15.6.06

CINE-ASIA: Bishoujo Senshi Sailormoon R


Japão, 1993, 60min

Site oficial - Trailer - Fotos 1 2

Sinopse: A tranquilidade de um passeio em grupo por Usagi, Mamoru e as amigas é perturbada por uns estranhos acontecimentos, seguidos de um ataque extraterrestre. Como Sailor Senshi (Guerreiras Sailor), Usagi (Moon), Ami (Mercury), Rei (Mars), Makoto (Jupiter), Minako (Venus) e Mamoru (Tuxedo Mask) conseguem neutralizar temporáriamente o ataque. Mas Fiore, o extraterrestre, fere gravemente Tuxedo Mask e rapta-o. Para resgatar Tuxedo Mask e salvar a Terra do ataque, as guerreiras teletransportam-se para a nave espacial de Fiore, travam uma dura batalha mas tudo acaba em bem graças ao poder do Cristal Prateado, à amizade e ao amor.

Crítica: Este filme é um típico exemplo de um filme produzido sob a sombra de uma série de anime bastante popular, transportando-a para mais um meio comercial, o cinema. Ao adapatar a manga de Sailormoon para série anime, provávelmente nem a autora da manga, Naoko Takeuchi, nem os estúdios que a produziram, Toei Animation, previram o boom de sucesso que ela acabou sendo. Talvez por isso o filme para cinema tardou e só foi produzido no seguimento da segunda série de televisão, Sailormoon R (mais de 1 ano após o início da exibição).

Para quem vê este filme sem estar a par da série de televisão pode não perceber algumas das subtilezas deste universo. Há realmente uma pequena apresentação, antes do genérico, mas limita-se a mostrar quem elas são e o que fazem de extraordinário. É supreendente como o realizador, Kunihiko Ikuhara, não caiu na tentação de fazer uma re-introdução psicológica das personagens que, à partida, toda a gente conhecia, na introdução do filme. Foi sim introduzindo algumas das suas características-chave ao longo da narrativa, contando, pelo meio, alguns pormenores nunca antes vistos. Portanto, o espectador ignorante do mundo Sailormoon acaba não saindo baralhado, mesmo não possuindo muitos dados acerca da série.

Esta história é 100% original, foi escrita pelo argumentista da Toei e não baseada em acontecimentos ou persongens da manga. Com isso segue uma intriga bastante típica da série de televisão, funcionando como um episódio alongado ou especial, que se poderia integrar algures a meio da série em exibição na TV, como um complemento.

A história, seguindo essa fórmula sedimentada, aproveita bem as características da série, dando-lhes a volta e introduzindo dados novos que provávelmente já tinham intrigado os fans (tal como a explicação para as rosas vermelhas de Tuxedo Mask). Graças ao tempo mais alargado disponível, permite-se uma estrutura mais cinematográfica contando duas histórias, em tempos diferentes e em paralelo, unindo-as no fim, na conclusão. Apesar de ser um shoujo (anime para raparigas) os 60 minutos estão cheios de acção, de batalhas atrás de batalhas, que culminam num emocionante climax do desafio final que se põe às meninas. Mesmo sendo evidente o investimento comercial (vamos-fazer-mais-uns-trocos-em-salas-de-cinema e vamos-editar-mais-uns-CDs-com-canções-novas) o resultado final é surpreendentemente coerente e agradável, com uma qualidade acima da média para um filme anime quase exclusivamente criado para fazer dinheiro.

Devido a tanto sucesso os meios de produção disponibilizados são bons e caros, sendo a pintura dos acetatos, cenários, animação e todo o artwork muito mais cuidados que na variante para TV. São impressionantes os cenários do bairro Azabu-juban, em Tóquio, onde elas vivem, que neste filme se percebe muito melhor como é. Os ataques, para além das sequências utilizadas na série, são nos mostrados com variantes novas e as sequências das transformações foram “polidas”. Houve também um dos primeiros e tímidos investimentos em animação 3D digital na nave espacial extraterrestre. Mesmo que rudimentar, foi um grande avanço, os japoneses tardaram bastante a integrar o 3D na animação tradicional, só os produtos de garantido sucesso comercial foram alvo desses primeiros investimentos. A banda-sonora também sofreu algumas reorquestrações e teve direito a uma série de temas novos, uma das novas canções é cantada pelas actrizes que dão a voz às personagens (Moon Revenge) e que reforça a batalha final.

É um filme de entretenimento, que se vê com boa disposição e que alia, em equilíbrio, cenas de dia-a-dia e comédia com cenas de acção e romance numa conjugação de géneros, muito característica do anime para raparigas, sem tentar se levar demasiado a sério.

Classificação: 7/10

8.6.06

CINE-ASIA: Ugetsu Monogatari (Contos da Lua Vaga)

Mais uma crítica a um filme japonês, desta vez o lindíssimo clássico de Kenji Mizoguchi. Leiam, mas, principalmente, vejam o filme!

3.6.06

Comecei a ver: Ace o Nerae! (live action)

Não é o anime com muita pena minha. Há uns anos passou na RTP, sob o título de Jenny, a Tenista, e o impacto do anime em mim foi muito grande. Pela primeira vez tinha uma paleta de cores extremamente invulgar, muito cheia de cores quentes e tons escuros, um character design mais adulto e uma história de conquista pelo esforço. Já tinham sido exibidos alguns anime de desporto, mas este foi o primeiro que verdadeiramente me impressionou.

Há cerca de dois anos esta manga de 1974, foi novamente adaptada para televisão, pela ocasião em que se comemoravam 20 anos da manga que foi também reeditada numa box de luxo. Desta vez a adaptação foi um dorama, ou seja, no formato telenovela japonês. Nessa altura tive curiosidade em ver a série, mas como coincidiu com o dorama de Sailormoon, acabou sendo adiada.

Enquanto que a adaptação de Sailormoon foi produzida para um público mais infantil e, portanto, foi uma série de 49 episódios de 25 minutos, Ace o Nerae!, com um público-alvo mais velho, tem 9 episódios de 45 minutos.

Devido ao tipo de produção leva-se consideravelmente menos tempo a "entrar" naquele universo e, fora o penteado e laço de Ochoufujin e a ocasional bola de ténis digital, está tudo bastante credível e realista. Os actores também têm performances mais naturalistas e sérias, talvez fruto de uma maior experiência (a maioria das meninas em Sailormoon nunca tinham feito nada antes). Aya Ueto, nome facilmente reconhecível a quem segue as idols japonesas, tem uma performance bastante sólida como a protagonista Oka Hiromi.

Mas quem realmente me impressionou foi Ochoufujin (Madame Butterfly, na versão portuguesa), ou Ryuuzaki Reika, o seu verdadeiro nome (Matsumoto Rio interpreta). Apesar do visual bastante próximo da manga de 74 e um pouco artificial, toda a sua performance estabelece uma coerência de tal forma forte que rapidamente esquecemos a sua caracterização física e a tomamos como elemento-chave da personagem. Reika é uma menina bem, muito rica, que práticamente nasceu a jogar ténis, pois o seu pai é o presidente da Federação Japonesa de Ténis. A sua pose de vedeta do colégio, especializado na modalidade, o seu ar de aluna mais velha, perfeita e mais talentosa que aconselha as outras, o seu altruísmo e frieza, aliados a um modo de falar mais elegante e roupas civis chiques e adultas, acabam por ter tudo a ver com o seu visual. Reika tem personalidade forte, é talentosa, mas acaba por sofrer por ter tomado uma postura fria e superior, chocando os demais se porventura tem algum acesso de emotividade.

Como os episódios são menos e mais longos a história desenvolve-se de forma mais escorreita sem introduzir demasiada palha ou o clássico episódio de fazer-render-o-peixe. Cada episódio até agora representa, de alguma forma, um ponto de viragem para Hiromi. Também a quantidade de merchandising/product placement é menos óbvia, fora as inevitáveis marcas de equipamento desportivo.

Quero ver mais e rever a série de anime (já agora ler a manga)!

Ace o Nerae! - TV Asahi (1)
Ace o Nerae! - TV Asahi (2)

PS - não sei bem porquê a TV Asahi resolveu fazer dois sites, com conteúdos semelhantes mas que se complementam.

30.5.06

Ando a ver: NANA

Já ando mais entusiasmada com esta série. Passados os rumores de que Ai Yazawa andava insatisfeita com a adaptação e retomado o fio narrativo da manga, parece que a história encarrilou. Se contar a história das duas Nanas de forma não linear resultou no filme e ajudou numa necessária economia narrativa, na série, definitivamente, não funcionou.

Habituei-me às vozes e já não me fazem confusão. Agora que se começou a entrar verdadeiramente na história das duas raparigas, a perceber que Hachi, apesar de subserviente, é suficientemente simpática e fiel para ser impossível gostar dela, que Nana, por trás da aparência fria tem sentido de humor e é generosa, já há espaço para a relação delas se desenvolver. Agora é que se começa a ver em acção o génio de Ai Yazawa que consegue criar histórias comuns, que nos tocam a todos, em ambientes menos comuns.

Estou expectante para ver como vai ser o concerto dos Trapnest, o reencontro de Nana com Ren e o recomeçar dos Blast.

Só continuo a detestar aqueles finais com uma menina de carne e osso chamada Nana, suposta apresentadora de TV, que não têm graça nenhuma e descontextualizam totalmente a série, apesar de serem um modo de nos mostrar locais que existem na realidade.

NANA ーナナー

22.5.06

CINE-ASIA: Fushigi no kuni no Miyuki-chan & Kagami no kuni no Miyuki-chan

Miyuki-chan no País das Maravilhas & Miyuki-chan no País do Espelho


Japão, 1995, 29min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Uma versão dos dois contos de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice do outro lado do espelho” em fast-forward e só com mulheres.

Crítica: Estes OAV’s (Original Animation Video) são um dois-em-um que resultam de uma espécie de brincadeira das autoras da manga, as CLAMP, sobre alguns dos temas que lhes são mais queridos: os livros da “Alice” de Lewis Carrol e jogos de consola. A brincadeira, aliada ao delirante espírito criativo das quatro, resultou num projecto conjunto que incluiu uma manga de edição especial (formato grande e com mais narrativas para além das de Lewis Carrol, tal como “Miyuki-chan no País da TV”, “Miyuki-chan no País dos Jogos”, etc.) e estes dois curtíssimos mas muito intensos filmes, “Miyuki-chan no País das Maravilhas” e “Miyuki-chan no País do Espelho”.

