22.8.23

Bishoujo Senshi Sailor Moon Eternal Movies I e II

Ver Sailor Moon Crystal tem sido cá uma saga! Comecei bem e em cima do acontecimento, a ver os episódios da primeira temporada pouco tempo depois de saírem, com regularidade, mas depois começou a engasgar e não fiquei com memória de ter visto quase nada depois do episódio 12 ou 13, o que é mais ou menos metade da série.

Nas últimas semanas, derivado a uma reorganização da minha vida pessoal, resolvi voltar a ver anime regularmente e então decidi rever Sailor Moon Crystal do início e depois o que garantidamente não vi, os dois filmes Sailor Moon Eternal e os dois filmes Sailor Moon Cosmos.

Desta vez gostei muito mais de ver o primeiro arco, Dark Kingdom, e dei por mim a ver dois ou três episódios de uma assentada, por não conseguir largar a série especialmente em momentos chave, isto é, os últimos 4 ou 5 episódios.

Definitivamente, a narrativa ser muito mais próxima da manga é um ponto positivo e eesta vez agarrou-me muito melhor, apesar de acontecertudo um bocado em catadupa.

Quando chegamos ao arco Black Moon, o character design e a animação 3D manhosa melhoraram, não muito mas melhoraram. Este arco, apesar de me agarrar melhor que da primeira vez, pareceu muito resumido e realmente falta densidade psicológica à Black Lady. Mas gostei bastante de certos aspectos, como a relação da Usagi com o Mamoru, bastante mais adulta e menos pueril que na série dos anos 90. O Mamoru também parece muito mais presente e carinhoso e faz mais jus ao seu nome (mamoru em japonês significa proteger).

No arco Death Busters, depois de um hiato na produção, vêm-se alterações significativas e para melhor. O character design passou a um híbrido, algures entre a manga e o character design da série dos anos 90, não as há 3D manhoso nas transformações ou nos genéricos, as músicas melhoraram, adoro o estilo mais retro da canção da Haruka e da Michiru, a lembrar anime dos anos 80 ou 90, o genérico do Mamoru/Tuxedo Kamen é épico e no geral melhorou tudo. Neste arco também gostei de ser mais fiel à manga, focando-se em Hotaru e sem os vilões da semana engraçados, mas forçados, dos anos 90. Assumirem a relação da Haruka e da Michiru às claras também é positivo, mas preferia um pouco da ambiguidade tanto da manga (onde as coisas são mais claras) como da série antiga. Apimenta mais a narrativa. A tradução inglesa não ajuda, mas já falo nisso.

Eis que finalmente chego ao arco Dead Moon Circus, que constitui os dois filmes Sailor Moon Eternal. Acabei por vê-los de seguida, pois funcionam quase como uma compilação de episódios. Como no arco anterior, a narrativa é quase como na manga e bem mais negra. Na série dos anos 90, a SuperS sempre foi a temporada de que gostei menos, em parte por ser a que mais desvia da manga e por ser mais infantil, com demasiado foco na pespineta e irritante Chibi-Usa. Ela é a protagonista deste arco, não há dúvidas quanto a isso, mas nestes filmes não lhe dão tanto tempo de antena é não é irritante, especialmente não há episódios de encher chouriços, o que é um enorme alívio. Para além disso, também respeitam a manga, fazendo regressar as Outer Senshi, Haruka, Michiru, Setsuna e Hotaru. A introdução dessa parte da narrativa, ausente na série antiga, ajuda a contextualizar melhor o papel das Outers e como os da Pluto e da Saturn mudaram.

Ambos os filmes fluem bem e não cansam, mas por vezes parece que a história foi escrita originalmente para ser dividida em capítulos, mas pode ser por ser bastante fiel à manga, onde realmente está dividida em capítulos. Mas noto isso talvez por conhecer demasiado bem a história. Não sei. Gostei da banda sonora e gostei mais ainda por incluírem nos genéricos finais uma nova versão da canção dos anos 90, Rashiku ni Ikimashou.

As traduções. Normalmente costumo ver anime sem legendas, para treinar o japonês, mas ultimamente, em parte porque não quero ligar essa parte do cérebro, pensar em japonês é muito cansativo e neste momento quero ver anime para relaxar, ando a ver com as legendagens inglesas/americanas. Não gostei da tradução de toda a Sailor Moon Crystal. O inglês, embora correcto, é muito pobrezinho, várias vezes podiam ter seguido caminhos mais criativos, que também deixariam a tradução mais fiel ao sentido em japonês e, o crime dos crimes e um dos meus pet peeves em tradução em geral e infelizmente um erro de tradução, deixaram os honoríficos. O pior é quando em japonês eles usam honoríficos duplos (Ikuko-mama-san, por exemplo) e optam pelo mais básico. Nenhum honorífico em japonês deve ser incluído,  mas sim substituidos pelo seu melhor equivalente na língua de destino. O ~san  deve passar a Mr., Mrs. ou Miss, o ~chan deve ser convertido para um diminutivo ou para "little"-qualquer-coisa. Os ~sama, neste caso para a Princesa Serenity e o Príncipe Endymion, das duas uma, ou incluem "majesty" ou "highness" no discurso, ou não adicionam nada.Os honoríficos em japonês, nunca. Depois há a romanização de alguns nomes, o que fizeram à Nehelenia? Ficou algo estilo Nahelenia... porquê, se em japonês é fácil, escreve-se, em katakana ネヘレニア (ne-he-re-ni-a), não há nada que enganar. Ah, e acho que quando a Michiru apresenta a Haruka como sendo meio homem, meio mulher, tenho quase a certeza que não é bem isso que está a ser dito em japonês, mas algo mais ambíguo, mais subtil e mais interessante, algo estilo que a Haruka é uma mulher, mas que tem uma alma masculina. Não me apeteceu interromper o visionamento para ouvir melhor o que ela diz em japonês. Porquê uma tradução tão básica e amadora? Em fansubs, não comento, mas num serviço pago? A Netflix não quer pagar a tradutores decentes? Forretas!

Após rever Sailor Moon Crystal, ainda faltam os dois filmes Cosmos, mas verei em breve, quando os arranjar com qualidade, gostei muito mais e diverti-me e empolguei-me bastante com as Guerreiras/Guardiãs. Gostei muito mais do Mamoru agora, que não é apenas um figurante masculino e tem mais agência que na série dos anos 90. Veremos como vai ser resolvida a sua ausência no arco Three Lights/Galaxia. Eu estou empolgada por finalmente ver a Sailor Kakyuu, cruelmente eliminada da Sailor Stars

美少女戦士セーラームーン•エタナール



5.8.23

Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru

Fui parar a este anime por causa do cosplay. Mas ao contrário do que é costume, não foi porque visse imensas pessoas a fazer cosplays da série, mas porque esta série tem como tema principal o cosplay! Não sei se é a primeira série a fazê-lo, não me apetece ir investigar isso, mas se não foi, não há-de haver muitas mais.
Mas Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru é sobretudo um slice-of-life romântico com o cosplay como pano de fundo.

Ando desactualizadíssima, tenho visto pouco anime, e a maioria são coisas bastante familiares, como Sailor Koon Crystal ou Card Captor Sakura - Clear Card e já não sei o que está na berra nos dias de hoje.
Um pouco como Bamboo Blade (kendo), foi o tema e não o estilo que me levou a este anime, que, de outro modo, provavelmente não teria curiosidade de ver. Normalmente gosto bastante dos slice-of-life, mas este estilo, descaradamente uma comédia romântica, com algum fanservice, não costumam estar no topo da minha lista de animes para ver. Não é que não goste, mas preciso daquele "bocadinho assim".

Marin quer fazer cosplay, mas é uma naba na costura. Mais ou menos por acaso descobre que o seu colega de turma, Gojo, costura kimonos para as bonecas Hina tradicionais e pede-lhe para a ajudar a fazer o fato da sua personagem preferida do momento: Shizuku Kuroe, a protagonista de um jogo a raiar o SBDM. Assim começa a amizade entre o tímido Gojo e a descarada e atrevida Marin, um clássico neste estilo de anime. A relação dos dois passa por vários momentos constrangedores, graças à falta de noção de Marin do efeito do seu corpo e descaramento no coitado do Gojo, que basicamente vive para o trabalho na oficina de honecas Hina do avô e não tem vida social até conhecê-la. Mas Marin é bem mais inocente do que aparenta, apesar da tendência para fazer cosplay de personagens bastante sexy, e a amizade evolui para uma atracção física e uma paixoneta adolescente. Enquanto que Gojo tenta ser discreto e bem educado (coitado, às vezes é quase impossível), Marin reage como a adolescente que é, mas não confessa a sua paixão. Estes elementos fazem de Sono Bisque Doll... uma comédia de circunstâncias muito engraçada que me fez dar umas boas gargalhadas sonoras.

