23.3.24

Ando a ver: Hana no Ko Lunlun


A meio da série, concretamente ao episódio 24, a flor-chave mágica de Lunlun leva um upgrade, passa de uma margarida simples, com cinco pétalas, para uma flor anónima tipo malmequer, cor-de-rosa e com mais pétalas. Os poderes também levam um upgrade, para além de transformar a roupa de Lunlun no que ela desejar, dá-lhe capacidades técnicas associadas ao traje escolhido. Com isto, Lunlun passa a encarnar mais profissões úteis, alpinista, piloto, etc., que na primeira metade da série. Mas o upgrade vem com um senão, tem um tempo útil relativamente curto e no talo tem uma bolinha que serve de interruptor e a avisa quando o tempo está prestes a esgotar-se.

Também foi mais ou menos a meio que Hana no Ko Lunlun começou a aborrecer-me. As histórias de cada episódio são sempre muito parecidas, alguém que é egoísta ou age de forma menos própria, cruza-se com Lunlun e redime-se com a ajuda dela. O arco de Lunlun pouco se tem desenvolvido, as histórias, para além de repetitivas, são pouco empolgantes, embora incluam actos empolgantes, como escalar uma montanha, andar num dirigível, ou encontrar um cientista louco. Togenishia e Yabouki são vilões muito fracos e, se objectivo deles é ficar com a flor arco-íris, muitas vezes as suas acções são mais prejudiciais à busca de Lunlun que o contrário. A eventual relação amorosa entre Lunlun e Serge, que aparece sempre no fim para ajudar, qual Tuxedo Kamen, também não desenvolve e só há um ou dois episódios em que ambos realmente convivem até agora. A única coisa interessante que fica são os locais visitados, a maioria reais, mas muitas vezes genéricos, estilo Sul de França, Zona dos Lagos, campo, etc., muito provavelmente para encher chouriços. Às vezes os locais existem, como o castelo Neuschwanstein, na Alemanha, mas não são identificados como tal, para fins narrativos. No caso de Neuschwanstein, a história passa-se dentro do castelo, que é habitado pelas pessoas que interagem com Lunlun no episódio. Nos anos 70 acho que o castelo já não era habitado, não tenho a certeza se já era um museu visitável, como actualmente. Outra coisa interessante que ficou são as flores e os seus significados no final de cada episódio. 

Tenho registado numa folha Excel cada localidade e flor, por episódio, o que me tem levado a pesquisas engraçadas, por vezes morosas, pelas internetes, a maioria das vezes na Wikipedia, mas também no Google Maps e muitos sites de botânica, para saber o respectivo nome em português. Como seria de prever, muitas flores são mais nativas da Ásia que da Europa (onde se passa a série até agora - acho que vamos ter o Norte de África, pelos títulos) e por vezes tem flores que nem sequer existem na Europa. Mas a maioria cresce na Europa, mesmo que não seja autóctone. Muitas têm nome português porque crescem nas ilhas dos Açores ou Madeira.

Já só me faltam cerca de 15 episódios para terminar e ando a ver 2 de cada vez ao fim de semana para despachar o assunto. Apesar de Lunlun introduzir vários elementos-chave do mahou shoujo, o item que transforma o aspecto, a viagem por uma Europa mais ou menos romântica, não é uma das melhores séries anime de mahou shoujo, o que é uma pena, pois o character design e a produção artística em geral é bastante boa. Mas falo um pouco mais disso no meu post final.




12.2.24

Comecei a ver: Hana no Ko Lunlun

Andava mesmo com desejos de um mahou shoujo old school, pelo que decidi finalmente ver Hana no Ko Lunlun. Este anime passou, se não me engano, há bastantes anos na RTP 2, mas só apanhei um ou dois episódios e, como queria ver a série completa, do princípio ao fim, não insisti em ver.

Bom, fiquei um bocado decepcionada, pois Hana no Ko Lunlun é basicamente uma versão reciclada do meu mahou shoujo preferido, Majokko Meg-chan, mas sem o atrevimento e alguma da gravidade. A única grande diferença é que ela viaja por uma Europa real, enquanto que Meg vive num Japão europeizado, e há um love interest, Serge. Mas o resto, a rival Togenishia, o capanga trapalhão, neste caso um Tanuki, o cão estilo São Bernardo, a gata pespineta, são todos elementos em comum com Meg-chan. Até a premissa é semelhante: Lunlun percorre a Europa em busca da Flor Arco-Íris, para salvar o Reino das Flores e o seu herdeiro, que é óbvio que é Serge, um rapaz que faz o mesmo percurso de Lunlun e a ajuda ocasionalmente. Em Meg-chan, Meg e Non são candidatas ao trono do Reino da Magia e vêm para a Terra aprender acerca dos humanos.

Mas, fora esta reciclagem que infelizmente era bastante comum nos anos 70, Lunlun, apesar de menina boazinha, consegue ser uma personagem interessante e com agência e os acontecimentos com que se depara raramente são bonzinhos. Ela depara-se com muitos defeitos da humanidade, como o egoísmo e a ganância e nem sempre os percalços que lhe acontecem são provocados por Togenishia.

A produção é bastante boa, com um character design consistente e boa animação. Em cada episódio temos uma "transformação" de Lunlun, que, neste caso, o faz através de uma chave-flor que, apontando a uma flor, lhe transforma a roupa no traje necessário para ajudar a resolver algum obstáculo que se lhe tenha deparado. A fórmula também passa por, no final de cada episódio, onde Serge aborda as pessoas que se cruzaram com Lunlun e oferece-lhes sementes de uma flor. Essa flor e o seu significado são apontados no final de cada episódio, o que me tem servido para aprender o nome das flores em japonês. Mas como são flores europeias e, até agora, flores do Sul da Europa, têm quase todas nomes em inglês (katakana) e é fácil encontrar o seu equivalente português.

O que se segue é previsível, Lunlun e Serge irão aproximar-se, mas por alguma razão não podem ficar juntos, Togenishia irá tentar travar Lunlun, as ligações entre os três serão explicadas. Mas as viagens de Lunlun têm sido até agora o mais interessante e tenho a certeza que foram uma grande inspiração para as viagens de Ashita no Nadja. Enquanto Nadja inicia o seu percurso em Inglaterra, Lunlun inicia o seu no Sul de França, segue para Sul pela costa mediterrânica, e, ao episódio 12, o último que vi, ela está em Espanha, mais concretamente na Andaluzia. Como gosto de fazer listas, estou a fazer uma lista dos locais onde Lunlun pára em cada episódio e as respectivas flores. A ver se no final faço um mapa, como fiz nos anos 80 para as Misteriosas Cidades do Ouro (Taiyo no Ko Esteban). Ainda o devo ter algures cá por casa.

Infelizmente tive de interromper o visionamento da série, pois o meu PC resolveu ficar doente, mas quando o recuperar, volto à carga.

花の子ルンルン - 作品ラインナップ - 東映アニメーション



28.1.24

Sukeban Deka

Sukeban Deka é mais um anime que teve uma série de falsas partidas comigo. Até parece parvo, pois são apenas 2 OAVs de 45 minutos, não é propriamente uma série que faça sentido ter sido interrompida tantas vezes. A primeira foi no final dos anos 90, em 98 ou 99, ainda em VHS. Tenho ideia de a K7 ser inclusive uma edição oficial, lembro-me da caixa em cartolina com a capa abaixo. Já não me lembro da origem dessa K7, alguém do meu círculo de pessoas que consumia anime na altura a terá arranjado. Lembro-me de ver parte do primeiro episódio, mas não me lembro de o ver até ao fim, e definitivamente não vi o segundo. Terei adormecido?

Depois arranjei os episódios online e mais uma vez comecei a ver o primeiro episódio, mas só me lembro de ver os primeiros 10, 15 minutos. Por algum motivo misterioso não vi o episódio completo e, mais uma vez, nem sequer peguei no segundo.

Capa do VHS americano(?)

Bom, foi desta. Sempre fui fã das sukeban, desde que soube da sua existência, raparigas delinquentes que surgiram nos anos 60 no Japão urbano, com um dress code específico, normalmente com uniforme escolar de marujo, onde as saias de pregas são mais compridas que o habitual, cabelos pintados, emblemas, etc. Podem ver-se a montar ou scooters ou bicicletas chopper e a fumar. Cometiam pequenas transgressões, como fumar, pequenos furtos, etc. Por isso, apesar de não haver muito acesso a média com e sobre as sukeban no Ocidente, sempre quis ver o pouco que havia, como o filme Kamikaze Girls, onde uma das protagonistas é uma sukeban, por oposição a uma lolita. Ou mesmo as Saitama Crimson Scorpions, em Shin-chan.

Saitama Crimson Scorpions & Shin-chan

Mas vamos a Sukeban Deka. Saki Asamiya é uma delinquente juvenil presa num reformatório, que é chantageada para tornar-se numa detective juvenil e investigar uma série de situações problemáticas na sua antiga escola. Ela acaba por combater as irmãs Mizuchi, envolvidas, junto com o pai, numa rede de corrupção. Pelo caminho Saki faz amigos e passa a encarar a sua nova actividade de detective com outros olhos. Os OAVs terminam aqui, mas a manga continua. Já li a manga até ao ponto em que ficou o anime, por isso algumas comparações fazem sentido, até porque há um intervalo de quase 20 anos entre ambas. A manga é, como habitual, mais detalhada e mais séria, mas os pontos-chave são os mesmos, mesmo quando o anime não resiste em ter momentos de nudez e violência sexual gratuitos, muito populares naquela época de Urotsukidojis e afins. No aspecto da violência em geral, nenhum se coíbe de a mostrar, havendo algum sangue e bastantes mortes.
Saki é uma personagem traumatizada, muito rica e valente, na verdade perfeita para o papel de detective juvenil. As irmãs Mizuchi são cada uma mais perversa que a outra, sendo a mais nova uma falsificadora, a do meio líder de um gangue e muito ganaciosa por dinheiro e a mais velha a traidora que aniquila a própria família. As três são associadas a víboras que inclusive usam como armas. Certas situações são tratadas de modo bastante sério, mas no geral é tudo um bocado empolado.

