10.6.21

Koi Suru Vampire

Há alguns anos, um amigo meu andava à procura deste filme, sem o encontrar e, entusiasmada pela estética "vampire pink" do cartaz, fui à caça. Mas nos sítios habituais da candonga, não encontrava rigorosamente nada, menos ainda com legendas em inglês (o meu amigo não fala japonês). Até que, num último recurso, fui ver ao YouTube. Encontrei duas versões do filme, uma em japonês (e tailandês), com qualidade decente, e outra, com legendas em inglês, de que eu afinal precisava, pois não percebo patavina de tailandês, mas com uma musiqueta de fundo, baixinho, calculo para se esquivarem à censura youtubica, que às vezes chateia, outras nem por isso. Deixo os dois links no fim do post.

O filme é uma historieta romântica de uma vampira, Kiira, que se apaixona por um mortal, Tetsu. Já se percebeu o conflito... Depois de conhecer o seu mortal, Kiira sofre uma desgraça na família, que faz com que vá viver com a tia jeitosa, na prosaica Yokohama, e ajudar na padaria da família, vampira, Ban Panya (um trocadilho à japonesa, o nome da família é Ban e "panya" significa padaria, tudo junto dá, foneticamente, "vampire"). Ela vive feliz a sua vidinha de pasteleira, mas volta a cruzar-se com o seu amor, ao mesmo tempo que a tragédia do passado também a alcança. Naturalmente, como o bom shoujo romântico que é, termina tudo na paz dos anjos.

O filme usa alguns dos cânones clássicos da mitologia dos vampiros, o morder, a sede de sangue, o viver para sempre e não envelhecer, detestar alho e prata e pouco mais. Ignora outros, como andar à luz do dia, crucifixos, não me lembro se se vêem ao espelho ou não, e mais umas quantas. Depois introduz o amor romântico, as tradições de família e vampíricas, a música pop, as amizades, tudo envolvido pelo tema da pastelaria kawaii.

O filme é morno, estava à espera de ser mais kitsch e de me divertir com isso, mas mesmo assim é engraçado. Adorei os trocadilhos com os nomes: Ban Kiira = VanKiller; Ban Panya = VanPire; etc. e do amor dela ser músico aspirante. A história de Kiira é clássica, mas contada sem muito dramatismo, apesar da tentativa na narração inicial, com grafismos góticos e da iluminação e décor gótico da mansão da sua família. Mas a coisa não deixa de ser morna o que torna tudo levezinho demais. Gostava de ver ou melhor dramatismo, ou uma encenação num tom de comédia camp ou kitsch.

E depois há aquele estilo interpretativo dos actores japoneses, cheios de maneirismos do kabuki, que para os japoneses é capaz de passar despercebido, mas que a nós, ocidentais, causa sempre estranheza. Mas, nas poucas cenas mais dramáticas do filme, eles mudam de registo e revelam-se actores decentes, capazes de interpretações dramáticas e com emoção e empatia.

Fora a sequência inicial, na mansão "gótica" dos Ban e um ou outro efeito ao longo do filme, há muito pouco de fantástico, menos ainda de terror, para um filme com "Vampire" no título. Mesmo assim, já não via um dorama há bastante tempo, soube bem, mas também soube a pouco.

Koi Suru Vampire  Vampire in Love 2015 Engsub (a tal versão com a musiqueta)

恋する•バンパイア Vampire in Love 2015 (o original)

恋する•ヴァンパイア

3.5.21

Roupa de Eva na Bershka

Encontrar roupa com desenhos tirados de anime e manga, oficial, legal, etc, era quase impossível há uns anos, só se encontravam coisas nos eventos e aí era quase tudo de Dragon Ball, Naruto ou Bleach. Mas nos últimos 2, 3 anos, a coisa tem mudado e cada vez mais cadeias de lojas começam a apostar em roupa de anime ou manga, estando entre elas a Primark, a Mó, a Pull & Bear e a Bershka. 

Quarta-feira passada fui a uma loja da Bershka para comprar umas sandálias (comprei). Já depois de pagar, reparei num expositor cheio de coisas de Evangelion, que é uma série de anime que faz parte da minha vida praticamente desde que foi lançada. Misato tem sido o meu nick também desde então. 

Fui directamente ao expositor ver as peças, mas infelizmente rapidamente constatei que, fora umas mangas, um fato de banho e uma camisa tipo havaiana, era tudo tão banal! Numa série com uma imagética tão forte e uma arte gráfica com um potencial gigantesco, foi uma bela decepção. O lado positivo? Não gastei dinheiro. Fora a minha queixa habitual de que, para variar, nunca há Misatos (nem nos artigos japoneses 😭😭😭), limitaram-se a ir buscar as imagens mais vistas de Eva, nomeadamente a Rei, algumas da Asuka e do Shinji e o EVA-01 e nem se esforçaram minimamente, estamparam uns rectângulos sobre t-shirts brancas ou pretas e já está. Nem um Kaworuzinho, ou uma Mari, para amostra.

Por isso hoje fui "passear" à Eva Store, uma loja online, dedicada a artigos só da série Evangelion, que está aberta há vários anos. Não querendo ser injusta, fui só ver a secção de roupa, onde há de tudo: desde artigos subtis, como gravatas ou t-shirts, onde os gráficos da série são integrados de forma discreta, a artigos de cosplay, como os ganchos da Asuka e da Rei, ou o uniforme base da Nerv. 

Os designs também variam muito, desde ir buscar directamente elementos da série, como os títulos, ou as cores dos EVAs, até designs com um ar retro, como sukajans (blusões retro em cetim, com desenhos bordados, de inspiração americana) ou t-shirts com ilustrações com um estilo anos 50. Do mesmo modo, há várias colaborações com diversas marcas, mas todos mantêm uma coerência de cores e elementos. Junto algumas imagens de artigos à venda na Eva Store a que acho piada e que têm designs criativos.

Desde o ano passado, com o lançamento da colecção da Sailormoon, não resisti, comprei o hoodie da Black Lady, ainda no meio de peças com ilustrações "estilo manga", que a Bershka parece que descobriu o mercado do merchandise ligado a anime. Também já teve coisas giras de Pokémon, o hoodie amarelo com a Faye de Cowboy Bebop (queria, mas o orçamento anda curto!), e agora Evangelion... espero que continuem a ter este tipo de peças, até porque a qualidade da Bershka está melhorzinha, o meu hoodie tem boa qualidade, a estampa é de boa qualidade, mas invistam em designers, e justifiquem os preços, por favor! Conseguiram com Sailormoon, conseguiram com Cowboy Bebop, também deviam conseguir com Evangelion.

Evangelion na Bershka

Eva Store 

2.5.21

Ando a ver: Naruto Shippuden

Andava sem nada para ver ao pequeno almoço e o anime cada vez mais escasseia nos canais de TV, quando me lembrei que estava a dar Naruto Shippuden na SIC Radical. Já tinha desistido de Naruto quando começou a engonhar, ainda antes de Shippuuden, mas resolvi dar-lhe outra oportunidade.