Este é um anime divertido, com um character design apelativo e cheio de detalhes e texturas (os benefícios da pintura digital), que se vê lindamente. O cosplay, apesar de acessório para mover a narrativa, está super bem representado e comenta cada detalhe do processo e das fases por que a maioria dos cosplayers passa: sentir-se desconfortável no fato, combinar sessões de fotos, cair na armadilha de fazer um fato pelo design e esquecer-se de que não se sente à vontade para o vestir em público, noitadas a terminar os fatos, noitadas a ver séries de onde se planeia fazer fatos, fazer amigos através do cosplay, etc.

Por outro lado, Gojo é o cosmaker que todo o cosplayer deseja ser ou ter por perto. Tem uma atenção ao detalhe excepcional, pensa em tudo, até na maquilhagem, faz pesquisas exaustivas, aprende depressa e é muito crítico dos próprios erros.
Marin é entusiasta, sincera, alegre mas empenhada, o que os torna um par ideal no cosplay.

Nesta série o lado negro do cosplay só é ligeiramente vislumbrado, o lidar com um corpo real, as questões da imagem, as rivalidades tóxicas ou os desastres que por vezes nos levam a questionar porque nos metemos nestes trabalhos complicados e caros. Mas como é uma comédia, se estes problemas forem abordados mais profundamente, serão muito provavelmente aliados à narrativa e também a algum dilema na relação entre Marin e Gojo. Veremos.

À medida que fui avançando na série, reparei num pormenor curioso: grande parte do guarda roupa civil das personagens é colorido. Até os uniformes escolares de Marin e Gojo têm calças e saias num tartan azul claro. A escola deles aparentemente é bastante permissiva com o traje escolar, pois, para além de Marin ter o cabelo pintado (loiro com pontas rosadas), ela usa lentes de contacto rosadas e muitos acessórios e outras colegas dela também. Mas os cosplays são maioritariamente monocromáticos, com muito preto, algum branco e apenas detalhes dourados ou noutros tons pouco espampanantes. É curioso pois, no mundo real, costuma acontecer o oposto, o guarda roupa das pessoas tende para o neutro ou tons escuros e é nos cosplays que se vê muita cor, a começar pelas perucas de todas as cores.

As canções dos genéricos são orelhudas e alegres, sem serem irritantes, o que é sempre positivo.

Adorei ver esta representação tão detalhada e fiel à realidade do cosplay e fico satisfeita que em breve haverá mais Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru.





20.2.23

Sayonara Matsumoto-sensei

 

Soube mesmo agora que Leiji Matsumoto, mangaka, entre outros, de Ginga Tetsudou 999, Captain Harlock ou 1000 Nen Joou, apanhou o Galaxy Express 999 em direcção às estrelas, para nunca mais voltar.

É um dos meus heróis, ao ponto de fazer os cosplays de duas das suas personagens, Maetel e La Andromeda Promethium.

Ainda tinha a esperança de um dia me cruzar com ele ao vivo, mas infelizmente já não é possível. 












気をつけて、松見先生 ✨️🚂🚃🚃🚃✨️ 



14.6.22

Comecei a ver: Kimetsu no Yaiba

Bom, para começar, é "comecei a ver" porque, apesar de já ter visto a série completa, sei que vem aí mais Kimetsu no Yaiba.

Kimetsu no Yaiba é uma série de fantasia, acerca de caçadores de demónios, no Japão da era Taisho (1912 - 1926), depois da proibição de andar com katanas em público. A proibição das katanas é importante, pois torna os caçadores marginais, porque a sua actividade não é sancionada pelo governo, apesar do serviço público que executam.

Agora que já vi a série, a lógica do filme já faz mais sentido. Felizmente não me parece que tenha feito asneira com a tradução e ainda prefiro as minhas opções, como substituir "respiração" por "sopro". É uma palavra mais curta e mais elegante, reforçando o misticismo dos poderes dos caçadores.

Depois de ver a série, já gosto mais de Tanjiro, o protagonista, será por chorar menos? Sim, Tanjiro na série é mais determinado e corajoso, mesmo que sensível às emoções dos outros, incluindo dos demónios.  Mas os meus preferidos continuam a ser o Inosuke e a Nezuko. O Inozuke diverte-me imenso e gosto da personalidade javaliesca, de levar tudo à frente, mas com um coração gigante. É a besta de bom coração. Adoro a patetice de Nezuko, mas que não se deixa pisar em situações de perigo. E acredito que venha a ser muito útil ao grupinho de caçadores. Mas também gosto dos corvos e do pardal de Zenitsu xD.

O mais importante da lógica de Kimetsu no Yaiba, contudo, é a dos demónios. Há muitos e variados demónios, mas os que importam são Muzan e as Doze Luas. Muzan é um demónio particularmente poderoso, capaz de se esquivar de modo eficaz aos caçadores há bastante tempo e foi quem matou a família de Tanjiro e transformou Nezuko em demónio.  As Doze Luas são uma espécie de discípulos de Muzan, transformados por ele e agem sob as suas ordens, que no final da série a ordem que importa é que o caçador virou caça, estão atrás de Tanjiro.

Como já disse no post acerca do filme, gosto da estética um pouco ukiyo-e da série,  com cores vivas e degradés simples, os fatos são interessantes no misto de uniforme clássico escolar masculino (já lá vou às raparigas) da era Taisho com peças tradicionais, que caracterizam cada caçador e o seu poder principal. Um exemplo: Tanjiro, tem um uchikake aos quadrados verdes e pretos. O verde remete para a água, o seu poder principal, os quadrados, ichimatsu, remetem para as montanhas de onde ele vem, pois ichimatsu está relacionado com árvores. Com as raparigas é quando o uniforme se personalisa mais, pois, para além de ser para todos os efeitos um uniforme masculino, umas usam com as calças originais (tobi, calças de trabalho), com saia, com o casaco aberto por não ter espaço para mamas grandes, etc. a outra parte do traje dos caçadores que é personalisada são as katanas. Quando a envergam pela primeira vez, a katana assume uma cor e/ou desenho especial, fora a de Inozuke, cuja lâmina serrada é cortada por ele, para grande choque do ferreiro.

Falando em katanas, mais uma vez vejo traduzidas como espadas. Não! Para além da regra ser: espadas têm 2 gumes, sabres têm um gume, para traduzir katana, ou se deixa "katana", como uma denominação específica e um estrangeirismo, ou se usa o termo mais genérico, "sabre". Naturalmente há excepções e uma tradução não deve ser um tratado sobre armas brancas, mas algum rigor é bem-vindo. 

Curiosamente desta vez, apesar de Kimetsu no Yaiba passar no Biggs, a distribuidora e o canal optaram por não dobrar a série e legendá-la. Como prefiro sempre anime legendado, fiquei contente com a decisão, mas infelizmente, para além do erro acima, infelizmente a tradução é pobre e por vezes tem mau português, má gramática e alguns erros de ortografia. Não custa nada passar o texto pelo corrector ortográfico, mas pelos vistos há "tradutores" que confiam tanto nos seus textos que não o fazem. Gralhas toda a gente faz, mas os erros ortográficos podem ser eliminados com o corrector, que é amigo.

De certa forma gostei mais da série que do filme, é uma narrativa de anime clássica, com quase todos os episódios a terminar num cliff hanger. Gosto, fez-me ver, por vezes 2 ou 3 episódios de seguida e eu não costumo fazer maratonas, sobretudo agora. A história é empolgante, queremos saber o que vai acontecer àquelas pessoas e tem acção q.b. para entreter a malta. Os protagonistas também são interessantes e os episódios de luta são intercalados por alguns mais leves, onde os protagonistas recuperam ou tratam de coisas práticas. Assim não se torna cansativo, desde que cada bloco não tenha demasiados episódios. Agora o filme, apesar de funcionar bem sozinho, parece um episódio alargado da série e de certa forma remata o seu final. Só de vez em quando aparece um demónio que gosta de discursar... caramba, que chatos! Só para os calar fico a torcer pelos caçadores! 

Cá fico à espera da próxima série e que estreie no Biggs, pois pretendo continuar a ver, afinal ainda há muito demónio para destruir.

アニメ 「気滅の刃」

Biggs


2.4.22

Eiga xxxHOLiC

A Saga Para ir Ver um Filme

Preparem-se, este vai ser longo e por ordem cronológica, pois tem imensa coisa em jogo, que me levou a ir e voltar ao Porto no mesmo dia, para ver o filme com o bilhete mais caro da minha vida.

Quem só quiser ler sobre o filme, pode saltar lá para baixo, a seguir à minha foto com a Mokona.