Esteticamente este anime é perfeito, inclui todos os clichés associados à corrupção no Japão, um político rico e corrupto, uma vilã hiperfeminina, com longos cabelos louros, outra com aspecto tradicional japonês, incluindo cabelos negros e hime-cut (franja e cabelo comprido, com o cabelo em redor da franja cortado pelo queixo, corte popular na era Heian), e a terceira com um aspecto moderno, disfarçada de artista, incluindo a clássica boina à francesa. Saki tem cabelo comprido rosa, dando provavelmente início a uma série de protagonistas fortes e maria-rapaz de cabelo rosa, sendo claramente inspiração directa para Utena. Ela usa o clássico serafuku, uniforme de marujo, mas com algumas peças proibidas nas escolas, como a camisola de gola alta vermelha. A sua arma é um iô-iô quitado pela polícia. Os polícias variam entre o também clássico homem de meia-idade enigmático de óculos escuros e o tipo moderno, de cabelos compridos e roupa estilosa, o mais seventies possível.
A animação é bastante boa, normalmente havia um maior investimento nos OAVs e as personagens não contrastam com os cenários, que é uma daquelas coisas que nunca gostei muito nos animes dos anos 80 ou 90. Nos anos 60 ou 70 havia uma preocupação maior de integrar as personagens nos cenários, mesmo quando o resultado não funcionava. O character design é bonitinho, e consegue ser bastante coerente, mantendo as raparigas um aspecto feminino, ao contrário das séries OAV de Ace o Nerae!, mais ou menos da mesma época, onde as raparigas parecem armários, até a Ochoufujin. As cenas de acção são particularmente bem feitas e uma pessoa não se perde na salganhada gráfica. A história é simples mas interessante, sem grandes buracos ou inconsistências e é bom ver o arco de redenção de Saki a desenvolver-se. Há muita coisa mal explicada ou sem explicação de todo, mas lendo a manga é possível preencher essas lacunas.

Gostei bastante destes OAVs, mesmo descartando a nudez gratuita, que são uma adaptação muito consistente e fiel à manga original. Agora sou capaz de ver algumas das adaptações para dorama, há várias, mas depois de tanta gravidade, no ténis, nas idols, nas escolas secundárias, acho que quero um mahou shoujo para limpar o palato! E até acho que sei o que vou ver!




26.1.24

Oshi no Ko

Neste alternar entre séries que ficaram penduradas e outras novas que, por alguma razão me chamaram a atenção (normalmente é o cosplay), fui parar a Oshi no Ko, pensando que seria bom algo levezinho, sobre idols, depois da gravidade e esforço do ténis.

O choque que foi o primeiro episódio! Para começar, tem cerca de 45 minutos, em vez dos habituais 25. Os seguintes voltam ao formato tradicional. Depois, Oshi no Ko é tudo menos levezinha, mas não é de todo decepcionante. Este anime é um thriller disfarçado de fofinho, aliás, é um seinen, anime para rapazes mais velhos. Eu bem digo que o shoujo infelizmente está em decadência meteórica, para um seinen ir buscar temáticas shoujo e dar-lhes a volta. Mas como há muito que não via um anime assim e o primeiro episódio revelou-se muito bem feito, fiquei muito curiosa.

Cheguei lá através do cosplay, mas antes disso já tinha apanhado profusamente com a canção do genérico. Para além de meio mundo e mais alguém ir buscar a canção para ilustrar posts nas redes sociais, ela é bastante irritante para os meus ouvidos pouco vocacionados para o J-pop. Ainda por cima viveu na minha cabeça sem pagar por uns dias... Mas, sendo o tema principal da série a indústria do entretenimento japonesa, só faz sentido ter temas J-pop a acompanhar. De notar que "Idol", apesar de estridente e um exemplo clássico do J-pop, não é uma canção nada fácil de cantar, para além da letra muito rápida, tem harmonias difíceis, sobretudo para a voz. Esta canção é um primeiro exemplo do quão dura é a vida de uma idol no Japão, um dos temas desta série. 

Outra das coisas que me chamou a atenção para Oshi no Ko foi a produção artística. Começando pela paleta de cores, cheia de rosas, amarelos, turquesas, como convém a qualquer anime com idols, mas em tons bem mais escuros que o habitual (devia ter prestado atenção, é um sinal de que não se trata de um shoujo fofinho), a suposta protagonista tem o cabelo azul escuro, cor normalmente associada às anti heroínas ou rivais, ou marias-rapazes, não às protagonistas, cor que me agrada, e os olhos com brilho de estrelas. A qualidade e nível de detalhe do character design também me surpreendeu, e, tal como a animação é de uma qualidade e coerência muito boas.

Acho que vou levar imenso tempo a habituar-me que houve um salto qualitativo nos valores de produção no anime, muito graças à introdução da pintura e acabamentos por computador, que poupam tempo e elevam a qualidade e coerência. Os computadores permitem a adição mais fácil de padrões e texturas, como por exemplo os olhos ou cabelos em Oshi no Ko.

Infelizmente esta primeira temporada, sim, primeira porque TEM DE HAVER uma continuação, não chega a conclusão nenhuma, apenas acompanha o primeiro sucesso da banda B-Komachi (parte 2), a banda de Ruby, filha secreta de Ai, e irmã gémea de Aqua, o protagonista da história. É verdade que Oshi no Ko só tem 11 episódios, portanto estabelece os protagonistas, os segredos e mistérios, o objectivo (sinistro) de Aqua, mas nem sequer sugere algum tipo de resolução. Portanto tenho de esperar, mas já foi anunciada a segunda temporada.

Gostei bastante desta série, foi uma surpresa, é muito bem produzida, cada episódio está bem estruturado e não há momentos para encher. Sim, terminou num impasse, quero saber o que vai acontecer a Ruby e Aqua, à explicação das suas vidas passadas, mas também às outras personagens que entretanto se juntaram aos gémeos. Espero que se mantenha a sensação de inquietude, de que nem tudo é o que parece que premeia a série, mas também espero por uma resolução convincente. 

【推しの子】



20.1.24

Shin Ultraman

O único filme que vi o ano passado no Indie Lisboa foi o menos provável dentro da programação do festival: Shin Ultraman. Não é comum o Indie Lisboa programar franchises de ficção científica de estúdio, sim, porque a Toho é uns dos maiores estúdios de cinema no Japão, mesmo sendo elas uma repescagem moderna de um formato muito popular outrora, como este Ultraman que, para todos os efeitos, tecnicamente não é um filme independente. 

Quando vi que o mais recente Ultraman iria ser exibido em Portugal, teve inclusive duas sessões, arranjei tempo para ir vê-lo, o que calhou também no último dia do festival. Só estou a fazer este post agora pelas mesmas razões que não fui ver mais nada no Indie de 2023: falta de disponibilidade.

Por vezes estas versões modernas de tokusatsus sofrem dos mesmos problemas dos reboots norte-americanos, excesso de modernização, excesso de polimento ou de sujidade. No entanto, este Shin Ultraman faz uma bela homenagem aos originais de baixo orçamento dos anos 60, mesmo quando a figura do Ultraman é recriada em 3D, mantém o aspecto de homem dentro do fato de borracha que dá o charme aos tokusatsus. Não queremos tokusatsus todos quitados, cheios de CGI, e cenários e humanos hiperrealistas. Queremos sim ver os fatos de borracha, os efeitos simples, explosões de napalm e seres gigantes a destruir o cenário em narrativas simples com um toque militarista. Os tokusatsu, kaiju e supersentai são produto da era pós nuclear e da guerra fria, tal como o James Bond, e foram construídos sobre o engenho dos técnicos e criativos dos estúdios japoneses dos anos 50, 60 e 70, com o propósito de entreter as massas sem se levarem demasiado a sério, mas sempre a passar uma mensagem ecológica e pacifista.

Dentro dos muitos que surgiram, Ultraman foi o primeiro que conheci, através das adaptações para comics norte-americanos, e ainda é o meu preferido. A ideia de um alien que encarna num ser humano e se transforma num gigante muito gigante, para defender a Terra das ameaças extraterrestres, que às vezes são mais terrestres que os humanos (é frequente estarem dormentes debaixo da crosta terrestre ou do oceano, como a Godzilla), sem uma agenda política é, no mínimo, brilhante. A sua incompatibilidade com a sociedade rígida japonesa é uma critica social velada muito interessante.