Infelizmente não foi assim tão simples. O primeiro choque foi estar dobrado em português. Lembro-me claramente de ouvir o Naruto a dizer os seus clássicos "~dayo" e de certos nomes definitivamente em japonês. Não sou 100% contra as dobragens, mas prefiro sempre legendado, sobretudo quando se trata de uma série demasiado "pesada" para passar num canal generalista de manhã, que ainda por cima passa num canal como a SIC Radical, canal para adultos, ou jovens adultos, onde o argumento de ter de ser dobrado para a compreensão das criancinhas não se justifica. Mas adiante. A outra crítica é que a SIC Radical não cumpre horários e tem sido raro conseguir ver episódios inteiros (gravados na box). Ou vejo o finzinho, ou perco o início (menos mau) ou nem gravo o episódio. 30 a 40 minutos de desfasamento é demasiado e a culpa é inteiramente da SIC Radical que não cumpre os horários que envia às operadoras.

Isto tudo torna-se ainda mais complicado numa série que deixou de ser linear, tem imensas personagens, imensas narrativas paralelas, alternativas ou em flashback, e resolveu contar tudo tintim por tintim. A história evoluiu, apesar de ainda engonhar bastante. Quando comecei a ver, na temporada 8 ou 9, nos parâmetros da SIC Radical, estavam todos envolvidos numa batalha interminável, com várias frentes, onde eu não estava a pescar grande coisa. Mas lá fui preenchendo os buracos, de alguma coisa serve o engonhanço, e a batalha já terminou e a guerra aparentemente ganha. SPOILERS: tudo remonta à pré história daquele mundo, e a guerras entre deuses.

Mas Naruto Shippuden tem qualidades, uma delas é ir beber à mitologia animista japonesa e, de certa forma recontar essa história nos parâmetros do "ninjutsu" daquele mundo. Naruto está menos idiota, Sasuke menos pedante, a Sakura menos ingénua e, no geral todos estão mais interessantes. Continuo a ter como preferidos o Itachi, o Kakashi, o Iruka-sensei, o Jiraya, o Rock Lee, o Neji, o Shino, o Gaara, a Tsunade, acrescentei os pais de Naruto, o tipo do polvo (o nome fugiu-me), o Primeiro Hokage e mais uns quantos, que foram agora novidade. Agora que cheguei a uma parte onde aparentemente o Naruto e o Sasuke finalmente se reconciliaram, resolvi finalmente postar.

Em vez de deixar de engonhar, Shippuden complicou mais ainda a narrativa, recontou parte da história que tinha visto em Naruto, mas com os pais dele vivos e basicamente explicou a coisa. Como há sempre algo mais para esticar, sei que ainda tenho uma série de episódios pela frente, mas a narrativa principal está esclarecida. Gostava de ter visto tudo, no meio dos episódios que a box não gravou, estava a história da origem do Gaara, que continuo sem saber. Snif... Mas também não tenho paciência para rever tudo. Se quando chegar ao fim a SIC Radical recomeçar, talvez tente rever.

Séries muito longas têm esse defeito, acabo por só ver parte, perco episódios pelo meio e acabo por não perceber bem a história. Não gosto o suficiente de Naruto para ficar realmente com pena, mas a história, engonhanço à parte, até é interessante e as personagens são bem construídas.

N A R U T O ーナルトー疾風伝

SIC Radical 


22.6.20

Terminei de ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal Season III

Ufa, demorou, mas foi! Esta Season III, ou seja, Sailormoon S, na série antiga, ou o arco Death Busters, na manga, custou muito menos ver que Sailor Moon Crystal.

Esta temporada continuou a seguir de perto a narrativa da manga, mas conseguiu enfiar mais emoção na história e teve uma realização muito mais dinâmica. Mas também é a minha fase preferida de toda a Sailormoon: a revelação das outer senshi, o drama sinistro em redor de Hotaru, o facto das quatro serem personagens intrigantes e multifacetadas, ajuda. Continuo a prferir o character design da série antiga, aliás sempre o preferi aos desenhos da Naoko Takeuchi, que pecam muito pela inconsistência. Mas enquanto essa inconsistência em papel não perturba muito, e ela estrutura bem de forma dramática a narrativa, em animação não devia existir, fica esquisito.
Também tenho a destacar o excelente desempenho das actrizes de voz, começando pela minha querida Mitsuishi Kotono, mas destacando as outer senshi, mesmo sentindo falta da voz de Megumi Ogata como Haruka, Hotaru e principalmente Chibi-usa, que conseguiu tornar a personagem muito mais interessante. Por vezes fez-me lembrar a voz da Sakura, em Card Captor Sakura, é um estilo diferente de dar a voz, que nos anos 90 não se usava. E a Michiru/Sailor Neptune, continua a ser a minha guerreira preferida, pena que este formato lhe tira dimensão como personagem.

Mas tenho de deixar o meu elogio final ao engraçadíssimo e genial terceiro genérico final no masculino: "Eien Dake ga Futari o Kakeru", com direito a fanservice de Mamoru para compensar todos os genéricos anteriores.

No geral soube bem voltar ao universo de Sailormoon, mesmo que algo estivesse um bocado engasgado nas temporadas anteriores e o meu interesse não ser o mesmo. Não sei se terá sido porque vi a série aos bochechos, se é porque estou mais velha, ou porque este modelo de produção moderno de anime não me cativa. Talvez seja uma combinação dos três. Gostava que os dois arcos que faltam tivessem o mesmo tratamento, mas parece que não. Parece que vem aí um filme, provavelmente a cobrir o arco Dead Moon, mas foi adiado por causa do covido. Espero estar atenta quando aparecer e que já agora também façam algo para cobrir o arco Galaxia.

18.6.20

Comecer a ver: Mahou Shoujo Chukana Paipai

Há uns meses esbarrei com um canal de tokusatsu da Toei no YouTube, e naturalmente subscrevi, mas não vi nenhum vídeo. Depois de perceber que não tem só supersentai (que adoro), mas também tem séries mahou shoujo. Resolvi começar pelo meu primeiro amor, com Mahou Shoujo Chukana Paipai.