Gosto muito de filmes de terror acho que desde miúda, um dos primeiros autores que li foi Edgar Allen Poe, mas só comecei a ver filmes de terror com regularidade desde a adolescência. Foi nessa mesma altura da adolescência que o Fantasporto nasceu e desde essa data que sempre quis ir ao festival e nunca consegui. O primeiro festival de cinema a que fui foi o Cinanima de 1986 e foi uma experiência que marcou a minha vida, até hoje ligada a festivais de cinema, em maior ou menor escala.

Sou fã das CLAMP e xxxHOLiC e X são as minhas mangas preferidas delas. Tanto que já nem sei quantos fatos de cosplay fiz da Yuuko. (conta pelos dedos... 6?). Descobri as CLAMP no final dos anos 90, já nem me lembro bem como, e a primeira manga delas que li e comprei foi X, ainda a minha manga preferida de sempre, infelizmente incompleta devido a vários problemas editoriais, entre outros.

Quando comecei a fazer cosplay, em meados dos anos 90, lembro-me de "declarar" que nunca faria fatos das CLAMP, por não ter paciência para estar com tantos detalhes complicados. Passados 26 anos, 6 fatos da Yuuko, mais 3 em planeamento, 2 da Hokuto (Tokyo Babylon), mais uns 4 em planeamento e um de Miyuki-chan in Wonderland em planeamento. Oh, a ironia!

Desde que comprei as minhas primeiras mangas de X, que tenho vindo a coleccionar as mangas das CLAMP, que são claramente as mangaka com maior representatividade na minha estante. Só não comprei alguns títulos mais antigos, como RG-Veda, e outros que, por algum motivo não me chamaram, como Drug Drop. Mas, ao chegar à fase de Chobits, tive uma "zanga" com elas, comecei a achar que andavam a fazer manga a metro, e andavam! Fiz uma pequena pausa na colecção. Passado algum tempo, provavelmente menos que agora me parece, elas começam a publicar em simultâneo Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE- e xxxHOLiC. Enquanto que Tsubasa não me chamou, fiquei muito curiosa com xxxHOLiC, com as suas capas art nouveau orientalistas. Na altura havia a lojinha Jikai em Lisboa, onde o meu amigo Leonardo encomendou os primeiros volumes de xxxHOLiC e Tsubasa em japonês. Comprei-lhe os primeiros e passei a ter encomendados os seguintes que fossem editados. Entretanto a Jikai fechou e sempre que tinha oportunidade, a maioria das vezes na JP-Books em Londres, fui comprando a restante manga. Tenho a primeira série completa, a segunda ainda em publicação, o guia e o artbook.

Devorei o filme e as séries de animação da Madhouse, mas não vi todos os OAVs, por confusão gerada no seu lançamento e a clássica falta de disponibilidade. Quando saiu, vi o dorama, mas fiquei muito decepcionada. Não respeitava muito a manga, não gostei particularmente do elenco, excepto o Doumeki e a Jourogumo (a mesma actriz que encarnou Maya Kitajima em Glass no Kamen) e detestei os figurinos, que pareciam uma versão foleira dos desenhos maravilhosos das CLAMP. Para além disso, a narrativa foi muito mal conseguida.

Em Setembro de 2021 estreia uma adaptação para teatro de xxxHOLiC com um elenco inteiramente masculino, com super bom aspecto e onde até recriaram o sofá art nouveau da Yuuko!

Em Novembro de 2021 é anunciada a adaptação para cinema de xxxHOLiC, por Mika Ninagawa. Onde tinha ouvido este nome antes? Ah, Kamikaze Girls, ah, Sakuran! (de que também tenho a manga, de Moyoco Anno). Também vi a maluqueira do Diner, num MOTELx passado, se não me engano. Esta informação e o primeiro poster prometiam! Mas bom, pensei que seria mais um a ver na candonga.

Em Fevereiro deste ano, o Fantasporto, Festival de Cinema de Terror e Fantástico do Porto, anunciou, através do seu parceiro, a Central Comics, que o filme iria ter a sua estreia mundial no Fantasporto em Abril! No Japão já estava anunciada a data de estreia a 29 de Abril. Eu TINHA DE IR!

Entrei em contacto com o festival através do Instagram, Messenger e email, a pedir um convite e a propor levar o meu fato da Yuuko do kimono vestido. Mas a resposta demorou a chegar. Entretanto a data foi anunciada, 2 de Abril, mas no site do festival, zero informação. Em fim de Março finalmente anunciam o programa, a conta-gotas, xxxHOLiC com duas sessões, uma na sessão de abertura a dia 1 de Abril (aniversário do Watanuki e data fundamental para as CLAMP) à noite. Os bilhetes deveriam comecar a estar à venda dia 24 de Março. Vou ao site, nada, vou à BOL, nada. Eis que recebo uma resposta no messenger: "O festival não oferece convites". Passados uns dias, por email, o mesmo. "Já não levo cosplay, não merecem o esforço." Uns dias depois, sinceramente não sei em que dia os bilhetes realmente foram postos à venda, vou ao site e compro o bilhete. Decepção n° 2: há desconto para estudante, mas só se comprar o bilhete ao vivo no Rivoli. Não queria nem podia arriscar, em Lisboa, as sessões de abertura dos festivais de cinema esgotam rapidamente. Ainda pensei em pernoitar no Porto, a sessão era às 20h45, terminava perto das 23h, mas os preços no centro do Porto são para turistas estrangeiros e com a pandemia ainda por cá, não quero partilhar un quarto com desconhecidos num hostel. O ultimo Alfa ou Intercidades é cerca das 19h... antigamente havia um Regional nocturno, daqueles que param em todas, onde viajavam os magalas. Será que ainda existe? Dito e feito, bilhetes de comboio comprados, dia 1 de Abril iria estar em trânsito, tudo por causa de um filme, adaptado de uma manga, mais de 24h (acabaram por ser 25h30).

A arrumar parte dos meus cosplays, por causa do Anisama (evento onde levei alguns fatos, numa banca para divulgar a minha tese de doutoramento em curso, sobre o cosplay), lembrei-me do fato do episódio do taco de beisebol, que no geral é confortável, pois trata-se de um vestidinho em malha de t-shirt, uma écharpe, collants de rede larga e botas acima do joelho (mais o taco de beisebol, mas não ia com o taco atrás para o Porto). Preparei as coisas de modo a ir semi vestida e lá colocar a peruca e as botas.

Collants de rede larga, sobretudo as baratuxas da Primark, não são para ser vestidas ao lusco-fusco, de madrugada, tinha os dedos dos pés a tentar sair por cada buraco porque passavam.  São super confortáveis, mas ao longo do dia senti-as a rebentar de vez em quando. Ai Yuuko a quanto obrigas!

A caminho do comboio lembrei-me que, entre café, comida e cosplay, esqueci-me dos óculos escuros. Já não podia voltar para trás. No comboio tomei o pequeno-almoço que levei e dormi até Espinho, onde coloquei as lentes de contacto. Mal cheguei a São Bento, trepei até Santa Catarina para ir à Tiger comprar uns óculos baratinhos. Fiz um xixi e atestei a garrafa de água no Via Catarina e a seguir fui à Confeitaria do Bulhão tomar o segundo pequeno-almoço. Infelizmente fui atendida por um empregado impaciente, o que só os prejudicou, podia ter consumido mais. Como tinha o dia para passear no Porto, tinha planeado visitar as minhas capelinhas. Tirei uma primeira foto à Mokona, que me acompanhou nesta viagem, em frente ao Rivoli e fui para o Jardim das Oliveiras, nos Clérigos, curtir o bom tempo e finalizar a maquilhagem. O meu eyeliner estás a dar as últimas... A fila para entrar na Lello & Irmão, gigantesca. Fiquei ali, a ler, a tirar fotos, a aproveitar o Wi-Fi gratuito do Porto, até à hora do almoço. Fiz uma série de stories no Instagram intitulada "Mokona's Adventures in Porto" que vão ficar nos Highlights (@misatolx).

Almocei um fantástico hamburguer vegetariano no Munchies, e fui tirando fotografias com a Mokona. Voltei a subir, para ir dar a minha voltinha à minha rua preferida do Porto, a Rua da Cedofeita. Pouco depois de sair da Feira dos Tecidos, não é que encontro um casal conhecido, que mora nos arredores do Porto? Eles também andavam à caça de tecidos e perguntaram-me se queria ir com eles. Portanto, o plano inicial de, depois da Cedofeita, ir ao arquivo dos azulejos, foi alterado.

Quando ia com eles a caminho das outras lojas de tecidos, recebo uma mensagem no Instagram, a dizer para aparecer na Secretaria do Festival no Rivoli. Perguntei para quê, perguntaram-me se já tinha bilhete.😒

Fomos a uma loja de tecidos, chamada Vaz, Oliveira & C.a, Lda., que foi outrora na zona dos Clérigos, onde já houve muitas lojas de tecidos do género. Depois fomos à Mundo dos Tecidos, mas desta vez não gastei dinheiro em tecidos no Porto. Despedi-me do casal e voltei à Cordoaria, pois não tinha feito uma das coisas importantes a fazer, comprar um pastel de Chaves para a viagem de regresso na Padaria Ribeiro.

