6.12.06
Nippon Koma 06: dia 3
Se a organização do Nippon Koma, com aquele relambório todo sobre o anime ser hoje-em-dia apenas uma indústria de conteúdos, acha que Paranoia Agent não é anime de conteúdos e é do melhorzinho que se anda a produzir no Japão... acho que estão mal informados ou mesmo enganados. Paranoia Agent é uma série engraçada, bem feita, interessante nalguns aspectos, mas que não deixa marcas apesar de se destacar num aspecto: a crítica social. Só que essa crítica é feita de um modo comedido e tortuoso o que faz com que seja pouco eficaz. Gosto mais quando as séries me emocionam, chocam, esta sensação de falta de tempero faz com que continue a não ligar muito ao anime 'mainstream' das supostas elites de apreciadores.
5.12.06
Nippon Koma 06: dia 2
Hoje as animações venceram, o documentário não era nada de especial. Dos filmes de animação gostei particularmente de Gate Vision de Kobayashi Kazuhiko, que filma uma viagem de Shinkansen (comboio-bala) através de uma lente que dá à imagem um efeito, tipo caleidoscópio, o que transforma a paisagem em grafismos muito interessantes.
O outro filme de que gostei (e o que foi repetido) chama-se Kotasu Neko (Lit.: Gato da 'braseira', mas que poderia ser traduzido muito livremente como Gato de sofá), de Aoki Jun. Kotatsu Neko é uma aparente animação de marionetes (stop motion), mas em 3D, divertidíssima com um gato preguiçoso que faz tudo, menos o óbvio, para alcançar os objectos que não estão ao alcance da pata. O filme é não só divertido pela situação em si, mas também pela música, um metal da pesada em que o vocalista, com uma voz bem rouca e grave, canta diversas vezes "Kotatsu Neko...". Só ouvindo mesmo!
4.12.06
Nippon Koma 06: dia 1
Este ano, à semelhança do ano passado, o "festival" não começou bem... hoje também houve projecção da série Paranoia Agent e, para manter a coerência a sessão foi projectada com a dobragem em inglês e legendas em inglês. Como se o facto já não fosse grave, por vezes o diálogo e a legendas "não batiam a bota com a perdigota". Refraseio: o que era dito muitas vezes não correspondia ao que era escrito. Resta apenas uma dúvida: qual versão estará correcta? Ao menos ao ouvir a versão original pode-se ter alguma noção da qualidade da tradução.
Mais uma vez lá fui eu fazer o papel da vilã, mal a sessão começou protestei para que pusessem as vozes originais, mas nada... No fim da sessão, os desgraçados dos arrumadores (por sinal um deles o mesmo do ano passado) é que me tiveram de ouvir... de novo! Mas não se pode deixar passar um erro destes que ainda por cima é sinónimo de preguicite aguda. Não se explica que um comissário ou organização que põe de pé este ciclo de cinema/vídeo não faça antecipadamente um teste de projecção dos filmes, juntamente com o projeccionista, principalmente tratando-se, como era o caso desta sessão, de um DVD americano que muito provávelmente está formatado para iniciar assim, em inglês.
Só espero que um erro tão estúpido como este não volte a acontecer. Se quando há ciclos como este, mais alternativos mas oficiais e as coisas não correm como deve ser, depois não se admirem de o pessoal fazer downloads dos filmes na net!
3.12.06
Duas versões de Tóquio
Num comentário a um post deste blog sobre Tokyo Mew Mew também fiquei a saber que a série aparentemente está a dar no Canal Panda, mas como o site do Panda também nem sempre é devidamente actualizado... mais uma vez, só vendo.
SIC Radical
Canal Panda
18.11.06
A propósito de Jigoku Shoujo
Mesmo assim acho que a curiosidade há de levar a melhor e hei de acabar por ver a série.
地獄少女 ドラマ
15.11.06
Puca-puca Rei-chan
Os restantes e mais uns screensavers estão na Evastore.