Logo no primeiro episódio, as comparações com anime shoujo da época, concretamente Aishite Night, surgiram imediatamente, o que me deixou deliciada. Esta série é quase visualmente um dorama de Aishite Night, onde a banda de música é trocada pelos superpoderes e a intriga típica de mahou shoujo. Onde isso é mais evidente é no genérico final, que é extremamente semelhante ao genérico final de Aishite Night, com a protagonista em vários quadros do dia a dia: à secretária, a ouvir música num pufe, a dançar, pensativa, a piscar o olho para a câmara, etc. Até um gato ela tem, só não é gordo e amarelo como o Juliano. As semelhanças não ficam aqui, o guarda roupa é praticamente o mesmo, até ao avental! Tendo em conta que a série é de 1989 e que aquelas roupas eram moda na Europa em 1983-5, volto a notar como a moda popular nos anos 80 e 90 no Japão era bastante atrasada.
Já a intriga é a típica de um mahou shoujo: uma princesa com poderes mágicos é exilada na Terra, em Tóquio, onde tenta viver uma vida comum, combatendo monstros ou vilões do seu mundo nas horas vagas, com direito a varinha mágica e tudo, muito Minky Momo, e às escondidas da "família". Paipai arranja um "emprego" de mãe substituta dos 3 filhos de um pseudo arqueólogo, directamente inspirado em Indiana Jones, com direito a música e tudo. A imagética do reino mágico é de inspiração chinesa, o que me leva às CLAMP, que são das autoras que mais usam essa estética e que estavam em início de carreira em 89.
A história da fuga de Paipai é das mais idiotas que já vi, o vilão, uma versão barata do Ming de Flash Gordon, quer casar com ela, que tem uma paixão de infância, o Raymondo! O vilão transforma Raymondo numa tijela de ramen, isso, leram bem, uma TIJELA DE RAMEN(!), que sai a flutuar, mas para trás e com Paipai, fica o seu naruto. HAHAHAHA! Não consigo parar de rir disto! x'D "Raymondo!" Pobre Paipai, tem de ir em busca de uma tijela de ramen sem naruto! x'D
Os três rapazes são os típicos rapazes criados sem uma presença feminina, o mais velho o mais melancólico, o do meio o mais brincalhão e o mais novo o mais traquinas e carente. Paipai nem sempre lida com as traquinices dos miúdos da melhor maneira e tem na Terra uma antagonista na tia mandona e egoísta, que quer tomar conta dos miúdos por interesse.

É engraçado ver as claras influências ocidentais, mas só os japoneses para misturar Indiana Jones com Flash Gordon, num contexto do quotidiano japonês.
Uma pequena busca por uma imagem para este post, diz-me que esta série foi criada por Shotaro Ishinomori, o mesmo da maravilhosa Cyborg009! Também vejo muito de Go Nagai na série, mas é normal, eram todos "colegas", provavelmente eram amigos, e Go Nagai também trabalhou em tokusatsus e de certa forma criou o mahou shoujo na sua forma clássica.

Adoro este tipo de séries e histórias, é verdade que são muito kitsch, e é muito por isso que gosto delas, mas também são tão divertidas! Ao contrário da maioria das séries actuais, não se levam demasiado a sério, não são forçadas e não tentam agradar ao espectador ou a estatísticas que só costumam levar a produtos desinteressantes.
As interpretações, embora com bastantes maneirismos típicos dos actores japoneses de televisão, são surpreendentemente boas, mesmo dentro dos doramas. Os efeitos especiais são rudimentares e muito simples, mas usados de modo inteligente e complementam, não distraem.

Como irá Paipai encontrar Raymondo? E em que estado? Que raio de ideia um vilão transformar o rival num produto perecível e difícil de conservar? x'D

14.4.20

Ando a ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal Season III

A quarentena serviu-me de alguma coisa: comprar um cabo HDMi para ligar o PC à TV e ver as coisas em ecrã grande e disciplinar-me a ver as séries que tenho cá por casa. O facto de algumas das séries que via na TV terem terminado, também ajudou que tivesse algum tempo extra para ver mais coisas penduradas. E o que anda mesmo muito pendurado são os animes, por isso resolvi também ver pelo menos um episódio por noite. Em tanta coisa que tenho pendurada, por onde começar? Ainda hesitei entre Michiko to Hatchin ou Gankutsuou, mas resolvi ir para aquela que foi o abandono mais criminoso de todos: Sailor Moon Crystal.

Finalmente terminei a saga da Black Moon, perdi a conta às vezes que vi o episódio 22, nas várias tentativas de retomar a série, mas estava difícil! O rescaldo das duas primeiras sagas de Crystal é um grande "porquê?". Porquê aquelas transformações num 3D manhoso, porquê um argumento pouco empolgante, quando o material de origem foi seguido quase à risca e foi completamente empolgante na primeira, segunda e terceira leituras? Porquê a Black Lady não tem pathos nenhum? Porquê as personagens parecem vazias? Se dependesse da Crystal, Sailormoon nunca seria um dos meus animes preferidos, seria daquelas séries que eu vejo para nunca mais pensar nela. Porquê?

Mas... Alguém lá em cima na hierarquia da Toei estava atento, e só pelo primeiro episódio de PGSMC-SIII, já deu para ver que o entusiasmo por esta série vai ser completmente diferente. Levou um valente upgrade!
Sailormoon S, na série antiga, é a minha temporada preferida e a Michiru/Sailor Neptune, a minha guerreira favorita. Mas como a Black Lady é talvez a minha vilã preferida de Sailormoon e não lhe achei graça nenhuma em Crystal, apesar de me dizerem que melhorou bastante com as Death Busters e as Witches 5, não fiquei convencida.

O que melhorou:
Começa com ambos os genéricos, em que as duas canções são muito mais bonitas, menos Sailormoon mas mais bonitas. A do genérico final até tem, pela primeiríssima vez, uma voz masculina! O genérico final, para além de lindíssimo, não esconde nada: Haruka e Michiru são um casal.
As transformações deixaram de ser no tal 3D manhoso, são muito parecidas com as de Sailormoon S, mas não tão bonitas, acho o character design e a animação estanhos. Mas face às anteriores, aceito e não refilo!
Não gosto tanto do character design da Haruka e da Michiru, mas como os das outras meninas melhorou, também não me queixo.
Gosto de o Pharaoh 90 aparecer logo de início e basicamente respeitarem o modo como a história é contada na manga.

Pela primeira vez Sailor Moon Crystal deixou-me empolgada para ver o próximo episódio! É caso para dizer: Finalmente!

アニメ:美少女戦士セーラームーン20周年プロジェクト公式サイト


6.8.19

Mary to Majou no Hana

Já devia ter escrito isto há meses, mas conheço bem este filme, pois a tradução para português é minha. Mary e a Flor da Feiticeira, estreou nas salas portuguesas, o que é raro num anime que não seja Ghibli. Infelizmente na maioria das salas apenas foi exibida a versão dobrada em português e não esteve muito tempo em cartaz.

Mary to Majou no Hana é o primeiro filme do Studio Ponoc, criado por ex-animadores do Studio Ghibli. Em Mary isso é evidente, tanto no estilo visual e character design, como no tipo de história escolhida. Mary é a adaptação do conto The Little Broomstick, por Mary Stuart.

