2.9.08

Neko no Ongaeshi

Neko no Ongaeshi (O Reino dos Gatos) é daqueles filmes de que tomei conhecimento mesmo antes de existir. Já nem sequer me lembro bem onde é que vi a primeira imagem do Baron, que imediatamente me fascinou e quis ver o anime onde ele entrava. Nessa altura Baron e Muta, as duas únicas personagens que transitaram para este filme, entravam numa outra produção dos Estúdios Ghibli, Mimi o Sumaseba (Se ouvires com atenção), que até hoje nunca vi. O Barão e Muta foram criados como personagens de um parque temático que acabou por não ser construído e acabou por dar origem a uma manga, Neko no Danshaku, Baron (O Barão Gato, Baron). Gostando das personagens e da História, Hayao Miyazaki apoiou o projecto que daria origem a este Neko no Ongaeshi, realizado por Hiroyuki Morita. Comprei o DVD há que tempos mas na altura não tive oportunidade de o ver e acabou por ficar na estante à espera do dia de hoje.

Neko no Ongaeshi é uma deliciosa fantasia com gatos. Haru é uma rapariga banal que um dia salva a vida de um gato que lhe agradece verbal e educadamente e lhe faz uma vénia. Ao contrário do que seria de esperar, a recompensa da boa acção de Haru é um incómodo e não uma bênção. Haru tenta escapar mas é levada à força para o Reino dos Gatos e tem de escapar de lá quanto antes.

A permissa, é fascinante personagem do Barão e todo o universo fantástico deste filme são fascinantes, mas o "objectivo" de Haru de auto-descoberta é um tanto confuso. Primeiro não é posto claramente como um problema, quando Haru entra em contacto com o universo dos gatos não se tinha percebido que ela tinha algum tipo de falta de auto-estima, era apenas uma adolescente trapalhona que gosta do rapaz mais giro da turma. Quem coloca primeiro o dedo na ferida é o Barão, é a partir desta ideia, enfiada um bocado à força na história, que a auto-descoberta passa a ser o objectivo de fundo de Haru, para além da fuga do Reino dos Gatos.

Quem lê estas linhas até pensa que não gostei do filme, mas pelo contrário. Existem realmente algumas falhas de argumento, mas o filme continua sendo muito engraçado, interessante e vale a pena vê-lo. Começando pelos cenários, onde tanto a paisagem real, das ruas de uma metróple japonesa é retratada na perfeição: nas avenidas e ruelas, na sinalética, nas avenidas ladeadas de arbustos e gradeamentos com o desenho das folhas de gingko, nas pontes de peões elevadas, no buliço, etc. A repartição do gato e o Reino dos Gatos continuam algo realistas mantendo imensos elementos do nosso mundo mas alterando-os um pouco. A praça onde é a repartição podia ser uma praça numa cidade europeia, com a grande diferença que tudo é numa escala menor, à escala de um gato. No Reino dos Gatos temos maioritariamente campo com espigas e erva-gateira e poucas construções. O lado irreal é nos dado por alguns elementos, as casotas dos gatos civis, a comida, as vestes dos gatos e, claro, o Palácio Real. Apesar de Haru ser uma personagem interessante, o verdadeiro fascínio neste filme está no Barão, uma estátua de um gato elegantemente vestido que ganhou alma. O Barão é um galã romântico que deixaria qualquer uma de coração a palpitar. É pena que se destaca em demasia das outras personagens e nos dá vontade de ver mais histórias com ele. (tenho mesmo de ver Mimi o Sumaseba!). É uma aventura leve e divertida, com um pequeno toque de romantismo e amadurecimento.

Infelizmente a edição portuguesa do DVD é demasiado fraca. Como se já não bastasse apenas ter o filme, ainda por cima as legendas não se podem tirar! Eu sei que pertenço a uma minoria que percebe minimamente o japonês, mas sempre que posso gosto de ver os filmes sem a perturbação das legendas. A tradução não está má, mas é claramente feita a partir do inglês. Isso nota-se em dois aspectos, no trocadilho com o nome de Muta e na troca de sexo de Natoru. A dada altura Haru engana-se e chama Buta a Muta. Buta em japonês quer dizer porco e por isso Muta ofende-se, pensando que ela lhe está a chamar gordo. Natoru, a arauto do Rei dos Gatos foi erradamente tornada macho por causa da dobragem americana que colocou um homem a fazer a sua voz, mas ela é uma gata (como se já não bastasse a Luna de Sailormoon)! Alguns timings das legendas também estão mal feitos, aparecem antes dos diálogos certos, antecipando a mensagem.

The Cat Returns // Nausicaa.net

2 comentários:

Sara disse...

Já alguma vez viste Shugo Chara ou Mermaid Melody?

Eu adoro esses animes, acho que estão engraçados ^^
Num certo ponto a Mermaid Melody começa a fartar mas fica se na expectativa para descobrir as outras sereias e tal... O.o
A 1ª tem 52 episodios e a segunda tem 30 e tal...

CC disse...

Olá! ^_^

Bom, antes de mais, quero dizer que também gostei do filme.
Em seguida, queria referir que achei muito interessante teres feito aquelas observações em relação à edição portuguesa, pois penso que, tal como eu, muita gente, não entendendo Japonês, não se apercebe do que tu contaste. Bem, e essa do gato que na verdade é gata parece que realmente virou moda! ;)

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