Gosto desta imagem por uma razão: pertence à série de desenhos de Sailormoon já executados pela sua autora, Naoko Takeuchi, à posteriori, na fase de promoção tanto do site como da série live action e das reedições da manga. O traço é bem mais limpo e definido e Naoko soube fazer muitíssimo bem a transição de acabamentos totalmente à mão (pintados à mão sobre papel) para a ilustração em computador, ou seja, pintada e com acabamentos feitos em computador. Para mais exemplos é ver as novas capas da manga, que são lindíssimas.
23.12.06
Meri Kurisumasu VI
Gosto desta imagem por uma razão: pertence à série de desenhos de Sailormoon já executados pela sua autora, Naoko Takeuchi, à posteriori, na fase de promoção tanto do site como da série live action e das reedições da manga. O traço é bem mais limpo e definido e Naoko soube fazer muitíssimo bem a transição de acabamentos totalmente à mão (pintados à mão sobre papel) para a ilustração em computador, ou seja, pintada e com acabamentos feitos em computador. Para mais exemplos é ver as novas capas da manga, que são lindíssimas.
20.12.06
CINE-ASIA: Ghost In the Shell 2: Innocence
Japão, 2004, 100Min.
Página Oficial - Trailer - Fotos
Sinopse: Ano 2032, Batou, personagem fácilmente reconhecível do filme anterior (Ghost In the Shell), gente da Section 9, é designado para investigar uma série de assassinatos de figuras importantes da sociedade, supostamente assassinadas por uma série de bonecas/robôs, as Gynoids, que avariam, matam os respectivos donos e de seguida se autodestroem. Na ausência da Major Kusanagi, que desapareceu em misteriosas circunstâncias e deixou fortes memórias a Batou, é-lhe atribuido um novo colega, Togusa, ex-detective da polícia. Os dois perseguem o criador das Gynoids sendo sucessivamente confrontados com a diferença entre homem e máquina, cada vez mais difícil de distinguir.
Crítica: Este filme é uma muito esperada sucessão do anterior êxito, principalmente entre os espectadores ocidentais, Ghost In the Shell. Feliz ou infelizmente, pelo meio houve a série dos três filmes do Matrix assumida e altamente inspirada neste filme o que torna o tema existêncialista das diferenças entre homem e máquina, animado e não-animado, com alma e sem alma, etc. um pouco gasto.
Ghost In the Shell 2: Innocence é um filme muitíssimo bem feito, com cenários em CG (computer graphics) e animações de paisagens e não só, monumentais, perfeitamente integrados com um character design um pouco mais próximo dos desenhos originais da manga de Masamune Shirow, com uma produção técnica e artística sem mácula. Pena é que a realização de Mamoru Oshii continua a ser uma realização mediana de “studio system”, pouco criativa, apesar do luxo do apoio técnico e artístico por trás desta produção.
Toda a temática filosófica é muito interessante, já vem directamente da manga, onde Masamune Shirow se diverte a dissertar e a fantasiar ao ritmo da pena e do pincel, mas neste filme sente-se um excesso de elementos e teorias com muito pouco desenvolvimento e menos ainda as conclusões. A falta de conclusões é de pouca relevância, pois a própria dissertação das diferenças entre homem e máquina é directamente proporcional aos avanços da tecnologia, e portanto as conclusões só poderão vir com as conclusões da própria humanidade. Mas a falta de desenvolvimento faz com que toda a introdução deste tema interessante mas denso, soe a académico, como se de um trabalho de faculdade se tratasse, onde o que interessa é mostrar quantidade e não qualidade. O espectador menos atento acaba por se perder entre tanta teoria e talvez não prestar atenção aos pormenores importantes.
A par da densidade do tema, sente-se falta do sarcasmo e sentido de humor algo perverso da manga, mistura essa que para além de cativar mais para o texto torna-o de mais fácil assimilação e muito mais divertido. Também se sente bastante a falta da major Kusanagi, seja pela sua figura escultórica, mas mais ainda pelo seu humor negro que contrapõe majestosamente a gravidade de Batou e a falta de ambição de Togusa.