Todo o contexto e cenários do "mundo real" em Mary é bastante britânico, com casas de tijolo vermelho, erva verde, muros de pedra e ovelhas a balir. Já o "mundo mágico" tem uma paisagem muito ghibliesca, fazendo lembrar muito Arrietty, mas como grande parte da equipa deste filme saiu da Ghibli, se acontecesse o contrário é que seria de estranhar. O filme é muito bonito, cenários impecavelmente detalhados, uma paleta de cores muito rica, e o mundo mágico é um arco-íris de criaturas e edifícios, qualquer coisa entre o realismo mágico da América Latina e o Steampunk, um Steampunk colorido.

Gostei muito da história, mas achei muito estruturada em episódios, cada acto parece uma narrativa fechada dentro de um arco maior. Esses actos são separados muito claramente: Prólogo com Charlotte jovem; Acto 1, a chegada de Mary a Red Mansion; Acto 2, à descoberta do mundo mágico; Acto 3, salvar Peter e os animais; Acto 4, recontar o passado e conclusão. Cada acto passa-se maioritariamente num cenário diferente, e cada transição envolve uma viagem na pequena vassoura. As personagens são bem desnvolvidas e gosto de não ser desvendada imediatamente a identidade de Charlotte. Mas as reviravoltas entre actos podem ser confusas e cansativas para um público infantil, notei isso na antestreia, na impaciência de alguns miúdos mais pequenos.

Mary to Majou no Hana tem uma banda sonora maravilhosa! Não me refiro propriamente à música, mas também, mas o modo como está construída, da conjugação da melodia, diálogos e efeitos sonoros e como suporta de forma maravilhosa a acção. É raro gostar tanto de uma banda sonora ao ponto de me deixar conduzir por ela num filme, foi isto que me aconteceu com Mary, mesmo tendo que rever o filme várias vezes por causa do trabalho.

Traduzi ambas as versões, legendas e dobragem, mas houve uma adaptação pela equipa de dobragem. Fora a eventualidade de certas frases não darem muito jeito, ou de algum modo não saírem bem aos actores, como espectadora e como tradutora, questiono opções como aportuguesar nomes. Se quando era miúda e não sabia línguas estrangeiras, ter nomes estrangeiros em personagens não me fazia confusão, pelo contrário, gostava de aprender nomes diferentes, hoje em dia, com o banho constante de internet que os miúdos apanham, menos ainda percebo o porquê de o fazerem. Deve ser o mesmo tipo de pensamento condicionado que acha que "desenhos animados são para crianças". Mas enfim, são opções. Seja como for, adorei traduzir este filme e agradeço muito à Outsider a oportunidade. Esperemos que venham mais, até porque quero ver mais anime no grande ecrã!

『メアリと魔女の花』公式サイト
MARY E A FLOR DA FEITICEIRA (Junho 2019)

3.8.19

Comecei a ver: Boku no Hero Academia

Shounen não é a minha cena, mas de vez em quando gosto de ver, em geral a série da moda, quando passa na TV. Ora, a série da moda, em Julho de 2019, é Boku no Hero Academia [A Minha Academia de Heróis].

Estou a ver a versão dobrada, vou já despachar o assunto:
Basicamente os portugueses estão deveras melhores nas dobragens, não tenho notado grandes disparates nas traduções (mesmo quando não se ouve o original, percebe-se quando as coisas estão mal traduzidas - sobretudo se se conhece a língua de origem), as interpretações, escolha de elenco e mesmo as vozes estão mais trabalhadas, com menos exagero e nota-se um verdadeiro empenho em fazer um trabalho sério e bem feito. No passado houve quem achasse imensa piada às graçolas de Dragon Ball Z, mas era humor barato e que desvirtuava a obra original, que tem imensa piada por si só. Dito isto, se não são "aquelas" séries que sei que vou gostar, ou se vejo mais por desporto, e isto vale tanto para shounen - onde acontece com maior frequência -, como para shoujo e outras demografias que vejo mais vezes. Se vejo "porque está a dar", não me importo muito de não ter as vozes originais, se mais tarde gostar muito da série, faço um esforço para tentar ver o original. Se não, fico-me pelas nossas dobragens, pois já não me dão vontade de atirar a tigela dos flocos à televisão.

Boku no Hero Academia é mais um daqueles shounens de grupo, com um elenco algo vasto, que leva uma série de episódios a introduzir, em geral com qualidades mais ou menos maniqueístas. Não há aqui grande novidade. A história do protagonista, Midoriya Izuku, é gira, o típico underdog que se desenrasca melhor que os outros, pois usa o raciocínio, a estratégia e é verdadeiramente corajoso, que tem o mérito reconhecido através do seu professor-mentor Allmight. Até aqui nada de especial. O que faz com que se destaque é, como diz o título, a narrativa passar-se no ambiente de uma escola de super heróis (mutantes). O autor tentou dar-lhes um ar diferente, grotesco, mas no conjunto acho que não funciona. Há 2 ou 3 designs que funcionam bem, mas os outros são um bocado WTF? O Watsuki, em Kenshin, resolveu isso muito melhor, pois atrasou a introdução das personagens mais grotescas o mais que pode e os designs são interessantes. Em One Piece isso é levado ao exagero, mas com um character design genial e com imenso sentido de humor. Compreendo perfeitamente que haja tantos cosplayers de One Piece, aquilo é um desfile maravilhoso de potenciais fatos!

E o que se passa com as temporadas que parecem incompletas? Já no último post queixei-me de Card Captor Sakura: Clear Card, e BnHA mal tinha introduzido os protagonistas e amigos, começam a acontecer coisas e BUM! 'bora lá acabar a temporada aqui. sem mais nem menos! Verificando o site oficial, são 63, sessenta e três, episódios! Detesto quando os canais de TV fazem estas divisões em temporadas a séries que só têm uma temporada, só para encaixar nos seus formatos. Só mesmo um fã ferrenho é que não fica baralhado! Quando regressar, intenciono continuar a ver, mas se começar a engonhar, como Naruto engonhou, páro. Para já, gostei muito do Allmight, do Izuku e da Tsuyu, ah e do Aizawa-sensei. Veremos onde vai dar...

TVアニメ『僕のヒーローアカデミア』
 
 BIGGS

9.7.19

Terminei de ver: Card Captor Sakura - Clear Card Hen


Acho que escapou-me algo, deve haver uma segunda temporada de Clear Card nos planos, pois o final é demasiado em aberto, parece que a história ficou a meio. Em todo o caso, espero que sim.

Como ainda não li a manga, a narrativa de Clear Card foi uma novidade completa. No geral gostei, mas achei morna, comparando com a série original. Apesar de haver alguns desenvolvimentos na narrativa principal, e "desvios" giros, como a visita de Meilin, a grande maioria dos episódios era a fórmula do costume, Sakura faz alguma coisa ou vai a algum lugar, Sakura sente uma carta, Sakura apanha carta. O pior não é isso, sobretudo se cada captura de carta for acompanhada por um figurino novo da Tomoyo, estamos bem, o pior foi a narrativa do trio Akiho, Kaito e Momo, que custou a desenvolver-se e não tem resolução na série. Aliás, basicamente terminou no clímax. Também achei que a maioria dos episódios espelhava de algum modo os episódios mais memoráveis da primeira série, e não é para isso que cá estou. Quero coisas novas, senhoras CLAMP!



