9.11.08

Ribbon no Kishi

Já li a manga! Nesta edição são 8 volumes fininhos, mas no original são apenas 3. Na realidade o que li foi a primeira versão da manga, de 1954, tendo Osamu Tezuka editado uma segunda versão mais tarde, 1963, uma revisão da mesma história. Em 1967 foi produzida uma série de anime, baseada na primeira versão da manga.

Ao criar esta manga, Tezuka criou um novo género e ditou as primeiras regras da manga shoujo. Uma delas e a mais original de todas, foi a ideia da princesa vestida de príncipe, retomada em várias manga shoujo famosas, nomeadamente Versailles no Bara e Shoujo Kakumei Utena. Essa ideia do travestismo no feminino vem do facto de Tezuka ter vivido em Takarazuka, uma pequena cidade anfitriã da antiga companhia Takarazuka Revue, com um elenco unicamente feminino que encena histórias românticas, clássicos da literatura e algumas manga, num formato de revista musical, com encenações kitsch e barrocas. A influência é de tal modo marcante que a própria manga Ribbon no Kishi foi encenada pela companhia, fechando o círculo.

Ribbon no Kishi conta a história da Princesa Sapphire que nasce com dois corações, um de menino e outro de menina, por causa de uma partida de um anjinho chamado Tink. No Reino de Prata, o reino de Sapphire, as mulheres estavam proibidas de suceder ao trono e por isso, apesar de nascer menina, Sapphire é criada como um rapaz em segredo. A história vai seguindo as várias peripécias, os esforços da princesa e de seus aliados em proteger o segredo do malvado Duque Duralmin, que quer que o seu filho Plastic suceda ao trono.

Esta é uma manga muito empolgante e divertida, onde a acção nunca pára, onde quando pensamos que Sapphire já está finalmente livre dos obstáculos aparece mais um ou um novo vilão e a sua vida volta a complicar-se e nunca mais ela consegue realizar os seus dois desejos mais profundos, que ainda por cima são contraditórios: ou assume a vida de um homem e herda o trono do seu amado reino, ou assume a vida de uma mulher e fica com o seu Príncipe Franz Charming, do Reino de Ouro.

Olhando para as manga shoujo de hoje, em particular para as duas mencionadas acima que também já li, fica muito claro que Ribbon no Kishi, não encaixando ainda no modo como a narrativa se desenrola no modelo que hoje dita o ritmo de uma narrativa dirigida a raparigas, ditou algumas regras fundamentais e recorrentes ao longo das já cinco décadas que se passaram. Ao contrário das manga dos anos 70, não se sente nesta tanto a influência de uma época, seja na história, seja no grafismo. Apesar de algumas ideias ligeiramente conservadoras, a manga é na sua essência bem progressista para a época e para uma manga desenhada por um homem. Sente-se muito mais a forte influência da Disney, de Hollywood e dos contos de fadas europeus, em particular os dos irmãos Grimm.

Acho que esta é das primeiras vezes que aqui escrevo acerca de manga, mas já queria ler esta há tantos anos e é realmente de tal forma um clássico marcante que tinha de o fazer! O mais engraçado disto tudo é que esta, que é uma manga dirigida ao público feminino, que deu origem a várias ideias recorrentes da manga shoujo, surge com um ritmo e narrativa essencialmente para rapazes, numa acção incessante onde o romantismo não se manifesta apenas no interesse amoroso ou na verbalização desse amor, mas na imagem idealizada do romântico príncipe encantado, que tudo faz para ficar com a sua princesa. Com este misto de estratagemas narrativos, creio que hoje em dia seja uma manga que facilmente agrada tanto a rapazes como raparigas. E não é definitivamente uma manga datada, o que é deveras surpreendente e dá com toda a justiça o título de "Deus da Manga" a Osamu Tezuka.

Graficamente esta manga é extremamente dinâmica e variada, não se cingindo à ideia de quadradinho após quadradinho, sendo todas as páginas muitíssimo bonitas e agradáveis de ler. Gosto muito do desenho de personagens de Tezuka, que apesar de apresentar um estilo um pouco retro, não é perro como por vezes são os primeiros títulos de um autor. Na longa carreira de Tezuka, que engloba 700 títulos de manga, Ribbon no Kishi pode ser considerada uma das primeiras, uma vez que ele começou a desenhar profissionalmente no pós-guerra, mas a arte gráfica é de tal modo perfeccionista como poucas manga, o traço seguro e consistente, não tendo oscilações, onde todas as páginas são um quadro equilibrado e muito bem concebido.

Agora quero mais!!!!

Quem estiver interessado na edição brasileira, que tem uma excelente relação qualidade-preço, pode dar uma olhadela ao site da Editora JBC. Se quiserem "folhear" a manga, isso é possível através do site oficial da Tezuka Productions que, por ocasião da comemoração dos 80 anos de Tezuka a 3 de Novembro, publicou gratuitamente excertos de muitos títulos online (é só clicar nas capas - estão lá ambas as versões).

Cosplay

Já não ia ao FIBDA (Festival de Banda Desenhada da Amadora) há cerca de 5-6 anos, eu que ia lá com regularidade quase todos os anos desde que o festival começou... Este ano, em parte por serem os 10 anos oficiais do cosplay (se bem que o cosplay no FIBDA tem, na realidade 11 anos, fui quem o organizou nesses dois anos), e também por causa do tema ser a ficção-científica e da exposição de Star Wars, este ano fui lá ver.

O espaço do festival estava engraçado, gostei deste edifício, o último onde estive não era adequado a um evento como este, e gostei da cenografia, por vezes demasiado realista nos corredores de nave espacial (demorei que tempos e mais umas voltas para encontrar a saída), mas foi pena o auditório ser tão minúsculo e não ser em anfiteatro. Conclusão: no desfile propriamente dito do cosplay só vi cabeças e pontas de chapéus e adereços (e eu sou alta!). Já cheguei a meio, portanto já não vi todos os cosplayers, mas no geral foi com imensa satisfação que vi tanta adesão a uma coisa que há 10-11 anos atrás foi mais "obrigar" uma meia-dúzia de fãs de anime com que me dava a se juntarem a mim a fazer triste figura pelas ruas de Lisboa e da Amadora (sim, o pessoal vestia-se em casa e ia em cosplay até lá), e a serem gozados pela mão-cheia de visitantes do FIBDA. Não há dúvida que as coisas mudaram radicalmente e, para além dos números se terem inflacionado umas 20 vezes, tive muita satisfação em ver uma percentagem muito grande de rapazes em cosplay.

Como disse, no meio de tanta confusão e de um espaço demasiado apertado para o cosplay, acabei por ver menos fatos do que gostaria. A vantagem foi que os poucos que vi foi mesmo de muito perto, o que deu para apreciar condignamente a qualidade. Do lado espectacular estava uma Queen Esther de Trinity Blood, cujo fato, além de extremamente trabalhoso e certamente caro, estava muito bem feito. Foi, sem dúvida o que mais chamou a atenção. Depois vi uma Sakura de Tsubasa, cujo fato estava muitíssimo bem feito e também era muito espectacular. O Yue de Card Captor Sakura também era muito chamatório mas não estava muito bem feito, tinha todos os elementos, certamente que as asas deram um trabalhão, mas falta-lhe técnica. Pelos corredores também me cruzei várias vezes com uma Shinku e uma Suigintou de Rozen Maiden, cujos fatos estavam, na minha opinião entre os melhores: os tecidos estavam muitíssimo bem escolhidos (veludo) super bem cortados e confeccionados e não lhes faltavam pormenores nenhuns. A única coisa que eu fazia era investir em perucas melhores, pois destoavam, apesar de cumprirem a sua função. Também me cruzei, mas já de raspão com uma Kaoru de Kenshin (o kimono azul com borboletas de uma ilustração) que estava também excelente, muitíssimo bem pintado, bons tecidos, bem vestido (acreditem: não é fácil vestir bem um kimono).

E por fim os Zorros e as Princesas do cosplay à portuguesa: fatos de Naruto e de Final Fantasy... eram tantos que dava para encenarem cenas inteiras das respectivas séries e jogos, ia era haver personagens repetidas, o que em Naruto não é grave...

Foi divertido, também gostei muito da exposição que foi um misto de viagem ao passado (Flash Gordon Valerian, José Ruy, etc.) com algumas coisas novas bastante interessantes. Não queria gastar dinheiro nas lojas por diversas razões, mas acabei por comprar os 8 volumes da edição brasileira de A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka, que já tinha namorado há anos na loja (na Feira da Ladra) e não tinha comprado. Para quem não saiba, A Princesa e o Cavaleiro (Ribbon no Kishi) foi a primeira manga shoujo da história e é actualmente uma raridade. A edição brasileira é simpática, não posso avaliar o texto pois ainda não li, mas está bem impressa e é bem barata (€1,50 cada). As edições brasileiras seguem o sistema italiano de livrinhos, mais finos que os tankoubons, mas a preços acessíveis. E a mim não me chateia nada ler em português do Brasil, mas claro que preferia em japonês.

PS - ainda faço cosplay, mas no Carnaval.

Cosplay@FIBDA 08 - Galeria oficial

esqueci-me da minha máquina, mas um amigo meu tirou algumas fotos, quando ele mas der eu coloco aqui uma ou duas.
22.04.2009: finalmente a foto prometida... a Queen Esther com uma outra personagem que desconheço.

4.11.08

Gedo Senki / Tales From Earthsea

Li os livros, Contos de Terramar, de Ursula K. LeGuin há bastantes anos, lembro-me de muito pouco dos livros, excepto das paisagens e da rapariga, de dragões e magia, e pouco mais... Mas a impressão que ficou foi muito boa, pelo que, quando Goro Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki, resolve realizar este filme, adaptação dos livros de LeGuin, achei que aquele universo Ghibli e de Miyazaki (pai) se adequavam bastante ao que tinha lido.

Mal sabia eu o romance que se desenrolou por trás da execução deste filme. Desde o início da sua carreira que Hayao Miyazaki é fã confesso d'Os Contos de Terramar e tem vindo a assediar a sua autora para lhe ceder os direitos de adaptação ao cinema, direitos esses que Ursula LeGuin tem vindo a recusar durante muito tempo. Entretanto, impossibilitado de adaptar os livros, Miyazaki foi criando um universo cinematográfico, em muito semelhante ao dos livros de LeGuin, em particular em Nausicaa ou Laputa.

Hayao Miyazaki tornou-se num nome conceituado a nível mundial e Ursula LeGuin cedeu e convida-o a finalmente adaptar os seus livros. Mas já foi tarde demais e ele demonstra que perdeu o interesse. Mesmo assim a Ghibli compra os direitos e a produção do filme é iniciada. Desde o início que Goro Miyazaki, também colaborador da Ghibli mas que nunca realizara uma longa-metragem, se mostrou interessado em realizar este filme, mas o pai recusa a ideia afirmando que o filho é demasiado inexperiente e ainda não se encontra preparado para tal tarefa. O resultado: pai e filho zangam-se durante toda a produção de Gedo Senki.