O bom nos anime feitos a partir da obra das CLAMP é a garantia de proximidade com os desenhos e as histórias desenvolvidas por elas para papel. Elas costumam ter um controle estreito na concepção dos anime extraídos das suas manga, mesmo quando não as quatro integrantes da equipa. Normalmente Mokona Apapa (agora apenas Mokona), a desenhadora principal, supervisiona o character design ou cria o guarda-roupa e Nanase Ohkawa (agora Ageha Ohkawa), a argumentista do grupo, escreve os argumentos ou, no caso das séries de TV, supervisiona essa escrita.

Estes videos são totalmente delirantes! Os diálogos são tão poucos e tão integrados na acção que mesmo que não se perceba japonês e se vejam os filmes sem legendas se percebe quase tudo. A familiaridade com as histórias originais ajuda um pouco também. Apesar da velocidade, todos os elementos mais importantes da história estão lá e, de uma certa forma, esta pequena narrativa é uma lição para quem adapta romances ao cinema.

O desvio do original começa com a protagonista, Miyuki-chan, uma rapariga estudante da escola secundária, com o uniforme de marinheiro (serafuku), característico das escolas japonesas. Como está na sinopse, não há homens, portanto todas as personagens masculinas do original sofreram uma “troca de sexo” e todas as habitantes do País das Maravilhas e do País do Espelho são mulheres sexy e extremamente atrevidas.

O Coelho Branco é uma coelhinha da Playboy (Bunny-san), as maçanetas da “Porta” são as mamas da Rapariga da Porta e todas as outras apresentam um guarda-roupa bastante reduzido. Em vez de estranharem ou serem agressivas para Miyuki (como com a Alice original) elas flirtam abertamente com ela, chamando-a constantemente de menina querida (kawaii ojou-san) chegando até a alguns apalpões muito pouco desejados por Miyuki. O culminar deste “assédio” é a Rainha de Copas, uma dominatrix com direito a chicote e tudo e as cartas, que querem ser “castigadas” por ela! Ou então o jogo de xadrez que é um strip-chess... e mais não digo!

Todo o desenho de personagens é extremamente engraçado e criativo, Tweedle-dee (Cho-ri) e Tweedle-dum (Tou-ri) são duas lutadoras gémeas, mas vestidas uma de azul e outra de vermelho, qual Chun-li de “Street Fighter”, quando luta contra ela própria. Os cenários levam-nos às vezes à segunda paixão das CLAMP, os jogos de consola. As cascatas flutuantes em “Miyuki-chan no país do espelho” lembram directamente um jogo de plataformas tipo “Sonic” ou “Nights in Dreams” (bastante populares à época). A música é talvez a parte mais delirante dos filmes. É completamente repetitiva, como a música dos jogos de consola, mas vai mudando de ritmo conforme os acontecimentos e parece que nos suga mais ainda na louca espiral de peripécias por que Miyuki passa e que se sucedem umas às outras.

A animação é de qualidade OAV, isto é, superior à qualidade de animação usada em séries de TV e um pouco inferior à qualidade exigida à animação para cinema. O que não implica que não tenha algumas cenas bastante caricatas, onde a animação dificilmente poderia ser melhor. Apesar de estes filmes serem feitos directamente para o mercado de vídeo, tal como as séries de anime para televisão, são sempre filmados em película de 35mm, o que lhes dá sempre uma qualidade de imagem que nem sempre se nota no NTSC. Em suma, é uma versão bastante pervertida da Alice, mas muito, mesmo muito, divertida.

Classifcação: 7/10

16.5.06

~Ayakashi~ Bake Neko


Bake Neko só tem três episódios, mas de resto a política da série manteve-se: os genéricos mudaram seguindo o grafismo da história que também mudou.

Esta história fala de um vendedor de remédios que entra, sem ser convidado, num casamento de uma família de classe alta. A noiva morre imediatamente antes de sair de casa e o vendedor revela-se mais como uma espécie de exorcista ou xamã, cuja missão ali é matar um demónio que assombra a casa e os seus habitantes.

O grafismo é deveras interessante, a paleta de cores parece imediatamente tirada de uma gravura de kabuki de primeira edição, em que as cores mais primárias têm um brilho de novas. Todo o design dos cenários é extremamente barroco e colorido, a arquitectura da casa é tradicional, mas a sua decoração não corresponde à decoração, normalmente sóbria, em que as cores são secundárias, com contrastes fortes de claro-escuro. Aqui não há um painel, porta ou parede que não seja decorado, com motivos de animais, há umas fusuma (portas de correr) ricamente decoradas com dois galos, flores, plantas, etc. Também há uma grande predominância de vermelhos e azuis-esverdeados, sem abandonar, claro, o preto e os dourados. Variadas vezes somos lembrados das cores da cortina de um palco de kabuki, na sua exuberância. Em cima disto tudo, inclusive das personagens, foi aplicada uma textura, semelhante ao papel feito à mão, que reforça mais ainda esta sensação de gravura.

O character design é também muito interessante, principalmente porque não há duas caras parecidas (corrijo, há duas: Tamaki e a noiva, mas faz sentido), e são algo caricaturados. Todos têm caras com feições muito características, o velho tem penca de velho, a noiva (e Tamaki) são as duas belezas da história, a criada tem feições redondas e lábios cheios, um dos homens tem manchas na cara, um outro covinha no queixo, etc., etc. O único que é verdadeiramente diferente é o vendedor de remédios que, apesar de se dizer humano tem orelhas em bico e umas pinturas-tatuagens na cara que lhe dão imediatamente uma ligação ao xamanismo nipónico. É talvez a personagem com o character design de que menos gosto, talvez por ser o menos realista do conjunto, mas continua a fazer sentido, pois deixa-nos sempre na dúvida em relação ao que a personagem verdadeiramente é.

A animação continua sem mácula e a história é bastante interessante, emocionante e um pouco sinistra, pois a maldade dos homens supera a maldade do demónio (Bake Neko=gato-demónio).

Com esta história, termina a série ~Ayakashi~. Foi uma excelente aposta pois as histórias confirmam a grande fama de histórias fantásticas que o Japão tem. O grafismo e realização mudarem com cada história fez com que toda a série tivesse um ar de animação de autor, mais cuidada, trabalhada e personalizada, disfarçada de animação comercial. Esta série é um bom exemplo para mostrar que a animação no Japão não é só Ghost In the Shell ou Akira, que eles têm excelentes profissionais e uma tradição na animação de autor maior ainda!

É no Japão que há um dos mais importantes festivais de animação do mundo, o Festival de Hiroshima, e muitos dos autores, que trabalham na indústria para televisão, quem sabe se para pagar as contas, têm uma rica obra de filmes de autor bem menos conhecida que os seus trabalhos mais comerciais. O maior exemplo disso é o grande Osamu Tezuka, autor da primeira série de animação para televisão, Tetsuwan Atom, Astro Boy, que tem uma enorme filmografia de pequenos e muito bons filmes de autor.

怪~ayakashi~

Ando a ver: xxxHOLiC

Definitivamente xxxHOLiC está a melhorar! O 5º episódio tem todos os ingredientes que gostaria que tivesse tido desde o primeiro: a ingenuidade e trapalhice de Watanuki, Yuuko a arranjar toda e qualquer desculpa para limpar a casa de sake, Mokona a enervar Watanuki e uma dose cavalar de mitologia tradicional japonesa aliada à aprendizagem de Watanuki num episódio maioritáriamente nocturno.

Ainda temos de brinde Doumeki a mostrar as suas impecáveis qualidades no Kyudo e a sua relação com Watanuki e Himawari a evoluir. Esperemos que continue neste caminho.

Para além disso, o pequeno raposinho não poderia ser mais kawaii [=cute]!

xxxHOLiC - TBS Animation

13.5.06

Protesto

Hoje vi um episódio da fabulosa série Noir, mas nem tudo estava OK, via a Mireille, a Kirika e a Cloe esticadinhas.

Nos últimos tempos há uma "moda" nos anime de serem em formato 16:9, não tenho absolutamente nada contra isso, considero apenas uma opção estética. O que não percebo é porque raio a SIC-Radical, se compra as séries nesse formato, depois as emite em 3:4.

Tenho um amigo que tem uma televisão panorâmica e que fica todo satisfeito quando as séries são transmitidas assim (também aconteceu com Last Exile), isto porque os limites da imagem são esticados para atingir os limites do écran, mas se a série for emitida com as famosas barras negras ele acaba por ver a imagem a "nadar" no meio do écran. Por isso é que eu, com uma banal televisão de 3:4, as vejo esticadinhas e ele, com uma televisão panorâmica (16:9) as vê como deve ser.

Por mais que compreenda o ponto de vista do meu amigo, aqui é que está o problema: acredito que a grande maioria dos portugueses pertencem ao meu grupo e têm uma televisão clássica 3:4 e, portanto, vêm a maioria dos anime da SIC-Radical distorcidos. Quem tomou a opção de emitir assim as séries deve pertencer à minoria que tem uma TV panorâmica e deve se estar pouco lixando para a grande maioria que as não tem! Que raio de opção é essa? Não sei ao certo o que isso implica tecnológicamente numa estação de emissão de TV, mas compreendo mais ou menos o que se passa com os DVDs e se, com os DVDs o problema pode ser resolvido, este tipo de falhas técnicas nunca deveriam acontecer! Agora lembrei-me, a RTP quando transmite algum programa em formato panorâmico, faz um pequeno aviso e nunca que eu vi esses programas esticados. Cá para mim a SIC deveria substituir ou os técnicos ou a maquinaria de emissão.

Acho que quem tem esse tipo de função deveria ter a preocupação de emitir um programa no formato da maioria dos receptores, do mesmo modo que, quem concebe sites para internet, tem de os testar nos variados browsers. O ideal, ideal seria que ambos os casos, o meu e o do meu amigo, saíssem satisfeitos e nenhum visse as séries com falta de qualidade: eu com as barras negras e sem distorção e ele com a imagem a preencher totalmente o écran.

12.5.06

Comecei a ver: xxxHOLiC

Depois da agradável surpresa que foi o filme xxxHOLiC: Manatsu no Yoru no Yume, a série de TV tem custado um pouco a arrancar. Agora que vi o 4º episódio, todas as personagens principais e o ambiente em que actuam foram introduzidos, finalmente a história avançou um pouco. Os episódios anteriores não foram, de todo, inúteis, mas também não foram muito cativantes. Para além de alguma falha, até agora, em intensidade de emoções (talvez agravada por uma animação aquém das minhas expectativas) o humor irónico de Yuuko e as simpáticas trapalhices de Watanuki não são assim tão presentes.

O que sinto é que o filme criou expectativa para um novo trabalho, baseado numa manga das CLAMP, fora da quase-rotina a que tinham chegado, mas a série de TV é uma versão um pouco suavizada do muito interessante, bem feito e divertido filme. Também, hoje-em-dia, num universo de anime cheio de séries fantásticas e de terror, com produções acima da média e com atenção a um público adulto, acho que esperava algo mais soturno e intenso e com uma qualidade técnica correspondente ao esperado de estúdios como a Production I.G..

