24.4.06
~Ayakashi~ Tenshu Monogatari
Tenshu Monogatari trata-se da história do amor entre um humano, um falcoeiro, Zussho-no-zuke, e uma wasuregami (deusa esquecida), Tomi-hime. Por serem de dois mundos incompatíveis e diferentes (os wasuregami alimentam-se de humanos para sobreviver), o amor de ambos é logo amaldiçoado. Os dois tentam separar-se, Tomi-hime expulsa Zussho-no-zuke do castelo e ele casa-se com a sua noiva humana, Oshizu, mas não conseguem evitar voltar a ficar juntos.
A reaproximação de Zussho-no-zuke e Tomi-hime provoca uma guerra entre humanos e wasuregami que resulta num massacre do qual apenas sobrevivem os dois amantes que tomam a forma de dois falcões para permanecerem juntos.
Mesmo sendo uma história interessante, mais romântica e fantástica que a anterior, gostei mais de Yotsuya Kaidan. O character design e direcção de arte mudaram, as cores ficaram menos sombrias adoptando mais tons pastel e as personagens, mantendo um traço realista, foram suavizadas. Não sei se foi por isso ou não, mas achei a história menos empolgante e atraente, se bem que não é própriamente má ou aborrecida. Talvez seja menor conhecimento da época desta história, anterior a Yotsuya Kaidan, e das suas mitologias, mas o certo é que ficou aquém das minhas expectativas, senti falta de ter tido um ou dois arrepios a mais.
怪~ayakashi~
22.4.06
CINE-ASIA: Cutie Honey
Japão, 2004, 94min
Página Oficial - Trailer - Fotos
Sinopse: Cutie Honey não é uma rapariga, mas sim uma androide com superpoderes. Mas os seus poderes esgotam-se e para recarregar energias Honey tem de comer (e como!). À margem da lei, ela age como uma justiceira, para grande irritação de Natsuko, provávelmente a única detective da polícia com competência. As duas, com a ajuda de Seiji, um jornalista metediço, acabam envolvidas numa trama dos Panther Claw para dominar o mundo e salvam-no com... amor!
Crítica: Este é daqueles filmes que se uma pessoa não está devidamente mentalizada para o factor “humor do disparate” é melhor não ver. Nada aqui faz verdadeiramente sentido, mas, o que é que isso interessa verdadeiramente? O filme é super-divertido, alucinado, com efeitos especiais assumidos e uma estética altamente colorida (preparar para doses industriais de cor-de-rosa).
Cutie Honey fez parte de um projecto comemorativo da série de manga, anime e OAVs de autoria de Go Nagai, que também assina o argumento deste filme. Este projecto, com produção dos famosos estúdios da Gainax (Evangelion) e realização de Hideaki Anno, co-autor de Evangelion, além de lançar em DVD todo o material existente até agora de Cutie Honey, produziu este filme e, em paralelo, uma série de 3 novos OAVs de animação, Re: Cutie Honey, que funcionam como uma espécie de complemento do filme.
Como já disse, o grande mérito do filme é ser divertido, mas, analisando um bocadinho mais profundamente, é mais que isso. Todo este universo já é à partida um bocado alucinado e estranho, a heroína, para além de muito pouco convencional, não tem práticamente pudor algum, acaba sendo um exemplo exagerado de como os japoneses encaram a sexualidade, um misto de atrevimento e ingenuidade. Os vilões (melhor dito: vilãs) são completamente narcisistas e nunca vêm para além do próprio umbigo, nem mesmo os companheiros de conquista do mundo.
Os capangas, ou seja, carne-para-canhão, são isso mesmo: carne-para-canhão. O suposto “galã”, Seiji, em vez de proteger Honey (claramente bem mais forte que ele), flirta com ela e Natsuko o tempo todo. E a força policial é do mais incompetente que se possa imaginar, fora a esforçada Natsuko que, por falta de apoio, raramente consegue prender alguma das vilãs.
À primeira até pode parecer um filme extremamente sexista, no modo como as mulheres estão constantemente a ser despidas, mas, dentro do contexto, é tudo tão hilariante que não há feminista que resista (às mais fundamentalistas o melhor é não verem o filme de todo). No fim das contas, neste filme, são as mulheres que dão as cartas: são mulheres que querem conquistar o mundo, são as mulheres as únicas que mostram algum tipo de inteligência e são as mulheres que salvam o mundo.
Fiquei agradávelmente surpreendida com a actriz Eriko Sato, que desconhecia, pois não acompanho as carreiras das idols japonesas, mas que encaixa na perfeição na atrevida, mas totalmente naïf Kisaragi Honey. Também todos os outros actores nos papéis principais foram bem escolhidos e têm uma óptima performance dentro deste universo.
Tecnicamente o filme mostra por vezes as costuras, mas também acho que melhor não pode ser exigido, pois, apesar de ser um live action, este filme poderia ser muitíssimo bem um anime, sem tirar nem por. Tanto que, se se vir Re: Cutie Honey logo a seguir, as diferenças são poucas, só se muda de meio (bem... há mais nudez).
Mas os efeitos especiais são exageradamente engraçados (e muito gráficos), as caracterizações das vilãs excelentes (não há fechos éclair “à lá Godzilla” visíveis) e os cenários e guarda-roupa coloridos, mas a respeitar na totalidade este universo. A acção é de tal forma rápida que é difícil, num primeiro visionamento, apanhar todos os pormenores, mas a realização é fluida, de forma que o espectador é litralmente engolido pelas aventuras de Honey.