Como o filme tem uma direcção artística de primeira e muitíssimo boa, engana muito parecendo um bom filme, com sequências de deixar qualquer um de queixo caído, tal é o deslumbramento provocado. A nível estético encontram-se influências directas de um outro filme, anterior a ambos os Ghost In the Shell, e que também já abordava, no início dos anos 80 e com grande sucesso, esta mesma temática, falo de Blade Runner. Outra curiosa influência é a do próprio Matrix, portanto já em 3ª mão.
Vale pelos cenários e sequências na cidade, pela parada com os elefantes (elementos importantes numa das alegorias mencionadas no filme), pela mansão e pela banda-sonora do mais-que-conhecido Kenji Kawai, que não desilude mas também surpreende pouco.
Classificação:6/10
17.12.06
Cowboy Bebop
Eu sei que a série infelizmente não foi traduzida directamente do japonês, que foi traduzida de uma tradução, já algo criativa, francesa e daí ter ficado o satélite batizado de "Plume", o que não faz sentido nenhum pois Ed tinha acabado de explicar o porquê do novo nome. Também sei que é caro, difícil, etc. fazer traduções do japonês, mas neste caso (e de todos os outros anime) fala simplesmente mais alto a conveniência de despejar a tradução à empresa mais próxima, que faz descontos se houver um volume maior de projectos a legendar... resumindo: o dinheiro e a eventual rapidez falam mais alto. Só que, "depressa e bem, não há quem"!
A maior pena que tenho nisto tudo é que Cowboy Bebop é uma das melhores séries de anime que já passaram nas televisões nacionais, que inclusive já adquiriu o estatuto de clássico e, ao contrário dos clássicos dos anos 70 e 80, tem uma qualidade técnica muito acima da média. Foi um dos primeiros anime produzidos para um público-alvo mais maduro, na sequência da acima mencionada série Shin Seiki Evangelion, uma tendência que tem vindo a aumentar. Merecia um tratamento melhor.
Resta-me continuar a desfrutar de Cowboy Bebop e tentar não ler as legendas, para não me irritar logo a um sábado de manhã.
カウボーイビバップ
12.12.06
CINE-ASIA: Tonari no Totoro
Japão, 1988, 86min
Página Oficial - Trailer - Fotos
Sinopse: Uma família, o pai e as duas filhas, a responsável Satsuki e a introspectiva Mei, mudam-se para uma nova casa no campo que mais parece uma mansão assombrada. A casa é perto de uma árvore centenária que esconde alguns mistérios. A mãe das raparigas está hospitalizada por perto o que as faz sofrer de modos diferentes. Sem notícias da mãe, Mei foge, fazendo com que Satsuki inicie uma extraordinária busca.
Crítica: “O meu vizinho Totoro” é um filme intemporal e para todos, tal é a sua universalidade. É talvez das obras mais fundamentais de Hayao Miyazaki, o filme que marcou o seu reconhecimento no Japão (basta ver a quantidade e variedade de merchandising existente). Mas este filme é muito para além de mero comércio, é um retrato do comportamento e modo de encarar a vida para os japoneses. O primeiro aspecto relevante será talvez a maneira como uma potencial casa assombrada e espíritos sobrenaturais não são uma via disciplinadora para as crianças, mas sim um dado extra, encarado com excitação e naturalidade, é como se viesse com o pacote de mudarem para o campo.
A história é de tal forma equilibrada e abrangedora que conjuga o lado fantástico, mais pitoresco, belo e infantil com uma narrativa que aborda a complexidade da mudança e de encarar a dor e eventual perda de um parente próximo, sem que o espectador dê muito por isso. É nessa subtileza que está a verdadeira magia de Totoro e se revela o génio de Miyazaki. Foi com certeza um filme muito trabalhado e amado por quem o fez.