Tenho lido algumas opiniões na net sobre esta série de anime, uma vez que não li a manga e não posso fazer essa comparação. Aparentemente a manga corresponde mais às minhas expectativas de um universo mais obscuro e misterioso. Ao que parece as ligações a Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, não vão existir, mas pelo que vi da série de televisão, ainda bem!

Continuo a gostar muito do character design (se bem que menos cuidado que no filme) e adoro o guarda-roupa de Yuuko, mas isso é 100% responsabilidade das autoras, as CLAMP. Também continuo a gostar muito do modo como Mokona fala, muito parecido com o da Ed de Cowboy Bebop.

Quanto à banda-sonora, achei banalzinha, nada que chame a atenção. Não acho piada à canção do genérico de abertura, mas a do genérico final é engraçadita.

Vendo xxxHOLiC até agora, vou ter de me mentalizar para alguns episódios de enchimento, onde pouco acontece, mas, pela amostra do episódio 4, os episódios em que a narrativa avança, têm boas possibilidades de ser bastante bons!

xxxHOLiC - TBS animation

6.5.06

CINE-ASIA: Loft

Como escrevi anteriormente, sendo que este filme não é anime, não publico a crítica aqui, uma vez que este é um blog dedicado a anime e seus derivados. Este é o último filme de Kyoichi Kurosawa, um dos melhores realizadores japoneses desta nova geração de cineastas do fantástico e terror. Clicando no título do post, pode-se ler a crítica no Cine-Asia. Boa leitura!

4.5.06

Captain Tsubasa

Eu sou daquelas aves raras em Portugal que não liga a mínima a futebol, mesmo assim, não poderia deixar passar a reposição de Captain Tsubasa no Canal Panda em branco até porque acho esta série deliciosa! Não sei se vou seguir a série episódio a episódio, porque já a vi, em tempos, quando deu ainda na RTP, aos fins de semana de madrugada, parte dobrada em português, parte dobrada em italiano!

Dobragem e alterações de nomes à parte, coisa que aliás nunca percebi, em particular nesta série em que a grande maioria dos intervenientes são japoneses e os nomes japoneses, apesar de exóticos, são mais fáceis de pronunciar correctamente por um português que nomes anglo-saxónicos, é uma boa série de anime.

A melhor e mais divertida recordação que tenho da primeira vez que vi esta série eram os extremamente intensos, emocionantes e longos jogos de futebol que se prolongavam por dois ou mais episódios, era quase necessário só um para eles atravessarem o campo de futebol.

Revendo hoje um episódio cheguei à conclusão que, apesar de um character design algo tosco, de uns cenários muito simples e uma genérica ausência de efeitos especiais (fora as proezas dos jogadores), esta é uma série muitíssimo bem realizada. A ideia de filmar os jogos com a câmera à altura da bola (no chão) é, no mínimo, digna de génio. Todo o modo como os jogos a decorrer e a relação entre personagens, dentro e fora, é conjugada torna os longos jogos extremamente emocionantes de uma forma bem diferente de ver um verdadeiro jogo de futebol (pelo menos na TV), de tal forma que fez uma desinteressada no futebol, como eu, ficar vidrada.

A vantagem de repor no Canal Panda é que, pelo menos, os episódios hão de passar todos seguidos e em horários fixos, sem as alterações loucas de programação dos canais públicos (não cheguei a acompanhar a 2ª série por causa disso). Se bem que o horário não é lá muito simpático, só se se for morcego ou madrugador (e vivam os VHS!).

Como curiosidade: no 2º volume da manga de Captain Tsubasa: Road to 2002 (a série de manga mais recente) aparecem várias vedetas do futebol internacional, incluindo no nosso Figo, que os japoneses, não sabendo como o nome se pronuncia, escreveram à inglesa ファイゴ - Faigo. Não são só os portugueses que se enganam!

Captain Tsubasa - TV Tokyo

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:00, 13:00, 20:30
sab., dom.: 08:00, 14:00, 20:30

1.5.06

Comecei a ver: NANA

Já não era sem tempo de falar aqui de NANA, afinal a série já estreou há quase um mês. Mas, na realidade, faltou-me um bocado de motivação para o fazer.

De uma certa forma a série de anime tem sido uma pequena decepção, o estilo é demasiado melodramático, não gosto por aí além do cast de vozes e continuo a achar que as músicas dos Blast não são punk, mas qualquer coisa entre o rock e o pop, mas ainda estou para perceber o que é que os japoneses entendem por música punk. Talvez seja a voz feminina, que desvia o som para outros géneros, ou então compromissos comerciais com as editoras discográficas, mas, para mim, música punk é um som como Sex Pistols, The Clash, PIL e Blondie (maravilhosa Debbie Harry!), para dar alguns exemplos.

Acho que estava à espera de algo mais intenso e pontuado com o habitual humor sarcástico de Ai Yazawa. Confesso que a personagem de Komatsu Nana (Hachi) nunca me atraiu muito, acho-a sonsa e parvinha, mas a sua relação com Oosaki Nana (Nana) e o seu grupo de amigos, já acho muito interessante. A história de uma rapariga "normal" que se integra num grupo de outsiders simplesmente porque tem uma personalidade simpática e acessível, mas com uma enorme carência por verdadeiras amizades. Já Nana considero uma personagem bem mais complexa, com um passado duro e triste que a tornou muito independente e lhe deu uma força descomunal para lutar pelos seus sonhos.

Acho a voz de Hachi demasiado infantil, podia ser aguda e feminina sem esse lado demasiado Usagi de Sailormoon, não fica bem numa história como NANA. Por outro lado a voz de Nana é demasiado grave, gostei muitíssimo mais da voz de Mika Nakashima no filme, que fala sempre num tom grave e sério mas que tem, na realidade, um timbre mais agudo e feminino. A personagem já é muito forte, a sua voz não precisa de ser redundante. Ren parece-me ter uma voz demasiado calma, suave e séria, mais de acordo com a personalidade de Yasu, ele é circunspecto e independente, mas não tão adulto e responsável. Todas as outras personagens que apareceram até agora, as suas vozes parecem-me adequadas, bem, a de Misato [não sou eu! ;)] é demasiado infantil também.

Pelo lado positivo, e, apesar do que disse anteriormente, estou a gostar da série, o character design respeita muito os originais de Ai Yazawa, ao contrário de Para Kiss, mas gostava que o uso das cores fosse um pouco mais semelhante, acho demasiado rebuscado nos efeitos de luz, sombra e dégradés, coisa que não se vê nas ilustrações da mangaka, que são mais pop.

Das adaptações de Ai Yazawa a anime, continuo a preferir, de longe, Gokinjo Monogatari, e a achar que, apesar de o character design ser demasiado diferente do original, Para Kiss estava mais perto do universo dela na abordagem feita à narrativa e no tom em que a acção se desenvolvia.

NANA ーナナー

24.4.06

~Ayakashi~ Tenshu Monogatari


Acabei de ver o segundo segmento de ~Ayakashi~.

Tenshu Monogatari trata-se da história do amor entre um humano, um falcoeiro, Zussho-no-zuke, e uma wasuregami (deusa esquecida), Tomi-hime. Por serem de dois mundos incompatíveis e diferentes (os wasuregami alimentam-se de humanos para sobreviver), o amor de ambos é logo amaldiçoado. Os dois tentam separar-se, Tomi-hime expulsa Zussho-no-zuke do castelo e ele casa-se com a sua noiva humana, Oshizu, mas não conseguem evitar voltar a ficar juntos.

A reaproximação de Zussho-no-zuke e Tomi-hime provoca uma guerra entre humanos e wasuregami que resulta num massacre do qual apenas sobrevivem os dois amantes que tomam a forma de dois falcões para permanecerem juntos.

Mesmo sendo uma história interessante, mais romântica e fantástica que a anterior, gostei mais de Yotsuya Kaidan. O character design e direcção de arte mudaram, as cores ficaram menos sombrias adoptando mais tons pastel e as personagens, mantendo um traço realista, foram suavizadas. Não sei se foi por isso ou não, mas achei a história menos empolgante e atraente, se bem que não é própriamente má ou aborrecida. Talvez seja menor conhecimento da época desta história, anterior a Yotsuya Kaidan, e das suas mitologias, mas o certo é que ficou aquém das minhas expectativas, senti falta de ter tido um ou dois arrepios a mais.

怪~ayakashi~

22.4.06

CINE-ASIA: Cutie Honey

Já aqui falei de Re: Cutie Honey, a minha última contribuição para o Cine-Asia é sobre o filme que também fez parte do mesmo projecto.



Japão, 2004, 94min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Cutie Honey não é uma rapariga, mas sim uma androide com superpoderes. Mas os seus poderes esgotam-se e para recarregar energias Honey tem de comer (e como!). À margem da lei, ela age como uma justiceira, para grande irritação de Natsuko, provávelmente a única detective da polícia com competência. As duas, com a ajuda de Seiji, um jornalista metediço, acabam envolvidas numa trama dos Panther Claw para dominar o mundo e salvam-no com... amor!

Crítica: Este é daqueles filmes que se uma pessoa não está devidamente mentalizada para o factor “humor do disparate” é melhor não ver. Nada aqui faz verdadeiramente sentido, mas, o que é que isso interessa verdadeiramente? O filme é super-divertido, alucinado, com efeitos especiais assumidos e uma estética altamente colorida (preparar para doses industriais de cor-de-rosa).

Cutie Honey fez parte de um projecto comemorativo da série de manga, anime e OAVs de autoria de Go Nagai, que também assina o argumento deste filme. Este projecto, com produção dos famosos estúdios da Gainax (Evangelion) e realização de Hideaki Anno, co-autor de Evangelion, além de lançar em DVD todo o material existente até agora de Cutie Honey, produziu este filme e, em paralelo, uma série de 3 novos OAVs de animação, Re: Cutie Honey, que funcionam como uma espécie de complemento do filme.

Como já disse, o grande mérito do filme é ser divertido, mas, analisando um bocadinho mais profundamente, é mais que isso. Todo este universo já é à partida um bocado alucinado e estranho, a heroína, para além de muito pouco convencional, não tem práticamente pudor algum, acaba sendo um exemplo exagerado de como os japoneses encaram a sexualidade, um misto de atrevimento e ingenuidade. Os vilões (melhor dito: vilãs) são completamente narcisistas e nunca vêm para além do próprio umbigo, nem mesmo os companheiros de conquista do mundo.

