29.6.06

Ando a ver: NANA

Parece que NANA anda engasgada: já tinha sido ultrapassado o obstáculo de um início um bocado atrapalhado, a história já estava encarrilada e a tornar-se interessante, Sachiko (a verdadeira) já tinha aparecido, os Blast reuniram-se e... pespegam-nos com um episódio de recapitulação para encher?!!

Detesto episódios de recapitulação, tenho sempre a sensação de que se está a desperdiçar tempo precioso em que a narrativa podia avançar, até hoje só vi um de que gostei: o da série do Discovery Channel, Mythbusters, mas a série proporciona-se a isso. O episódio 11.5 de NANA está muito bem montado, mas arrasta-se na mesma! Por esta altura da série, qualquer um está ansioso para saber mais, um episódio destes funciona como um anti-clímax... nem é altura para fazer uma interrupção na história, não se passaram assim tantas coisas, ainda está tudo a começar! Ggrrrrrrrr!

Só espero que a ameaça de haver mais um não seja cumprida!

NANA ーナナー

25.6.06

Tokyo Mew Mew

Sob o título internacional de Mew Mew Power, estreou na SIC um anime de uma fornada mais recente e invulgar nas habituais escolhas deste canal. Trata-se de um magical shoujo, um pouco produzido para agradar também a um público masculino dos otaku adoradores de meninas com um ar kawaii (=cute), de olhos exageradamente grandes e demasiado submissas.

Mesmo assim, ao ver um episódio fiquei agradávelmente surpresa por a série não ser tão má como quis pensar antecipadamente. Apesar do chamado fan service (guarda-roupa que mostra o corpo, pelo menos pernas, minissaias, cuecas muitas vezes visíveis) e do design demasiado cute das meninas, este anime pareceu-me simpático e deu-me vontade de pelo menos voltar a ver um episódio.

Trata-se de mais um plot em que um grupo de meninas se transformam em algo para combater invasores ou demónios. Desta vez as meninas transformam-se em gatinhas antropomórficas, e à civil, ora frequentam a habitual escola secundária (com o também habitual uniforme escolar de marinheiro) ou trabalham a part-time numa pastelaria, convenientemente vestidas de empregadas de mesa com aventais em forma de coração e cheios de folhinhos (por isso é que não me entusiasmei com as primeiras imagens que vi, apesar de adorar gatos).

Os seus aspectos e personalidades são também convenientemente maniqueístas e adequados aos seus nomes originais (que infelizmente foram "traduzidos" para banais nomes em inglês, tipo Zoey, Bridget e Renee): Ichigo (=Morango) é a chefe, simpática e querida e veste-se maioritáriamente de cor-de-rosa e vermelho, Mint (=Mentol) é a amiga pragmática que se veste de azul esverdeado e azul escuro, Lettuce (=Alface) é a amiga certinha e intelectual, usa óculos e veste-se de verde, Purin (=Pudim - como pudim flan) é a infantil e irritante mas gira e veste-se de amarelo e laranja e Zakuro (=Romã) é a "gaja boa", de cabelos compridos, provávelmente a mais séria e madura, que se veste de grená e púrpura.
Depois ainda há os convenientes rapazes bonitos, um loiro e outro moreno, para formarem um triângulo amoroso com a protagonista. E já me ia esquecendo da "adorável" mascote, uma espécie de bola de pêlo cor-de rosa com orelhas e cauda de gato. Não sei para que serve, deve ter a função de fazer o elo ou transição das vidas normais de adolescentes das raparigas para gatinhas com super-poderes.

Apesar de os achar exagerados, gostei dos "fatos de combate" das meninas, são bons potênciais cosplays, os de empregada de mesa é que já achei demasiadamente a "esticar a corda" (se bem que os japoneses adoram isso, basta olhar para Doremi).

Não me parece que a história tenha grande continuidade ou evolução ao longo dos episódios, mas é um anime engraçado e divertido q.b., que, nem que seja por ser diferente dos habituais anime a passar na SIC, vou tentar acompanhar, e espera-me uma saga, pelas minhas contas são 52 episódios!

SIC
sáb., dom., cerca das 8:20

Tokyo Mew Mew - Pierrot
TV Aichi - Tokyo Mew Mew
4Kids TV - Mew Mew Power

18.6.06

Terminei de ver: Ace o Nerae! (live action)

Tenho pouquíssima experiência em ver doramas japoneses, a grande maioria que vi até agora eram sentais, as séries vulgarmente conhecidas como Power Rangers, e Pretty Guardian Sailormoon, que era quase um sentai. Neste estilo de séries, a sensação de artificialismo é notória e faz parte, portanto é complicado separar delas uma boa realização ou uma boa performance de um actor, sendo o seu único termo de comparação elas próprias.

Ace o Nerae! tem um formato mais comum, de série de televisão e portanto uma qualidade acima da média se formos comparar com os sentais. É adaptado de uma manga e anime, mas do género desportivo, isto é, muito contextualizado numa realidade banal. Com isto tudo e comparando com outras séries de televisão (independentemente da nacionalidade ou género), achei a série, narrativamente, muitíssimo bem estrturada.

Como disse no meu primeiro post sobre a série, cada episódio representa uma viragem na vida da protagonista, Hiromi Oka, todas as personagens estão muito bem definidas e claramente caracterizadas. Cada episódio é coerente sobre si, não deixando pontas soltas, fechando a cada um, um capítulo. As actrizes e actores têm performances sólidas, com destaque, pela positiva para Matsumoto Rio (Ochoufujin) que até é convincente a jogar ténis mantendo o penteado e a roupa impecáveis a toda a hora. Pela negativa talvez Sakai Ayana, não me convenceu como Midorikawa Ranko, deveria ser mais dura e máscula, e menos menina. Ranko é, talvez, das personagens mais perturbadas da série, tendo uma relação bem dúbia com o meio-irmão. Nesta versão isso foi pouco utilizado, ficando a relação de ambos suavizada a uma relação comum de irmãos com uma difeença grande de idades.