Como curiosidade foi o próprio Hayao Miyazaki quem escreveu as letras de ambas as canções dos genéricos, com o propósito de serem de fácil entendimento tanto para crianças como adultos. No ocidente, são uma boa maneira para iniciantes à língua japonesa se sentirem preenchidos por as perceberem com facilidade. Isto traz-nos à que é provávelmente a primeira banda-sonora, da colaboração Miyazaki/Joe Hisaishi, que foi um sucesso de popularidade.
De resto este é um filme de pequenos detalhes: a arquitectura de uma casa no campo, as plantas, os animais, uma bolota, andar à boleia numa bicicleta, apanhar uma molha ao voltar da escola, pequenos hábitos do dia-a-dia, relações interpessoais entre crianças e adultos e um elogio à natureza como qualidade de vida e uma mais-valia para os seres humanos que a habitam. É também neste filme onde aparecem pela primeira vez os pequenos seres de fuligem que mais tarde retornam em “Sen To Chihiro no Kamikakushi”.
Desta volta, em vez da abordagem do choque, utilizada tanto em “Nausicaä”, como em “Laputa”, onde personagens lutam para defender a natureza, Miyazaki dá à ecologia uma forma mais ligada aos conceitos do Shitoísmo, ainda muito presentes na cutura japonesa. A árvore gigante é encarada com respeito e admiração, os seres/deuses sobrenaturais fazem parte da natureza e os seres humanos aceitam-nos com naturalidade e, mais uma vez, respeito. Os seres humanos integram-se na paisagem e vivem com e da natureza sem a adulterar em demasia, com propósitos egoístas e desnecessários.
Em contrapartida, através destas duas miúdas, de cerca de 10 e 4 anos, assistimos a um crescimento e aceitação de novas realidades muitas vezes tingidas por dificuldades difíceis de ultrapassar como é ter a mãe doente. Na esperança e preserverança de duas pequenas raparigas, temos a força para continuar a viver o melhor que podemos, apreciando as pequenas coisas do dia-a-dia.
A história é simples e com poucas reviravoltas, o que dá espaço para a apreciação dessa mesma natureza e dos seus habitantes,sejam eles as pessoas da aldeia, os animais domésticos ou selvagens ou seres sobrenaturais. Por isso o filme deixa muito espaço para as viagens mágicas com Totoro e os seus “colegas”, que constituem grande parte da atracção e apreciação deste delicioso filme. Não é um filme contemplativo e muito menos aborrecido, todas as cenas mágicas são isso mesmo, transportam-nos para uma outra realidade que gostariamos que pervalecesse mais tempo.
Há uma pequena piscadela de olho à paixão de Miyazaki por máquinas voadoras, na personagem do miúdo Kanta que brinca frequentemente com um pequeno avião de aeromodelismo. É um filme que nos diz para parar e olhar para as belas coisas em volta, apreciar a vida como ela é, não ambicionando para além das nossas capacidades, atropelando os que nos rodeiam. É um apelo à vida no campo, com as suas dificuldades mas maior qualidade de vida. E, convenhamos, o Totoro amolece o coração mais empedrenido!
Classificação: 9/10
10.12.06
Nippon Koma 06: dia 6
Ski Jumping Pairs é um fakumentary (=falsomentário - se é que o género poderá existir) onde se simula, em três episódios, o acompanhamento do "drama" que foi o percurso da modalidade de saltos de ski em pares, desde a sua invenção/descoberta até ao reconhecimento como modalidade olímpica. Não fora o subtil humor japonês e a sucessão de disparate após disparate, cada vez mais descabido, o filme está de tal forma bem feito que convence. Todos os elementos que denunciam a ficção vão aparecendo em crescendo, provocando, de início apenas estranheza no espectador até o levar, por fim, com o 3D das sequências de saltos, às lágrimas de riso. Um excelente ensaio de humor e inteligência.