Classificação: 7/10
16.4.06
CINE-ASIA
Por aqui vou publicar as críticas que forem de filmes em anime ou directamente ligados a anime e/ou manga. A formatação do texto vai ser a do Cine-Asia mas sou capaz de fazer algumas pequenas alterações que fazem mais sentido neste blog.
Se fizer crítica a outros filmes, farei apenas um link directo ao artigo.
CINE-ASIA: Cowboy Bebop: Tengoku no Tobira
Japão, 2001, 120min
Sinopse: Num futuro não muito diferente do nosso, com a excepção de que a tecnologia permite a utilização do espaço sideral ao comum mortal, um camião TIR explode numa auto-estrada matando vários civis. Faye Valentine, membro involuntário do grupo de bounty hunters, caçadores de prémios, que tripulam a Bebop é, provávelmente a única testemunha que sobrevive. Na explosão foi espalhado um vírus que, lentamente, aniquilou as outras testemunhas...
Crítica: Apesar de este filme ter sido produzido no seguimento do sucesso da série de televisão homónima (passou no primeiro bloco de anime da SIC Radical), qualquer um o pode ver sem estar familiarizado com as personagens.
Este foi o primeiro filme anime que vi a que pude, com toda a segurança, chamar de FILME. A história é complexa, toda a produção visual, desde o character design (do excelente Toshihiro Kawamoto) à animação, passando pelos cenários, é sublime, extremamente bem feita e complexa. A realização é da melhor qualidade que se pode encontrar em qualquer filme de acção. Tal como na série o tom varia bastante entre o drama de acção e a comédia sarcástica (ver o isqueiro do contacto marroquino de Spike) que lhe dão um ritmo bem interessante e despoletam algumas gargalhadas bem honestas. Ao rever agora o filme, tentei imaginá-lo não em animação mas com actores de carne-e-osso e é bem fácil de o conceber.
No fundo, apesar das ligações óbvias à série (personagens principais, universo ficcional) esta história funciona como um episódio à parte, mas realizado com uma qualidade de cinema. Claro que, se se vir a série antes de ver o filme, é sempre uma mais-valia, no sentido que as personagens principais, Spike, Jet, Faye, Ed e Ein, lá estão mais desenvolvidas, conhece-se o seu passado e outras características impossíveis de “entalar” em duas horas de filme.
É curioso reparar como os acontecimentos do 11 de Setembro, mesmo tendo acontecido uns dias após o lançamento do filme (01.09.2001), têm citações aqui. Aliás as referências, para além do terrorismo, bairro marroquino, etc. são bastante claras, principalmente nas duas torres gémeas desta cidade que, inclusive, são mais uma vez filmadas, à semelhança de como as Twin Towers originais muitas vezes o foram, como um recorte ao pôr-do-sol. Parece que adivinharam!
A nível visual este filme é de um detalhe impressionante, desde os reflexos das “abóboras alegóricas” nos prédios em redor, à magnífica encenação da luta final entre Spike e Vincent, quase toda ela em contra-luz com os fogos de artifício a iluminar o cenário. Numa cena em que Jet se encontra com um ex-colega, detective da polícia, num cinema, o filme a passar no écran é claramente um “western” de Hollywood dos anos 40, com John Wayne. Não tenho dados suficientes para dizer qual é o “western”, mas acredito que o filme exista. Isto para não falar das cenas de acção, lindamente coreografadas, a fazer lembrar filmes de James Cameron ou mesmo os Matrixes e afins.
A banda-sonora, assinada mais uma vez por Yoko Kanno, é símbolo do seu enorme talento. Já a banda-sonora da série de televisão era invulgarmente extraordinária, talvez até uma das melhores da sua autoria. A do filme continua no mesmo estilo, variando entre o country e rock para o jazz, com algumas variantes de world music (especialidade de Yoko Kanno), com a desculpa de que parte do filme se passa no bairro marroquino. A música neste filme, como o título indica, é muito importante e enriquece enormemente o ambiente, sem perturbar a acção ou ser excessiva.
CLASSIFICAÇÃO: 8/10
13.4.06
Terminei de ver: Kaitou St. Tail
A série desenvolveu-se, como previsto e sem surpresas: Asuka Jr. apanha St. Tail.
Gostei bastante dos dois últimos episódios em que a habitual situação com St. Tail muda e ela tem de agir, pela primeira vez, em proveito próprio. Mas como se trata de salvar a vida do amor dela, não é grave. Os dois episódios estão estruturados numa história em duas partes, as duas vilãs, Maju e Rosemary, apesar de poderem ter aparecido um pouco mais cedo na narrativa, são convincentes dentro do contexto e todos os dilemas da série (Meimi revelar a Asuka Jr. que é St. Tail e Asuka Jr. apanhar St. Tail) são resolvidos de modo emocionante e simultâneamente.
Só não gostei do finalzinho do último episódio, depois da acção bastante pormenorizada da última aventura de St. Tail, o estratagema dos "6 anos mais tarde", foi um bocado acelerado e fora do ritmo da série, especialmente destes dois últimos episódios. Mas, alguma conclusão teria de haver e, sendo esta uma série levezinha para adolescentes, um final mais vanguardista com algumas coisas em suspenso, seria demasiado extremo.