Mas antes lá passei no Rivoli. Apesar de já não ter vontade de pedir nada ao festival, quem sou eu para menosprezar uma cortesia quando me é oferecida. Conheci uma das moças do festival, para bilhetes já era tarde demais, já o tinha comprado, mas perguntei se não teriam algum cartaz ou postal do filme e se seria possível vestir-me lá dentro. Do Fantasporto, para além do cartaz na fachada e os programas do festival, pouco mais havia, excepto uma banquinha da Central Comics, onde havia uma figura de Cutey Honey (a versão do filme da Gainax) a vender. A rapariga era simpática e conversámos um bocadinho.

A começar a ficar cansada e a precisar de atestar a garrafa de água, voltei ao Via Catarina (da Cordoaria), fazendo um desvio pelos Lóios, pois a parte baixa dos Aliados estava toda em obras e não me apetecia passar por ali. Ainda me sentei numa fonte na Batalha a lanchar um gelado, antes de ir para o Via Catarina. A praça da Batalha já teve imensos bancos de jardim, mas foram todos saneados. Acabei por me sentar numa fonte na junção com a Rua de Santa Catarina.

Já no Via Catarina, fiz mais uma visita às instalações sanitárias, fui ao Continente comprar algo para beber para a viagem e sentei-me numa das mesas da zona de refeições a descansar os pezinhos e a aproveitar mais uma vez o Wi-Fi gratuito. Comi qualquer coisa por lá e fui para o Rivoli.

Posters ou postais, "já não há" e lá me fui vestir na casa de banho. Tirei as leggings, calcei as botas, prendi a écharpe com a rosa vermelha, pus a peruca (versão curta duração) mas o cansaço já era tanto, que só verifiquei se a maquilhagem não estava borrada (não estava) e não retoquei ou reforcei o rímel, à falta de pestanas postiças. É por isso que gosto de ir vestida de casa para os eventos, não há pior tortura que uma pessoa vestir um fato de cosplay numa casa de banho apertada!

Houve um pequeno desencontro com uma amiga cosplayer, mas depois ela encontrou-me dentro da sala. Estávamos a conversar um pouco, quando se junta a nós um outro colega destas andanças dos animus. Foi um mini-meet.

A sessão de abertura do Fantasporto limitou-se a um discurso da Directora, em português e inglês, nem uns trailers, nem uns jurados em palco, nada. Depois começou o filme sem sequer uma pequena apresentação. Se os festivais de Lisboa pecam pelo excesso, o Fantas peca por defeito. Ah, eu preocupada com a eventualidade de os bilhetes esgotarem, a sala estava a meio, quando muito a 2/3. Como festival achei pobrezinho, mesmo comparando com os Cinanimas nos anos 80. A restante programação japonesa é bem composta, mas não havia orçamento para mais.

Depois do filme, ainda tive tempo para beber uma cerveja com a minha amiga e o namorado.🍻

De lá fui apanhar o comboio para Campanhã e de lá o Regional para Lisboa. Decepção n°1: os comboios regionais novos da CP são como comboios suburbanos, não têm casa de banho nem bancos suficientemente confortáveis para uma viagem tão longa (4h). Decepção n°2 (também válida para o Intercidades): tenho uma ideia de os comboios nocturnos terem as luzes um pouco menos intensas, no século passado, isso, aliado a bancos desadequados e o clássico aquecimento que só aquece junto à janela, e ainda um grupinho que de vez em quando fazia demasiado barulho (quizomba e sei lá), fez com que dormisse muito pouco e viajasse desconfortável com vontade de ir à casa de banho. Decepção n°3: o comboio não tinha Wi-Fi. CP, arranjem outro tipo de comboios para estas viagens. Um comboio regional não é a mesma coisa que um comboio suburbano.

O Filme

Sem querer fazer spoilers, Eiga xxxHOLiC é um filme para os fãs da manga. Apesar da natureza episódica da manga, adaptaram as duas linhas narrativas dos protagonistas, do Watanuki e da Yuuko, e fizeram uma remistura. Ambas as narrativas são bastante complicadas e estendem-se ao longo de muitos volumes na manga, mas foi bem resolvida na sua complexidade, e não topei nenhum buraco narrativo. Por outro lado, quem não estiver por dentro daquele universo e mesmo do estilo narrativo das CLAMP (Ōkawa-sensei: olá!👋) deve ter-se sentido muito perdido.

Para compensar, Mika Ninagawa é muito boa a reinterpretar estas mangas visualmente muito barrocas e fez um excelente trabalho com xxxHOLiC. O filme cita o estilo das CLAMP, mas não faz uma cópia, reinterpreta. Gostei muito das soluções encontradas para tornar as coisas mais plausíveis num contexto mais real e mesmo assim com economia de meios. Por exemplo, nunca se vê a casa de Yuuko, só pequenos pormenores, como portas ou janelas, rodeados de glicínias. Os interiores da casa lembram os desenhos da manga, mas, mais uma vez, não são cópias literais da mesma. O mesmo pode dizer-se dos figurinos da Yuuko e das outras personagens sobrenaturais, que fazem lembrar os desenhos das CLAMP, sem os copiar. Para um filme com um aspecto tao luxuriante, acho que foram económicos no design de produção. 

Os actores foram meticulosamente escolhidos. Adorei Ko Shibasaki, que faz de Yuuko, embora, na minha cabeça, ela tenha uma voz mais grave. Ryuunosuke Kamiki,  que interpreta Watanuki é muito bom, mas nota-se que não tem 16-17 anos. Não posso dizer muito acerca do actor que faz de Doumeki, Hokuto Matsumura, pois a personagem é muito lacónica. Himawari, Tina Tamashiro, é a que está mais num estilo clássico de interpretação japonês, como nos doramas, mas isso é muito em personagem, com aqueles acenos e linguagem corporal típica das adolescentes japonesas. Pobre Himawari! Aparecem, numa montagem elíptica, algumas das outras personagens, como a Zashiki Warashi ou a Neko-musume. Infelizmente não há bichos ou monstros, a começar pela Mokona, mas eu percebo que corriam o risco de infantilizar o filme se o fizessem.

O tom do filme é outro o que também significou que as cenas divertidas com a Yuuko bêbada, por exemplo, ou a abusar da boa vontade do Watanuki, ou o Watanuki a ter ataques de ciúmes por causa da Himawari, não apareceram vezes suficientes.

Também gostei mais da banda-sonora do filme, mesmo sem ter um tema marcante, comparando com a série anime. Só preferia que fosse menos música de sintetizador, mas gostei das composições.

Os efeitos especiais são quase todos práticos, excepto as borboletas e pouco mais, que são digitais.

Ah, tenho de falar da tradução. A tradução inglesa, na cópia, era sem sal mas competente. Já a tradução portuguesa, em legendagem electrónica, que miséria... sempre que olhava para lá, sentia vergonha alheira. "Auto-indulgência"? 😆

No geral é um bom filme, uma boa interpretação do universo das CLAMP de encher o olho. Dos que vi da Mika Ninagawa, ainda prefiro o Sakuran!, pois é mais coeso.


映画 『×××HOLiC』

11.7.21

A Bershka Fez Asneira Outra Vez

soquetes Supii-chan e Kero-chan

Há pouco mais de dois anos, a Bershka já tinha alguma roupa com estampas com um ar "anime", mas ou eram imagens muito básicas, de séries super populares, como Pokémon ou Dragon Ball, ou eram colagens de ilustrações com um ar anime genérico, mas que não eram de série nenhuma. E todas elas neutras ou mais para rapazes ou crianças pequenas.

Entretanto na Primark, na secção de homem, apareciam ocasionalmente t-shirts de Dragon Ball, Naruto, Boku no Hero Academia, Pokémon (esta também às vezes na secção de criança) e pouco mais. Que tenha notado, nenhuma outra cadeia de fast fashion, talvez a Pull & Bear ou a H&M, tiveram t-shirts ou outras peças de roupa directamente ligadas ao anime. Tipicamente também, em todas estas cadeias, roupa com estampas da cultura pop, fora a Barbie, My Little Pony e pouco mais, só surgem nas secções de homem, rapaz ou criança.

Há uma geração inteira, que cresceu com o boom do anime dos anos 90, desejosa de t-shirts e afins das séries que os marcaram e a Bershka parece finalmente ter descoberto o filão. A primeira "colecção" digna do nome, foi a de Sailormoon, há cerca de ano e meio, tímida com uma t-shirt e um hoodie, com fundo preto. Pouco tempo depois, lançaram uma segunda colecção, desta vez com fundo branco, mas também com poucas peças. Mais seis meses e saiu a de Cowboy Bebop, também com poucas peças, mas desta vez mais arrojada, fundo amarelo e estampa holográfica. Tudo peças simples, unisexo, mas as imagens bem escolhidas, não foram as primeiras a aparecer numa busca do Google Images.