Quem perceba de ténis (não é o meu caso, apenas dou umas raquetadas), pode achar que, principalmente as raparigas, são pouco convincentes a jogar. Mas acho que isso está mais no modo como elas se mexem, como já disse Matsumoto Rio convence, e como são filmadas que com o facto de saberem jogar ténis. Penso que houve uma certa preocupação em não as mostrar demasiado profissionais e manter certos maneirismos femininos muito japoneses, tais como certos gestos com as mãos, o modo como Hiromi cai ou, até ao final da série, Hiromi continuar a meter os pés e joelhos para dentro, como qualquer adolescente japonesa. Talvez seja o meu olhar ocidental a falar mais alto, mas também estou a ser demasiado picuinhas.

A história é uma boa história de amadurecimento e manteve-se semelhante à primeira fase do anime, resumindo a fase profissional da carreira de Hiromi a uma conclusão. A meio do último episódio estava com medo de como resolveriam o final, principalmente após a morte de Jin, mas, ao contrário do que costuma ser mais comum, a elipse de tempo está bem feita (até Aya Ueto parece mais adulta) e não temos a sensação de que a acção acelerou para enfiar lá a informação toda no final. Só a tímida e desajeitada relação amorosa entre Hiromi e Todou me faz uma certa confusão, mas é uma abordagem demasiado japonesa para olhos habituados casais televisivos/cinematográficos norte-americanos ou brasileiros, onde as pessoas se tocam e trocam intimidades com outro à vontade e frequência.

Ace o Nerae! foi uma boa primeira abordagem à ficção televisiva japonesa, deu para perceber que aqueles senhores (e senhoras) sabem muito bem o que andam a fazer, não brincam em serviço e são tudo menos verdes na matéria. Há realmente algum desfasamento cultural e sociológico, mas o resultado final superou as minhas expectativas.

Ace o Nerae! - TV Asahi (1)
Ace o Nerae! - TV Asahi (2)

15.6.06

Kiteretsu Daihyakka

Tardei em comentar a novidade anime do mês no Canal Panda, Kiteretsu Daihyakka, em português apenas Kiteretsu.

Quem vir um episódio fácilmente percebe que este anime é da mesma autoria de Doraemon, Fujiko F. Fujio. Aliás é no excesso de semelhanças que está a falta de interesse neste anime. Parece que estamos a ver um clone barato de Doraemon, todas as personagens têm caracterizações demasiado parecidas, portanto perde na originalidade e na graça que me leva a ver, com gosto, um episódio de Doraemon de vez em quando.

O único aspecto que difere é que o protagonista humano, Kiteretsu é, ao contrário de Nobita, um miúdo dotado, génio inventor, portanto é ele quem engendra os inventos mirabolantes que lhes permitem ter aventuras fora do vulgar. O robôzinho que o acompanha por todo o lado, chamado Koro, qual Doraemon, é invenção de Kiteretsu e não faz muito mais que ser seu interlocutor. Todas as outras personagens têm equivalentes bem semelhantes em Doraemon: Miyo é Shizuka, Gorila é Gigante (aqui até as alcunhas são semelhantes) e Dongari será Suneo.

Acho muito mais piada à relação Nobita-Doraemon que à relação Kiteretsu-Koro. Nobita é desastrado, preguiçoso e incompetente e depende das fantásticas invenções do futuro e do bom-senso de Doraemon para se safar nas trapalhices que inventa. Kiteretsu, sendo um miúdo sobredotado, tira logo a graça toda, com a sua inteligência acima da média. Enquanto que em Doraemon as peripécias dependem da incompetência de Nobita e da sua aptidão para criar problemas para si e para os amigos e familiares, em Kiteretsu passa-se o contrário, todos dependem de Kiteretsu para lhes resolver os problemas. Mais básico e linear. O mal, o mal foi Doraemon ter sido inventado primeiro e Kiteretsu ter vindo beber desse sucesso, senão até que seria um anime razoável para miúdos.

Fiquei surpreendida ao perceber, na pesquisa que fiz sobre a série, que durou uns espantosos 301 episódios. Estar a ser exibida no Canal Panda justifica-se, talvez como se justificou no Japão, por durar tanto tempo, por ser um anime para crianças. Como fã de anime que sou, o interesse por um clone de Doraemon é limitado e se vi e verei no futuro um episódio, será apenas porque calhou no horário ou no zapping.

Mesmo assim recomendo outro anime da mesma autoria, Ninja Hattori, que também já passou no Canal Panda, e cuja a história, partilhando um universo semelhante do dia-a-dia de crianças da primária, tem uma permissa mais interessante, integrando dois pequenos irmãos ninjas (um mais experiente e outro aprendiz) num quotidiano banal.

キテレツ大百科

Canal Panda
2ª - 6ª: 09:00, 14:00

CINE-ASIA: Bishoujo Senshi Sailormoon R


Japão, 1993, 60min

Site oficial - Trailer - Fotos 1 2

Sinopse: A tranquilidade de um passeio em grupo por Usagi, Mamoru e as amigas é perturbada por uns estranhos acontecimentos, seguidos de um ataque extraterrestre. Como Sailor Senshi (Guerreiras Sailor), Usagi (Moon), Ami (Mercury), Rei (Mars), Makoto (Jupiter), Minako (Venus) e Mamoru (Tuxedo Mask) conseguem neutralizar temporáriamente o ataque. Mas Fiore, o extraterrestre, fere gravemente Tuxedo Mask e rapta-o. Para resgatar Tuxedo Mask e salvar a Terra do ataque, as guerreiras teletransportam-se para a nave espacial de Fiore, travam uma dura batalha mas tudo acaba em bem graças ao poder do Cristal Prateado, à amizade e ao amor.

Crítica: Este filme é um típico exemplo de um filme produzido sob a sombra de uma série de anime bastante popular, transportando-a para mais um meio comercial, o cinema. Ao adapatar a manga de Sailormoon para série anime, provávelmente nem a autora da manga, Naoko Takeuchi, nem os estúdios que a produziram, Toei Animation, previram o boom de sucesso que ela acabou sendo. Talvez por isso o filme para cinema tardou e só foi produzido no seguimento da segunda série de televisão, Sailormoon R (mais de 1 ano após o início da exibição).