Entretanto já vi o primeiro episódio, mas não explica a origem dos poderes de St. Tail, do medalhão etc. Será que ela tem mesmo poderes ou é tudo ilusionismo unido a uma extrema agilidade física? Talvez a manga explique, no anime estas questões ficam no ar...
11.4.06
Tommy february6
Tommy February6 - Lonely In Gorgeous
Ao ouvir o tema de abertura de Paradise Kiss, Lonely In Gorgeous, fiquei fascinada com a cantora, Tommy february6.Além de Tommy february6, Tomoko Kawase tem outros alter-egos/projectos musicais, todos com características muito próprias.
Tommy february6 tem um estilo muito pop anos 80 e algo irritante, mas Lonely In Gorgeous é, sózinha, uma canção engraçada que se ouve bem e até é algo viciante. Se se tentar ouvir os outros albuns, acaba por cansar, ser tudo um pouco repetitivo.
O videoclip desta música é muito engraçado, se bem que, para quem já a conhecia também não é novidade nenhuma. O microfone de karaoke, o playback mal-feito, as cheerleaders, os óculos e roupa dela, também se vão repetindo. O que acho piada nisto é o ar displicente com que ela faz tudo isto, assumidamente mal, e muito japonês na estética e na dualidade da ingenuidade/artificialismo.
O video é estruturado em três parcelas que se entrecruzam. A caixa cor-de-rosa às riscas que é suposto ser o interior da caixa da Tommy february6 Blythe Doll, lançada na mesma altura que o single. O palco onde ela canta com o microfone de karaoke e o coro de cheerleaders coreografadas e, por último, uma espécie de remake de Sabotage dos Beastie Boys.
No todo estas conjugações têm um resultado estranho e peculiar, mas que não desagrada. Dá-me sempre a sensação de que ela está sempre no gozo e a divertir-se com isso. Ela sabe o que anda a fazer e as influências, apesar de obscuras, são fácilmente reconhecíveis.
Os outros projectos/alter-egos de Tomoko são Tommy heavenly6, com um som mais rock e, a meu ver, mais fácil de ouvir e ainda o seu primeiro projecto, The Brilliant Green em que há mais doses cavalares de cheerleaders e a música ainda é mais pop de plástico dos anos 80. No YouTube há vários exemplos dos vídeos dela.
Tommy february6
31.3.06
Ando a ver: Jigoku Shoujo
Coloquei as palavras "abusador" e "injustiçado" entre aspas porque nem sempre a escolha e as atitudes são claras ou lineares, em geral há uma certa dualidade e depende do ponto de vista de cada um, decidir se o "abusador" é mesmo abusador e se o "injustiçado" não será, por sua vez um abusador ao usar a vingança como modo de agir.
Muito lentamente (demasiado para alguns comentários que li na net sobre este anime) a série vai nos deixando essa sensação de incerteza em relação aos "rótulos" de cada caso. Também devagarinho apareceram mais duas personagens regulares, pai e filha, Hajime e Tsugumi, que têm uma motivação diferente de todos que encontrámos até agora que ou fazem parte do grupo sobrenatural de Ai ou são "abusadores" ou "injustiçados". Hajime (o nome quer dizer "começo", o que, de certo, não é acaso) é reporter free-lance e investiga sobre a Jigoku Tsuushin e Enma Ai. A filha, Tsugumi, tem visões de e com Enma Ai, o que ao princípio ajuda Hajime mas nem sempre.
O episódio 13, Rengoku Shoujo (Rapariga do Purgatório), é uma viragem na história, até agora estranha mas rotineira. Pela primeira vez o ponto de vista muda das situações injustiçado/abusador para falar da história de Ai e lançar mais ainda a sensação de que algo de muito estranho anda por trás de tudo isto.
Com certeza muita gente na net discordaria comigo, apesar de quebrar bastante o ritmo da série e de ser um risco moderado ter tantos episódios (metade) sem momentos de viragem na narrativa, esta estratégia reforça o ambiente sinistro e deixa mais ainda a sensação de estranheza e incómodo. Nem sempre isso foi eficaz, alguns episódios podiam ser mais arrepiantes ou mesmo interessantes, mas, se não se vir tudo de seguida, não chateia.
Uma nota positiva está no retrato, não muito positivo, mas de algum modo realista, de certas situações de rivalidade, competição, relações e hierarquias sociais na sociedade japonesa, que são muitas vezes ignoradas ou esquecidas por fãs deslumbrados pela sociedade japonesa. Este retrato, talvez um pouco exagerado (ou não), mostra-nos uma sociedade que para além das maravilhas tecnológicas, económicas e culturais, é uma sociedade como todas as outras com graves problemas sociais, que se opõem a esse deslumbramento ocidental.
Jigoku Shoujo - Official site [JP]
28.3.06
Comecei a ver: Gokinjo Monogatari
Pois é, finalmente estou a começar a concretizar um dos meus sonhos de anime, ver a série completa de Gokinjo Monogatari (História da vizinhança). Estou a concretizar o primeiro (Candy), o terceiro (Gokinjo), só falta o segundo: Majokko Meg-chan, ou seja, Bia, a pequena feiticeira, mas em japonês!