Shin Ultraman consegue marcar todas estas caixinhas e fazê-lo muitíssimo bem, actualizando mas preservando o estilo dos filmes e séries do séc. XX. A narrativa não difere muito das anteriores, mas o filme está muito bem construído, os actores são convincentes, mesmo para um público ocidental pouco habituado a certos maneirismos nipónicos. O filme é tecnicamente impecável, não cedendo a uma estética moderna. A suspensão da descrença é convincente e não questionamos nunca a estética retro. Isso está bem suportado pelas decisões visuais do grupo de humanos, simples, estilizados, mas realistas, e o grupo paramilitar, os cientistas e a tecnologia são verosímeis q.b. que quando surgem seja o monstro, seja o Ultraman, encaixam nesse universo, que faz a ligação ao espectador. Isto é, os únicos elementos exóticos, são os elementos extraterrestres. Mas este filme tem a mãozinha de Hideaki Anno, o criador do anime Evangelion, que bebe em grande parte das mesmas águas que os tokusatsus.

Por outro lado, a realização é sólida, empolgante, o que resulta num filme divertido que não se fica por agradar ao fã de tokusatsus, mas creio que consegue chegar ao espectador fã de ficção científica médio, com baixa tolerância a monstros em fatos de borracha.

O curioso disto tudo é que o formato kaiju, tokusatsu e supersentai é tão popular no Japão, que nunca deixou de ser produzido e tem evoluído, mantendo as suas características principais. Os filmes modernos tokusatsu já incluem modelação e animação 3D, efeitos visuais em computador, mas mantém a estética retro, a maioria das vezes sem exageros disparatados. Excepto os filmes da Sushi Typhoon, que só recomendo a quem tem tolerância a monstros em fatos de borracha e narrativas completamente surreais e disparatadas.

Termino com uma foto do meu único item de Ultraman, uma luz de presença, que me foi oferecida, vintage, mas provavelmente não oficial, não tem as clássicas marcas de (C). Infelizmente está avariada, a lâmpada original não sobreviveu, gostava de substituí-la por um LED e poder voltar a utilizá-la.

『映画 • 新ウルトラマン』

Indie Lisboa 2023


17.1.24

Shin • Ace o Nerae!

De todas as séries Ace o Nerae! (dorama à parte) Shin • Ace o Nerae! é a mais completa. Ace o Nerae! só conta a primeira parte da história, até Hiromi ter a sua primeira partida de ténis importante. Ace o Nerae! 2 e Ace o Nerae! Final Stage contam a segunda parte da história, mas perdem o foco do ténis, Shin • Ace o Nerae! termina com a ida de Hiromi para um torneio internacional e a morte do treinador Munakata. Um bom momento para rematar a história. 

Comecemos pela parte técnica e artística. Desta vez tanto o character design como os cenários são mais banais, mais de acordo com o que se fazia na época, final dos anos 70. O character design lembra um pouco o do meu herói, Shingo Araki, que trabalhou em vários animes da TMS, mas não neste. Faltam os planos congelados de Osamu Dezaki e a sua realização hiper dramática, mas o resultado é decente. A animação melhorou consideravelmente e a série segue-se com o entusiasmo costumeiro. Até as canções do genérico são mais à moda da época, a do inicial alegre e entusiástica, a do final uma enka romântica, que acompanha ilustrações das personagens principais.

Como tem mais episódios e termina um pouco antes de Final Stage (posterior a esta versão), tem alguns clássicos episódios de encher chouriços, mesmo que tal não seja muito óbvio, não temos um episódio para relembrar o que já passou, como muitas séries às vezes insistem em fazer. Também tem personagens extra, como Saeko Horiki e um bando de australianos,  além dos que aparecem nas outras séries.

O final é o que mais gostei, com Munakata delegando a protecção de Hiromi a Todou, e assim também permitindo que ambos terminem eventualmente juntos. O final de Hiromi fica em aberto, com ela, Todou, Reika, Ranko e afins a caminharem para carreiras de sucesso no ténis internacional, sem dilemas existenciais sobre se se profissionalizam, se estão velhos (com 20 e poucos anos!) para o ténis internacional, etc., etc., etc.

No geral é tudo menos doentio, menos obsessivo e menos outonal. De todas elas acho que Shin foi a série anime de que gostei mais, onde os defeitos maiores das outras ou são minimizados ou desaparecem.

Mas o fim deixa-me algumas questões: o que raio aconteceu a Kiyoko Otowa? Depois de resolvido o bullying a Hiromi, ela desaparece sem deixar rasto, como se os animadores desistissem de a desenhar. Continuo a achar o sistema de pontuação do ténis das coisas mais idiotas num desporto de "duelos". Mas o ténis continua a ser um dos desportos mais apelativos para mim, mesmo que tenha apenas jogado em partidas mais que informais e nunca o tenha levado a sério.

新 • エースをねらえ!



4.1.24

Ace o Nerae! 2 e Ace o Nerae! Final Stage

Juntei As duas séries de OAV Ace o Nerae! 2 e Ace o Nerae! Final Stage porque, como é costume em séries OAV, ambas são curtinhas e basicamente seguem-se sem hiatos.

* AVISO: SPOILERS *

Em Ace o Nerae! 2 ficamos a saber que o treinador Munakata Jin sofre de uma doença terminal e tem pouco tempo de vida. Esse facto é escondido de Hiromi, pois irá competir num importante campeonato em Nova Iorque e querem-na bem disposta para vencer. Hiromi acaba por ficar a saber pouco antes do regresso ao Japão e fica destroçada com a morte de Munakata.

Em termos de produção, avançámos quase duas décadas, até 1988. O estilo visual de ambas as séries sofreu uma actualização e, a meu ver, não para melhor. Já não temos a mão de Osamu Dezaki, apesar de haver algum esforço em alinhar com o estilo dele e temos um character design muito másculo e "cheio de ombros", algo popular no Japão do final da década de 80 (ver os primeiros designs comerciais das CLAMP). A roupa também se tornou largalhona e pouco interessante, os uniformes de ténis tornaram-se mais realistas (incluindo os ténis, com atacadores e tudo!). No geral estas séries são bem produzidas, os OAVs em geral tinham mais meios de produção, mas acho que falham redondamente no argumento.

Em Ace o Nerae! Final Stage, vemos o dilema de os tenistas da série se tornarem ou não profissionais, o que lança essa escolha a Hiromi.

A narrativa de ambas as séries foca-se desta vez muito mais nos dramas pessoais das personagens, na primeira no choque e depressão em que Hiromi entra após a morte de Munakata, nem Ranko, a irmã dele, fica tão mal, e nas tentativas de Daigo, amigo de Munakata, também ex-tenista, em retomar os treinos de Hiromi e torná-la a próxima campeã, a pedido do amigo. Apesar de continuar a haver ténis, já não acompanhamos a jornada de esforço e de ultrapassar os próprios limites físicos de que tanto gosto nos sports anime. Estes OAVs focam-se mais jos dramas pessoais e menos no esforço e, por outro lado, nem sequer o possível romance entre Hiromi e Todo chega a algum lugar.

Não gostei muito destas séries e até foi um bocado penoso aguentar até ao fim. Aliás, até me enganei e comecei por ver Final Stage primeiro, mas depois vi a 2 e todo o dramalhão da morte de Jin.

Entretanto já comecei a ver Shin Ace o Nerae! e a redenção existe!

エースをねらえ!2

エースをねらえ! ファイナルステージ (não existe página dedicada no site da TMS)



31.12.23

Pretty Guardian Sailor Moon Cosmos - the Movie

A semana entre o Natal e o Fim de Ano é a semana em que faço umas mini maratonas de séries ou filmes que tenho em atraso. Há muito que não incluía anime nessas mini maratonas, mas como o mais recente filme de Sailor Moon, que na realidade são dois, foi lançado recentemente em DVD no Japão, calculei que já houvesse cópias por aí e não me enganei.

Estes filmes contam o último arco da manga de Sailormoon, o arco da Shadow Galactica. Tal como as séries Crystal, a história nos filmes é mais colada à manga que a série dos anos 90. Apesar de Sailor Stars ser uma das minhas temporadas preferidas da série original, sempre me irritou focarem-se num pseudo romance entre Usagi e Seiya e não haver uma explicação satisfatória para a existência das Sailors de outros sistemas solares, constelações ou galáxias. Cosmos corrigiu isso e com um argumento bastante coerente e empolgante.

Novamente o character design, cenários e etc. levaram um upgrade, ficando algures entre o character design da manga e do anime dos anos 90. Os cenários levaram uma "lavagem" em tons pastel, muito semelhantes aos cenários antigos. A animação, como seria de esperar num filme produzido para ser visto em sala, está impecável. Aliás, como existem várias situações que requerem uma transformação, não nos massacraram com elas repetidamente, mas na primeira vez mostram as transformações completas (ou uma montagem, no caso dos três grupos (Inner, Outer e Starlights), para depois mostrarem versões remontadas e reduzidas das mesmas.

A grande, chamemos-lhe, homenagem foi recriarem o genérico inicial com Moonlight Densetsu no primeiro filme e o genérico inicial de Sailor Stars com a Sailor Star Song. Confesso que me caiu uma lagriminha nostálgica e sim, cantei ambas.

Os filmes estão divididos entre o estabelecimento da situação e o início da resolução, como se tratasse de dois episódios alargados. Mas ambos os filmes fluem bem, sem a sensação barata de uma série anime longa, com uma boa realização e atenção ao detalhe tanto na montagem como na parte visual.

Chibi-Chibi está ainda mais kawaii e finalmente a Princesa Kakyuu tem o tempo de antena merecido. De parte ficaram alguns gags geniais da série antiga, como a Eternal Sailormoon a partir a loiça com as asas dentro de casa, ou a revelação das identidades a bordo do Boeing 747.