6.11.06
Victorian Romance Emma
Tudo neste anime é diferente do que se costuma ver: o detalhe victoriano (literalmente), os excelentes e históricamente rigorosos cenários e direcção artística, o ritmo compassado e lento, a banda-sonora, etc. Há um certo empenho neste anime que o torna especial, é, sem dúvida, uma produção extremamente cuidada e fora dos parâmetros comuns para televisão.
Apenas uma coisa se manteve coerente em relação a outros anime e, em particular, à cultura japonesa: a história. É algo melancólica e uma slice-of-life sem um fim conclusivo, fechado, com moral ou feliz. Nisso, que considero o melhor das narrativas nipónicas, este anime surpreendeu e agradou.
É triste e enervante ver até que ponto a rigidez do estatuto social e das regras da educação victorianas levam duas personagens a não escolher o caminho que desejariam. Toda a acção decorre dentro de um decoro e timidez impostos que atrasam tomadas de decisão e transformam as pessoas em fantoches de uma sociedade virada para a ascenção social e económica. O indivíduo não tem lugar, tem de servir o grupo, isto é: a família. Provavelmente os japoneses revêm na sociedade victoriana as suas próprias dificuldades sociais em se imporem como indivíduos com vontade própria e poder decisivo nas próprias vidas.
Definitivamente basta abrir um pouco os olhos, prestar alguma atenção e ver com olhos de ver para perceber que se andam a produzir muito boas séries de anime no Japão, que há muito já ultrapassaram o estigma de desenhos animados para criancinhas. Este é um anime para ver com atenção e calma, de preferência acompanhado por uma bela chávena de Earl Grey, para nos fazer recordar dos "bons velhos tempos" das séries da BBC, tais como Reviver o Passado em Brideshead, A Família Bellamy e outras, que passavam na RTP.
英國戀物語エマ
4.11.06
CINE-ASIA: DocLisboa 2006 Report
Para ler basta clicar no título deste post.
1.11.06
Comecei a ver: Princess Tutu
A narrativa adapta muito livremente certas partes do conto do Quebra Nozes (de Hans Christian Andersen), junta-lhes personagens e a partitura de muitos dos grandes ballets clássicos, num universo que mistura realidade com contos de fadas num resultado algo insólito. As personagens tanto podem ser humanas como animais ou bonecos a começar pela protagonista Ahiru, cujo nome significa pato e que é mesmo uma patinha amarela, mas que é transformada, por Drosselmeier (o misterioso tio de Clara em Quebra-Nozes), numa rapariga algo desastrada. O professor de dança é um gato (Neko-sensei) que, quando se irrita, pede as alunas em casamento e, quando elas recusam passa de um comportamento humano antropomórfico para um comportamento 100% felino.
Cada episódio tem alguma ligação a algum ballet conhecido e a junção de uma protagonista desastrada e cómica, com duas melhores amigas totalmente sarcásticas, a um "principe" romântico e vilões algo trágicos, dão um resultado bem interessante.
Toda a direcção artística é muito bonita e variada, dentro de um tom germânico na arquitectura. O character design é muito engraçado e, devido à variedade das personagens, não se cinge a apenas um grafismo fixo em que mudam as cores dos olhos e cabelos para diferenciar personagens.
Também adorei as duas canções dos genéricos, extremamente adequadas ao tipo de anime que é, e com uma fortíssima remeniscência de certas cançõezinhas dos anos 60, cantadas suavemente por uma voz muito feminina.
プリンセスチュチュ
ADV: Princess Tutu
29.10.06
Terminei de ver: Jigoku Shoujo
No geral gostei da série, apesar de ser muito repetitiva. A ambiência sinistra e soturna, muito bem suportada pela banda-sonora e pelos gráficos ajudaram bastante a que se visse a série na quase totalidade sem enjoar muito. No geral as histórias individuais eram convincentes, nem que seja na inutilidade da vingança. De qualquer modo preferia que ao longo da série tivessem sido dadas mais dicas acerca do passado de Ai e da sua ligação a Tsugumi, mesmo que de modo subtil e sem chamar a atenção. Na conclusão achei que faltava alguma densidade à personagem de Ai para se querer vingar, tantos séculos depois, depois de um longo esquecimento, com tanto ódio. Para haver sentimentos fortes, tem de haver uma motivação forte, senão não convence.