Como não é uma série particularmente conhecida ou popular, com a agravante de ser shoujo, apesar de ser antiga (tem 10 anos) não havia quem a disponibilizasse na net e até agora só tinha visto os 4 primeiros episódios em RM, com uma qualidade pior que a dos episódios de Candy. Fora do Japão, acho que esta série só passou em Itália, onde foi extremamente popular (Curiosando nei Cortili del Cuore), país aliás onde comprei a manga no original e traduzida em italiano (a manga em italiano é extremamente barata).
Bem, ver isto com qualidade é outra loiça! É um bocado como ler um livro mal traduzido e depois ler o original: é quase como se duas séries diferentes se tratasse!
Vou começar pelos genéricos e a música. As canções são divertidíssimas, e têm tudo a ver com as personagens, principalmente Mikako, a protagonista. São ambas cantadas pela actriz de voz que faz de Mikako. As imagens contam-nos um pouco de cada um e preparam-nos visualmente para um estilo inconvencional.
O character design respeita, quase tipo fotocópia, os originais de Ai Yazawa, mas o melhor é que a escolha das cores é muito bem pensada, é quase como se a manga não fosse 95% a preto e branco. Uma das coisas que tive imensa pena em Paradise Kiss (apesar de ter gostado da adaptação) foi a perda do lindíssimo e original traço dela.
O ritmo da acção está calculado ao milímetro, diverte a cada instante e usa muitíssimo bem o génio de Mikako e Tsutomu e a sua relação. Não gostei da voz off de Mikako a dizer que gosta de Tsutomu. Na manga ambos estão no mesmo nível, gostam um do outro, mas estão na fase de embirranço, para mais tarde se aperceberem mais ou menos ao mesmo tempo que têm mesmo é de se deixar de engonhanços e começar a namorar! Convenhamos que vozes off nem sempre ficam bem...
O Noriji... lindu! Sem comentários, está tiro-e-queda como na manga!
Aquilo que é quase impossível de ver na manga, por ser um meio estático, está super bem aproveitado. A cena da "sardinha em lata" no comboio e a do assédio das fãs de Ken-chan estão excelentes.
Os títulos e os eye catch com a Berry-chan, o Kuro, o dragãozinho de Ai Yazawa (e da mãe de Mikako também) e o Petit François de Pi-chan são super-engraçados.
A série é num tom irónico e bem divertido, pontuando cenas mais dramáticas com outras de humor disparatado (ver a razão porque Mikako se atrasou e deixou TODA a gente preocupadíssima), mas as personagens têm densidade e carácter. A mascote é mesmo isso: uma mascote. Kuro (=preto) é um gato, tem ar de gato, age como um gato. O visual é colorido, à época muitos apontaram como um estilo anos 70, como estavam redondamente enganados! Quem disse isso NUNCA esteve em Harajuku ou Shibuya, o visual da série tem tudo a ver com o segmento fashion de Tóquio que aparece, por exemplo, na revista FRUiTS.
AMEI os Warps de Mikako! Eram uma das manias dela que preferia na manga.
Gokinjo Monogatari - Toei Animation [JP]
20.3.06
キャンディ♥キャンディ
Esta é mesmo uma primeira vez, nunca, mesmo nunca tinha visto Candy no original (só os genéricos) e vem em boa altura, porque a versão francesa (para variar) está censurada. Se não cortaram cenas (talvez) pelo menos os diálogos estão alterados de modo a parecer que Anthony não morreu, que apenas ficou nos Estados Unidos e deixou Candy partir para Londres, o que não faz sentido, uma vez que todos os Andrew e parentes próximos (os Logan) estão em Inglaterra.
Ando a ver: Kaitou St. Tail
Os episódios são mais ou menos sempre a mesma coisa:
Alguém tem um problema (em geral são pessoas que foram aldrabadas ou roubadas), vai à igreja do Colégio St. Paulia (uh! pera: referência a Candy Candy!) para pedir a Deus que o seu problema seja resolvido e encontra em Seira uma inadvertida mas eficaz interlocutora. Seira passa a informação a Meimi (e não Mimi, como na dobragem portuguesa) que, por sua vez, avisa Asuka Jr. (através de bilhetes que aparecem nos sítios mais improváveis) que St. Tail vai agir. Meimi, já como St. Tail, repõe o malfeito, não sem alguma peripécia que envolva Asuka Jr., e tudo volta ao normal.
Descrevendo os episódios assim até parece uma grande seca, mas a série tem charme. Todas as personagens são ultra-kawaii (=queridas), o character design, apesar de um pouco enganador (faz todos, inclusive os adultos, parecerem uns anitos valentes mais novos), é bonitinho e bem feito, a animação é boa e as histórias, apesar das incoerências com a religião católica (os japoneses não percebem nada do assunto mesmo, vão lá pelo colorido pitoresco) e da improbabilidade de muitas situações, são levezinhas, românticas q.b. e funcionam no seu objectivo principal: aproximar Meimi de Asuka Jr. e vice-versa.
Afinal de contas estamos perante uma história romântica para adolescentes, apimentada com um bocadinho de aventura. Já dá para perceber como a história vai evoluir e terminar, mas isso não chateia, pelo contrário, faz com que a queira seguir até ao fim. É um bocado como o suspanse: todos sabem o que vai acontecer (menos as personagens directamente envolvidas) mas o espectador continua colado para ver como realmente acontece.