Mas tudo descambou com a colecção de Evangelion, com bastante mais peças, mas a usar sempre as mesmas 2 imagens da Rei ou da Asuka, pouco ou nada de Shinji ou dos EVAs, e um aproveitamento extremamente pobre dos excelentes gráficos da série. As peças estampadas também eram muito banais e como as imagens escolhidas também o eram, pareceu um design preguiçoso, para não dizer pior.

colecção Card Captor Sakura,
Bershka 2021

Eis que chegamos a esta semana e a Bershka lança uma colecção Card Captor Sakura! CLAMP! Em roupa, no ocidente! Mesmo sendo Sakura a série mais popular das CLAMP, é coisa para celebrar! Vou ao site ver a colecção e mega decepção!  Basicamente têm 2 estampas, as 2 faces das Clear Card, na frente com a Sakura, no fato cor de rosa do 1° genérico, e uma manta de retalhos de capturas de ecrã da série... As peças de roupa principais parecem pijamas foleiros de homem, e as que se destacam, o crop top anos 2000, as calças de ganga rasgadas e as soquetes, não são nada de especial ou não são suficientemente neutros. O top e as calças são muito juvenis, muito para miúdas de 12 anos, que, vá lá, ao menos são o público-alvo de CCS, e as meias muito infantis. Para além disso, só usam cores pastel (yuck!) e nem no rosa acertaram, o rosa de CCS é mais para o salmão. Basta fazer uma busca no Google, ou até mesmo na Amazon, para encontrar peças bem mais interessantes e com outras cores, como o vermelho, preto ou o dourado, ou mesmo um rosa mais forte, mais característico de CCS.
Mas não é só anime, a colecção de Powerpuff Girls consegue ser pior e a de CCS, apesar dos designs mais masculinos, é para miúdas dos 10-13 anos... no comments...

Card Captor Sakura na Amazon.com 

Os japoneses são muito estranhos com estas coisas, e vou apenas falar das CLAMP aqui. As CLAMP são super ciosas do merchandise das suas séries e raramente o design falha ao seu escrutínio, mas quando as coisas passam para o Ocidente, parece que estão a lixar-se para o que fazem com elas.
Se por um lado estou deveras contente por haver cada vez mais roupa com desenhos de anime, e também de anime shoujo, disponível e acessível em lojas genéricas, o design ainda fica muito aquém e revela por vezes um desconhecimento das séries por parte dos designers. Até mesmo o merchandise oficial, licenciado da Hello Kitty e da Sanrio, tem muito melhor qualidade e design o que é fabricado no Japão, que o do Ocidente, mesmo que seja produto de luxo. Mas depois, como há pessoas sedentas dessa roupa, acabam por esgotar na mesma. Como sempre fui mais selectiva, mesmo com t-shirts de concertos, etc. só compro se gostar do design. Isso resulta que, anos depois ainda uso essas peças, com orgulho e na rua, não é envergonhadamente como pijama, em casa.



19.6.21

Kimetsu no Yaiba: Mugen Ressha Hen

Mais uma vez o trabalho deitou-me um anime no colo: Kimetsu no Yaiba: Mugen Ressha Hen, o filme de Kimetsu no Yaiba. Esta é mais uma daquelas séries que fiquei a conhecer através do cosplay, quando há alguns anos houve um boom de pessoas a fazer cosplay de Tanjiro ou Nezuko. Fiquei com alguma curiosidade, mas pouco mais...

O que me vale, para o trabalho, é que o filme vale por si e não foi preciso ver a série para perceber o contexto. E, em caso de dúvida, nada que uma pequena pesquisa na Wikipedia não resolva.

Kimetsu no Yaiba é um shounenzinho simpático, com as clássicas personagens maniqueístas, mas que se passa no início do séc.XX, ou fim do XIX, onde crianças são Caçadores de Demónios. O filme é uma espécie de episódio alargado, como aliás muitos filmes anime, surgidos de séries. 

A história, apesar de simples, está contada de uma maneira eficaz. Logo na segunda cena, através do modo como entram na missão, percebe-se o carácter de cada um dos Caçadores e a outra informação relevante é-nos dada quando encontram o mentor, Rengoku. As personagens são carismáticas q. b., provavelmente mais ainda para quem viu a série, e a história e a acção desenrola-se de forma linear, sem grandes surpresas. Por outro lado, os vilões, os demónios, são demasiado irritantes e nem dá gozo vê-los a apanhar. E depois, surge uma excelente oportunidade de usarem o seu ponto fraco e é desperdiçada.

O filme explora temas do sobrenatural, dimensões, subconsciente ou chakras, que suponho já tenham sido bastante abordados na série. Também é mais um que usa os elementos, água, fogo, vento e terra, neste caso é rocha, como o principio maniqueísta de caracterização dos protagonistas. Felizmente também introduz variantes, o que torna a série interessante. Outro grande ponto de interesse é eles seguirem técnicas de combate dos samurais, portanto com katanas, e o contexto da era Meiji (entretanto li algures que é era Taisho - 1912-1926), que torna o guarda-roupa automaticamente interessante, com muitos kimonos e semelhantes, com combinações de cores e padrões algo incomuns no anime.

É óbvio que muitas das temáticas são baseadas no folclore sobrenatural nipónico e no kaidan. É principalmente por isso que agora quero ver a série e ler a manga. Isso e o facto de o filme ser bem construído, mesmo que dois terços sejam combates. E o raio dos vilões têm a mania dos discursos wagnerianos, não se calam, rais'parta!

Tecnicamente, o filme é soberbo, gosto da imagem geral, dos cenários, de se passar sobretudo à noite (por motivos da narrativa) e, estranhamente, acho que o character design fofinho se integra muito bem nos cenários mais realistas. A paleta de cores foca-se em cores de pedras preciosas e a animação é muito boa. Não gostei muito do character design dos demónios, têm detalhes interessantes, como as íris, mas no geral acho-os demasiado complicadinhos. A animação 3D é demasiado 3D, isto é, não se funde inteiramente com a restante animação. As cenas de luta e invocação das técnicas são muito bem coreografadas, uma pessoa não fica perdida, e as técnicas são mesmo bonitas. A grande melhoria no anime dos anos 2000 em diante, é que já não se vê animação inconsistente e mesmo as séries de baixo orçamento são muito bem feitas. Portanto, é redundante ainda falar na qualidade da animação. 

Porque será que quando vejo a maioria dos shounens, parece que estou num jogo de combate, tipo street fighter? Dragon Ball Z é assim, Naruto é assim, Saint Seiya é assim. Basicamente os protagonistas vão saltando de luta em luta, fazendo pequenos upgrades a cada vitória. 

Kimetsu no Yaiba: Mugen Ressha Hen é um filme simpático, que certamente irá agradar mais aos fãs, mas que se vê muito bem independentemente disso.

劇場版「鬼滅の刃」 無限列車編

 


10.6.21

Koi Suru Vampire

Há alguns anos, um amigo meu andava à procura deste filme, sem o encontrar e, entusiasmada pela estética "vampire pink" do cartaz, fui à caça. Mas nos sítios habituais da candonga, não encontrava rigorosamente nada, menos ainda com legendas em inglês (o meu amigo não fala japonês). Até que, num último recurso, fui ver ao YouTube. Encontrei duas versões do filme, uma em japonês (e tailandês), com qualidade decente, e outra, com legendas em inglês, de que eu afinal precisava, pois não percebo patavina de tailandês, mas com uma musiqueta de fundo, baixinho, calculo para se esquivarem à censura youtubica, que às vezes chateia, outras nem por isso. Deixo os dois links no fim do post.

O filme é uma historieta romântica de uma vampira, Kiira, que se apaixona por um mortal, Tetsu. Já se percebeu o conflito... Depois de conhecer o seu mortal, Kiira sofre uma desgraça na família, que faz com que vá viver com a tia jeitosa, na prosaica Yokohama, e ajudar na padaria da família, vampira, Ban Panya (um trocadilho à japonesa, o nome da família é Ban e "panya" significa padaria, tudo junto dá, foneticamente, "vampire"). Ela vive feliz a sua vidinha de pasteleira, mas volta a cruzar-se com o seu amor, ao mesmo tempo que a tragédia do passado também a alcança. Naturalmente, como o bom shoujo romântico que é, termina tudo na paz dos anjos.

O filme usa alguns dos cânones clássicos da mitologia dos vampiros, o morder, a sede de sangue, o viver para sempre e não envelhecer, detestar alho e prata e pouco mais. Ignora outros, como andar à luz do dia, crucifixos, não me lembro se se vêem ao espelho ou não, e mais umas quantas. Depois introduz o amor romântico, as tradições de família e vampíricas, a música pop, as amizades, tudo envolvido pelo tema da pastelaria kawaii.