Para quem vê este filme sem estar a par da série de televisão pode não perceber algumas das subtilezas deste universo. Há realmente uma pequena apresentação, antes do genérico, mas limita-se a mostrar quem elas são e o que fazem de extraordinário. É supreendente como o realizador, Kunihiko Ikuhara, não caiu na tentação de fazer uma re-introdução psicológica das personagens que, à partida, toda a gente conhecia, na introdução do filme. Foi sim introduzindo algumas das suas características-chave ao longo da narrativa, contando, pelo meio, alguns pormenores nunca antes vistos. Portanto, o espectador ignorante do mundo Sailormoon acaba não saindo baralhado, mesmo não possuindo muitos dados acerca da série.

Esta história é 100% original, foi escrita pelo argumentista da Toei e não baseada em acontecimentos ou persongens da manga. Com isso segue uma intriga bastante típica da série de televisão, funcionando como um episódio alongado ou especial, que se poderia integrar algures a meio da série em exibição na TV, como um complemento.

A história, seguindo essa fórmula sedimentada, aproveita bem as características da série, dando-lhes a volta e introduzindo dados novos que provávelmente já tinham intrigado os fans (tal como a explicação para as rosas vermelhas de Tuxedo Mask). Graças ao tempo mais alargado disponível, permite-se uma estrutura mais cinematográfica contando duas histórias, em tempos diferentes e em paralelo, unindo-as no fim, na conclusão. Apesar de ser um shoujo (anime para raparigas) os 60 minutos estão cheios de acção, de batalhas atrás de batalhas, que culminam num emocionante climax do desafio final que se põe às meninas. Mesmo sendo evidente o investimento comercial (vamos-fazer-mais-uns-trocos-em-salas-de-cinema e vamos-editar-mais-uns-CDs-com-canções-novas) o resultado final é surpreendentemente coerente e agradável, com uma qualidade acima da média para um filme anime quase exclusivamente criado para fazer dinheiro.

Devido a tanto sucesso os meios de produção disponibilizados são bons e caros, sendo a pintura dos acetatos, cenários, animação e todo o artwork muito mais cuidados que na variante para TV. São impressionantes os cenários do bairro Azabu-juban, em Tóquio, onde elas vivem, que neste filme se percebe muito melhor como é. Os ataques, para além das sequências utilizadas na série, são nos mostrados com variantes novas e as sequências das transformações foram “polidas”. Houve também um dos primeiros e tímidos investimentos em animação 3D digital na nave espacial extraterrestre. Mesmo que rudimentar, foi um grande avanço, os japoneses tardaram bastante a integrar o 3D na animação tradicional, só os produtos de garantido sucesso comercial foram alvo desses primeiros investimentos. A banda-sonora também sofreu algumas reorquestrações e teve direito a uma série de temas novos, uma das novas canções é cantada pelas actrizes que dão a voz às personagens (Moon Revenge) e que reforça a batalha final.

É um filme de entretenimento, que se vê com boa disposição e que alia, em equilíbrio, cenas de dia-a-dia e comédia com cenas de acção e romance numa conjugação de géneros, muito característica do anime para raparigas, sem tentar se levar demasiado a sério.

Classificação: 7/10

8.6.06

CINE-ASIA: Ugetsu Monogatari (Contos da Lua Vaga)

Mais uma crítica a um filme japonês, desta vez o lindíssimo clássico de Kenji Mizoguchi. Leiam, mas, principalmente, vejam o filme!

3.6.06

Comecei a ver: Ace o Nerae! (live action)

Não é o anime com muita pena minha. Há uns anos passou na RTP, sob o título de Jenny, a Tenista, e o impacto do anime em mim foi muito grande. Pela primeira vez tinha uma paleta de cores extremamente invulgar, muito cheia de cores quentes e tons escuros, um character design mais adulto e uma história de conquista pelo esforço. Já tinham sido exibidos alguns anime de desporto, mas este foi o primeiro que verdadeiramente me impressionou.

Há cerca de dois anos esta manga de 1974, foi novamente adaptada para televisão, pela ocasião em que se comemoravam 20 anos da manga que foi também reeditada numa box de luxo. Desta vez a adaptação foi um dorama, ou seja, no formato telenovela japonês. Nessa altura tive curiosidade em ver a série, mas como coincidiu com o dorama de Sailormoon, acabou sendo adiada.

Enquanto que a adaptação de Sailormoon foi produzida para um público mais infantil e, portanto, foi uma série de 49 episódios de 25 minutos, Ace o Nerae!, com um público-alvo mais velho, tem 9 episódios de 45 minutos.

Devido ao tipo de produção leva-se consideravelmente menos tempo a "entrar" naquele universo e, fora o penteado e laço de Ochoufujin e a ocasional bola de ténis digital, está tudo bastante credível e realista. Os actores também têm performances mais naturalistas e sérias, talvez fruto de uma maior experiência (a maioria das meninas em Sailormoon nunca tinham feito nada antes). Aya Ueto, nome facilmente reconhecível a quem segue as idols japonesas, tem uma performance bastante sólida como a protagonista Oka Hiromi.

Mas quem realmente me impressionou foi Ochoufujin (Madame Butterfly, na versão portuguesa), ou Ryuuzaki Reika, o seu verdadeiro nome (Matsumoto Rio interpreta). Apesar do visual bastante próximo da manga de 74 e um pouco artificial, toda a sua performance estabelece uma coerência de tal forma forte que rapidamente esquecemos a sua caracterização física e a tomamos como elemento-chave da personagem. Reika é uma menina bem, muito rica, que práticamente nasceu a jogar ténis, pois o seu pai é o presidente da Federação Japonesa de Ténis. A sua pose de vedeta do colégio, especializado na modalidade, o seu ar de aluna mais velha, perfeita e mais talentosa que aconselha as outras, o seu altruísmo e frieza, aliados a um modo de falar mais elegante e roupas civis chiques e adultas, acabam por ter tudo a ver com o seu visual. Reika tem personalidade forte, é talentosa, mas acaba por sofrer por ter tomado uma postura fria e superior, chocando os demais se porventura tem algum acesso de emotividade.

Como os episódios são menos e mais longos a história desenvolve-se de forma mais escorreita sem introduzir demasiada palha ou o clássico episódio de fazer-render-o-peixe. Cada episódio até agora representa, de alguma forma, um ponto de viragem para Hiromi. Também a quantidade de merchandising/product placement é menos óbvia, fora as inevitáveis marcas de equipamento desportivo.