PS: A mascote é, estranhamente um ouriço chamado Rubi, que também é super-kawaii (os ouriços, apesar de picarem, SÃO kawaii!!)
怪盗セイント・テール:配信作品:東京ムービー
Canal Panda
2ª - 6ª, 07:30, 13:30, 21:00
sáb., dom., 12:00, 17:30, 21:30
12.3.06
NANA
O filme tem excelentes qualidades e alguns defeitos.
Vou começar pelos defeitos. Como a história da manga tem uma intriga complexa e vários subplots, não deve ter sido tarefa fácil escolher o que realmente importava levar para a adaptação ao cinema. As cenas escolhidas são realmente as cenas chave da história, mas faltam-lhe momentos de ligação. A história desenvolve-se sempre em cenas fortes, decisivas, onde não há pausas mais neutras. É quase como se vissemos um filme de acção em que todas as cenas são de acção sem um intervalo para o herói "lamber as feridas". Isto poderia ter sido superado de imensas formas, desde a escrita do argumento até à montagem final passando, claro pela realização. A sensação que acaba por dar é: "OK, já fizemos a cena em que elas se conhecem, a seguir vão morar juntas" ou "Hachi já sabe que Nana canta numa banda, agora vamos ver um concerto de sucesso". Todas as cenas são trabalhadas com a mesma intensidade, não existe a transição entre tensão-calma-tensão-calma. Acaba por dar uma sensação um bocado superficial do filme.
Certas personagens perderem dimensão (e mesmo assim muitas foram excluídas) como Sachiko ou Leila. Mas isso seria sempre inevitável.
As qualidades (são bastantes):
A começar pela escolha do cast. Não poderia ser melhor. Todos os actores dos papeis principais são óptimos actores. Mika Nakashima, cantora de profissão, encarna literalmente Nana, Aoi Miyazaki não poderia ter sido melhor escolhida para a amorosa Hachi e Ryuhei Matsuda mostra que é mais que a cara bonita de Gohatto, fazendo de Ren. Todos têm uma forte empatia entre eles.
O esforço para seguir à risca as opções estéticas de Ai Yazawa (as roupas de Vivienne Westwood, o apartamento, a caracterização, etc.) compensou e dá corpo ao que se via, a preto e branco, nos desenhos da manga.
Gostei muito do modo como a história foi estruturada, não contando logo à partida o dilema de Nana, focando-se mais na extrovertida e faladora Hachi. Com Hachi (narradora e o ponto de vista do filme) vamos descobrindo o que Nana deixou para trás ao ir para Tóquio, enquanto que Hachi nos conta toda a sua história quando ambas se conhecem. Na manga, também porque a estrutura em capítulos não permita tanta flexiblidade, a história é-nos contada de modo mais linear.
A opção de interromper a história (de uma manga ainda em publicação e algo longa para um filme só) onde foi interrompida. Dá uma sensação de final fechado, não nos deixa a pensar: "então e agora?".
Apesar de os locais serem muito específicos, de o filme ter uma imagética particular e de se tratar, principalmente, de um meio onde circulam músicos, artistas, etc., a história contada tem a qualidade de ser universal. Se mudarmos os detalhes, permanece a mesma. Por alguma razão Ai Yazawa tem tanto talento, não são só desenhos bonitos e um forte instinto para a moda.
Felizmente que o filme teve tanto sucesso no Japão que uma segunda parte, em princípio com o que resta da história, vai ser filmada este ano. Em Abril vai começar a ser transmitida nas TVs japonesas a adaptação da manga a série anime, cá falarei dela, quando chegar a altura. Aliás este filme deu o empurrão que faltava à carreira da já bastante popular Mika Nakashima, lançou Yuna Ito como cantora e pôs Ai Yazawa (até então mangaka underground) no mapa.
http://www.nana-movie.com/
11.3.06
Osen
Ao vaguear num site japonês à procura de outras coisas, encontrei uma manga, da qual não sei nada, pois os únicos sites que encontrei, sem serem japoneses (e esses também não abundam), com informação tanto sobre esta manga como o autor parecem-me ser em hebraico (se não forem, perdão, mas os caracteres são bonitos).
A dita manga chama-se Osen, o seu autor Kikuchi Shouta (きくち正太), e é publicada pela Kodansha. Digo autor porque o nome me parece masculino e a manga shounen (o que na realidade não garante nada), mais uma vez, se estiver errada, quem souber me corrija. O título, Osen, quer dizer "poluição" ou "contaminação" e o autor é algo prolífico, tendo, pelo menos, 10 títulos publicados, sendo aparentemente este um dos mais recentes. A manga já vai em 10 volumes e as capas são todas incríveis (este exemplo é do 7º volume). Digamos que as ilustrações são uma variante das artes tradicionais japonesas, mas com um traço moderno e nada convencional.
Espero conseguir mais informação desta manga e, quem sabe, algum exemplo do artwork interior a preto e branco.