Como vem aí mais, vamos lá ver se a segunda série preenche os vazios e complementa bem a primeira.
地獄少女
Ando a ver: NANA
A história já ultrapassou a linha narrativa do filme e, como ainda não li a manga, tudo daqui para a frente é (mais ou menos) surpresa. A história de Hachi adensou-se, ela começa a ser confrontada com a própria futilidade e facilidade com que se entrega ao primeiro que aparece. Nana e grande parte dos outros andam preocupados com ela, mas seguem as suas vidas com o próximo grande concerto que deverá ser decisivo na carreira dos Blast. Para isso Misato (não eu ;) ) voltou a aparecer e o resto... virá.
NANA ーナナー
13.10.06
CINE-ASIA: Tenkuu no Shiro Laputa
Japão, 1986, 124min
Página Oficial - Trailer - Fotos
O CASTELO DO CÉU LAPUTA
Sinopse: Sheeta cai misteriosamente do céu literalmente para os braços de Pazu, que vive e trabalha numa pequena cidade nas montanhas. Este encontro leva ambos a uma série de aventuras provocadas pela perseguição de piratas do ar e do exército a Sheeta, que acabam numa busca pela identidade dela e pelo misterioso castelo no céu, Laputa.
Crítica: Mais um filme onde Hayao Miyazaki expressa a sua profunda paixão por máquinas voadoras, desta vez a quase totalidade do filme se passa com os pés muito pouco assentes na terra. É um filme com uma permissa simples, todas as personagens buscam no castelo Laputa um sonho, uma utopia. Sheeta busca a sua identidade, Pazu concretizar o sonho do pai e aprender com a tecnologia, os piratas tesouros e o exército, na personagem de Muska, o poder. A dada altura todos encontram o que buscam, mas nem todos são bem sucedidos e simplesmente os maus são castigados e os bons recompensados, mas não sem algum sacrifício ou a destruição do próprio sonho.
Com um enredo mais político mas ao mesmo tempo mais simples que Nausicaä, Laputa é um filme um tanto desequilibrado, balançando entre peripécias que se arrastam e climaxes imponentes. Mas se algumas partes se prolongam, tudo é compensado com a chegada ao fantástico castelo no céu. Toda a paisagem é lindíssima, a concepção arquitectónica do castelo de uma decadência romântica e é aí que o filme verdadeiramente começa a cativar com a resolução, pouco a pouco, de todos os mistérios.
Também é na fase do castelo que verdadeiramente vemos a mensagem ecológica de Miyazaki em acção, num castelo de uma civilização tecnológicamente avançada mas que, à semelhança de Macchu Picchu (onde muita da paisagem se inspira) ou das cidades dos Maias, foi misteriosamente abandonado. Como tal a natureza tomou conta do lugar indiscriminadamente até tornando o único robô que resta em actividade numa espécie de delicado protector da natureza, ao contrário do seu aspecto beligerante. Neste robô encontro uma outra referência a um importantíssimo filme de animação francês, “Le Roi et L’Oiseau”, de 1980, onde um robô semelhante, delicadamente abre a gaiola de um minúsculo passarinho.
Se prestarmos atenção, a grande maioria dos filmes de Miyazaki são conduzidos por uma protagonista forte (Nausicaä, Kiki, Chihiro, etc.). Neste filme temos uma personagem masculina em pé de igualdade, Pazu. Em muitos aspectos acho-o muito semelhante a Conan (da famosa série de TV “Mirai Shounen Conan” – “Conan, o rapaz do futuro”), na determinação, no engenho e em vários aspectos físicos, a começar pela fisionomia e a terminar nalguma agilidade fora do comum.