Na narrativa, tentando não fazer spoilers, como disse acima, explica melhor toda a situação, as ligações entre personagens, planetas, constelações e fecha a narrativa de Usagi/Serenity, Mamoru/Endymion e das Guardiãs. Até temos como brinde um vislumbre de Luna, Artemis e Diana nas suas formas humanas. Não eliminaram as Sailors finais, como Sailor Lethe, Mnemosyne, Phi, Chi e Heavy Metal Papillon, como na série anterior. Também gostei muito mais deste Mamoru, que na série antiga pouco passava de um figurante especial. Aqui ele é muito mais carinhoso e presente e temos a cena de sexo (nada explícito) final e a concepção de Chibi-Usa fora do casamento, hehee!

Agora resta saber: será que já vimos tudo o que podia ser feito de Sailormoon? Será que vamos continuar nestas celebrações de aniversários, que aumentam o número redondo a cada 5 anos? Por mim, como fã de Sailormoon que sou, que venha mais! Não, ao fim de 30 anos ainda não me fartei e gostei muito de regressar a este universo, mesmo que este regresso não tenha sido o mais consistente. Ainda prefiro a série dos anos 90, com todos os seus defeitos, pois é extremamente empolgante e viciante, mas apesardo iníciomeio engasgado da drystal, da falta de consistênciadas séries entre si, a partir do arco da Black Moon, redimiram-se e corrigiram os problemas. Um dia destes ponho-me a reler a manga... Ah, e nunca vi os musicais, nenhum deles! Até lá, vou retomar o cosplan de uma das vilãs, que tinha ficado na gaveta há uns 10-15 anos.

美少女戦士セーラームーンCosmos



25.11.23

Ace o Nerae!

Ace o Nerae! é um anime outonal. Até pode passar-se na Primavera, Verão ou Inverno, mas é cheio de cores quentes, laranjas, vermelhos, castanhos. Quase todas as cenas exteriores passam-se ao pôr do sol, o que também contribui para o ambiente outonal.


Mas vamos ao que interessa, uma das minhas introduções ao sports anime, junto com Captain Tsubasa e Attacker You!, e talvez a minha preferida das três. O que gosto nos sports anime é a saga de esforço por que os protagonistas passam, constantemente a tentar ultrapassar os seus limites ao ponto de quase ganharem poderes sobrenaturais. Em Ace o Nerae! os serviços têm nomes como "bullet serve" ou "tornado ball", etc. Tipicamente, sempre que surge uma adversária com uma dessas técnicas muito gráficas, já sabemos que primeiro, Hiromi, a nossa protagonista, vai pensar em desistir, por duvidar das próprias capacidades, depois vai treinar sozinha, fora de horas, para ter algum encontro imediato, amigo ou inimigo, que a faz chegar ao jogo determinada, ganhando alguma vantagem com essa determinação, mas logo a seguir é arrasada ao ponto da exaustão quando, de um olhar do treinador ou outro incentivo para nós insignificante, reúne forças do nada e arrasa o oponente. Naturalmente, cada rival que se segue é mais poderoso e intimidador que o anterior, mas assim Hiromi vai superando cada obstáculo, tornando-se ela uma tenista feroz, capaz de intimidar também o rival mais assustador.

Sim, Ace o Nerae! segue uma fórmula, mas tem mais densidade que isso. Hiromi é uma rapariga simples, por quem ninguém dá nada, que vive um dia a dia banal. Apaixona-se pelo ténis ao ver a elegante Reika Ryuuzaki, a Ochoufujin, ou Madame Butterfly, a jogar. Só quando o recém-chegado treinador Jin Munakata, com uma metodologia singular, a coloca em destaque, é que Hiromi se revela uma tenista com valor próprio. Ao longo da série e ao defrontar as rivais com honestidade, vai fazendo mais amigos que inimigos, mesmo que pelo meio tenha pisado alguns calos.

Para além do percurso emocional intenso de Hiromi e das outras tenistas, cada uma com algum tipo de drama por trás, o que me chamou para esta série, quando a vi a primeira vez, foi o estilo de realização do lendário Osamu Dezaki. Na realidade, não foi Ace o Nerae! que vi há uns anos na RTP 2 ou no Canal Panda ou equivalente. Foi numa época do início da TV Cabo, quando, para além do Panda, havia uma série de canais da América Latina, que passavam muito anime, sobretudo dos anos 70 e 80. O que presumo que vi foi Ace o Nerae! 2, pois lembro-me da mudança de treinador. Mas sobre Ace o Nerae! 2 falarei em breve. Até tenho um post sobre uma tentativa de rever ou ver a série neste blog, mas ficou, como muitas, pendurada por alguma razão. Bom foi desta!

Osamu Dezaki. Um dos grandes realizadores de anime dos anos 70 e 80, que colaborou com frequência com o meu herói Shingo Araki, como character designer, que infelizmente não colaborou nesta série. Mesmo assim, dentro de um estilo muito simplificado e nem sempre o mais consistente, gosto imenso do character design adoptado, bastante próximo da manga. Dezaki é o criador daqueles planos "congelados", cheios de raios à volta, onde o desenho passa a um "estado" mais elaborado, com acabamentos a lápis de cor ou aguarela,  para reforçar algum momento chave do episódio ou da série. Li algures há muitos anos que Dezaki inventou este método por via da necessidade, já que animar um plano ou cena completa de forma mais dramática levava muito tempo e saía mais caro. Assim destaca-se esse momento, por exemplo a primeira vez que vemos Ochoufujin, onde é destacada a sua beleza e elegância no tratamento manual e texturado do seu plano congelado. Também gosto como o desenho é reduzido ao mais importante, representando o público ou os figurantes por um contorno pintado a aguarela, às vezes sem face, ou apenas os olhos vazados. Os olhos vazados são outra característica estética do anime shoujo dos anos 70 que adoro, apetece fazer print screens e imprimir em t-shirts!

Como disse acima, a série segue as provações de Hiromi para progredir no ténis, nas mãos do seu Oni Coach (Treinador Demónio), durante o ensino secundário. É uma série empolgante, sobre um desporto interessante e apelativo, com uma protagonista que faz a ligação ao espectador na sua simplicidade banal. Fora Hiromi e Jin Munakata, um homem de vinte e tal anos, rígido e enigmático, pouco ficamos a saber das outras personagens, fora a sua respectiva paixão pelo ténis e, no caso de Todo, por Hiromi também. Mesmo assim, nunca vemos nem ouvimos os pais de Hiromi e o máximo que vemos da sua casa é o quarto e o ofuro (banheira). Até vemos mais da casa de Reika. Hiromi tem um gato preto, Goemon, que parece um cão e que é muito mal tratado, como se fosse um boneco de peluche, coitadinho! É curioso perceber que Hiromi, um bocado maria-rapaz, desperta a inveja das raparigas, mas atrai os rapazes. Todo é o que mais se aproxima dela, mas Chiba, outro tenista, e Kimura, o repórter da escola, também ficam logo fascinados por Hiromi.

Há pelo menos mais 3 séries, fiquei um bocado confusa, pois pelos vistos há uma que não tenho, Shin Ace o Nerae!, que é um remake, depois Ace o Nerae! 2 e Ace o Nerae! Final Stage, um filme curto, que saiu após o remake, e ainda a série live-action, de que já falei aqui e que adorei. Já estou a ver Ace o Nerae! 2, pelo que haverá um post em breve.

「エースをねらえ」「新 エースをねらえ」

 


9.11.23

Kurage Hime

Era uma vez, há muito, muito tempo, provavelmente quando Kurage Hime foi lançada, e nos primórdios deste blogue, um conhecido, na altura novato destas andanças do anime, falou-me entusiasmado desta série.

Como ainda era uma época em que arranjar certas séries online não era fácil, e porque a minha lista de séries a ver já era longa, ficou o título e a premissa, mas não fiz grande coisa para a arranjar e ver.

Entretanto comecei a ler a scanlation da manga (que quero adquirir porque estou a adorar! - mas já lá vamos) e arranjei a série, com o compromisso de só ver depois de terminar a manga. Bom, não terminei de ler a manga, mas estou bem mais adiantada na narrativa que o anime, e decidi vê-la finalmente agora que voltei a ver anime com regularidade.

Não percebendo bem porquê, tenho sentido o shoujo a entrar em decadência e, salvo umas poucas excepções, como Card Captor Sakura, quase tudo que aparece novo é mais do mesmo. É uma pena, é a minha demografia de eleição na manga e anime, embora também goste de shounen e de outras demografias que já li e vi. No fundo, no fundo, ainda sou uma adolescente na alma e quero que ma alimentem! Esta tendência não é nova, mas Kurage Hime é um verdadeiro shoujo, à antiga! E ainda por cima comédia.

Inclui todos os clichés de uma boa historia de Pigmalião, uma rapariga interessante, mas a precisar de uma recauchutagem, um rapaz sem grande coisa que fazer, que se apaixona e quer recauchutar a rapariga (e outras coisas também, calculo), milionários contra pessoas de classe média, pessoas fashion contra pessoas que mal saem de casa, a tradição contra o progresso, o social contra o antisocial e... alforrecas!

Sempre gostei de alforrecas, embora saiba muito pouco acerca deste animal muito exótico e belo. Tinha todos os ingredientes para me chamar a atenção.

Em cima disto tudo, o character design e gráficos são muito bonitos e detalhados, e ligeiramente fora da norma anónima do costume. A autora tem um estilo muito próprio.