10.3.06
xxxHOLiC - Manatsu no Yoru no Yume
Isso e ter visto um bocadinho do 1º episódio de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, ajudou a que não tivesse o mesmo entusiasmo anterior sempre que um título novo saía das suas forjas. Só havia aqui um senão: as ilustrações e as manga de xxxHOLiC sempre me pareceram bastante interessantes e a personagem de Yuuko mais ainda. Essa pequena curiosidade e um resquício do meu antigo fanatismo pelas CLAMP fizeram-me ver o filme de xxxHOLiC - Sonho numa noite de verão.
Em comum com a homónima peça de Shakespeare só o título, a estação do ano e algum do onirismo, mas o filme é invulgar e engraçado. Como (ainda) não li a manga, estou um bocadinho fora do contexto, por enquanto só conheço mesmo o que vi no filme.
A história acompanha um curioso trio de exorcistas/médiums que são chamados para resolver um caso numa mansão surrealista. A casa parece a ilustração da casa no livro A Casa dos Espíritos de Isabel Allende: não tem uma estrutura modular, simétrica ou mesmo lógica, cada "pedaço" tem um estilo arquitectónico diferente e por dentro ainda é pior, é como se as divisões se movessem ou metamorfoseassem. Yuuko é uma típica "gaja boa" dos anime, vive indolentemente numa casa tradicional japonesa entalada entre prédios altos com uma dose de magia também (não tenho a certeza se a vista no fim era dessa casa, mas acho que sim). Aí também vivem dois rapazes adolescentes de carácteres opostos: Watanuki é emotivo, sensível e desengonçado, Doumeki é cool, indiferente e despreocupado. Com eles vive a Mokona preta (que fala, ao contrário da branca de Rayearth que só fazia "pupu-puuu!") e dois anjos(?) Maru e Moro. Os dois rapazes ainda têm uma colega/love interest, a bonita Himawari (Girassol).
A tecnologia deu um senhor empurrão aos anime ultimamente e este filme beneficia muito disso. Pela primeira vez num anime, a riqueza do trabalho de ilustração de Mokona Apapa é bem trabalhada, portanto, tanto o character design e toda a direcção de arte são muito bons e fiéis ao original. Gostei imenso do modo como as personagens se mexem, em particular Watanuki que parece um Jack Skellington desengonçado. Gostei muito também da novidade nos gráficos que as CLAMP nos trouxeram, como já disse, andavam um bocadinho cansativas.
A história é engraçada pois mistura a magia e o mistério da casa com as contrastantes personalidades do trio, nenhum dos três é sério, grave, compenetrado ou deprimido, como habitualmente são personagens envolvidas com magia (Subaru em Tokyo Babylon ou X, Kamui em X, etc.) e, no meio de gente muito egoísta e arrogante, os coleccionadores, há uma certa leveza no facto de Yuuko, Watanuki e Doumeki não se envolverem directamente com nenhum deles e ficarem na sua.
É um filme bonito de se ver, bem executado que traz algum ar fresco à obra das CLAMP, ultimamente em perigo de estagnar.
Este filme foi exibido num double feature com o filme de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, cujas histórias se cruzam também na manga. Em Abril vai começar a ser transmitida a série anime de TV, mais uma para eu ver.
http://www.holic-tsubasa.com/
5.3.06
Terry IS the man!
Definitivamente Terry é um charme! A cena em que rouba um beijo a Candy, apesar de ser um pouco mais tarde e suave que na manga, é o máximo! O beijo dura 30, sim, 30 segundos! Isto para um anime dos anos 70, é obra! Mesmo hoje em dia, em que sexualidade já é mostrada com outro à vontade, os beijos românticos (o que será de cenas mais íntimas) fazem-se esperar e não são muitos...
O beijo sucede uma cena de uma conversa íntima entre os dois, em que Terry se abre numa das raras vezes para falar da família. Arrebatadamente agarra Candy para dançar mas pára e... rouba-lhe o beijo. Claro que Candy é imatura, com a justificação de que não percebe o modo de agir de Terry (realmente um bocado temperamental), interrompe o beijo (de 30 segundos) com uma estalada. É pena, se tivesse reagido de outro modo a história teria se desenvolvido também de outra maneira.
Apesar de ser um anime de baixo orçamento e antigo, estou espantada com a qualidade até agora apresentada. O character design é muito bem desenhado, coerente e constante, os cenários bonitos e bem feitos, a música melhorou e há um esforço para que tudo saia bem nas cenas mais importantes.
1.3.06
Kaitou St. Tail
Como gosto do género, já conheço esta série (de fotografias em revistas) há uns aninhos, lá vou acompanhar. Aliás a série já não é nova, é mais uma que apanhou boleia no sucesso de Sailormoon e é anterior a Card Captor Sakura.
Não consegui apanhar o primeiro episódio inteiro, mas deu para perceber que a história é simples: Meimi tem cerca de 14 anos, estuda num colégio privado de freiras e, às escondidas e com a ajuda de uma amiga noviça, Seira, dedica-se a ser uma espécie de justiceira, repondo no lugar os "pequenos pecados" da comunidade local. Como uma espécie de antagonista tem o seu love interest, Asuka Jr., colega de turma e filho do detective de polícia que investiga os crimes que ela ajuda a repor.
Como pano de fundo tem uns pais pouco convencionais em que a mãe parece ter sido uma misteriosa ladra, quando solteira, e o pai é ilusionista. Com isso a fatiota de St. Tail, o seu modus operandi e os seus truques de magia são plenamente justificados. Resta-me saber exactamente como é a sua origem, tenho 42 dias para rever o primeiro episódio.