Na direcção artística vemos aqui uma confirmação do rumo já anteriormente traçado de paisagens idílicas onde a natureza domina, onde o céu é muito azul e o verde muito verde. A característica mais marcante e invulgar sendo que as poucas paisagens terrestres são extremamente acidentadas, paisagens agrestes onde difícilmente o homem e a sua tecnologia destroem sem critério (mais uma referência a Macchu Picchu). O culminar da beleza desta paisagem é o castelo que lembra certas representações, da pintura do periodo romântico europeu, de um certo Olimpo utópico.
A animação é, como sempre, intocável, abusando, no bom sentido, de cenas aéreas em céus nublados. A banda-sonora é, como sempre, de Joe Hisaishi mas ainda bastante discreta e sem um tema marcante. É um filme espectacular em termos visuais e detalhe, com talvez alguma ressalva para a narrativa ligeiramente desequilibrada.
Classificação: 7/10
6.10.06
1 ano de anime-comic
Para comemorar fiz um título para o blog em imagem, coisa que já andava para fazer há que tempos. O título só em texto nunca me deixou 100% satisfeita, mais ainda tendo o blog o nome que tem.
Recentemente houve alguns intervalos no visionamento de anime, muito devido à ausência de episódios novos de algumas das séries que ando a ver: Jigoku Shoujo, xxxHOLiC e, em parte, NANA. Mas o intervalo terminou, ando a ver mais novas séries como Le Chevalier D'Eon, continuo a ver, mais devagarinho, Daddy Longlegs, Ashita no Nadja, Hiatari Ryoukou, Utena, Candy Candy e muitas outras, portanto os posts mais frequentes voltarão.
30.9.06
Comecei a ver: Le Chevalier D'Eon
Este anime, para além de dois ou três factores que me chamaram a atenção: séc.XVIII, Corte de Luís XV, a qualidade dos gráficos e um título carismático, presenteou-me com vários outros, que habitualmente me cativam, dos quais eu não estava à espera: intriga política e de corte, mistério, suspanse, misticismo, sociedades secretas e as coisas nunca serem o que parecem.
Quanto à banda-sonora ainda pouco impressionou, mal dei por ela, mas a parte técnica (character design, cenários, animação, realização) é extremamente cuidada. Mal comparando com o único outro anime passado em cenário semelhante (se bem que cronológicamente uns anitos mais tarde), Versailles no Bara, é engraçado ver a mudança de perspectiva dos japoneses em relação à Europa e à história europeia. Não que Versailles no Bara seja mau, pelo contrário é uma das melhores séries de anime que já vi, mas tem algumas incorrecções algo pitorescas, em geral derivadas da ignorância dos japoneses da cultura europeia. No caso de Chevalier já existe um outro rigor, pois hoje-em-dia certas incorrecções, que em Beru Bara ninguém dá importância, seriam imperdoáveis. O character design é mais realista e o guarda-roupa, tanto quanto deu para perceber pelo episódio, não tem incorrecções históricas. A partir do momento em que incluem Mme. Pompadour como personagem, mesmo que secundária, o guarda-roupa não poderia falhar. Os cenários recorrem muito a modelos em 3D, principalmente do Palácio de Versailles, que, apesar de óbvios não perturbam em absoluto pois para além de bem integrados na acção levaram um "tratamento" que lhes dá uma textura de pintura.
O primeiro episódio agarrou e fidelizou-me à primeira, espero que esta série não sejam apenas promessas vãs.
シュヴァリエ
24.9.06
Ando a ver: NANA
Como atenuante, felizmente que o episódio era bastante mais bem montado que o anterior (11.5) e o sketch da "Sala da Junko" foi apurado, está mais curto e mais engraçado.
A série anda de vento em popa, já se cruzaram quase todas as personagens principais e aconteceram algumas cenas importantes e bem emocionantes.
A apresentadora no fim continua super irritante, mas os mini-CDs-porta-chaves dos gachapon, que ela mostrou, são muito kawaii!