Não sei os capítulos seguintes da novela Miyazaki, mas vi o filme. Foi-me um pouco difícil não passar o filme todo ora em busca de memórias dos livros de LeGuin, ora em busca de algum traço pessoal de Goro Miyazaki. Gedo Senki é um filme fantástico de aventuras bastante interessante, muitíssimo bem executado, não desmerecendo outros filmes dos estúdios Ghibli, mas que me deixou sempre a impressão de uma cópia bem feitinha dos filmes de Hayao Miyazaki.

Dos livros não houve remédio, relembrei-me de muito pouco, mas fiquei com a impressão de que não foi adaptada toda a história. Infelizmente os livros que li não eram meus, e não o posso verificar para já.

A realização de Goro Miyazaki é boa, competente, mas pouco inventiva ou empolgante como noutros filmes da Ghibli, mesmo os que não são do seu pai. Parece-me uma realização pobre, com um estilo demasiado banal, sustentada por uma equipa muitíssimo competente e determinada a que o filme não escorregue o tempo todo e que o consegue sustentar. Existe realmente uma grande disparidade entre a realização, que é tímida e pouco arrojada com uma máquina de produção, muitíssimo habituada a funcionar com filmes neste estilo, que vai agarrando as inseguranças de Goro Miyazaki pelos colarinhos com pulso forte, através de uma animação de primeira qualidade e cenários, mais uma vez, deslumbrantes. A única excepção fica no character design que é um bocado atarracado, demasiado colado ao que nos habituámos a ver nos filmes do seu pai e pouco interessante. Honestamente, estava à espera de mais.

A banda-sonora é que realmente varia, não sendo de Joe Hisaishi, não temos aquela familiaridade habitual, mas é bonita. Só tenho pena de às vezes ser um pouco em demasia, tornando-se intrusiva em momentos em que seria preferível o silêncio.

Gedo Senki é um filme interessante de ver mas não surpreendente, transparece a batalha travada entre um realizador inexperiente e com pulso fraco contra uma gigantesca máquina de produção. Vale pelos magníficos momentos na cidade, pelas imagens do porto e a detalhada arquitectura medieval-europeia. A história está bem contada mas podia ter mais reviravoltas e ser mais emocionante. Os livros são grandes, contam diversas fases de uma história, com bastante detalhe, e já se sabe: enfiar o Rossio na R. da Betesga é muito complicado. Talvez o projecto tenha sido demasiado ambicioso para alguém que deve andar a sonhar em sair debaixo da sombra paterna.

Os livros Contos de Terramar estão editado pelos Livros do Brasil em três volumes, colecção ficção-científica de bolso (são aqueles pequeninos, baratinhos).

31.10.08

Kuromi Harowiin!


Procurei, procurei, procurei, não consegui arranjar esta imagem maior e com melhor qualidade pela net. Quando a vi pela primeira vez, achei que seria perfeita para colocar aqui no Halloween, e realmente é, pois a minha actual obsessão é mesmo My Melody. Bem, a imagem é de um CD extra da segunda série, Onegai My Melody ~Kuru Kuru Shuffle!~, intitulado Kuromi no Halloween Party!, cantado, naturalmente pela actriz de voz que faz a Kuromi, Junko Takeuchi. Bom fato para cosplay, não?

Não deixa de ser engraçado, com tanto anime novo que se vai estreando (se bem que mal comecei a ver algumas das séries novas que quero seguir) e com tanto anime que anda a dar nos canais portugueses eu estar a ver mais fielmente justamente as duas estreias do Canal Panda, My Melody, que é puro kawaii com um ligeiro toque apimentado, e Keroro Gunsou, um anime para fãs de anime hardcore. Keroro está cheio de referências, são umas atrás das outras (Cobra, Evangelion, Gundam, Harlock, só para mencionar algumas das mais óbvias), mas é super engraçado e muito divertido, mesmo quando não se apanham as piadas com segundo sentido.

O meu Halloween vai ser infelizmente passado "de molho", mas o lado bom é que posso ver anime com fartura.

Já me esquecia: parabéns ao anime-comic, que fez 3 anos dia 8 de Outubro (eu sei, esqueci-me de novo).

27.10.08

Terminei de ver: Chi's Sweet Home

Já terminei de ver esta série há uns dias, mas tenho andado mesmo ocupada e daí o atraso no post.

Nos últimos 10-15 episódios de Chi's Sweet Home o problema, sempre presente, de serem proíbidos os animais de estimação no prédio dos Yamada começou a tomar maior relevância para dominar os últimos episódios. Talvez por causa disso há uma clara aceleração das pequenas aprendizagens do dia-a-dia de Chi, especialmente as felinas com o gatarrão preto. No final a história deixa de ser uma pequena crónica do quotidiano da pequena Chi para tomar novas formas, mais romanescas, de drama com uma forte continuidade.

Uma tal, mas lógica, transformação da narrativa, especialmente tratando-se este de um anime de episódios de 3 minutos, poderia prever um descarrilamento da qualidade, mas em vez disso simplesmente mudou o tom e trouxe à tona aquela pedra no sapato de desde o início assombrava a vida de Chi e dos Yamada.

Por mais que eu desejasse continuar a ver as aventuras de Chi, teria sempre de haver um desfecho e este foi muito bem resolvido e satisfatório, o que atesta mais uma vez a qualidade desta série. Chi's Sweet Home comprova que um bom anime não é forçosamente feito de cenários mágicos ou irreais, cheios de efeitos especiais mas que acabam por ser apenas visual com a adição de um êxito de J-Pop no genérico. Chi's Sweet Home segue uma permissa muito simples, histórias pequenas e pouco rebuscadas mas emocionantes e, no total dos seus 104 episódios uma estrutura narrativa equilibrada, esforçando-se e conseguindo manter a qualidade prometida inicialmente. Para amantes de gatos, mas não só!

チーズスイートホーム

10.10.08

Ando a ver: Keroro Gunsou


Já sabia, antes de começar a ver, que Keroro Gunsou era um anime de referências a outros anime, principalmente pelas imagens de Keroro com Gundam e afins. Essas referências (e outras) manifestam-se principalmente na paixão por kits (puramo) de Keroro, um dos primeiros que montou era justamente um Gundam.

Mas no episódio em que surge, pela primeira vez Kururu, não me podia ter rido mais: as referências eram a Evangelion e o monolito de contraplacado "sound only" de Keroro não podia ter sido melhor! Mas a coisa não se ficou por aqui, ao longo do episódio as piadas relativas a Eva continuaram com um A.T. Field e a clara analogia ao Kaoru e ao terceiro impacto.

Aliás a analogia não podia ter sido melhor, uma vez que um dos grandes fortes de Keroro são as divertidíssimas reuniões conspiratórias, sejam elas dos sapos para conquistar Pokopen, sejam dos humanos para impedir essa conquista e manter os extraterrestres num ambiente controlado.

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

Canal Panda
2ª - dom: 22:00

3.10.08

Comecei a ver: Keroro Gunsou

É engraçado Keroro ter estreado ao mesmo tempo que My Melody (se bem que passam imensos anime tipo My Melody no Canal Panda) pois as semelhanças são imensas! É como se Keroro Gunsou fosse um mahou shoujo para rapazes, isto é, um "mahou shounen"!

À semelhança de My Melody, Keroro vem para a Terra com o objectivo de reunir a sua tropa de cinco rãs (ele incluído), mas com o objectivo de conquistá-la. Fora as óbvias diferenças de cenário, personagens e objectivos, a situação é praticamente a mesma: seres de outro mundo, em geral pequenos, semelhantes a bonecos ou brinquedos, convivem com adolescentes humanos para aprender sobre os seus costumes e cumprir as suas missões. Cada um desses seres tem um poder mágico específico que, em geral, não domina na perfeição. Os conflitos de interesses e as diferenças de costumes conduzem a uma série, em geral longa, de episódios independentes, cheios de peripécias, com uma ténue linha condutora geral.

Mas Keroro Gunsou é engraçado, utiliza bem as regras prédeterminadas do mahou shoujo no seu novo formato, adicionando os ingredientes suficientes para também agradar a rapazes. As piadas são um bocado mais picantes ou mordazes e os itens mágicos são mais masculinos. Gostei da animação e do character design, estou curiosa para ver mais. Ah! E os episódios, na mesma com a duração de 25 minutos, são divididos em duas histórias.

Ah! Estava a esquecer-me completamente da melhor, mesmo a melhor, razão para ver/gostar de Keroro Gunsou: o genérico final AFRO Gunsou!


AFRO Gunsou - DANCE MAN

Só não percebo os critérios de dobragem ou legendagem, do Canal Panda. Vai na volta até percebo, são conforme dá na telha às distribuidoras das séries. Mas até agora pensava que as séries anime que vinham dobradas em espanhol eram apenas as mais antigas, tipo Doraemon ou Ninja Hattori, mas enganei-me pois Keroro vem dobrado em espanhol. Não me queixo muito, prefiro sempre o original em japonês, mas sei que isso é quase impossível no Canal Panda, portanto conformo-me com as dobragens que aparecerem e as espanholas em geral costumam ser bastante boas, bem melhores que as "brásileiras" ou, pior ainda, as norte-americanas... Mas preferia sempre o sistema adoptado para My Melody ou Minky Momo: a dobragem em português (de Portugal) com os genéricos em japonês ou versões em português das mesmas canções, como em Escaflowne.

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

Canal Panda
2ª - dom: 22:00

2.10.08

Comecei a ver: Onegai My Melody

É simplesmente irresistível!

Como se já não bastasse My Melody ter sido criada como uma mascote de merchandise, o anime, Onegai My Melody, ou My Melody, ainda veio acrescentar mais potencial de merchandise!

A permissa é simples, é um mahou shoujo básico, a coelhinha My Melody vivia uma pacata e idílica vida em Maryland quando Kuromi, rouba uns intens mágicos para conquistar o poder. My Melody é encarregue de vir para o mundo dos humanos, tentar travar Kuromi. No mundo dos humanos conhece Yumeno Uta (lit. "canção de sonho"), Mia na versão portuguesa, que a vai ajudar na sua missão.

Mas o anime é muuuito kawaii!! Não há como resistir! Está bem animado, o character design é agradável, as histórias, apesar de simples, são mais uma vez uma pequena amostra do quotidiano dos adolescentes japoneses, através dos sonhos que Kuromi, que, apesar de tudo até é bem intencionada, tenta conceder com consequências desastrosas. Kuromi, só por si, vale o anime, é a coelhinha famosa entre as gothic-lolitas do Japão, que com muita frequência vemos bonecos e outro merchandise nos seus visuais.

Não sei se o vou conseguir fielmente, e não é para quem não aguenta o excesso de coisas doces, kawaii ou cor-de-rosa, mas vou tentar seguir esta série.

テレビ大阪  おねがいマイメロディ

Canal Panda
2ª - 6ª: 8:30, 13:30, 21:00
sab. - dom: 8:30, 14:30, 20:00

Keroro Gunsou + My Melody

Keroro Gunsou, ou Soldado Keroro, é já um velho conhecido das páginas da Newtype. Pelas imagens loucas e por já ter visto esporadicamente alguns clips, sempre tive bastante vontade de ver este anime, mas são TANTOS os episódios que sempre me senti desencorajada de os arranjar pela net...