A sessão da noite apresentou um clássico do anime Ghost in the Shell: Innocence, um filme daqueles que já toda a gente viu, menos eu, que normalmente só costumo ver estes filmes se mos colocarem à frente e eu estar com preguiça suficiente para ficar ali a vê-los. Dentro dessa mesma preguicite é assim que acabo por ter visto este filme no Nippon Koma. Já que ia ver os filmes todos, já agora vejo o filme que todos os não-fãs de anime que dizem que apreciam anime já viram.
Sobre o filme em concreto, daqui a uns dias há de estar uma crítica minha no Cine-Asia, e aí falarei do que achei.
9.12.06
Nippon Koma 06: dia 5
Agora a seca que passei na sessão de animação de Tanaami Keiichi e Nobuhiro Aihara é indescritível! Cerca de duas horas de pequenos filmes em média de 6 minutos que mais pareciam ter 60! De todo o pacote apenas dois eram interessantes, Ki-Moving e Mask, e alguns dos écrans de títulos, o resto era uma sucessão de animações experimentais que se repetiam até à exaustão num desfilar de orelhas fálicas (não me perguntem!) que apenas provocavam gargalhadas nervosas em alguns dos espectadores. Foi daquelas sessões em que parte do público não aguentou e saiu a meio. Para chatear mais um pouco a ordem dos filmes foi alterada e as transições entre filmes demoravam demasiado tempo. Nem sequer colaram as cópias em película umas às outras, definitivamente este pessoal não faz testes de projecção!
7.12.06
Nippon Koma 06: dia 4
- Tough Guy, de Kishimoto Shintarou, as aventuras marciais de uma louva-a-deus;
- Highway 77, de Nakao Hiroyuki, dois rockabillies a fazer pequenos delitos numa autoestrada, à laia de jogo de computador;
- Platform, de Tacoroom, salarymen à tareia no cais de uma estação de metro, um filme que já tinha passado numa edição anterior do Nippon Koma, mas que é bom o suficiente para passar mais vezes;
- os dois filmes da marca de cerveja Hifana, Mr. Beer, de 5jgn/VJ Gec e Wamono, de +Cruz/W+K Tokyo Lab;
- Motto Shiritai Desu yo, de Hideyuki Tanaka, uma engraçadíssima publicidade do search engine japonês Goo;
- e Speaker Typhoon, também de Hideyuki Tanaka, e também passado na Tailândia.
O documentário da noite, Kiba, Tokyo Micropole, era interessante no tema, banal como documentário e não era japonês, apesar de falar sobre a vida num bairro antigo do centro de Tóquio.
6.12.06
Nippon Koma 06: dia 3
Se a organização do Nippon Koma, com aquele relambório todo sobre o anime ser hoje-em-dia apenas uma indústria de conteúdos, acha que Paranoia Agent não é anime de conteúdos e é do melhorzinho que se anda a produzir no Japão... acho que estão mal informados ou mesmo enganados. Paranoia Agent é uma série engraçada, bem feita, interessante nalguns aspectos, mas que não deixa marcas apesar de se destacar num aspecto: a crítica social. Só que essa crítica é feita de um modo comedido e tortuoso o que faz com que seja pouco eficaz. Gosto mais quando as séries me emocionam, chocam, esta sensação de falta de tempero faz com que continue a não ligar muito ao anime 'mainstream' das supostas elites de apreciadores.
5.12.06
Nippon Koma 06: dia 2
Hoje as animações venceram, o documentário não era nada de especial. Dos filmes de animação gostei particularmente de Gate Vision de Kobayashi Kazuhiko, que filma uma viagem de Shinkansen (comboio-bala) através de uma lente que dá à imagem um efeito, tipo caleidoscópio, o que transforma a paisagem em grafismos muito interessantes.
O outro filme de que gostei (e o que foi repetido) chama-se Kotasu Neko (Lit.: Gato da 'braseira', mas que poderia ser traduzido muito livremente como Gato de sofá), de Aoki Jun. Kotatsu Neko é uma aparente animação de marionetes (stop motion), mas em 3D, divertidíssima com um gato preguiçoso que faz tudo, menos o óbvio, para alcançar os objectos que não estão ao alcance da pata. O filme é não só divertido pela situação em si, mas também pela música, um metal da pesada em que o vocalista, com uma voz bem rouca e grave, canta diversas vezes "Kotatsu Neko...". Só ouvindo mesmo!