Pena é a dobragem para português ser bem fraquinha. Normalmente temos o problema de as vozes, principalmente as femininas, serem demasiado esganiçadas. Talvez para evitar isto, as vozes desta dobragem não têm dimensão espacial: as personagens falam sempre do mesmo modo e no mesmo tom, independentemente de estarem longe, perto, a falar baixo ou a gritar. Não são totalmente desprovidas de expressão mas parecem "descoladas" dos outros sons de fundo.
怪盗セイント・テール:配信作品:東京ムービー [JP]
Canal Panda
2ª - 6ª, 07:30, 13:30, 21:00
sáb., dom., 12:00, 17:30, 21:30
21.2.06
~Ayakashi~ Yotsuya Kaidan
Outra informação importante, para a qual me chamaram a atenção, é que o desenho de personagens original é do brilhante Yoshitaka Amano. Quem seja fã de jogos de computador há de conhecer, com certeza (eu não sou, nem de longe, especialista). Apesar de não estar à vontade no mundo dos jogos, já conhecia o trabalho de ilustrador de Amano, através de um fantástico livro de ilustrações que pude folhear com bastante atenção. O mesmo livro também esteve disponível nas livrarias portuguesas especializadas, na sua edição, se não me engano, francesa, um pouco mais barata que a original japonesa, mas com idêntica qualidade.
Quanto a Yotsuya Kaidan, no geral gostei bastante do resultado, se bem que, para quem não seja fluente em língua japonesa (i.e. a quem o japonês não seja a língua materna) é complicado seguir, com legendas, uma história tão complexa na sua intriga, numerosas e idênticas personagens e minuciosos detalhes de época. Mas, fora o facto de ser anime para ver mais que uma vez com atenção, é sinistro e arrepiante o suficiente, muito bem realizado e com uma direcção artística e banda-sonora para ninguém por defeito (apesar da estranheza do hip-hop inicial).
Estou expectante em relação às duas histórias que se seguem.
http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/yotsuya/index.html
13.2.06
Terminei de ver: Galaxy Express 999 - os filmes
O primeiro filme, Galaxy Express 999, é uma espécie de resenha da série de TV um bocado mal feito e usa mesmo pedaços de animação da série. Para quem, como eu, não viu a série toda, é prático, sabemos como termina a história (pelo menos suponho que sim). Apesar de fraquinho, achei este o melhor filme dos três e foi o único que não desapontou verdadeiramente pois a história é boa.
O segundo filme, Adieu Galaxy Express 999, retoma a história do primeiro filme e da série de TV e, de certa forma, repete-a com uma lavagem de cara. Foi, dos três, o que mais detestei. O filme é uma grande seca, nunca mais acaba e todas as cenas mais dramáticas competem, no fazer render o peixe, com todo o conjunto das óperas românticas do séc.XIX! Sempre que alguém sofre ou algo de intenso acontece, toda a emoção se esvai com a duração das cenas que são demasiado longas. É estranho, os japoneses costumam ser mais económicos.
Ao ver este filme lembrei-me de outra seca que apanhei com um filme de anime: Urusei Yatsura, Beautiful Dreamer (atenção: eu AMO Urusei Yatsura) e percebi que o realizador é o mesmo: Rin Taro. Digam o que disserem, o homem é famoso, principalmente porque a grande maioria dos filmes dele foi lançada comercialmente nos Estados Unidos, mas, até hoje, ainda não gostei de nenhum filme dele que tenha visto (e até já foram alguns).
O terceiro filme corresponde ao título: Galaxy Express 999, Eternal Fantasy. É mesmo uma fantasia sobre o tema e as personagens de Galaxy Express. A história não faz muito sentido, talvez nem seja suposto fazer. A grande qualidade deste filme é que, tal como Space Symphony Maetel, por ser bem mais recente, dá a este universo a qualidade que ele merece através de excelente animação, algum 3D bem feitinho e gráficos mais limpos.
Pena estes filmes tresandarem a comércio e não transporem para o grande écran uma boa história, baseada numa boa série, feitos com qualidade merecida para uma sala de cinema.
http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/index.html
http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/eternal.html
9.2.06
Ando a ver: Candy Candy
Candy Candy é a minha série de anime preferida de todo o sempre. Foi Candy Candy que introduziu verdadeiramente o anime na minha vida. Conto a história da passagem fugaz de Candy Candy em Portugal e mais detalhes neste mini-site: Candy Candy.
Rever a série, podendo ver os episódios que vi a preto e branco ou em péssimas condições ou até mesmo ver os episódios que perdi é um consolo. A série revela bem a sua idade, é claramente uma produção baratinha dos anos 70 em que a animação é por vezes trôpega ou repetitiva e o character design nem sempre é muito constante. A banda-sonora é o que mais revela a idade da série transitando entre musiquinhas mais ou menos melosas com uma enorme inspiração em música italiana ou mediterrânica (devia estar na moda no Japão nos anos 70) e a restante inspiração em música americana com banjo, harmónica, guitarra e afins. No meio das musiquinhas datadas há uma música bem estranha que acompanha as cenas de acção, mais ou menos cómicas, que tem um ritmo mais latino-americano com o som de cuícas! Estranhíssimo!