Bem, o meu desejo foi satisfeito, o Canal Panda acaba de estrear, fresquinha, esta série e também My Melody, velhos companheiros na Sanrio de Hello Kitty, hoje mesmo. Perdi os primeiros episódios, paciência, mas não há meio de me habituar a verficar a programação do Canal Panda no fim de cada mês...

ケロロ軍曹であります。
テレビ東京・あにてれ ケロロ軍曹

SOLDADO KERORO
Canal Panda
2ª - dom: 22:00

MY MELODY
Canal Panda
2ª - 6ª: 8:30, 13:30, 21:00
sab. - dom: 8:30, 14:30, 20:00

30.9.08

Comecei a ver: Bamboo Blade

Comecei a ver este anime, atípico no género de anime que costumo ver, essencialmente por causa do kendo e por se tratarem de praticantes femininas. Apesar de ser uma "infiltrada", esta é uma série agradável , se bem que não forçosamente genial.

Bamboo Blade é uma comédia simpática que conta a "saga" de um professor de kendo pobretanas numa escola secundária, que já fora campeão mas que se desleixou completamente. O professor, Toraji, fez uma aposta com o seu senpai, e tenta reunir cinco raparigas para bater a equipa dele. Mas quase todas as pessoas envolvidas nesta aposta têm segundas intenções, a começar por Toraji, cujo único interesse é obter comida grátis.

Esta é uma comédia de referências, se não se estiver minimamente dentro do contexto do kendo e dos fãs de anime e sentai, dificilmente se achará alguma piada ao anime. A verdadeira piada está no subtexto, nas alcunhas sentai de cores que Toraji dá às raparigas, em Miya Miya passar com demasiada frequência de "Pink" a "Black", na obsessão de Tama-chan por anime e na sua excessiva timidez que desaparece quando pratica kendo, no chazinho que elas tomam após o treino, e assim sucessivamente.

Em relação ao kendo é refrescante vê-lo com tanto protagonismo numa série. Pessoalmente torço pelas raparigas e os combates e treinos estão extremamente bem orquestrados. O melhor de tudo são as bocas acerca do cheiro e outras desvantagens do kendo, as bolhas nas mãos e pés dos principiantes e todos os pequenos mas divertidos detalhes por que um praticante de kendo tem de passar, que são aproveitados ao mínimo detalhe. Já me ia esquecendo do figurante principal, o gato gordo branco, uma espécie de oposto físico do gato de Trigun, que simplesmente entra em campo em alturas completamente disparatadas. A melhor de todas foi vê-lo desmaiar quando cheirou um men acabado de tirar.

Portanto Bamboo Blade não é um anime a descartar, mesmo que não seja o mais marcante ou interessante à face da Terra.

TVアニメーション バンブーブレード
テレビ東京・あにてれ バンブーブレード

28.9.08

Cinqueccento de Lupin volta à FIAT

A FIAT anunciou que vai lançar, para o ano (2009), uma nova versão, em edição limitada, do seu Fiat Nuova 500, inspirado no Fiat 500 (cinqueccento) de 1957, que Lupin conduz com frequência, com uma imagem da personagem.

Os mais nostálgicos, têm de se contentar em arranjar um cinqueccento antigo, restaurá-lo e pintá-lo daquele amarelo (aliás É a cor do cinqueccento para mim!). Os mais modernos, vão poder conduzir esta versão.

Isto é o que se chama merchandise de anime à séria!

26.9.08

Ando a ver: Naruto


Ou mais ou menos... sim, porque a moda dos resets em anime parece que está a pegar nas TVs portuguesas. Primeiro foi InuYasha no AXN e agora Naruto na SIC-Radical...

É verdade que já tinha lido algures que a SIC não tinha comprado os episódios todos da 1ª série de Naruto, mas em vez de andarem a inventar tangas que "o que é bom é para repetir" (sic), bem podiam ser honestos e fazerem umas "férias" até terem os episódios restantes. A não ser que não os planeiem comprar, o que infelizmente é bem provável.

Bem aparentemente de futuro, o que vai a contecer com Naruto é o mesmo que aconteceu com Dragon Ball: vão repetir a série tantas vezes que ninguém a vai querer mais ver à frente! E o pior de tudo é que enquanto que de Dragon Ball têm a totalidade dos 200 e mais episódios, em Naruto têm cerca de metade, ou até menos (não me dei ao trabalho de ir ver em que episódio pararam, nem me vou dar...).

A única, e mesmo a única, coisa boa que retiro disto é poder ouvir de novo a canção Wind, mas, fora os primeiros episódios, que não tinha visto da primeira vez, Naruto não é daquelas séries que queira ver de novo tão cedo! Nem por sombras!!!

NARUTO-ナルト-

23.9.08

CONFERÊNCIA: Anime Japão!

Não fui cheia de expectativas, mas mesmo assim a conferência de ontem foi agradável e uma boa oportunidade de ter uma preview in loco dos filmes que irão ficar na boca de muita gente no próximo ano, pelo menos foi isso que aconteceu com os três do ano passado: Toki o Kakeru Shoujo, Paprika, Tekkonkinkreet. Os três filmes comerciais apresentados este ano pela professora Kei Suyama foram, Kappa no Coo to Natsuyasumi, Gake no Ue no Ponyo e Sky Crawlers. Do primeiro filme já tinha vislumbrado algures uma imagem e era um exemplo do uso da mitologia japonesa para fazer passar uma mensagem pedagógica, realizado por um dos realizadores do divertido e corrosivo Crayon Shin-chan. De Ponyo, que tem um ar ultra-kawaii, não vou falar muito porque é o filme que certamente mais cedo nos chegará às salas, mas com este último Miyazaki estou bastante entusiasmada, depois da desilusão de Howl. Mesmo assim, tudo o que vi e li acerca do filme até agora, me faz lembrar mesmo muito o livro A menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, cuja história é bem semelhante. Sky Crawlers foi uma clara demonstração do uso do 3D em imagens de combate aéreo, e é o filme acerca do qual estou mais céptica. Céptica pois nunca gostei de um único filme de Mamoru Oshii, parece-me tudo um enorme show off e acho que o senhor não tem sentido de humor, mas a Sr.ª. Suyama disse que este filme é bastante diferente dos anteriores, a ver vamos.

De seguida falou mais um convidado, Taku Furukawa, que nos mostrou um fantástico e psicadélico filme dele dos anos 70, Coffee Break, um outro filme de um grupo de animadores "geriátricos", os G9+1, ao qual pertence, que era uma espécie de showreel do trabalho deles em que cada um animou 45 segundos ao som da versão electrónica de músicas tradicionais, que tinha segmentos muito interessantes. E, por fim, a selecção de filmes dos alunos finalistas do Curso de Animação da Universidade Tokyo Kogei, de que em geral gostei mais a nível da qualidade e técnica da animação que dos do ano passado. Eles são mesmo muito bons!

A Livraria Byblos mostrou que o auditório está extremamente bem equipado e, apesar da ausência de portas, que fez com que o choro lancinante de uma criança irrompesse pela sala a dada altura, é um exemplo a seguir. É uma pena que não tenha sido a mesma pessoa a desenhar a sala do Museu do Oriente, que infelizmente tem imensos problemas técnicos.

Gostava de notar, apesar de achar um pouco despropositado, a Goth-Loli que apareceu por lá, impecavelmente vestida de branco da cabeça aos pés! Isto era uma conferência, não uma convenção, mas ela estava muito bonita.

11.9.08

Comecei a re-ver: Sailormoon R

Mais ou menos pelas mesmas razões que Sailormoon S, recomecei a ver Sailormoon R, a 2ª série de Sailormoon e anterior à S. Infelizmente Sailormoon R começa com a pior fase de Sailormoon, no total da obra, e o único troço no anime que não está na manga. Nesta fase da 'Makaiju', ou 'Eil e Ann', prova-se que, apesar de Naoko Takeuchi nunca mais ter tido um êxito, pelo menos em Sailormoon ela acertou em cheio e os argumentistas do anime nunca deveriam ter tido tanta rédea solta. A única coisa boa que resultou desta fase foi o filme de Sailormoon R, cuja narrativa e especialmente a arte gráfica se inspiram nesta pequena fase, claramente o melhor filme dos 3 feitos a partir da série.

Mas Sailormoon R é a série que começou a beber do êxito inesperado que Sailormoon obteve, que originou toneladas de merchandising, introduziu a intriga de Neo-Tokyo, o futuro longínquo de Usagi, Mamoru, ou seja Neo-Queen Serenity e King Endymion, e a sua filha Small Lady Serenity, ou seja Chibi-Usa. Chibi-Usa é um dos ódios de estimação de muitos fãs de Sailormoon, mas, apesar de a achar uma pestinha insuportável, não é um dos meus (acho que não tenho ódios de estimação em Sailormoon) e nesta série dá origem a uma das minhas vilãs preferidas: Black Lady. Aqui ainda aparece a primeira e carismática outer senshi, Sailorpluto, a única que hoje em dia talvez não existisse, pois oficialmente Plutão não é mais considerado planeta.

Como Sailormoon S, vou apreciar a R devagarinho e apanhar pormenores que o tempo me fez esquecer.

セーラームーンチャンネル

7.9.08

Ando a ver: Galaxy Express 999

Sendo a série comprida, neste momento ainda só vi cerca de 10%. Nestes 10% já foram estabelecidas as personagens principais, as suas motivações e os mistérios da série.

Por mais que Tetsuro diga à boca cheia que quer um corpo mecânico para poder viver para sempre, está constantemente a contradizer-se à medida que vai encontrando seres que ou estimam o seu corpo de carne e osso ou se arrependem por terem abdicado dele.

Já Maetel é outra história: até agora não percebemos bem qual o seu motivo para embarcar no 999, apenas sabemos que conhece e está à vontade em quase todos os planetas, parece que já fez outras vezes esta viagem e que está na viagem para chegar à estação final. Ela está bem equipada e preparada para todas as intempéries que possam a vir cruzar os seus caminhos e é bastante protectora de Tetsuro, mas permanece sempre um lado misterioso onde não percebemos as suas verdadeiras motivações.

Porque será que ela faz subtilmente de tudo para desencorajar Tetsuro de se decidir por um corpo mecânico? Porque será que, apesar de tudo, Maetel quer que Tetsuro leve a sua viagem até ao fim? Estará Maetel verdadeiramente contra a mecanização? Estas perguntas e muitas outras são um simples mas inteligente estratagema narrativo que faz com que se acompanhe inúmeras histórias individuais para descobrir o que o destino reserva a Tetsuro e quem será verdadeiramente Maetel.