4.12.06
Nippon Koma 06: dia 1
Este ano, à semelhança do ano passado, o "festival" não começou bem... hoje também houve projecção da série Paranoia Agent e, para manter a coerência a sessão foi projectada com a dobragem em inglês e legendas em inglês. Como se o facto já não fosse grave, por vezes o diálogo e a legendas "não batiam a bota com a perdigota". Refraseio: o que era dito muitas vezes não correspondia ao que era escrito. Resta apenas uma dúvida: qual versão estará correcta? Ao menos ao ouvir a versão original pode-se ter alguma noção da qualidade da tradução.
Mais uma vez lá fui eu fazer o papel da vilã, mal a sessão começou protestei para que pusessem as vozes originais, mas nada... No fim da sessão, os desgraçados dos arrumadores (por sinal um deles o mesmo do ano passado) é que me tiveram de ouvir... de novo! Mas não se pode deixar passar um erro destes que ainda por cima é sinónimo de preguicite aguda. Não se explica que um comissário ou organização que põe de pé este ciclo de cinema/vídeo não faça antecipadamente um teste de projecção dos filmes, juntamente com o projeccionista, principalmente tratando-se, como era o caso desta sessão, de um DVD americano que muito provávelmente está formatado para iniciar assim, em inglês.
Só espero que um erro tão estúpido como este não volte a acontecer. Se quando há ciclos como este, mais alternativos mas oficiais e as coisas não correm como deve ser, depois não se admirem de o pessoal fazer downloads dos filmes na net!
3.12.06
Duas versões de Tóquio
Num comentário a um post deste blog sobre Tokyo Mew Mew também fiquei a saber que a série aparentemente está a dar no Canal Panda, mas como o site do Panda também nem sempre é devidamente actualizado... mais uma vez, só vendo.
SIC Radical
Canal Panda
18.11.06
A propósito de Jigoku Shoujo
Mesmo assim acho que a curiosidade há de levar a melhor e hei de acabar por ver a série.
地獄少女 ドラマ
15.11.06
Puca-puca Rei-chan
Os restantes e mais uns screensavers estão na Evastore.
6.11.06
Victorian Romance Emma
Tudo neste anime é diferente do que se costuma ver: o detalhe victoriano (literalmente), os excelentes e históricamente rigorosos cenários e direcção artística, o ritmo compassado e lento, a banda-sonora, etc. Há um certo empenho neste anime que o torna especial, é, sem dúvida, uma produção extremamente cuidada e fora dos parâmetros comuns para televisão.
Apenas uma coisa se manteve coerente em relação a outros anime e, em particular, à cultura japonesa: a história. É algo melancólica e uma slice-of-life sem um fim conclusivo, fechado, com moral ou feliz. Nisso, que considero o melhor das narrativas nipónicas, este anime surpreendeu e agradou.
É triste e enervante ver até que ponto a rigidez do estatuto social e das regras da educação victorianas levam duas personagens a não escolher o caminho que desejariam. Toda a acção decorre dentro de um decoro e timidez impostos que atrasam tomadas de decisão e transformam as pessoas em fantoches de uma sociedade virada para a ascenção social e económica. O indivíduo não tem lugar, tem de servir o grupo, isto é: a família. Provavelmente os japoneses revêm na sociedade victoriana as suas próprias dificuldades sociais em se imporem como indivíduos com vontade própria e poder decisivo nas próprias vidas.
Definitivamente basta abrir um pouco os olhos, prestar alguma atenção e ver com olhos de ver para perceber que se andam a produzir muito boas séries de anime no Japão, que há muito já ultrapassaram o estigma de desenhos animados para criancinhas. Este é um anime para ver com atenção e calma, de preferência acompanhado por uma bela chávena de Earl Grey, para nos fazer recordar dos "bons velhos tempos" das séries da BBC, tais como Reviver o Passado em Brideshead, A Família Bellamy e outras, que passavam na RTP.