Quero ver mais e rever a série de anime (já agora ler a manga)!

Ace o Nerae! - TV Asahi (1)
Ace o Nerae! - TV Asahi (2)

PS - não sei bem porquê a TV Asahi resolveu fazer dois sites, com conteúdos semelhantes mas que se complementam.

30.5.06

Ando a ver: NANA

Já ando mais entusiasmada com esta série. Passados os rumores de que Ai Yazawa andava insatisfeita com a adaptação e retomado o fio narrativo da manga, parece que a história encarrilou. Se contar a história das duas Nanas de forma não linear resultou no filme e ajudou numa necessária economia narrativa, na série, definitivamente, não funcionou.

Habituei-me às vozes e já não me fazem confusão. Agora que se começou a entrar verdadeiramente na história das duas raparigas, a perceber que Hachi, apesar de subserviente, é suficientemente simpática e fiel para ser impossível gostar dela, que Nana, por trás da aparência fria tem sentido de humor e é generosa, já há espaço para a relação delas se desenvolver. Agora é que se começa a ver em acção o génio de Ai Yazawa que consegue criar histórias comuns, que nos tocam a todos, em ambientes menos comuns.

Estou expectante para ver como vai ser o concerto dos Trapnest, o reencontro de Nana com Ren e o recomeçar dos Blast.

Só continuo a detestar aqueles finais com uma menina de carne e osso chamada Nana, suposta apresentadora de TV, que não têm graça nenhuma e descontextualizam totalmente a série, apesar de serem um modo de nos mostrar locais que existem na realidade.

NANA ーナナー

22.5.06

CINE-ASIA: Fushigi no kuni no Miyuki-chan & Kagami no kuni no Miyuki-chan

Miyuki-chan no País das Maravilhas & Miyuki-chan no País do Espelho


Japão, 1995, 29min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Uma versão dos dois contos de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice do outro lado do espelho” em fast-forward e só com mulheres.

Crítica: Estes OAV’s (Original Animation Video) são um dois-em-um que resultam de uma espécie de brincadeira das autoras da manga, as CLAMP, sobre alguns dos temas que lhes são mais queridos: os livros da “Alice” de Lewis Carrol e jogos de consola. A brincadeira, aliada ao delirante espírito criativo das quatro, resultou num projecto conjunto que incluiu uma manga de edição especial (formato grande e com mais narrativas para além das de Lewis Carrol, tal como “Miyuki-chan no País da TV”, “Miyuki-chan no País dos Jogos”, etc.) e estes dois curtíssimos mas muito intensos filmes, “Miyuki-chan no País das Maravilhas” e “Miyuki-chan no País do Espelho”.

O bom nos anime feitos a partir da obra das CLAMP é a garantia de proximidade com os desenhos e as histórias desenvolvidas por elas para papel. Elas costumam ter um controle estreito na concepção dos anime extraídos das suas manga, mesmo quando não as quatro integrantes da equipa. Normalmente Mokona Apapa (agora apenas Mokona), a desenhadora principal, supervisiona o character design ou cria o guarda-roupa e Nanase Ohkawa (agora Ageha Ohkawa), a argumentista do grupo, escreve os argumentos ou, no caso das séries de TV, supervisiona essa escrita.

Estes videos são totalmente delirantes! Os diálogos são tão poucos e tão integrados na acção que mesmo que não se perceba japonês e se vejam os filmes sem legendas se percebe quase tudo. A familiaridade com as histórias originais ajuda um pouco também. Apesar da velocidade, todos os elementos mais importantes da história estão lá e, de uma certa forma, esta pequena narrativa é uma lição para quem adapta romances ao cinema.

O desvio do original começa com a protagonista, Miyuki-chan, uma rapariga estudante da escola secundária, com o uniforme de marinheiro (serafuku), característico das escolas japonesas. Como está na sinopse, não há homens, portanto todas as personagens masculinas do original sofreram uma “troca de sexo” e todas as habitantes do País das Maravilhas e do País do Espelho são mulheres sexy e extremamente atrevidas.

O Coelho Branco é uma coelhinha da Playboy (Bunny-san), as maçanetas da “Porta” são as mamas da Rapariga da Porta e todas as outras apresentam um guarda-roupa bastante reduzido. Em vez de estranharem ou serem agressivas para Miyuki (como com a Alice original) elas flirtam abertamente com ela, chamando-a constantemente de menina querida (kawaii ojou-san) chegando até a alguns apalpões muito pouco desejados por Miyuki. O culminar deste “assédio” é a Rainha de Copas, uma dominatrix com direito a chicote e tudo e as cartas, que querem ser “castigadas” por ela! Ou então o jogo de xadrez que é um strip-chess... e mais não digo!

Todo o desenho de personagens é extremamente engraçado e criativo, Tweedle-dee (Cho-ri) e Tweedle-dum (Tou-ri) são duas lutadoras gémeas, mas vestidas uma de azul e outra de vermelho, qual Chun-li de “Street Fighter”, quando luta contra ela própria. Os cenários levam-nos às vezes à segunda paixão das CLAMP, os jogos de consola. As cascatas flutuantes em “Miyuki-chan no país do espelho” lembram directamente um jogo de plataformas tipo “Sonic” ou “Nights in Dreams” (bastante populares à época). A música é talvez a parte mais delirante dos filmes. É completamente repetitiva, como a música dos jogos de consola, mas vai mudando de ritmo conforme os acontecimentos e parece que nos suga mais ainda na louca espiral de peripécias por que Miyuki passa e que se sucedem umas às outras.

A animação é de qualidade OAV, isto é, superior à qualidade de animação usada em séries de TV e um pouco inferior à qualidade exigida à animação para cinema. O que não implica que não tenha algumas cenas bastante caricatas, onde a animação dificilmente poderia ser melhor. Apesar de estes filmes serem feitos directamente para o mercado de vídeo, tal como as séries de anime para televisão, são sempre filmados em película de 35mm, o que lhes dá sempre uma qualidade de imagem que nem sempre se nota no NTSC. Em suma, é uma versão bastante pervertida da Alice, mas muito, mesmo muito, divertida.