O filme é morno, estava à espera de ser mais kitsch e de me divertir com isso, mas mesmo assim é engraçado. Adorei os trocadilhos com os nomes: Ban Kiira = VanKiller; Ban Panya = VanPire; etc. e do amor dela ser músico aspirante. A história de Kiira é clássica, mas contada sem muito dramatismo, apesar da tentativa na narração inicial, com grafismos góticos e da iluminação e décor gótico da mansão da sua família. Mas a coisa não deixa de ser morna o que torna tudo levezinho demais. Gostava de ver ou melhor dramatismo, ou uma encenação num tom de comédia camp ou kitsch.

E depois há aquele estilo interpretativo dos actores japoneses, cheios de maneirismos do kabuki, que para os japoneses é capaz de passar despercebido, mas que a nós, ocidentais, causa sempre estranheza. Mas, nas poucas cenas mais dramáticas do filme, eles mudam de registo e revelam-se actores decentes, capazes de interpretações dramáticas e com emoção e empatia.

Fora a sequência inicial, na mansão "gótica" dos Ban e um ou outro efeito ao longo do filme, há muito pouco de fantástico, menos ainda de terror, para um filme com "Vampire" no título. Mesmo assim, já não via um dorama há bastante tempo, soube bem, mas também soube a pouco.

Koi Suru Vampire  Vampire in Love 2015 Engsub (a tal versão com a musiqueta)

恋する•バンパイア Vampire in Love 2015 (o original)

恋する•ヴァンパイア

3.5.21

Roupa de Eva na Bershka

Encontrar roupa com desenhos tirados de anime e manga, oficial, legal, etc, era quase impossível há uns anos, só se encontravam coisas nos eventos e aí era quase tudo de Dragon Ball, Naruto ou Bleach. Mas nos últimos 2, 3 anos, a coisa tem mudado e cada vez mais cadeias de lojas começam a apostar em roupa de anime ou manga, estando entre elas a Primark, a Mó, a Pull & Bear e a Bershka. 

Quarta-feira passada fui a uma loja da Bershka para comprar umas sandálias (comprei). Já depois de pagar, reparei num expositor cheio de coisas de Evangelion, que é uma série de anime que faz parte da minha vida praticamente desde que foi lançada. Misato tem sido o meu nick também desde então. 

Fui directamente ao expositor ver as peças, mas infelizmente rapidamente constatei que, fora umas mangas, um fato de banho e uma camisa tipo havaiana, era tudo tão banal! Numa série com uma imagética tão forte e uma arte gráfica com um potencial gigantesco, foi uma bela decepção. O lado positivo? Não gastei dinheiro. Fora a minha queixa habitual de que, para variar, nunca há Misatos (nem nos artigos japoneses 😭😭😭), limitaram-se a ir buscar as imagens mais vistas de Eva, nomeadamente a Rei, algumas da Asuka e do Shinji e o EVA-01 e nem se esforçaram minimamente, estamparam uns rectângulos sobre t-shirts brancas ou pretas e já está. Nem um Kaworuzinho, ou uma Mari, para amostra.

Por isso hoje fui "passear" à Eva Store, uma loja online, dedicada a artigos só da série Evangelion, que está aberta há vários anos. Não querendo ser injusta, fui só ver a secção de roupa, onde há de tudo: desde artigos subtis, como gravatas ou t-shirts, onde os gráficos da série são integrados de forma discreta, a artigos de cosplay, como os ganchos da Asuka e da Rei, ou o uniforme base da Nerv. 

Os designs também variam muito, desde ir buscar directamente elementos da série, como os títulos, ou as cores dos EVAs, até designs com um ar retro, como sukajans (blusões retro em cetim, com desenhos bordados, de inspiração americana) ou t-shirts com ilustrações com um estilo anos 50. Do mesmo modo, há várias colaborações com diversas marcas, mas todos mantêm uma coerência de cores e elementos. Junto algumas imagens de artigos à venda na Eva Store a que acho piada e que têm designs criativos.

Desde o ano passado, com o lançamento da colecção da Sailormoon, não resisti, comprei o hoodie da Black Lady, ainda no meio de peças com ilustrações "estilo manga", que a Bershka parece que descobriu o mercado do merchandise ligado a anime. Também já teve coisas giras de Pokémon, o hoodie amarelo com a Faye de Cowboy Bebop (queria, mas o orçamento anda curto!), e agora Evangelion... espero que continuem a ter este tipo de peças, até porque a qualidade da Bershka está melhorzinha, o meu hoodie tem boa qualidade, a estampa é de boa qualidade, mas invistam em designers, e justifiquem os preços, por favor! Conseguiram com Sailormoon, conseguiram com Cowboy Bebop, também deviam conseguir com Evangelion.

Evangelion na Bershka

Eva Store 

2.5.21

Ando a ver: Naruto Shippuden

Andava sem nada para ver ao pequeno almoço e o anime cada vez mais escasseia nos canais de TV, quando me lembrei que estava a dar Naruto Shippuden na SIC Radical. Já tinha desistido de Naruto quando começou a engonhar, ainda antes de Shippuuden, mas resolvi dar-lhe outra oportunidade.

Infelizmente não foi assim tão simples. O primeiro choque foi estar dobrado em português. Lembro-me claramente de ouvir o Naruto a dizer os seus clássicos "~dayo" e de certos nomes definitivamente em japonês. Não sou 100% contra as dobragens, mas prefiro sempre legendado, sobretudo quando se trata de uma série demasiado "pesada" para passar num canal generalista de manhã, que ainda por cima passa num canal como a SIC Radical, canal para adultos, ou jovens adultos, onde o argumento de ter de ser dobrado para a compreensão das criancinhas não se justifica. Mas adiante. A outra crítica é que a SIC Radical não cumpre horários e tem sido raro conseguir ver episódios inteiros (gravados na box). Ou vejo o finzinho, ou perco o início (menos mau) ou nem gravo o episódio. 30 a 40 minutos de desfasamento é demasiado e a culpa é inteiramente da SIC Radical que não cumpre os horários que envia às operadoras.

Isto tudo torna-se ainda mais complicado numa série que deixou de ser linear, tem imensas personagens, imensas narrativas paralelas, alternativas ou em flashback, e resolveu contar tudo tintim por tintim. A história evoluiu, apesar de ainda engonhar bastante. Quando comecei a ver, na temporada 8 ou 9, nos parâmetros da SIC Radical, estavam todos envolvidos numa batalha interminável, com várias frentes, onde eu não estava a pescar grande coisa. Mas lá fui preenchendo os buracos, de alguma coisa serve o engonhanço, e a batalha já terminou e a guerra aparentemente ganha. SPOILERS: tudo remonta à pré história daquele mundo, e a guerras entre deuses.

Mas Naruto Shippuden tem qualidades, uma delas é ir beber à mitologia animista japonesa e, de certa forma recontar essa história nos parâmetros do "ninjutsu" daquele mundo. Naruto está menos idiota, Sasuke menos pedante, a Sakura menos ingénua e, no geral todos estão mais interessantes. Continuo a ter como preferidos o Itachi, o Kakashi, o Iruka-sensei, o Jiraya, o Rock Lee, o Neji, o Shino, o Gaara, a Tsunade, acrescentei os pais de Naruto, o tipo do polvo (o nome fugiu-me), o Primeiro Hokage e mais uns quantos, que foram agora novidade. Agora que cheguei a uma parte onde aparentemente o Naruto e o Sasuke finalmente se reconciliaram, resolvi finalmente postar.

Em vez de deixar de engonhar, Shippuden complicou mais ainda a narrativa, recontou parte da história que tinha visto em Naruto, mas com os pais dele vivos e basicamente explicou a coisa. Como há sempre algo mais para esticar, sei que ainda tenho uma série de episódios pela frente, mas a narrativa principal está esclarecida. Gostava de ter visto tudo, no meio dos episódios que a box não gravou, estava a história da origem do Gaara, que continuo sem saber. Snif... Mas também não tenho paciência para rever tudo. Se quando chegar ao fim a SIC Radical recomeçar, talvez tente rever.

Séries muito longas têm esse defeito, acabo por só ver parte, perco episódios pelo meio e acabo por não perceber bem a história. Não gosto o suficiente de Naruto para ficar realmente com pena, mas a história, engonhanço à parte, até é interessante e as personagens são bem construídas.

N A R U T O ーナルトー疾風伝

SIC Radical 


22.6.20

Terminei de ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal Season III

Ufa, demorou, mas foi! Esta Season III, ou seja, Sailormoon S, na série antiga, ou o arco Death Busters, na manga, custou muito menos ver que Sailor Moon Crystal.