英國戀物語エマ
4.11.06
CINE-ASIA: DocLisboa 2006 Report
Para ler basta clicar no título deste post.
1.11.06
Comecei a ver: Princess Tutu
A narrativa adapta muito livremente certas partes do conto do Quebra Nozes (de Hans Christian Andersen), junta-lhes personagens e a partitura de muitos dos grandes ballets clássicos, num universo que mistura realidade com contos de fadas num resultado algo insólito. As personagens tanto podem ser humanas como animais ou bonecos a começar pela protagonista Ahiru, cujo nome significa pato e que é mesmo uma patinha amarela, mas que é transformada, por Drosselmeier (o misterioso tio de Clara em Quebra-Nozes), numa rapariga algo desastrada. O professor de dança é um gato (Neko-sensei) que, quando se irrita, pede as alunas em casamento e, quando elas recusam passa de um comportamento humano antropomórfico para um comportamento 100% felino.
Cada episódio tem alguma ligação a algum ballet conhecido e a junção de uma protagonista desastrada e cómica, com duas melhores amigas totalmente sarcásticas, a um "principe" romântico e vilões algo trágicos, dão um resultado bem interessante.
Toda a direcção artística é muito bonita e variada, dentro de um tom germânico na arquitectura. O character design é muito engraçado e, devido à variedade das personagens, não se cinge a apenas um grafismo fixo em que mudam as cores dos olhos e cabelos para diferenciar personagens.
Também adorei as duas canções dos genéricos, extremamente adequadas ao tipo de anime que é, e com uma fortíssima remeniscência de certas cançõezinhas dos anos 60, cantadas suavemente por uma voz muito feminina.
プリンセスチュチュ
ADV: Princess Tutu
29.10.06
Terminei de ver: Jigoku Shoujo
No geral gostei da série, apesar de ser muito repetitiva. A ambiência sinistra e soturna, muito bem suportada pela banda-sonora e pelos gráficos ajudaram bastante a que se visse a série na quase totalidade sem enjoar muito. No geral as histórias individuais eram convincentes, nem que seja na inutilidade da vingança. De qualquer modo preferia que ao longo da série tivessem sido dadas mais dicas acerca do passado de Ai e da sua ligação a Tsugumi, mesmo que de modo subtil e sem chamar a atenção. Na conclusão achei que faltava alguma densidade à personagem de Ai para se querer vingar, tantos séculos depois, depois de um longo esquecimento, com tanto ódio. Para haver sentimentos fortes, tem de haver uma motivação forte, senão não convence.
Como vem aí mais, vamos lá ver se a segunda série preenche os vazios e complementa bem a primeira.
地獄少女
Ando a ver: NANA
A história já ultrapassou a linha narrativa do filme e, como ainda não li a manga, tudo daqui para a frente é (mais ou menos) surpresa. A história de Hachi adensou-se, ela começa a ser confrontada com a própria futilidade e facilidade com que se entrega ao primeiro que aparece. Nana e grande parte dos outros andam preocupados com ela, mas seguem as suas vidas com o próximo grande concerto que deverá ser decisivo na carreira dos Blast. Para isso Misato (não eu ;) ) voltou a aparecer e o resto... virá.
NANA ーナナー
13.10.06
CINE-ASIA: Tenkuu no Shiro Laputa
Japão, 1986, 124min
Página Oficial - Trailer - Fotos
O CASTELO DO CÉU LAPUTA
Sinopse: Sheeta cai misteriosamente do céu literalmente para os braços de Pazu, que vive e trabalha numa pequena cidade nas montanhas. Este encontro leva ambos a uma série de aventuras provocadas pela perseguição de piratas do ar e do exército a Sheeta, que acabam numa busca pela identidade dela e pelo misterioso castelo no céu, Laputa.