Os capangas, ou seja, carne-para-canhão, são isso mesmo: carne-para-canhão. O suposto “galã”, Seiji, em vez de proteger Honey (claramente bem mais forte que ele), flirta com ela e Natsuko o tempo todo. E a força policial é do mais incompetente que se possa imaginar, fora a esforçada Natsuko que, por falta de apoio, raramente consegue prender alguma das vilãs.

À primeira até pode parecer um filme extremamente sexista, no modo como as mulheres estão constantemente a ser despidas, mas, dentro do contexto, é tudo tão hilariante que não há feminista que resista (às mais fundamentalistas o melhor é não verem o filme de todo). No fim das contas, neste filme, são as mulheres que dão as cartas: são mulheres que querem conquistar o mundo, são as mulheres as únicas que mostram algum tipo de inteligência e são as mulheres que salvam o mundo.

Fiquei agradávelmente surpreendida com a actriz Eriko Sato, que desconhecia, pois não acompanho as carreiras das idols japonesas, mas que encaixa na perfeição na atrevida, mas totalmente naïf Kisaragi Honey. Também todos os outros actores nos papéis principais foram bem escolhidos e têm uma óptima performance dentro deste universo.

Tecnicamente o filme mostra por vezes as costuras, mas também acho que melhor não pode ser exigido, pois, apesar de ser um live action, este filme poderia ser muitíssimo bem um anime, sem tirar nem por. Tanto que, se se vir Re: Cutie Honey logo a seguir, as diferenças são poucas, só se muda de meio (bem... há mais nudez).

Mas os efeitos especiais são exageradamente engraçados (e muito gráficos), as caracterizações das vilãs excelentes (não há fechos éclair “à lá Godzilla” visíveis) e os cenários e guarda-roupa coloridos, mas a respeitar na totalidade este universo. A acção é de tal forma rápida que é difícil, num primeiro visionamento, apanhar todos os pormenores, mas a realização é fluida, de forma que o espectador é litralmente engolido pelas aventuras de Honey.

Classificação: 7/10

16.4.06

CINE-ASIA

Fui convidada para colaborar regularmente noutro blog, o Cine-Asia, com críticas a filmes japoneses (eles abrangem todo o cinema asiático, mas vou me limitar a filmes japoneses), com preferência para o anime.

Por aqui vou publicar as críticas que forem de filmes em anime ou directamente ligados a anime e/ou manga. A formatação do texto vai ser a do Cine-Asia mas sou capaz de fazer algumas pequenas alterações que fazem mais sentido neste blog.

Se fizer crítica a outros filmes, farei apenas um link directo ao artigo.

CINE-ASIA: Cowboy Bebop: Tengoku no Tobira

Cowboy Bebop: Knockin' on Heaven's Door

Japão, 2001, 120min

Página Oficial - Trailer

Sinopse: Num futuro não muito diferente do nosso, com a excepção de que a tecnologia permite a utilização do espaço sideral ao comum mortal, um camião TIR explode numa auto-estrada matando vários civis. Faye Valentine, membro involuntário do grupo de bounty hunters, caçadores de prémios, que tripulam a Bebop é, provávelmente a única testemunha que sobrevive. Na explosão foi espalhado um vírus que, lentamente, aniquilou as outras testemunhas...

Crítica: Apesar de este filme ter sido produzido no seguimento do sucesso da série de televisão homónima (passou no primeiro bloco de anime da SIC Radical), qualquer um o pode ver sem estar familiarizado com as personagens.

Este foi o primeiro filme anime que vi a que pude, com toda a segurança, chamar de FILME. A história é complexa, toda a produção visual, desde o character design (do excelente Toshihiro Kawamoto) à animação, passando pelos cenários, é sublime, extremamente bem feita e complexa. A realização é da melhor qualidade que se pode encontrar em qualquer filme de acção. Tal como na série o tom varia bastante entre o drama de acção e a comédia sarcástica (ver o isqueiro do contacto marroquino de Spike) que lhe dão um ritmo bem interessante e despoletam algumas gargalhadas bem honestas. Ao rever agora o filme, tentei imaginá-lo não em animação mas com actores de carne-e-osso e é bem fácil de o conceber.

No fundo, apesar das ligações óbvias à série (personagens principais, universo ficcional) esta história funciona como um episódio à parte, mas realizado com uma qualidade de cinema. Claro que, se se vir a série antes de ver o filme, é sempre uma mais-valia, no sentido que as personagens principais, Spike, Jet, Faye, Ed e Ein, lá estão mais desenvolvidas, conhece-se o seu passado e outras características impossíveis de “entalar” em duas horas de filme.

É curioso reparar como os acontecimentos do 11 de Setembro, mesmo tendo acontecido uns dias após o lançamento do filme (01.09.2001), têm citações aqui. Aliás as referências, para além do terrorismo, bairro marroquino, etc. são bastante claras, principalmente nas duas torres gémeas desta cidade que, inclusive, são mais uma vez filmadas, à semelhança de como as Twin Towers originais muitas vezes o foram, como um recorte ao pôr-do-sol. Parece que adivinharam!

A nível visual este filme é de um detalhe impressionante, desde os reflexos das “abóboras alegóricas” nos prédios em redor, à magnífica encenação da luta final entre Spike e Vincent, quase toda ela em contra-luz com os fogos de artifício a iluminar o cenário. Numa cena em que Jet se encontra com um ex-colega, detective da polícia, num cinema, o filme a passar no écran é claramente um “western” de Hollywood dos anos 40, com John Wayne. Não tenho dados suficientes para dizer qual é o “western”, mas acredito que o filme exista. Isto para não falar das cenas de acção, lindamente coreografadas, a fazer lembrar filmes de James Cameron ou mesmo os Matrixes e afins.

A banda-sonora, assinada mais uma vez por Yoko Kanno, é símbolo do seu enorme talento. Já a banda-sonora da série de televisão era invulgarmente extraordinária, talvez até uma das melhores da sua autoria. A do filme continua no mesmo estilo, variando entre o country e rock para o jazz, com algumas variantes de world music (especialidade de Yoko Kanno), com a desculpa de que parte do filme se passa no bairro marroquino. A música neste filme, como o título indica, é muito importante e enriquece enormemente o ambiente, sem perturbar a acção ou ser excessiva.

CLASSIFICAÇÃO: 8/10

13.4.06

Terminei de ver: Kaitou St. Tail


A série desenvolveu-se, como previsto e sem surpresas: Asuka Jr. apanha St. Tail.

Gostei bastante dos dois últimos episódios em que a habitual situação com St. Tail muda e ela tem de agir, pela primeira vez, em proveito próprio. Mas como se trata de salvar a vida do amor dela, não é grave. Os dois episódios estão estruturados numa história em duas partes, as duas vilãs, Maju e Rosemary, apesar de poderem ter aparecido um pouco mais cedo na narrativa, são convincentes dentro do contexto e todos os dilemas da série (Meimi revelar a Asuka Jr. que é St. Tail e Asuka Jr. apanhar St. Tail) são resolvidos de modo emocionante e simultâneamente.

Só não gostei do finalzinho do último episódio, depois da acção bastante pormenorizada da última aventura de St. Tail, o estratagema dos "6 anos mais tarde", foi um bocado acelerado e fora do ritmo da série, especialmente destes dois últimos episódios. Mas, alguma conclusão teria de haver e, sendo esta uma série levezinha para adolescentes, um final mais vanguardista com algumas coisas em suspenso, seria demasiado extremo.

Entretanto já vi o primeiro episódio, mas não explica a origem dos poderes de St. Tail, do medalhão etc. Será que ela tem mesmo poderes ou é tudo ilusionismo unido a uma extrema agilidade física? Talvez a manga explique, no anime estas questões ficam no ar...

怪盗セイント・テール:配信作品:東京ムービー

11.4.06

Tommy february6


Tommy February6 - Lonely In Gorgeous


Ao ouvir o tema de abertura de Paradise Kiss, Lonely In Gorgeous, fiquei fascinada com a cantora, Tommy february6.

Além de Tommy february6, Tomoko Kawase tem outros alter-egos/projectos musicais, todos com características muito próprias.

Tommy february6 tem um estilo muito pop anos 80 e algo irritante, mas Lonely In Gorgeous é, sózinha, uma canção engraçada que se ouve bem e até é algo viciante. Se se tentar ouvir os outros albuns, acaba por cansar, ser tudo um pouco repetitivo.

O videoclip desta música é muito engraçado, se bem que, para quem já a conhecia também não é novidade nenhuma. O microfone de karaoke, o playback mal-feito, as cheerleaders, os óculos e roupa dela, também se vão repetindo. O que acho piada nisto é o ar displicente com que ela faz tudo isto, assumidamente mal, e muito japonês na estética e na dualidade da ingenuidade/artificialismo.

O video é estruturado em três parcelas que se entrecruzam. A caixa cor-de-rosa às riscas que é suposto ser o interior da caixa da Tommy february6 Blythe Doll, lançada na mesma altura que o single. O palco onde ela canta com o microfone de karaoke e o coro de cheerleaders coreografadas e, por último, uma espécie de remake de Sabotage dos Beastie Boys.
No todo estas conjugações têm um resultado estranho e peculiar, mas que não desagrada. Dá-me sempre a sensação de que ela está sempre no gozo e a divertir-se com isso. Ela sabe o que anda a fazer e as influências, apesar de obscuras, são fácilmente reconhecíveis.

Os outros projectos/alter-egos de Tomoko são Tommy heavenly6, com um som mais rock e, a meu ver, mais fácil de ouvir e ainda o seu primeiro projecto, The Brilliant Green em que há mais doses cavalares de cheerleaders e a música ainda é mais pop de plástico dos anos 80. No YouTube há vários exemplos dos vídeos dela.

Tommy february6

31.3.06

Ando a ver: Jigoku Shoujo

Os episódios desta série seguem mais ou menos a mesma fórmula: alguém se sente injustiçado de alguma forma, esse mesmo alguém ouviu falar da Jigoku Tsuushin (Ligação ao Inferno), acede ao site e digita o nome do "abusador". O "injustiçado" é contactado por Enma Ai (a Jigoku Shoujo, Rapariga do Inferno) que lhe explica as regras e dá um boneco de palha com um fio vermelho atado. Eventualmente o "injustiçado" vacila, mas o fio acaba por ser desatado e o "abusador" é levado por Ai para o Inferno.

Coloquei as palavras "abusador" e "injustiçado" entre aspas porque nem sempre a escolha e as atitudes são claras ou lineares, em geral há uma certa dualidade e depende do ponto de vista de cada um, decidir se o "abusador" é mesmo abusador e se o "injustiçado" não será, por sua vez um abusador ao usar a vingança como modo de agir.