Classifcação: 7/10

16.5.06

~Ayakashi~ Bake Neko


Bake Neko só tem três episódios, mas de resto a política da série manteve-se: os genéricos mudaram seguindo o grafismo da história que também mudou.

Esta história fala de um vendedor de remédios que entra, sem ser convidado, num casamento de uma família de classe alta. A noiva morre imediatamente antes de sair de casa e o vendedor revela-se mais como uma espécie de exorcista ou xamã, cuja missão ali é matar um demónio que assombra a casa e os seus habitantes.

O grafismo é deveras interessante, a paleta de cores parece imediatamente tirada de uma gravura de kabuki de primeira edição, em que as cores mais primárias têm um brilho de novas. Todo o design dos cenários é extremamente barroco e colorido, a arquitectura da casa é tradicional, mas a sua decoração não corresponde à decoração, normalmente sóbria, em que as cores são secundárias, com contrastes fortes de claro-escuro. Aqui não há um painel, porta ou parede que não seja decorado, com motivos de animais, há umas fusuma (portas de correr) ricamente decoradas com dois galos, flores, plantas, etc. Também há uma grande predominância de vermelhos e azuis-esverdeados, sem abandonar, claro, o preto e os dourados. Variadas vezes somos lembrados das cores da cortina de um palco de kabuki, na sua exuberância. Em cima disto tudo, inclusive das personagens, foi aplicada uma textura, semelhante ao papel feito à mão, que reforça mais ainda esta sensação de gravura.

O character design é também muito interessante, principalmente porque não há duas caras parecidas (corrijo, há duas: Tamaki e a noiva, mas faz sentido), e são algo caricaturados. Todos têm caras com feições muito características, o velho tem penca de velho, a noiva (e Tamaki) são as duas belezas da história, a criada tem feições redondas e lábios cheios, um dos homens tem manchas na cara, um outro covinha no queixo, etc., etc. O único que é verdadeiramente diferente é o vendedor de remédios que, apesar de se dizer humano tem orelhas em bico e umas pinturas-tatuagens na cara que lhe dão imediatamente uma ligação ao xamanismo nipónico. É talvez a personagem com o character design de que menos gosto, talvez por ser o menos realista do conjunto, mas continua a fazer sentido, pois deixa-nos sempre na dúvida em relação ao que a personagem verdadeiramente é.

A animação continua sem mácula e a história é bastante interessante, emocionante e um pouco sinistra, pois a maldade dos homens supera a maldade do demónio (Bake Neko=gato-demónio).

Com esta história, termina a série ~Ayakashi~. Foi uma excelente aposta pois as histórias confirmam a grande fama de histórias fantásticas que o Japão tem. O grafismo e realização mudarem com cada história fez com que toda a série tivesse um ar de animação de autor, mais cuidada, trabalhada e personalizada, disfarçada de animação comercial. Esta série é um bom exemplo para mostrar que a animação no Japão não é só Ghost In the Shell ou Akira, que eles têm excelentes profissionais e uma tradição na animação de autor maior ainda!

É no Japão que há um dos mais importantes festivais de animação do mundo, o Festival de Hiroshima, e muitos dos autores, que trabalham na indústria para televisão, quem sabe se para pagar as contas, têm uma rica obra de filmes de autor bem menos conhecida que os seus trabalhos mais comerciais. O maior exemplo disso é o grande Osamu Tezuka, autor da primeira série de animação para televisão, Tetsuwan Atom, Astro Boy, que tem uma enorme filmografia de pequenos e muito bons filmes de autor.

怪~ayakashi~

Ando a ver: xxxHOLiC

Definitivamente xxxHOLiC está a melhorar! O 5º episódio tem todos os ingredientes que gostaria que tivesse tido desde o primeiro: a ingenuidade e trapalhice de Watanuki, Yuuko a arranjar toda e qualquer desculpa para limpar a casa de sake, Mokona a enervar Watanuki e uma dose cavalar de mitologia tradicional japonesa aliada à aprendizagem de Watanuki num episódio maioritáriamente nocturno.

Ainda temos de brinde Doumeki a mostrar as suas impecáveis qualidades no Kyudo e a sua relação com Watanuki e Himawari a evoluir. Esperemos que continue neste caminho.

Para além disso, o pequeno raposinho não poderia ser mais kawaii [=cute]!

xxxHOLiC - TBS Animation

13.5.06

Protesto

Hoje vi um episódio da fabulosa série Noir, mas nem tudo estava OK, via a Mireille, a Kirika e a Cloe esticadinhas.

Nos últimos tempos há uma "moda" nos anime de serem em formato 16:9, não tenho absolutamente nada contra isso, considero apenas uma opção estética. O que não percebo é porque raio a SIC-Radical, se compra as séries nesse formato, depois as emite em 3:4.

Tenho um amigo que tem uma televisão panorâmica e que fica todo satisfeito quando as séries são transmitidas assim (também aconteceu com Last Exile), isto porque os limites da imagem são esticados para atingir os limites do écran, mas se a série for emitida com as famosas barras negras ele acaba por ver a imagem a "nadar" no meio do écran. Por isso é que eu, com uma banal televisão de 3:4, as vejo esticadinhas e ele, com uma televisão panorâmica (16:9) as vê como deve ser.

Por mais que compreenda o ponto de vista do meu amigo, aqui é que está o problema: acredito que a grande maioria dos portugueses pertencem ao meu grupo e têm uma televisão clássica 3:4 e, portanto, vêm a maioria dos anime da SIC-Radical distorcidos. Quem tomou a opção de emitir assim as séries deve pertencer à minoria que tem uma TV panorâmica e deve se estar pouco lixando para a grande maioria que as não tem! Que raio de opção é essa? Não sei ao certo o que isso implica tecnológicamente numa estação de emissão de TV, mas compreendo mais ou menos o que se passa com os DVDs e se, com os DVDs o problema pode ser resolvido, este tipo de falhas técnicas nunca deveriam acontecer! Agora lembrei-me, a RTP quando transmite algum programa em formato panorâmico, faz um pequeno aviso e nunca que eu vi esses programas esticados. Cá para mim a SIC deveria substituir ou os técnicos ou a maquinaria de emissão.

