gigante é encarada com respeito e admiração, os seres/deuses sobrenaturais fazem parte da natureza e os seres humanos aceitam-nos com naturalidade e, mais uma vez, respeito. Os seres humanos integram-se na paisagem e vivem com e da natureza sem a adulterar em demasia, com propósitos egoístas e desnecessários.

Em contrapartida, através destas duas miúdas, de cerca de 10 e 4 anos, assistimos a um crescimento e aceitação de novas realidades muitas vezes tingidas por dificuldades difíceis de ultrapassar como é ter a mãe doente. Na esperança e preserverança de duas pequenas raparigas, temos a força para continuar a viver o melhor que podemos, apreciando as pequenas coisas do dia-a-dia.

A história é simples e com poucas reviravoltas, o que dá espaço para a apreciação dessa mesma natureza e dos seus habitantes,sejam eles as pessoas da aldeia, os animais domésticos ou selvagens ou seres sobrenaturais. Por isso o filme deixa muito espaço para as viagens mágicas com Totoro e os seus “colegas”, que constituem grande parte da atracção e apreciação deste delicioso filme. Não é um filme contemplativo e muito menos aborrecido, todas as cenas mágicas são isso mesmo, transportam-nos para uma outra realidade que gostariamos que pervalecesse mais tempo.

Há uma pequena piscadela de olho à paixão de Miyazaki por máquinas voadoras, na personagem do miúdo Kanta que brinca frequentemente com um pequeno avião de aeromodelismo. É um filme que nos diz para parar e olhar para as belas coisas em volta, apreciar a vida como ela é, não ambicionando para além das nossas capacidades, atropelando os que nos rodeiam. É um apelo à vida no campo, com as suas dificuldades mas maior qualidade de vida. E, convenhamos, o Totoro amolece o coração mais empedrenido!

Classificação: 9/10

10.12.06

Nippon Koma 06: dia 6

A sessão de hoje à tarde valeu o Nippon Koma inteiro! O filme Ski Jumping Pairs: Road to Torino 2006 é simplesmente hilariante! Numa edição anterior do Nippon Koma (estou com demasiada preguiça para ir ver qual delas foi) já tinham passado a sequência em 3D da 3ª parte deste filme, e já nessa altura despertou em mim valentes gargalhadas. Desta vez saí da sala cheia de lágrimas de riso.

Ski Jumping Pairs é um fakumentary (=falsomentário - se é que o género poderá existir) onde se simula, em três episódios, o acompanhamento do "drama" que foi o percurso da modalidade de saltos de ski em pares, desde a sua invenção/descoberta até ao reconhecimento como modalidade olímpica. Não fora o subtil humor japonês e a sucessão de disparate após disparate, cada vez mais descabido, o filme está de tal forma bem feito que convence. Todos os elementos que denunciam a ficção vão aparecendo em crescendo, provocando, de início apenas estranheza no espectador até o levar, por fim, com o 3D das sequências de saltos, às lágrimas de riso. Um excelente ensaio de humor e inteligência.

A sessão da noite apresentou um clássico do anime Ghost in the Shell: Innocence, um filme daqueles que já toda a gente viu, menos eu, que normalmente só costumo ver estes filmes se mos colocarem à frente e eu estar com preguiça suficiente para ficar ali a vê-los. Dentro dessa mesma preguicite é assim que acabo por ter visto este filme no Nippon Koma. Já que ia ver os filmes todos, já agora vejo o filme que todos os não-fãs de anime que dizem que apreciam anime já viram.

Sobre o filme em concreto, daqui a uns dias há de estar uma crítica minha no Cine-Asia, e aí falarei do que achei.
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