Como disse acima, na manga a história vai muito além do anime. Sem fazer spoilers, como coleccionadora de bonecas Blythe não posso deixar de mencionar que há uma personagem em Kurage Hime que não só tem uma boa colecção de Blythes, como lhes faz o guarda-roupa! Como se não bastasse Kurage Hime ser um shoujo à séria, comédia e com um design super apelativo, ainda tem uma personagem que basicamente sou eu!

Kurage Hime tem dois protagonistas muito apelativos, cheios de qualidades e defeitos, que são muito bem explorados para a comédia. O ritmo é perfeito e as outras personagens complementam muito bem a narrativa no seu exagero.
Com as habitantes da Amamizukan e a família de Kuranosuke, vemos um pouco do lado "otaku" e mais íntimo da política do Japão, satirizado no seu melhor através dos contrastes. É raro ver este tipo de autocrítica ou de satirizar da sociedade moderna japonesa, incluindo o que normalmente é varrido para debaixo do tapete, como pessoas socialmente desajustadas ou segregadas e a corrupção política.
E depois ficamos imediatamente do lado de Kuranosuke e de Tsukimi, queremos salvar a Amamizukan e vê-los a ter sucesso no mundo da moda.
Mas isso terá de ficar para a manga e eventualmente para o dorama, que soube há pouco existir. Tenho de ver!

14.9.23

Terminei de ver: Michiko to Hatchin


Custou, mas foi! Comecei a ver Michiko to Hatchin em 2008, mas interrompi cerca do 8° episódio. Algures durante a pandemia tentei retomar, mas acho que não vi mais que um episódio. Desta vez, nesta tentativa de voltar a ver anime com regularidade, fiz o mesmo que com Sailor Moon Crystal, recomecei do primeiro episódio. 

Tudo o que escrevi no post quando comecei a ver ainda é válido. Michiko to Hatchin é super bem produzido, tem uns gráficos muito bonitos, um character design muito bom, é muito bem animado, tem sequências de acção memoráveis e uma banda sonora meio jazzy, meio bossa nova excelente. E ainda ganha pontos na originalidade de ir buscar um universo inspirado no Brasil, tanto na paisagem como nas personagens, o que torna esta série única no panorama dos animes em geral. Mas, apesar das personagens bem desenvolvidas, com muito sumo e personalidade, cuja história vai sendo contada ao longo da série, a narrativa principal é um bocado confusa e bastante fraca.

O objectivo é Michiko levar Hatchin a Hiroshi Morenos, o pai de Hatchin e antiga paixão de Michiko, supostamente dado como morto antes de Hatchin nascer. Mas as semelhanças entre pai e filha são mais que evidentes e o instinto de Michiko diz-lhe que Hiroshi está vivo, mas fugitivo. Elas próprias fugitivas, do passado e do presente, numa rede de polícias bandidos e agentes duplos, vão sofrendo vários revezes para cumprir o objectivo.
Parece tudo muito simples e directo, excepto que em quase todos os episódios a série perde-se no estilo e acrescenta peripécias que vão se tornando repetitivas e que adiantam pouco à história. Só nos ultimos episódios, quando Hatchin resolve usar a sua agência e esperteza para encontrar Hiroshi, não para encontrar um pai desaparecido, mas porque Michiko ainda gosta muito dele, é que a história finalmente avança para chegar ao final.
O final fecha todas as narrativas em aberto, todas as questões do passado são resolvidas, mesmo que Michiko tenha de deixar Hatchin nas mãos do impassivo Hiroshi.
No último episódio há uma elipse onde vemos uma Hatchin mais velha, mais resolvida, que teve de desenrascar-se sozinha, pois Hiroshi, como pai, apenas o foi no sentido biológico. Hatchin finalmente reencontra Michiko e, juntamente com o seu filho bebé, seguem os três em direcção ao pôr do sol na fabulosa mota.

Piaggio MP5 "Paperino"

Falando em mota, a mota de Michiko não é uma Vespa, mas tem grande inspiração no protótipo da Vespa, a Piaggio Paperino. Até o logótipo tem o mesmo tipo de letra cursiva e a cor é igual! Como pessoa louca por Vespas, naturalmente apaixonei-me por esta mota!

Mesmo um pouco desiludida com a narrativa, Michiko to Hatchin é um regalo para os olhos e ouvidos! Não é o melhor que saiu da Manglobe, mas vale a pena ver na mesma.




22.8.23

Bishoujo Senshi Sailor Moon Eternal Movies I e II

Ver Sailor Moon Crystal tem sido cá uma saga! Comecei bem e em cima do acontecimento, a ver os episódios da primeira temporada pouco tempo depois de saírem, com regularidade, mas depois começou a engasgar e não fiquei com memória de ter visto quase nada depois do episódio 12 ou 13, o que é mais ou menos metade da série.

Nas últimas semanas, derivado a uma reorganização da minha vida pessoal, resolvi voltar a ver anime regularmente e então decidi rever Sailor Moon Crystal do início e depois o que garantidamente não vi, os dois filmes Sailor Moon Eternal e os dois filmes Sailor Moon Cosmos.

Desta vez gostei muito mais de ver o primeiro arco, Dark Kingdom, e dei por mim a ver dois ou três episódios de uma assentada, por não conseguir largar a série especialmente em momentos chave, isto é, os últimos 4 ou 5 episódios.

Definitivamente, a narrativa ser muito mais próxima da manga é um ponto positivo e eesta vez agarrou-me muito melhor, apesar de acontecertudo um bocado em catadupa.

Quando chegamos ao arco Black Moon, o character design e a animação 3D manhosa melhoraram, não muito mas melhoraram. Este arco, apesar de me agarrar melhor que da primeira vez, pareceu muito resumido e realmente falta densidade psicológica à Black Lady. Mas gostei bastante de certos aspectos, como a relação da Usagi com o Mamoru, bastante mais adulta e menos pueril que na série dos anos 90. O Mamoru também parece muito mais presente e carinhoso e faz mais jus ao seu nome (mamoru em japonês significa proteger).

No arco Death Busters, depois de um hiato na produção, vêm-se alterações significativas e para melhor. O character design passou a um híbrido, algures entre a manga e o character design da série dos anos 90, não as há 3D manhoso nas transformações ou nos genéricos, as músicas melhoraram, adoro o estilo mais retro da canção da Haruka e da Michiru, a lembrar anime dos anos 80 ou 90, o genérico do Mamoru/Tuxedo Kamen é épico e no geral melhorou tudo. Neste arco também gostei de ser mais fiel à manga, focando-se em Hotaru e sem os vilões da semana engraçados, mas forçados, dos anos 90. Assumirem a relação da Haruka e da Michiru às claras também é positivo, mas preferia um pouco da ambiguidade tanto da manga (onde as coisas são mais claras) como da série antiga. Apimenta mais a narrativa. A tradução inglesa não ajuda, mas já falo nisso.

Eis que finalmente chego ao arco Dead Moon Circus, que constitui os dois filmes Sailor Moon Eternal. Acabei por vê-los de seguida, pois funcionam quase como uma compilação de episódios. Como no arco anterior, a narrativa é quase como na manga e bem mais negra. Na série dos anos 90, a SuperS sempre foi a temporada de que gostei menos, em parte por ser a que mais desvia da manga e por ser mais infantil, com demasiado foco na pespineta e irritante Chibi-Usa. Ela é a protagonista deste arco, não há dúvidas quanto a isso, mas nestes filmes não lhe dão tanto tempo de antena é não é irritante, especialmente não há episódios de encher chouriços, o que é um enorme alívio. Para além disso, também respeitam a manga, fazendo regressar as Outer Senshi, Haruka, Michiru, Setsuna e Hotaru. A introdução dessa parte da narrativa, ausente na série antiga, ajuda a contextualizar melhor o papel das Outers e como os da Pluto e da Saturn mudaram.

Ambos os filmes fluem bem e não cansam, mas por vezes parece que a história foi escrita originalmente para ser dividida em capítulos, mas pode ser por ser bastante fiel à manga, onde realmente está dividida em capítulos. Mas noto isso talvez por conhecer demasiado bem a história. Não sei. Gostei da banda sonora e gostei mais ainda por incluírem nos genéricos finais uma nova versão da canção dos anos 90, Rashiku ni Ikimashou.

As traduções. Normalmente costumo ver anime sem legendas, para treinar o japonês, mas ultimamente, em parte porque não quero ligar essa parte do cérebro, pensar em japonês é muito cansativo e neste momento quero ver anime para relaxar, ando a ver com as legendagens inglesas/americanas. Não gostei da tradução de toda a Sailor Moon Crystal. O inglês, embora correcto, é muito pobrezinho, várias vezes podiam ter seguido caminhos mais criativos, que também deixariam a tradução mais fiel ao sentido em japonês e, o crime dos crimes e um dos meus pet peeves em tradução em geral e infelizmente um erro de tradução, deixaram os honoríficos. O pior é quando em japonês eles usam honoríficos duplos (Ikuko-mama-san, por exemplo) e optam pelo mais básico. Nenhum honorífico em japonês deve ser incluído,  mas sim substituidos pelo seu melhor equivalente na língua de destino. O ~san  deve passar a Mr., Mrs. ou Miss, o ~chan deve ser convertido para um diminutivo ou para "little"-qualquer-coisa. Os ~sama, neste caso para a Princesa Serenity e o Príncipe Endymion, das duas uma, ou incluem "majesty" ou "highness" no discurso, ou não adicionam nada.Os honoríficos em japonês, nunca. Depois há a romanização de alguns nomes, o que fizeram à Nehelenia? Ficou algo estilo Nahelenia... porquê, se em japonês é fácil, escreve-se, em katakana ネヘレニア (ne-he-re-ni-a), não há nada que enganar. Ah, e acho que quando a Michiru apresenta a Haruka como sendo meio homem, meio mulher, tenho quase a certeza que não é bem isso que está a ser dito em japonês, mas algo mais ambíguo, mais subtil e mais interessante, algo estilo que a Haruka é uma mulher, mas que tem uma alma masculina. Não me apeteceu interromper o visionamento para ouvir melhor o que ela diz em japonês. Porquê uma tradução tão básica e amadora? Em fansubs, não comento, mas num serviço pago? A Netflix não quer pagar a tradutores decentes? Forretas!