Esta temporada continuou a seguir de perto a narrativa da manga, mas conseguiu enfiar mais emoção na história e teve uma realização muito mais dinâmica. Mas também é a minha fase preferida de toda a Sailormoon: a revelação das outer senshi, o drama sinistro em redor de Hotaru, o facto das quatro serem personagens intrigantes e multifacetadas, ajuda. Continuo a prferir o character design da série antiga, aliás sempre o preferi aos desenhos da Naoko Takeuchi, que pecam muito pela inconsistência. Mas enquanto essa inconsistência em papel não perturba muito, e ela estrutura bem de forma dramática a narrativa, em animação não devia existir, fica esquisito.
Também tenho a destacar o excelente desempenho das actrizes de voz, começando pela minha querida Mitsuishi Kotono, mas destacando as outer senshi, mesmo sentindo falta da voz de Megumi Ogata como Haruka, Hotaru e principalmente Chibi-usa, que conseguiu tornar a personagem muito mais interessante. Por vezes fez-me lembrar a voz da Sakura, em Card Captor Sakura, é um estilo diferente de dar a voz, que nos anos 90 não se usava. E a Michiru/Sailor Neptune, continua a ser a minha guerreira preferida, pena que este formato lhe tira dimensão como personagem.

Mas tenho de deixar o meu elogio final ao engraçadíssimo e genial terceiro genérico final no masculino: "Eien Dake ga Futari o Kakeru", com direito a fanservice de Mamoru para compensar todos os genéricos anteriores.

No geral soube bem voltar ao universo de Sailormoon, mesmo que algo estivesse um bocado engasgado nas temporadas anteriores e o meu interesse não ser o mesmo. Não sei se terá sido porque vi a série aos bochechos, se é porque estou mais velha, ou porque este modelo de produção moderno de anime não me cativa. Talvez seja uma combinação dos três. Gostava que os dois arcos que faltam tivessem o mesmo tratamento, mas parece que não. Parece que vem aí um filme, provavelmente a cobrir o arco Dead Moon, mas foi adiado por causa do covido. Espero estar atenta quando aparecer e que já agora também façam algo para cobrir o arco Galaxia.

18.6.20

Comecer a ver: Mahou Shoujo Chukana Paipai

Há uns meses esbarrei com um canal de tokusatsu da Toei no YouTube, e naturalmente subscrevi, mas não vi nenhum vídeo. Depois de perceber que não tem só supersentai (que adoro), mas também tem séries mahou shoujo. Resolvi começar pelo meu primeiro amor, com Mahou Shoujo Chukana Paipai.

Logo no primeiro episódio, as comparações com anime shoujo da época, concretamente Aishite Night, surgiram imediatamente, o que me deixou deliciada. Esta série é quase visualmente um dorama de Aishite Night, onde a banda de música é trocada pelos superpoderes e a intriga típica de mahou shoujo. Onde isso é mais evidente é no genérico final, que é extremamente semelhante ao genérico final de Aishite Night, com a protagonista em vários quadros do dia a dia: à secretária, a ouvir música num pufe, a dançar, pensativa, a piscar o olho para a câmara, etc. Até um gato ela tem, só não é gordo e amarelo como o Juliano. As semelhanças não ficam aqui, o guarda roupa é praticamente o mesmo, até ao avental! Tendo em conta que a série é de 1989 e que aquelas roupas eram moda na Europa em 1983-5, volto a notar como a moda popular nos anos 80 e 90 no Japão era bastante atrasada.
Já a intriga é a típica de um mahou shoujo: uma princesa com poderes mágicos é exilada na Terra, em Tóquio, onde tenta viver uma vida comum, combatendo monstros ou vilões do seu mundo nas horas vagas, com direito a varinha mágica e tudo, muito Minky Momo, e às escondidas da "família". Paipai arranja um "emprego" de mãe substituta dos 3 filhos de um pseudo arqueólogo, directamente inspirado em Indiana Jones, com direito a música e tudo. A imagética do reino mágico é de inspiração chinesa, o que me leva às CLAMP, que são das autoras que mais usam essa estética e que estavam em início de carreira em 89.
A história da fuga de Paipai é das mais idiotas que já vi, o vilão, uma versão barata do Ming de Flash Gordon, quer casar com ela, que tem uma paixão de infância, o Raymondo! O vilão transforma Raymondo numa tijela de ramen, isso, leram bem, uma TIJELA DE RAMEN(!), que sai a flutuar, mas para trás e com Paipai, fica o seu naruto. HAHAHAHA! Não consigo parar de rir disto! x'D "Raymondo!" Pobre Paipai, tem de ir em busca de uma tijela de ramen sem naruto! x'D
Os três rapazes são os típicos rapazes criados sem uma presença feminina, o mais velho o mais melancólico, o do meio o mais brincalhão e o mais novo o mais traquinas e carente. Paipai nem sempre lida com as traquinices dos miúdos da melhor maneira e tem na Terra uma antagonista na tia mandona e egoísta, que quer tomar conta dos miúdos por interesse.

É engraçado ver as claras influências ocidentais, mas só os japoneses para misturar Indiana Jones com Flash Gordon, num contexto do quotidiano japonês.
Uma pequena busca por uma imagem para este post, diz-me que esta série foi criada por Shotaro Ishinomori, o mesmo da maravilhosa Cyborg009! Também vejo muito de Go Nagai na série, mas é normal, eram todos "colegas", provavelmente eram amigos, e Go Nagai também trabalhou em tokusatsus e de certa forma criou o mahou shoujo na sua forma clássica.

Adoro este tipo de séries e histórias, é verdade que são muito kitsch, e é muito por isso que gosto delas, mas também são tão divertidas! Ao contrário da maioria das séries actuais, não se levam demasiado a sério, não são forçadas e não tentam agradar ao espectador ou a estatísticas que só costumam levar a produtos desinteressantes.
As interpretações, embora com bastantes maneirismos típicos dos actores japoneses de televisão, são surpreendentemente boas, mesmo dentro dos doramas. Os efeitos especiais são rudimentares e muito simples, mas usados de modo inteligente e complementam, não distraem.

Como irá Paipai encontrar Raymondo? E em que estado? Que raio de ideia um vilão transformar o rival num produto perecível e difícil de conservar? x'D

14.4.20

Ando a ver: Pretty Guardian Sailor Moon Crystal Season III

A quarentena serviu-me de alguma coisa: comprar um cabo HDMi para ligar o PC à TV e ver as coisas em ecrã grande e disciplinar-me a ver as séries que tenho cá por casa. O facto de algumas das séries que via na TV terem terminado, também ajudou que tivesse algum tempo extra para ver mais coisas penduradas. E o que anda mesmo muito pendurado são os animes, por isso resolvi também ver pelo menos um episódio por noite. Em tanta coisa que tenho pendurada, por onde começar? Ainda hesitei entre Michiko to Hatchin ou Gankutsuou, mas resolvi ir para aquela que foi o abandono mais criminoso de todos: Sailor Moon Crystal.

Finalmente terminei a saga da Black Moon, perdi a conta às vezes que vi o episódio 22, nas várias tentativas de retomar a série, mas estava difícil! O rescaldo das duas primeiras sagas de Crystal é um grande "porquê?". Porquê aquelas transformações num 3D manhoso, porquê um argumento pouco empolgante, quando o material de origem foi seguido quase à risca e foi completamente empolgante na primeira, segunda e terceira leituras? Porquê a Black Lady não tem pathos nenhum? Porquê as personagens parecem vazias? Se dependesse da Crystal, Sailormoon nunca seria um dos meus animes preferidos, seria daquelas séries que eu vejo para nunca mais pensar nela. Porquê?

Mas... Alguém lá em cima na hierarquia da Toei estava atento, e só pelo primeiro episódio de PGSMC-SIII, já deu para ver que o entusiasmo por esta série vai ser completmente diferente. Levou um valente upgrade!
Sailormoon S, na série antiga, é a minha temporada preferida e a Michiru/Sailor Neptune, a minha guerreira favorita. Mas como a Black Lady é talvez a minha vilã preferida de Sailormoon e não lhe achei graça nenhuma em Crystal, apesar de me dizerem que melhorou bastante com as Death Busters e as Witches 5, não fiquei convencida.

O que melhorou:
Começa com ambos os genéricos, em que as duas canções são muito mais bonitas, menos Sailormoon mas mais bonitas. A do genérico final até tem, pela primeiríssima vez, uma voz masculina! O genérico final, para além de lindíssimo, não esconde nada: Haruka e Michiru são um casal.
As transformações deixaram de ser no tal 3D manhoso, são muito parecidas com as de Sailormoon S, mas não tão bonitas, acho o character design e a animação estanhos. Mas face às anteriores, aceito e não refilo!
Não gosto tanto do character design da Haruka e da Michiru, mas como os das outras meninas melhorou, também não me queixo.
Gosto de o Pharaoh 90 aparecer logo de início e basicamente respeitarem o modo como a história é contada na manga.