Na narrativa a série é um tanto desequilibrada, na grande maioria dos episódios a história evolui com alguma rapidez para ter pelo meio conjuntos de três ou quatro episódios "para fazer render o peixe" em que não acontece rigorosamente nada de interessante a não ser mais uma aventura com Candy.
Há uma clara influência de um universo americano, de cowboys e da "Casa na pradaria", inexistente na manga, e que mostra como os japoneses viam a América. A manga é mais rigorosa e segue o universo da família Andrew, descendente da nobreza escocesa, apesar de a grande maioria da história se passar nos Estados Unidos. É curioso ver como é engraçada a visão que os japoneses tinham, nos anos 70, do ocidente e dos Estados Unidos em particular. Nas mansões retratadas na série, sejam de cidade ou campo, seja num quarto, sala ou salão, há sempre algures, pendurada numa parede, uma cabeça de veado ou alce, até num quarto (espaçoso demais para um navio) no Mauritania, quando Candy viaja para Londres! Do mesmo modo, nas coisas que os japoneses ignoravam, transparecem pequenos hábitos japoneses como o modo como fecham envelopes, alguns alimentos e pequenos objectos, existentes em ambas as partes do mundo, mas com aspectos um pouco diferentes.
Quanto à minha paixão pela série, ela continua plenamente justificada apesar de já ter visto anime bem melhor, no geral. A história é envolvente e empolgante, as personagens não são totalmente más nem totalmente boas, apesar de a vilã Elisa, estar muito perto de não ter qualidades nenhumas a não ser ser bonita. O trabalho de arte, cenários, character design, arquitectura e guarda-roupa são muito interessantes apesar de limitados aos meios existentes.
E, claro, o Terry. Terry é definitivamente o galã anti-herói rebelde mais exemplificativo do shoujo anime. É bonito, charmoso, carismático, perturbado, rebelde, contra o sistema, com um passado algo misterioso e ainda por cima tem o cabelo comprido! Liga lindamente com Candy, que por si só já é uma rebelde por ser uma simples orfã que vive honestamente entre as afectadas e arrogantes classes altas sem se vergar a convenções sem sentido mantendo-se fiel aos próprios valores.
Candy é uma rapariga determinada e forte que, apesar de passar as passinhas do Algarve, não desiste de lutar pela sua felicidade e até a encontra!
Apesar de eu não os estar a ver agora, os genéricos de Candy Candy ainda são, para mim, os genéricos de anime mais bonitos que vi, sejam eles shoujo ou shounen!
http://www.candycandy.net/ [site de Igarashi Yumiko, a desenhadora da manga]
http://www.k-nagi.com/ [site de Keiko Nagita, a autora da história]
5.2.06
Terminei de ver: Space Symphony Maetel
No fundo esta série é um produto moderno, com tecnologia moderna e uma construção sólida que reflecte um investimento nem sempre existente nos exemplos passados. Quem a criou teve a preocupação de que não houvesse falhas. Pena que lhe falte algum coração.
Serviu. Serviu para satisfazer a minha curiosidade, para ter mais um pedacinho deste universo (desta vez bem produzido) e para perceber alguns porquês da personalidade de Maetel. Não explica tudo, talvez seja para arranjar mais uma desculpa, no futuro, para fazer render mais um bocadinho o peixe.
24.1.06
~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror - Parte II
Pois bem: a trama inicial (não faço a mínima ideia se a série continua com outras estórias) deste anime baseia-se na peça de kabuki Tokaido Yotsuya Kaidan que nos conta uma rebuscada história de interesses, ambições, assassínios, crimes e chacina, com a adição de uns fantasmas bastante cruéis.
Tokaido Yotsuya Kaidan foi inicialmente encenada como uma espécie de "double feature" e seguimento de uma peça muito mais popular, o Chushingura. Ambas as peças são baseadas em factos reais. Chushingura, muitíssimo resumidamente, trata de um senhor da guerra que humilhado comete seppuku e os seus samurai, agora ronin, juntam-se para vingar o seu antigo mestre e no fim todos cometem seppuku.
Tokaido Yotsuya Kaidan apanha a história no seguimento desses acontecimentos e é tão ou mais sangrenta que Titus Andronicus de Shakespeare. O protagonista é Tamiya Iemon, um ronin, que casa com Oiwa contra os desejos do pai dela e a menospreza a seguir ao nascimento do filho de ambos. Sendo pretendido por uma jovem e bonita herdeira, Oume, a família dela desfigura Oiwa e Iemon separa-se dela quando ela morre acidentalmente. De seguida o fantasma de Oiwa e de Kohei, um antigo criado de Iemon, também brutalmente assassinado, assombram Iemon, levando-o a matar Oume, no dia do próprio casamento, a mãe, o pai dela e sei lá quem mais... Muitos baldes de sangue depois, Iemon acaba por se atirar a um rio, não aguentando mais tanta tortura.
Resumindo: este não é um anime para os mais sensíveis, mas sem dúvida que estabelece o mote para as histórias de terror japonesas e porque são tão cruéis e brutais. Como gosto muito de histórias de terror e tenho bastante interesse por kabuki, apesar de não perceber nada do assunto, não podia estar mais contente.
http://www.kabuki21.com/yotsuya_kaidan.php