Crítica: Mais um filme onde Hayao Miyazaki expressa a sua profunda paixão por máquinas voadoras, desta vez a quase totalidade do filme se passa com os pés muito pouco assentes na terra. É um filme com uma permissa simples, todas as personagens buscam no castelo Laputa um sonho, uma utopia. Sheeta busca a sua identidade, Pazu concretizar o sonho do pai e aprender com a tecnologia, os piratas tesouros e o exército, na personagem de Muska, o poder. A dada altura todos encontram o que buscam, mas nem todos são bem sucedidos e simplesmente os maus são castigados e os bons recompensados, mas não sem algum sacrifício ou a destruição do próprio sonho.
Com um enredo mais político mas ao mesmo tempo mais simples que Nausicaä, Laputa é um filme um tanto desequilibrado, balançando entre peripécias que se arrastam e climaxes imponentes. Mas se algumas partes se prolongam, tudo é compensado com a chegada ao fantástico castelo no céu. Toda a paisagem é lindíssima, a concepção arquitectónica do castelo de uma decadência romântica e é aí que o filme verdadeiramente começa a cativar com a resolução, pouco a pouco, de todos os mistérios.
Também é na fase do castelo que verdadeiramente vemos a mensagem ecológica de Miyazaki em acção, num castelo de uma civilização tecnológicamente avançada mas que, à semelhança de Macchu Picchu (onde muita da paisagem se inspira) ou das cidades dos Maias, foi misteriosamente abandonado. Como tal a natureza tomou conta do lugar indiscriminadamente até tornando o único robô que resta em actividade numa espécie de delicado protector da natureza, ao contrário do seu aspecto beligerante. Neste robô encontro uma outra referência a um importantíssimo filme de animação francês, “Le Roi et L’Oiseau”, de 1980, onde um robô semelhante, delicadamente abre a gaiola de um minúsculo passarinho.
Se prestarmos atenção, a grande maioria dos filmes de Miyazaki são conduzidos por uma protagonista forte (Nausicaä, Kiki, Chihiro, etc.). Neste filme temos uma personagem masculina em pé de igualdade, Pazu. Em muitos aspectos acho-o muito semelhante a Conan (da famosa série de TV “Mirai Shounen Conan” – “Conan, o rapaz do futuro”), na determinação, no engenho e em vários aspectos físicos, a começar pela fisionomia e a terminar nalguma agilidade fora do comum.
Na direcção artística vemos aqui uma confirmação do rumo já anteriormente traçado de paisagens idílicas onde a natureza domina, onde o céu é muito azul e o verde muito verde. A característica mais marcante e invulgar sendo que as poucas paisagens terrestres são extremamente acidentadas, paisagens agrestes onde difícilmente o homem e a sua tecnologia destroem sem critério (mais uma referência a Macchu Picchu). O culminar da beleza desta paisagem é o castelo que lembra certas representações, da pintura do periodo romântico europeu, de um certo Olimpo utópico.
A animação é, como sempre, intocável, abusando, no bom sentido, de cenas aéreas em céus nublados. A banda-sonora é, como sempre, de Joe Hisaishi mas ainda bastante discreta e sem um tema marcante. É um filme espectacular em termos visuais e detalhe, com talvez alguma ressalva para a narrativa ligeiramente desequilibrada.
Classificação: 7/10
6.10.06
1 ano de anime-comic
Para comemorar fiz um título para o blog em imagem, coisa que já andava para fazer há que tempos. O título só em texto nunca me deixou 100% satisfeita, mais ainda tendo o blog o nome que tem.
Recentemente houve alguns intervalos no visionamento de anime, muito devido à ausência de episódios novos de algumas das séries que ando a ver: Jigoku Shoujo, xxxHOLiC e, em parte, NANA. Mas o intervalo terminou, ando a ver mais novas séries como Le Chevalier D'Eon, continuo a ver, mais devagarinho, Daddy Longlegs, Ashita no Nadja, Hiatari Ryoukou, Utena, Candy Candy e muitas outras, portanto os posts mais frequentes voltarão.