Muito lentamente (demasiado para alguns comentários que li na net sobre este anime) a série vai nos deixando essa sensação de incerteza em relação aos "rótulos" de cada caso. Também devagarinho apareceram mais duas personagens regulares, pai e filha, Hajime e Tsugumi, que têm uma motivação diferente de todos que encontrámos até agora que ou fazem parte do grupo sobrenatural de Ai ou são "abusadores" ou "injustiçados". Hajime (o nome quer dizer "começo", o que, de certo, não é acaso) é reporter free-lance e investiga sobre a Jigoku Tsuushin e Enma Ai. A filha, Tsugumi, tem visões de e com Enma Ai, o que ao princípio ajuda Hajime mas nem sempre.

O episódio 13, Rengoku Shoujo (Rapariga do Purgatório), é uma viragem na história, até agora estranha mas rotineira. Pela primeira vez o ponto de vista muda das situações injustiçado/abusador para falar da história de Ai e lançar mais ainda a sensação de que algo de muito estranho anda por trás de tudo isto.

Com certeza muita gente na net discordaria comigo, apesar de quebrar bastante o ritmo da série e de ser um risco moderado ter tantos episódios (metade) sem momentos de viragem na narrativa, esta estratégia reforça o ambiente sinistro e deixa mais ainda a sensação de estranheza e incómodo. Nem sempre isso foi eficaz, alguns episódios podiam ser mais arrepiantes ou mesmo interessantes, mas, se não se vir tudo de seguida, não chateia.

Uma nota positiva está no retrato, não muito positivo, mas de algum modo realista, de certas situações de rivalidade, competição, relações e hierarquias sociais na sociedade japonesa, que são muitas vezes ignoradas ou esquecidas por fãs deslumbrados pela sociedade japonesa. Este retrato, talvez um pouco exagerado (ou não), mostra-nos uma sociedade que para além das maravilhas tecnológicas, económicas e culturais, é uma sociedade como todas as outras com graves problemas sociais, que se opõem a esse deslumbramento ocidental.

Jigoku Shoujo - Official site [JP]

28.3.06

Comecei a ver: Gokinjo Monogatari

Pois é, finalmente estou a começar a concretizar um dos meus sonhos de anime, ver a série completa de Gokinjo Monogatari (História da vizinhança). Estou a concretizar o primeiro (Candy), o terceiro (Gokinjo), só falta o segundo: Majokko Meg-chan, ou seja, Bia, a pequena feiticeira, mas em japonês!

Como não é uma série particularmente conhecida ou popular, com a agravante de ser shoujo, apesar de ser antiga (tem 10 anos) não havia quem a disponibilizasse na net e até agora só tinha visto os 4 primeiros episódios em RM, com uma qualidade pior que a dos episódios de Candy. Fora do Japão, acho que esta série só passou em Itália, onde foi extremamente popular (Curiosando nei Cortili del Cuore), país aliás onde comprei a manga no original e traduzida em italiano (a manga em italiano é extremamente barata).

Bem, ver isto com qualidade é outra loiça! É um bocado como ler um livro mal traduzido e depois ler o original: é quase como se duas séries diferentes se tratasse!

Vou começar pelos genéricos e a música. As canções são divertidíssimas, e têm tudo a ver com as personagens, principalmente Mikako, a protagonista. São ambas cantadas pela actriz de voz que faz de Mikako. As imagens contam-nos um pouco de cada um e preparam-nos visualmente para um estilo inconvencional.

O character design respeita, quase tipo fotocópia, os originais de Ai Yazawa, mas o melhor é que a escolha das cores é muito bem pensada, é quase como se a manga não fosse 95% a preto e branco. Uma das coisas que tive imensa pena em Paradise Kiss (apesar de ter gostado da adaptação) foi a perda do lindíssimo e original traço dela.

O ritmo da acção está calculado ao milímetro, diverte a cada instante e usa muitíssimo bem o génio de Mikako e Tsutomu e a sua relação. Não gostei da voz off de Mikako a dizer que gosta de Tsutomu. Na manga ambos estão no mesmo nível, gostam um do outro, mas estão na fase de embirranço, para mais tarde se aperceberem mais ou menos ao mesmo tempo que têm mesmo é de se deixar de engonhanços e começar a namorar! Convenhamos que vozes off nem sempre ficam bem...
O Noriji... lindu! Sem comentários, está tiro-e-queda como na manga!

Aquilo que é quase impossível de ver na manga, por ser um meio estático, está super bem aproveitado. A cena da "sardinha em lata" no comboio e a do assédio das fãs de Ken-chan estão excelentes.

Os títulos e os eye catch com a Berry-chan, o Kuro, o dragãozinho de Ai Yazawa (e da mãe de Mikako também) e o Petit François de Pi-chan são super-engraçados.

A série é num tom irónico e bem divertido, pontuando cenas mais dramáticas com outras de humor disparatado (ver a razão porque Mikako se atrasou e deixou TODA a gente preocupadíssima), mas as personagens têm densidade e carácter. A mascote é mesmo isso: uma mascote. Kuro (=preto) é um gato, tem ar de gato, age como um gato. O visual é colorido, à época muitos apontaram como um estilo anos 70, como estavam redondamente enganados! Quem disse isso NUNCA esteve em Harajuku ou Shibuya, o visual da série tem tudo a ver com o segmento fashion de Tóquio que aparece, por exemplo, na revista FRUiTS.

AMEI os Warps de Mikako! Eram uma das manias dela que preferia na manga.

Gokinjo Monogatari - Toei Animation [JP]

20.3.06

キャンディ♥キャンディ

Achei na net episódios da Candy Candy em japonês! A qualidade continua a ser sofrível (o mal do VHS), mas sempre é melhorzinha que a das cópias francesas que já tinha encontrado e tem a vantagem de serem em mkv, posso ver com ou sem legendagem :). Infelizmente não é a série completa, é só um primeiro batch com os primeiros episódios, espero que a série completa esteja disponível em breve.

Esta é mesmo uma primeira vez, nunca, mesmo nunca tinha visto Candy no original (só os genéricos) e vem em boa altura, porque a versão francesa (para variar) está censurada. Se não cortaram cenas (talvez) pelo menos os diálogos estão alterados de modo a parecer que Anthony não morreu, que apenas ficou nos Estados Unidos e deixou Candy partir para Londres, o que não faz sentido, uma vez que todos os Andrew e parentes próximos (os Logan) estão em Inglaterra.

Ando a ver: Kaitou St. Tail

Agora que St. Tail (A Ladra Meimi) vai mais ou menos a meio, já me posso pronunciar sobre ela com outra segurança.

Os episódios são mais ou menos sempre a mesma coisa:
Alguém tem um problema (em geral são pessoas que foram aldrabadas ou roubadas), vai à igreja do Colégio St. Paulia (uh! pera: referência a Candy Candy!) para pedir a Deus que o seu problema seja resolvido e encontra em Seira uma inadvertida mas eficaz interlocutora. Seira passa a informação a Meimi (e não Mimi, como na dobragem portuguesa) que, por sua vez, avisa Asuka Jr. (através de bilhetes que aparecem nos sítios mais improváveis) que St. Tail vai agir. Meimi, já como St. Tail, repõe o malfeito, não sem alguma peripécia que envolva Asuka Jr., e tudo volta ao normal.

Descrevendo os episódios assim até parece uma grande seca, mas a série tem charme. Todas as personagens são ultra-kawaii (=queridas), o character design, apesar de um pouco enganador (faz todos, inclusive os adultos, parecerem uns anitos valentes mais novos), é bonitinho e bem feito, a animação é boa e as histórias, apesar das incoerências com a religião católica (os japoneses não percebem nada do assunto mesmo, vão lá pelo colorido pitoresco) e da improbabilidade de muitas situações, são levezinhas, românticas q.b. e funcionam no seu objectivo principal: aproximar Meimi de Asuka Jr. e vice-versa.

Afinal de contas estamos perante uma história romântica para adolescentes, apimentada com um bocadinho de aventura. Já dá para perceber como a história vai evoluir e terminar, mas isso não chateia, pelo contrário, faz com que a queira seguir até ao fim. É um bocado como o suspanse: todos sabem o que vai acontecer (menos as personagens directamente envolvidas) mas o espectador continua colado para ver como realmente acontece.

PS: A mascote é, estranhamente um ouriço chamado Rubi, que também é super-kawaii (os ouriços, apesar de picarem, SÃO kawaii!!)

怪盗セイント・テール:配信作品:東京ムービー

Canal Panda
2ª - 6ª, 07:30, 13:30, 21:00
sáb., dom., 12:00, 17:30, 21:30

12.3.06

NANA

Longamente esperado por mim, o filme NANA, foi o grande impulsionador do enorme sucesso recente de Ai Yazawa. Não vou mais uma vez aqui elogiar Ai Yazawa, sou fã, gosto, chega.

O filme tem excelentes qualidades e alguns defeitos.
Vou começar pelos defeitos. Como a história da manga tem uma intriga complexa e vários subplots, não deve ter sido tarefa fácil escolher o que realmente importava levar para a adaptação ao cinema. As cenas escolhidas são realmente as cenas chave da história, mas faltam-lhe momentos de ligação. A história desenvolve-se sempre em cenas fortes, decisivas, onde não há pausas mais neutras. É quase como se vissemos um filme de acção em que todas as cenas são de acção sem um intervalo para o herói "lamber as feridas". Isto poderia ter sido superado de imensas formas, desde a escrita do argumento até à montagem final passando, claro pela realização. A sensação que acaba por dar é: "OK, já fizemos a cena em que elas se conhecem, a seguir vão morar juntas" ou "Hachi já sabe que Nana canta numa banda, agora vamos ver um concerto de sucesso". Todas as cenas são trabalhadas com a mesma intensidade, não existe a transição entre tensão-calma-tensão-calma. Acaba por dar uma sensação um bocado superficial do filme.
Certas personagens perderem dimensão (e mesmo assim muitas foram excluídas) como Sachiko ou Leila. Mas isso seria sempre inevitável.