Cada novo planeta é uma nova história num cenário ingenuamente exótico. Quando as histórias são trágicas, em geral os protagonistas são humanoides belos, mas que perderam os seus objectivos mais altruístas algures pelo meio. A beleza exótica do espaço é sempre realçada, através dos olhos inexperientes de Tetsuro. Mas tanta beleza em geral esconde sempre um lado sombrio. Por mais que as histórias individuais se assemelhem grandemente, e já sabermos como termina cada episódio, no decorrer da história, nas peripécias e nas pequenas diferenças é que acaba por estar a magia de Galaxy Express 999.

銀河鉄道999

2.9.08

Neko no Ongaeshi

Neko no Ongaeshi (O Reino dos Gatos) é daqueles filmes de que tomei conhecimento mesmo antes de existir. Já nem sequer me lembro bem onde é que vi a primeira imagem do Baron, que imediatamente me fascinou e quis ver o anime onde ele entrava. Nessa altura Baron e Muta, as duas únicas personagens que transitaram para este filme, entravam numa outra produção dos Estúdios Ghibli, Mimi o Sumaseba (Se ouvires com atenção), que até hoje nunca vi. O Barão e Muta foram criados como personagens de um parque temático que acabou por não ser construído e acabou por dar origem a uma manga, Neko no Danshaku, Baron (O Barão Gato, Baron). Gostando das personagens e da História, Hayao Miyazaki apoiou o projecto que daria origem a este Neko no Ongaeshi, realizado por Hiroyuki Morita. Comprei o DVD há que tempos mas na altura não tive oportunidade de o ver e acabou por ficar na estante à espera do dia de hoje.

Neko no Ongaeshi é uma deliciosa fantasia com gatos. Haru é uma rapariga banal que um dia salva a vida de um gato que lhe agradece verbal e educadamente e lhe faz uma vénia. Ao contrário do que seria de esperar, a recompensa da boa acção de Haru é um incómodo e não uma bênção. Haru tenta escapar mas é levada à força para o Reino dos Gatos e tem de escapar de lá quanto antes.

A permissa, é fascinante personagem do Barão e todo o universo fantástico deste filme são fascinantes, mas o "objectivo" de Haru de auto-descoberta é um tanto confuso. Primeiro não é posto claramente como um problema, quando Haru entra em contacto com o universo dos gatos não se tinha percebido que ela tinha algum tipo de falta de auto-estima, era apenas uma adolescente trapalhona que gosta do rapaz mais giro da turma. Quem coloca primeiro o dedo na ferida é o Barão, é a partir desta ideia, enfiada um bocado à força na história, que a auto-descoberta passa a ser o objectivo de fundo de Haru, para além da fuga do Reino dos Gatos.

Quem lê estas linhas até pensa que não gostei do filme, mas pelo contrário. Existem realmente algumas falhas de argumento, mas o filme continua sendo muito engraçado, interessante e vale a pena vê-lo. Começando pelos cenários, onde tanto a paisagem real, das ruas de uma metróple japonesa é retratada na perfeição: nas avenidas e ruelas, na sinalética, nas avenidas ladeadas de arbustos e gradeamentos com o desenho das folhas de gingko, nas pontes de peões elevadas, no buliço, etc. A repartição do gato e o Reino dos Gatos continuam algo realistas mantendo imensos elementos do nosso mundo mas alterando-os um pouco. A praça onde é a repartição podia ser uma praça numa cidade europeia, com a grande diferença que tudo é numa escala menor, à escala de um gato. No Reino dos Gatos temos maioritariamente campo com espigas e erva-gateira e poucas construções. O lado irreal é nos dado por alguns elementos, as casotas dos gatos civis, a comida, as vestes dos gatos e, claro, o Palácio Real. Apesar de Haru ser uma personagem interessante, o verdadeiro fascínio neste filme está no Barão, uma estátua de um gato elegantemente vestido que ganhou alma. O Barão é um galã romântico que deixaria qualquer uma de coração a palpitar. É pena que se destaca em demasia das outras personagens e nos dá vontade de ver mais histórias com ele. (tenho mesmo de ver Mimi o Sumaseba!). É uma aventura leve e divertida, com um pequeno toque de romantismo e amadurecimento.

Infelizmente a edição portuguesa do DVD é demasiado fraca. Como se já não bastasse apenas ter o filme, ainda por cima as legendas não se podem tirar! Eu sei que pertenço a uma minoria que percebe minimamente o japonês, mas sempre que posso gosto de ver os filmes sem a perturbação das legendas. A tradução não está má, mas é claramente feita a partir do inglês. Isso nota-se em dois aspectos, no trocadilho com o nome de Muta e na troca de sexo de Natoru. A dada altura Haru engana-se e chama Buta a Muta. Buta em japonês quer dizer porco e por isso Muta ofende-se, pensando que ela lhe está a chamar gordo. Natoru, a arauto do Rei dos Gatos foi erradamente tornada macho por causa da dobragem americana que colocou um homem a fazer a sua voz, mas ela é uma gata (como se já não bastasse a Luna de Sailormoon)! Alguns timings das legendas também estão mal feitos, aparecem antes dos diálogos certos, antecipando a mensagem.

The Cat Returns // Nausicaa.net

31.8.08

Comecei a re-ver: Sailormoon S

Há meses que começou a crescer em mim uma vontade difícil de ignorar de rever Sailormoon. Sou fã incondicional de Sailormoon desde antes da série estrear por cá, quando, com grandes dificuldades, conseguia arranjar alguma imprensa de anime estrangeira pelo correio. Sailormoon foi a primeira manga que li em japonês, que entretanto reli mais umas 3 ou mais vezes, e tenho, claro, a série completa em VHS, no original, sem legendas, que também já vi pelo menos 3 ou 4 vezes todos os 200 episódios. Mas como os VHS têm tendência a degradar com o tempo e as minhas cópias nem sempre têm tudo como deve ser (genéricos certos com as vozes, etc.) não queria arriscar colocá-las no vídeo mais uma vez, a não ser que fosse para converter para formato digital. Felizmente que há pouco tempo, quando comecei a reunir esforços para a arranjar pela net, arranjei uma cópias de excelente qualidade, dos DVDs japoneses e com softsubs, portanto posso continuar a ver Sailormoon sem a perturbação das legendas.

Já deu para perceber que sou grande fã de Sailormoon, e podia continuar aqui a escrever sem fim, acerca desta série. Sailormoon S é a 3ª série e a minha preferida das 5. A razão porque comecei a rever esta e não por ordem não depende de mim, mas de quem está a lançar os ficheiros, e não consegui esperar. Mas não importa, já conheço a série suficientemente bem para a poder ver sem ser por ordem sem problemas.

Depois de tantos anos (há quase 10 anos que não pego no anime) é refrescante e muito agradável voltar a conviver com Usagi e companhia. Já não me lembrava o quão ruidosa ela era, mas isso até se torna divertido, pois as personagens do mesmo tipo que surgiram depois nunca chegaram à sofisticação da caracterização de Usagi. A S é a série que nos traz três novas senshi, no desfilar de senshi que se segue. É uma série de viragem, Usagi, mantendo-se fiel a si própria, é obrigada a sofisticar-se e a amadurecer face aos exemplos mais adultos com que se cruza. Nestes primeiros episódios foi muito engraçado relembrar o quão doida é Minako e a sua parceria de loucos com Usagi. Uma das coisas que me fez pena na versão live-action foi Minako se tornar tão séria, coisa que também não é na manga. O surgimento de Haruka e Michiru é muito divertido devido ao contraste e concorrência saudável que se estabelece com o núcleo existente das outras raparigas. Até Mamoru tem concorrência na andrógina Haruka.

Mais posts se seguirão de certeza, rever estes poucos episódios relembrou-me do quanto gosto desta série!

セーラームーンチャンネル

30.8.08

Ando a ver: Chi's Sweet Home


Não tenho comentado aqui esta série por, apesar de ser muito bem feita, não apresentar grandes surpresas.

Até agora fomos vendo cenas da vida da gatinha Chi e descobrindo o mundo através da sua perspectiva. Podemos agrupar os episódios em três tipos: as fases de crescimento e aprendizagem de Chi e a sua interacção com os humanos (a descoberta do seu sexo, as idas ao veterinário, o chi-chi no caixote, a destruição de objectos na casa, escondê-la dos vizinhos, etc.); os do ponto de vista exclusivo de Chi, onde seguimos as suas aventuras solitárias, maioritariamente as excursões pela vizinhança na companhia do gatarrão preto (aprendizagem felina) e ainda a sua interacção com Youhei, o filho de 5 anos, que tem uma lógica de pensamento bastante semelhante à de Chi.

Este anime faz-me, desde o início, logo lembrar um outro anime e manga com gatos, What's Michael?, em quase tudo semelhante a este excepto que é mais adulto, o gato, Michael, é adulto, macho e nem sempre as histórias se passam no mesmo lar ou com os mesmos donos.

Não há muito mais para dizer, excepto que continua a ser um anime extremamente refrescante e divertido, que retrata na perfeição os comportamentos felinos e a sua relação com os humanos.

チーズスイートホーム

O fim da Zona Animax no AXN


Pois é, hoje, no meio da exibição das séries anime da Zona Animax, anunciaram o fim da mesma já no início de Setembro, o que quer dizer na próxima 2ª feira!

Pessoalmente, como cliente da TV-Cabo (ou Zon, se quiserem) e espectadora assídua do AXN, sinto-me roubada ou, no mínimo, aldrabada. Foram lobos em pele de cordeirinho e isso é indecente! Chateia-me que quem emite os programas tenha a faca e o queijo na mão e muito pouca consideração pelos espectadores. Enviei mais que um e-mail à Sony/AXN/Animax e nem sequer uma resposta automática...

Depois admirem-se de as pessoas deixarem de ver anime nas televisões e só fazerem downloads.

Naruto na SIC também


É, hoje estreou Naruto também na SIC, desta feita dobrado em português.

A dobragem não está má e as traduções parecem-me até melhores que as das legendagens. A única coisa que tenho a apontar é que tiraram os genéricos originais, declaradamente BONS, para colocarem uma canção manhosa americana...

EXTRA [07092008]
Estive a ver os primeiros episódios, pois tinha os perdido na SIC-Radical. Já andava desconfiada que os narizes sangrentos eram apagados, mas depois de ver o episódio onde era suposto Naruto dar um beijo na boca por acaso a Sasuke confirmei: a versão da SIC está CENSURADA! Quero ver como é que se vão desenvencilhar mais lá para a frente, quando as lutas começam a ser a sério, para manter alguma coerência e lógica na narrativa, se já censuram cenas tão inocentes...

NARUTO-ナルト-

29.8.08

Ando a ver: Hello! Sandybelle


Já terminei a segunda fase da história de Sandybelle, onde ela vive em Londres. De novo é uma fase um pouco extensa, onde vemos algum amadurecimento dela. A grande diferença para a primeira fase é que esta é mais curta e existe uma franca evolução na protagonista. Digamos que a primeira fase é a escola primária, onde não acontece muito mais do que aprender os básicos e brincar com os amigos, e que esta fase é a escola secundária, onde, por via das circunstâncias, tem de haver um amadurecimento aliado ao verdadeiro amor.