Adorei a passagem da pureza do cristal do primeiro genérico, Clear, para a paixão das rosas vermelhas no segundo, Rocket Beat. Também adorei o vestido vermelho! Pensei que isto auspiciava algum desenvolvimento na relação Sakura-Shaoran. Realmente houve desenvolvimento, mas, como o resto da série, soube a pouco.

Com isto, espero mesmo que a Madhouse produza uma nova temporada, ou filme, ou filmes, que contem o resto da história, porque esta série não me convenceu, mesmo com os valores de produção altos.

クリアカード編 -カードキャプターさくら公式サイト-

19.4.19

Kazuo Koike


Kozure Ookami (Lone Wolf and Cub) foi das primeiras mangas que comprei na vida, das poucas que tenho em inglês e não japonês. A edição da Dark Horse é, dentro das edições americanas de manga, uma das melhores. Livros de pequeno formato, em volumes com mais que um capítulo, e não os "fascículos" de meia-dúzia de páginas, formato normal dos comics, mas que não é adequado à manga.

Só li Lone Wolf, nem sequer cheguei a ler Crying Freeman, de Kazuo Koike, que acabou de nos deixar, mas é uma das melhores mangas da minha biblioteca e das que li. Uma história mais realista que a clássica manga histórica, contando as façanhas de um Ronin que vagueia com o filho pequeno, num Japão feudal conturbado. Não li, mas vi o fabuloso filme Lady Snowblood, cuja manga e argumento também são dele.

De uma outra forma, perdemos mais um dos grandes da manga, que ajudou a criar um estilo e a trazer a manga para o Ocidente. Lone Wolf and Cub deu origem a uma série de filmes (japoneses), que sempre quis ver e nunca vi, e Kazuo Koike inspirou muitos autores de comics norte-americanos, colaborando inclusive nalguns. Tal como Monkey Punch e o seu Lupin, Koike é daqueles autores tão marcantes e tão imitados, que a origem já se diluiu no tempo.

Kazuo Koike (Wikipedia)

16.4.19

Monkey Punch

Não era um dos meus heróis, mas quase. Monkey Punch, de pseudónimo, foi fundamental para estabelecer determinados cânones do anime e manga modernos, sobretudo através da sua série mais famosa: Lupin III.

Até sempre, Punch-sensei, deixas mais que um legado, deixas um estilo indelével, um humor imortal.

モンキー・パンチ公式WEBサイト
Monkey Punch (Wikipedia)



17.2.19

Bananya

Facto: gosto de animes parvos; facto: gosto de gatos. Isso e não andar a conseguir ver série nenhuma até ao fim (faltam-me 2 episódios de Clear Card u_u') e de esta ser 13 episódios de 3 minutos, fez com que a despachasse à hora do almoço.

Bananya respeita o formato das séries com episódios com menos de 25 minutos que vi até agora: Chi's Sweet Home (3 min) e Bihada Ichizoku (9 min), apenas com cartão de título no início e genérico final de 30 segundos, com direito a ficha de personagens e fotos reais de gatos. A isto chamo o verdadeiro Rossio na Betesga!

Mesmo em 2,30 mins as histórias dos gatos-banana têm alguma intriga e até conseguem fazer piadas engraçadas. Desde que o espectador consiga abstrair-se o facto de as personagens serem gatos-banana (?!). Para não complicar, as personagens têm perfis maniqueístas, clássicos de aventuras de grupo japonesas: o herói, Bananya, cujo sonho é tornar-se numa banana coberta de chocolate - yum!; o intersse amoroso, Bananyako (Madonnya); o amigo Tora Bananya; o rival, Kenaga Bananya; o anti-herói, Kurobananya; o mentor/figura paternal, Oyaji Bananya; o aprendiz timido, Sabotora Bananya; o coro, o trio Tabananya; o bebé, Baby Bananya e os convidados, Miike Bananya, Namaste Bananya e Elizabeth Bananya. Mesmo assim é um elenco numeroso! A acção passa-se quase sempre na cozinha, onde os Bananya vivem, as suas aventuras são simples descobertas, como a visita do gato de rua, sempre quando os humanos da casa não estão presentes.

A animação é vectorial e bastante simples, facilitando a sua produção, mas com um character design giro e sólido, cenários simples em cores pastel, não parece um produto barato. Calculo que já haja uma boa variedade de merchandising por trás e que eventualmente faça mais sucesso como tal que a série em si, estilo Mamechiba ou as coisas da Sanrio (se bem que ainda não falei aqui do Gudetama :'D).

Com consciência que não é para todos, eu achei divertido e verei mais se vier a haver mais. Nya!

TVアニメばなにゃ公式ホームページ


7.7.18

Ando a Ver: Saint Seiya Ω



IKKI!!!

Tinha me queixado num post anterior da ausência do meu Cavaleiro preferido, Ikki de Fénix, eis que em Saint Seiya Ω, mais uma vez dado como morto, mais uma vez quando a situação raia o desesperante, a fénix se levanta das chamas e volta para a batalha contra Pallas. Ikki continua com a sua atitude: "não luto por Atena, luto porque o desafio me interessa", mas já todos sabemos que lá no fundo o Ikki tem um coração de manteiga e que faz tudo para ajudar o maninho, os amigos e defender Atena!

A chegada de Ikki é uma boa desculpa para finalmente continuar a falar de Saint Seiya Ω, que tem continuado numa segunda temporada no BIGGS. Com certeza não há temporadas na série japonesa, ou talvez haja, sinceramente não pesquisei, de tal modo que pensava que a série tinha terminado com a Batalha de Apso, mas não interessa, o que interessa é poder ver a série, mesmo que infelizmente apenas dobrada em português.
Falando em dobragem, não gosto da voz de Ikki. A voz em si não está mal, mas eu preferia uma voz mais grave, mais máscula, como a original. Mas o que gosto menos é a entoação muito presunçosa que o actor dá à personagem, que não é o que Ikki é. Ikki não é presunçoso, é o clássico anti-herói, lobo solitário, mas que ama a sua missão e sobretudo os seus companheiros de tal forma que está disposto a sacrificar-se por eles. Também é um Cavaleiro muito poderoso e não gosta de revelar os seus sentimentos, mas sim dar ares de durão insensível. Actor de voz português, falhaste redondamente na caracterização psicológica da personagem!