As qualidades (são bastantes):
A começar pela escolha do cast. Não poderia ser melhor. Todos os actores dos papeis principais são óptimos actores. Mika Nakashima, cantora de profissão, encarna literalmente Nana, Aoi Miyazaki não poderia ter sido melhor escolhida para a amorosa Hachi e Ryuhei Matsuda mostra que é mais que a cara bonita de Gohatto, fazendo de Ren. Todos têm uma forte empatia entre eles.
O esforço para seguir à risca as opções estéticas de Ai Yazawa (as roupas de Vivienne Westwood, o apartamento, a caracterização, etc.) compensou e dá corpo ao que se via, a preto e branco, nos desenhos da manga.
Gostei muito do modo como a história foi estruturada, não contando logo à partida o dilema de Nana, focando-se mais na extrovertida e faladora Hachi. Com Hachi (narradora e o ponto de vista do filme) vamos descobrindo o que Nana deixou para trás ao ir para Tóquio, enquanto que Hachi nos conta toda a sua história quando ambas se conhecem. Na manga, também porque a estrutura em capítulos não permita tanta flexiblidade, a história é-nos contada de modo mais linear.
A opção de interromper a história (de uma manga ainda em publicação e algo longa para um filme só) onde foi interrompida. Dá uma sensação de final fechado, não nos deixa a pensar: "então e agora?".
Apesar de os locais serem muito específicos, de o filme ter uma imagética particular e de se tratar, principalmente, de um meio onde circulam músicos, artistas, etc., a história contada tem a qualidade de ser universal. Se mudarmos os detalhes, permanece a mesma. Por alguma razão Ai Yazawa tem tanto talento, não são só desenhos bonitos e um forte instinto para a moda.

Felizmente que o filme teve tanto sucesso no Japão que uma segunda parte, em princípio com o que resta da história, vai ser filmada este ano. Em Abril vai começar a ser transmitida nas TVs japonesas a adaptação da manga a série anime, cá falarei dela, quando chegar a altura. Aliás este filme deu o empurrão que faltava à carreira da já bastante popular Mika Nakashima, lançou Yuna Ito como cantora e pôs Ai Yazawa (até então mangaka underground) no mapa.

http://www.nana-movie.com/

11.3.06

Osen

Às vezes dá-me raiva o acesso a manga e anime ser limitado no ocidente às modas de outros países, ou às vagas do comércio televisivo. Com isso é difícil ter acesso a obras mais limítrofes, ou de géneros menos populares no ocidente. Só mesmo indo a uma livraria no Japão e cuscar todas as manga existentes. Se uma pessoa lá viver, faz-se bem, mas quem porventura só pode ir ocasionalmente (ou nem isso) não dá nem para trazer tudo o que se deseja e muito menos actualizar-se como deve ser, tal é a variedade.

Ao vaguear num site japonês à procura de outras coisas, encontrei uma manga, da qual não sei nada, pois os únicos sites que encontrei, sem serem japoneses (e esses também não abundam), com informação tanto sobre esta manga como o autor parecem-me ser em hebraico (se não forem, perdão, mas os caracteres são bonitos).

A dita manga chama-se Osen, o seu autor Kikuchi Shouta (きくち正太), e é publicada pela Kodansha. Digo autor porque o nome me parece masculino e a manga shounen (o que na realidade não garante nada), mais uma vez, se estiver errada, quem souber me corrija. O título, Osen, quer dizer "poluição" ou "contaminação" e o autor é algo prolífico, tendo, pelo menos, 10 títulos publicados, sendo aparentemente este um dos mais recentes. A manga já vai em 10 volumes e as capas são todas incríveis (este exemplo é do 7º volume). Digamos que as ilustrações são uma variante das artes tradicionais japonesas, mas com um traço moderno e nada convencional.

Espero conseguir mais informação desta manga e, quem sabe, algum exemplo do artwork interior a preto e branco.

10.3.06

xxxHOLiC - Manatsu no Yoru no Yume

Sou fã das CLAMP já há muitos anos, a minha manga preferida ainda é o X, mas confesso que ultimamente enjoei um bocado e perdi um pouco do interesse. Angelic Layer e Chobits, apesar de não serem más séries de anime e manga, deixaram um bocadinho a desejar, principalmente na narrativa, pareciam mais para vender que as anteriores manifestações de criatividade a que nos tinham habituado.

Isso e ter visto um bocadinho do 1º episódio de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, ajudou a que não tivesse o mesmo entusiasmo anterior sempre que um título novo saía das suas forjas. Só havia aqui um senão: as ilustrações e as manga de xxxHOLiC sempre me pareceram bastante interessantes e a personagem de Yuuko mais ainda. Essa pequena curiosidade e um resquício do meu antigo fanatismo pelas CLAMP fizeram-me ver o filme de xxxHOLiC - Sonho numa noite de verão.

Em comum com a homónima peça de Shakespeare só o título, a estação do ano e algum do onirismo, mas o filme é invulgar e engraçado. Como (ainda) não li a manga, estou um bocadinho fora do contexto, por enquanto só conheço mesmo o que vi no filme.

A história acompanha um curioso trio de exorcistas/médiums que são chamados para resolver um caso numa mansão surrealista. A casa parece a ilustração da casa no livro A Casa dos Espíritos de Isabel Allende: não tem uma estrutura modular, simétrica ou mesmo lógica, cada "pedaço" tem um estilo arquitectónico diferente e por dentro ainda é pior, é como se as divisões se movessem ou metamorfoseassem. Yuuko é uma típica "gaja boa" dos anime, vive indolentemente numa casa tradicional japonesa entalada entre prédios altos com uma dose de magia também (não tenho a certeza se a vista no fim era dessa casa, mas acho que sim). Aí também vivem dois rapazes adolescentes de carácteres opostos: Watanuki é emotivo, sensível e desengonçado, Doumeki é cool, indiferente e despreocupado. Com eles vive a Mokona preta (que fala, ao contrário da branca de Rayearth que só fazia "pupu-puuu!") e dois anjos(?) Maru e Moro. Os dois rapazes ainda têm uma colega/love interest, a bonita Himawari (Girassol).

A tecnologia deu um senhor empurrão aos anime ultimamente e este filme beneficia muito disso. Pela primeira vez num anime, a riqueza do trabalho de ilustração de Mokona Apapa é bem trabalhada, portanto, tanto o character design e toda a direcção de arte são muito bons e fiéis ao original. Gostei imenso do modo como as personagens se mexem, em particular Watanuki que parece um Jack Skellington desengonçado. Gostei muito também da novidade nos gráficos que as CLAMP nos trouxeram, como já disse, andavam um bocadinho cansativas.

A história é engraçada pois mistura a magia e o mistério da casa com as contrastantes personalidades do trio, nenhum dos três é sério, grave, compenetrado ou deprimido, como habitualmente são personagens envolvidas com magia (Subaru em Tokyo Babylon ou X, Kamui em X, etc.) e, no meio de gente muito egoísta e arrogante, os coleccionadores, há uma certa leveza no facto de Yuuko, Watanuki e Doumeki não se envolverem directamente com nenhum deles e ficarem na sua.

É um filme bonito de se ver, bem executado que traz algum ar fresco à obra das CLAMP, ultimamente em perigo de estagnar.

Este filme foi exibido num double feature com o filme de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, cujas histórias se cruzam também na manga. Em Abril vai começar a ser transmitida a série anime de TV, mais uma para eu ver.

http://www.holic-tsubasa.com/

5.3.06

Terry IS the man!

Já vi os idílicos episódios do período de férias de verão na Escócia em Candy Candy.

Definitivamente Terry é um charme! A cena em que rouba um beijo a Candy, apesar de ser um pouco mais tarde e suave que na manga, é o máximo! O beijo dura 30, sim, 30 segundos! Isto para um anime dos anos 70, é obra! Mesmo hoje em dia, em que sexualidade já é mostrada com outro à vontade, os beijos românticos (o que será de cenas mais íntimas) fazem-se esperar e não são muitos...

O beijo sucede uma cena de uma conversa íntima entre os dois, em que Terry se abre numa das raras vezes para falar da família. Arrebatadamente agarra Candy para dançar mas pára e... rouba-lhe o beijo. Claro que Candy é imatura, com a justificação de que não percebe o modo de agir de Terry (realmente um bocado temperamental), interrompe o beijo (de 30 segundos) com uma estalada. É pena, se tivesse reagido de outro modo a história teria se desenvolvido também de outra maneira.

Apesar de ser um anime de baixo orçamento e antigo, estou espantada com a qualidade até agora apresentada. O character design é muito bem desenhado, coerente e constante, os cenários bonitos e bem feitos, a música melhorou e há um esforço para que tudo saia bem nas cenas mais importantes.

1.3.06

Kaitou St. Tail

Hoje estreou mais um majical shoujo num canal em Portugal: Kaitou St. Tail, ou, na versão portuguesa, A Ladra Meimi.

Como gosto do género, já conheço esta série (de fotografias em revistas) há uns aninhos, lá vou acompanhar. Aliás a série já não é nova, é mais uma que apanhou boleia no sucesso de Sailormoon e é anterior a Card Captor Sakura.

Não consegui apanhar o primeiro episódio inteiro, mas deu para perceber que a história é simples: Meimi tem cerca de 14 anos, estuda num colégio privado de freiras e, às escondidas e com a ajuda de uma amiga noviça, Seira, dedica-se a ser uma espécie de justiceira, repondo no lugar os "pequenos pecados" da comunidade local. Como uma espécie de antagonista tem o seu love interest, Asuka Jr., colega de turma e filho do detective de polícia que investiga os crimes que ela ajuda a repor.

Como pano de fundo tem uns pais pouco convencionais em que a mãe parece ter sido uma misteriosa ladra, quando solteira, e o pai é ilusionista. Com isso a fatiota de St. Tail, o seu modus operandi e os seus truques de magia são plenamente justificados. Resta-me saber exactamente como é a sua origem, tenho 42 dias para rever o primeiro episódio.

Pena é a dobragem para português ser bem fraquinha. Normalmente temos o problema de as vozes, principalmente as femininas, serem demasiado esganiçadas. Talvez para evitar isto, as vozes desta dobragem não têm dimensão espacial: as personagens falam sempre do mesmo modo e no mesmo tom, independentemente de estarem longe, perto, a falar baixo ou a gritar. Não são totalmente desprovidas de expressão mas parecem "descoladas" dos outros sons de fundo.

怪盗セイント・テール:配信作品:東京ムービー [JP]

Canal Panda
2ª - 6ª, 07:30, 13:30, 21:00
sáb., dom., 12:00, 17:30, 21:30

21.2.06

~Ayakashi~ Yotsuya Kaidan


Neste interregno percebi a estrutura da série: São três histórias clássicas de terror Japonesas em blocos de quatro episódios cada. Com isto tudo, já terminei de ver o primeiro bloco: Yotsuya Kaidan.

Outra informação importante, para a qual me chamaram a atenção, é que o desenho de personagens original é do brilhante Yoshitaka Amano. Quem seja fã de jogos de computador há de conhecer, com certeza (eu não sou, nem de longe, especialista). Apesar de não estar à vontade no mundo dos jogos, já conhecia o trabalho de ilustrador de Amano, através de um fantástico livro de ilustrações que pude folhear com bastante atenção. O mesmo livro também esteve disponível nas livrarias portuguesas especializadas, na sua edição, se não me engano, francesa, um pouco mais barata que a original japonesa, mas com idêntica qualidade.