A cidade de Londres por vezes parece-me uma cidade italiana. Os japoneses deviam andar a ver demasiados anime realizados por Hayao Miyazaki naquela época e a sua visão de uma cidade da Europa ficou para sempre ligada àquela imagética. Mas também vemos com frequência a Tower Bridge, o Big Ben e as Houses of Parliament e por vezes o Tamisa parece o Tamisa e não é um canal que mais poderia ser numa cidade mais a sul, no continente. Acho que é a arquitectura que falha, falta o tijolo e as bay windows, as linhas de caminho de ferro e os double deckers que aparecem só pontualmente. E depois, nessa altura Londres fervilhava com o movimento punk e toda a fauna colorida que isso implica, mas nada disso aparece num anime romântico como este. Às tantas eu estava à espera de ver uma Vivienne Westwood novinha numa esquina e Malcolm McLaren noutra ;P . Enfim, para os japoneses no início dos anos 80 não está nada mau, sou só eu a ser coca-bichinhos.

Agora é que começou a fase mais interessante da história, Sandybelle é repórter no exterior/estrangeiro. Sandy vai aliar a sua nova profissão e as suas peripécias à busca por duas pessoas amadas, o que dá uma linha narrativa principal enriquecida por várias pequenas histórias.

EXTRA: Num dos casos jornalísticos que Sandy persegue, aparece um homem que desde o início sempre achei semelhante ao actor Michael Caine. Não é que o verdadeiro nome da personagem (na versão francesa) é Michael Caine!

ハローサンディベル

28.8.08

Ando a ver: Naruto

Quando começou a dar Naruto na SIC-Radical, alguém me disse que até à primeira mudança de genéricos a série valia a pena. Depois disso tem os seus momentos.



Como declaradamente uma das coisas que gostei muito em Naruto foram as canções e a banda-sonora, fiquei um tanto apreensiva com as novas canções. A canção do 2º genérico inicial não me diz muito, é apenas uma canção de genérico de anime, mas a do 2º genérico final, Harmonia, é uma delícia e, apesar de não bater a Wind do 1º lugar do top de canções de Naruto. Elas são tão afinadinhas que a canção se torna irresistível, ainda por cima é daquelas canções que fica na cabeça, já dei por mim a trauteá-la mais que uma vez na rua... o que vale é que é daquelas canções que deixa qualquer um bem disposto, deve ser da harmonia. ☺

Quanto ao rumo que a série está a tomar, por enquanto não me desgosta. Já percebi que a fórmula é a mesma de Dragon Ball: tem fases em que eles viajam pelo mundo, onde têm confrontos pessoais intercaladas por fases de campeonato, sempre com o mesmo objectivo, ver os protagonistas a superar as próprias capacidades face a inimigos mais e mais poderosos.

NARUTO-ナルト-

26.8.08

Comecei a re-ver: Hello! Sandybelle

Hello! Sandybelle é um shoujo o mais clássico possível que conta, para variar, a história de uma rapariga, Sandybelle, determinada, sensível e corajosa. Esta série passou na RTP nos anos 90, mas infelizmente já a apanhei a meio e, como gostei, fiquei sempre com vontade de ver do início.

Não sendo um dos super-êxitos do género, as características que destacam Sandybelle dos outros shoujos do mesmo estilo são apelativas no meu universo pessoal. Tal como Victorian Romance Emma, esta série passa-se no Reino Unido, mais concretamente começa na Escócia para continuar numa volta à Europa que passa inevitavelmente por Londres. Sandybelle Christie é escocesa e, na primeira fase, temos uma exposição algo longa do seu quotidiano. Ela é órfã de mãe, o pai claramente não lhe contou a história completa das suas origens, tem um cão, um collie chamado Oliver, dá-se bem com as colegas de escola e com os miúdos mais novos, como é maria-rapaz está sempre em competição com os colegas, rivaliza com a menina rica local, Kitty, trava amizade com a Condessa de Wellington que tem um castelo junto ao lago e apaixona-se pelo seu filho, Marc.

A história, que se passa na actualidade (início dos anos 80) tem um sabor retro, principalmente no que toca ao universo da nobreza: castelos com decorações antiquadas, muitos chapéus, vestidos longos e românticos para as senhoras e fraque para os homens. As paisagens da Escócia podiam ter sido mais aproveitadas, mas mesmo assim conseguem ser deslumbrantes. Como Sandy é uma rapariga engraçada e com personalidade esta é uma série apelativa, mas só quando a história dá uma reviravolta e é criada uma intriga misteriosa é que verdadeiramente nos cativa e faz querer continuar a ver.

Mais uma vez infelizmente este é um dos anime vintage que com dificuldade se arranjar em japonês, pelo que estou a ver uma versão francesa (com legendas em romeno!) sem as canções originais. Cá também não passou com essas canções mas a versão portuguesa da canção italiana, que aliás é muito bonita e muito escocesa, com gaitas de foles. Se tem mais censura não sei, só espero que não, este é um anime bastante inocente. Mesmo assim: quero os originais!!!

ハローサンディベル

24.8.08

Ando a ver: Cutey Honey Flash

Já deve ter dado para perceber que sou fã de Cutie Honey, até mesmo de Go Nagai, o seu autor. Cutey Honey Flash foi o primeiro grande spin off desta personagem, e o que se desvia mais do original.

Cutie Honey é um shounen, mas que acabou por ser lentamente absorvido num universo shoujo devida a forte influência que exerceu no seu subgénero, o mahou shoujo. Séries como Majokko Meg-chan ou Sailormoon são herdeiras directas de variadíssimos aspectos de Cutie Honey. De certa forma, sendo Cutey Honey Flash um sucedâneo de Sailormoon e claramente uma versão shoujo de Cutie Honey, parece que se fechou o círculo no que toca a quem influencia o quê.

Cutey Honey Flash é um anime com uma produção imaculada, com uma qualidade técnica acima da média, que foi produzida exactamente para aproveitar o balanço deixado pelo fim de Sailormoon. Claro que foi produzida pela Toei e grande parte da equipa de Sailormoon transitou para este anime que a veio substituir. Portanto esta Cutey Honey é 50% Go Nagai, 50% Sailormoon.

Como parte das transformações feitas para adaptar esta série ao que se esperava que o público de Sailormoon queria, temos um character design mais doce e feminino, corpos lânguidos por oposição à voluptuosidade habitual de Cutie Honey, alguma mas menos nudez, cores mais vivas e alegres, algumas personagens que se mantêm, outras personagens novas e um contexto semelhante com premissas novas. Sendo assumidamente um mahou shoujo, Cutey Honey tem 10 vezes mais transformações, existe um interesse romântico maior por Seiji, e um misterioso Tasogare no Prince (Príncipe do Crepúsculo). O grosso da vida de Honey passa-se num colégio privado, Natsuko (Nat-chan) é a sua melhor amiga, e o Prof. Kisaragi, o pai de Honey, foi raptado nos primeiros episódios pela Panther Claw.

No geral o que muda verdadeiramente é o tom da série que é mais romântica e virada para os sentimentos de Honey, primeiro o desespero do rapto e provável morte do pai, a aproximação romântica por Seiji, os encontros emocionantes e misteriosos com o Tasogare no Prince e depois o dilema de ser uma andróide. Cada episódio segue uma fórmula semelhante à de Sailormoon em que temos um distúrbio causado pelos Panther Claw, Honey transforma-se numa série de alter-egos diferentes para, no fim, se transformar em Cutey Honey e derrotar os Panther Claw com um ataque especial. Ao longo dos episódios pequenos detalhes da narrativa principal vão sendo desvendados, mas que não afectam muito a narrativa individual de cada um.

É uma série anime engraçada, vê-se bem, mas não é muito entusiasmante. A qualidade da produção é um grande trunfo, que se não fosse assim talvez não fizesse este anime ser tão agradável de ver. Não é, de todo, a melhor adaptação de Cutie Honey que já vi. Depois desta ficam a faltar-me as séries antigas, com essas é que vou poder ver o que sobrou do espírito original nesta adaptação.

Quem lê este post há de notar que por vezes escrevo Cutie Honey e outras Cutey Honey. O que aconteceu é que, até sair a série Cutey Honey Flash escrevia-se キューティーハーニー [kyuu-tii-haa-nii] das duas formas, a primeira ortograficamente correcta em inglês, a segunda não, um erro de romanização bastante comum entre os japoneses. Com Cutey Honey Flash adoptou-se sempre esta romanização e, quando saiu o filme live action de Cutie Honey e a série de OAVs Re: Cutie Honey, resolveu-se normalizar o nome oficial para Cutie Honey para todas as versões menos a Flash, que sempre usou o mesmo modo de escrever e é considerada um "desvio" do original. Portanto, quando escrevo Cutie, refiro-me à manga original, ao universo Cutie Honey ou às outras séries e, quando escrevo Cutey, refiro-me a Cutey Honey Flash em específico.

キューティーハニーF

21.8.08

Whisky Cutie Honey THE LIVE



De todas as coisas doidas que os japoneses inventam, de vez em quando há uma, relacionada com anime, que é, no mínimo, engraçada! Desta vez, a marca de bebidas alcoólicas Charassyu lançou uma garrafa de Whisky com as formas de Cutie Honey, versão THE LIVE!

Acho que as fotografias dizem tudo...

16.8.08

Terminei de ver: xxxHOLiC ♦ Kei


Quando escrevi o post anterior já ia a mais de metade da série que tem apenas 13 episódios, por oposição aos 24 da primeira, pelo que começar a vê-la foi lentamente e um bocado aos soluços, mas terminar de vê-la foi rápido e de uma assentada.

xxxHOLiC ♦ Kei deixa-nos na manga exactamente onde eu também parei (no 10º volume) pelo que pode ou não haver uma terceira série. Do modo como o último episódio é uma espécie de reunião geral das personagens que conviveram e criaram laços ao longo da série, faz-me pensar que uma nova série não está nos planos imediatos das produtoras, infelizmente. Mas como xxxHOLiC é um anime de certo modo discreto, não movimentando massas de fãs entusiasmados, parece-me normal que o anime se fique por aqui.

De qualquer forma o saldo é positivo, a série acaba com a história de Himawari, que é extremamente importante no total e emocionalmente forte, colocando todas as personagens principais numa situação de viragem e tomada de decisão. É um anime que se desenrola a um ritmo um pouco lento e compassado, que não nos agarra ao écran ou deixa impacientes para ver mais, mas cujo o conjunto permanece extremamente coerente e forte, com pitadas geniais de humor pelo meio. Comparando com muitas séries recentes que nos colocam o mesmo estilo de elementos na mesa, sobrenatural, tradições japonesas, gótico, visual exuberante, esta é talvez das poucas que não desilude na narrativa, tem personagens bem construídas e interessantes, cumpre o prometido e bem, terminando de uma forma agradável e satisfatória.

xxxHOLiC e xxxHOLiC ♦ Kei são das séries recentes as que mais me encheram as medidas puramente dentro do meu gosto pessoal, recomendo vivamente a quem goste das CLAMP e dos outros temas que mencionei acima.