Acho que quem tem esse tipo de função deveria ter a preocupação de emitir um programa no formato da maioria dos receptores, do mesmo modo que, quem concebe sites para internet, tem de os testar nos variados browsers. O ideal, ideal seria que ambos os casos, o meu e o do meu amigo, saíssem satisfeitos e nenhum visse as séries com falta de qualidade: eu com as barras negras e sem distorção e ele com a imagem a preencher totalmente o écran.

12.5.06

Comecei a ver: xxxHOLiC

Depois da agradável surpresa que foi o filme xxxHOLiC: Manatsu no Yoru no Yume, a série de TV tem custado um pouco a arrancar. Agora que vi o 4º episódio, todas as personagens principais e o ambiente em que actuam foram introduzidos, finalmente a história avançou um pouco. Os episódios anteriores não foram, de todo, inúteis, mas também não foram muito cativantes. Para além de alguma falha, até agora, em intensidade de emoções (talvez agravada por uma animação aquém das minhas expectativas) o humor irónico de Yuuko e as simpáticas trapalhices de Watanuki não são assim tão presentes.

O que sinto é que o filme criou expectativa para um novo trabalho, baseado numa manga das CLAMP, fora da quase-rotina a que tinham chegado, mas a série de TV é uma versão um pouco suavizada do muito interessante, bem feito e divertido filme. Também, hoje-em-dia, num universo de anime cheio de séries fantásticas e de terror, com produções acima da média e com atenção a um público adulto, acho que esperava algo mais soturno e intenso e com uma qualidade técnica correspondente ao esperado de estúdios como a Production I.G..

Tenho lido algumas opiniões na net sobre esta série de anime, uma vez que não li a manga e não posso fazer essa comparação. Aparentemente a manga corresponde mais às minhas expectativas de um universo mais obscuro e misterioso. Ao que parece as ligações a Tsubasa RESERVoir CHRoNiCLE, não vão existir, mas pelo que vi da série de televisão, ainda bem!

Continuo a gostar muito do character design (se bem que menos cuidado que no filme) e adoro o guarda-roupa de Yuuko, mas isso é 100% responsabilidade das autoras, as CLAMP. Também continuo a gostar muito do modo como Mokona fala, muito parecido com o da Ed de Cowboy Bebop.

Quanto à banda-sonora, achei banalzinha, nada que chame a atenção. Não acho piada à canção do genérico de abertura, mas a do genérico final é engraçadita.

Vendo xxxHOLiC até agora, vou ter de me mentalizar para alguns episódios de enchimento, onde pouco acontece, mas, pela amostra do episódio 4, os episódios em que a narrativa avança, têm boas possibilidades de ser bastante bons!

xxxHOLiC - TBS animation

6.5.06

CINE-ASIA: Loft

Como escrevi anteriormente, sendo que este filme não é anime, não publico a crítica aqui, uma vez que este é um blog dedicado a anime e seus derivados. Este é o último filme de Kyoichi Kurosawa, um dos melhores realizadores japoneses desta nova geração de cineastas do fantástico e terror. Clicando no título do post, pode-se ler a crítica no Cine-Asia. Boa leitura!

4.5.06

Captain Tsubasa

Eu sou daquelas aves raras em Portugal que não liga a mínima a futebol, mesmo assim, não poderia deixar passar a reposição de Captain Tsubasa no Canal Panda em branco até porque acho esta série deliciosa! Não sei se vou seguir a série episódio a episódio, porque já a vi, em tempos, quando deu ainda na RTP, aos fins de semana de madrugada, parte dobrada em português, parte dobrada em italiano!

Dobragem e alterações de nomes à parte, coisa que aliás nunca percebi, em particular nesta série em que a grande maioria dos intervenientes são japoneses e os nomes japoneses, apesar de exóticos, são mais fáceis de pronunciar correctamente por um português que nomes anglo-saxónicos, é uma boa série de anime.

A melhor e mais divertida recordação que tenho da primeira vez que vi esta série eram os extremamente intensos, emocionantes e longos jogos de futebol que se prolongavam por dois ou mais episódios, era quase necessário só um para eles atravessarem o campo de futebol.

Revendo hoje um episódio cheguei à conclusão que, apesar de um character design algo tosco, de uns cenários muito simples e uma genérica ausência de efeitos especiais (fora as proezas dos jogadores), esta é uma série muitíssimo bem realizada. A ideia de filmar os jogos com a câmera à altura da bola (no chão) é, no mínimo, digna de génio. Todo o modo como os jogos a decorrer e a relação entre personagens, dentro e fora, é conjugada torna os longos jogos extremamente emocionantes de uma forma bem diferente de ver um verdadeiro jogo de futebol (pelo menos na TV), de tal forma que fez uma desinteressada no futebol, como eu, ficar vidrada.

A vantagem de repor no Canal Panda é que, pelo menos, os episódios hão de passar todos seguidos e em horários fixos, sem as alterações loucas de programação dos canais públicos (não cheguei a acompanhar a 2ª série por causa disso). Se bem que o horário não é lá muito simpático, só se se for morcego ou madrugador (e vivam os VHS!).

Como curiosidade: no 2º volume da manga de Captain Tsubasa: Road to 2002 (a série de manga mais recente) aparecem várias vedetas do futebol internacional, incluindo no nosso Figo, que os japoneses, não sabendo como o nome se pronuncia, escreveram à inglesa ファイゴ - Faigo. Não são só os portugueses que se enganam!

Captain Tsubasa - TV Tokyo

Canal Panda
2ª - 6ª: 07:00, 13:00, 20:30
sab., dom.: 08:00, 14:00, 20:30

1.5.06

Comecei a ver: NANA

Já não era sem tempo de falar aqui de NANA, afinal a série já estreou há quase um mês. Mas, na realidade, faltou-me um bocado de motivação para o fazer.

De uma certa forma a série de anime tem sido uma pequena decepção, o estilo é demasiado melodramático, não gosto por aí além do cast de vozes e continuo a achar que as músicas dos Blast não são punk, mas qualquer coisa entre o rock e o pop, mas ainda estou para perceber o que é que os japoneses entendem por música punk. Talvez seja a voz feminina, que desvia o som para outros géneros, ou então compromissos comerciais com as editoras discográficas, mas, para mim, música punk é um som como Sex Pistols, The Clash, PIL e Blondie (maravilhosa Debbie Harry!), para dar alguns exemplos.