Após rever Sailor Moon Crystal, ainda faltam os dois filmes Cosmos, mas verei em breve, quando os arranjar com qualidade, gostei muito mais e diverti-me e empolguei-me bastante com as Guerreiras/Guardiãs. Gostei muito mais do Mamoru agora, que não é apenas um figurante masculino e tem mais agência que na série dos anos 90. Veremos como vai ser resolvida a sua ausência no arco Three Lights/Galaxia. Eu estou empolgada por finalmente ver a Sailor Kakyuu, cruelmente eliminada da Sailor Stars

美少女戦士セーラームーン•エタナール



5.8.23

Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru

Fui parar a este anime por causa do cosplay. Mas ao contrário do que é costume, não foi porque visse imensas pessoas a fazer cosplays da série, mas porque esta série tem como tema principal o cosplay! Não sei se é a primeira série a fazê-lo, não me apetece ir investigar isso, mas se não foi, não há-de haver muitas mais.
Mas Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru é sobretudo um slice-of-life romântico com o cosplay como pano de fundo.

Ando desactualizadíssima, tenho visto pouco anime, e a maioria são coisas bastante familiares, como Sailor Koon Crystal ou Card Captor Sakura - Clear Card e já não sei o que está na berra nos dias de hoje.
Um pouco como Bamboo Blade (kendo), foi o tema e não o estilo que me levou a este anime, que, de outro modo, provavelmente não teria curiosidade de ver. Normalmente gosto bastante dos slice-of-life, mas este estilo, descaradamente uma comédia romântica, com algum fanservice, não costumam estar no topo da minha lista de animes para ver. Não é que não goste, mas preciso daquele "bocadinho assim".

Marin quer fazer cosplay, mas é uma naba na costura. Mais ou menos por acaso descobre que o seu colega de turma, Gojo, costura kimonos para as bonecas Hina tradicionais e pede-lhe para a ajudar a fazer o fato da sua personagem preferida do momento: Shizuku Kuroe, a protagonista de um jogo a raiar o SBDM. Assim começa a amizade entre o tímido Gojo e a descarada e atrevida Marin, um clássico neste estilo de anime. A relação dos dois passa por vários momentos constrangedores, graças à falta de noção de Marin do efeito do seu corpo e descaramento no coitado do Gojo, que basicamente vive para o trabalho na oficina de honecas Hina do avô e não tem vida social até conhecê-la. Mas Marin é bem mais inocente do que aparenta, apesar da tendência para fazer cosplay de personagens bastante sexy, e a amizade evolui para uma atracção física e uma paixoneta adolescente. Enquanto que Gojo tenta ser discreto e bem educado (coitado, às vezes é quase impossível), Marin reage como a adolescente que é, mas não confessa a sua paixão. Estes elementos fazem de Sono Bisque Doll... uma comédia de circunstâncias muito engraçada que me fez dar umas boas gargalhadas sonoras.

Este é um anime divertido, com um character design apelativo e cheio de detalhes e texturas (os benefícios da pintura digital), que se vê lindamente. O cosplay, apesar de acessório para mover a narrativa, está super bem representado e comenta cada detalhe do processo e das fases por que a maioria dos cosplayers passa: sentir-se desconfortável no fato, combinar sessões de fotos, cair na armadilha de fazer um fato pelo design e esquecer-se de que não se sente à vontade para o vestir em público, noitadas a terminar os fatos, noitadas a ver séries de onde se planeia fazer fatos, fazer amigos através do cosplay, etc.

Por outro lado, Gojo é o cosmaker que todo o cosplayer deseja ser ou ter por perto. Tem uma atenção ao detalhe excepcional, pensa em tudo, até na maquilhagem, faz pesquisas exaustivas, aprende depressa e é muito crítico dos próprios erros.
Marin é entusiasta, sincera, alegre mas empenhada, o que os torna um par ideal no cosplay.

Nesta série o lado negro do cosplay só é ligeiramente vislumbrado, o lidar com um corpo real, as questões da imagem, as rivalidades tóxicas ou os desastres que por vezes nos levam a questionar porque nos metemos nestes trabalhos complicados e caros. Mas como é uma comédia, se estes problemas forem abordados mais profundamente, serão muito provavelmente aliados à narrativa e também a algum dilema na relação entre Marin e Gojo. Veremos.

À medida que fui avançando na série, reparei num pormenor curioso: grande parte do guarda roupa civil das personagens é colorido. Até os uniformes escolares de Marin e Gojo têm calças e saias num tartan azul claro. A escola deles aparentemente é bastante permissiva com o traje escolar, pois, para além de Marin ter o cabelo pintado (loiro com pontas rosadas), ela usa lentes de contacto rosadas e muitos acessórios e outras colegas dela também. Mas os cosplays são maioritariamente monocromáticos, com muito preto, algum branco e apenas detalhes dourados ou noutros tons pouco espampanantes. É curioso pois, no mundo real, costuma acontecer o oposto, o guarda roupa das pessoas tende para o neutro ou tons escuros e é nos cosplays que se vê muita cor, a começar pelas perucas de todas as cores.

As canções dos genéricos são orelhudas e alegres, sem serem irritantes, o que é sempre positivo.

Adorei ver esta representação tão detalhada e fiel à realidade do cosplay e fico satisfeita que em breve haverá mais Sono Bisque Doll wa Koi wo Suru.





20.2.23

Sayonara Matsumoto-sensei

 

Soube mesmo agora que Leiji Matsumoto, mangaka, entre outros, de Ginga Tetsudou 999, Captain Harlock ou 1000 Nen Joou, apanhou o Galaxy Express 999 em direcção às estrelas, para nunca mais voltar.

É um dos meus heróis, ao ponto de fazer os cosplays de duas das suas personagens, Maetel e La Andromeda Promethium.

Ainda tinha a esperança de um dia me cruzar com ele ao vivo, mas infelizmente já não é possível. 












気をつけて、松見先生 ✨️🚂🚃🚃🚃✨️ 



14.6.22

Comecei a ver: Kimetsu no Yaiba

Bom, para começar, é "comecei a ver" porque, apesar de já ter visto a série completa, sei que vem aí mais Kimetsu no Yaiba.

Kimetsu no Yaiba é uma série de fantasia, acerca de caçadores de demónios, no Japão da era Taisho (1912 - 1926), depois da proibição de andar com katanas em público. A proibição das katanas é importante, pois torna os caçadores marginais, porque a sua actividade não é sancionada pelo governo, apesar do serviço público que executam.

Agora que já vi a série, a lógica do filme já faz mais sentido. Felizmente não me parece que tenha feito asneira com a tradução e ainda prefiro as minhas opções, como substituir "respiração" por "sopro". É uma palavra mais curta e mais elegante, reforçando o misticismo dos poderes dos caçadores.

Depois de ver a série, já gosto mais de Tanjiro, o protagonista, será por chorar menos? Sim, Tanjiro na série é mais determinado e corajoso, mesmo que sensível às emoções dos outros, incluindo dos demónios.  Mas os meus preferidos continuam a ser o Inosuke e a Nezuko. O Inozuke diverte-me imenso e gosto da personalidade javaliesca, de levar tudo à frente, mas com um coração gigante. É a besta de bom coração. Adoro a patetice de Nezuko, mas que não se deixa pisar em situações de perigo. E acredito que venha a ser muito útil ao grupinho de caçadores. Mas também gosto dos corvos e do pardal de Zenitsu xD.

O mais importante da lógica de Kimetsu no Yaiba, contudo, é a dos demónios. Há muitos e variados demónios, mas os que importam são Muzan e as Doze Luas. Muzan é um demónio particularmente poderoso, capaz de se esquivar de modo eficaz aos caçadores há bastante tempo e foi quem matou a família de Tanjiro e transformou Nezuko em demónio.  As Doze Luas são uma espécie de discípulos de Muzan, transformados por ele e agem sob as suas ordens, que no final da série a ordem que importa é que o caçador virou caça, estão atrás de Tanjiro.

Como já disse no post acerca do filme, gosto da estética um pouco ukiyo-e da série,  com cores vivas e degradés simples, os fatos são interessantes no misto de uniforme clássico escolar masculino (já lá vou às raparigas) da era Taisho com peças tradicionais, que caracterizam cada caçador e o seu poder principal. Um exemplo: Tanjiro, tem um uchikake aos quadrados verdes e pretos. O verde remete para a água, o seu poder principal, os quadrados, ichimatsu, remetem para as montanhas de onde ele vem, pois ichimatsu está relacionado com árvores. Com as raparigas é quando o uniforme se personalisa mais, pois, para além de ser para todos os efeitos um uniforme masculino, umas usam com as calças originais (tobi, calças de trabalho), com saia, com o casaco aberto por não ter espaço para mamas grandes, etc. a outra parte do traje dos caçadores que é personalisada são as katanas. Quando a envergam pela primeira vez, a katana assume uma cor e/ou desenho especial, fora a de Inozuke, cuja lâmina serrada é cortada por ele, para grande choque do ferreiro.