A razão porque ainda não tinha escrito acerca da Batalha de Pallas, foi porque o entusiasmo e a sensação de déjà vu que a primeira parte me deu para a série original, Saint Seiya, agora sinto que está muito repetitiva e arrasta-se um bocado. Esta segunda fase basicamente é constituída por, Cavaleiros de Atena enfrentam Pallasites, derrotam Pallasites, ficam com as armaduras danificadas, mas milagrosamente Kiki ou a assistente conseguem repará-las, apesar de terem dito na última vez, que não poderiam repará-las mais, e volta ao início, mas com Pallasites um nível mais fortes.
Neste momento a batalha já vai avançada, Atena também entrou em acção, e os Pallasites são os Quatro Generais mais poderosos, enquanto se revela uma certa intriga de manipulação de poder. Mas, visto que no novo genérico Atena enverga a sua armadura e vê-se a lutar contra Pallas, também de armadura, mal posso esperar!

聖闘士星矢Ω-セイントセイヤオメガ- 公式サイト 東映アニメーション



BIGGS

6.4.18

Isao Takahata

Akage no Anne
Como todo bom português da minha geração, a primeira coisa que vi de Isao Takahata foi a Heidi (Alps no Shoujo Heidi) e a seguir o Marco (Haha wo Tazunete Sanzenri). Mas eu, mesmo pitinha, detestava a Heidi e o Marco. Via porque havia pouco mais, apesar de não perceber a revolta do meu irmão mais velho, por as legendas serem escassas. A mim, que naturalmente não percebia japonês nem sabia ler, era-me indiferente. Mas não havia falha de comunicação, a narrativa era fácil de perceber, uma característica que demarca Takahata como um génio e que torna os seus filmes universais.

Depois dos detestados e definitivamente lamechas Heidi e Marco, o anime de Takahata que realmente me marcou foi Akage no Anne, a Ana dos Cabelos Ruivos. Foi nesse momento que percebi que o problema do excesso de lamechice não era de Takahata, mas do material original. Como livro infanto-juvenil, Anne of Green Gables, de Lucy Maude Montgomery, é muitíssimo superior. O World Masterpiece Theatre, indirectamente criado por Takahata, colocou o anime nas televisões de muitos países europeus, incluindo Portugal. Só por isso e por dar início à minha paixão por anime, estarei sempre grata a Takahata-sensei.

Não, nunca vi Hotaru no Haka, por opção própria, quero ver nas circunstâncias certas e esse momento ainda não aconteceu. Mas há-de acontecer!

Nos últimos anos, graças ao Monstra, Festival de Animação de Lisboa, tive o privilégio de ver quase todos os seus filmes em sala, tendo sido o último, um dos seus primeiros, o delicioso Cello-hiki no Goshu, de um período pré-Ghibli, no passado mês de Março. Infelizmente a disponibilidade de blogar acerca dos filmes não tem sido muita, mas os posts hão-de chegar.

Takahata conseguiu o fenómeno de criar filmes universais, que divulgam o anime da forma certa, não se encaixando em modelos de produção formatados e fazendo sobretudo cinema de autor, animação de autor, usando os meios da animação comercial, que tanto atrito criou com o seu mais pragmático e prolífico sócio. Sem Takahata não haveria Mamoru Hosoda ou Makoto Shinkai, não nos moldes com que ambos filmam. Se Miyazaki é um bom autor/realizador, Takahata é um poeta e é como um poeta que hei-de recordá-lo sempre!

Isao Takahata

26.1.18

Comecei a ver: Card Captor Sakura - Clear Card Hen

Cheguei um bocadinho atrasada ao comboio, pelo que só agora vi 3 episódios de uma assentada, o que me fez, a mim que raramente faço maratonas, desejar já ter todos os episódios para fazer maratona de Cardcaptor Sakura- Clear Card Hen.

Tinha saudades! Muitas! Já não me lembrava como a Tomoyo é engraçadíssima no seu stalking :'D, de como a Sakura e o Shaoran são fofos ("Hoe?!"), de como todo o universo de CCS é giríssimo e divertido! Melhor, esta série "cresceu" bem, agora pintada e finalizada digitalmente, dando bom uso às novas tecnologias nos efeitos, mas mantendo fielmente a estética original. Calculo que sejam novos, mas os cenários parecem ser os mesmos de então.

* A PARTIR DAQUI O TEXTO PODER TER SPOILERS,
AVANÇAR COM CUIDADO! *

Melhor ainda, a história deixou-me curiosa (não, ainda não li a manga) e parece bem empolgante. Nanase Ohkawa FTW! Há coisas que acho que já adivinhei, acho que quando ela converte as novas cartas, são as cartas dela que ficaram transparentes. Quando tiver mais que 3, as que tem agora, e o volume for maior, será quando vão reparar nisso - ou não - realmente não sei o que se vai passar, são apenas conjecturas.

Agora as diferenças da série original. Clear Card não é um remake, é uma continuação 3 anos depois, portanto todas as personagens cresceram/envelheceram. Sakura e os colegas já não são pré-adolescentes, mas adolescentes de 14 anos. A Sakura parece ter amadurecido pouco, está um bocadinho mais calma, mas igualmente ingénua e por vezes tolinha (mas eu gosto!), a Tomoyo não se desenvolveu nada e o Shaoran é quem apresenta as maiores diferenças, tendo se tornado ainda mais sorumbático e algo misterioso. Touya, Yukito, Fujitaka, Eriol, Ruby e Kaho aparentam estar exactamente na mesma, mas há mistério em Inglaterra.

Fisicamente as diferenças ainda são menores, Sakura e Tomoyo parecem estar mais esticadas e Sakura perdeu os totós, mas de resto, iguais. Shaolan está praticamente igual, nem a voz mudou. Há pequenos detalhes diferentes, um deles é nos acabamentos, principalmente nos olhos, onde o digital é muito bem utilizado. ADORO as novas cartas! Os novos fatos de batalha da Sakura, feitos pela Tomoyo, são giríssimos, gosto particularmente da gabardina e galochas de rã, mas continuam bastante infantis. Não estou à espera de uma Sakura sexy, mas gostava de ver mais uma miúda de 14 anos e não uma de 10-11. Há os sapatinhos de salto do fato dos cristais do genérico, mas para já é só.

Ainda está muito no início da série para avaliar condignamente, portanto vou esperar pacientemente os próximos episodios. Como de costume, irei comentar mais a meio ou se algo for suficientemente marcante. Para já estou muito contente por CCS voltar, tinha saudadinhas!

NHK アニメワールド|カードキャプターさくら クリアカード編

PC

16.12.17

Shoujo Tsubaki - Eiga

Não demorou muito, cá estou eu de volta com Shoujo Tsubaki, o filme de 2016.

Este filme, apesar de menos próximo no tempo da manga que o filme anime de 92, leva-se menos a sério e só lhe falta uma coisa que o outro filme tinha de melhor, uma banda-sonora à altura.

Ainda sem ter lido a manga, fica para outros carnavais, este parece-me mais próximo naquele tom surrealista e psicadélico de que senti falta no anime. É tudo plasticamente artificial, a caracterização física das personagens, com cores berrantes e padrões estilizados, os cenários, claramente de estúdio e artificiais, e até o modo como as personagens se comportam durante o filme.