Acho que estava à espera de algo mais intenso e pontuado com o habitual humor sarcástico de Ai Yazawa. Confesso que a personagem de Komatsu Nana (Hachi) nunca me atraiu muito, acho-a sonsa e parvinha, mas a sua relação com Oosaki Nana (Nana) e o seu grupo de amigos, já acho muito interessante. A história de uma rapariga "normal" que se integra num grupo de outsiders simplesmente porque tem uma personalidade simpática e acessível, mas com uma enorme carência por verdadeiras amizades. Já Nana considero uma personagem bem mais complexa, com um passado duro e triste que a tornou muito independente e lhe deu uma força descomunal para lutar pelos seus sonhos.

Acho a voz de Hachi demasiado infantil, podia ser aguda e feminina sem esse lado demasiado Usagi de Sailormoon, não fica bem numa história como NANA. Por outro lado a voz de Nana é demasiado grave, gostei muitíssimo mais da voz de Mika Nakashima no filme, que fala sempre num tom grave e sério mas que tem, na realidade, um timbre mais agudo e feminino. A personagem já é muito forte, a sua voz não precisa de ser redundante. Ren parece-me ter uma voz demasiado calma, suave e séria, mais de acordo com a personalidade de Yasu, ele é circunspecto e independente, mas não tão adulto e responsável. Todas as outras personagens que apareceram até agora, as suas vozes parecem-me adequadas, bem, a de Misato [não sou eu! ;)] é demasiado infantil também.

Pelo lado positivo, e, apesar do que disse anteriormente, estou a gostar da série, o character design respeita muito os originais de Ai Yazawa, ao contrário de Para Kiss, mas gostava que o uso das cores fosse um pouco mais semelhante, acho demasiado rebuscado nos efeitos de luz, sombra e dégradés, coisa que não se vê nas ilustrações da mangaka, que são mais pop.

Das adaptações de Ai Yazawa a anime, continuo a preferir, de longe, Gokinjo Monogatari, e a achar que, apesar de o character design ser demasiado diferente do original, Para Kiss estava mais perto do universo dela na abordagem feita à narrativa e no tom em que a acção se desenvolvia.

NANA ーナナー

24.4.06

~Ayakashi~ Tenshu Monogatari


Acabei de ver o segundo segmento de ~Ayakashi~.

Tenshu Monogatari trata-se da história do amor entre um humano, um falcoeiro, Zussho-no-zuke, e uma wasuregami (deusa esquecida), Tomi-hime. Por serem de dois mundos incompatíveis e diferentes (os wasuregami alimentam-se de humanos para sobreviver), o amor de ambos é logo amaldiçoado. Os dois tentam separar-se, Tomi-hime expulsa Zussho-no-zuke do castelo e ele casa-se com a sua noiva humana, Oshizu, mas não conseguem evitar voltar a ficar juntos.

A reaproximação de Zussho-no-zuke e Tomi-hime provoca uma guerra entre humanos e wasuregami que resulta num massacre do qual apenas sobrevivem os dois amantes que tomam a forma de dois falcões para permanecerem juntos.

Mesmo sendo uma história interessante, mais romântica e fantástica que a anterior, gostei mais de Yotsuya Kaidan. O character design e direcção de arte mudaram, as cores ficaram menos sombrias adoptando mais tons pastel e as personagens, mantendo um traço realista, foram suavizadas. Não sei se foi por isso ou não, mas achei a história menos empolgante e atraente, se bem que não é própriamente má ou aborrecida. Talvez seja menor conhecimento da época desta história, anterior a Yotsuya Kaidan, e das suas mitologias, mas o certo é que ficou aquém das minhas expectativas, senti falta de ter tido um ou dois arrepios a mais.

怪~ayakashi~

22.4.06

CINE-ASIA: Cutie Honey

Já aqui falei de Re: Cutie Honey, a minha última contribuição para o Cine-Asia é sobre o filme que também fez parte do mesmo projecto.



Japão, 2004, 94min

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Cutie Honey não é uma rapariga, mas sim uma androide com superpoderes. Mas os seus poderes esgotam-se e para recarregar energias Honey tem de comer (e como!). À margem da lei, ela age como uma justiceira, para grande irritação de Natsuko, provávelmente a única detective da polícia com competência. As duas, com a ajuda de Seiji, um jornalista metediço, acabam envolvidas numa trama dos Panther Claw para dominar o mundo e salvam-no com... amor!

Crítica: Este é daqueles filmes que se uma pessoa não está devidamente mentalizada para o factor “humor do disparate” é melhor não ver. Nada aqui faz verdadeiramente sentido, mas, o que é que isso interessa verdadeiramente? O filme é super-divertido, alucinado, com efeitos especiais assumidos e uma estética altamente colorida (preparar para doses industriais de cor-de-rosa).

Cutie Honey fez parte de um projecto comemorativo da série de manga, anime e OAVs de autoria de Go Nagai, que também assina o argumento deste filme. Este projecto, com produção dos famosos estúdios da Gainax (Evangelion) e realização de Hideaki Anno, co-autor de Evangelion, além de lançar em DVD todo o material existente até agora de Cutie Honey, produziu este filme e, em paralelo, uma série de 3 novos OAVs de animação, Re: Cutie Honey, que funcionam como uma espécie de complemento do filme.

Como já disse, o grande mérito do filme é ser divertido, mas, analisando um bocadinho mais profundamente, é mais que isso. Todo este universo já é à partida um bocado alucinado e estranho, a heroína, para além de muito pouco convencional, não tem práticamente pudor algum, acaba sendo um exemplo exagerado de como os japoneses encaram a sexualidade, um misto de atrevimento e ingenuidade. Os vilões (melhor dito: vilãs) são completamente narcisistas e nunca vêm para além do próprio umbigo, nem mesmo os companheiros de conquista do mundo.