TBSアニメーション 「xxxHOLiC◆継」

14.8.08

Ando a ver: xxxHOLiC ♦ Kei

Quis tanto ver esta série, porque gostei muito da primeira e porque ando a ler a manga (de que também estou a gostar muito), e acabei por ver os primeiros episódios com imensa lentidão. A culpa não é da série, outros anime é que se intrometeram. Agora que já encarrilei, está mais que na altura de comentar.

Comparativamente à primeira série, esta é mais fiel à manga, tanto na cronologia como nos acontecimentos. Há diferenças, como a cena em que Mokona, Maru e Moro constroem kits de plástico e, entre eles, está um Tachikoma, de Ghost in the Shell - SAC, também produzido pela Production I.G. Mas, ao contrário da primeira série, as diferenças não fazem grande mossa, são apenas pequenos pormenores engraçados, talvez menos CLAMP, mas que adicionam dinamismo ao anime.

A parte da história abordada nesta 2ª série é também mais sinistra pois os acontecimentos estranhos estão mais ligados aos protagonistas, principalmente ao triângulo Watanuki-Himawari-Doumeki. Face a esta grande diferença, a 1ª série parece mais uma introdução prolongada ao universo xxxHOLiC. Yuuko é que permanece a mesma, gozona, bêbada mas simultaneamente responsável e misteriosa.

Apesar da ambiência sinistra e das histórias extremamente apelativas, este é um anime que talvez dificilmente agrade a todos. Digo isto porque não é nem cheio de acção nem muito romântico, é atípico no modo como aborda tanto as personagens como a narrativa, é um anime visualmente rico mas narrativamente discreto. Talvez seja exactamente por isso que eu gosto tanto. O certo é que continua muito bem feito e, ao contrário de algumas opiniões que já li, continuo a gostar imenso do character design lânguido e dos movimentos desengonçados de Watanuki

As músicas continuam engraçadas mas nada de extraordinário, se bem que, confesso, a canção do genérico inicial de xxxHOLiC, 19 Sai, acabou por se entranhar e posso até dizer que gosto dela.

TBSアニメーション 「xxxHOLiC◆継」

Mach Girl

Andava eu a dar uma olhadela aos novos anime do Outono e não é que a Tatsunoko vai lançar uma série, spin-off de Mach GoGoGo (Speed Racer), que é uma espécie de Mach GoGoGo cruzado com a Penelope Pitstop das Wacky Races.

A série é protagonizada por uma rapariga chamada Lip que viaja ao encontro de variadas corridas de automóveis, no seu Mach cor-de-rosa. O character design é fabuloso e o carro promete pelo menos sete gadgets espectaculares (um já foi revelado no primeiro episódio).

O site oficial tem o primeiro episódio (de 3 minutos) disponível e grátis, e bem me pareceu reconhecer a voz da Lip, é a mesma actriz que fez de Miwako em Paradise Kiss, Marika Matsumoto. Pela amostra, quero ver mais!!! Mas parece que vou ter de esperar ainda cerca de um mês, estreia em Setembro.

マッハガール

12.8.08

Ando a ver: Naruto


Duas ou três coisinhas que ando a gostar em Naruto:


1. Wind, de Akeboshi, a canção do genérico final (sobre a qual já me manifestei no post anterior).



2. As botas/sapatos de Naruto e companhia. Por incrível que pareça, já tive, em tempos idos, umas botas bem parecidas (viam-se menos os dedos) e da Tamanca (quem diria!).

3. O modo como a imagem muda para cores menos saturadas e um efeito tipo as tramas da manga quando há um flash-back, imaginação ou recordações na narrativa. [infelizmente não consegui arranjar uma imagem para exemplo]


4. O gorro de dormir de Naruto. É daqueles objectos um bocado parvos, mas muito giros de que os japoneses costumam adorar e que demonstra bem o lado alegre e infantil de Naruto. Para além de que muda de expressão de acordo com a disposição dele.


5. O porta-moedas-sapo. Acho que a imagem diz tudo!


NARUTO-ナルト-

3.8.08

Terminei de ver: Minky Momo: Yume wo Dakishimete


Se tivesse visto logo o primeiro episódio de Minky Momo: Yume wo Dakishimete, tinha tido uma pequena amostra da desilusão que viria a ser a série. É que o primeiro episódio introduz logo o tema da agressividade bélica até mesmo na segunda transformação em adulta de Momo em toda a série.

O mahou shoujo, como qualquer género, tem regras implícitas, e por mais que permita cenas de acção, cenas de luta ou até mesmo mortes, o tom geral do género é suposto ser anti-violência, com valores éticos muito fortes, deixando uma sensação positiva, optimista. Outro ingrediente que o mahou shoujo tem que ter em algum grau (claro que depende sempre da idade da protagonista, nem que seja para manter alguma plausibilidade) é o romantismo, principalmente em relação à protagonista. O excesso de artilharia militar ao longo de toda a série, principalmente a partir da segunda metade, a ausência de qualquer envolvimento romântico da parte de Momo, e a constante quebra destas e de outras regras do género tornaram este anime numa série desequilibrada e muito pessimista.

Ainda comparando com a primeira série, Minky Momo, existe também por parte desta Momo uma ausência de objectivos claros e fica extremamente confuso se alguma vez algum dos esforços que ela fez deu frutos concretos, como por exemplo que a Marinasia tenha subido um pouco à superfície. Para esticar a série foram se arranjando pretexto atrás de pretexto para a existência de Momo na Terra mas sem uma preocupação de coerência seja com a série anterior, seja com os episódios anteriores. O excesso de intrigas gratuitas, o exageros nas participações especiais de personagens pouco interessantes, a introdução da outra Momo (da primeira série, agora renascida como humana) em mais que um episódio sem nenhuma justificação e até mesmo a fraca e mal sustentada introdução da profissão dos pais terrestres de Momo (arqueólogo e escritora de contos policiais e de terror), são mais alguns dos defeitos desta série.

A sensação que me ficou da primeira série de Minky Momo é de algo kawaii, muito cor-de-rosa, ingénuo e optimista, apesar do seu final um pouco triste. A sensação que esta segunda série me deixou foi de desilusão, armas de fogo, intrigas mal concebidas, fragmentação e dispersão e de um pessimismo e desesperança constantes.

Não compreendo como é que esta série conseguiu a duração de 60 e tal episódios quando faltavam os ingredientes principais que fizeram as muitas outras séries mahou shoujo um sucesso de popularidade. Alguém na escrita de argumento deveria ter obsessão por armas ou estar frustrado por não estar a trabalhar num anime de mechas, só pode ser!

Minky Momo: Yume wo Dakishimete deve ser dos poucos anime mahou shoujo que não quero voltar a ver...

魔法のプリンセス ミンキーモモ -夢を抱きしめて-

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:30, 20:40
sáb.: 13:00
dom.: 13:10, 20:40

2.8.08

Ando a ver: Detective Conan

Depois do estranho e chato precalço de o AXN (e aparentemente o Animax também) terem começado a dar Detective Conan a partir do 116º episódio, a SIC também estreou a série (desta feita dobrada em português) no fim de semana passado e a partir do 1º episódio.

Ao princípio, e cheguei a comentar isso aqui neste blog, Meitantei Conan era daquelas séries em que não estava a atingir o porquê do seu enorme sucesso no Japão, onde já dura há 8 anos, e tem uma enorme legião de fãs. As histórias são pequenas intrigas policiais simples mas sem buracos, seguindo uma estrutura em tudo semelhante mais às histórias de Agatha Christie e menos às de Conan Doyle. OK, viam-se bem, todos os episódios que vira eram bem feitos, mas não percebia o que a série tem de extraordinário.

Passado mais de um mês a ver Detective Conan, depois de também investigar como realmente começa a história, acho que já começo a perceber. Começando pela personagem de Conan Edogawa/Shinichi Kudo, que apesar de ser uma personagem bastante despreocupada e bem disposta, através da sua mutação revela por vezes um lado sombrio extremamente intrigante que lentamente me começou a cativar. A chegada de Haibara Ai também ajudou. Ai consegue ser ainda mais misteriosa e carismática que Conan por causa da sua postura mais madura e cínica. O que também é engraçado é o facto de nem ser a curiosidade, que está lá e agradece-se, de saber como Conan voltará à sua forma de Shinichi que realmente me motivou a continuar a ver a série e a começar a gostar gradualmente. Ao fazerem de cada episódio ou par de episódios histórias independentes, mas bem escritas, não se torna (por enquanto) demasiado repetitivo e é um bom estratagema para sutentarem os 500 e tal episódios que a série já tem. Reflectindo bem, acho que são as personagens bem caracterizadas e que se mantém sólidas e coerentes, mesmo que haja uma evolução, a ténue linha narrativa principal, apenas presente a intervalos regulares, uma boa animação, um character design coeso e agradável, uma banda-sonora que suporta lindamente a história e é ao mesmo tempo muito anime, que tornam este anime aparentemente desinteressante num anime que vai cativando aos poucos.

Ainda só vi um episódio na SIC, infelizmente perdi os primeiros dois. Porque SIM!, a SIC está a passar a série do início!!! Mas já deu para avaliar a dobragem que está invulgarmente boa! Gostei das vozes de Conan/Shinichi, se bem que na versão japonesa parecem mais a mesma voz (onde a de Shinichi é do famoso Yamaguchi Kappei) mas, claro, versão criança e versão adulta. Mas a que mais me impressionou foi o Detective Mouri, o pai de Ran (love interest de Shinichi), ter, na versão portuguesa, uma voz quase igual à original! Isso em termos de dobragens portuguesas é um prodígio digno de festejar! Acho que em anime deve ser uma das primeiras vezes que se é tão fiel. A grande qualidade das restantes vozes é não termos ninguém a fazer más pronúncias do norte ou afins e vozinhas de falsete artificiais, entre outros defeitos comuns das nossas dobragens. Todos soam naturais, inclusive os miúdos, e nenhum se destaca por causa de maneirismos. Prefiro sempre o original, mas PARABÉNS!!!

Por outro lado, as legendagens do AXN continuam péssimas e a escrever os nomes das personagens à espanhola. Quando se lêm esses nomes e se presta atenção como os dizem na série, não bate a bota com a perdigota! De Jeiyi a Heiji (lê-se Heiji, com o H aspirado) vai uma grande distância. Para não falar do professor Hakasei que é em japonês Agasa hakasei, em que Agasa é o nome (apelido) dele e hakasei quer dizer professor (como professor universitário ou cientista), que se traduzirmos verdadeiramente o horror que eles lá põem fica professor Professor... Já enviei mais que um mail ao AXN/Animax, mas nunca obtive qualquer resposta, nem sequer um educado automático a dizer que receberam o meu e-mail... Portugal não é Espanha!!! (por enquanto)

名探偵コナン

AXN
sab., dom. 14h05, 07h35 (reposição)

SIC
sab., dom. cerca das 07h00

31.7.08

Lady Georgie em DVD no Japão!