Falando em katanas, mais uma vez vejo traduzidas como espadas. Não! Para além da regra ser: espadas têm 2 gumes, sabres têm um gume, para traduzir katana, ou se deixa "katana", como uma denominação específica e um estrangeirismo, ou se usa o termo mais genérico, "sabre". Naturalmente há excepções e uma tradução não deve ser um tratado sobre armas brancas, mas algum rigor é bem-vindo. 

Curiosamente desta vez, apesar de Kimetsu no Yaiba passar no Biggs, a distribuidora e o canal optaram por não dobrar a série e legendá-la. Como prefiro sempre anime legendado, fiquei contente com a decisão, mas infelizmente, para além do erro acima, infelizmente a tradução é pobre e por vezes tem mau português, má gramática e alguns erros de ortografia. Não custa nada passar o texto pelo corrector ortográfico, mas pelos vistos há "tradutores" que confiam tanto nos seus textos que não o fazem. Gralhas toda a gente faz, mas os erros ortográficos podem ser eliminados com o corrector, que é amigo.

De certa forma gostei mais da série que do filme, é uma narrativa de anime clássica, com quase todos os episódios a terminar num cliff hanger. Gosto, fez-me ver, por vezes 2 ou 3 episódios de seguida e eu não costumo fazer maratonas, sobretudo agora. A história é empolgante, queremos saber o que vai acontecer àquelas pessoas e tem acção q.b. para entreter a malta. Os protagonistas também são interessantes e os episódios de luta são intercalados por alguns mais leves, onde os protagonistas recuperam ou tratam de coisas práticas. Assim não se torna cansativo, desde que cada bloco não tenha demasiados episódios. Agora o filme, apesar de funcionar bem sozinho, parece um episódio alargado da série e de certa forma remata o seu final. Só de vez em quando aparece um demónio que gosta de discursar... caramba, que chatos! Só para os calar fico a torcer pelos caçadores! 

Cá fico à espera da próxima série e que estreie no Biggs, pois pretendo continuar a ver, afinal ainda há muito demónio para destruir.

アニメ 「気滅の刃」

Biggs


2.4.22

Eiga xxxHOLiC

A Saga Para ir Ver um Filme

Preparem-se, este vai ser longo e por ordem cronológica, pois tem imensa coisa em jogo, que me levou a ir e voltar ao Porto no mesmo dia, para ver o filme com o bilhete mais caro da minha vida.

Quem só quiser ler sobre o filme, pode saltar lá para baixo, a seguir à minha foto com a Mokona.

Gosto muito de filmes de terror acho que desde miúda, um dos primeiros autores que li foi Edgar Allen Poe, mas só comecei a ver filmes de terror com regularidade desde a adolescência. Foi nessa mesma altura da adolescência que o Fantasporto nasceu e desde essa data que sempre quis ir ao festival e nunca consegui. O primeiro festival de cinema a que fui foi o Cinanima de 1986 e foi uma experiência que marcou a minha vida, até hoje ligada a festivais de cinema, em maior ou menor escala.

Sou fã das CLAMP e xxxHOLiC e X são as minhas mangas preferidas delas. Tanto que já nem sei quantos fatos de cosplay fiz da Yuuko. (conta pelos dedos... 6?). Descobri as CLAMP no final dos anos 90, já nem me lembro bem como, e a primeira manga delas que li e comprei foi X, ainda a minha manga preferida de sempre, infelizmente incompleta devido a vários problemas editoriais, entre outros.

Quando comecei a fazer cosplay, em meados dos anos 90, lembro-me de "declarar" que nunca faria fatos das CLAMP, por não ter paciência para estar com tantos detalhes complicados. Passados 26 anos, 6 fatos da Yuuko, mais 3 em planeamento, 2 da Hokuto (Tokyo Babylon), mais uns 4 em planeamento e um de Miyuki-chan in Wonderland em planeamento. Oh, a ironia!

Desde que comprei as minhas primeiras mangas de X, que tenho vindo a coleccionar as mangas das CLAMP, que são claramente as mangaka com maior representatividade na minha estante. Só não comprei alguns títulos mais antigos, como RG-Veda, e outros que, por algum motivo não me chamaram, como Drug Drop. Mas, ao chegar à fase de Chobits, tive uma "zanga" com elas, comecei a achar que andavam a fazer manga a metro, e andavam! Fiz uma pequena pausa na colecção. Passado algum tempo, provavelmente menos que agora me parece, elas começam a publicar em simultâneo Tsubasa -RESERVoir CHRoNiCLE- e xxxHOLiC. Enquanto que Tsubasa não me chamou, fiquei muito curiosa com xxxHOLiC, com as suas capas art nouveau orientalistas. Na altura havia a lojinha Jikai em Lisboa, onde o meu amigo Leonardo encomendou os primeiros volumes de xxxHOLiC e Tsubasa em japonês. Comprei-lhe os primeiros e passei a ter encomendados os seguintes que fossem editados. Entretanto a Jikai fechou e sempre que tinha oportunidade, a maioria das vezes na JP-Books em Londres, fui comprando a restante manga. Tenho a primeira série completa, a segunda ainda em publicação, o guia e o artbook.

Devorei o filme e as séries de animação da Madhouse, mas não vi todos os OAVs, por confusão gerada no seu lançamento e a clássica falta de disponibilidade. Quando saiu, vi o dorama, mas fiquei muito decepcionada. Não respeitava muito a manga, não gostei particularmente do elenco, excepto o Doumeki e a Jourogumo (a mesma actriz que encarnou Maya Kitajima em Glass no Kamen) e detestei os figurinos, que pareciam uma versão foleira dos desenhos maravilhosos das CLAMP. Para além disso, a narrativa foi muito mal conseguida.

Em Setembro de 2021 estreia uma adaptação para teatro de xxxHOLiC com um elenco inteiramente masculino, com super bom aspecto e onde até recriaram o sofá art nouveau da Yuuko!

Em Novembro de 2021 é anunciada a adaptação para cinema de xxxHOLiC, por Mika Ninagawa. Onde tinha ouvido este nome antes? Ah, Kamikaze Girls, ah, Sakuran! (de que também tenho a manga, de Moyoco Anno). Também vi a maluqueira do Diner, num MOTELx passado, se não me engano. Esta informação e o primeiro poster prometiam! Mas bom, pensei que seria mais um a ver na candonga.

Em Fevereiro deste ano, o Fantasporto, Festival de Cinema de Terror e Fantástico do Porto, anunciou, através do seu parceiro, a Central Comics, que o filme iria ter a sua estreia mundial no Fantasporto em Abril! No Japão já estava anunciada a data de estreia a 29 de Abril. Eu TINHA DE IR!

Entrei em contacto com o festival através do Instagram, Messenger e email, a pedir um convite e a propor levar o meu fato da Yuuko do kimono vestido. Mas a resposta demorou a chegar. Entretanto a data foi anunciada, 2 de Abril, mas no site do festival, zero informação. Em fim de Março finalmente anunciam o programa, a conta-gotas, xxxHOLiC com duas sessões, uma na sessão de abertura a dia 1 de Abril (aniversário do Watanuki e data fundamental para as CLAMP) à noite. Os bilhetes deveriam comecar a estar à venda dia 24 de Março. Vou ao site, nada, vou à BOL, nada. Eis que recebo uma resposta no messenger: "O festival não oferece convites". Passados uns dias, por email, o mesmo. "Já não levo cosplay, não merecem o esforço." Uns dias depois, sinceramente não sei em que dia os bilhetes realmente foram postos à venda, vou ao site e compro o bilhete. Decepção n° 2: há desconto para estudante, mas só se comprar o bilhete ao vivo no Rivoli. Não queria nem podia arriscar, em Lisboa, as sessões de abertura dos festivais de cinema esgotam rapidamente. Ainda pensei em pernoitar no Porto, a sessão era às 20h45, terminava perto das 23h, mas os preços no centro do Porto são para turistas estrangeiros e com a pandemia ainda por cá, não quero partilhar un quarto com desconhecidos num hostel. O ultimo Alfa ou Intercidades é cerca das 19h... antigamente havia um Regional nocturno, daqueles que param em todas, onde viajavam os magalas. Será que ainda existe? Dito e feito, bilhetes de comboio comprados, dia 1 de Abril iria estar em trânsito, tudo por causa de um filme, adaptado de uma manga, mais de 24h (acabaram por ser 25h30).

A arrumar parte dos meus cosplays, por causa do Anisama (evento onde levei alguns fatos, numa banca para divulgar a minha tese de doutoramento em curso, sobre o cosplay), lembrei-me do fato do episódio do taco de beisebol, que no geral é confortável, pois trata-se de um vestidinho em malha de t-shirt, uma écharpe, collants de rede larga e botas acima do joelho (mais o taco de beisebol, mas não ia com o taco atrás para o Porto). Preparei as coisas de modo a ir semi vestida e lá colocar a peruca e as botas.

Collants de rede larga, sobretudo as baratuxas da Primark, não são para ser vestidas ao lusco-fusco, de madrugada, tinha os dedos dos pés a tentar sair por cada buraco porque passavam.  São super confortáveis, mas ao longo do dia senti-as a rebentar de vez em quando. Ai Yuuko a quanto obrigas!