NANA ーナナー
17.9.06
Manga Mania
Só tenho pena de duas coisas (as de sempre):
1. de o título continuar com o infeliz erro de chamar manga (banda-desenhada) a anime (animação). Se o erro fosse só com a designação japonesa até lhe chamaria preconceito, mas infelizmente, apesar de serem dois meios totalmente diferentes (apesar de elos em comum bastante fortes), a tendência para se confundir banda-desenhada com desenhos animados ou animação é geral.
2. Serem os títulos de sempre (Akira, Ghost In the Shell, Appleseed, etc.) demasiado cingidos a apenas um género o dos filmes de acção, ficção-científica, terror, ou mais concretamente para quem se diz entendedor, o cyberpunk.
Mas tudo tem o seu lado positivo e o facto de ver nas bancas de jornais títulos de anime à venda que, há 10 anos atrás, eram caros e difíceis de arranjar ou apenas visionar, é um bem que já vem tarde, mas vem!
Pessoalmente não vou comprar nenhum, a não ser que no meio da lista de títulos esteja alguma surpresa, mas não acredito muito.
Editorial Salvat - Manga Mania
8.9.06
Ando a re-ver: Hiatari Ryoukou!
Mas o bom de Mitsuru Adachi é a garantia de histórias interessantes, apelativas, muito japonesas e muito ligadas a uma realidade do dia-a-dia, principalmente dos adolescentes de das escolas secundárias.
Quando vi este anime pela primeira vez, há cerca de 10 anos na RTP, fiquei surpresa ao peceber que estava a ver o meu primeiro anime soap. Cá está, não gostei dos desenhos, mas a história prendeu-me desde o primeiro e atribulado episódio para não a largar enquanto não chegou ao final. Com este anime aprendi a dizer yoshi (era legendado), que quer dizer qualquer coisa como 'boraí, fiquei a compreender um pouco do dia-a-dia dos adolescentes numa escola japonesa e não só, um pouco do seu sistema educativo, com aulas de manhã e os clubes à tarde e que o beisebol é o desporto favorito do Japão, suplantando mesmo o muitíssimo popular e respeitado kendo. Para além disso fiquei a saber muito melhor como funcionam as relações interpessoais, principalmente entre adolescentes, nas pequenas coisas como hábitos, pequenos pudores e convenções sociais.
Mas a história de Kasumi, da sua atrevida tia e dos hóspedes e colegas de Kasumi tem imenso que se lhe diga, desperta a curiosidade e fez-me esquecer por completo o facto de não gostar dos desenhos. É um prazer rever este anime, agora com termo de comparação, que passou a ser um clássico e marcou o género de anime soap ou "pedaço de vida".
[infelizmente não encontrei um site oficial]
2.9.06
Ando a ver: Tokyo Mew Mew
O título deste post talvez devesse ser "Não ando a ver:..." pois a SIC voltou a fazer das suas! Como se já não bastasse estarem a emitir a versão censurada pelos americanos de Tokyo Mew Mew, ainda por cima aparentemente cancelaram ou mudaram de horário a série, claro está, sem pré-aviso! O que é certo é que hoje não deu e parece que amanhã também não dá :'(
27.8.06
CINE-ASIA: Kaze no Tani no Nausicaa (Nausicaä)
Japão, 1984, 116min
Página Oficial - Trailer - Fotos
Sinopse: Num mundo de uma ecologia distorcida, Nausicaa, a corajosa princesa do pequeno reino do Vale do Vento, esforça-se em manter pacificamente o instável equilíbrio entre uma natureza de desertos e florestas tóxicas habitadas por insectos gigantes e possíveis invasões de povos vizinhos. Mas o Vale do Vento é invadido, o pai de Nausicaa assassinado e, para poupar o seu povo de mais sofrimento, Nausicaa vê-se envolvida numa guerra inútil contra os insectos enquanto que a solução para uma vida melhor está mesmo debaixo dos seus narizes.