Por mais que a net seja mais rápida e as minhas revistas Newtype me cheguem sempre com algum atraso, não há dúvida que a grande referência ainda continua a ser a Newtype! Falo nisso porque só ao folhear a revista de Julho (que por acaso até recebi cedo ^_^) é que me apercebi que os japoneses da Tokyo Movie Shinsha (agora TMS) resolveram editar Lady Georgie em DVD, pela Bandai Visual, no passado mês de Junho.

Como a autora dos desenhos da manga, Igarashi Yumiko, teve um grande desentendimento com a autora da história de Candy Candy, Kyoko Mizuki, que até levou ambas a tribunal e ao embargo de Candy Candy por parte da Toei e da Kodansha. Como consequência, Isawa Mann, o autor da história de Lady Georgie, também teve problemas legais em relação aos direitos de Georgie!, e por isso sempre tive sérias dúvidas em relação à futura edição do anime em DVD ou reedição da manga.

Felizmente que parece que tanto Mann como a TMS não foram tão rígidos como a Toei e a Kodansha e resolveram, se bem que de uma forma bastante discreta (só com um pequeno anúncio), editar o anime numa só BOX e até, para padrões japoneses, a um preço bastante módico: 39.900¥ pelos 45 episódios, enquanto que o preço normal, por menos episódios, costuma rondar os 30.000¥.

Deixo aqui o link para a página da Bandai Visual, da TMS da edição, em inglês, e para a amazon.co.jp. Não sei porquê, mas o site em japonês de anime da TMS está em baixo.

Bandai Visual - レディジョージィ DVD-BOX
TMS ENTERTAINMENT Co, Ltd - Georgie
Amazon.co.jp: レディジョージィ DVD-BOX

27.7.08

Dead Girls

Dead Girls é o OAV que foi feito no seguimento da série Red Garden.

A história passa-se 170 anos no futuro, numa Nova Iorque futurista e tecnológica, quase como nos filmes utópicos dos anos 30. As raparigas mudaram bastante, Kate está mais fria e manipuladora, Rose tornou-se menos palerma, mais segura e autoconfiante e pertence à "Grace" do colégio actual, Claire está mais suave e um pouco atrevida, ficando as grandes mudanças para Rachel que deixou de ser fashion victim e está muito grunge no modo de vestir. Rachel é também menos psicótica e mais descontraída, fazendo por vezes lembrar a Claire de Red Garden. Elas agora são uma espécie de justiceiras, auto-intituladas de Dead Girls.

O OAV é engraçado, não tão interessante e envolvente como a série, até diria que leve demais. A única coisa forçada é a reintrodução de quase todas as personagens (já mortas) da série: Luke é apenas um arruceiro que as raparigas castigam, Lula é uma vizinha coscuvilheira, os dois polícias continuam no encalço das raparigas, o dono da hamburgeria ainda é o mesmo e a loja parece não ter mudado um grão de pó, Paula continua a líder da Grace e depois Hervé e Lise. Hervé agora chama-se Edgar e Lisa, Louise, e são, digamos que, os antagonistas das Dead Girls, mas este antagonismo é apenas um pretexto para nos levar de novo a Roosevelt Island, agora por vezes chamada de Red garden, e relembrar alguns pormenores da história, enfiando uns mechas pelo meio.

Em suma, o OAV continua bonito e bem feito, se bem que, estranhamente para um OAV, não tão bem feito como a série, mas fica muito aquém na história, é apenas uma esreitadela ao dia-a-dia das raparigas no futuro, sem grande novidade.

デッドガールズ

26.7.08

Ainda Red Garden

Googlei a Roosevelt Island e andei a ver o mapa e fotografias aqui. É engraçado quando um anime se passa num sítio real e depois comparar com o que realmente lá existe. O edifício do colégio onde as raparigas andam é onde actualmente estão as ruínas do Smallpox Hospital (Hospital da Varicela), na ponta sul da ilha, a seguir ao South Point Park (Parque da Ponta Sul). Assim até dá para imaginar que a história de Red Garden realmente aconteceu!

Infelizmente não conheço Nova Iorque, portanto não posso localizar mais cenários do anime, mas apenas imaginar onde poderão ser, partindo do puzzle de imagens de séries e filmes que tenho na minha cabeça.

Deixo aqui alguns links da Wikipedia:
Roosevelt Island
Roosevelt Island Tramway

E um pouco da sua história:
Timeline of Roosevelt Island History

25.7.08

Ando a ver: Naruto

Acabei por perder os primeiros episódios porque me esqueci completamente. Mas entretanto o horário na SIC-Radical durante a semana até é simpático para mim, e esta semana já deu para perceber que tipo de anime é Naruto. Enquanto me der gozo ver (e não começarem a repetir episódios ou interromperem a série - são 220) vou vendo.

Há uma coisa de que gostei logo em Naruto, das canções dos genéricos. A do genérico inicial, "R★O★C★K★S", faz lembrar um Billy Idol mais suave e engraçado, não desgosto e acho que encaixa num clássico shounen como este. A do genérico final, "Wind", é linda! Faz com que veja os episódios até ao fim!

Mas existe uma razão para não me interessar muito por anime shounen e essa razão transpira por todos os poros de Naruto. É verdade, perdi os primeiros episódios, coisa aliás que detesto que aconteça pois mesmo em séries longas é logo no primeiro que a motivação do protagonista é exposta. Mesmo tendo perdido essa parte importante da história, nos shounens muitas vezes leva que tempos para que as personagens atinjam alguma densidade psicológica. OK, já sabemos que Naruto é trapalhão, infantil mas determinado, e que tem excelentes capacidades latentes que, claro, ainda não se revelaram e hão de se revelar. Também já sabemos que Sasuke é frio, mais inteligente e concentrado que Naruto e que Sakura é um bocado palerminha mas não se deixa abater com as aventuras. Mas estas caracterizações são demasiado simplistas e básicas e, ao fim de uma semana, já os três protagonistas me deveriam ter cativado mais.

Depois Naruto é um anime onde através de sucessivos confrontos o trio vai aprender e evoluir. Até agora achei piada ao universo de Naruto sem haver algo que me chame a atenção, as lutas são engraçadas, mas por enquanto tudo é novidade e por isso bom.

Há uma coisa que me anda a fazer confusão, a palavra doppelgänger como tradução de Kage Bunshin. Doppelgänger é uma palavra alemã, aceite como um estrangeirismo em português, muito utilizada na língua inglesa, que quer dizer duplo ou sósia em português. Havendo em português palavras equivalentes perfeitamente razoáveis de serem utilizadas, porquê um palavrão destes em alemão?? Kage Bunshin, por sua vez quer dizer literalmente divisão da sombra, portanto porque não duplo ou clone da sombra??? Aliás as traduções das técnicas em geral parecem-me confusas em português, o que vale é que há tantos fãs de Naruto que já as sabem de cor e portanto não lhes vai estragar o visionamento da série. É bom que os miúdos de 14 anos que vêm a série aprendam coisas novas, mas talvez devessem começar pelo português.

Por enquanto estou a gostar, é um anime que entretém sem fazer grande mossa, mas uma série tão longa sem algo que me cative verdadeiramente, não sei se vou ter paciência para acompanhar. E se a SIC-Radical se armar em grande, como o AXN recentemente fez com InuYasha, e resolver fazer alterações na programação, será meio caminho andado para eu deixar de ver, se entretanto não me envolver na história.

NARUTO-ナルト-

SIC-Radical
2ª-6ª: 08h30, 19h30-20h30
dom: 08h00-09h30

24.7.08

Rebuid of Evangelion: 1.01 You Are (Not) Alone

Vi a série de Eva quando deu na SIC da primeira vez e, desde aí, apenas tenho visto pedaços de episódios, mais ou menos aleatórios. Quando a Gainax lançou o Renewal of Evangelion vi videos promocionais com as melhorias do restauro graças às novas tecnologias digitais, mas tenho vindo a adiar ver de novo a série. Posto isto, a sequência lógica seria este conjunto de filmes comemorativos dos 10 anos de Evangelion, encetado com Rebuid of Evangelion 1.01.

O Rebuild of Evangelion consiste, mais que outra coisa, numa remontagem, limpeza e retoques da série de televisão. Sozinho o filme é uma obra consistente e independente, não obrigando o visionamento da série, mas por comparação há claras diferenças, algumas boas e algumas más.

A primeira de todas foi a limpeza técnica, tal como no Renewal, dos fotogramas, das cels, dos saltos na mudança de planos, pequenos defeitos originados pelo meio em que a série foi produzida, a película. A diferença é que em Rebuild deram à imagem um acabamento semelhante à actual pintura digital (por oposição à tradicional pintura manual das cels) mas que a escureceu bastante, resultando numa imagem muito contrastada e com cores por vezes saturadas. Não sei se foi da cópia que vi, mas mesmo que a minha cópia esteja escura, essa diferença está lá. Tornar Evangelion mais escuro pode ser uma reafirmação da densidade dos acontecimentos e da narrativa, mas acaba por se tornar redundante. Pessoalmente prefiro Eva com aquelas paisagens solarengas, cheias de luz e cores mais vivas e claras que esta versão. O contraste é mais eficaz a reforçar o lado complicado e denso da narrativa e lhe dar ao mesmo tempo um ar insólito.

Logicamente, transpor uma série (seja ela qual for) para filme, obriga a uma remontagem valente, mas a remontagem deste filme, mais virada para a acção e para os combates é mais básica e menos interessante. Uma das cenas que ficou prejudicada com isso foi o primeiro combate de Shinji, no Eva01, com o 4º Angel. Na série, utilizando uma montagem não-linear, percebemos que Shinji conseguiu derrotar o Angel mas não vemos o que aconteceu. Só mais tarde, quando Shinji acorda é que a batalha nos é mostrada por imagens. Este tipo de montagem, por oposição à montagem sequêncial da mesma batalha, provoca um choque emocional no espectador, jogando com a curiosidade e reforçando a confusão e desespero de Shinji. Por outro lado, a sequência da batalha de Shinji e Rei com o 6º Angel é ampliada e intensificada com a adição dos efeitos digitais, transformando-a numa excelente batalha e no clímax deste filme.

Olhando genericamente, prefiro uma montagem arrojada e não-linear como a que nos brindou a série ao longo dos 26 episódios. É diferente, está muito bem feita e é prova do génio dos seus criadores. O filme concentrou-se mais na acção e na interacção militar e tecnológica e menos no lado psicológico e emocional. É pena, pois uma das grandes qualidades da série de Eva foi exactamente essa abordagem psicanalítica e teológica à história, que lhe angariou imensos fãs, que se identificaram com os dilemas das personagens. Por se focar menos nas personagens, o lado de comédia que aligeirava a série também fica um tanto diluído e às vezes forçado.

Gostei do filme e vi-o com paixão, mas não o acho tão brilhante como a série. O tentarem incluir tudo, até mesmo o Pen2, quebrou um bocado o ritmo e a empatia que a série provocava.