A caminho do comboio lembrei-me que, entre café, comida e cosplay, esqueci-me dos óculos escuros. Já não podia voltar para trás. No comboio tomei o pequeno-almoço que levei e dormi até Espinho, onde coloquei as lentes de contacto. Mal cheguei a São Bento, trepei até Santa Catarina para ir à Tiger comprar uns óculos baratinhos. Fiz um xixi e atestei a garrafa de água no Via Catarina e a seguir fui à Confeitaria do Bulhão tomar o segundo pequeno-almoço. Infelizmente fui atendida por um empregado impaciente, o que só os prejudicou, podia ter consumido mais. Como tinha o dia para passear no Porto, tinha planeado visitar as minhas capelinhas. Tirei uma primeira foto à Mokona, que me acompanhou nesta viagem, em frente ao Rivoli e fui para o Jardim das Oliveiras, nos Clérigos, curtir o bom tempo e finalizar a maquilhagem. O meu eyeliner estás a dar as últimas... A fila para entrar na Lello & Irmão, gigantesca. Fiquei ali, a ler, a tirar fotos, a aproveitar o Wi-Fi gratuito do Porto, até à hora do almoço. Fiz uma série de stories no Instagram intitulada "Mokona's Adventures in Porto" que vão ficar nos Highlights (@misatolx).

Almocei um fantástico hamburguer vegetariano no Munchies, e fui tirando fotografias com a Mokona. Voltei a subir, para ir dar a minha voltinha à minha rua preferida do Porto, a Rua da Cedofeita. Pouco depois de sair da Feira dos Tecidos, não é que encontro um casal conhecido, que mora nos arredores do Porto? Eles também andavam à caça de tecidos e perguntaram-me se queria ir com eles. Portanto, o plano inicial de, depois da Cedofeita, ir ao arquivo dos azulejos, foi alterado.

Quando ia com eles a caminho das outras lojas de tecidos, recebo uma mensagem no Instagram, a dizer para aparecer na Secretaria do Festival no Rivoli. Perguntei para quê, perguntaram-me se já tinha bilhete.😒

Fomos a uma loja de tecidos, chamada Vaz, Oliveira & C.a, Lda., que foi outrora na zona dos Clérigos, onde já houve muitas lojas de tecidos do género. Depois fomos à Mundo dos Tecidos, mas desta vez não gastei dinheiro em tecidos no Porto. Despedi-me do casal e voltei à Cordoaria, pois não tinha feito uma das coisas importantes a fazer, comprar um pastel de Chaves para a viagem de regresso na Padaria Ribeiro.

Mas antes lá passei no Rivoli. Apesar de já não ter vontade de pedir nada ao festival, quem sou eu para menosprezar uma cortesia quando me é oferecida. Conheci uma das moças do festival, para bilhetes já era tarde demais, já o tinha comprado, mas perguntei se não teriam algum cartaz ou postal do filme e se seria possível vestir-me lá dentro. Do Fantasporto, para além do cartaz na fachada e os programas do festival, pouco mais havia, excepto uma banquinha da Central Comics, onde havia uma figura de Cutey Honey (a versão do filme da Gainax) a vender. A rapariga era simpática e conversámos um bocadinho.

A começar a ficar cansada e a precisar de atestar a garrafa de água, voltei ao Via Catarina (da Cordoaria), fazendo um desvio pelos Lóios, pois a parte baixa dos Aliados estava toda em obras e não me apetecia passar por ali. Ainda me sentei numa fonte na Batalha a lanchar um gelado, antes de ir para o Via Catarina. A praça da Batalha já teve imensos bancos de jardim, mas foram todos saneados. Acabei por me sentar numa fonte na junção com a Rua de Santa Catarina.

Já no Via Catarina, fiz mais uma visita às instalações sanitárias, fui ao Continente comprar algo para beber para a viagem e sentei-me numa das mesas da zona de refeições a descansar os pezinhos e a aproveitar mais uma vez o Wi-Fi gratuito. Comi qualquer coisa por lá e fui para o Rivoli.

Posters ou postais, "já não há" e lá me fui vestir na casa de banho. Tirei as leggings, calcei as botas, prendi a écharpe com a rosa vermelha, pus a peruca (versão curta duração) mas o cansaço já era tanto, que só verifiquei se a maquilhagem não estava borrada (não estava) e não retoquei ou reforcei o rímel, à falta de pestanas postiças. É por isso que gosto de ir vestida de casa para os eventos, não há pior tortura que uma pessoa vestir um fato de cosplay numa casa de banho apertada!

Houve um pequeno desencontro com uma amiga cosplayer, mas depois ela encontrou-me dentro da sala. Estávamos a conversar um pouco, quando se junta a nós um outro colega destas andanças dos animus. Foi um mini-meet.

A sessão de abertura do Fantasporto limitou-se a um discurso da Directora, em português e inglês, nem uns trailers, nem uns jurados em palco, nada. Depois começou o filme sem sequer uma pequena apresentação. Se os festivais de Lisboa pecam pelo excesso, o Fantas peca por defeito. Ah, eu preocupada com a eventualidade de os bilhetes esgotarem, a sala estava a meio, quando muito a 2/3. Como festival achei pobrezinho, mesmo comparando com os Cinanimas nos anos 80. A restante programação japonesa é bem composta, mas não havia orçamento para mais.

Depois do filme, ainda tive tempo para beber uma cerveja com a minha amiga e o namorado.🍻

De lá fui apanhar o comboio para Campanhã e de lá o Regional para Lisboa. Decepção n°1: os comboios regionais novos da CP são como comboios suburbanos, não têm casa de banho nem bancos suficientemente confortáveis para uma viagem tão longa (4h). Decepção n°2 (também válida para o Intercidades): tenho uma ideia de os comboios nocturnos terem as luzes um pouco menos intensas, no século passado, isso, aliado a bancos desadequados e o clássico aquecimento que só aquece junto à janela, e ainda um grupinho que de vez em quando fazia demasiado barulho (quizomba e sei lá), fez com que dormisse muito pouco e viajasse desconfortável com vontade de ir à casa de banho. Decepção n°3: o comboio não tinha Wi-Fi. CP, arranjem outro tipo de comboios para estas viagens. Um comboio regional não é a mesma coisa que um comboio suburbano.

O Filme

Sem querer fazer spoilers, Eiga xxxHOLiC é um filme para os fãs da manga. Apesar da natureza episódica da manga, adaptaram as duas linhas narrativas dos protagonistas, do Watanuki e da Yuuko, e fizeram uma remistura. Ambas as narrativas são bastante complicadas e estendem-se ao longo de muitos volumes na manga, mas foi bem resolvida na sua complexidade, e não topei nenhum buraco narrativo. Por outro lado, quem não estiver por dentro daquele universo e mesmo do estilo narrativo das CLAMP (Ōkawa-sensei: olá!👋) deve ter-se sentido muito perdido.

Para compensar, Mika Ninagawa é muito boa a reinterpretar estas mangas visualmente muito barrocas e fez um excelente trabalho com xxxHOLiC. O filme cita o estilo das CLAMP, mas não faz uma cópia, reinterpreta. Gostei muito das soluções encontradas para tornar as coisas mais plausíveis num contexto mais real e mesmo assim com economia de meios. Por exemplo, nunca se vê a casa de Yuuko, só pequenos pormenores, como portas ou janelas, rodeados de glicínias. Os interiores da casa lembram os desenhos da manga, mas, mais uma vez, não são cópias literais da mesma. O mesmo pode dizer-se dos figurinos da Yuuko e das outras personagens sobrenaturais, que fazem lembrar os desenhos das CLAMP, sem os copiar. Para um filme com um aspecto tao luxuriante, acho que foram económicos no design de produção. 

Os actores foram meticulosamente escolhidos. Adorei Ko Shibasaki, que faz de Yuuko, embora, na minha cabeça, ela tenha uma voz mais grave. Ryuunosuke Kamiki,  que interpreta Watanuki é muito bom, mas nota-se que não tem 16-17 anos. Não posso dizer muito acerca do actor que faz de Doumeki, Hokuto Matsumura, pois a personagem é muito lacónica. Himawari, Tina Tamashiro, é a que está mais num estilo clássico de interpretação japonês, como nos doramas, mas isso é muito em personagem, com aqueles acenos e linguagem corporal típica das adolescentes japonesas. Pobre Himawari! Aparecem, numa montagem elíptica, algumas das outras personagens, como a Zashiki Warashi ou a Neko-musume. Infelizmente não há bichos ou monstros, a começar pela Mokona, mas eu percebo que corriam o risco de infantilizar o filme se o fizessem.

O tom do filme é outro o que também significou que as cenas divertidas com a Yuuko bêbada, por exemplo, ou a abusar da boa vontade do Watanuki, ou o Watanuki a ter ataques de ciúmes por causa da Himawari, não apareceram vezes suficientes.

Também gostei mais da banda-sonora do filme, mesmo sem ter um tema marcante, comparando com a série anime. Só preferia que fosse menos música de sintetizador, mas gostei das composições.

Os efeitos especiais são quase todos práticos, excepto as borboletas e pouco mais, que são digitais.

Ah, tenho de falar da tradução. A tradução inglesa, na cópia, era sem sal mas competente. Já a tradução portuguesa, em legendagem electrónica, que miséria... sempre que olhava para lá, sentia vergonha alheira. "Auto-indulgência"? 😆

No geral é um bom filme, uma boa interpretação do universo das CLAMP de encher o olho. Dos que vi da Mika Ninagawa, ainda prefiro o Sakuran!, pois é mais coeso.


映画 『×××HOLiC』

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