Para uma história tão rocambolesca, basicamente a mesma que conta o outro filme, mas com um final mais adiantado e fechado, não forçosamente previsível, agrada-me mais esta opção estética artificial, mais evocativa da manga, que definitivamente reforça o surrealismo onírico da história e nos desperta muito mais a atenção. Talvez por ser mais gráfico, a violência e as cenas chocantes ficam suavizadas, com a adição do fait-divers obrigatório por lei no Japão, de remover as partes pudendas, que me despoleta sempre uma garglhada, independentemente da circunstância ou do filme. Desta vez foram desfocadas.

A atenção aos detalhes em toda a caracterização física é enorme e demonstra que este filme não foi feito de ânimo leve e é bem mais interessante e divertido que os filmes japoneses do disparate, de produtoras como a Sushi Typhoon. Sim, encaixa na estética da moda, aposto que se voltar a ver os vídeos do Halloween em Tóquio vejo algumas Midoris, mas no geral é tudo muito bem conseguido e o resultado é consistente, interessante e de boa digestão. Aliás, o guarda-roupa é delicioso, não é só o vestido amarelo às bolinhas vermelhas de Midori.

Gostei do desempenho dos actores, os maneirismos japoneses que costumam enervar-me um bocado, aqui encaixam lindamente, afinal é deste universo do kabuki que eles vêm, o mesmo que terá inspirado a manga. A actriz principal, Lisa Nakamura, que interpreta Midori, faz muito beicinho, mas não é infantil, a personagem é uma ingénua, que por via das circunstâncias acaba por ser caprichosa e cruel. E eis que mais adiante no filme surge o Mamoru, de Pretty Guardian Sailormoon! Gostei muito mais dele aqui, mas o papel é pequeno. Não reconheci mais nenhum actor, excepto uma participação especial de Misha Janette, uma modelo e stylist americana que vive no Japão e está dentro desta estética monster kawaii, bastante popular lá para os lados de Harajuku. Mas também ando muito desactualizada dos doramas para reconhecer muita gente.

Como disse acima, o que falha aqui, e que resultou no anime, é a banda-sonora. O que existe não é mau, o único tema que se destaca é a clássica musiquinha de circo, mas este nem é um típico circo ocidental, está mais próximo de um freakshow, com monstros nipónicos, mas é muito pouco. Fazia falta uma banda-sonora psicadélica anos 60, cheia de órgãos e guitarras, por vezes o filme é muito seco, uma musiquinha faria o filme deslizar melhor.

Só tenho pena de não ter passado este ano no MOTELx, esta bizzaria tinha encaixado lindamente no festival.

Bom, falta a manga, agora ando a ler Sugar Sugar Rune, é por causa do lançamento da Neo Blythe Chocola este mês - admito - mas depois vou procurar Shoujo Tsubaki. Um fatinho de cosplay para as minhas Blythes já está na lista :'D tenho de me por a fazer camélias em origami!

映画 少女椿 公式サイト

10.12.17

Shoujo Tsubaki

Descobri recentemente Shoujo Tsubaki, bom, não tão recentemente, pois já tinha visto imagens e, apesar de me ter chamado a atenção, tinha descartado como "demasiado antigo para encontrar facilmente", através do meu vício no YouTube: os vídeos de maquilhagem. Nos vídeos de Halloween da vlogger e modelo Rin Rin Doll, surge esta pérola [vídeo abaixo] que mesmo no conjunto dos vídeos dela se destaca.

Foi isso que me fez descobrir que se trata originalmente de uma manga por Suehiro Maruo, de 1984. O video da Rin Rin inspirou-se no filme live-action do ano passado (2016) e foi na busca do mesmo que descobri o filme anime de 1992, do qual blogo aqui.


Trata-se de uma história dentro de um surrealismo fantástico, baseado na mitologia popular japonesa e dos kaidans, sem moral da história e sem um final feliz e fechado. Tudo isto são aspectos que me levaram a gostar da ficção japonesa, há tantos, tantos anos. Infelizmente desde a mudança de século, as narrativas tem vindo a americanizar-se e raramente aparecem coisas deste género. Este filme também não é claramente para crianças, apesar da protagonista, Midori, ter 12 anos.

Este é talvez o fime mais politicamente incorrecto que vi nos últimos anos desta era politicamente correcta, onde a pobre Midori fica orfã, é abusada, violada, arrancada da escola e de uma vida normal e é salva, ou não, por um anão hipnotizador. Eu sei, spoilers, mas nem tanto, saber estas coisas, que de certa forma acabam por construir o carácter de Midori, não muda o modo como vemos o filme, fora talvez algum choque inicial, mas que pode ser também um aviso à navegação.

O filme tenta manter a estética retro, algures entre os anos 30 e 60 da manga original, mas não sem uma certa estilização típica dos anos 90, que lhe retira o psicadelismo. A narrativa desenvolve-se rapidamente, por curtos capítulos, devidamente intercalados por intertítulos, reforçando o lado retro. O que também reforça e muito o lado retro é a banda-sonora psicadélica anos 60-70. A animação é detalhada mas não é maravilhosa, cumpre o básico, mas cá está, podia ser mais psicadélica, ficava genial neste contexto. Sinto falta do amarelo às bolinhas vermelhas que está na manga e também no live-action.

Bom, este foi o primeiro visionamento desta busca, espero encontrar o filme, pelo qual estou super curiosa, em breve e vou ver se encontro a manga também.

Filme: 映画 少女椿 公式サイト


18.9.17

Card Captor Sakura - Clear Card Hen - Prologue - Sakura to Futatsu no Kuma

Ou seja: Card Captor Sakura - Arco das Cartas Transparentes- Prólogo - Sakura e os Dois Ursos. Ufa! uma pessoa até fica cansada de escrever um título tão comprido!

Ai que saudades de Card Captor Sakura! Ai que saudades de ver anime! Este episódio especial é a adaptação directa de uma das histórias da manga, mas ainda de Card Captor Sakura, onde Sakura é levada a compreender os seus sentimentos.

Ainda não toquei em nada da nova manga Clear Card Hen, apenas vi as capas dos tankoubons que são lindas como sempre e mantéem a estética da manga original. Ver este pequeno episódio lembrou-me o quão esganiçadas são as vozes japonesas (as portuguesas eram piores) e do quão fofa é a Sakura, a um ponto que não me faz urticária, pois é trapalhona q.b. para equilibrar. A história é simples, o episódio é simples, é um bom meio para nos levar de volta a este universo e mesmo assim adicionar algo à narrativa. Agora a ver vamos.