Os capangas, ou seja, carne-para-canhão, são isso mesmo: carne-para-canhão. O suposto “galã”, Seiji, em vez de proteger Honey (claramente bem mais forte que ele), flirta com ela e Natsuko o tempo todo. E a força policial é do mais incompetente que se possa imaginar, fora a esforçada Natsuko que, por falta de apoio, raramente consegue prender alguma das vilãs.

À primeira até pode parecer um filme extremamente sexista, no modo como as mulheres estão constantemente a ser despidas, mas, dentro do contexto, é tudo tão hilariante que não há feminista que resista (às mais fundamentalistas o melhor é não verem o filme de todo). No fim das contas, neste filme, são as mulheres que dão as cartas: são mulheres que querem conquistar o mundo, são as mulheres as únicas que mostram algum tipo de inteligência e são as mulheres que salvam o mundo.

Fiquei agradávelmente surpreendida com a actriz Eriko Sato, que desconhecia, pois não acompanho as carreiras das idols japonesas, mas que encaixa na perfeição na atrevida, mas totalmente naïf Kisaragi Honey. Também todos os outros actores nos papéis principais foram bem escolhidos e têm uma óptima performance dentro deste universo.

Tecnicamente o filme mostra por vezes as costuras, mas também acho que melhor não pode ser exigido, pois, apesar de ser um live action, este filme poderia ser muitíssimo bem um anime, sem tirar nem por. Tanto que, se se vir Re: Cutie Honey logo a seguir, as diferenças são poucas, só se muda de meio (bem... há mais nudez).

Mas os efeitos especiais são exageradamente engraçados (e muito gráficos), as caracterizações das vilãs excelentes (não há fechos éclair “à lá Godzilla” visíveis) e os cenários e guarda-roupa coloridos, mas a respeitar na totalidade este universo. A acção é de tal forma rápida que é difícil, num primeiro visionamento, apanhar todos os pormenores, mas a realização é fluida, de forma que o espectador é litralmente engolido pelas aventuras de Honey.

Classificação: 7/10

16.4.06

CINE-ASIA

Fui convidada para colaborar regularmente noutro blog, o Cine-Asia, com críticas a filmes japoneses (eles abrangem todo o cinema asiático, mas vou me limitar a filmes japoneses), com preferência para o anime.

Por aqui vou publicar as críticas que forem de filmes em anime ou directamente ligados a anime e/ou manga. A formatação do texto vai ser a do Cine-Asia mas sou capaz de fazer algumas pequenas alterações que fazem mais sentido neste blog.

Se fizer crítica a outros filmes, farei apenas um link directo ao artigo.

CINE-ASIA: Cowboy Bebop: Tengoku no Tobira

Cowboy Bebop: Knockin' on Heaven's Door

Japão, 2001, 120min

Página Oficial - Trailer

Sinopse: Num futuro não muito diferente do nosso, com a excepção de que a tecnologia permite a utilização do espaço sideral ao comum mortal, um camião TIR explode numa auto-estrada matando vários civis. Faye Valentine, membro involuntário do grupo de bounty hunters, caçadores de prémios, que tripulam a Bebop é, provávelmente a única testemunha que sobrevive. Na explosão foi espalhado um vírus que, lentamente, aniquilou as outras testemunhas...

Crítica: Apesar de este filme ter sido produzido no seguimento do sucesso da série de televisão homónima (passou no primeiro bloco de anime da SIC Radical), qualquer um o pode ver sem estar familiarizado com as personagens.

Este foi o primeiro filme anime que vi a que pude, com toda a segurança, chamar de FILME. A história é complexa, toda a produção visual, desde o character design (do excelente Toshihiro Kawamoto) à animação, passando pelos cenários, é sublime, extremamente bem feita e complexa. A realização é da melhor qualidade que se pode encontrar em qualquer filme de acção. Tal como na série o tom varia bastante entre o drama de acção e a comédia sarcástica (ver o isqueiro do contacto marroquino de Spike) que lhe dão um ritmo bem interessante e despoletam algumas gargalhadas bem honestas. Ao rever agora o filme, tentei imaginá-lo não em animação mas com actores de carne-e-osso e é bem fácil de o conceber.

No fundo, apesar das ligações óbvias à série (personagens principais, universo ficcional) esta história funciona como um episódio à parte, mas realizado com uma qualidade de cinema. Claro que, se se vir a série antes de ver o filme, é sempre uma mais-valia, no sentido que as personagens principais, Spike, Jet, Faye, Ed e Ein, lá estão mais desenvolvidas, conhece-se o seu passado e outras características impossíveis de “entalar” em duas horas de filme.

É curioso reparar como os acontecimentos do 11 de Setembro, mesmo tendo acontecido uns dias após o lançamento do filme (01.09.2001), têm citações aqui. Aliás as referências, para além do terrorismo, bairro marroquino, etc. são bastante claras, principalmente nas duas torres gémeas desta cidade que, inclusive, são mais uma vez filmadas, à semelhança de como as Twin Towers originais muitas vezes o foram, como um recorte ao pôr-do-sol. Parece que adivinharam!

A nível visual este filme é de um detalhe impressionante, desde os reflexos das “abóboras alegóricas” nos prédios em redor, à magnífica encenação da luta final entre Spike e Vincent, quase toda ela em contra-luz com os fogos de artifício a iluminar o cenário. Numa cena em que Jet se encontra com um ex-colega, detective da polícia, num cinema, o filme a passar no écran é claramente um “western” de Hollywood dos anos 40, com John Wayne. Não tenho dados suficientes para dizer qual é o “western”, mas acredito que o filme exista. Isto para não falar das cenas de acção, lindamente coreografadas, a fazer lembrar filmes de James Cameron ou mesmo os Matrixes e afins.

A banda-sonora, assinada mais uma vez por Yoko Kanno, é símbolo do seu enorme talento. Já a banda-sonora da série de televisão era invulgarmente extraordinária, talvez até uma das melhores da sua autoria. A do filme continua no mesmo estilo, variando entre o country e rock para o jazz, com algumas variantes de world music (especialidade de Yoko Kanno), com a desculpa de que parte do filme se passa no bairro marroquino. A música neste filme, como o título indica, é muito importante e enriquece enormemente o ambiente, sem perturbar a acção ou ser excessiva.

CLASSIFICAÇÃO: 8/10

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