Quanto a Yotsuya Kaidan, no geral gostei bastante do resultado, se bem que, para quem não seja fluente em língua japonesa (i.e. a quem o japonês não seja a língua materna) é complicado seguir, com legendas, uma história tão complexa na sua intriga, numerosas e idênticas personagens e minuciosos detalhes de época. Mas, fora o facto de ser anime para ver mais que uma vez com atenção, é sinistro e arrepiante o suficiente, muito bem realizado e com uma direcção artística e banda-sonora para ninguém por defeito (apesar da estranheza do hip-hop inicial).

Estou expectante em relação às duas histórias que se seguem.

http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/yotsuya/index.html

13.2.06

Terminei de ver: Galaxy Express 999 - os filmes

Não estava forçosamente à espera de nada de especial, mas os filmes de Galaxy Express 999 foram, no conjunto, uma pequena desilusão.

O primeiro filme, Galaxy Express 999, é uma espécie de resenha da série de TV um bocado mal feito e usa mesmo pedaços de animação da série. Para quem, como eu, não viu a série toda, é prático, sabemos como termina a história (pelo menos suponho que sim). Apesar de fraquinho, achei este o melhor filme dos três e foi o único que não desapontou verdadeiramente pois a história é boa.

O segundo filme, Adieu Galaxy Express 999, retoma a história do primeiro filme e da série de TV e, de certa forma, repete-a com uma lavagem de cara. Foi, dos três, o que mais detestei. O filme é uma grande seca, nunca mais acaba e todas as cenas mais dramáticas competem, no fazer render o peixe, com todo o conjunto das óperas românticas do séc.XIX! Sempre que alguém sofre ou algo de intenso acontece, toda a emoção se esvai com a duração das cenas que são demasiado longas. É estranho, os japoneses costumam ser mais económicos.
Ao ver este filme lembrei-me de outra seca que apanhei com um filme de anime: Urusei Yatsura, Beautiful Dreamer (atenção: eu AMO Urusei Yatsura) e percebi que o realizador é o mesmo: Rin Taro. Digam o que disserem, o homem é famoso, principalmente porque a grande maioria dos filmes dele foi lançada comercialmente nos Estados Unidos, mas, até hoje, ainda não gostei de nenhum filme dele que tenha visto (e até já foram alguns).

O terceiro filme corresponde ao título: Galaxy Express 999, Eternal Fantasy. É mesmo uma fantasia sobre o tema e as personagens de Galaxy Express. A história não faz muito sentido, talvez nem seja suposto fazer. A grande qualidade deste filme é que, tal como Space Symphony Maetel, por ser bem mais recente, dá a este universo a qualidade que ele merece através de excelente animação, algum 3D bem feitinho e gráficos mais limpos.

Pena estes filmes tresandarem a comércio e não transporem para o grande écran uma boa história, baseada numa boa série, feitos com qualidade merecida para uma sala de cinema.

http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/index.html
http://www.toei-anim.co.jp/movie/999/eternal.html

9.2.06

Ando a ver: Candy Candy

Encontrei, quase que milagrosamente, a série da Candy Candy numa cópia de VHS francesa com péssima qualidade. Como é virtualmente impossível encontrar a série (legalmente é mesmo impossível) já é muito bom tê-la encontrado mesmo num estado miserável, com cores saturadas, imagem esborratada, sem os lindíssimos genéricos e em francês!

Candy Candy é a minha série de anime preferida de todo o sempre. Foi Candy Candy que introduziu verdadeiramente o anime na minha vida. Conto a história da passagem fugaz de Candy Candy em Portugal e mais detalhes neste mini-site: Candy Candy.

Rever a série, podendo ver os episódios que vi a preto e branco ou em péssimas condições ou até mesmo ver os episódios que perdi é um consolo. A série revela bem a sua idade, é claramente uma produção baratinha dos anos 70 em que a animação é por vezes trôpega ou repetitiva e o character design nem sempre é muito constante. A banda-sonora é o que mais revela a idade da série transitando entre musiquinhas mais ou menos melosas com uma enorme inspiração em música italiana ou mediterrânica (devia estar na moda no Japão nos anos 70) e a restante inspiração em música americana com banjo, harmónica, guitarra e afins. No meio das musiquinhas datadas há uma música bem estranha que acompanha as cenas de acção, mais ou menos cómicas, que tem um ritmo mais latino-americano com o som de cuícas! Estranhíssimo!

Na narrativa a série é um tanto desequilibrada, na grande maioria dos episódios a história evolui com alguma rapidez para ter pelo meio conjuntos de três ou quatro episódios "para fazer render o peixe" em que não acontece rigorosamente nada de interessante a não ser mais uma aventura com Candy.
Há uma clara influência de um universo americano, de cowboys e da "Casa na pradaria", inexistente na manga, e que mostra como os japoneses viam a América. A manga é mais rigorosa e segue o universo da família Andrew, descendente da nobreza escocesa, apesar de a grande maioria da história se passar nos Estados Unidos. É curioso ver como é engraçada a visão que os japoneses tinham, nos anos 70, do ocidente e dos Estados Unidos em particular. Nas mansões retratadas na série, sejam de cidade ou campo, seja num quarto, sala ou salão, há sempre algures, pendurada numa parede, uma cabeça de veado ou alce, até num quarto (espaçoso demais para um navio) no Mauritania, quando Candy viaja para Londres! Do mesmo modo, nas coisas que os japoneses ignoravam, transparecem pequenos hábitos japoneses como o modo como fecham envelopes, alguns alimentos e pequenos objectos, existentes em ambas as partes do mundo, mas com aspectos um pouco diferentes.

Quanto à minha paixão pela série, ela continua plenamente justificada apesar de já ter visto anime bem melhor, no geral. A história é envolvente e empolgante, as personagens não são totalmente más nem totalmente boas, apesar de a vilã Elisa, estar muito perto de não ter qualidades nenhumas a não ser ser bonita. O trabalho de arte, cenários, character design, arquitectura e guarda-roupa são muito interessantes apesar de limitados aos meios existentes.
E, claro, o Terry. Terry é definitivamente o galã anti-herói rebelde mais exemplificativo do shoujo anime. É bonito, charmoso, carismático, perturbado, rebelde, contra o sistema, com um passado algo misterioso e ainda por cima tem o cabelo comprido! Liga lindamente com Candy, que por si só já é uma rebelde por ser uma simples orfã que vive honestamente entre as afectadas e arrogantes classes altas sem se vergar a convenções sem sentido mantendo-se fiel aos próprios valores.
Candy é uma rapariga determinada e forte que, apesar de passar as passinhas do Algarve, não desiste de lutar pela sua felicidade e até a encontra!

Apesar de eu não os estar a ver agora, os genéricos de Candy Candy ainda são, para mim, os genéricos de anime mais bonitos que vi, sejam eles shoujo ou shounen!

http://www.candycandy.net/ [site de Igarashi Yumiko, a desenhadora da manga]
http://www.k-nagi.com/ [site de Keiko Nagita, a autora da história]

5.2.06

Terminei de ver: Space Symphony Maetel

Definitivamente esta é uma série, para fazer render o peixe, mas que ao menos explica alguns mistérios do passado de Maetel.

No fundo esta série é um produto moderno, com tecnologia moderna e uma construção sólida que reflecte um investimento nem sempre existente nos exemplos passados. Quem a criou teve a preocupação de que não houvesse falhas. Pena que lhe falte algum coração.

Serviu. Serviu para satisfazer a minha curiosidade, para ter mais um pedacinho deste universo (desta vez bem produzido) e para perceber alguns porquês da personalidade de Maetel. Não explica tudo, talvez seja para arranjar mais uma desculpa, no futuro, para fazer render mais um bocadinho o peixe.

24.1.06

~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror - Parte II

Andei a ler e a pesquisar um bocadinho e achei bem fazer uma adenda ao meu post anterior sobre ~Ayakashi~.

Pois bem: a trama inicial (não faço a mínima ideia se a série continua com outras estórias) deste anime baseia-se na peça de kabuki Tokaido Yotsuya Kaidan que nos conta uma rebuscada história de interesses, ambições, assassínios, crimes e chacina, com a adição de uns fantasmas bastante cruéis.

Tokaido Yotsuya Kaidan foi inicialmente encenada como uma espécie de "double feature" e seguimento de uma peça muito mais popular, o Chushingura. Ambas as peças são baseadas em factos reais. Chushingura, muitíssimo resumidamente, trata de um senhor da guerra que humilhado comete seppuku e os seus samurai, agora ronin, juntam-se para vingar o seu antigo mestre e no fim todos cometem seppuku.

Tokaido Yotsuya Kaidan apanha a história no seguimento desses acontecimentos e é tão ou mais sangrenta que Titus Andronicus de Shakespeare. O protagonista é Tamiya Iemon, um ronin, que casa com Oiwa contra os desejos do pai dela e a menospreza a seguir ao nascimento do filho de ambos. Sendo pretendido por uma jovem e bonita herdeira, Oume, a família dela desfigura Oiwa e Iemon separa-se dela quando ela morre acidentalmente. De seguida o fantasma de Oiwa e de Kohei, um antigo criado de Iemon, também brutalmente assassinado, assombram Iemon, levando-o a matar Oume, no dia do próprio casamento, a mãe, o pai dela e sei lá quem mais... Muitos baldes de sangue depois, Iemon acaba por se atirar a um rio, não aguentando mais tanta tortura.

Resumindo: este não é um anime para os mais sensíveis, mas sem dúvida que estabelece o mote para as histórias de terror japonesas e porque são tão cruéis e brutais. Como gosto muito de histórias de terror e tenho bastante interesse por kabuki, apesar de não perceber nada do assunto, não podia estar mais contente.

http://www.kabuki21.com/yotsuya_kaidan.php

23.1.06

2: Samurai 7

Já está a dar há cerca de 2 meses (vai no episódio 8) uma série que, na prática, só conheço de título, Samurai 7.

Não vi o episódio todo (tenho uma certa alergia a começar a ver as coisas a meio), mas pelo que percebi do pré-genérico é uma adaptação futurista da história do filme Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.

Não sei se vou acompanhar a série, de qualquer modo o ambiente "ciber-samurai" não me atrai em particular, e a série pareceu-me demasiado feita para rapazes adolescentes, se bem que o ambiente geral não me pareceu mau. O character design não é mau, mas não gosto do guarda-roupa. O facto de ser dobrada em português vai também fazer com que não me entusiasme à partida.