E depois há a falta das canções. Não ouvir "Zankokuna Tenshi no Thesis" já foi estranho, mas logo o filme sugou-me para dentro dele e não senti tanto a falta da canção. Mas no fim não haver "Fly Me to the Moon" foi mais estranho ainda! Juro que estava à espera de começar a ouvir "fry me to za mun..." quando a voz, familiar, de Utada Hikaru começa a cantar uma canção J-Pop, a condizer com o tipo de anime que Evangelion é, mas desinteressante, depois de inúmeras versões de "Fly Me to the Moon", uma delas cantada por Utada Hikaru, foi decepcionante. E pessoalmente já gostava muito dessa canção muito antes de Eva. Assim como prefiro o logo da NERV como era antes. Com a outra imagem (que não percebo bem o que é) por trás fica uma trapalhada visual e não se percebe bem.

Gostei da boca de Misato no fim, depois do resumo do próximo filme, a prometer "saa... kono tsugi mo, service, service o!" (pois... e a seguir também, há fan service, fan service!).

Gostando menos ou não, Eva é Eva, e soube muito bem ver este filme e, claro, deu-me mais vontade ainda de rever a série!

Terminei de ver: Red Garden


Red Garden é definitivamente uma excelente série anime que passou discretamente despercebida. A sua produção é da melhor qualidade, cenários lindíssimos, 3D integrados de forma invisível, character design original e bonito, animação de muitíssimo boa qualidade e uma história muito boa e bem estruturada. De facto não há um único dos 22 episódios onde não aconteça algo de importante ou as raparigas não sofram algum tipo de evolução.

Apesar de ser um anime num contexto fantástico e de terror, existe uma grande procupação com as personagens, tendo todas elas uma caracterização meticulosamente detalhada, o que lhes dá espaço para mudanças de temperamento, amadurecimento, em suma, evolução. É interessante que todas as raparigas mudam: Rose torna-se menos infantil e mariquinhas, Claire menos agressiva e intolerante, Rachel menos fútil e insensível e Kate passa a ser menos passiva e conformada.

O final da série, ao contrário do que vem sucedendo demasiadas vezes com muitos anime recentes, não desilude e corresponde num crescimento emocional. Todas as explicações sobrenaturais para a situação e aventuras das 4+1 raparigas são plausíveis se bem que talvez um pouquinho insuficientes, mas algo tinha de ser deixado em aberto, não? Faltou saber exactamente como as maldições surgiram, mas são acontecimentos que ficaram esquecidos no passado. Pelo menos não ficam pontas soltas e a batalha final é suficientemente dura e bem coreografada para dar um bom clímax.

Gostando bastante das 3 canções dos genéricos (OP: "Jolly Jolly", ED1: "Rock the LM.C" e ED2: "OH MY JULIET."), a súbita aparição das raparigas a cantar canções melancólicas nos primeiros episódios é esquisita e artificial. É certo que faz alguma ligação entre os sentimentos de dúvida e confusão que as assaltam, mas faz pouco sentido num anime com uma caracterização geral para o realista. E as melodias, que como melodias de fundo até passam, como canções são demasiado melosas, não se integrando no ambiente funky e moderno nova-iorquino do resto do anime.

Aliás é de certa forma refrescante o cenário nova-iorquino, retratado de forma tão meticulosa, por oposição à grande maioria das séries que se passam num contexto mais nipónico ou às vezes europeu ou mediterrânico. É fácil conjugarmos este anime com as inúmeras séries e filmes americanos passados no mesmo contexto.

Ainda há uma pequena série de OAVs, Dead Girls, relacionada com este anime, espero conseguir vê-la também.

RED GARDEN

22.7.08

Ando a ver: Glass no Kamen (2005)

Já ando a ver esta série há bastante tempo, mas como os episódios (que são 50 ao todo) levam muuuuuito tempo a estar dispiníveis, tem sido um processo lento que de certeza não seria se acontecesse o contrário. Exactamente por causa disso há cerca de 6 meses que não via um episódio e, ao ver um hoje, tive aquela sensação: "Epa, já andava com saudades disto!"

Se eu devorei a primeira série (de 1984), esta série (de 2005) é igualmente devorável mas com diferenças. A qualidade da animação, character design, cenários, etc. melhorou com uma utilização inteligente das novas tecnologias. Maya está praticamente igual, mas Ayumi e algumas outras personagens foram devidamente actualizadas. Perde-se aquele sabor vintage, mas ganha-se em empatia, pois a história é mais forte que qualquer acessório.

Ao começar a ver este anime a primeira coisa que me marcou muito foram as canções dos genéricos e a banda-sonora. As canções, não sendo particularmente interessantes como músicas, são muito intensas e algo épicas, mas ao mesmo tempo sóbrias. Muitas vezes quando não aprecio ou acho cansativas as canções dos genéricos, salto-as, mas neste caso nunca o faço. A banda-sonora propriamente dita consiste principalmente de música electrónica ou de sintetizador, mas com melodias ambientais e mais clássicas. Isto dá-lhes uma força e ao mesmo tempo algum artificialismo que, por alguma razão estranha, encaixam lindamente nesta série e adicionam-lhe mais intensidade emocional.

E depois vem a história... que, claro, é a mesma da série anterior, mas talvez com alguma continuação (só quando chegar lá é que saberei), uma vez que a série de 1984 não abrangia de forma alguma a longuíssima e interminada manga de que ambas são adaptadas. A diferença na nova série é que, como tem mais episódios, as histórias individuais desenvolvem-se a um ritmo mais lento, mas também mais pormenorizado. Essa diferença na narrativa faz com que qualquer das personagens seja mais detalhada e se torne mais envolvente ainda.

Despojada quase na totalidade do estilo de drama exagerado à anos 80 da outra série, as duras penas de Maya continuam igualmente intensas, mas mais empáticas com o espectador. O maior realismo embutido nesta série faz com que aquela primeira estranheza, que se sente ao ver um dorama, com interpretações e realização muito exageradas dos anos 80, estejam ausentes e que se viva a história com maior verosimilhança, o que neste caso dá à série uma maior qualidade. É um bocado como quando uma canção é boa, independentemente das versões que dela são feitas, a melodia principal está sempre lá e até ganha com os diversos pontos de vista.

テレビ東京・あにてれ ガラスの仮面

19.7.08

Terminei de re-ver: Aishite Night



Parti do princípio que a história deste anime se passava em Osaka ou na região de Kansai, pois logo no primeiro episódio aparece o restaurante Mambou, de Okonomiyaki, comida típica dessa região, Go compra Takoyaki, outro prato típico da região, para o jantar com Hachizou e Shigemaru, o pai de Yakko, tem uma pronúncia e vocabulário de Kansai (Kansai-ben). Mas ao longo da série vamos tendo comprovativos de que afinal a história se passa em Tóquio ou na zona de Kantou. A primeira coisa que me levou a desconfiar foi na primeira ausência de Go por causa de um concerto em Osaka. Yakko leva Hachizou à estação, para se despedirem, e eles partem de Shinkansen (comboio-bala). Se vivessem na zona de Kansai não se justificava irem de Shinkansen. Mais tarde vê-se uma silhueta da Tokyo Tower à noite, mas como não era muito clara podia tratar-se de outra torre semelhante (e há muitas no Japão), mas quando Go vai por uma semana para perto do Fuji-san (Monte Fuji) e Hachizou olha para o Fuji-san no horizonte com saudades, não tive dúvidas. Com isto ficou claro que se a acção não se passa em Tóquio, passa-se nos arredores, pois o Fuji-san não está suficientemente perto para se ver ao longe na região de Kansai e ainda temos nos últimos episódios claramente a fachada de tijolo da Tokyo Eki (estação central de comboios de Tóquio).

Já me tinha pronunciado de que não aprecio lá muito as canções dos BeeHive, uma das razões é porque são demasiado anos 80! Aliás quase tudo neste anime é pronunciadamente anos 80. Como costumo dizer, infelizmente só o pior dos anos 80 é que voltou, rever este anime dá-me a mesma sensação. As canções são mesmo o estilo de música que não ouvia naquela época nem que me pagassem, e as roupas, os penteados e algumas situações são mesmo datados. Não que não tenha a sua piada, é um anime kitsch e datado, com isso vale o que vale e não deixa de ser viciante e bom de se ver. Até me parece que se não fosse tão datado perdia a graça. Pesquisando um bocadinho na net, vim a saber que o renomado Joe Hisaishi colaborou na composição das canções!! Aliás não é o único famoso neste anime, para além da mangaka, Kaoru Tada, também Shingo Araki colaborou no character design (assim se explica muito porque gosto deste anime).

Continuando nas canções, acho que este é o anime que vi com maior razão de engrish ou palavras em inglês misturadas com japonês, a começar pelo título: Aishite Night. Existem algumas dúvidas se não será Aishite Knight, mas eu não tenho nenhuma:
Logo nos primeiros episódios, Go veste um colete que diz nas costas Love Night, como aishite quer dizer amor ou amar, faz todo o sentido. Mas não é só o título, qualquer das canções dos BeeHive tem uma mistura de inglês com japonês, "Freeway, Freeway, rokuju ga iru..." [Freeway, Freeway, estão cá sessenta...], "Baby, onna no me o mirou..." [Baby, vejo os olhos da mulher], "I love you, machi o..." [I love you, pela cidade...] ou "Tatoeba twilight" [Talvez twilight]. Soa esquisito em português? Em japonês também!

Ver Aishite Night de novo não teve grandes diferenças das outras vezes (há mais de 10 anos), fora o facto de antes ter visto a série em italiano e agora em japonês. Apenas uma coisa mudou, não me senti tão envergonhada por estar a gostar de um anime assim, foi só da primeira vez ;) .

Agora olho para este anime como uma espécie de antepassado de NANA, aliás, se for analisar as origens de ambos, a inspiração das autoras é semelhante. Tanto Kaoru Tada como Ai Yazawa gostam de música e resolveram transpô-la para as suas manga. A grande diferença é que Ai Yazawa tem um melhor fashion sense que Kaoru Tada (mas já chega de martelar nos anos 80). Ambos os anime são histórias dramáticas e românticas, que se poderiam desenrolar na nossa vizinhança, pontuadas por actuações dos grupos rock/pop de cada um. Como formato é engraçado e interessante, torna o anime menos telenovela e mais animado. Se houvesse mais exemplos, talvez a variedade e qualidade da música fossem maiores.

愛してナイト



18.7.08

Naruto

E lá estreou Naruto na SIC-Radical. Confesso que não tenho muita curiosidade, mas também não tenho preconceito. Só não me interesso muito, porque não é o género de anime que costumo gostar. No fim-de-semana vou tentar ver o compacto (espero que façam um) e assim direi de minha justiça...

9.7.08

Ando a ver: Red Garden

Tenho reparado numa coisa curiosa neste anime: todas as pessoas "diferentes", como as 4 protagonistas, têm o cabelo em dégradé (de claro para escuro) sem sombras ou reflexos, enquanto que as pessoas "normais" têm o cabelo desenhado num estilo mais clássico, em cor lisa com a sombra recortada.

Haverá verdadeiramente alguma intenção nisto?

RED GARDEN
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...