Pela primeira vez Sailor Moon Crystal deixou-me empolgada para ver o próximo episódio! É caso para dizer: Finalmente!

アニメ:美少女戦士セーラームーン20周年プロジェクト公式サイト


6.8.19

Mary to Majou no Hana

Já devia ter escrito isto há meses, mas conheço bem este filme, pois a tradução para português é minha. Mary e a Flor da Feiticeira, estreou nas salas portuguesas, o que é raro num anime que não seja Ghibli. Infelizmente na maioria das salas apenas foi exibida a versão dobrada em português e não esteve muito tempo em cartaz.

Mary to Majou no Hana é o primeiro filme do Studio Ponoc, criado por ex-animadores do Studio Ghibli. Em Mary isso é evidente, tanto no estilo visual e character design, como no tipo de história escolhida. Mary é a adaptação do conto The Little Broomstick, por Mary Stuart.

Todo o contexto e cenários do "mundo real" em Mary é bastante britânico, com casas de tijolo vermelho, erva verde, muros de pedra e ovelhas a balir. Já o "mundo mágico" tem uma paisagem muito ghibliesca, fazendo lembrar muito Arrietty, mas como grande parte da equipa deste filme saiu da Ghibli, se acontecesse o contrário é que seria de estranhar. O filme é muito bonito, cenários impecavelmente detalhados, uma paleta de cores muito rica, e o mundo mágico é um arco-íris de criaturas e edifícios, qualquer coisa entre o realismo mágico da América Latina e o Steampunk, um Steampunk colorido.

Gostei muito da história, mas achei muito estruturada em episódios, cada acto parece uma narrativa fechada dentro de um arco maior. Esses actos são separados muito claramente: Prólogo com Charlotte jovem; Acto 1, a chegada de Mary a Red Mansion; Acto 2, à descoberta do mundo mágico; Acto 3, salvar Peter e os animais; Acto 4, recontar o passado e conclusão. Cada acto passa-se maioritariamente num cenário diferente, e cada transição envolve uma viagem na pequena vassoura. As personagens são bem desnvolvidas e gosto de não ser desvendada imediatamente a identidade de Charlotte. Mas as reviravoltas entre actos podem ser confusas e cansativas para um público infantil, notei isso na antestreia, na impaciência de alguns miúdos mais pequenos.

Mary to Majou no Hana tem uma banda sonora maravilhosa! Não me refiro propriamente à música, mas também, mas o modo como está construída, da conjugação da melodia, diálogos e efeitos sonoros e como suporta de forma maravilhosa a acção. É raro gostar tanto de uma banda sonora ao ponto de me deixar conduzir por ela num filme, foi isto que me aconteceu com Mary, mesmo tendo que rever o filme várias vezes por causa do trabalho.

Traduzi ambas as versões, legendas e dobragem, mas houve uma adaptação pela equipa de dobragem. Fora a eventualidade de certas frases não darem muito jeito, ou de algum modo não saírem bem aos actores, como espectadora e como tradutora, questiono opções como aportuguesar nomes. Se quando era miúda e não sabia línguas estrangeiras, ter nomes estrangeiros em personagens não me fazia confusão, pelo contrário, gostava de aprender nomes diferentes, hoje em dia, com o banho constante de internet que os miúdos apanham, menos ainda percebo o porquê de o fazerem. Deve ser o mesmo tipo de pensamento condicionado que acha que "desenhos animados são para crianças". Mas enfim, são opções. Seja como for, adorei traduzir este filme e agradeço muito à Outsider a oportunidade. Esperemos que venham mais, até porque quero ver mais anime no grande ecrã!

『メアリと魔女の花』公式サイト
MARY E A FLOR DA FEITICEIRA (Junho 2019)

3.8.19

Comecei a ver: Boku no Hero Academia

Shounen não é a minha cena, mas de vez em quando gosto de ver, em geral a série da moda, quando passa na TV. Ora, a série da moda, em Julho de 2019, é Boku no Hero Academia [A Minha Academia de Heróis].

Estou a ver a versão dobrada, vou já despachar o assunto:
Basicamente os portugueses estão deveras melhores nas dobragens, não tenho notado grandes disparates nas traduções (mesmo quando não se ouve o original, percebe-se quando as coisas estão mal traduzidas - sobretudo se se conhece a língua de origem), as interpretações, escolha de elenco e mesmo as vozes estão mais trabalhadas, com menos exagero e nota-se um verdadeiro empenho em fazer um trabalho sério e bem feito. No passado houve quem achasse imensa piada às graçolas de Dragon Ball Z, mas era humor barato e que desvirtuava a obra original, que tem imensa piada por si só. Dito isto, se não são "aquelas" séries que sei que vou gostar, ou se vejo mais por desporto, e isto vale tanto para shounen - onde acontece com maior frequência -, como para shoujo e outras demografias que vejo mais vezes. Se vejo "porque está a dar", não me importo muito de não ter as vozes originais, se mais tarde gostar muito da série, faço um esforço para tentar ver o original. Se não, fico-me pelas nossas dobragens, pois já não me dão vontade de atirar a tigela dos flocos à televisão.

Boku no Hero Academia é mais um daqueles shounens de grupo, com um elenco algo vasto, que leva uma série de episódios a introduzir, em geral com qualidades mais ou menos maniqueístas. Não há aqui grande novidade. A história do protagonista, Midoriya Izuku, é gira, o típico underdog que se desenrasca melhor que os outros, pois usa o raciocínio, a estratégia e é verdadeiramente corajoso, que tem o mérito reconhecido através do seu professor-mentor Allmight. Até aqui nada de especial. O que faz com que se destaque é, como diz o título, a narrativa passar-se no ambiente de uma escola de super heróis (mutantes). O autor tentou dar-lhes um ar diferente, grotesco, mas no conjunto acho que não funciona. Há 2 ou 3 designs que funcionam bem, mas os outros são um bocado WTF? O Watsuki, em Kenshin, resolveu isso muito melhor, pois atrasou a introdução das personagens mais grotescas o mais que pode e os designs são interessantes. Em One Piece isso é levado ao exagero, mas com um character design genial e com imenso sentido de humor. Compreendo perfeitamente que haja tantos cosplayers de One Piece, aquilo é um desfile maravilhoso de potenciais fatos!

E o que se passa com as temporadas que parecem incompletas? Já no último post queixei-me de Card Captor Sakura: Clear Card, e BnHA mal tinha introduzido os protagonistas e amigos, começam a acontecer coisas e BUM! 'bora lá acabar a temporada aqui. sem mais nem menos! Verificando o site oficial, são 63, sessenta e três, episódios! Detesto quando os canais de TV fazem estas divisões em temporadas a séries que só têm uma temporada, só para encaixar nos seus formatos. Só mesmo um fã ferrenho é que não fica baralhado! Quando regressar, intenciono continuar a ver, mas se começar a engonhar, como Naruto engonhou, páro. Para já, gostei muito do Allmight, do Izuku e da Tsuyu, ah e do Aizawa-sensei. Veremos onde vai dar...

TVアニメ『僕のヒーローアカデミア』
 
 BIGGS

9.7.19

Terminei de ver: Card Captor Sakura - Clear Card Hen


Acho que escapou-me algo, deve haver uma segunda temporada de Clear Card nos planos, pois o final é demasiado em aberto, parece que a história ficou a meio. Em todo o caso, espero que sim.

Como ainda não li a manga, a narrativa de Clear Card foi uma novidade completa. No geral gostei, mas achei morna, comparando com a série original. Apesar de haver alguns desenvolvimentos na narrativa principal, e "desvios" giros, como a visita de Meilin, a grande maioria dos episódios era a fórmula do costume, Sakura faz alguma coisa ou vai a algum lugar, Sakura sente uma carta, Sakura apanha carta. O pior não é isso, sobretudo se cada captura de carta for acompanhada por um figurino novo da Tomoyo, estamos bem, o pior foi a narrativa do trio Akiho, Kaito e Momo, que custou a desenvolver-se e não tem resolução na série. Aliás, basicamente terminou no clímax. Também achei que a maioria dos episódios espelhava de algum modo os episódios mais memoráveis da primeira série, e não é para isso que cá estou. Quero coisas novas, senhoras CLAMP!



Adorei a passagem da pureza do cristal do primeiro genérico, Clear, para a paixão das rosas vermelhas no segundo, Rocket Beat. Também adorei o vestido vermelho! Pensei que isto auspiciava algum desenvolvimento na relação Sakura-Shaoran. Realmente houve desenvolvimento, mas, como o resto da série, soube a pouco.

Com isto, espero mesmo que a Madhouse produza uma nova temporada, ou filme, ou filmes, que contem o resto da história, porque esta série não me convenceu, mesmo com os valores de produção altos.

クリアカード編 -カードキャプターさくら公式サイト-

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