Pode ser que esteja enganada, por um lado espero que sim (não gosto de falar das coisas que não conheço e espero sempre que estreie bom anime), por outro espero que não (assim já teria perdido o início de uma série de anime de que goste e detesto que isso aconteça).

http://www.samurai7.tv/ [EN]
http://www.samurai-7.com/index.html [JP]

2:
sáb. 20:15

19.1.06

Terminei de ver: Paradise Kiss

Finalmente vi o ansiosamente esperado episódio 12 de Para Kiss.

Definitivamente as histórias de Ai Yazawa são invulgares no panorama narrativo tanto do anime como da manga. São mais realistas. No meio daquele cenário e guarda-roupa de encher o olho, as pessoas são pessoas, com frustrações, sonhos e precalços semelhantes aos de qualquer um de nós. Os sentimentos, senão os acontecimentos, também, são, de certo modo universais.

Em Para Kiss temos os artistas vistos como párias pelo seu aspecto e opções mais liberais de vida, a frustração de Yukari confinada aos desejos da mãe para ela e sua consequente falta de individualismo e a tolerância de Toku-chan que, apesar de aparentemente conservador, sempre conviveu com ambos os universos e aprendeu a respeitá-los.

De certa forma todas as personagens principais se mantiveram fiéis a si próprias e evoluíram de algum modo, muitas vezes derivadas pelas circunstâncias. Apesar da personalidade forte de George, que conseguiu levar o grupo a trabalhar quase exclusivamente para ele, no fim ele está prestes a desistir de si próprio, cede, como qualquer um de nós às exigências da vida em sociedade. Felizmente que, apesar de o final não ser própriamente feliz (ou típico de uma história romântica), George tem amigos e pessoas que acreditam nele e acaba por viajar (luxuosamente num paquete, só ele!) face ao seu futuro na Haute Couture em Paris. Do mesmo modo Yukari não desiste do seu novo sonho onde se empenha mais ainda do que se empenhava antes em agradar à mãe. Apesar de gostar de George, escolhe-se a si própria e não a depender de alguém.

No fundo está aqui mais uma vez o tema, recorrente a Yazawa, da independência e do individualismo que, acredito, devem ser conceitos muito complicados de lidar na sociedade japonesa. Se já o são na nossa que incentiva o individualismo, como não será por lá!?

http://parakiss.tv

~ Ayakashi ~ Japanese Classic Horror


Acabadinho de estrear, este anime, só ainda vi o primeiro episódio. O subtítulo foi o que me despertou a curiosidade e, ao ler umas notas que os subbers fizeram, quis logo ver. Este é mais um anime, assim como Paradise Kiss, do novo bloco da Fuji TV, Noitamina, que visa um público mais adulto.

Pelo que até agora percebi o anime vai consistir em histórias independentes (ou não), mas o primeiro episódio baseia-se nos factos que deram origem a uma das peças clássicas de Kabuki (Kizewamono, histórias fantásticas, entre outras), Tokaido Yotsuya Kaidan, de Tsuruya Nanboku IV, que, por sua vez, originou um género muito popular no cinema japonês, o fantástico de terror.

Como a história está dividida, ainda não me vou pronunciar sobre a narrativa. Mas, apesar de me lembrar sempre com alguma nostalgia dos Clássicos da Literatura Japonesa, série que deu há alguns anos na RTP e que partilha, de certo modo, o conceito, gostei muito do modo como este universo da era de Edo foi transposto para a modernidade.

Toda a tecnologia moderna é aqui experimentada e muito bem conseguida. O facto de já não se pintar os acetatos e a cor ser digital resulta numa enorme vantagem estética, usando jogos de luz e sombras, enriquecendo a imagem com texturas e facilitando o uso de padrões nos tecidos, efeitos anteriormente muito difíceis de conseguir. Nos anime mais antigos evitava-se usar tecidos estampados por ser muito moroso e complicado animá-los. Dado que a era de Edo é uma das mais ricas, visualmente, no Japão, séc.XVII-XVIII, contemporânea do Barroco ocidental, imaginar um anime com este tipo de contexto, pintado artesanalmente em acetatos, perde-se logo muito do ambiente.

Não gostei particularmente do character design, parece que todos têm cara de mau e olhos demasiado rasgados (aqui está uma contradição à imagem mais comum do anime), mas serve na perfeição ao ambiente fantástico e de terror e às torturadas personagens.

Achei curioso o hip-hop na música do genérico de abertura, que não fica mal, apesar da estranheza ao início. A música do genérico final já está mais de acordo com o contexto, mas também não é má, apesar de não ser particularmente marcante.


http://www.toei-anim.co.jp/tv/ayakashi/index.html [JP]
http://freya.tv/gg/[gg]_~ayakashi~_Japanese_Classic_Horror_01_-_pdf_notes_[02E0CE18].pdf [EN]

16.1.06

Ando a ver: Galaxy Express 999, Space Symphony Maetel

Juntei as duas séries porque o fio narrativo é o mesmo. Apesar de Galaxy Express 999 ser uma série bem mais antiga e Space Symphony Maetel ser muito recente, a história de Space Symphony antecede a de Galaxy Express e, supostamente, explica alguns dos mistérios de Maetel.

Sempre tive muita curiosidade em todos estes anime e manga de Leiji Matsumoto, uma das razões foi porque sabia que as histórias se interligam e que muitas personagens são em comum. Em suma, o universo (narrativo) é o mesmo. Apesar de por vezes as figuras serem um pouco mal desenhadas, também sempre gostei das mulheres longilíneas e lânguidas, com longos cabelos de Leiji Matsumoto, que também desenhou o filme/videoclips de Daft Punk, Interstella 5555. As imagens, um tanto românticas, de um velho comboio a vapor pelo espaço são muito marcantes e, sem dúvida, que as naves espaciais de Matsumoto são muito bem concebidas.

Galaxy Express 999
Esta série é antiga, do final dos anos 70, e isso nota-se, principalmente na animação um bocado crua. Apesar de ter envelhecido um pouco, no lado tecnológico, a história é deveras interessante.

O primeiro episódio dá-nos a permissa, do sonho dourado que é ter um corpo mecânico. Mas será que é mesmo? Também ficamos a conhecer as duas personagens que acompanhamos na viagem pelas estrelas: Tetsurou, um miúdo, pobre e orfão, que sonha com o desejado corpo mecânico e que vai crescendo e aprendendo com a viagem. Maetel, uma mulher misteriosa, sempre vestida de preto, supostamente humana (será?) que toma conta de Tetsurou e lhe oferece, entre outros, o almejado passe para o 999 (three-nine), o comboio expresso até Andromeda, onde oferecem um corpo mecânico a quem o quiser.

Cada episódio seguinte é uma paragem (de um ciclo solar) em cada um dos planetas e um passo na aprendizagem de Tetsurou. Como a série é longa, as peripécias serão muitas e, suponho, Tetsurou há de vir a perceber que afinal um corpo de carne e osso é bem mais valioso.

Cada história individual que eles conhecem na viagem costuma ser bastante trágica e, normalmente, o arrependimento pela escolha da mecanização é evidente. Pelo meio transparecem outros valores importantes numa aprendizagem e para uma vida em sociedade. É uma espécie de pedagogia em anime.

O caso mais dramático dos pouquinhos episódios que vi é o de Claire, uma lindíssima andróide totalmente feita de vidro que trabalha no 999 para pagar a reversão a um corpo de carne e osso. Trágicamente ela sacrifica-se e fica feita em pedacinhos para salvar Tetsurou de uma fantasma vampiresco num túnel (sim túneis no espaço) através da cadeia de asteróides do nosso sistema solar.

As leis da física e a correcção científica não são muito levadas em conta, mas quando o erro é demasiado evidente a própria série encontra uma explicação lógica dentro da sua organização. O facto mais fantástico é o Galaxy Express ser uma réplica de um comboio a vapor do séc.XIX cuja explicação para o seu aspecto é que as pessoas têm de ter algo com que se identificar e podem se assomar à janela devido a um campo de forças, heheheeee!

Pena que só consegui arranjar os primeiros 7 episódios e o 999 acabou de sair do Sistema Solar... pode ser que um dia continue e acabe de ver a série!

Space Symphony Maetel
Tecnológicamente esta série é realmente bem melhor, mas a narrativa já se desenvolve através dos episódios e não em histórias individuais. Algumas explicações para o passado de Maetel, já surgiram: ela é filha de Promethium, a rainha do planeta vagueante e totalmente mecanizado La Metal, que é responsável pela mecanização dos seres humanos. Maetel deveria ser a herdeira e futura rainha de La Metal, mas é contra a escravidão a que Promethium e Laurela (a anterior rainha) submeteram a raça humana. Emeraldas, uma pirata, antagonista ao sistema, é sua irmã e como amigo e cúmplice tem o protagonista de outra série de Matsumoto: Captain Harlock. Ambos também aparecem em Galaxy Express.

Por enquanto estou no grosso da acção e ainda há muito para acontecer e as ligações à história do Galaxy Express se estabelecerem. No geral, apesar de satisfazer a curiosidade, desvendando os mistérios, em 7 episódios preferi o Galaxy Express 999, onde a narrativa é mais económica, mas também mais eficaz. Às vezes o excesso de efeitos não passa disso, excesso.

Para além destas duas séries, ligadas a esta linhagem de La Metal há: 1000 Nen no Jo-ou (Rainha dos 1000 anos), que trata da história de Promethium, e Maetel Legend, que nos mostra Maetel mais nova. As duas são cronológicamente anteriores a estas duas. Há ainda os filmes de Galaxy Express 999, que são uma espécie de histórias alternativas á série de TV e a série ou filme (não sei bem) Queen Emeraldas que é sobre Emeraldas, a irmã pirata de Maetel.

http://www.leiji-matsumoto.ne.jp/ [JP]

11.1.06

Vicky, o viking

Se há anime nostálgico para mim é o Vicky. Da fase pré-Conan e pré-Candy Candy, é, talvez (fora os Barbapapa, que também são anime!) o único anime de que gostava verdadeiramente. A Heidi via-se e o Marco, detestava (demasiado lamechas)!

Com o Vicky era diferente: cantava a música (Hey, hey Vicky/Hey Vicky hey!/Iça bem a vela!), tinha o barco dele em papel, livros e as figurinhas de pvc pequeninas, que não me lembro bem de onde vinham (acho que do Nestum ou farinha Pensal). Algures ainda devo ter uma foca.

As aventuras nórdicas e sua mitologia, desde cedo me fascinaram e talvez o Vicky tenha sido um dos responsáveis. Mas o mais incrível de que me apercebi agora foi, ao ver recentemente um episódio na 2:, que são extremamente pedagógicos. Cada episódio tem um tema social, disfarçado de aventura. No que vi o tema eram os impostos alfandegários. Impressionante!
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