Crítica: Talvez o único filme de Miyazaki baseado numa manga do mesmo, este primeiro filme dos Estúdios Ghibli representa, desde logo, as preocupações principais do realizador: a ecologia e a sua paixão por máquinas voadoras. De todos os filmes dele, Nausicaa é o filme onde a temática da ecologia ocupa quase a totalidade do filme, imediatamente seguida de um modo pacífico de resolver conflitos face a um mundo em guerra.
As máquinas voadoras, tema quase sempre presente nos filmes de Miyazaki, têm aqui um papel vital tanto no desenvolvimento da história como na definição das personagens. O Mehve, as asas voadoras de Nausicaa, é o sonho de Ícaro concretizado. Todas as naves do povo do Vale do Vento têm um certo ar robusto mas prático, sendo o Mehve particularmente ágil e delicado. As naves dos Dorok, em contrapartida, são maiores, mais agressivas, escuras e cheias de apêndices. Fora o filme “Porco Rosso”, este é provávelmente o seu filme onde aparelhos voadores têm uma presença mais forte.
Mesmo ainda não tendo a exuberância de alguns dos filmes posteriores, de ser um filme mais comedido, a sua história é extremamente complexa e apaixonante. Parece que toda a indignação de Miyazaki pelo que os homens andam a fazer ao planeta Terra foi canalizada para este filme.
Nausicaa é uma rapariga fora do comum, mesmo para o seu povo que a adora, desde miúda que tem uma empatia especial com os Ohmu, uma espécie de reis da comunidade de insectos gigantes, e resolve sempre os conflitos com os insectos sem destruição nem morte. A sua paixão pelas florestas tóxicas, provocadas pelos esporos espalhados pelos insectos choca até o aventureiro Yupa, habituado às agrestes florestas. A oposição do carácter pacifista e ecologista de Nausicaa com o da Princesa Kushana, cruel, implacável e ambiciosa, é mais um demonstrativo da inutilidade da maioria das guerras e de como elas podem ser resolvidas, de forma pacífica, através de negociação e estudo.
Mesmo não sendo tão “de encher o olho” como a maioria dos filmes posteriores, este filme mostra-nos maravilhosas paisagens de desertos ventosos, o verdejante Vale do Vento e as Melancólicas florestas tóxicas. As cenas de acção, principalmente as aéreas, são feitas com uma mestria fora do comum e uma beleza deslumbrante. Outros elementos clássicos de um filme de Miyazaki também já estão presentes, tais como céus muito azuis, águas límpidas e claras, campos verdejantes, personagens fortes, criaturas estranhas, velhotes com um ar de cara de couro curtido e uma excelente conjugação de momentos em que a história flui e outros mais contemplativos, mas perfeitamente integrados no contexto do filme. Curiosamente os insectos são apresentados como mais umas vítimas do Homem, o ênfase não é posto em serem horrorosos ou nojentos, mas na demonstração de carácter e densidade psicológica. A certa altura damos por nós a torcer pelos Ohmu e não pelos cruéis Dorok.
Aqui temos uma prova (se é que haveria necessidade de haver provas) de que a animação para ser boa, densa, para adultos, com temas importantes e interessante, precisa essencialmente de um bom tema e de uma boa história aliadas a uma boa realização. A animação, como sempre nos Estúdios Ghibli é impecável e de um cuidado impressionante. O character design é fácilmente reconhecível como sendo um Miyazaki, não é particularmente belo, mas cada personagem e seus adereços são concebidos detalhe meticuloso.
Este é um filme intenso, profundo, cheio de conteúdo, dá que pensar, tem uma mensagem positiva sem ser moralista ou castradora e é muito bem feito de um modo comedido, sóbrio, mas eficaz e sem desperdício.
Classificação: 8/10
16.8.06
Barrigada de anime
- Ojamajo Doremi # (Doremi II)
- Ashita no Nadja (Nadia)
- Doraemon (Doraemon IV)
- Captain Tsubasa J (Oliver e Benji)
- Kaitou St. Tail (A ladra Meimi)
- Kiteretsu Daihyakka (Kiteretsu)
- Beyblade G Revolution (Beyblade III)
Canal Panda