Como sempre como tudo das CLAMP, Madhouse, Morio Asaka, o episódio está impecavelmente bem feito, só não gostei muito da "limpeza" do traço para mais fininho, delicado, acho que o traço mais definido anterior, adicionava carácter aos desenhos e aproximava-se um pouco da estética das CLAMP, que não têm medo de usar o preto, mesmo que Sakura não seja um dos melhores exemplos disso.

Agora é ler a nova manga e esperar pela nova série. Tenho alguma curiosidade em saber como a história avança e até que ponto os dados de Tsubasa e xxxHOLiC se irão cruzar com esta nova Card Captor Sakura, por mais que isso me enerve, principalmente no qe toca a Tsubasa.

NHK アニメワールド|カードキャプターさくら クリアカード編

YouTube

14.8.17

Terminei de ver: Saint Seiya Ω


Queria ter feito um post a meio, quando o genérico e, de certa forma, a série mudam, mas infelizmente não tive tempo.

O que falta em Saint Seiya Ω?
Várias coisas, a começar pelo Ikki/Fénix! Shiryu, Shun, Hyoga e até mesmo Seiya, que parecia apenas ser mencionado durante toda a série, voltam por breves momentos, mas nada de Ikki! Bom, a Marin também não volta, mas o meu cavaleiro preferido é o Ikki e a amazona a Shaina, e temos bastante Shaina.
Continuando o paralelismo com a série original, já que a narrativa se desenvolve de forma semelhante, outra coisa que senti bastante falta foi a empatia com as personagens. A empatia está lá, mas faltam todos aqueles episódios, dedicados em bloco por personagem, onde cada cavaleiro ultrapassa obstáculos aparentemente inultrapassáveis para um Cavaleiro de Bronze, o que os torna excepcionais tanto no poder e resistência, como na preserverança. Esses episódios também desenvolvem as personagens, acrescentam-lhes uma densidade que faz falta em Ω. Aqui eles parece que já chegam prontos. Mesmo o encontrarem o 7º Sentido não tem o mesmo impacto.
Outra coisa que me fez confusão é que no grupo original eram todos órfãos, mesmo que tivessem irmãos, o que acrescentava uma aura de mistério ao factor que os tornava cavaleiros. Nesta as origens são mais diversificadas e existem laços familiares de várias naturezas, o que lhes corta um bocado a motivação altruísta de defender Atena.

Sensivelmente a meio, a música do genérico muda para um rock um pouco mais actual, mas ainda com um sonoridade anos 80. Infelizmente não é suficientemente marcante para ficar na memória. O genérico também muda para uma montagem de imagens da série, intercaladas por algumas feitas de propósito. Nada de especial e igual a tantos outros. Nada de épico nos genéricos.

Apesar disto tudo, a história continua empolgante e o desenvolvimento fez-me querer ver os episódios de uma assentada. Gostei do vilão com remorsos, Eden é definitivamente o Ikki desta história, chegando para salvar a pátria, neste caso a Terra, quando todos os outros estão em baixo. Agora uma questão que já me colocava desde a primeira série e que provavelmente nunca será respondida: se Atena é uma Deusa, se existe uma hierarquia de poder,

Deuses
Semideuses
Cavaleiros de Ouro
Cavaleiros de Prata
Cavaleiros de Bronze
comuns mortais

como é que ela precisa sempre de ser salva pelos cavaleiros supostamente menos poderosos de todos? Como é que os Cavaleiros de Prata e de Ouro são sempre tão corrompíveis? Eu sei que são estes problemas que tornam a série interessante, mas gostava que a Atena tivesse um papel um bocado mais activo, ao menos na original ainda organizava os campeonatos. Safou-nos a Yuna, que teve o seu lado maniqueísta da menina do grupo bastante diluído (apesar das mangas de balão... ugh!). Só mesmo a Shaina é uma personagem feminina forte e independente.

Gostei muito de regressar ao universo dos Cavaleiros de Atena, mesmo sentindo algumas falhas inexplicáveis e não sendo a mesma coisa que o impacto brutal de Saint Seiya. Acredito que seja mais uma série para os fãs que para quem não o é. Mesmo assim é uma boa série.

聖闘士星矢Ω-セイントセイヤオメガ- 公式サイト 東映アニメーション


 BIGGS

23.6.17

Ashita no Nadja

Mal posso crer que nunca escrevi um post dedicado a Ashita no Nadja!! Adorei de tal forma a primeira vez que vi a série que só uma eventual falta de disponibilidade o justifica. Durante uma actual maratona de costura uma das séries que tenho andado a engolir às colheradas é Ashita no Nadja.

Esta é uma série relativamente recente mas que se encaixa lindamente nas séries vintage dos anos 70 e 80, que contam a saga de uma menina órfã para encontrar as suas origens. Mas não é de todo mais do mesmo e é uma das melhores dentro do género.

Primeiro, Ashita no Nadja é uma série com bons valores de produção, resultando num character design polido e bonitinho, com uma dose q.b. de detalhes, cenários bem trabalhados e geograficamente correctos, boa animação com pouca palha e alguma animação 3D nas cenas da transformação da caravana em palco e nos itens de Nadja. Mas o melhor desta série é uma realização aprimorada e a ousadia em focar temas mais sérios ou em ter episódios mais melancólicos intercalando a alegria vigente. A banda-sonora é também inovadora, incluindo para além das canções, trechos de música clássica e longos silêncios que acentuam o dramatismo. Para além da saga de Nadja, esta série também inclui a dança e a música como complementos e é uma espécie de guia turístico romântico da Europa do início do séc. XX. Naturalmente existem as típicas incongruências japonesas neste tipo de série, como uma personagem japonesa, Kenosuke, que surge mais ou menos do nada, o facto de todos se entenderem, apesar de passarem por países com línguas diferentes, uns mini-leões que aparentemente crescem ao ritmo humano e objectos mecânicos pouco plausíveis. Gostava de saber onde cabem o palco e 8 pessoas/camas naquela caravana...

O meu episódio favorito é o episódio 26, uma espécie de perseguição muito reveladora para Nadja, passada no deslumbrante Alhambra, em Espanha. Mas ao rever a série apercebo-me que não é apenas o episódio do Alhambra que é marcante, todos os episódios passados em Espanha fogem ao clichè do salero e da alegria solar e mostram um lado mais melancólico ao crepúsculo, menos evidente naquela Espanha para turistas, mas sem dúvida romântico e realista, na dualidade de sol e sombra que existe na cultura de nuestros hermanos. Não há dúvida que o realizador destes episódios é fã de Espanha! A luz e a escolha de cenários nestes episódios é sublime e mesmo o modo como a narrativa é contada deixam-nos uma sensação de algo mais que uma simples série de anime shoujo a passar no Canal Panda.

Tenho andado muito ocupada e tenho uma série de posts atrasados. Nem devia estar aqui a escrever isto agora, mas não podia deixar passar o ímpeto de colmatar o facto de nunca ter escrito aqui acerca de uma das séries que mais me marcou nos últimos anos.

明日のナージャ

 Canal Panda

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