10.3.06

xxxHOLiC - Manatsu no Yoru no Yume

Sou fã das CLAMP já há muitos anos, a minha manga preferida ainda é o X, mas confesso que ultimamente enjoei um bocado e perdi um pouco do interesse. Angelic Layer e Chobits, apesar de não serem más séries de anime e manga, deixaram um bocadinho a desejar, principalmente na narrativa, pareciam mais para vender que as anteriores manifestações de criatividade a que nos tinham habituado.

Isso e ter visto um bocadinho do 1º episódio de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, ajudou a que não tivesse o mesmo entusiasmo anterior sempre que um título novo saía das suas forjas. Só havia aqui um senão: as ilustrações e as manga de xxxHOLiC sempre me pareceram bastante interessantes e a personagem de Yuuko mais ainda. Essa pequena curiosidade e um resquício do meu antigo fanatismo pelas CLAMP fizeram-me ver o filme de xxxHOLiC - Sonho numa noite de verão.

Em comum com a homónima peça de Shakespeare só o título, a estação do ano e algum do onirismo, mas o filme é invulgar e engraçado. Como (ainda) não li a manga, estou um bocadinho fora do contexto, por enquanto só conheço mesmo o que vi no filme.

A história acompanha um curioso trio de exorcistas/médiums que são chamados para resolver um caso numa mansão surrealista. A casa parece a ilustração da casa no livro A Casa dos Espíritos de Isabel Allende: não tem uma estrutura modular, simétrica ou mesmo lógica, cada "pedaço" tem um estilo arquitectónico diferente e por dentro ainda é pior, é como se as divisões se movessem ou metamorfoseassem. Yuuko é uma típica "gaja boa" dos anime, vive indolentemente numa casa tradicional japonesa entalada entre prédios altos com uma dose de magia também (não tenho a certeza se a vista no fim era dessa casa, mas acho que sim). Aí também vivem dois rapazes adolescentes de carácteres opostos: Watanuki é emotivo, sensível e desengonçado, Doumeki é cool, indiferente e despreocupado. Com eles vive a Mokona preta (que fala, ao contrário da branca de Rayearth que só fazia "pupu-puuu!") e dois anjos(?) Maru e Moro. Os dois rapazes ainda têm uma colega/love interest, a bonita Himawari (Girassol).

A tecnologia deu um senhor empurrão aos anime ultimamente e este filme beneficia muito disso. Pela primeira vez num anime, a riqueza do trabalho de ilustração de Mokona Apapa é bem trabalhada, portanto, tanto o character design e toda a direcção de arte são muito bons e fiéis ao original. Gostei imenso do modo como as personagens se mexem, em particular Watanuki que parece um Jack Skellington desengonçado. Gostei muito também da novidade nos gráficos que as CLAMP nos trouxeram, como já disse, andavam um bocadinho cansativas.

A história é engraçada pois mistura a magia e o mistério da casa com as contrastantes personalidades do trio, nenhum dos três é sério, grave, compenetrado ou deprimido, como habitualmente são personagens envolvidas com magia (Subaru em Tokyo Babylon ou X, Kamui em X, etc.) e, no meio de gente muito egoísta e arrogante, os coleccionadores, há uma certa leveza no facto de Yuuko, Watanuki e Doumeki não se envolverem directamente com nenhum deles e ficarem na sua.

É um filme bonito de se ver, bem executado que traz algum ar fresco à obra das CLAMP, ultimamente em perigo de estagnar.

Este filme foi exibido num double feature com o filme de Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, cujas histórias se cruzam também na manga. Em Abril vai começar a ser transmitida a série anime de TV, mais uma para eu ver.

http://www.holic-tsubasa.com/

1 comentário:

Angelique disse...

Curiosamente, XXXHolic é para mim uma versão revamp mas sem a unresolved sexual-tension que fez de Tokyo Babylon aquilo que é hoje.

Entre a crítica à sociedade e à postura que os japoneses adotam no seu dia-a-dia, por vezes muito subtil através da enigmática Yuuko, XXXHolic foi para mim como a Coca-Cola foi para Fernando Pessoa, primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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